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domingo, 14 de setembro de 2014

Há limites para a lavagem do Branqueamento de Capitais!

Portugal apresentou uma candidatura a membro observador do Grupo Regional da África Oriental e Austral no Combate ao Branqueamento de Capitais cuja adesão será decidida esta semana na reunião da instituição que decorre em Luanda.
Salgado no "Financial Times" com máscara de Irmão Metralha
Portugal foi admitido como membro observador do Grupo Regional da África Oriental e Austral no Combate ao Branqueamento de Capitais durante a reunião de Conselho de Ministros da organização, que decorre em Luanda.
A adesão foi confirmada pelo representante da delegação portuguesa presente na capital angolana, Gil Galvão, consultor da administração do Banco de Portugal, sendo esta a 3.ª organização regional do género em que o país assume este estatuto.
"A participação de Portugal como observador é uma forma de cooperação e de apoio ao reforço das capacidades do grupo regional", explicou Gil Galvão, que enquanto especialista indicado por Portugal participou na constituição deste grupo, em 1999.
Além do grupo da África Oriental e Austral, Portugal já é membro observador nos grupos regionais da África Ocidental (que inclui Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) e da América Latina (Brasil).
"Nos países onde há membros da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], Portugal ou é observador ou tenta acompanhar as reuniões, como é o caso do grupo do Ásia-Pacífico, onde está Timor-Leste", explicou Gil Galvão.
O responsável justifica esta "participação mais ativa" com a entrada de Angola e numa "estratégia de reforço dos grupos regionais", para fomentar uma "rede mundial global" de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.
A inclusão de Portugal foi decidida na 14.ª Reunião do Conselho de Ministros daquela organização, que hoje passou a contar com 18 países do continente africano.
Integram este grupo regional, além de Angola, África do Sul, Botsuana, Camarões, Etiópia, Quénia, Lesoto, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Ruanda, Seychelles, Suazilândia, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e Zimbabué.
As reuniões deste grupo regional, que decorrem em Luanda desde domingo, visam a análise política e técnica da situação atual e de formas de combate a eventuais "operações suspeitas" de branqueamento de capitais.
Tendo em conta a fama e o proveito de que gozam muitos destes países, incluindo o nosso e acrescentando-lhes a posição relativa no ranking dos países mais corruptos do mundo e tendo em conta os acontecimentos em Portugal no passado recente e no presente no que à banca diz respeito e em ligação com alguns destes países lusófonos, temos que concluir que quem tão bem lava na sua casa, só pode ensinar os outros a lavar melhor a sua…
Tendo em conta que a Lavagem de dinheiro é um problema mundial, diz especialista e que a Lavagem de dinheiro em Portugal preocupa EUA, que também não é “flor que se cheire”, tudo isto cheira a “humor negro”, quando se diz que se quer branquear…
E mais não digo, que já tudo me fede que baste!
O branqueamento de capitais é o processo pelo qual os autores de algumas actividades criminosas encobrem a origem dos bens e rendimentos (vantagens) obtidos ilicitamente, transformando a liquidez proveniente dessas actividades em capitais reutilizáveis legalmente, por dissimulação da origem ou do verdadeiro proprietário dos fundos.
O processo de branqueamento pode englobar 3 fases distintas e sucessivas,  a fim de procurar ocultar a propriedade e a origem das vantagens ilícitas, manter o controlo das mesmas e dar-lhes uma aparência de legalidade:
Colocação: os bens e rendimentos são colocados nos circuitos financeiros e não financeiros, através, por exemplo, de depósitos em instituições financeiras ou de investimentos em actividades lucrativas e em bens de elevado valor;
Circulação: os bens e rendimentos são objecto de múltiplas e repetidas operações (por exemplo, transferências de fundos), com o propósito de os distanciar ainda mais da sua origem criminosa, eliminando qualquer vestígio sobre a sua proveniência e propriedade;
Integração: os bens e rendimentos, já reciclados, são reintroduzidos nos circuitos económicos legítimos, mediante a sua utilização, por exemplo, na aquisição de bens e serviços.
No ordenamento jurídico português, o branqueamento de capitais constitui crime - artigo 368.º-A do Código Penal Português.

sábado, 13 de setembro de 2014

Confundir a Inteligência Espacial com a Lógico-Matemática…

A quantidade de pormenores que uma criança de 4 anos é capaz de retratar quando desenha uma pessoa pode ser um indicativo da sua inteligência futura.
Da esquerda para a direita: Cima: 6, 10, 6; Baixo: 6, 10, 7
Um estudo de longo termo e de grande dimensão, levado a cabo no Reino Unido, e publicado esta semana na revista Psychological Science, mostra que a forma como uma criança de 4 anos desenha uma figura humana não revela apenas algo sobre a sua inteligência nessa idade como é indicativa da inteligência que terá dentro de 10 anos.
Para chegar a esta conclusão inédita, uma equipa de investigadores do King's College de Londes pediu a 7.752 pares de gémeos "verdadeiros" e "falsos" de 4 anos que desenhassem uma criança. Cada desenho foi avaliado de 0 a 12, com base no número de características presentes, como pernas, braços ou traços faciais. Na mesma altura, as crianças foram também submetidas a testes, verbais e não-verbais, de avaliação de inteligência.
10 anos depois, quando as crianças atingiram os 14 anos, os investigadores voltaram a testar a sua inteligência e descobriram que uma pontuação mais elevada nos seus desenhos correspondia agora, tal como na altura, a uma maior inteligência. E aí residiu a surpresa dos investigadores, que esperavam ver uma relação (entre a pontuação obtida nos desenhos e a inteligência) aos 4 anos, mas não verificar uma consistência dos resultados uma década mais tarde.
A correlação, no entanto, "é moderada", sublinha o líder do estudo, Rosalind Arden, em comunicado. "As nossas descobertas são interessantes mas não significam que os pais devam preocupar-se se o filho desenha mal", acrescenta. "A capacidade para desenhar não determina a inteligência, há inúmeros fatores, tanto genéticos como ambientais, que afetam a inteligência mais tarde na vida", conclui.
Não vou dissertar, mais uma vez, sobre as Inteligências Múltiplas porque pelo que se percebe os autores do “estudo”, nunca devem ter lido nada sobre a matéria…
Nem vou falar da “Educação pela Arte”, porque quem quiser que leia António Damásio, entre muitos…
Vou apenas referir-me a um dos primeiros estudos sobre o assunto, que li há muitos anos, de Georges-Henri Luquet, ‘O Desenho Infantil’, que me guiou para a psicologia do desenvolvimento, para entender e criar empatia com os meus alunos na procura da representação do “real”, virtualmente.
E agora já posso opinar sobre o “estudo”, que se baseia num conceito de “inteligência” já ultrapassado entre teóricos, mas que os Sistemas Educativos ainda privilegiam, a ponto de iniciar a Educação Visual (a Inteligência Espacial), como é o nosso caso, apenas no 7.º ano, exatamente aos 14 anos. Isto para dizer que, durante 10 anos, algumas das outras “inteligências”, no caso, a Espacial, ficaram congeladas, sem qualquer possibilidade de progressão. Se assim não fosse e houvesse formação “artística” desde o 1.º ano, aos 14 anos os desenhos seriam muito mais “realistas”, apenas pela acumulação dos novos conceitos das coisas e do mundo, como acontece com qualquer das outras “inteligências”…
E se assim fosse, em vez de o título ser: “Diz-me como desenhas aos 4 anos, dir-te-ei que inteligência terás aos 14”, poderíamos titular, por exemplo: “Diz-me como escreves aos 4 anos, dir-te-ei que inteligência terás aos 14”…
Ou seja, até na ciência e na pedagogia andam a informar-nos, com base em erros, que podem abalar a formação que fomos acumulando…
Eu sei que “isto” não tem interesse, mas devia interessar muita (toda a) gente, que vive da “Educação” para EDUCAR…
Georges-Henri Luquet consagrou a sua vida ao estudo do desenvolvimento da comunicação humana pela imagem. É um dos pioneiros do estudo do desenho infantil e as suas teses foram integralmente retomadas por Jean Piaget. Marcaram profundamente a psicologia do desenvolvimento e forneceram numerosas conceções, tanto aos psicólogos como aos pedagogos. As suas pesquisas sobre o desenvolvimento gráfico das crianças foram influenciadas pelos seus trabalhos em antropologia e, reciprocamente, também os influenciaram. 
Vários estudiosos observaram e procuraram identificar e descrever as etapas gráficas do desenvolvimento do desenho, entre os mais conhecidos estão Luquet, Piaget e Lowenfeld.
Luquet, por exemplo, dividiu as etapas gráficas em Realismo Fortuito, Realismo Falhado e Realismo intelectual e realismo visual.
No Realismo Fortuito, a criança começa a fazer traços sem qualquer objetivo (não há intenção para uma representação gráfica), mesmo sabendo que os traços realizados por outrem podem querer determinar um objeto determinado e representá-lo efetivamente, a criança não considera a ideia de também possuir a mesma habilidade. É nesta fase também que podemos identificar os famosos "garatujos", e de acordo com as definições de Piaget, este é o período sensório-motor.
“A princípio, para a criança, o desenho não é um traçado executado para fazer uma imagem mas um traçado executado simplesmente para fazer linhas. (Luquet, 1969 pg.145)
Até certo ponto, a criança produzirá mesmo acidentalmente uma parecença não procurada. A partir daí ela passará por uma série de transições até adquirir a totalidade das faculdades gráficas (intenção, execução e a interpretação correspondente à intenção) chegando consequentemente ao realismo intencional.
A Segunda Fase descrita por Luquet é o Realismo Falhado; quando a criança chega ao desenho propriamente dito, quer ser realista, mas a sua intenção choca com obstáculos gráficos e psíquicos, que dificultam a sua manifestação. São exemplos de obstáculos a incapacidade para dirigir os seus movimentos gráficos, o caráter limitado e descontínuo da atenção infantil e principalmente a incapacidade sintética – quando a criança não chega a sintetizar num conjunto coerente os diferentes pormenores que desenha com a preocupação exclusiva de os representar cada um por si. 
A terceira fase, é a do Realismo intelectual, onde a criança pretende deliberadamente reproduzir do objeto representado, não só o que se pode ver, mas tudo o que ali existe e dar a cada um dos elementos a sua forma exemplar.
“Enfim, aos 4 anos, a criança chega ao Realismo visual cuja principal manifestação é a submissão mais ou menos infeliz na execução da perspetiva. (Luquet, Pg.212)
De acordo com Piaget, é neste ponto que a criança se encontra no estágio pré-esquemático, que se inicia por volta dos 4 anos e se estende até os 7 anos mais ou menos. Após esta fase a criança com idade entre 7 e 9 anos entra no estágio esquemático, e após os 9 anos passa para o estágio do realismo nascente, vale ressaltar que estes estágios compreendidos entre os 7 e 11 anos estão dentro do período das operações concretas.
É claro que estes estágios não são estáticos, imutáveis, existem crianças que saltam alguns estágios de desenvolvimento, e existem crianças que param de se desenvolver devido a vários fatores que influenciam a sua vida, como a família, a situação social e económica, distúrbios psicológicos e gosto particular.
Por que paramos de desenhar?
À medida que a criança cresce, desenvolve o seu espírito crítico em relação aos seus trabalhos. Muitas vezes essa consciência crítica supera o seu desejo de se expressar criativamente; principalmente nos casos em que a criança passa com rapidez da infância para a adolescência num prazo demasiado curto, não podendo ajustar-se com suficiente brevidade à sua nova consciência crítica e fica assim, insatisfeita com as suas realizações. Acha tudo “infantil e mal feito”.
Quando isto sucede com muita frequência e nada se faz para remediar, a criança perde interesse pela arte e suspende completamente, as suas atividades artísticas. Já não pode desenhar coisa alguma, porque devido à sua repentina “tomada de consciência” crítica passa a perceber a pobreza dos seus meios infantis de expressão. Os seus desenhos parecem-lhe até ridículos, da mesma maneira como certos folguedos infantis, por exemplo, o “esconde-esconde”, lhe parecem indignos da sua atual “maturidade”. (Lowenfeld, 203).
Também Luquet exemplifica como se dá o abandono da criança pela atividade do desenho. Conforme a sua teoria, esse desinteresse é produzido na idade em que a criança chega à conceção do realismo visual – com a sua consequência fundamental: a perspetive; os desenhos que executava anteriormente de acordo com o realismo intelectual já não satisfazem o seu espírito crítico desenvolvido, e sente-se incapaz de fazer desenhos como quereria fazer.
Porém Luquet na sua obra “O Desenho Infantil”, além de exemplificar como se dá o abandono do interesse do ato de desenhar pela criança, também propõe sugestões de como evitar esse abandono. Conforme Luquet, o ensino do desenho deve visar não a acelerar artificialmente a evolução espontânea do desenho, a fazer desenhar em realismo visual quando a criança ainda quer desenhar em realismo intelectual, mas por a criança em estado de desenhar convenientemente em realismo visual quando tenha esta intenção.
Isso deve ser feito preferencialmente ensinando os principais efeitos da perspetiva, mostrando-lhes factos em objetos do seu quotidiano e exercitando o desenho tanto quanto possível ao natural.
Mas para Luquet, a principal atitude do educador deve ser a de “apagar-se”, deixar a criança desenhar o que quer, propondo-lhe temas sempre que ela necessite e sobretudo quando lhe pede, fazendo sempre com que estas sugestões não soem como imposições e sobretudo deixá-la desenhar como quer, a seu modo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O número 7 é mágico, para nós pode ser trágico!

Europa, economia, dívida pública, défice, deflação. Ministros e Paulo Portas muito em especial. Os tormentos da mulher que manda no país.
António Ribeiro Ferreira
A mulher que Passos Coelho foi buscar a Setúbal para a equipa de Vítor Gaspar está há mais de um ano à frente das Finanças e já é hoje uma forte candidata a liderar o PSD em caso de derrota dos laranjas nas legislativas de 2015. Firme, ambiciosa, clara nas palavras, fria quanto baste, com os pés bem assentes na terra, admirada no Eurogrupo e no Ecofin, muito especialmente pelo seu homólogo alemão Wolfgang Schäuble, Maria Luís Albuquerque manda efectivamente no país. Mas o preço que paga é efectivamente muito alto.
Os ministros crescidinhos
Sintomática foi a sua resposta a um participante na Universidade de Verão do PSD sobre se era mais difícil negociar as mesadas dos filhos ou os orçamentos dos vários ministérios. Maria Luís admitiu que ia ter problemas em casa se os filhos estivessem a ver televisão porque nunca lhes tinha passado pela cabeça que as mesadas eram negociáveis. Quanto aos ministros, já os conheceu crescidinhos, não teve oportunidade de os educar. Os ministros, as manobras de Paulo Portas, seu superior hierárquico no governo, em torno dos impostos, mas também a Europa estagnada, cheia de sobressaltos, a economia portuguesa a rastejar, com poucos altos e muitos baixos, a maldita dívida que não para de subir e que Maria Luís admite pela 1.ª vez discutir no parlamento, são pesadelos diários da ministra das Finanças.
O quebra-cabeças da dívida
7 noites, 7 pesadelos. E, se a dívida é um quebra-cabeças, já vai nos 134% do PIB, o défice é um exercício de malabarismo em que tudo ou quase tudo corre mal. É verdade que as receitas fiscais estão imparáveis, só este ano vão chegar aos 37.000 milhões de euros, mas a despesa até final de Julho, sem reposições de salários e pagamento de juros, subiu 617 milhões de euros.
Monstro insaciável
Um sinal claro de que o célebre monstro criado em 1989 por Cavaco Silva continua insaciável, indiferente à troika, à austeridade. Um sinal claro também da impotência dos ministros para imporem disciplina nas contas dos seus serviços. Ministros que Maria Luís já apanhou crescidinhos, mal-educados em matéria de contenção de despesas e que imaginam que os seus orçamentos são negociáveis. Talvez Maria Luís não use o "não há dinheiro" de Vítor Gaspar para os calar. Mas deve fitá-los bem de frente, olhos nos olhos, e recordar-lhes que o ajustamento deveria ser feito pelo lado da despesa e não pelo lado da receita. E lembrar-lhes que o défice de 2015 está fixado nos 2,5% e o de 2014 já sofreu tantos tratos de polé que pode ir de 4% a 10% com a tragédia dos 3.900 milhões injectados no Novo Banco e outros buracos nas empresas de transportes e nos hospitais. E como mais défice equivale a mais dívida e mais dívida implica o pagamento de mais juros, Maria Luís Albuquerque vive o pesadelo da inflação, negativa há 7 meses consecutivos. Com a deflação à porta, a dívida não desce, antes sobe, afasta os investidores, esmaga os preços das empresas, leva muitas à falência e pode fazer disparar o desemprego.
De olho em Portas
Mas a ministra das Finanças, no meio de tantos trabalhos forçados, ainda tem que andar atrás ou à frente da agenda sempre imprevisível do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Com o líder do CDS não se trata de discutir orçamentos. Com Portas trata-se de corrigir rotas, deitar água na fervura dos impostos e lembrar que mesmo sem a troika em avaliações trimestrais o caminho da austeridade continua e que não há folgas para baixar impostos quando o país tem défices excessivos.
Em plena discussão do Orçamento do Estado para 2015, Paulo Portas, e o CDS, acena com uma baixa, mesmo que ligeira, da carga fiscal sobre as famílias à boleia da reforma do IRS que está em fase de discussão pública. Mas Maria Luís Albuquerque não vai atrás dos cantos das sereias centristas e mantém-se firme. Em 2015, e sabe-se lá no futuro mais próximo, não há margem para baixar impostos às pessoas. O ajustamento orçamental feito à base das receitas veio para ficar. A não ser que os senhores ministros consigam dominar o monstro que está em todo o lado. Mas Maria Luís não acredita muito na boa vontade dos colegas. Por isso mesmo, dura como é, cortou muitas das despesas que os ministérios iam fazer até final do ano. Sem negociações. Como não negoceia as mesadas dos filhos.
As noites da ministra. Os Pesadelos um a um
Para Maria Luís Albuquerque não há um dia de descanso. Acorda segunda com a Europa e deita-se domingo a pensar em Paulo Portas
1 - Europa
A zona euro e a União Europeia não estão a ajudar nada os países mais pobres e que foram sujeitos a violentos programas de austeridade. Os países mais ricos estão estagnados ou em recessão, como a França e a Itália, e mesmo a poderosa Alemanha caiu 0,2% no 2.º trimestre. Perante esta triste realidade, Maria Luís tem de usar a tesoura para garantir que as contas nacionais não se afundam ainda mais.
2 - Economia
O governo começou por admitir um crescimento de 0,8% no Orçamento do Estado de 2014. Mais tarde, quando apresentou o Documento de Estratégia Orçamental, esse valor foi revisto em alta para 1,2%. Agora, quando apresentou o 2.º Orçamento Rectificativo do ano, voltou a rever em baixa o crescimento em 2014 para 1%. E a montanha-russa pode não ficar por aqui até final do ano. Um quebra-cabeças.
3 - Dívida pública
Sobe, sobe, sem parar. Sobe tanto que a ministra das Finanças admitiu pela 1.ª vez discutir o assunto no parlamento. E isto porque o Tratado Orçamental exige uma quebra de 5% ao ano e para isso Portugal terá de ter saldos primários de 4% e crescimentos nominais do PIB de 4% ao ano. Uma ficção.
4 - Deflação
É verdade que o país não está oficialmente em deflação. Mas com uma inflação negativa há 7 meses, Maria Luís vê a dívida subir e o investimento a cair, a economia a subir menos e o desemprego em risco de aumentar. Com a ministra impotente para inverter a situação.
5 - Défice
O objectivo para este ano era baixar o défice para 4%. Mas os 3.900 milhões injectados no Novo Banco, em empresas de transportes e hospitais e uma subida da despesa do Estado, sem reposições de salários e pagamento de juros, em 617 milhões de euros, podem fazê-lo disparar até aos 10%. Um enorme pesadelo para a ministra.
6 - Ministros
Maria Luís Albuquerque também tem humor. Na Universidade de Verão do PSD lembrou que as mesadas dos filhos não são negociáveis e que já conheceu os ministros crescidinhos para os educar da mesma maneira. Foi por isso que impôs cortes já este ano e que na discussão do Orçamento do Estado para 2015 vai com certeza lembrar aos seus colegas de governo que o défice de 2,5% não é negociável. Como as mesadas dos filhos.
7 - Paulo Portas
Em Julho de 2013 a demissão irrevogável do ministro dos Negócios Estrangeiros por causa da subida de Maria Luís a ministra das Finanças promoveu-o a vice-primeiro--ministro encarregado de discutir com a troika. A ministra das Finanças não dorme a pensar nas jogadas e manobras do líder do CDS. A última, em curso, tem a ver com a baixa da carga fiscal das famílias. Uma utopia que Maria Luís tem travado com muita paciência e diplomacia.
Como se vê, nenhum dos problemas que Maria Luís enfrenta (Europa, economia, dívida pública, deflação, défice, ministros e Paulo Portas) diz respeito aos cidadãos, embora qualquer solução que ela venha a encontrar vá sempre de encontro aos cidadãos. Daí que não se entenda por que terá insónias, se o método terapêutico é sempre o mesmo…
Se é a mulher que manda no país, que mande, nos ministros e no Portas!Se é a técnica competente, que encontre as respostas técnicas e socialmente justas para os problemas da economia, da dívida pública, da deflação e do défice!
Se é a política emergente no PSD, que se imponha na Europa perante os seus pares, técnica, social e politicamente!
Já toda a gente sabe que o procedimento terapêutico será sempre o mesmo que até agora tem sido administrado: sorrir nas fotografias com o Paulo, espalhar charme nas reuniões do Ecofin, dominado por homens e ir ao bolso dos contribuintes…
Por que haveria de ter insónias? Só por causa disto?
E está com sorte, porque dizem que o número 7 é mágico. Oxalá não lhe acrescentem mais um problema para não ter(mos) o azar de se transformar na Maga Patológica…

domingo, 7 de setembro de 2014

O (des)Acordo Ortográfico não estará à beira da patologia?

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha adiado por 3 anos (de 2013 para 1 de janeiro de 2016) o início da obrigatoriedade da nova ortografia, fruto do acordo entre os países de língua portuguesa e vigorando em caráter facultativo desde 2009, o Brasil já fez uma parte importante do seu trabalho de casa neste processo. As escolas, a imprensa, toda a comunicação e o setor de livros adotaram as mudanças com agilidade e eficácia.
Karine Pansa
A sociedade, as instituições e o mercado editorial entenderam e assimilaram muito bem as transformações, ao contrário de outras nações lusófonas, nas quais houve mais resistências. Em Portugal, por exemplo, questionou-se muito a extinção do “C” e do “P” mudos em numerosas palavras, como “tacto”, “exacto”, “óptimo” e “excepção”. Os portugueses têm certa razão em reclamar, pois as letras extirpadas eram utilizadas no seu país para marcar as sílabas tónicas de numerosos vocábulos. Embora constassem dos dicionários e do vocabulário oficial brasileiros, as formas escritas das palavras nas quais essas letras não eram pronunciadas oralmente já estavam há muito tempo em desuso no Brasil.
Com rigor, o “C” e o “P” extintos foram os de Portugal e não os nossos. Amigos do mercado editorial e da imprensa de Lisboa, externando de modo bem-humorado a sua indignação, argumentavam: “Queremos igualdade de condições e direitos. Se não podemos ser exactos no nosso idioma, então vocês não podem ter um pacto, mas sim um pato social”. Avicultura sociopolítica à parte, os lusos, a despeito dos seus questionamentos, e todos os demais governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com exceção de Angola, já ratificaram o acordo ortográfico.
O mais importante de tudo isso é entender que as mudanças que unificaram a ortografia não alteraram a gramática e a riqueza do Português, com a sua incrível multiplicidade de expressões homónimas e parónimas e infinitas possibilidades sintáticas para a composição das frases e sentenças. Isso reflete-se numa estrutura formal grandiosa, que faz da literatura de língua portuguesa uma das mais belas, emocionantes e atrativas. Ademais, o alto grau de redundância linguística de nosso idioma permite que os textos sejam lidos rapidamente e na diagonal, sem prejuízo de se assimilar a informação mínima, e também facilita o mecanismo da previsibilidade (ou seja, mesmo quando, se faltam letras numa palavra, a pessoa consegue ler de maneira correta). Tudo isso vai a favor do consenso nacional quanto à necessidade de estimular a leitura.
Considerando a adequada e rápida adaptação do Brasil e levando-se em conta que até os portugueses, com razoáveis razões para questionar, já ratificaram o acordo ortográfico, são incompreensíveis as propostas que às vezes surgem no nosso Legislativo ou na retórica de pretensos estudiosos do tema, de se produzirem novas mudanças. O mais grave é que essas sugestões são radicais quanto à simplificação da língua. A sua adoção seria um ato insensato, que produziria ao longo de poucas gerações um estrago que nem mesmo as transformações naturais que o tempo impõe aos idiomas foram capazes de provocar no Português. A nossa língua traduz a alma da lusofonia, tão identificada e enfática no meio da pluralidade do povo brasileiro, hoje seu principal guardião, com 200 milhões de vozes!
É injustificável a proposta de simplificação do Português ante a dificuldade da sua aprendizagem. Não podemos resignar-nos à derrota que isso significaria na educação e na cultura nacionais. Devemos, sim, melhorar a qualidade do ensino, para que as nossas crianças, jovens, académicos e profissionais possam utilizar na plenitude todo o potencial que o idioma oferece. Precisamos fechar a questão, num verdadeiro pacto em defesa da nossa língua e em favor da escola de excelência. Se abrirmos mão dessa responsabilidade, pagaremos o pato social, sem “C mudo” e sem direito ao bom humor. 
Karine Pansa, empresária do setor editorial, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Haverá ligação estes estes “terroristas” e os terroristas?

Clique na imagem para ler o Relatório em francês
O branqueamento de capitais, a fraude e a corrupção custam anualmente entre 28.900 e 48.700 milhões de euros (entre 38.000 e 64.000 milhões de dólares norte-americanos) em receitas fiscais a cada país, indica um relatório publicado esta quarta-feira pela associação ONE.
A organização britânica, fundada pelo cantor Bono, estima que, no global, as práticas fraudulentas nos países em desenvolvimento representem um volume anual na ordem dos 700.000 milhões de euros – mas que podem atingir os 1,5 biliões de euros -, o que a ONE qualifica como “roubo do século“.
Friederike Röder, que dirige a ONE em França, sublinhou, que esse capital em falta poderia ser “investido na saúde, segurança alimentar e em infraestruturas fundamentais, salvando-se assim milhares de vidas”.
De acordo com o relatório da ONE, há 3.600.000 de mortes que poderiam ser evitadas todos os anos nos países mais pobres se essas receitas fiscais fossem restauradas.
Clique na imagem para ler o Relatório em inglês
Perante isto, que todos sabíamos, mas não quantificado, ficamos mais à vontade para continuarmos a chamar os nomes mais apropriados que nos apetecerem a todos os responsáveis e coniventes com esta bagunça da “fiscalidade paralela”…
Bem sabemos que tudo isto tem a ver com a “invisibilidade” dos rostos destes “terroristas”, o que nos permite compreender a dificuldade que os Estados têm de lutar contra os terroristas, que escondem o rosto e semeiam a barbárie…
Só falta fazer a ligação destes “terroristas” aos terroristas e combater os terroristas combatendo, também, estes “terroristas”…
Tudo est(ar)á ligado!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

“O Espírito Santo escreveu direito por linhas tortas”…

O banco de investimento Goldman Sachs utilizou um veículo financeiro criado no Luxemburgo para emprestar 835 milhões de dólares, cerca de 635,7 milhões de euros, ao BES, avança o The Wall Street Journal. O empréstimo ocorreu em julho, numa altura em que era quase impossível para o BES obter crédito nos mercados financeiros.
De acordo com a publicação, parte desse valor terá sido utilizado para ajudar a financiar a construção de uma refinaria que uma empresa chinesa em dificuldades financeiras está a construir na Venezuela. A petrolífera era um dos maiores credores das empresas do Grupo Espírito Santo.
O BES poderia ter sido uma boa oportunidade de investimento para o banco norte-americano, mas acabou por tornar-se numa forma de perder dinheiro, segundo o Wall Street Journal. A publicação adianta que o Goldman Sachs estava a ponderar vender dívida do BES a investidores externos, mas não conseguiu compradores, explicou uma fonte próxima do banco.
Eu sei que não é bonito a gente rir-se do mal dos outros, mas quando os outros nos fizeram mal, impunemente, não haverá gozo maior a qualquer ser humano ver “a vigarice virar-se contra o vigarista”.
Nem fiz as contas sobre as “perdas”, nem interessa, mas parece que o Goldman Sachs, um dos maiores responsáveis por este tsunami financeiro, que “matou” milhões de pessoas em todo o mundo, só teve o que merecia, embora para eles sejam migalhas e mesmo com sentinelas alerta em todos os países, grandes instituições e governos de todo o mundo…
Há pouco menos de um mês, registei aqui em Há gente que vai à bruxa ou há “bruxos” que se pagam bem?, o truque do dito, que ficou com menos de 2% do BES, pensando que se livrariam do ‘banco-mau’ e que parecia supor que:
O banco norte-americano vendeu mais de 4 milhões de ações do BES no passado dia 23 de julho, ou seja poucos dias antes da CMVM ter decidido a suspensão da negociação dos títulos em bolsa.
Se somarmos os 107,2 milhões em ações que o Goldman Sachs deixou no ‘banco-mau’, aos 635,7 milhões de euros que do calote que o BES lhes pregou, temos 742,9 milhões de euros de penitência pelos pecados próprios, que representa uma “vingançazinha” dos espoliados…
É caso para dizer que o “Espírito Santo escreve direito por linhas tortas”…
Imagem

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Marques, mentes? “Mais depressa se apanha um mentiroso…”

O ex-ministro dos Assuntos Parlamentares (do PSD), Marques Mendes, comentou o possível aumento de impostos a ser discutido já na próxima semana e para o político “se há uma derrapagem na despesa cortem na despesa e não nos contribuintes”.
“As pessoas podem ser confrontadas com um aumento de impostos. O primeiro-ministro, Passos Coelho está a estudar o aumento do IVA, mas este aumento não estava previsto para 2014”, disse o político.
“O que eu sei é que o Governo não tem nenhuma vontade de os aumentar. Não há nenhum Governo que goste de aumentar impostos e este em particular não gosta mesmo e se o fizermos é porque não há outra possibilidade de atingir as nossas metas”.
Estas declarações foram uma reação do primeiro-ministro às afirmações do social-democrata Luís Marques Mendes, que no disse que a ministra das Finanças quer aumentar o IVA de 23 para 24% já em outubro.
O comentador listou os vários agravamentos de impostos entre 2011 e 2014, defendendo que provam o "aumento colossal" dos últimos anos. Marques Mendes critica ainda o aumento de despesa refletido no Orçamento Retificativo. "É o contrário do que o que o Governo andou a dizer neste tempo todo."
O comentador defende que seria "um erro colossal" outro agravamento fiscal. "O aumento de impostos seria uma sentença de morte para o Governo."
E com o objetivo de provar de que forma já aumentaram os impostos, Marques Mendes deu a conhecer uma lista dos vários agravamentos fiscais ocorridos entre 2011 e 2014:
25 Agravamentos do IRS;
12 Agravamentos do IRC;
Já no que diz respeito aos impostos indiretos e taxas, Marques Mendes destaca 17 agravamentos, entre outros;
IVA;
Imposto especial de consumo;
Imposto sobre veículos;
Imposto do selo;
IMI (imposto municipal sobre imóveis);
Imposto único de circulação;
Contribuição para o audiovisual. 
"Se o Governo diz que não gosta de aumentar impostos, olhe se gostasse."
Marques Mendes defende que o caminho é diminuir a despesa, ou seja, precisamente o contrário daquilo que vem refletido no Orçamento Retificativo, aprovado na semana passada. 
"O orçamento retificativo visa aumentar a despesa. É o contrário do que o que o Governo andou a dizer neste tempo todo", afirma. "Quem devia aprovar este orçamento era a oposição." Em termos de valores, sublinha o facto de tanto a despesa corrente, como a despesa com pessoal e a despesa com aquisição de bens e serviços, estarem a aumentar quando deveriam estar a baixar. "Se a despesa estivesse controlada, o défice ficava em 3,3% ou 3,5%. Podia desapertar-se o cinto um bocadinho."
Por fim, o comentador sublinhou como positiva a diminuição da taxa de desemprego, mesmo que uma grande parte dessa quebra se deva ao número de pessoas envolvidas temporariamente em programas de estágios profissionais. "O Governo merece ser cumprimentado por isto, porque não está de braços cruzados."
Marques Mendes é conhecido por “acertar” ao milímetro nas previsões que faz, deixando a desconfiança entre os ouvintes de que tem umas “fadas madrinhas” que lhe sopram ao ouvido, o mesmo é dizer que beneficia de fugas de informação ao mais alto nível ou é um lançador de isco do poder, para apalpar a opinião pública sobre as “inovações” político-austeritárias…
Como desta vez a “receita” para o bolo Retificativo era sobre o IVA, que apanha transversalmente todos os portugueses, ricos e pobres, trabalhadores no ativo e reformados, mas também funcionários públicos e privados, houve uma reação natural, o que não é costume quando estes remédios amargos incidem apenas sobre os FP e os grisalhos… E ainda bem!
Marques Mendes “obrigou” Passos Coelho a arrepiar caminho e até deu a medalha a Paulo Portas, se é verdade que Marques não mente…
De sublinhar é a desconstrução que Mendes faz da afirmação do PM: “O que eu sei é que o Governo não tem nenhuma vontade de os aumentar. Não há nenhum Governo que goste de aumentar impostos e este em particular não gosta mesmo.”
E Marques Mendes dispara, de rajada, 54 aumentos de impostos diretos, indiretos e taxas, concluindo: "Se o Governo diz que não gosta de aumentar impostos, olhe se gostasse." Ora toma!
Mas não deviam ser as oposições a ter estes registos e denunciarem estas “mentirinhas”?
Só no PS há 2 cabeças, mais 2 no BE e mais 2 no PCP+Verdes, o que dá 6 cabecinhas pensadoras!
Para além de os partidos estarem a ficar bicéfalos estarão a ficar acéfalos?
Será o mesmo mal do governo, que também tem 2 cabeças?

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Lá se faz, lá se paga! “…e nós aqui temos tudo!”

O Bank of America (BofA) aceitou pagar um valor recorde de 17.000 milhões de dólares (12.800 milhões de euros), 9.650 milhões dólares às autoridades e os restantes 7.000 milhões aos clientes afectados, para encerrar um litígio proveniente da crise dos empréstimos imobiliários de má qualidade, designados ‘subprime’.
Ficam ainda por resolver possíveis eventos criminais, especialmente relacionados com a Countrywide. O Departamento de Justiça acusou o BofA de ter vendido produtos financeiros, suportados por aqueles créditos imobiliários sem qualidade, que estiveram na origem da crise financeira de 2007-2008 e causaram prejuízos de milhares de milhões de dólares para os seus compradores.
Esta penalidade é um valor recorde, depois de o JPMorgan Chase ter pago 13.000 milhões de dólares em 2013.
O Lombard Odier e o Pictet Group, 2 dos maiores bancos da Suíça, vão tornar públicos os seus resultados financeiros, depois de 2 séculos - desde a respetiva fundação - de segredo. Os 2 bancos passam agora a publicar relatórios semestrais, que terão de ser divulgados até 2 meses depois do final de cada semestre.
Depois de um escrutínio sem precedentes por parte das autoridades europeias e norte-americanas ao sector da banca privada na Suíça, as 2 instituições prescindiram das estruturas de parcerias que implicavam que os seus parceiros assumissem a responsabilidade das perdas em janeiro deste ano. As contas do Pictet Group serão tornadas públicas ainda este mês e, no caso do Lombard Odier, será no dia 28. Não se conhecem ainda os números que serão divulgados, o que se sabe é que os 2 bancos supervisionam cerca de 630.000 milhões de dólares (474.900 milhões de euros) de clientes privados e institucionais, incluindo algumas das famílias mais ricas do mundo.
Começa assim uma nova era de regulação para a banca suíça, que terá de adaptar os seus modelos de negócio e passar a partilhar informação dos seus clientes com autoridades fiscais de outros países.
Neste momento, o Pictet está entre um grupo de bancos suíços sob investigação do Departamento de Justiça norte-americano, por, alegadamente, ajudar cidadãos norte-americanos a fugir ao fisco. O Lombard Odier, por seu lado, entrou voluntariamente para um programa de divulgação de dados, juntamente com mais de uma centena de bancos suíços.
O Wall Street Journal voltou a escrever mais um artigo sobre o colapso do BES. Desta vez, o jornal revela o papel que o banco suíço Crédit Suisse terá tido na derrocada do BES ao juntar milhões de dólares em títulos de dívida do Grupo Espírito Santo (GES) que foram vendidos, em veículos financeiros, a clientes do BES. 3 dos veículos estão sedeados numa offshore francesa e chamam-se Top Renda, Euroaforro Investments e Poupança Plus Investments. O Crédit Suisse foi o "arranger e dealer" destes produtos e o 4.º, chamado EG Premium, está sedeado nas Ilhas Virgens, um offshore britânico.
Nos EUA, devagar e bem, lá vão obrigando os bancos a pagar as vacas aos donos, ao Estado e aos clientes…
“…e nós aqui temos tudo!”
Na Suíça, ao fim de 200 anos, começa uma nova era de regulação para mais de uma centena de bancos, que vão tornar públicos os seus resultados financeiros e passam a partilhar informação dos seus clientes com autoridades fiscais de outros países, para evitar que ajudem cidadãos desses países fujam ao fisco…
“…e nós aqui temos tudo!”
Em Portugal, presume-se que um banco suíço ajudou um outro banco português, que foi à falência, conhecem-se os offshores que “ajudaram” à fuga de impostos e os responsáveis de um banco nem do outro sentam o rabinho no banco dos réus, nem se conhecem os nomes dos fugitivos ao fisco, obrigando-os a repor o que os contribuintes adiantaram por eles…
Lá se faz, lá se paga.
“…e nós aqui temos de tudo!”
Nota – São mais alguns exemplos da inocência dos bancos na crise, da honorabilidade sob suspeita dos banqueiros, do que são os serviços privados e de que não fomos nós que “vivemos todos acima das nossas possibilidades”.