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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Só porque diz o que eu já disse ontem, mas…

Na opinião de António Vitorino, em Maio (quando se fez o primeiro pacote de austeridade) "deveríamos ter agido de outra maneira e de forma mais ampla".
É bom ver pessoas do quilate de Vitorino a dizerem coisas destas. Porque representam uma crítica à forma como o Governo conduziu as coisas. Mas vale a pena fazer uma pergunta: Porque é que Vitorino, e outras pessoas lúcidas do PS, não vieram a terreiro dizer isto em Junho… ou mesmo Julho? É que logo aí ficou claro que o Governo andava a empurrar com a barriga. Só não viu quem não quis!
Não conhecemos a resposta. Embora se possa especular: foi por solidariedade partidária? Se sim, foi um disparate: há muito que Vitorino mandou às malvas a política; o que lhe dá poder de intervenção. Foi porque alguns dos "lúcidos" não podem hostilizar o Bloco Central (negócios oblige)?
A atitude de Vitorino sintetiza o problema fundamental da política portuguesa: os "bons" estão do lado de fora; os "menos bons", e muitos medíocres, estão do lado de dentro (ou seja, existe um gravíssimo défice de qualidade na nossa classe política). E, salvo raríssimas excepções, os "bons" não põem o pescoço de fora para influenciarem o curso dos acontecimentos. Só falam à segunda-feira, quando toda a gente já conhece a chave do Totoloto.
É este défice de qualidade da classe política que está a atirar o País para um lodaçal, comprometendo o futuro. Valia a pena que os partidos (sobretudo os do poder) pensassem nisso, para ver se ainda vamos a tempo de dar a volta ao texto.
Ontem sobre o assunto, disse aqui, mais ou menos a mesma coisa sobre António Vitorino, uma das razões porque republico o tema, mas por outro lado para contrariar a generalização da ideia de que os “bons” estão do lado de fora e os “menos bons” e medíocres estão do lado de dentro.
Seria mais correcto dizer que, quem gosta de dinheiro, está do lado de fora, quase sempre (ou sempre) com um pé dentro, que sempre ajuda! Constata-se que também há competentes, que gostam de dinheiro e estão fora (poucos). Constata-se que quem está dentro, não é (só) por (in)competência, mas também porque gosta de dinheiro.
Toda a gente gosta de dinheiro, os caminhos e os montantes é que são diferentes (quando são)…

2 comentários:

  1. Miguel Loureiro:
    Pancada da forte lhes deu a Conferência Episcopal a esses políticos medíocres e, pior do que isso, mentirosos, como Anabela postou ontem no anabelapmatias.blogspot. Mas estou como «um» que disse que quanta pancada lhes derem pouca é, que, como a teimosa da historieta, continuarão a chamar-nos de piolhosos ainda quando os mandarmos a poço, e, já sufocados até ao gasganete, usando dedos em gesto e jeito de quem mata piolho.
    Ochoa
    P.S. Quosque tamdem abuterem socaticus patientia nostra?
    (Vai em latim esquecido)
    Abraço magoadamente solidário amigo.

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  2. Ângelo Ochoa
    Logo vou publicar mais uma posição da Igreja Católica (apesar de eu não ser praticante), porque só os argumentos valem, de onde vierem, para serem interiorizados por quem é de pensar, por si.

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