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terça-feira, 8 de abril de 2014

Ontem foi mais um dia para (nos) tratarem da Saúde…

A definição de saúde possui implicações legais, sociais e económicas dos estados de saúde e doença; a definição mais difundida é a encontrada no preâmbulo da Constituição da Organização Mundial da Saúde: saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.
Desde 1950, que se comemora, o Dia Mundial da Saúde, no dia 7 de Abril. A data foi escolhida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948, aquando da organização da sua primeira assembleia.
A OMS elege, anualmente, um tema central para ser debatido, que representa uma prioridade na agenda internacional de saúde. Este ano, o enfoque é colocado nas doenças transmitidas por vectores, sob o lema: “pequenas picadas… grandes ameaças”!
O Dia Mundial da Saúde constitui uma oportunidade única para alertar a sociedade civil para temas-chave na área da saúde, que afectam a humanidade, através do desenvolvimento de actividades que visam a promoção e bem-estar das populações, nomeadamente, o incentivo à adopção de hábitos de vida saudáveis. 
De salientar que, os programas apresentados no Dia Mundial da Saúde, não se circunscrevem ao dia comemorativo, preconizam o desenvolvimento de inúmeras acções de sensibilização sobre a temática, ao longo de todo o ano.
Os vectores são, sobretudo, artrópodes que transmitem a infecção através de picada quando eles próprios são portadores de agentes patogénicos, como vírus e parasitas. Os mais comuns são os mosquitos (de várias espécies), a mosca da areia e carraças. Apenas uma picada pode transmitir doenças tais como malária, dengue, chikungunya, febre do Nilo Ocidental, leishmaniose, doença de Lyme, febre-amarela, encefalite japonesa, entre outras.
As doenças de transmissão vectorial são responsáveis por altos índices de morbilidade e mortalidade, especialmente nos países mais pobres, causando absentismo escolar, aumento da pobreza, diminuição na produtividade económica e sobrecarga dos sistemas de saúde com procedimentos onerosos.
A OMS considera que as doenças transmitidas por vectores como a malária (paludismo), dengue, febre-amarela, entre outras, são causa de preocupação para a saúde a nível mundial, visto que, mais de metade da população está em risco. Apesar de estas doenças ocorrerem, habitualmente, em áreas tropicais e subtropicais (ou em locais em que o acesso à água potável ou o saneamento básico possam constituir um problema), nos últimos anos tem-se assistido à sua disseminação para outras áreas geográficas.
Esta propagação pode ser facilitada por vários factores, designadamente, o aumento das viagens e comércio internacional, a introdução de novas práticas agrícolas, o aumento da mobilização da população rural para áreas urbanas e, sobretudo, as alterações climáticas, em particular as questões relacionadas com o aquecimento global.
A possibilidade de (re)introdução de algumas destas doenças na Europa tornou-se evidente com o recente surto de dengue que ocorreu em finais de 2012 na Ilha da Madeira, que obrigou a uma resposta integrada das autoridades de saúde daquela Região.
Dada a inequívoca gravidade deste tipo de doenças, governos e cientistas a nível mundial, têm apostado na investigação sobre a prevenção e o tratamento, com progressos assinaláveis em algumas delas. O lema da OMS “medidas simples para se proteger a si e à sua família”, tem como objectivo fundamental, fomentar o uso de repelentes ou roupas que cubram a maior parte do corpo; a utilização de redes protectoras nas janelas e portas; a eliminação de ambientes propícios à proliferação de mosquitos (“aguas paradas”), tais como recipientes com água, pequenos charcos, ou a administração de vacina, quando adequado e disponível (sobretudo, a febre-amarela).
A principal estratégia da OMS, para o Dia Mundial da Saúde, consiste na divulgação de informação específica relativa a medidas de protecção individual e prevenção da multiplicação de vectores (sobretudo, mosquitos). 
Tendo em conta que a saúde de cada um de nós passa por um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e tendo em conta as circunstâncias, depressa constataremos que:
1 – Quanto ao bem-estar físico, que em parte depende de nós, conforme os hábitos de vida que levamos, não podemos acusar ninguém de o prejudicar, apenas lamentarmos a genética;
2 – Já quanto ao bem-estar mental, embora também dependa em pequena parte de nós, da relação com os outros e da genética, outras condicionantes podem gerar conflitos, seja nas relações intrapessoais, que podemos evitar, mas também por motivos emergentes da sociedade em que vivemos e nos perturbam sobremaneira;
3 – No que ao bem-estar social diz respeito, já não nos podemos culpar, apenas culpabilizar quem lidera mal ou para o pior, sobretudo pela instabilidade das condições de sobrevivência, de trabalho, de salários justos, de inclusão, de dignidade e de respeito pelo humano.
E quando uma destas condições interfere no dia-a-dia, algo vai mal na área da saúde, de cada um e de toda a sociedade…
Cada vez mais este conceito de saúde vai sendo diluído pelos governos do nosso tempo, retirando-nos direitos do Direitos Humanos…
Neste dia Mundial da Saúde, não encontramos sequer uma nota comemorativa dos nossos responsáveis por esta área, o que quer dizer que aderiram ao pecado da omissão ou é mesmo essa a missão…
E por isso, enquanto reivindica os seus direitos, vá tratando de si, que eles “tratam” de nós…
A Entidade Reguladora da Saúde recebeu 22 reclamações por dia, no ano passado. A qualidade da assistência de cuidados de saúde e as dificuldades de acesso são os principais motivos de queixa.
Saúde!
A saúde é um dos bens mais preciosos que possuímos, pois nos dá a disposição necessária para enfrentarmos os obstáculos diários e usufruirmos das nossas conquistas. Mas com a correria do dia-a-dia, acaba por não receber a atenção merecida.
Ao contrário do que muitos pensam, conquistar uma rotina saudável não requer esforços absurdos. Com um mínimo de dedicação e disciplina, é possível garantir doses diárias de energia e resistência.
7 dicas simples que irão ajudá-lo a ter uma vida mais saudável:
Boa alimentação - Para garantir um dia-a-dia cheio de disposição e energia, o 1.º passo é alimentar-se de forma saudável. Para isso, não é preciso privar-se das delícias da boa mesa. A palavra-chave é moderação! No entanto, é preciso, sempre que possível, evitar alimentos com alto teor de sódio, processados e gordurosos, que são grandes vilões do coração. Incluir, mesmo aos poucos, frutas, verduras e hortaliças no cardápio também fará uma grande diferença.
Mais água - O corpo humano é formado por cerca de 70% a 75% de água. Além de ser responsável pelo transporte de diversos nutrientes no nosso organismo, este líquido mantém o bom funcionamento dos rins, que filtra toxinas e minerais. Uma hidratação deficiente pode causar diversos problemas, entre eles, cálculos renais. O recomendado, por especialistas, é que uma pessoa adulta beba de1,5 a 2 litros por dia.
Atividades físicas - Antes de dizer que não tem tempo para se matricular num ginásio ou praticar desportos, observe as oportunidades para se exercitar no seu dia-a-dia. Em casa ou no trabalho, use a escada em vez do elevador. E se tiver um pouco mais de disposição, que tal ir pedalando à padaria? Estas são apenas algumas sugestões. Se olhar à sua volta, certamente encontrará muitas alternativas.
Olhos saudáveis - A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 285 milhões de pessoas sofrem de alguma deficiência visual. Desse total, 39 milhões são cegas. Visitas periódicas ao oftalmologista e cuidados diários com a visão podem fazer a diferença. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são as melhores formas de controlo de doenças, como o glaucoma, que pode causar perdas visuais irreversíveis. Não utilizar colírios sem prescrição médica e usar óculos escuros de qualidade, com proteção contra raios ultravioletas (UV) A e B, também são dicas imprescindíveis.
Pele protegida - Evite expor-se ao sol entre as 10h e as 16h, sem proteção solar. Isso é válido não apenas para os momentos de lazer, na praia e piscina, mas também para o seu dia-a-dia, seja a caminho de casa ou do trabalho.
Dormir bem - Mesmo que a tentação de ficar até tarde no computador seja grande, pense que uma boa noite de sono o ajudará a encarar o dia com mais disposição e alegria. Quando dormimos mal, a memória falha, sentimos cansaço, dor de cabeça e irritação. Especialistas recomendam 8 horas diárias de sono.
Higiene, tratamento dos vícios e sexo seguro - Estas 3 dicas em 1 completam a nossa lista e falam por si só! É fundamental manter uma boa higiene, lavando sempre as mãos antes das refeições e após ir ao quarto de banho, além de tomar banhos regulares e não se esquecer da higiene oral.  Caso tenha algum vício, procure um tratamento o mais breve possível. E sexo, com camisinha sempre!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Quem está vivo (e com saúde) sempre aparece…

A Entidade Reguladora da Saúde concluiu que há falta de médicos e enfermeiros em algumas unidades de internamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e que o racio de camas por habitante na maioria das regiões é negativo.
O relatório, elaborado em fevereiro, dá conta da falta de camas por habitantes na quase totalidade das regiões de saúde nacionais, referindo que "95% das unidades geográficas utilizadas para análise apresenta um rácio inferior à meta".
Para além da escassez de camas, a ERS constatou que há também falta de médicos e enfermeiros "em algumas unidades de internamento". "O tipo de internamento com maior deficiência em termos de atendimento médico aos doentes é o de longa duração e manutenção", lê-se no relatório.
Por outro lado, "foi identificada uma escassez de enfermeiros sobretudo nas unidades de convalescença, de média duração e reabilitação".
No entender da ERS, a meta fixada para 2013 de concretização da satisfação das necessidades dos utentes "aparenta ser inviável", "só se podendo perspetivar que venha a tornar-se exequível num prazo mais alargado".
Em relação ao acesso dos utentes, em que é feita uma avaliação dos encargos que devem ser pagos pelos utentes para internamento na RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados), a ERS concluiu que "há indícios de entraves financeiros ao acesso às unidades de internamento de média duração e reabilitação e de longa duração e manutenção resultantes de dificuldades financeiras para a cobertura dos encargos" e haverá também situações de internamentos inadequados de utentes nas unidades de internamento que requerem o pagamento de encargos, quando deveriam ser internados nas unidades isentas desses pagamentos.
"Por último, importa salientar a inexistência das unidades de ambulatório e a deficiente oferta de cuidados paliativos, com evidente prejuízo em termos do acesso a cuidados continuados de qualidade a todos os utentes residentes em Portugal Continental", remata a ERS.
O ministro da Saúde afirmou que a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde a curto e médio prazo está assegurada, mas que ainda é necessário "pensar o sistema" para depois de 2015.
"Com as medidas que tomámos conseguimos que o sistema seja sustentável a curto e médio prazo. Agora, nós e o governo não podemos pensar apenas no imediato", disse. "Foi necessário assegurar o imediato. Tomámos medidas. Mas estamos profundamente conscientes de que é preciso outras reformas, designadamente de motivação dos quadros profissionais (na parte de incentivos, que não devem estar apenas nos profissionais das Unidades de Saúde Familiar, de criação de centros de excelência e de organização em várias áreas", adiantou.
Em fevereiro a Entidade Reguladora da Saúde elaborou um relatório sobre a Avaliação do Acesso dos Utentes aos Cuidados Continuados de Saúde, concluindo, resumidamente, pelo que é apontado no artigo acima, que se traduz na falta de camas, de médicos e de enfermeiros na Rede de Cuidados Continuados.
Em contraponto, todos sabemos, que há muitos enfermeiro/as no desemprego, muitos médicos a pedirem a reforma antecipada e camas não faltam por aí à venda…
Já sabemos que dizem que não há dinheiro para estas coisas e outras “coisinhas”, quer na área da saúde, quer noutras áreas que são obrigações de qualquer Estado e não se bate mais no ceguinho…
O que salta à vista, foi o desaparecimento continuado do Ministro da Saúde, que não era “ouvisto” há tempo demais (não deve gostar de tricas), mas felizmente voltou em força e com frequência (nas TVs), mostrando serviço e vontade de manter “um” SNS, defendendo a fama de competente e de coerência…
O facto de tudo vir depois do relatório da ERS será mera coincidência, pelo que convém ir-se falando, porque “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a doentes”…  

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Quem gosta de lóbis, deve lamber (muito) deste milho!

“Sim, os OGM são venenos!”: esta condenação é revelada na primeira página de Le Nouvel Observateur, que publica em exclusivo os resultados de um estudo realizado ao longo de 2 anos por investigadores franceses, em 200 ratos alimentados com milho transgénico, nomeadamente o NK 603 de Monsanto. As conclusões expostas numa obra – que também vê o seu nome atribuído a um filme baseado neste estudo, Todos cobaias! – redigida por Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular na universidade de Caen, que dirigiu a experiência, e que Le Nouvel Observateur qualifica de “bomba de fragmentação”:
De facto, esta destrói uma verdade oficial: a inocuidade do milho geneticamente modificado. Mesmo em pequenas doses, o OGM estudado revela-se extremamente tóxico e muitas vezes mortal para os ratos. De tal forma que, caso se tratasse de um medicamento, este deveria ser suspenso imediatamente até serem realizadas novas investigações. Porque este é o mesmo OGM que encontramos nos nossos pratos, através da carne, dos ovos ou do leite.
Os resultados são categóricos:
No 13º mês da experiência […] os ratos alimentados com milho transgénico têm 2 a 3 vezes mais tumores do que os ratos alimentados sem OGM, em ambos os sexos. No início do 24º mês, período que assinala o fim de vida destes, entre 50% a 80% das fêmeas alimentadas com OGM ficaram afetadas contra apenas 30% dos que não foram submetidos a OGM.
EurActiv.com realça que a publicação desses resultados “criou ondas até Bruxelas”:
De facto, as decisões são tomadas pelos 27. O Governo francês pediu à Agência Nacional [francesa] de Segurança Sanitária que verificasse o estudo. A Comissão Europeia fez o mesmo pedido à Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA).
Uma agência muitas vezes contestada, como recorda o EurActiv, pela Greenpeace, que acusa a EFSA de se distinguir “há já vários anos pela proximidade escandalosa dos seus membros com as indústrias e a sua falta de independência”.
No entanto, o estudo da universidade de Caen foi recebido com ceticismo por uma parte do mundo científico, uma vez que diversos biólogos interrogados pela agência Reuters levantaram dúvidas quanto ao protocolo e o método utilizados na realização dos testes.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

11 de julho – Nem de propósito, em defesa da Saúde…

Para assinalar o Dia Mundial da População, que pretende chamar a atenção para a importância das questões populacionais no contexto dos planos e programas de desenvolvimento, e a necessidade de encontrar soluções para estas questões, o secretário-geral da ONU pediu que se faça mais para ajudar aqueles que mais necessitam de acesso a cuidados de saúde reprodutiva.
“Apelo a uma ação concertada e urgente dos Estados-Membros [das Nações Unidas] para colmatarem a lacuna entre a procura e a oferta de cuidados de saúde reprodutiva.” Foi assim que Ban Ki-moon assinalou este Dia, que se comemora a 11 de julho, desde 1989.
“A saúde e os direitos reprodutivos são essenciais para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza. Investir no acesso universal à saúde reprodutiva é um investimento fundamental nas sociedades saudáveis ​​e um futuro mais sustentável”, acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas.
De acordo com o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (Cairo - 1994), o conceito de Saúde Reprodutiva implica que as pessoas possam ter uma vida sexual satisfatória e segura e possam decidir se, quando e com que frequência têm filhos.
Esta condição pressupõe o direito de cada indivíduo a ser informado e a ter acesso a métodos de planeamento familiar da sua escolha, que sejam seguros, eficazes e aceitáveis e, ainda, a serviços de saúde adequados, que permitam às mulheres terem uma gravidez e um parto em segurança e ofereçam aos casais as melhores oportunidades de terem crianças saudáveis. Abrange, também, o direito à saúde sexual, entendida como potenciadora da vida e das relações interpessoais.
Os cuidados a prestar em Saúde Reprodutiva constituem por isso, um conjunto diversificado de serviços, técnicas e métodos que contribuem para a saúde e o bem-estar reprodutivos. Para mulheres e homens ao longo do seu ciclo de vida. 

domingo, 8 de julho de 2012

Pelo direito a um SNS de qualidade e para todos...

A greve da classe médica, anunciada pelos Sindicatos e apoiada pela Ordem dos Médicos, a 11 e 12/07, não tem as características habituais das greves que conhecemos.
Em 1.º lugar, porque a greve assenta numa ampla luta por políticas de saúde direcionadas aos portugueses mais desfavorecidos e aos mais necessitados de recursos médicos numa base de equidade e acessibilidade universal. A contestação dos médicos visa reanimar um Serviço Nacional de Saúde (SNS) em degradação e em risco eminente de colapsar caso não sejam rapidamente corrigidos os graves erros perpetrados desde há anos e aprofundados nestes últimos meses.
Em 2.º lugar, há mais de 20 anos que não assistíamos a uma ampla mobilização dos profissionais da área.
Desta vez, a tradicional divisão entre as organizações médicas deixou o espaço para um amplo consenso transversal a toda a classe médica. Independentemente da sua especialidade, do seu vínculo laboral, do seu grau na carreira ou do seu enquadramento geracional (muitos médicos aposentados irão participar na grande mobilização do dia 11), os médicos estão dispostos a lutar contra as injustiças (in)habilmente colocadas pelo Ministério da Saúde (MS).
Muitos médicos que sempre consideraram que o carácter humanista da sua profissão não lhes permitiria aderir a uma greve, para não prejudicar os seus doentes, estão hoje dispostos a abraçar esta causa invocando, precisamente, os mesmos motivos.
São estas as razões que fazem desta greve um acontecimento peculiar.
Esta não é uma greve somente das estruturas representativas dos médicos, é uma greve de toda uma classe preocupada com uma população cada vez mais afastada do seu direito à Saúde. Muitos doentes, em casos visíveis de dificuldades económicas, deixam de poder ir às consultas devido ao aumento das taxas moderadoras ou ao fim das comparticipações nos transportes.
Esta não é uma greve que visa prioritariamente aumentos salariais mas que pugna por um enquadramento organizacional dos profissionais através de uma Carreira Médica definida e estruturada aumentando a eficiência e a gestão das equipas médicas nas suas tarefas diárias.
Esta não é uma greve pelo facilitismo imposto pelo MS, já que defende um aprofundamento da exigência da Formação Médica e a definição clara do Ato Médico, instrumento fundamental para delimitar todas as competências técnicas da profissão.
Esta não é uma greve por motivos económicos já que rejeita a progressiva privatização do SNS e a comercialização dos médicos (está a decorrer um Concurso que visa delegar as competências de contratação de médicos a empresa privadas que passarão assim a gerir parte dos recursos humanos dos Hospitais e Centros de Saúde).
Esta greve é peculiar porque não é uma greve de uma classe profissional em proveito próprio.
Esta grande mobilização é dirigida a todos aqueles que continuam a acreditar numa das principais conquistas das democracias modernas:
O Direito a uma Saúde de Qualidade para todos!
Carlos Cortes

segunda-feira, 23 de abril de 2012

TOLERÂNCIA ZERO ou 0,1 contra a SAÚDE PÚBLICA?

O debate sobre os OGM [organismos geneticamente modificados] parece ser uma discussão sobre alguns números a seguir à vírgula, mas terá efeitos sobre a saúde pública. Segundo as informações veiculadas pelo jornal Frankfurter Rundschau, a Comissão Europeia vai abrir a porta à utilização de OGM nos produtos agroalimentares.
Depois de, em 2011, ter autorizado a utilização de OGM nas forragens, como a soja para a criação de porcos, Bruxelas pretende alargar essa autorização aos alimentos, fixando em 0,1% a taxa de tolerância. A medida poderá entrar em vigor no verão.
Este diário de Frankfurt, conhecido por ser sensível aos problemas ecológicos, acrescenta que a Comissão defende a soja geneticamente modificada, utilizando argumentos económicos, porque a UE tem que importar muita soja para satisfazer a procura de forragens e de alimentos:
A Comissão Europeia torna mais flexível a sua política em matéria de OGM e quer dar à indústria agroalimentar uma maior margem de tolerância em relação à presença de OGM nos alimentos. As associações ecologistas e os representantes dos Verdes no Parlamento Europeu protestam contra o abandono da política de tolerância zero relativamente à utilização de OGM. Esta maleabilidade diz respeito sobretudo à utilização da lecitina de soja no fabrico de chocolate, produtos de padaria, margarina e gelo.
Há pouco mais de um ano, a UE poucas dúvidas tinha sobre negar a liberalização dos transgénicos e há 5 meses reconhecia a existência de lóbis no setor alimentar, que se marimbavam para a saúde dos cidadãos europeus desde que o seu negócio rendesse…
15 de novembro de 2011: Lobis(homens)… Até com a nossa saúde brincam!
Perante esta notícia, só podemos concluir que a UE não se esqueceu de que os organismos geneticamente modificados (OGM) trazem tantos malefícios à SAÚDE PÚBLICA como antes traziam (ou se desconheciam) e que acaba por ceder aos lóbis que antes denunciou.
Claro que a crise vai ser a justificação para tão irresponsável medida, que por sua vez poderá vir a ajudar o setor da saúde privada, já que a saúde pública seria penalizada com novas doenças e muitos mais doentes…
Aonde já vai a indecência!
PS – Aquela história dos pepinos e tomates assassinos (espanhóis?), que os alemães inventaram há um ano, não teve nada a ver com de rebentos de soja geneticamente modificados e cultivados numa quinta lá para os lados da Alemanha?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pelos caminhos da verdadeira social democracia…

Consultas nos hospitais públicos podem custar o mesmo que nos privados.
O aumento das taxas moderadoras pode levar a uma transferência de doentes dos hospitais do SNS para os privados, concluem diversos especialistas, porque, ir a um hospital privado pode ficar mais barato do que recorrer ao SNS.
António Serrano, coordenador do PS para a Saúde, acredita que o aumento "brutal" das taxas é uma forma "subliminar de estender a mão aos privados" e acusa o Governo de estar a "desnatar o sector público [da Saúde] para beneficiar o privado". E atira: "Há falta de transparência neste processo".
"Alguns portugueses passarão a fazer contas", diz João Semedo, deputado do BE e antigo administrador hospitalar. "Com aumentos tão significativos no público, o Governo está a conduzir a procura dos privados. E se esta não for a intenção é pelo menos a consequência e o Governo não desconhece isto", diz Semedo.
Famílias portuguesas gastaram menos 9 milhões de euros com saúde em 2009.
O SNS e as famílias continuam a ser os principais financiadores da despesa corrente em saúde. Mas o peso da despesa em saúde financiada pelos seguros privados cresceu em 2008 (12,2%) e em 2009 (4%), de acordo com o INE. Ainda assim, em 2008 e 2009, o SNS continuou a suportar mais de 50% da despesa em saúde, um valor inferior à média registada até 2007 (56%). Mas se o Estado gastou menos, as famílias suportaram uma maior fatia: "em 2008, a despesa das famílias com cuidados de saúde aumentou 9,7% devido, principalmente, ao crescimento muito acentuado da despesa em hospitais (21%) e com prestadores de cuidados de saúde em ambulatório (16,4%)", explica o relatório.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitou hoje que Portugal esteja perto de atingir tectos máximos nas taxas moderadoras, não fechando assim portas a novos aumentos.
O chefe do Governo defendeu que os que têm mais possibilidades devem contribuir para o financiamento do sistema de saúde, ressalvando, no entanto, que os mais necessitados não verão dificultado o acesso aos cuidados de saúde, apesar do aumento e lembrou que haverá um “conjunto até mais alargado de isenções do que o que existia antes” e assegurou que os mais necessitados “estarão na 1ª fila do acesso aos serviços de qualidade na área da saúde”.
Numa primeira análise às medidas tomadas pelo ministro super-gestor da Saúde, nada de inovador descobrimos na solução encontrada, que não seja a velha mão no bolso dos utentes, o que nem precisaria de tanto tempo, por que qualquer um de nós chegava lá, se não tivéssemos que mostrar qualquer preocupação social, como social democrata e democrata cristão que o governo diz que é.
E dizem especialistas, que estes aumentos das taxas moderadoras podem levar os doentes dos hospitais do SNS para os privados, o que é outro processo (este já ardiloso) igualmente pouco inovador, razão porque não se entende que o coordenador do PS para a Saúde diga que há falta de transparência neste processo, que é claro como a água, ou seja, está a concretizar-se (com desculpas de mau pagador), o que estava previsto, quando se soube que iríamos pela mão de um ministro super-gestor, mas que veio da área da Saúde do setor privado. Tenha-se em conta o que João Semedo (do BE), antigo administrador hospitalar diz, que se esta não for a intenção, pelo menos é a consequência e o Governo sabe o que está a fazer…
Em vez de se dizer que as despesas com o SNS saem do OE, com receitas dos nossos impostos e que se distribuem pelos vários ministérios, para darem corpo aos direitos dos contribuintes, no caso a Saúde, vem-se dizer que é o SNS e as famílias são os principais financiadores da despesa corrente em saúde. Há aqui um conceito manipulador dos direitos dos cidadãos e dos deveres do Estado (social ou não) e sem entrar com o que a Constituição diz, que cada vez mais está corada e com as letras pouco legíveis para muitos “democratas” da 4ª via….
Se em 2008 e 2009, o SNS ainda suportou mais de 50%, em vez dos 56% que gastava antes, é lógico que as famílias viram reduzidos os seus direitos, pagando mais pela mesma receita agora utilizada, devido ao crescimento muito acentuado da despesa em hospitais e com prestadores de cuidados de saúde em ambulatório, o que as levou a recorrer aos seguros de saúde (ainda “baratos”), concluindo-se que, por este processo “mágico” as famílias portuguesas gastaram menos 9 milhões de euros com saúde em 2009.
Esperemos pela confirmação do princípio dos vasos comunicantes (tipo “crowding out”), para se verificar que se se tirar de um lado (público) alguém tem que se por do outro (privado), embora seja o público a pagar com o nosso…
E numa tática redentora, vem Passos Coelho dizer que poderá haver novos aumentos das taxas moderadoras, forçando-nos a agradecer estas medidas “sociais”, mas que os objetivos (ocultos) do governo ainda não foram atingidos… O homem tem coragem, mas como o Sócrates, é só com os fracos…
E numa lição de moralismo bacoco e falacioso, vem dizer que os que tem mais possibilidades devem contribuir para o financiamento do SNS, como se já não contribuíssem para o OE com os impostos diferenciados, de modo a colmatar as diferenças económicas e sociais de todos os utentes do sistema de Saúde, Educação, etc… Quer ele dizer, que muitos contribuintes vão pagar impostos duas vezes, o que é inconstitucional (embora noutros setores já aconteça), mas crente de que o Tribunal Constitucional dará novo parecer favorável, como já anteriormente deu…
E numa de social democrata verdadeiro, afirma que os mais necessitados estarão na 1ª fila do acesso aos serviços de saúde, DE QUALIDADE, que já existia e que até será maior o número de isentos destas altas taxas moderadoras do que antes. Tal quer dizer que há mais pobres do que antes, o que não dá direito a medalha aos executores destas políticas sociais…
Mas fica-nos a certeza de que os detentores de cargos políticos (deputados incluídos), gestores públicos e privados, bolsistas, empresários e bancários, desta vez vão comparticipar na salvação dos doentes pobres, o que só lhes fica bem…
Mas multiplicando por 2 e 3 as taxas moderadoras, não correm o risco de tornar “sustentáveis” os serviços de saúde?
E com os 2.000 milhões (não são mais de 3.000 milhões?) da almofada excedentária, pagando as dívidas dos hospitais, o problema do super-gestor não fica já remediado?
Afinal parece que nem tudo é transparente, ou somos nós que não entendemos a subtileza dos neoconceitos do neoliberalismo, acelerado na prática pela situação herdada e pela circunstância de estarmos ajoelhados perante os credores que nos venderam, emprestando o necessário para lhes comprarmos os BMW, Audi e Mercedes de que não havia necessidade e nos deu cabo da saúde financeira…

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma ferramenta fútil(?) que pode ser útil!…

Uma rede social de partilha de sintomas já vai nos 108.558 utilizadores. Se vai viajar, pode ver num mapa se o destino tem algum surto activo
Podia ser John F. Kennedy a falar-lhe: não pergunte o que as redes sociais podem fazer à sua saúde, mas antes o que pode fazer por ela neste microcosmo. Depois de dezenas de estudos alertarem para impactos negativos, como a deterioração das relações reais e o aumento dos divórcios (nos EUA o Facebook é citado numa em cada cinco separações), chegou uma constatação mais optimista sobre efeitos das redes sociais. Doentes e profissionais de saúde estão cada vez mais conscientes da importância da internet para prevenir e ultrapassar doenças.
Nos EUA, uma rede social só para doentes, médicos e investigadores reunia ontem mais de 107.000 utilizadores - incluindo 48 portugueses. A comunidade PatientsLikeMe está online desde 2005, criada por três investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O irmão de dois deles, Stephen Heywood, foi diagnosticado, aos 29 anos, com esclerose lateral amiotrófica e depressa a família percebeu que comunicar com outros doentes e conhecer as suas experiências seria a melhor forma de prever e preparar a evolução da doença. Um motivo mais do que razoável para criar uma rede social e uma ideia que, desde então, só teve eco nos milhares de pessoas a tentar perder peso, campeãs na criação de aplicações.
O primeiro utilizador português da PatientsLikeMe inscreveu-se em 2006. A única forma de aderir à rede é estar doente ou ser especialista. Depois é possível ver a evolução dos utilizadores que sofrem da mesma patologia, no caso deste utilizador nacional, uma doença neuromuscular rara chamada esclerose lateral primária. Além de discutir ideias, o perfil dos utilizadores permite ver como evoluíram desde os primeiros sintomas e como se sentem em termos sociais, psicológicos e físicos.
No site, os fundadores defendem um mundo onde a troca de informação entre doentes, médicos, farmacêuticas, investigadores e investidores é "livre e transparente". Admitem ainda que a informação publicada pelos doentes, sob anonimato, pode ser vendida a empresas para "melhorar produtos e o mercado das doenças". Além de gerirem uma plataforma de discussão em torno de mais de 500 doenças, querem ter um papel mais activo. A PatientsLikeMe assinou este mês uma parceria com a recrutadora de doentes para ensaios clínicos BBK Worldwide para reforçar a participação nacional nestas iniciativas científicas.
Mas não é só na partilha de sintomas e de informação sobre doenças que a internet poderá fazer a diferença. Na semana passada o "The New York Times" referia que as redes sociais estão a mudar a forma como os epidemiologistas descobrem e acompanham a evolução de surtos - algo que depois do surto de proporções inéditas de E. coli na Alemanha, e de todas as incertezas que gerou, será também bem-vindo. Aqui o mote é agregar informação disponível e um exemplo é o site HealthMap, criado em 2006 por iniciativa da Google e do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA.
O site tem uma aplicação para telemóvel, com o nome "Surtos perto de mim", e é aconselhado a quem vai viajar. Assim, se ontem estivesse a fazer as malas, seria informado de que há um surto de escarlatina em curso em Hong Kong. Mas não são só estes sistemas mais formais que despertam a atenção dos especialistas. Taha Kass-Hout, responsável pelo departamento de informação do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, explicava, citado pelo "The New York Times", que à velocidade a que surtos podem alastrar a outros países, as redes sociais permitem despistar actualizações sobre sintomas atípicos, por exemplo, uma contaminação alimentar.
Do Reino Unido, numa carta publicada na semana passada na revista "Lancet", chega outra ideia - se calhar um pouco mais conservadora, face ao peso crescente das conversações em tempo real. Helen Atherton, do Imperial College London, está a estudar a melhor forma de reforçar a relação entre médicos de família e doentes através de email.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quem nos diz como é que a “bicha” se transformou?

Robert Koch - Nobel de Fisiologia e Medicina 1905
Ao recordar que “os grandes cuidados não terão sido adoptados” logo que foram conhecidos os primeiros casos de contaminação pela bactéria, Francisco George disse, que “este é um problema grave em várias dimensões”.
Na sua opinião, houve “falta de consistência e rapidez” na resposta e foram cometidos “muitos erros de comunicação” das diferentes autoridades da Alemanha, estaduais e federal.
“Este é o maior e o mais grave de todos os problemas ligados às doenças que têm por veículo os alimentos contaminados”, enfatizou, quando intervinha no “4º Congresso Pandemias na Era da Globalização”, cujo programa inclui o “2º Simpósio Nacional sobre Medicina do Viajante”.
Francisco George lamentou que os “grandes cuidados” não tenham sido tomados de imediato, na Alemanha, face ao surto de E.coli, apesar de ter eclodido “no país mais rico” da União Europeia e realçou que “o problema ainda não está controlado”, ressalvando, que “esta epidemia não tem expressão pandémica”.
30 anos após as primeiras mortes por SIDA, verifica-se um novo “problema inesperado”, com a morte de 40 pessoas pela bateria E.coli. “É este conceito de ‘fenómeno inesperado’ que merece reflexão”, disse Francisco George.
Também o presidente do congresso, António Meliço-Silvestre, abordou em tom crítico os problemas da epidemia da “escherichia coli”, na sua estirpe E.coli O104:H4. Um problema “que já causou quatro dezenas de vítimas, num país do primeiro mundo”, a Alemanha, “País, aliás, bem pouco solidário, ao apontar os seus parceiros espanhóis e os seus inenarráveis pepinos como causa do surto epidémico, sem subsequente e rigorosa sustentação científica”, acusou o especialista em doenças infecciosas.
As autoridades sanitárias alemãs detetaram a presença da bactéria e.coli nas águas de uma ribeira, nos arredores de Frankfurt, que servia para regar uma exploração de alfaces.
Uma sondagem publicada pelo Instituto Forsa referia que a maioria dos alemães está descontente com a forma como o governo federal geriu a crise da E.coli, sobretudo no que se refere à política de informação.
Em finais de maio, as autoridades sanitárias de Hamburgo anunciaram que o surto tinha origem em pepinos importados da Espanha, informação depois desmentida. Há 2 semanas, o ministério da Saúde da Baixa Saxónia afirmou que a origem do surto estava nos rebentos vegetais de Bienenbütte. O Instituto Robert Koch começou por se mostrar cético, mas 5 dias mais tarde deu razão àquelas autoridades.
Tenho um certo respeito pelo saber e bom senso de Francisco George (exceção feita à americanice anti-tabágica, explico-me noutra altura) e todos estaremos de acordo com ele, quando diz que o problema da E.coli é grave e tem várias dimensões, que diplomaticamente a duas: a falta de consistência e rapidez sobre a origem e os muitos erros na comunicação do que aconteceu. E isto, porque, segundo ele, este é o maior e o mais grave dos problemas relacionados com doenças que têm surgido através de alimentos contaminados.
As questões que FG levanta, já foram levantadas aqui, concretamente, o tempo que demoraram a decidir sobre os cuidados que se devia tomar e de imediato, mais porque a epidemia eclodiu no país mais rico (deveria dizer, com mais competências científicas) da EU, mas sobretudo porque o problema ainda nem sequer está controlado, nem se prevê quando esteja. Claro que, mais uma vez, diplomaticamente, como os alemães ainda não tem conclusões científicas definitivas, classifica o sucedido como um ‘fenómeno inesperado’ (como se classifica de virose uma doença de que se conhecem os efeitos), que é o mesmo que dizer que não se lhe conhecem as causas. E neste ponto, não dá para acreditar que as causas não se conheçam e estranhamos que nem os ambientalistas tenham vindo a terreiro alvitrar algumas, “naturalmente” relacionadas com a Química…
Por outro lado, António Meliço-Silvestre, ex-encarregado de Missão da Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA e catedrático do Departamento de Doenças Infecciosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra, pessoa que conheço, menos diplomaticamente vem sublinhar o que FG disse, começando por definir a Alemanha como um país do primeiro mundo, mas bem pouco solidário, que não teve pejo em culpar terceiros (do “terceiro” mundo), mesmo antes de ter uma rigorosa sustentação científica, como seria exigível, que é o mesmo que lhes chamar incompetentes e más companhias (digo eu).
A razoabilidade das críticas destes dois portugueses, justifica-se com a posição da maioria dos próprios alemães (os cidadãos, não as autoridades sanitárias) que se mostra descontente com o governo federal, pela forma como geriu a crise e informou a população. Lá como cá, o povo não é estúpido…
Relembra-se:
1) Em finais de maio, foi detetado e anunciado o surto (e as autoridades sanitárias de Hamburgo indiciaram a sua origem em pepinos espanhóis);
2) Só há 2 semanas, é que o ministério da Saúde da Baixa Saxónia confirmou e assumiu que, afinal a origem estava em rebentos vegetais (de soja) produzidos na Alemanha;
3) Apenas ontem veio (ainda inconformada) dizer que a bactéria E.coli se encontra(va) nas águas de uma ribeira, que servia para regar uma exploração de alfaces (que afinal não era nos rebentos de soja).
Mas, isto é a sequência dos factos e o que nos deve preocupar é saber o que andam a fazer de errado (e às escondidas) na área dos produtos agrícolas, se não for por razões de saúde pública, ao menos por razões bolsistas, já que os alimentos são um dos últimos investimentos que estão a dar…
E a falta de informação foi tão gritante, que até permitiu que muita gente já falasse em guerra biológica, teoria que não vingou, nem foi avançada, porque antes disso já o Osama Bin Laden tinha sido assassinado… Foi a sorte dele…

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alteração dos Direitos dos Servidores do Estado

Portugal tem um número excessivo de hospitais que podem ser fechados e a implementação do programa negociado com a troika do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia é uma “boa ocasião para tomar decisões difíceis”, defendeu o presidente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Jorge Simões propôs ainda que a ADSE seja convertida num seguro social suportado pelos funcionários públicos.
Mais de metade dos 278 concelhos do país dispõem de mais do que uma unidade hospitalar financiada com verbas do SNS. É com base nestes dados que o presidente da ERS, Jorge Simões, fala de uma oferta excessiva de hospitais em Portugal, estabelecimentos que, na opinião do responsável, podem ser fechados, até porque “as pessoas têm que perceber que Portugal está a passar por uma situação de grande dificuldade” e fechar as portas de “meia dúzia de pequeníssimos hospitais não causa problemas graves às pessoas”.
Coragem para adotar “decisões difíceis” é aquilo que Jorge Simões espera do próximo governo.
Futuro da ADSE
O responsável pela ERS criticou também o abate de custos com a ADSE receitado pela troika, algo que poderá agravar o desequilíbrio financeiro do subsistema de saúde dos funcionários públicos: “Há o risco de os beneficiários com maiores rendimentos e maiores descontos, os mais afetados pela redução da cobertura, exercerem o direito de opting-out.
Já em 2012, uma redução de 30% nos subsistemas de trabalhadores da Função Pública, membros das Forças Armadas e das forças de segurança. O objetivo é garantir que sejam financeiramente autónomos dentro de 5 anos.
“Discordo que haja vantagem em que o Orçamento do Estado financie a ADSE. Julgo que deve ser autossustentável e não depender do Orçamento geral”, afirmou Jorge Simões, traçando dois cenários para aquele subsistema de saúde: a supressão, por vontade dos beneficiários, ou a conversão num seguro social suportado pelos trabalhadores do Estado.
Ainda antes de o novo governo chegar, antigos quadros do velho governo vão quebrando o silêncio e contrariando as políticas que foram vendo ser implementadas, dando-se agora ao luxo de até sugerir táticas “políticas” e incentivar ao aproveitamento desta boa ocasião de depressão coletiva e fraqueza de vontades, para o executivo tomar decisões difíceis (corajosas, diria o PM anterior). É preciso coragem! Mas o que os impedia de falar? Ou querem continuar nos cargos?
Por um lado, vem-se dizer que há uma oferta excessiva de hospitais em Portugal e que se se fechar meia dúzia de pequeníssimos hospitais não causa problemas graves às pessoas. Por outro lado, esquece-se de que há um plano de construção de novos hospitais (desnecessários e “consentidos” pela ERS), que há listas de espera inadmissíveis (sem se ter ouvido soluções corajosas vindas da ERS) e que meia dúzia de hospitaizinhos, se não ajudam, também não atrapalham… Mas pelo sim, pelo não, mais vale falar do que estar calado!
Mas o mais saliente da notícia é criticar-se a receitada da troika, discordar-se da redução de 30% nos custos com a ADSE e outros subsistemas, mas sugerindo-se 100% nesses cortes, com a supressão (por vontade dos beneficiários?), ou com a conversão num seguro social suportado pelos próprios trabalhadores do Estado (como se, na prática, as coisas não fossem nesses moldes), tendo por base e apenas a discordância de o Orçamento do Estado financiar o que deve ser autossustentável, na opinião do opinante. Não seria mais razoável apresentar-se um balanço (muuuuuito sintético) entre as receitas (da ADSE) e as despesas (da ADSE), para sabermos como param as modas? Só porque as seguradoras tem lucros. E se a ADSE dá prejuízo, mostre-se?
Desde que me lembre e sem querer fazer história, a ADSE nasceu no tempo em que os Servidores do Estado (Funcionários Públicos) ganhavam tão mal e porcamente, que nem impostos pagavam e em que não havia SNS, mas pagavam uma percentagem do ordenado, que não anda muito longe de qualquer seguro privado de saúde. Claro que hoje temos um SNS, os Servidores do Estado (Funcionários Públicos) ganham muito mais e tanto, que até ajudam a pagar as dívidas do Estado e provavelmente estão aí os argumentos para acabar com a regalia. Honra seja feita à alternativa apresentada, que prevê acabar com a benesse e com o desconto (pensa-se) e tudo para se cumprir a Missão da ERS, no quadro da prossecução da defesa dos direitos dos utentes.
Por sorte, ou por azar, chega a notícia, pensa-se que boa para o Estado e má para a teoria do presidente da ERS:
O saldo do SNS registou uma melhoria de 130,4 milhões de euros nos primeiros 3 meses deste ano, que permitiu uma descida para 3,2 milhões negativos.
A execução económico-financeira do SNS revela então que a despesa caiu 128 milhões de euros, sendo que os valores gastos com os medicamentos reduziram 20% e com o pessoal diminuíram 7,9%.
É caso para se dizer e de pensarem: De tanto castigarem os Funcionários Públicos, ainda acabam com a raça! E depois quem paga a Dívida?

Oh, gente da minha terra, agora é que eu percebi…

Hoje assinala-se o “Dia Nacional de Luta Contra a Paramiloidose”.
Esta doença neurológica rara e sem cura ocorre quando o fígado produz uma substância fibrilar insolúvel designada por amilóide, que se deposita nos tecidos.
Conhecida como “doença dos pezinhos”, manifesta-se entre os 25 e 35 anos, transmite-se por via genética e os sintomas são a perda de peso, de sensibilidade e estímulos, afectando os membros inferiores e superiores, causando perturbações no sistema digestivo e nervoso e problemas cardíacos.
O Tafamidis® será totalmente comparticipado, custando ao Estado cerca de 120 mil euros/doente por ano. O transplante de fígado fica em cerca de 400 mil euros. Só que os transplantados, na maioria dos casos, deixam de trabalhar ou recorrem com frequência à baixa médica, mas muitos morrem com outras complicações.
A França, Itália e Luxemburgo já estão a ministrar o Tafamidis® aos seus doentes. Recentemente, o secretário de Estado da Saúde disse que quem certifica o medicamento é a Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos (EMA), e, só depois, poderá ser disponibilizado pelo SNS.
A Associação Portuguesa de Paramilodoise estima que Portugal tenha cerca de 2.000 pessoas com a doença, mas há mais 6.000 casos com gene mutante, mas sem manifestações clínicas da patologia. A cada ano, surgem 100 novos doentes em Portugal.
Dizia-se que a doença só existia na Póvoa de Varzim e numa freguesia do concelho e numa remota cidade do Japão, provavelmente levada por qualquer marinheiro poveiro. A emigração dos anos 70 e os casamentos entre poveiros e gente de outras terras alastraram a doença, nos dias de hoje, pela Europa e pelo mundo, o que originou um trabalho de investigação científica portuguesa de alto gabarito, desde o Dr. Corino de Andrade, até à Dra. Maria João Saraiva, investigadora da Universidade do Porto e distinguida pelo seu trabalho na área da Biomedicina, com o Prémio Gulbenkian Ciência 2009 e que está na origem dos novos fármacos.
Falando de memória, esta doença que persegue todos os poveiros desde a infância, ceifando pais de amigos e amigos e ameaçando todos, em tempos em que não havia diagnósticos, apenas a espera de não a ter, teve avanços significativos, mas não o bastante para que não houvesse necessidade de um “Dia Nacional de Luta Contra a Paramiloidose”. E como em todos os “Dias não sei de que”, também neste a realidade contraria as boas intenções…
A Paramiloidose (PAF) foi a única doença descoberta por um médico português nos tempos modernos, pelo Dr. Corino de Andrade em 1952 na Póvoa de Varzim, onde se situa o Centro de Estudos e Apoio à Paramiloidose.