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sábado, 13 de setembro de 2014

Confundir a Inteligência Espacial com a Lógico-Matemática…

A quantidade de pormenores que uma criança de 4 anos é capaz de retratar quando desenha uma pessoa pode ser um indicativo da sua inteligência futura.
Da esquerda para a direita: Cima: 6, 10, 6; Baixo: 6, 10, 7
Um estudo de longo termo e de grande dimensão, levado a cabo no Reino Unido, e publicado esta semana na revista Psychological Science, mostra que a forma como uma criança de 4 anos desenha uma figura humana não revela apenas algo sobre a sua inteligência nessa idade como é indicativa da inteligência que terá dentro de 10 anos.
Para chegar a esta conclusão inédita, uma equipa de investigadores do King's College de Londes pediu a 7.752 pares de gémeos "verdadeiros" e "falsos" de 4 anos que desenhassem uma criança. Cada desenho foi avaliado de 0 a 12, com base no número de características presentes, como pernas, braços ou traços faciais. Na mesma altura, as crianças foram também submetidas a testes, verbais e não-verbais, de avaliação de inteligência.
10 anos depois, quando as crianças atingiram os 14 anos, os investigadores voltaram a testar a sua inteligência e descobriram que uma pontuação mais elevada nos seus desenhos correspondia agora, tal como na altura, a uma maior inteligência. E aí residiu a surpresa dos investigadores, que esperavam ver uma relação (entre a pontuação obtida nos desenhos e a inteligência) aos 4 anos, mas não verificar uma consistência dos resultados uma década mais tarde.
A correlação, no entanto, "é moderada", sublinha o líder do estudo, Rosalind Arden, em comunicado. "As nossas descobertas são interessantes mas não significam que os pais devam preocupar-se se o filho desenha mal", acrescenta. "A capacidade para desenhar não determina a inteligência, há inúmeros fatores, tanto genéticos como ambientais, que afetam a inteligência mais tarde na vida", conclui.
Não vou dissertar, mais uma vez, sobre as Inteligências Múltiplas porque pelo que se percebe os autores do “estudo”, nunca devem ter lido nada sobre a matéria…
Nem vou falar da “Educação pela Arte”, porque quem quiser que leia António Damásio, entre muitos…
Vou apenas referir-me a um dos primeiros estudos sobre o assunto, que li há muitos anos, de Georges-Henri Luquet, ‘O Desenho Infantil’, que me guiou para a psicologia do desenvolvimento, para entender e criar empatia com os meus alunos na procura da representação do “real”, virtualmente.
E agora já posso opinar sobre o “estudo”, que se baseia num conceito de “inteligência” já ultrapassado entre teóricos, mas que os Sistemas Educativos ainda privilegiam, a ponto de iniciar a Educação Visual (a Inteligência Espacial), como é o nosso caso, apenas no 7.º ano, exatamente aos 14 anos. Isto para dizer que, durante 10 anos, algumas das outras “inteligências”, no caso, a Espacial, ficaram congeladas, sem qualquer possibilidade de progressão. Se assim não fosse e houvesse formação “artística” desde o 1.º ano, aos 14 anos os desenhos seriam muito mais “realistas”, apenas pela acumulação dos novos conceitos das coisas e do mundo, como acontece com qualquer das outras “inteligências”…
E se assim fosse, em vez de o título ser: “Diz-me como desenhas aos 4 anos, dir-te-ei que inteligência terás aos 14”, poderíamos titular, por exemplo: “Diz-me como escreves aos 4 anos, dir-te-ei que inteligência terás aos 14”…
Ou seja, até na ciência e na pedagogia andam a informarmos, com base em erros, que podem abalar a formação que fomos acumulando…
Eu sei que “isto” não tem interesse, mas devia interessar muita (toda a) gente, que vive da “Educação” para EDUCAR…
Georges-Henri Luquet consagrou a sua vida ao estudo do desenvolvimento da comunicação humana pela imagem. É um dos pioneiros do estudo do desenho infantil e as suas teses foram integralmente retomadas por Jean Piaget. Marcaram profundamente a psicologia do desenvolvimento e forneceram numerosas conceções, tanto aos psicólogos como aos pedagogos. As suas pesquisas sobre o desenvolvimento gráfico das crianças foram influenciadas pelos seus trabalhos em antropologia e, reciprocamente, também os influenciaram. 
Vários estudiosos observaram e procuraram identificar e descrever as etapas gráficas do desenvolvimento do desenho, entre os mais conhecidos estão Luquet, Piaget e Lowenfeld.
Luquet, por exemplo, dividiu as etapas gráficas em Realismo Fortuito, Realismo Falhado e Realismo intelectual e realismo visual.
No Realismo Fortuito, a criança começa a fazer traços sem qualquer objetivo (não há intenção para uma representação gráfica), mesmo sabendo que os traços realizados por outrem podem querer determinar um objeto determinado e representá-lo efetivamente, a criança não considera a ideia de também possuir a mesma habilidade. É nesta fase também que podemos identificar os famosos "garatujos", e de acordo com as definições de Piaget, este é o período sensório-motor.
“A princípio, para a criança, o desenho não é um traçado executado para fazer uma imagem mas um traçado executado simplesmente para fazer linhas. (Luquet, 1969 pg.145)
Até certo ponto, a criança produzirá mesmo acidentalmente uma parecença não procurada. A partir daí ela passará por uma série de transições até adquirir a totalidade das faculdades gráficas (intenção, execução e a interpretação correspondente à intenção) chegando consequentemente ao realismo intencional.
A Segunda Fase descrita por Luquet é o Realismo Falhado; quando a criança chega ao desenho propriamente dito, quer ser realista, mas a sua intenção choca com obstáculos gráficos e psíquicos, que dificultam a sua manifestação. São exemplos de obstáculos a incapacidade para dirigir os seus movimentos gráficos, o caráter limitado e descontínuo da atenção infantil e principalmente a incapacidade sintética – quando a criança não chega a sintetizar num conjunto coerente os diferentes pormenores que desenha com a preocupação exclusiva de os representar cada um por si. 
A terceira fase, é a do Realismo intelectual, onde a criança pretende deliberadamente reproduzir do objeto representado, não só o que se pode ver, mas tudo o que ali existe e dar a cada um dos elementos a sua forma exemplar.
“Enfim, aos 4 anos, a criança chega ao Realismo visual cuja principal manifestação é a submissão mais ou menos infeliz na execução da perspetiva. (Luquet, Pg.212)
De acordo com Piaget, é neste ponto que a criança se encontra no estágio pré-esquemático, que se inicia por volta dos 4 anos e se estende até os 7 anos mais ou menos. Após esta fase a criança com idade entre 7 e 9 anos entra no estágio esquemático, e após os 9 anos passa para o estágio do realismo nascente, vale ressaltar que estes estágios compreendidos entre os 7 e 11 anos estão dentro do período das operações concretas.
É claro que estes estágios não são estáticos, imutáveis, existem crianças que saltam alguns estágios de desenvolvimento, e existem crianças que param de se desenvolver devido a vários fatores que influenciam a sua vida, como a família, a situação social e económica, distúrbios psicológicos e gosto particular.
Por que paramos de desenhar?
À medida que a criança cresce, desenvolve o seu espírito crítico em relação aos seus trabalhos. Muitas vezes essa consciência crítica supera o seu desejo de se expressar criativamente; principalmente nos casos em que a criança passa com rapidez da infância para a adolescência num prazo demasiado curto, não podendo ajustar-se com suficiente brevidade à sua nova consciência crítica e fica assim, insatisfeita com as suas realizações. Acha tudo “infantil e mal feito”.
Quando isto sucede com muita frequência e nada se faz para remediar, a criança perde interesse pela arte e suspende completamente, as suas atividades artísticas. Já não pode desenhar coisa alguma, porque devido à sua repentina “tomada de consciência” crítica passa a perceber a pobreza dos seus meios infantis de expressão. Os seus desenhos parecem-lhe até ridículos, da mesma maneira como certos folguedos infantis, por exemplo, o “esconde-esconde”, lhe parecem indignos da sua atual “maturidade”. (Lowenfeld, 203).
Também Luquet exemplifica como se dá o abandono da criança pela atividade do desenho. Conforme a sua teoria, esse desinteresse é produzido na idade em que a criança chega à conceção do realismo visual – com a sua consequência fundamental: a perspetive; os desenhos que executava anteriormente de acordo com o realismo intelectual já não satisfazem o seu espírito crítico desenvolvido, e sente-se incapaz de fazer desenhos como quereria fazer.
Porém Luquet na sua obra “O Desenho Infantil”, além de exemplificar como se dá o abandono do interesse do ato de desenhar pela criança, também propõe sugestões de como evitar esse abandono. Conforme Luquet, o ensino do desenho deve visar não a acelerar artificialmente a evolução espontânea do desenho, a fazer desenhar em realismo visual quando a criança ainda quer desenhar em realismo intelectual, mas por a criança em estado de desenhar convenientemente em realismo visual quando tenha esta intenção.
Isso deve ser feito preferencialmente ensinando os principais efeitos da perspetiva, mostrando-lhes factos em objetos do seu quotidiano e exercitando o desenho tanto quanto possível ao natural.
Mas para Luquet, a principal atitude do educador deve ser a de “apagar-se”, deixar a criança desenhar o que quer, propondo-lhe temas sempre que ela necessite e sobretudo quando lhe pede, fazendo sempre com que estas sugestões não soem como imposições e sobretudo deixá-la desenhar como quer, a seu modo.

Ecos da blogosfera – 13 set.

Efemérides do dia

Miniatura de Pedro Álvares Cabral
Eventos histórico
1276 - Pedro Julião, bispo português, médico e matemático, é eleito Papa com o nome de João XXI.
1500 - Expedição de Pedro Álvares Cabral chega a Calecute, após descobrir o Brasil.
1598 - Filipe III de Espanha toma posse do trono de Portugal e Espanha.
1765 - Tremor de terra em Lisboa, de menor intensidade que o verificado no dia 1 de Janeiro.
1917 - 5ª aparição de Nossa Senhora em Fátima (Ourém), Portugal
1923 - Primo de Rivera lidera golpe de estado na Espanha, iniciando o período ditatorial.
1993 – Israel e palestinianos firmam os Acordos de paz de Oslo, abrindo caminho para a retirada israelense de partes de Gaza.
Nasceram neste dia…
1776 - Samuel Wilson, comerciante americano, famoso pela imagem do Tio Sam (m. 1854).
1819 - Clara Schumann, pianista e compositora alemã (m. 1896).
1863 - Arthur Henderson, político e sindicalista britânico, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 1934 (m. 1935).
1885 - Aquilino Ribeiro, escritor português.
1886 - Robert Robinson, químico norte-americano Prémio Nobel de Química em 1947 (m. 1975).
1887 - Lavoslav Ruzicka, químico croata, Prémio Nobel de Química em 1939 (m. 1976).
1940 - Óscar Arias, presidente da Costa Rica, Nobel da Paz e prémio Príncipe de Astúrias pela sua contribuição para a paz na América Central.
1992 - Natália Correia, ativista social, escritora e poeta açoriana (m. 1993).
Morreram neste dia…
1321 - Dante Alighieri, escritor italiano (La Divina Commedia) (n. 1265).
1438 – Rei Duarte I de Portugal (n. 1391).
1592 - Michel de Montaigne, filósofo francês (n. 1533).
1598 – Rei Filipe II de Espanha e Filipe I de Portugal (n. 1527).
1877 - Alexandre Herculano, escritor, historiador e político português.
1949 - Schack August Steenberg Krogh, Nobel da Medicina em 1920 (n. 1874).
1949 - August Krogh, professor dinamarquês de zoofisiologia, Nobel de Medicina, 1920 (n. 1874).

Contramaré… 13 set.

À saída do encontro, o ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, disse que os responsáveis das instituições comunitárias se mostraram a favor da iniciativa irlandesa, enquanto o único representante dos Estados-membros que se manifestou foi a ministra das Finanças de Portugal, Maria Luís Albuquerque. "Congratulou a Irlanda e disse que poderão solicitar a mesma possibilidade porque prevê que, no futuro, as taxas de juro da dívida soberana desçam suficientemente" para que Portugal também tenha interesse em pagar mais rapidamente o dinheiro ao FMI, disse o governante irlandês.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Educar: Ensinar e aprender, com os pais e com a escola…

O pediatra discute como educar uma criança: a importância do amor, dos castigos e do tempo que tanto pais como filhos devem reclamar para si. Mas há também dicas para a rentrée escolar.
(…)
- O que define uma boa educação?
Gosto mais de falar em ensino e em aprendizagem. Há o ensinar, que implica informação, sabedoria e modelo. O aprender é desenvolver talentos e conhecimentos, ouvir experiências e, através delas, desenvolver sabedoria. Um bom educador é a pessoa que, na medida do possível, tenta ser coerente, consistente e justo. Mas também saber que podem haver reações àquilo que ensina, tal como a rejeição.
- Que valores devem ser transmitidos às crianças?
Respeito, amor, responsabilidade, empatia, partilha e solidariedade. Mas os valores são coisas abstratas para uma criança, pelo que é preciso dar exemplos práticos. Até aos 5, 6, anos a criança está numa fase em que predomina o concreto.
- Quais os conselhos que dá aos pais no regresso às aulas?
Depende das idades, se é a primeira vez que a criança vai para a escola ou se há mudanças de ciclo. É bom conversar sobre o que vai acontecer, sobretudo quando no primeiro ano, e explicar alguns medos: “É natural que não conheças ninguém; que penses que a professora esteja a olhar só para ti; que dos 26 não és obrigado a gostar de todos e que, a pouco e pouco, vais vendo quem tem mais que ver contigo…”. Explicar também que é preciso ser-se organizado e metódico, saber enquadrar todas as tarefas do dia-a-dia nos vários dias.

Outra coisa que é muito importante: a criança pensa que ao ir para a escola, no momento em que entra, já está a ler e a fazer contas, sente-se pressionada. Digo sempre no consultório “a última letra do abecedário geralmente é aprendida em maio, até lá tens muito tempo”. Dar uma semanada também é importante; sugiro 2 euros por semana. Implica ser-se responsável: “Trabalhaste uma semana, tens aqui uma semanada. O esforço foi recompensado e o teu poder aquisitivo está na razão direta do teu trabalho”.

- Das férias para as aulas há uma mudança de hábitos muito grande…
Advogo uma semana antes de começar as aulas para retomar os ritmos. Acho que é bom aproveitar esse período para ver os manuais, as mochilas, os horários, para comprar o material… E ir deitando o filho mais cedo. Trata-se de um reset tranquilo — não pode ser instantâneo.
- O que é que um pai pode exigir de uma criança: qual o equilíbrio entre o trabalho e o ócio?
Exigir que cumpra [as obrigações], mas dar alguma liberdade à criança de gerir a sua vida. Sobretudo que não exija ao filho que entre no quadro de honra, que acho que é uma coisa a abater — é muito injusta, como se a honra se medisse por notas! Cada um deve-se comparar consigo próprio, tentar a excelência de si mesmo. Nós não temos competência para tudo, ponto, e temos de meter isso na cabeça dos pais e dos filhos. Em vez de carrascos, os pais devem ser juízes/árbitros.
- Quais são os maiores desafios de uma criança quando a aprender?
É encarar, na maior parte das vezes, uma escola nova e habituar-se ao estar na sala de aula. O impulso de levantar e falar é tolerado no jardim-de-infância, mas não ali [aulas do primeiro ano]. Por outro lado, trabalhar em grupo, adaptar-se a outros meninos e ao relacionamento com as auxiliares, que é fundamental no meio disto tudo. O pai deve observar tudo e fazer-se sócio da associação de pais para poder intervir e tentar mudar o que se pode mudar, compreender e ajudar onde pode.
- O pai educa, a escola ensina?
Ensina-se e aprende-se em todo o lado, tanto com os pais como na escola. Sempre que há um momento relacional, há uma ocasião de ensino e de aprendizagem. A escola deve ensinar, não apenas a nível académico, mas também social e relacional. O mesmo com os pais. Um não substitui o outro.

Ecos da blogosfera – 12 set.

Efemérides do dia

Assinatura do Tratado de Alcanizes,
definindo a fronteira entre Portugal e Castela (1297)
Eventos históricos
1814 - The Star-Spangled Banner, o hino americano, é composto por Francis Scott Key.
1943 - II Guerra Mundial: Benito Mussolini é resgatado por para-quedistas alemães comandados pelo austríaco Otto Skorzeny.
1972 - Costa Gomes é chamado para exercer o cargo de chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Portugal, em substituição do general Venâncio Deslandes.
1978 - Decreto regional sanciona a Bandeira da Madeira.
2002 - Sérgio Vieira de Mello é nomeado alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Nasceram neste dia…
1902 - Juscelino Kubitschek, político brasileiro (m. 1976).
1924 - Amílcar Cabral, um dos fundadores do PAIGC (m. 1973).
1962 - Paulo Portas, jornalista e político português.
Morreram neste dia…
1683 - Rei Afonso VI de Portugal (n. 1643).
1871 - Júlio Dinis, médico e escritor português (n. 1839).
1957 - José Lins do Rego, escritor brasileiro (n. 1901).
2003 - Johnny Cash, músico norte-americano (n.1932).

Contramaré… 12 set.

Quase 1.900.000 de desempregados espanhóis, 4 em cada 10, estavam no final de julho sem receber subsídio de desemprego, segundo dados oficiais do Ministério do Emprego e Segurança Social. Em média ficam sem subsídio de desemprego cerca de 1.200 pessoas por dia, valor idêntico ao dos últimos anos: em 2013 ficaram sem subsídio 477.000 pessoas e no ano anterior 487.000.
Quem esgota o subsídio de desemprego em Espanha tem direito a um subsídio assistencial de cerca de 400 euros por um período máximo de 18 meses no caso de trabalhadores com pessoas a cargo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O número 7 é mágico, para nós pode ser trágico!

Europa, economia, dívida pública, défice, deflação. Ministros e Paulo Portas muito em especial. Os tormentos da mulher que manda no país.
António Ribeiro Ferreira
A mulher que Passos Coelho foi buscar a Setúbal para a equipa de Vítor Gaspar está há mais de um ano à frente das Finanças e já é hoje uma forte candidata a liderar o PSD em caso de derrota dos laranjas nas legislativas de 2015. Firme, ambiciosa, clara nas palavras, fria quanto baste, com os pés bem assentes na terra, admirada no Eurogrupo e no Ecofin, muito especialmente pelo seu homólogo alemão Wolfgang Schäuble, Maria Luís Albuquerque manda efectivamente no país. Mas o preço que paga é efectivamente muito alto.
Os ministros crescidinhos
Sintomática foi a sua resposta a um participante na Universidade de Verão do PSD sobre se era mais difícil negociar as mesadas dos filhos ou os orçamentos dos vários ministérios. Maria Luís admitiu que ia ter problemas em casa se os filhos estivessem a ver televisão porque nunca lhes tinha passado pela cabeça que as mesadas eram negociáveis. Quanto aos ministros, já os conheceu crescidinhos, não teve oportunidade de os educar. Os ministros, as manobras de Paulo Portas, seu superior hierárquico no governo, em torno dos impostos, mas também a Europa estagnada, cheia de sobressaltos, a economia portuguesa a rastejar, com poucos altos e muitos baixos, a maldita dívida que não para de subir e que Maria Luís admite pela 1.ª vez discutir no parlamento, são pesadelos diários da ministra das Finanças.
O quebra-cabeças da dívida
7 noites, 7 pesadelos. E, se a dívida é um quebra-cabeças, já vai nos 134% do PIB, o défice é um exercício de malabarismo em que tudo ou quase tudo corre mal. É verdade que as receitas fiscais estão imparáveis, só este ano vão chegar aos 37.000 milhões de euros, mas a despesa até final de Julho, sem reposições de salários e pagamento de juros, subiu 617 milhões de euros.
Monstro insaciável
Um sinal claro de que o célebre monstro criado em 1989 por Cavaco Silva continua insaciável, indiferente à troika, à austeridade. Um sinal claro também da impotência dos ministros para imporem disciplina nas contas dos seus serviços. Ministros que Maria Luís já apanhou crescidinhos, mal-educados em matéria de contenção de despesas e que imaginam que os seus orçamentos são negociáveis. Talvez Maria Luís não use o "não há dinheiro" de Vítor Gaspar para os calar. Mas deve fitá-los bem de frente, olhos nos olhos, e recordar-lhes que o ajustamento deveria ser feito pelo lado da despesa e não pelo lado da receita. E lembrar-lhes que o défice de 2015 está fixado nos 2,5% e o de 2014 já sofreu tantos tratos de polé que pode ir de 4% a 10% com a tragédia dos 3.900 milhões injectados no Novo Banco e outros buracos nas empresas de transportes e nos hospitais. E como mais défice equivale a mais dívida e mais dívida implica o pagamento de mais juros, Maria Luís Albuquerque vive o pesadelo da inflação, negativa há 7 meses consecutivos. Com a deflação à porta, a dívida não desce, antes sobe, afasta os investidores, esmaga os preços das empresas, leva muitas à falência e pode fazer disparar o desemprego.
De olho em Portas
Mas a ministra das Finanças, no meio de tantos trabalhos forçados, ainda tem que andar atrás ou à frente da agenda sempre imprevisível do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Com o líder do CDS não se trata de discutir orçamentos. Com Portas trata-se de corrigir rotas, deitar água na fervura dos impostos e lembrar que mesmo sem a troika em avaliações trimestrais o caminho da austeridade continua e que não há folgas para baixar impostos quando o país tem défices excessivos.
Em plena discussão do Orçamento do Estado para 2015, Paulo Portas, e o CDS, acena com uma baixa, mesmo que ligeira, da carga fiscal sobre as famílias à boleia da reforma do IRS que está em fase de discussão pública. Mas Maria Luís Albuquerque não vai atrás dos cantos das sereias centristas e mantém-se firme. Em 2015, e sabe-se lá no futuro mais próximo, não há margem para baixar impostos às pessoas. O ajustamento orçamental feito à base das receitas veio para ficar. A não ser que os senhores ministros consigam dominar o monstro que está em todo o lado. Mas Maria Luís não acredita muito na boa vontade dos colegas. Por isso mesmo, dura como é, cortou muitas das despesas que os ministérios iam fazer até final do ano. Sem negociações. Como não negoceia as mesadas dos filhos.
As noites da ministra. Os Pesadelos um a um
Para Maria Luís Albuquerque não há um dia de descanso. Acorda segunda com a Europa e deita-se domingo a pensar em Paulo Portas
1 - Europa
A zona euro e a União Europeia não estão a ajudar nada os países mais pobres e que foram sujeitos a violentos programas de austeridade. Os países mais ricos estão estagnados ou em recessão, como a França e a Itália, e mesmo a poderosa Alemanha caiu 0,2% no 2.º trimestre. Perante esta triste realidade, Maria Luís tem de usar a tesoura para garantir que as contas nacionais não se afundam ainda mais.
2 - Economia
O governo começou por admitir um crescimento de 0,8% no Orçamento do Estado de 2014. Mais tarde, quando apresentou o Documento de Estratégia Orçamental, esse valor foi revisto em alta para 1,2%. Agora, quando apresentou o 2.º Orçamento Rectificativo do ano, voltou a rever em baixa o crescimento em 2014 para 1%. E a montanha-russa pode não ficar por aqui até final do ano. Um quebra-cabeças.
3 - Dívida pública
Sobe, sobe, sem parar. Sobe tanto que a ministra das Finanças admitiu pela 1.ª vez discutir o assunto no parlamento. E isto porque o Tratado Orçamental exige uma quebra de 5% ao ano e para isso Portugal terá de ter saldos primários de 4% e crescimentos nominais do PIB de 4% ao ano. Uma ficção.
4 - Deflação
É verdade que o país não está oficialmente em deflação. Mas com uma inflação negativa há 7 meses, Maria Luís vê a dívida subir e o investimento a cair, a economia a subir menos e o desemprego em risco de aumentar. Com a ministra impotente para inverter a situação.
5 - Défice
O objectivo para este ano era baixar o défice para 4%. Mas os 3.900 milhões injectados no Novo Banco, em empresas de transportes e hospitais e uma subida da despesa do Estado, sem reposições de salários e pagamento de juros, em 617 milhões de euros, podem fazê-lo disparar até aos 10%. Um enorme pesadelo para a ministra.
6 - Ministros
Maria Luís Albuquerque também tem humor. Na Universidade de Verão do PSD lembrou que as mesadas dos filhos não são negociáveis e que já conheceu os ministros crescidinhos para os educar da mesma maneira. Foi por isso que impôs cortes já este ano e que na discussão do Orçamento do Estado para 2015 vai com certeza lembrar aos seus colegas de governo que o défice de 2,5% não é negociável. Como as mesadas dos filhos.
7 - Paulo Portas
Em Julho de 2013 a demissão irrevogável do ministro dos Negócios Estrangeiros por causa da subida de Maria Luís a ministra das Finanças promoveu-o a vice-primeiro--ministro encarregado de discutir com a troika. A ministra das Finanças não dorme a pensar nas jogadas e manobras do líder do CDS. A última, em curso, tem a ver com a baixa da carga fiscal das famílias. Uma utopia que Maria Luís tem travado com muita paciência e diplomacia.
Como se vê, nenhum dos problemas que Maria Luís enfrenta (Europa, economia, dívida pública, deflação, défice, ministros e Paulo Portas) diz respeito aos cidadãos, embora qualquer solução que ela venha a encontrar vá sempre de encontro aos cidadãos. Daí que não se entenda por que terá insónias, se o método terapêutico é sempre o mesmo…
Se é a mulher que manda no país, que mande, nos ministros e no Portas!Se é a técnica competente, que encontre as respostas técnicas e socialmente justas para os problemas da economia, da dívida pública, da deflação e do défice!
Se é a política emergente no PSD, que se imponha na Europa perante os seus pares, técnica, social e politicamente!
Já toda a gente sabe que o procedimento terapêutico será sempre o mesmo que até agora tem sido administrado: sorrir nas fotografias com o Paulo, espalhar charme nas reuniões do Ecofin, dominado por homens e ir ao bolso dos contribuintes…
Por que haveria de ter insónias? Só por causa disto?
E está com sorte, porque dizem que o número 7 é mágico. Oxalá não lhe acrescentem mais um problema para não ter(mos) o azar de se transformar na Maga Patológica…

Ecos da blogosfera – 11 set.

Efemérides do dia

Ataque à Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque
Eventos históricos
1836 - Os rebeldes farroupilhas proclamam a República Rio-Grandense, durante a Guerra dos Farrapos.
1973 – O Palácio de La Moneda é bombardeado, desencadeando o golpe de Estado que estabelece uma ditadura militar no Chile até 1990.
1985 – Maior acidente ferroviário de que há memória em Portugal.
2001 - Ataque terrorista às torres gémeas do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3.000 mortes.
Nasceram neste dia…
1740 - D. Frei Caetano Brandão, Bispo do Pará, Arcebispo de Braga (m. 1805).
1816 - Carl Zeiss, inventor e ótico alemão, contribuiu grandemente para o desenvolvimento de lentes (m. 1888).
1965 - Bashar al-Assad, presidente da Síria.
Morreram neste dia…
1891 - Antero de Quental, escritor português (n. 1842).
1942 - Bento António Gonçalves, ex-secretário geral do Partido Comunista Português (n. 1902).
1971 - Nikita Kruschov, político e estadista soviético (n. 1894).
1973 - Salvador Allende, médico, político e presidente do Chile (n. 1908).
1978 - Janet Parker, médica britânica, a última vítima de varíola.

Contramaré… 11 set.

“Toda a gente percebeu quem ganhou o debate. É tão evidente”, disse o jornalista Rui Costa Pinto. “Não é surpresa para muita gente, mas é a confirmação. Seguro fala claro. Há pessoas que não estão habituadas em Portugal a ouvir falar claro. E percebemos ainda porque Costa não queria debates maiores”, reforçou, acrescentando que “Passos Coelho e Paulo Portas devem estar a rebolar a rir”.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Com um simples toque de dedo, podemos ter o mundo na mão

"A criação do mundo" de Miguel Ângelo no teto da Capela Sistina
A popularidade de smartphones com ecrãs de maior dimensão, conhecidos como “phablets”, mantém-se com a IDC a prever que a procura associada supere a dos PC portáteis. O fornecimento de “phablet” deverá atingir 175 milhões de unidades em 2014, 5 milhões acima do número referente aos PC portáteis, previu a consultora.
Os telemóveis inteligentes vieram para ficar. Já no ano passado as vendas tinham ultrapassado as dos aparelhos tradicionais, e os dados mais recentes da empresa de estudos de mercado revelam que em relação a maio de 2012 se registou um aumento de utilização na ordem dos 80%.
"Há muita gente que compra smartphones, mas que depois não lhes dá o uso que devia", lembrou Pedro Tróia, diretor da revista PC Guia.
Há aqui 2 fenómenos interessantes. Um é que se está a substituir os mais simples por telefones com mais capacidades, apesar de a maioria das pessoas não passar das chamadas e dos SMS. Há muita gente que compra smartphones, mas que depois não lhes dá o uso que devia. O outro é que estão a aparecer muitas marcas que oferecem as mesmas funcionalidades que as grandes mas que são muito abaixo do preço. As marcas grandes tentam contra-atacar com versões simplificadas. É por aí que está a crescer. Não tanto pelos telefones das grandes marcas. Depois há também as ofertas dos operadores.
1. Quem de facto tira partido dos equipamentos, usa-os para quê?
Para aceder às redes sociais, mais ao Facebook, e para jogos. São os grandes motores. E há um fenómeno, que eu vejo, é empírico, mas o mercado do fitness também está a pegar muito nos smartphones. Agora na IFA (exposição de tecnologia mais importante da Europa), a decorrer em Berlim, toda a gente está a apresentar dispositivos que trabalham em conjunto com o smartphone para ajudarem programas de fitness.
2. Qual vai ser o futuro destes telefones?
Têm muito pouco por onde crescer. O conceito está lá, a tecnologia, podemos fazer mais rápido, com ecrã maior ou menor. Daí a mudança para os aparelhos complementares como os relógios inteligentes. Agora a tendência é a dos ecrãs serem progressivamente maiores. Os phablets, telefones com ecrãs grandes. Eu diria que daqui a 3, 4 anos, o mercado dos tablets vai reajustar-se a uma realidade diferente.
Os donos de ‘smart-phones' parecem ter cada vez menos interesse em novas aplicações. Este comportamento levanta dúvidas sobre o futuro daquele que tem sido o nicho mais dinâmico do mercado tecnológico e leva os programadores de aplicações móveis a pensar que os dias de crescimento frenético podem estar a chegar ao fim. Segundo dados da Deloitte, num mês típico, cerca de 1/3 dos utilizadores de ‘smartphones' não descarrega qualquer aplicação (ou ‘app') para o seu equipamento. A mesma empresa estima que o volume de vendas de ‘apps' pode estar prestes a atingir o máximo histórico.
Por me ter convertido num racional e racionado utilizador do smartphone que as circunstâncias me “obrigaram”, depressa cheguei à conclusão de que não bastava ter, mas era preciso saber utilizá-lo para tirar todo o partido, comodidade e eficácia do mesmo, constatando de imediato que o mesmo se passava com a maioria dos proprietários dessa ferramenta.
Por razões circunstanciais, que se prendem com a Coordenação de uma Universidade Sénior (USRCPV) onde a informática é uma das disciplinas mais procuradas, intuitivamente, mas não só, cheguei à conclusão de 2 coisas: é mais fácil aprender e utilizar tablets e smartphones, do que aprender e utilizar os PC e, por isso, na idade dos nossos utentes a aprendizagem da utilização desta “nova” ferramenta” é muito mais fácil, razão por que os nossos netos nos levam a perna…
Ao mesmo tempo constatei que, praticamente, não existe no mercado oferta de formação para tablets e smartphones (nem das empresas fabricantes nem nas distribuidoras nem de empresas de formação), o que me levou a propor e a realizar um workshop, que teve sucesso e confirmou a necessidade de abrir a oferta de uma disciplina sobre a matéria, vai daí substituímos algumas turmas de formação em PC e estou convencido de que vai ter grande sucesso e mais proveito a quem se inscrever na nova disciplina.
Fico satisfeito por constatar nestas notícias: 1) que tinha razão na crescente desvalorização dos PCs; 2) na valorização dos tablets e smartphones, agora chamados de “phablets” e 3) na introdução inovadora de formação nestes aparelhos na oferta curricular.
A grande vantagem da utilização dos “phablets”, ou seja, da utilização de tablets ou de smartphones, advém da personalização de cada aparelho, que passa pelo mundo das aplicações (app) e permite, com um toque de dedo, ter o mundo à mão…
E por isso, estamos a pensar abrir cursos pós-laborais, para pessoas não inscritas na USRCPV, para sermos um polo de serviços à comunidade, que ultrapasse a missão específica da “instituição” e a estenda a quem não tenha outra alternativa.
Desculpem a publicidade, mas a oportunidade está no servir…