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sábado, 19 de abril de 2014

Depois das eleições europeias a gente (des)conversa…

Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália: os governos dos PIIGS, os países mais duramente atingidos pela crise, anunciam com entusiasmo as suas previsões de crescimento, “provocando uma onda de otimismo entre os investidores internacionais, que correram para resgatar as suas dívidas", observa o New York Times.
Mas o crescimento por si só, não é suficiente. "Porque, se os sinais de recuperação estão a emergir na eurozona, o custo humano da recessão de 5 anos que continua a aumentar", persegue o quotidiano americano. "Para dezenas de milhões de europeus, não será fácil voltar de uma meia década de privações económicas e de um desemprego à escala da Grande Depressão [crise de 1929]”. De acordo com um relatório do Eurostat, a agência europeia de estatísticas, mais de metade dos novos empregos criados na UE são temporários, insuficiente para fazer face às despesas.
Na reportagem em Atenas, o New York Times apoia-se no destino de Kostas Polychronopoulos, que no auge da crise, perdeu o seu emprego altamente colocado numa empresa de telecomunicações. Ele que ganhava até 6.000 euros por mês, no topo da sua carreira, passou mais de um ano a procurar novo emprego. Em vão. "Teve que deixar o seu apartamento ensolarado de Atenas, vender o seu BMW descapotável, e voltar a viver com a sua mãe idosa. Rapidamente se viu num lugar onde nunca teria pensado aterrar: na fila para a sopa popular."
O artigo do New York Times é mais extenso, mas não acrescenta muito às dúvidas sobre o entusiasmo reinante nos PIGS quanto às previsões de crescimento, que comprovaria a eficácia das medidas aplicadas e da “filosofia” da austeridade como solução.
Todos constatamos que, de repente, sem qualquer explicação e com surpresa para os próprios governantes dos países mais afetado deu-se o “milagre”: sinais tenuemente positivos nas respetivas economias, facilidades inesperadas nas idas aos mercados, descidas “à bruta” das taxas de juros em todas as maturidades, estranhas “baixas” nas taxas de desemprego, os países “melhor” e os cidadãos cada vez pior…
Entretanto, as dívidas sobem brutalmente, os objetivos do défice ficam longe do projetado, o futuro promete mais austeridade para uns, a pobreza aumenta para (quase) todos e as possibilidades de honrar as dívidas tornam-se impossíveis, mesmo depois de 30 anos de roubos confessados e de penitência dos inocentes…
Cabe então perguntar o que se passará de esotérico, sabendo que estamos (embora não pareça) num tempo de pré-eleições europeias, sabendo-se que nestes governantes os “investidores internacionais”, já sabem com o que contam… A extrema-direita é que pode borrar-lhes o desenho.
Não haja dúvidas de que a estratégia está desenhada para que tudo fique na mesma e que logo após as eleições, se os neoliberais tiverem a maioria, o retrocesso deste “sucesso” vai descambar de imediato, com uma vingançazinha de quem foi ameaçado pelo povinho, que terá de continuar a pagar os tributos e impostos aos seus suseranos, em troca de nada…
Por alguma razão o silêncio de Merkel e dos que estão melhor tem sido tão prolongado e sem tomar compromissos, em contraste com a euforia dos que estão mal e lhes deram esta amêndoa “doce”, que acabará por nos ser amarga…
É o coelhinho da Páscoa, que foi com o Vice ao circo, onde há palhaços…

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O milagre da redução dos peixes e do aumento do pão

“A questão que se coloca é: pode a mesma austeridade responsável pelo aumento sem precedentes do desemprego em Portugal estar agora a contribuir para a sua redução? De que forma?” - Mariana Mortágua
A taxa de desemprego no Reino Unido desceu mais depressa que o esperado para 7,1% entre setembro e novembro, segundo dados divulgados. Nos 3 meses anteriores, a taxa de desemprego no Reino Unido foi de 7,4%.
A diminuição do número de desempregados no Reino Unido em finais de 2013 foi maior do que a prevista pelos analistas.
O número de desempregados na Alemanha caiu em 28.000 para um total de 2.930.000 em Janeiro, anunciou o instituto federal de estatísticas.
Trata-se de uma descida superior à redução de 5.000 desempregados esperada pelos economistas.
A redução no número de cidadãos sem postos de trabalho foi contudo insuficiente para mexer na taxa de desemprego, que continua nos 6,8%, um mínimo de 20 anos.
A taxa de desemprego nos EUA dos caiu 3 décimas em dezembro, para 6,7%, face ao mês anterior, situando-se no nível mais baixo desde outubro de 2008, indicou hoje o Departamento do Trabalho norte-americano.
A queda da taxa de desemprego em dezembro passado, mês em que se criaram 74.000 empregos no país, deveu-se, principalmente, ao aumento do número de pessoas que deixaram de procurar trabalho e, que, por consequência, desapareceram como força de trabalho, justifica aquele organismo num relatório.
A maioria dos analistas esperava que a taxa de desemprego se mantivesse em 7% e que a economia dos EUA criasse 193.000 postos de trabalho em dezembro passado.
A taxa de desemprego na Irlanda caiu pelo 7.º mês consecutivo em dezembro, a 12,4%, de 12,5% em novembro, segundo dados divulgados pelo Escritório Central de Estatísticas. No seu pior momento, o desemprego no país atingiu 15,1%, em fevereiro de 2012.
O Eurostat aponta para uma taxa de desemprego em Portugal de 15,5% em novembro, o que representa uma recuperação de 1,5% face a igual período de 2012. Esta foi a 4.ª maior queda do desemprego na União Europeia, a seguir à Irlanda, Letónia e Lituânia.
No polo oposto, as maiores subidas do desemprego foram registadas em Chipre, Itália, Grécia e Holanda. Espanha e Grécia continuam com uma taxa de desemprego na ordem dos 26% a 27%.
A média na zona euro situa-se nos 12,1% e na União Europeia nos 10,9%.
É curioso que quando as taxas de desemprego começaram a subir em espiral, todos os economistas e governantes disseram, com ênfase, que foram surpreendidos…
Agora que as mesmas taxas começam a descer(?) os economistas mantêm a surpresa, sem saber as justificações, enquanto os políticos procuram associar o “milagre” às medidas milagreiras que (não) tomaram, apesar de os remédios para combater a epidemia não terem sido implementados, nem pelo Estado, nem pelos Privados: instituições financeiras, empresas energéticas, nem…
A justificação mais plausível para este fenómeno paranormal, talvez esteja no relatório americano e na explicação mais exaustiva de que se apresenta o final e que diz mais respeito ao nosso país…
“A questão que se coloca é: pode a mesma austeridade responsável pelo aumento sem precedentes do desemprego em Portugal estar agora a contribuir para a sua redução? De que forma?” - Mariana Mortágua
Saldo das políticas da Troika e do governo. Estamos melhor?
No pior momento, desde a entrada em vigor do plano da troika, o INE registava menos 500.000 pessoas empregadas em Portugal. Nos primeiros trimestres de 2013 continuava a haver registo de destruição de emprego, mas apenas nos horários completos. Esta destruição foi compensada pela criação de trabalhos precários, com horários abaixo das 10 horas semanais.
Entretanto, dos que mantiveram o emprego, mais de metade recebia o salário mínimo ou sofreu cortes de 23% no salário.
Existem em Portugal 5.500.000 de pessoas capazes de trabalhar. 1.200.000 pessoas está desempregada ou emigrou. 914.700 trabalha menos de 10h por semana. 989.000 trabalha mais de 40 horas por semana. 1 em cada 2 trabalhadores em Portugal encontra-se numa das situações acima descritas.
O desemprego não é um mero efeito secundário das medidas de austeridade e desregulamentação do mercado de trabalho, mas sim o seu resultado direto. Muito longe de mero sadismo por parte do governo e instituições internacionais que desenham estes programas, o aumento do desemprego estrutural é o instrumento que permite todas as alterações ao mercado laboral em Portugal. A troika destrói postos de trabalho hoje para os recriar no futuro, em menor número, mais precários e mal pagos. 
O "milagre" no mercado de trabalho português não reflete a melhoria das condições económicas, apenas o aumento da exploração que só o empobrecimento generalizado permite impor.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Um retrato feito do país das nossas "bidon-ville"…

Ainda ontem pedia a economistas que nos explicassem esta redução do défice e o consequente aumento da dívida, eis senão quando deparo com uma resposta vinda de França, que mais não é do que um retrato da nudez das políticas dos nossos governantes e da troika e da máquina de fazer pobres, que ensaiam em laboratório…
Vale a pena ler.
Portugal é um país exangue. O desemprego oficial, que se aproxima dos 20%, tem diminuído ao longo dos 2 últimos trimestres "em favor" de uma baixa da população ativa. Isto é o fruto de uma emigração em massa cujos fluxos atingem ou excedem os dos anos 60, que viu um grande êxodo de portugueses, fugindo da miséria, da ditadura e da guerra colonial (1). Metade dos desempregados não recebe subsídio de desemprego e são milhares de pessoas excluídas do rendimento mínimo de inserção, dos abonos de família ou do complemento social velhice.
Cristina Semblano
É que, embora não estando em guerra, Portugal está, sob a égide da troika, no seu 3.º ano de economia de guerra, apesar de (ou por causa de) os resultados económicos calamitosos das políticas cometidas durante 3 anos. Porque Portugal é um país onde, podemos dizer, com a precisão de uma experiência conduzida em laboratório, que os milhares de milhões de euros de sacrifícios impostos à população não tiveram nenhum efeito sobre a dívida cujo progresso é vertiginoso nem sobre o défice, sistematicamente revisto em alta em cada avaliação da troika.
É no entanto, munido dos resultados desta experiência, que Lisboa acaba de apresentar o orçamento mais austero da história da democracia desde 1977. O ajustamento orçamental representa 2,3% do PIB e faz-se essencialmente pelo corte direto sobre os salários dos funcionários e sobre as pensões da função pública.
Nestas condições, só o governo pode fingir acreditar que, apesar da nova redução drástica do rendimento disponível das famílias a que conduzirá inevitavelmente o "seu" orçamento, o consumo privado e o investimento vão estar lá para apoiar a sua hipótese de crescimento de 0,8%. Tanto mais que a violenta carga fiscal de 2013 será mantida e que 2014 vai ver novas reduções nos gastos com a educação, a saúde e transferências sociais. Restam as exportações, mas estas dependem da procura externa.
Como em toda a economia de guerra, a que prevalece em Portugal só faz perdedores. Enquanto apenas os funcionários e os aposentados da função pública contribuem com 82% do esforço de guerra em 2014, não é pedido aos bancos e aos monopólios de energia senão uma contribuição excecional de 4%, e o governo se tenha ainda dado ao luxo de baixar em 2 pontos o imposto sobre as empresas que tem como objectivo reduzir para 19% ou 17%, em 2016, em conformidade com o sacrossanto princípio neoliberal da criação de um clima propício ao investimento. Há outros vencedores da crise, a começar pelos credores a quem se destina, em 2014, a título de juros, um "tesouro escondido" equivalente ao orçamento da saúde. É para estes credores que os sacrifícios são exigidos ao povo de um dos países mais pobres e mais desiguais da UE. É para eles que se fecham escolas, que são racionados medicamentos, que se limita o acesso aos cuidados de saúde de uma parte da população e que se vende bens públicos em leilões.
As políticas de austeridade violentas mantêm-se por elas próprias: geram a sua própria intensificação, supostos remédios para o défice de que elas ajudaram a cavar. Cada euro de défice "poupado" em Portugal resultou numa perda de € 1,25 do PIB e um aumento de 8,76 euros da dívida; é assim que os credores estão garantidos de ter sempre uma dívida para financiar.
Como outros países sob a intervenção "efetiva" da troika, para falar apenas deles, a dívida portuguesa não é racionalmente reembolsável. Não é o resultado de desvios de um povo que viveu acima das suas possibilidades, mesmo que os especialistas do FMI insistam na necessidade de reduzir o salário mínimo em Portugal, que é de 485 euros brutos por mês, um dos mais baixos da zona do euro e da UE.
País semiperiférico, com uma economia de baixo valor acrescentado e muito dependente do estrangeiro, Portugal "pagou" a sua adesão à zona euro, por uma quase estagnação da sua economia, de modo que a dívida pública não conheceu uma trajetória ascendente desde a crise financeira e as transferências significativas do orçamento do Estado para apoiar a economia e salvar os bancos. Não podendo voltar-se para o Banco Central Europeu (BCE) para assegurar o seu financiamento, Portugal tornou-se, depois da Grécia e da Irlanda, a 3.ª vítima da especulação dos mercados financeiros, que abriu o caminho para a intervenção troika.
Depois de 2 anos e meio e milhares de milhões de euros de sacrifícios impostos à sua população, Portugal é um país mais pobre, voltou para a taxa de natalidade do final do século XIX e a emigração em massa da era da ditadura. A sua população, uma das mais velhas da EU, diminui. A sua dívida em relação ao PIB aumentou em quase 25 pontos e o seu défice não está contido. Os credores representados pela troika já avisaram do montante dos cortes de despesas que são necessários fazer em 2015, enquanto o "Memorando" termina em junho de 2014.
Seja na forma de um novo plano de "resgate" ou de outra, e no quadro atual das instituições europeias, Portugal permanecerá sob o domínio da troika e a sua população será submetido a novas dificuldades. Já é uma outra Grécia e, se houvesse dúvidas, a imagem destas mães portuguesas forçadas a abandonar as suas crianças em instituições sociais, enquanto recém-chegados fazem a sua entrada no clube dos milionários, bastaria para o demonstrar.
(1) Avalia-se em 120.000 o número de portugueses que emigraram em 2012, ou seja, um êxodo de 10.000 pessoas em média por mês, para uma população de cerca de 10.500.000 de habitantes.
Tradução minha

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os Homens de Preto foram à procura de outra “festa”…

Em 16 de dezembro, a Irlanda ficou finalmente livre dos 3 anos de planeamento económico paralisador da troika. No entanto, apesar de o Governo de Dublin ter recuperado a soberania financeira, o país irá descobrir que, do mesmo modo que contribuíram para boa parte da crise, os acontecimentos irão influenciar a política do período pós-troika.
No auge da crise financeira, estive presente numa festa, em casa de uma das muitas pessoas que foram contratadas para pôr em ordem as finanças do país.
Ao fim da noite, a porta abriu-se e 5 homens atravessaram a sala com uma pose que me fez pensar que eles tinham acabado de sair de um dos filmes da série Homens de Preto.
Perguntei quem eram os convidados que tinham acabado de chegar e responderam-me que eram os inspetores “do FMI e do BCE”, que estavam no país para avaliar os nossos progressos.
Os homens, de fato preto e cabelo penteado para trás, transpiravam confiança.
Enquanto as outras pessoas olhavam sombriamente para o fundo do copo, usando um tom alegre e um tanto presunçoso, os tais homens apresentaram o seu julgamento sobre o que tinha corrido mal no país e informaram-nos de que tínhamos pela frente um caminho difícil.
Acho que nunca me senti tão deprimido depois de uma festa como me senti depois daquela.
E, hoje de manhã, passados 3 anos, vamos sair de casa para ir trabalhar, sabendo que já não estamos sob o jugo da troika.
Crescimento modesto
Todos os gritos e lamentos que acompanharam a chamada perda de soberania do país, em 2010, deveriam ser substituídos por uma nova confiança, no momento em que damos os primeiros passos na tão apregoada via da recuperação. Mas será que, esta manhã, algum de nós se sente realmente diferente?
Provavelmente não.
É óbvio que a saída do resgate é um passo positivo, mas, tal como boa parte da crise económica, esse passo esteve fora do nosso controlo. E o mesmo acontecerá com os próximos 5 anos de recuperação.
Muitos países da UE anunciaram o fim da recessão, mas o fraco crescimento de 0,2% registado na UE, no 3.º trimestre, afirma o contrário. O forte crescimento alemão caiu para 0,3% e a economia francesa desacelerou, caindo para 0,1%.
No bloco dos 17 países que usam o euro, o crescimento diminuiu para apenas 0,1% e a recuperação ainda está a sofrer uma estabilização lenta, ao fim de quase 3 anos de recessão.
O modesto crescimento foi induzido por um aumento das despesas de consumo, mas as finanças públicas continuam debilitadas.
É significativo que o crescimento tenha abrandado em relação aos 0,3% do 2.º trimestre de 2013.
Na Alemanha, o motor económico da zona euro, o PIB cresceu 0,3%, mas, segundo o Serviço Federal de Estatística, isso deveu-se exclusivamente à procura interna.
A Alemanha continua a ser o principal motor de crescimento, visto que as despesas de consumo e as exportações se mantêm fortes.
Frágil sustentabilidade
Entretanto, no que se refere ao nosso país, a declaração franca e aberta da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, na noite da passada sexta-feira, disse tudo.
Embora tenha admitido que a Irlanda está na via da recuperação, Christine Lagarde afirmou que a sustentabilidade da dívida pública “continua frágil”.
Não há dúvida de que os desafios económicos se mantêm. O desemprego é demasiado elevado, a sustentabilidade da dívida pública continua a ser frágil e as dívidas do setor privado representam uma carga que dificulta a recuperação.
Os bancos que estiveram na origem da crise financeira continuam a não estar de boa saúde, uma vez que as prestações hipotecárias em atraso e os empréstimos não reembolsados continuam a exercer pressão negativa sobre os seus balanços.
“A aplicação continuada de uma política concertada e, portanto, necessária para a Irlanda recuperar plenamente da crise”, declarou Christine Lagarde. O que é uma forma codificada de dizer: “Preparem-se para mais alguns anos difíceis.”
Na semana passada, o ministro das Finanças, Michael Noonan, advertiu: “não podemos enlouquecer outra vez”. Muitas pessoas argumentarão que nunca enlouqueceram.
Vidas viradas do avesso
Nenhum outro país da Europa mostrou ser tão flexível e dinâmico. Toda a gente sentiu, a nível financeiro e a nível mental, o sofrimento causado pela presença da troika.
A sua saída merece ser comemorada e, na verdade, aprendemos com ela.
Ao longo dos 3 últimos anos, as vidas dos cidadãos foram viradas do avesso, dezenas de milhares de pessoas perderam os empregos e muitas mais emigraram.
As saídas à noite foram substituídas por sessões de cinema em casa, os Toyota Avensis que costumavam ser trocados de 3 em 3 ou de 4 em 4 anos continuam a ser utilizados.
Muitas crianças foram tiradas das escolas privadas, várias pessoas perderam as casas, as poupanças e as pensões.
Hoje de manhã, começamos a seguir um novo caminho. Todos nós sabemos que não vai ser fácil, mas, pelo menos, sabemos que o pior já passou.
Se, até agora, conseguiu manter o seu emprego/casa/negócio, há fortes possibilidades de, agora, ter ficado livre de problemas.
Devíamos dar pancadinhas nas costas uns dos outros, por termos ido tão longe, como país.
E, hoje, devíamos conceder-nos uns instantes, para tentarmos imitar a pose dos Homens de Preto, que felizmente já se foram embora, à procura de outra “festa”.
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domingo, 10 de novembro de 2013

Se o TC for na treta do sr. Gill (S&P) e da Moody's, OK!

A agência de notação financeira Standard & Poor’s defende um 2.º resgate para Portugal, considerando que seria um “fator positivo” para a notação da dívida portuguesa. Um 2.º programa ajudaria até o Governo a “avançar com as suas reformas bastante ambiciosas”, defendeu o diretor dos ratings soberanos europeus, em entrevista.
Frank Gill entende que existe uma “probabilidade forte”, de o governo ter de avançar com um novo pedido de resgate, quando o atual programa estiver prestes a terminar, mas entende que um 2.º programa é encarado “como um fator positivo para o rating” e que “iria ajudar as autoridades para avançar com as suas reformas bastante ambiciosas”.
Gill adverte também para as vantagens do ponto de vista dos juros com “taxas muito baixas”, por se tratar de “financiamento oficial”. “É financiamento com maturidades longas, com taxas de juro extremamente baixas. O que é obviamente bom para o vosso perfil de dívida. E o que nós faremos é refazer o rating da dívida comercial”, avançou.
No entanto, “continua a haver alguma incerteza e preocupação sobre as perspetivas económicas e sobre algumas preocupações para o governo, na progressão dos seus objetivos particularmente ambiciosos”, afirmou o responsável da S&P para a notação da dívida de países europeus, sem se referir diretamente a um potencial chumbo do Tribunal Constitucional às normas mais controversas do Orçamento de Estado, para o qual Frank Gill pensa que o Governo dispõe de “planos de back-up”.
“A nossa preocupação é que em alguns aspetos parece que vai tornar-se difícil para o governo avançar com diversas propostas orçamentais originais. Em parte por preocupações legais a nível interno. Em parte porque é muito difícil, depois da redução orçamental, que já ocorreu, continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público, dado que a economia real é realmente difícil e o desemprego é alto, está a ser um ajustamento muito difícil”, disse.
“Temos uma notação de duplo B para Portugal”, frisou o diretor da S&P para as dívidas soberanas europeias. “Temos uma vigilância negativa, que implica que existe uma probabilidade do rating poder ser menor durante o próximo ano”, disse o responsável, prometendo “continuar a monitorizar o que está a acontecer com a economia real [em Portugal]”.
Como “aspetos positivos”, Frank Gill afirma que “o governo tem feito um enorme progresso de consolidação orçamental”. “Também achamos que globalmente a economia está a equilibrar-se. Portugal está agora a conseguir um superavit substancial na sua conta corrente, que tem sido orientado cada vez mais pela forte performance das exportações do que pela compressão das importações. (...) As maturidades estão a ser alargadas, nos empréstimos oficiais para Portugal e isso aumenta verdadeiramente a sustentabilidade da dívida soberana”
Temos tantos amigos ( a S&P, a Moody’s, a Comissão Europeia, o Eurogrupo, o BCE, etc…), prontos a dar-nos a mão e dinheiro (quase a custo zero), que até parece impossível que rejeitemos um 2.º resgate, que até nos faria subir no ranking da dívida comercial. Somos uns ingratos!
Só não se entende por que o 2.º resgate é bom e o 1.º foi péssimo e nos mandou para o lixo… Muito menos se percebe porque este 2.º resgate nos oferece juros mais baixos do que no 1.º…
E ainda tem o descaramento de gabar o trabalho do governo, chamando de ambiciosas as suas “reformas”, sem explicarem como é que a Irlanda conseguiu sair do buraco, sem o 2.º resgate…
No âmago destas preocupações dos nossos “filantropos” não há dúvidas de que temem mais uns chumbos do Tribunal Constitucional, o que lhes atrasaria o reembolso da “ajuda”, mas sobretudo porque, formalmente, deixariam de nos ter (tão) debaixo da pata…
Por isso, de forma velada, dão a entender que não se pode continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público (se o TC chumbar o que é inconstitucional), dado que deram cabo da economia real e é difícil recuperá-la, enquanto o desemprego vai subindo, concluindo que está a ser um ajustamento muito difícil. Se o ajustamento está a ser difícil com as medidas que impuseram, como é que vai ser facilitado com mais um calote? Só se o 2.º for para lhes pagar o 1.º…
Mas melhor do que eu, talvez valha a pena ler o que alguém mais conceituado, diz, embora transpareça uma certa (im)parcialidade ou opção política…
À luz do que nos tem sido dito repetidamente pelo nosso Governo, o sr. Frank Gill veio dar-nos uma opinião muito improvável para quem é diretor responsável da Standard & Poor’s pelos ratings das dívidas soberanas europeias: afinal, um 2.º resgate pode bem ser um fator positivo para a notação da dívida portuguesa.
Manuel Tavares
A primeira reação é obviamente a de ir consultar os ficheiros do PS, PCP e BE para tentar descortinar alguma ligação do senhor, tal tem sido a tónica posta pelo Governo na identificação da possibilidade de um 2.º resgate com os desejos mais ardentes dos partidos da Oposição. E mais ainda: como a expressão irresponsável de quem não tem a noção de como reagem os mercados ao menor sinal ou tentativa de fazer com a dívida do país o que qualquer cidadão faria com a sua, ou seja, negociar taxas de juro e prazos.
Mas não, este sr. Gill é mesmo o responsável-mor pela avaliação da S&P, a tal agência que também repetidamente nos tem sido apresentada como influenciadora dos comportamentos dos mercados financeiros, para além do aceitável segundo alguns e insubstituível segundo outros. Verdade, isso sim, é que sabemos, de experiência vivida, que tem bastado à S&P tossir para o rating da nossa dívida soberana resvalar para o lixo. Ou seja: para o descrédito.
Apenas estávamos refeitos do arrojo de António José Seguro que, em direto na TVI, anunciou que vai pedir aos portugueses uma maioria absoluta, eis que, em entrevista ao Dinheiro Vivo, a Standard & Poor’s, pela voz autorizada do sr. Gill, nos vem elucidar sobre os benefícios de um 2.º programa de ajuda financeira. A saber: "É financiamento com maturidades longas, com taxas de juro extremamente baixas, o que é obviamente bom para o vosso perfil de dívida...".
Melhor é que este sr. Gill não reclama da nossa governação. Pelo contrário, tece-lhe elogios como estes: "Também achamos que globalmente a economia está a equilibrar-se e Portugal está agora a conseguir um superavit substancial na sua conta-corrente, que tem sido orientado cada vez mais pela forte performance das exportações do que pela compressão das importações [...] As maturidades estão a ser alargadas, nos empréstimos oficiais para Portugal e isso aumenta verdadeiramente a sustentabilidade da dívida soberana".
Interessantes são também as preocupações do sr. Gill com as políticas para o futuro, em relação às quais volta a aproximar-se das oposições: "É muito difícil, depois da redução orçamental, que já ocorreu, continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público...".
Conclusão: não fosse o nosso próprio jogo político-partidário e talvez Portugal pudesse negociar com os credores internacionais uma boa saída. Até um 2.º resgate...
A agência de classificação de risco Moody's anunciou nesta sexta-feira que melhorou a perspectiva da dívida de Portugal de "negativa" para "estável", excluindo uma redução na nota do país em crise.
A Moody's destaca uma "melhoria" da situação orçamental de Portugal e o "compromisso" das autoridades com a redução do défice público, como revela o orçamento de 2014.
A dívida pública de Portugal atinge 130% do Produto Interno Bruto.

domingo, 3 de novembro de 2013

Diz o sujo e o mal lavado: “Que se lixe o mexilhão!”

O relatório semestral do Tesouro norte-americano ao Congresso aponta o dedo não só à insuficiente valorização da moeda chinesa por Pequim, mas também a Berlim, que se recusa a "corrigir" o excedente externo excessivo do seu país.
Jorge Nascimento Rodrigues
O Departamento do Tesouro norte-americano resolveu, este ano, no seu relatório semestral ao Congresso, apontar o dedo à Alemanha - em resumo, sem muito economês, o país dirigido pela chanceler Ângela Merkel está a "exportar" riscos graves para a periferia da zona euro e para a economia global.
A crítica é comum a muitos economistas, inclusive europeus, que acusam o mercantilismo alemão de agravar a austeridade no seio da zona euro e impedir uma correção dos desequilíbrios macroeconómicos dentro do próprio espaço do euro e a nível internacional. Mesmo na Alemanha, sublinha a revista alemã Der Spiegel, "os especialistas na sua grande maioria concordam com a abordagem do Tesouro [norte-americano]". O relatório do Tesouro foi publicado a 30 de outubro.
O ministério das Finanças em Berlim reagiu, no dia seguinte, recusando o ponto central das críticas vindas de Washington DC: "Não há desequilíbrios na Alemanha que necessitem de correção. Pelo contrário, a economia alemã inovadora contribui significativamente para o crescimento global através de exportações e da importação de componentes para produtos acabados". O ministério alemão considerou as conclusões do relatório como "incompreensíveis" e retribuiu as críticas, recomendando que os EUA analisassem "a sua situação económica". Esta polémica económica surge no momento em que as sequelas do assunto das escutas por parte da agência norte-americana NSA continuam a salpicar as relações transatlânticas.
Risco de um choque global deflacionista
Na realidade, os países que prosseguem estratégias mercantilistas recusam ver nos excedentes excessivos problemas estruturais para a economia mundial e para as zonas comerciais ou monetárias em que se inserem.
A par de uma quebra brutal no investimento dos países periféricos da zona euro (o que os leva a situações excecionais de excedente externo nos trimestres mais recentes para o caso da Irlanda, Itália e Espanha e, desde o 2.º trimestre de 2013, para Portugal), há o risco de provocar um choque deflacionista em toda a economia mundial, como sublinha o economista Yanis Varoufakis na sua demonstração académica dos efeitos da estratégia alemã publicada na sequência do documento norte-americano.
Tradicionalmente, no relatório semestral do Tesouro ao Congresso sobre "Políticas Económicas Internacionais e Taxas de Câmbio", o bombo da festa costumava ser a China, invariavelmente por causa da sua insuficiente valorização do yuan (ou renminbi) e pelas suas reservas gigantes em divisas.
Apesar da polémica com a Alemanha, o relatório dedica muito mais espaço ao tema da China que ao da zona euro. As dores de cabeça para Washington continuam as mesmas a respeito de Pequim - uma moeda que continua desvalorizada em 5 a 10%, segundo o FMI; um montante gigante de reservas nos cofres do banco central chinês que representam 44% do PIB chinês e que é quase tanto quanto as reservas combinadas de todos os países desenvolvidos; e um excedente na balança básica (somando o excedente externo com o saldo dos fluxos de investimento direto estrangeiro) que subiu para 4,3% do PIB no final do 1.º semestre de 2013.
A assimetria na análise dos excessos por parte da UE
O documento do Tesouro norte-americano explica os fundamentos da sua crítica.
"A Alemanha tem mantido um enorme excedente externo ao longo de toda a crise financeira e, em 2012, o excedente externo nominal foi maior do que o da China [238.500 milhões de dólares contra 193.100 milhões]. O crescimento anémico da procura interna e a dependência nas exportações têm dificultado o reequilíbrio numa altura em que muitos outros países da zona euro têm estado sob uma pressão severa para conter a procura e comprimir as importações no sentido de realizarem o ajustamento. O resultado líquido tem sido um enviesamento para a deflação na zona euro, bem como na economia mundial", lê-se no relatório.
O relatório foi elaborado com base em dados do 1.º semestre de 2013 e em consulta com o sistema da Reserva Federal norte-americano (o banco central) e com a direção e técnicos do FMI, sublinha-se em nota.
Mais adiante, o documento detalha: "O excedente externo da Alemanha subiu acima de 7% na 1.ª metade de 2013, enquanto para a Holanda registou quase 10%. Por outro lado, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal também registam excedentes na medida em que as importações desses países se contraíram. Deste modo, o fardo do ajustamento está a ser colocado, desproporcionalmente, nos países periféricos europeus, exacerbando um desemprego extremamente alto, sobretudo entre os jovens, enquanto o ajustamento global da Europa está a ser realizado essencialmente na base da procura de fora da Europa, em vez de resolver as deficiências na procura que existem dentro da Europa".
O Tesouro critica ainda o procedimento de avaliação dos desequilíbrios macroeconómicos da União Europeia que continua enviesado: "o procedimento permanece de certa forma assimétrico e não dá atenção suficiente aos países com excedentes elevados e sustentáveis, como o caso da Alemanha".
A solução é inverter esta política - "Para aliviar o processo de ajustamento na zona euro, os países com excedentes elevados e persistentes têm de impulsionar o crescimento da procura interna e encolher os seus excedentes", escreve-se no relatório.
Por exemplo, se a Alemanha e os outros três países do "centro" (Áustria, Finlândia e Holanda) com notação de crédito triplo A lançassem um programa de 2 anos de aumento do investimento público em 1% do seu PIB, as economias periféricas da zona euro ganhariam com o efeito multiplicador em toda a região. A Irlanda seria a economia mais beneficiada e a Grécia a menos bafejada em termos de impacto no PIB e nas contas externas. Portugal e França ficariam próximos do efeito verificado na Irlanda. As conclusões são de uma simulação realizada pelo economista Jan in 't Veld com base no modelo QUEST da Comissão Europeia e publicada nos "Economic Papers" de outubro ("Fiscal consolidations and spillovers in the Euro area periphery and core", EP 506), a que já nos referimos.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Uma candeia à nossa frente pode alumiar-nos melhor!

Mas isso é igualmente o que proclamam cada vez mais os apoiantes dos governos que põem em prática a austeridade em Portugal e na Grécia e, em grande medida, é desprovido de sentido. A menos que a taxa de crescimento da economia ultrapasse a fatura crescente dos juros, o nível da dívida pública torna-se insustentável.
Após 3 anos de cortes nas despesas do setor público, a Irlanda parece estar pronta para sair do programa de ajuda da troika no dia 15 de dezembro, mas a que preço? O país continua atolado em depressão e com a sua economia em apuros.
A Irlanda está a ser, uma vez mais, apontada como o aluno exemplar da escola de economia da austeridade na Europa e o Taoiseach [primeiro-ministro], Enda Kenny, diz que o seu Governo vai sair do programa de resgate fixado pela troika. Kenny afirma que o período de austeridade está a chegar ao fim.
Estas duas afirmações são claramente questionáveis, e também esclarecedoras quanto a alguns aspetos importantes da situação na Europa.
A política do Governo de Dublin continuará, ainda, a ser ditada pela troika durante muitos anos. Na realidade, a UE já estabeleceu um sistema de execução orçamental, regulamentação do processo orçamental e sanções que consagrará a austeridade permanente para todos os membros do euro. Além disso, passou a ser habitual o FMI criar uma nova linha de crédito, depois de o montante inicial do resgate se ter esgotado, e essa nova linha impõe novas obrigações. Por conseguinte, não é verdade que a austeridade tenha chegado ao fim. Em contrapartida, os ativos e empréstimos detidos pelos bancos irlandeses ficaram tão desvalorizados devido aos problemas económicos que o risco de um novo resgate dos seus credores está a aumentar.
Fracasso dos Governos de Dublin
Há ainda um motivo de peso pelo qual o que se passa na Irlanda não pode ser reproduzido em países como a Grécia e Portugal. No início da crise, a economia irlandesa era muito mais próspera. E, depois da recessão prolongada vivida na periferia europeia, essa situação mantém-se. Uma medida do fracasso dos sucessivos Governos de Dublin é o facto de as condições de vida terem caído tanto que baixaram para os níveis britânicos, depois de os terem suplantado antes do virar do século passado.
No Reino Unido, são sempre muitas as vozes que querem atribuir todos os males económicos à UE. Contudo, a ameaça de George Osborne [o ministro das Finanças britânico] de manter a austeridade até pelo menos 2018 e insistir no objetivo do excedente orçamental corresponde à austeridade permanente de Bruxelas, Frankfurt e Washington.
A explosão de autorregozijo dos dois lados do Mar da Irlanda é completamente despropositada. Os Governos de Dublin tendem a não possuir a arrogância multissecular da elite política britânica e, por isso, procuram colher aplausos no estrangeiro.
A coligação no poder – entre o Fine Gael, de direita, e o Partido Trabalhista irlandês – parece receber palmadinhas nas costas, ou talvez na cabeça, pela previsão de que as finanças públicas irão passar para aquilo a que se chama um excedente primário, ou seja, o excedente das finanças públicas, excluindo os encargos com os pagamentos dos juros [da dívida]. Mas isso é igualmente o que proclamam cada vez mais os apoiantes dos governos que põem em prática a austeridade em Portugal e na Grécia e, em grande medida, é desprovido de sentido. A menos que a taxa de crescimento da economia ultrapasse a fatura crescente dos juros, o nível da dívida pública torna-se insustentável.
Austeridade não é a solução
Contudo, por enquanto, o risco imediato de incumprimento foi substancialmente reduzido. Essa redução deve-se em parte ao compromisso do BCE de “fazer o que for preciso” para sustentar o euro. O que quer que alargue para um número ilimitado os resgates dos credores, essencialmente bancos europeus e britânicos, mas nem um euro para os governos.
É com esta operação de suporte de vida para os bancos, que agora nos pedem que nos congratulemos. A festa não deve durar muito, visto que a austeridade está a minar a economia. Sem investimento, a capacidade produtiva entra em declínio. Na Irlanda, o novo investimento líquido (depois de deduzidos a depreciação, o desgaste e outros) é próximo de zero. A economia continua em depressão e um dos efeitos desse facto é a acumulação de crédito malparado nos bancos de retalho, incluindo os créditos hipotecários subscritos por pessoas em dificuldades. A austeridade é inimiga do crescimento e não pode solucionar a crise.
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