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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quem maltrata meus filhos, minha boca amarga!

“Antigamente tinha 6 teorias sobre o modo de educar as crianças. Agora tenho 6 filhos e nenhuma teoria.” Lord Rochester
Vários autarcas dos concelhos afectados pelo anunciado encerramento de 311 escolas do 1.º ciclo do ensino básico não sabem o que vai acontecer aos jardins-de-infância acoplados a alguns desses estabelecimentos.
A hipótese chegou a ser posta em cima da mesa, nalgumas das reuniões mantidas com os autarcas, mas a comunicação final do Ministério da Educação e Ciência (MEC) não se refere especificamente ao futuro dos estabelecimentos da rede pré-escolar. Daí que esteja lançada a confusão.
“Chegámos a ser notificados para nos pronunciarmos também sobre uma proposta de encerramento de uma série de jardins-de-infância, mas o fax que recebemos é ambíguo. Refere-se ao encerramento de escolas EB1 e Jardins-de-Infância e nós ficamos sem perceber o que é que está em causa”, adiantou Paulo Pereira, vice-presidente da Câmara de Baião, que é o concelho onde mais estabelecimentos de ensino fecham com a reorganização da rede escolar: 11.
Em Moimenta da Beira, onde 6 escolas já não deverão reabrir as portas em Setembro, o autarca José Eduardo Ferreira diz-se também confuso sobre a matéria. “Na tipologia das escolas a encerrar encontra-se a inscrição EB1/JI [Jardins-de-Infância]; posso admitir que se trate de um mero lapso, mas a verdade é que ninguém sabe o que é que o ministério pretende fazer sobre isto”, declarou, para explicar que as 6 escolas cujo encerramento foi decretado têm acoplados jardins-de-infância. “Vamos ter que esclarecer isto com o Ministério da Educação, que tem a obrigação de se mostrar disponível para estas conversações, lamento é que não o tenha feito antes de nos confrontar com uma decisão que nos chegou via fax na madrugada do dia 23 para 24”, acrescentou.
À semelhança do que aconteceu com as escolas do 1.º ciclo, o processo de reajustamento da rede de jardins-de-infância está a decorrer, “sendo este autónomo do da reorganização da rede escolar do 1.º ciclo, já que as crianças que frequentam os jardins-de-infância não estão abrangidas pela escolaridade obrigatória”, segundo explicou fonte do gabinete do ministro Nuno Crato. Reconhecendo que “quando se realizaram as reuniões sobre as escolas do 1.º ciclo, também foram trabalhadas propostas relativas aos jardins-de-infância”, a mesma fonte disse que as autarquias ainda não receberam informações sobre esta matéria, porque “o reajustamento da rede de jardins-de-infância ainda está a decorrer”. O processo, acrescentou, “deverá ser finalizado em breve”, sendo que nada obsta a que um jardim-de-infância possa manter-se aberto, “independentemente de a escola do 1º ciclo acoplada ser encerrada”.
Preocupado com essa possibilidade, o vice-presidente da Câmara de Baião avisa desde já que deslocar crianças de “3, 4 e 5 anos levanta problemas mais graves” à autarquia e aos pais. “Estamos a falar de uma educação de proximidade que espero não venha a ser posta em causa”, disse, explicando que na reunião que a autarquia manteve em Abril com representantes da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares foi proposto o encerramento de 3 jardins-de-infância: Lordelo, Ladoeiro e Senhora.
O autarca de Moimenta da Beira concorda que “transferir os alunos do pré-escolar para estabelecimentos que, nalguns casos, ficam a mais de 20 quilómetros, coloca problemas muito sérios aos quais terá que ser o ministério a responder”. Nestes casos, “o transporte fica muito mais caro, nomeadamente porque obriga ao uso de cadeirinhas”, sublinha também Francisco Almeida, membro da Fenprof, dizendo-se convencido de que o anúncio do encerramento de jardins-de-infância “ficou para mais tarde, porque o ministério não protocolou com as câmaras o transporte destas crianças, não podendo nestes casos, como fez com as escolas, chegar e impor a decisão”.
Mais uma medida para desmotivar a natalidade e continuarmos com o défice de nascituros.
Pondo de parte os polémicos encerramentos das EB1, que só chateiam as populações atingidas, mas mais essas crianças e mesmo pondo de parte o rigor duvidoso das escolas escolhidas, que só chateiam as populações atingidas, mas mais essas crianças, pelas notícias que pré-anunciaram as decisões do MEC, ninguém imaginava que os fechos também incluíam os jardins-de-infância, pela simples razão de nos pormos na situação dos pais das criancinhas, que não têm culpa da imbecilidade dos adultos, sejam ministros ou serviços dependentes… Mas pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
Parece que a primeira razão para o encerramento de jardins-de-infância, segundo o MEC, que confirma as propostas feitas, está na não obrigatoriedade deste grau de ensino, obrigatoriedade que depende do mesmo ministério… Pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
Quando o Ministério da Educação e Ciência vem dizer que o reajustamento (encerramento) da rede de jardins-de-infância ainda está a decorrer e que processo deverá ser finalizado em breve, quer dizer que há mesmo jardins-de-infância que vão ser encerrados… Pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
E quando são os autarcas a chamarem a atenção para o óbvio, que deslocar criancinhas de 3, 4 e 5 anos para mais de 20 quilómetros, dá vontade de perguntar qual é a preparação e as competências pedagógicas e conhecimentos sobre o desenvolvimento das crianças, e até de economia, pelos problemas graves que gera, não tanto, mas também às autarquias, mas sobretudo aos pais e mais ainda às criancinhas… Pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
Sabemos todos ou desconfiamos, que esta medida de encerramento de estabelecimentos do 1.º ciclo tem por trás tentativas de “economizar” uns tostões, escondendo-se atrás de sublimações pedagógicas, mas se forem apresentados estudos económicos rigorosos, estes cairão por terra. Já há 40 anos, estando eu na direção de uma EB2,3, para justificar a construção de uma nova escola numa freguesia de um concelho, pegando apenas nos custos anuais de transporte dos alunos daí provenientes, concluí, contas feitas, que 5 anos bastariam para pagar o novo edifício, oferecendo melhor qualidade de vida para os jovens utentes. No caso dos jardins-de-infância, o “prejuízo” não vem apenas do uso de cadeirinhas, mas apenas pelo preço desse transporte… Pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
O que transparece é que está a transferir-se competências do MEC para a Secretaria de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, se entretanto o governo não imputar essas despesas para as autarquias e declinando-as… Pelos vistos, o impensável acontece ou pode acontecer, simplesmente, e pronto!
E eles tão preocupados com a natalidade e tão fixados nas criancinhas (dos outros)…
Viva a proximidade da família!
Abaixo a “pedagogia”!

segunda-feira, 31 de março de 2014

O conhecimento só serve se for para sermos felizes…

As palavras desejam pousar. Querem fazer-se passar pela metamorfose das ações humanas. Elas movem o mundo, movem as pessoas, movem os professores e as escolas. Neste movimento das palavras, enriquecem-se os conceitos e os ideais de vida, de mundo e de humanidade. Prazer maior não há do que compartilhar conquistas de um saber aprendido e apreendido, onde protagonizam educadores e educandos. O prazer maior nas relações de ensino-aprendizagem está na construção do conhecimento como algo útil, agradável e capaz de desencadear alegria e realização. Afinal de contas, para que serve o conhecimento senão for para a felicidade?
Nei Alberto Pies
Viver para a dignidade parece ser a razão maior de nossas vidas. Mas a dignidade humana só será conquistada por cada ser humano quando cada um e cada uma compreender a sua condição de sujeito de direitos e for protagonista da sua história. É o que também podemos denominar emancipação. É por isso que uma cultura em e para os direitos humanos se faz com base na democracia, no respeito pelas nossas diferenças e na vivência quotidiana dos nossos direitos. E a emancipação só virá acompanhada pela educação. Já disse Paulo Freire que “se a educação sozinha não transforma o mundo, sem ela nenhuma transformação acontecerá”.
Ações educativas verdadeiras apontam o caminho para que as palavras tomem assento na vida de cada um e cada uma de nós. Como diz Cecília Meireles “as palavras precisam pousar”. Elas precisam encontrar âncoras para o seu pouso, pois “palavras voam, às vezes pousam”. Nem todas as palavras precisam pousar, interessa que pousem aquelas capazes de nos ensinar a viver melhor.
Sempre é tempo de aprender desaprendendo. Desaprender a racionalidade para entender as emoções e os sentimentos. Desaprender os preconceitos para construir conceitos mais significantes. Desaprender quem somos para perceber que sempre somos um quase-eu. Desfazer racionalidades para se “gentificar”, através das nossas relações de amorosidade. Desaprender a falar, para aprender a ouvir, no silêncio e na solidão de cada um.
Eduardo Galeano, no seu poema “O Mundo”, desafia cada um e cada uma de nós, na sua condição de sujeitos da sua história e de seres, na sua diferença. Conta no seu livro, “O livro dos abraços”, que “um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. - O mundo é isso – revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”.
A nossa fome de saber deve traduzir-se, na prática, como busca para transformar ideias em ações. Ações em favor da humanidade que existe em cada um, em nós e em toda a gente. A nossa fome de saber é, igualmente, fome de humanidade. E o segredo de conhecer está muito ligado à necessidade de conviver. O egoísmo de não conviver gera a incompreensão de nós mesmos e dos outros. E diminui as oportunidades de felicidade, matando o desejo latente de vida, vida que morre quando não é compartilhada.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Para não se ficar refém da manipulação, por outros…

Ao viver numa sociedade bastante idealizada em relação à realidade nua e crua dos seus membros, o ser humano paga um alto preço por tal discrepância.
Armando Correa de Siqueira Neto
Informações genéticas obrigam-no a sobreviver e a aperfeiçoar-se a fim de se tornar apto e a dar continuidade à espécie através da sua descendência. Logo, o choque é inevitável frente às normas e leis que tentam regular os comportamentos sociais. Duas poderosas forças se enfrentam e disso pode decorrer evolução, conflito e, nos casos extremos, significativos desajustes psíquicos.
A luta inicia-se de forma sutil através do psiquismo e da funcionalidade cerebral. Tal combate estabelece-se entre as funções mais antigas (anatomicamente, o sistema límbico e as emoções, por exemplo) e as mais recentes (neocórtex e o planeamento e o controlo). Se há boa comunicação entre o antigo e o novo, ou seja, entre o lado original animalesco e o lado que busca a civilização, é possível resultar bons avanços. De contrário, o mal-estar revelará a presença de discórdia que, se canalizada irrefletidamente para os comportamentos, pode gerar desacordo social. A brutal inconsciência nocauteia a mirrada consciência.
Vale destacar que é fundamental cobrar o desenvolvimento das potencialidades humanas, sobretudo a autonomia intelectual e a ética que levem a pessoa a observar o que é bom para si e para outrem. É assim que se pode extrair maiores e melhores resultados para o bem-estar do indivíduo e da comunidade. Pois se a acomodação reina, as trevas se sobrepõem à luz. No entanto, ao mencionar cobrança e extração do progresso humano, urge agregar outros itens cruciais: o adequado investimento na educação cuja aprendizagem exige estratégias voltadas para a aquisição do saber e, notadamente, à prática da reflexão. Adquirir conteúdo apenas é ter a chave; processá-lo reflexivamente é abrir a porta.
Então, o que se percebe de forma gritante no convívio social é, de um lado, pesada exigência sobre o controlo dos comportamentos, e, de outra parte, pouca oferta de qualidade educacional que valorize o conteúdo, a crítica e a autonomia, que podem, gradativamente, formar gente com ideias próprias e a capacidade de assumir as inerentes responsabilidades cidadãs como o exercício político, que atinja a democracia consciente e responsável, em detrimento do ato eleitoral meramente mecânico e inconsequente e a malfadada passividade, dentre outros aspetos.
Sem a educação civilizadora o homem permanecerá indefinidamente escravo de si mesmo e refém da manipulação ardilosa de outros homens. Porquanto, deve-se lutar voraz e incessantemente em favor das políticas que favoreçam a educação de qualidade para que os reflexos de tal empreendimento beneficiem futuras gerações que, ao olharem para o seu passado, entendam claramente que a intervenção madura é o caminho para libertar o homem e o tornar um transformador pleno da sociedade.

domingo, 14 de abril de 2013

Quem ganha com a deterioração da educação pública?

“Viemos ao mundo para dar nome às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós”. Lya Luft
Nei Alberto Pies
Qualidade é um substantivo inerente ao ser humano e aos seus afazeres. O ofício de educar, como outros, pressupõe a qualidade, gerada na satisfação e na conquista de aprendizagens protagonizadas por educadores e educandos. O prazer maior nas relações de ensino-aprendizagem está na construção do conhecimento como algo útil, agradável e capaz de desencadear alegria e realização. O educador é um dos maiores interessados na qualidade na educação, pois esta sempre carrega potenciais para a sua satisfação (o fracasso dos educandos também representa o seu fracasso).
Quem ganha com a desqualificação da educação pública? Quem ganha quando os professores/as não são tratados com a dignidade que merecem? Quem goza de alguma vantagem quando os alunos das nossas escolas saem delas sem as mínimas condições de ler e interpretar o mundo, para melhor se inserir nele?
É incrível: quando a sociedade se mostra disposta a debater a qualidade na educação, os professores/as são atacados e apontados responsáveis pelo insucesso escolar. E o que é mais grave: as peculiaridades do seu ofício começam a ser entendidas como privilégios e não como direitos. E os professores que lutam para ampliar ou manter os seus direitos são duramente penalizados.
Por acaso, professores e alunos estão a ser consultados para a avaliação dos processos educativos nos quais são os principais sujeitos? Para avaliarmos a educação, precisamos de legitimidade nos processos avaliativos, a partir de acordos e convencimentos capazes de promover o envolvimento dos sujeitos nas realidades avaliadas. Os seres humanos não são passivos como os produtos e as suas ações e atitudes remetem sempre para a sua liberdade.
Rubem Alves, quando discute “Qualidade em educação”, lembra que “a educação, na medida em que lida com a vida das pessoas e a vida do país, deve ser a área mais rigorosamente testada e é preciso que seja excelente. Entretanto, é aquela em que os testes são mais difíceis e as avaliações, vestibulares e ‘provões’ quase nada significam: nada garante que a qualidade, medida por critérios académicos numéricos, consiga passar os testes que a vida impõe”.
Alves afirma que as avaliações escolares são sempre anunciadas com a intenção de “consertar a máquina” (a estrutura dos sistemas de ensino). E logo responde: “eu, ao contrário, acho que não há nada de errado com a máquina. Não há o que consertar. Acontece que os alunos, mais precisamente os corpos dos alunos – tem também os seus mecanismos de ‘controlo de qualidade’. Se eles não aprendem é porque os seus corpos reprovam a máquina. Os seus corpos vomitam o que a máquina lhes enfia pela goela abaixo. O resultado do ‘examão’ seria a prova disso”. E pondera ainda que o nosso corpo só aprende 2 tipos de conteúdos: os que dão prazer e os que levam ao objeto de prazer (aqueles com razões para serem aprendidos). “A máquina funciona como deve. O problema é que a comida que ela serve é imprópria para a inteligência”.
Há muito tempo que os educadores/as reclamam qualidade. Há tempos que apontam imprópria a “comida” que os governos lhes servem (precarização das condições de trabalho, retirada de direitos e penalizações para quem luta). E isto fere as suas inteligências. Por isso pedem um favor: não chamem de inteligência o que se faz na gestão da educação pública. É muito indigesto e está longe de gerar prazer. E já seria ousadia demais!

sábado, 16 de março de 2013

Para uma formação integral e incentivo à cidadania…

A filosofia como um conhecimento histórico de mais de 2.000 anos, por si só já tem importância pela bagagem cultural e epistemológica que desenvolveu ao longo deste período.
Daniel Duarte
É inegável a contribuição de filósofos como Aristóteles, Platão, Descartes, Rousseau, Kant, Hegel, Marx, Gramsci, e outros que com as suas reflexões e as suas teses ajudaram e ajudam, a sociedade ocidental a seguir o seu desenvolvimento.
No que se refere ao ensino da filosofia na Educação Básica, esta disciplina tem diversas possibilidades de contribuir para um melhor desenvolvimento dessa educação básica. Muitas são as atribuições dadas ao ensino de filosofia e a sua importância na educação básica, alguns defendem que a filosofia é importante, pois ensina a pensar, ajuda a desenvolver o sentido crítico, ajuda na reflexão e que é importante para o exercício da cidadania, etc...
Menciono aqui apenas os pontos considerados positivos, mas, certamente existem raciocínios contrários, que divergem da importância da filosofia na Educação Básica.
Estes pontos positivos por vezes podem gerar nos professores de filosofia uma certa sensação de superioridade da filosofia sobre outras disciplinas, ou então causar certa desconfiança sobre as reais possibilidades de a filosofia dar conta de tamanha responsabilidade.
Embora concorde, em parte, com estas afirmações, vou fazer algumas considerações que julgo pertinentes.
Se “todos são filósofos” como refere Gramsci, penso que a primeira hipótese, de que a filosofia ensina a pensar, não se confirma, justamente porque não acredito que ninguém ensina ninguém a pensar, e se isto fosse possível não seria privilégio apenas da filosofia, pois qualquer disciplina, se bem ministrada, com professores qualificados e que soubessem contextualizar o objeto de estudo com o quotidiano, poderia “ensinar a pensar”. Portanto, todas as disciplinas tem esta capacidade.
Ajudar a desenvolver o sentido crítico e a reflexão e incentivar o exercício da cidadania, deveria ser tarefa de todas as disciplinas da educação básica, porém, talvez por incapacidade ou por acomodação, na maioria das vezes, este árduo trabalho fica como exclusividade das ciências humanas, sobretudo da filosofia e da sociologia.
Afinal, qual a importância da filosofia na educação básica? Penso que a filosofia, com outras disciplinas, através de um trabalho interdisciplinar, pode dar conta destas atribuições a ela referidas, porém, penso que a importância maior da filosofia esteja na fundamentação teórica de tais conceitos. O que é o pensar? Qual a diferença entre o simples pensar e o pensamento filosófico? O que é a reflexão ou atitude reflexiva? O que é cidadania?
A filosofia tem importância quando se preocupa em fundamentar as proposições, ou seja, através de uma investigação séria e de um método rigoroso de busca do conhecimento, busca explicitar o porquê do por que. Se não realizar tal tarefa a filosofia corre o risco de se tornar a crítica pela crítica, o simples pensar por pensar, o refletir por refletir.
De nada adianta exigir aos adolescentes determinados comportamentos, determinadas atitudes em relação à ética, à política, à cidadania, se não levá-los a conhecer a fundo os conceitos e as proposições de tais temas.
Ao fazer este movimento de busca radical dos princípios, a filosofia diferencia-se das demais disciplinas, pois se for bem trabalhada com professores habilitados pode ser capaz de ultrapassar o questionamento superficial e vir a tornar-se um conhecimento útil.
Portanto, a importância da filosofia na Educação Básica vai muito além da mera instrumentalização do pensar, do refletir ou do criticar. A filosofia deve desvelar a gênese dos conceitos para que estes possam ser compreendidos na sua totalidade, e ao serem compreendidos possam ajudar na formação integral dos estudantes da Educação Básica.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Crato poupa à to(l)a e as famílias que se lixem!

Uma família com 1 filho em cada um dos 3 ciclos de ensino vê-se obrigada a gastar perto de 450 euros só em livros escolares, valor que pode ultrapassar os 600 euros se se juntar o material escolar.
Em média, uma família destas gastará cerca de 50 euros no 1º ciclo do ensino básico, 150 euros no 2º ciclo e 240 no 3º ciclo, apenas nos manuais escolares básicos e obrigatórios e não inclui os livros de música, de educação visual, de educação tecnológica e de educação física, em que fica ao critério do professor a adoção ou não do livro. Se uma família tiver de comprar os manuais escolares daquelas 4 disciplinas, terá de assumir um gasto adicional superior a 100 euros. Feitas as contas, já foram ultrapassados os 700 euros, a gastar quase de uma só vez, no espaço de um mês.
A possibilidade de receber os livros gratuitamente só se coloca aos alunos do escalão A do Serviço de Apoio Social Escolar (SASE), dado que os do escalão B têm de apresentar as faturas para receber apoio. Ou seja, é preciso avançar primeiro com o dinheiro e só depois se é ressarcido.
No entanto, em contexto de crise económica, com a diminuição do poder de compra e a perda dos subsídios, são cada vez mais os pais que se veem em dificuldades para despender centenas de euros nos livros escolares, mas sem que isso os faça atingir os dois escalões que lhes dão direito a apoio escolar social.
A solução pode passar pela compra de manuais escolares em segunda mão à venda na Internet.
São vários os sites onde é possível encontrar milhares de livros usados à venda, como o "leilões.net", o "venderlivros", o "Coisas", o "Custo Justo", ou o "OLX".
Os livros são vendidos a preço de saldo e em alguns casos é possível até encontrar manuais a apenas um euro, mas a maioria anda entre os 5 e os 10 euros.
Entretanto, no ano passado surgiu um novo movimento de troca de livros: o "Banco do Livro Escolar - Troca Gratuita de Livros Escolares", que já tem uma página no Facebook com mais de 11.000 amigos e 60 bancos de recolha e troca gratuita de manuais espalhados pelo país.
Como se vê, enquanto o ministério poupa à toa e tolamente, aumentando o número de alunos por turma, reduzindo os currículos e descartando professores com a inevitável degradação do nível da formação, desinvestindo no futuro dos jovens e do país, os pais vão sendo obrigados a fazer milagres (ou calotes) para cumprir uma obrigação (tendencialmente gratuita) do Estado.
Para agravar a situação, o preço dos livros vem aumentando ano a ano, enquanto os proventos das famílias vão diminuindo e até desaparecendo.
Fonte ad duo
Independentemente deste porMAIOR e sem querer abordar o tema, sempre emergente, do Livro Único, há que reconhecer que muita poupança fariam as famílias se se adotasse uma solução “intermédia” e pedagogicamente inatacável. Vejamos.
A maioria das editoras já tem livros de cada disciplina do 2º e 3º ciclo, quer por ano, quer por ciclo, pelo que a segunda opção fica mais barata, não só porque se compra apenas 1 livro por disciplina (que fica mais barato que 3), mas também porque esse livro se compra uma só vez em cada ciclo.
A maioria das escolas, no 2º e 3º ciclo, saiba-se lá por que, adota um livro diferente para cada ano, obrigando as famílias a terem que gastar dinheiro todos os anos. Se as escolas fossem “obrigadas” ou convencidas a adotarem apenas livros para cada ciclo, os pais aliviavam bastante esse encargo.
A razão para convencer (o ministério?) as escolas (por indicação dos Conselhos Pedagógicos) e os professores (por convencimento dos Coordenadores) tem, no meu entender uma justificação pedagógico-didática e explico. Se um livro é bom para o 7º ano, por exemplo, feito por determinado/s autor/es este/s deve/m ser igualmente competente/s para o livro do 8º e do 9º ano. Assim sendo, se este/s autor/es apresentar/em um livro para o 3º ciclo, no caso, para além da competência, haverá um tratamento contínuo e continuado entre os conteúdos programáticos, o processo de aprendizagem e uma maior facilidade para o professor. Escolher um livro diferente, de autor/es diferente/s para cada ano retira-lhes essa continuidade e unidade de abordagem, sem qualquer benefício, a não ser para as editoras.
Embora já não vá a tempo de se remediar o mal, aqui fica a ideia para futuro, quer para o ministério, as editoras, as escolas e os professores, para folgar as costas dos pais, que levam com o pau a toda a hora e momento.
Entretanto, também as costas das crianças seriam poupadas de tanto peso, deixando de parecerem burros carregados de livros, sem serem doutores…

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma estratégia engenhosa e eficaz para se Ler+

Aos 13 anos tive a sorte de ter uma professora maravilhosa que me despertou o prazer pela leitura através da sugestão, quase imposta, do livro "Dom Casmurro", de Machado de Assis, que me garantiu aprovação na 7ª série (hoje 8º ano).
Por via do destino mexia nos livros dos meus irmãos e, garimpando, deparei-me com jóias do tipo "A Metamorfose", de Kafka e o Anti-Cristo de Nietszche que me transformaram num dependente buscador pelo saber. Daquela época até hoje passaram-se 19 anos onde milhares de títulos passaram pelas minhas mãos e alimentaram a minha alma e espírito crítico.
Desperto por um universo de grandes intelectuais, ainda me espanto com várias intrigantes questões. Como me tornei um crítico algoz de uma sociedade de consumo e egoísmo que não se preocupa com o outro?
Outro dia observava, num semáforo, um pedinte e busquei repostas para a seguinte questão: Como seria a nossa sociedade se esses cidadãos de direito pedissem além de trocados, um livro que alimentasse as suas mentes nas noites frias e vazias até que a fome passasse?
Não encontrei a resposta, mas doo livros sempre que posso na esperança de um futuro melhor, mesmo que só para aquele que lê.
Há anos que não passo um dia sequer sem ler algumas ou muitas páginas e, mesmo que isso raramente aconteça, sinto uma ânsia e vontade, que falta de comida ou vontade de comer nunca produziram em mim.
Vários foram os poetas e escritores que, mesmo aprisionados, pediam, ao invés de comida, livros, muitos livros, como no caso de Bertold Brecht, Dostoieviski e Gramsci que enquanto os seus corpos estavam presos, os seus espíritos viajavam até o mais distante e maravilhoso rincão.
Mas mesmo distante das pessoas amadas, estando aprisionado, faminto ou distante do leito materno, o amante do saber, busca nos livros algo que sustente os seus sonhos e a situação humana.
Caso semelhante aconteceu comigo, quando residi em Brasília, durante seis anos. Lá encontrei a possibilidade de retornar à terra-natal, numa parada de autocarros repleta de livros, para quem ouse pegá-los.
Deparei-me assim, na situação, com o livro Iracema de José de Alencar, ali na minha frente, numa prateleira ricamente adornada com um dos bens mais preciosos do homem: os livros.
Os usuários dos famigerados transportes coletivos do Distrito Federal, que já foi considerado como um dos piores sistemas de transportes do Brasil, têm a oportunidade de pegar livros e de devolverem quando quiserem, graças à iniciativa do proprietário de um talho, (pasmem!) um talho, que recebe doações de livros e dispõem em dezenas de paradas no Plano Piloto de Brasília.
Desta forma lanço uma proposta solidária que muitos já a exercitam: após lerem um livro, deixem-no em alguma parada de autocarros, para que outro possa voar e desfrutar do prazer que você sentiu.
Esse ato de Amor, palavra essa que tem sentido para muitos como Frederico Garcia Lorca, que equivale a livro, isso mesmo “Amor = Livro”.
Como o Amor, o livro deveria ser mais dado e recebido.
PS: Minha homenagem a todos os que tanto precisam de alimento e saber.
Prof. Ms. Marney Ferreira Cruz - UFC e FGF

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Oh colega, com uma ADD isso da Educação resolve-se!

É no Brasil, é certo, mas tem tanta denúncia de tanta falácia, que o poder político tenta encaixar na cabeça dos professores como paradigmas, pragmatismo e inevitabilidade, mesmo sabendo que nós sabemos que eles sabem, que tudo não passa de uma etapa da proletarização da função docente.
Só falta aqui, mas há de surgir rapidamente, o tema da Avaliação do Desempenho Docente, para culparem o estado do Ensino, com o ensino do Estado, como se houvesse relação, em vez de ralação…
Depois, seguir-se-ão as etapas já traçadas pelo Big Brother e que estão a ser implementadas, religiosamente, na política para a Educação, que constam do programa deste governo.
Para conferir a afirmação, vejam com muita atenção o documento que se segue, cortando as etapas já cumpridas e confirmando as que se sequem (por essa ordem) e não precisarão de consultar a bruxa, nem arranjar argumentos para contrariar, porque o “que tem que ser, tem muita força” e quem tem muita força, faz com que tenha que ser:
Os grandes eixos do neoliberalismo na Educação (já publicado em tempos no ProfBlog do Ramiro).
Agora oiçam com atenção a professorinha, que se agigantou, sem medo, perante uns trutas da mesma espécie que há por cá e aos magotes...
Depoimento da Professora Amanda Gurgel - a Educação no Brasil


Cartoon recebido por mail

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Profissão: PROFESSOR!

Acreditar nisto é um dever. Não aceitar é uma tolice. Nem sequer pensar é uma loucura. Dever, tolice, loucura. Em qual das três você se encaixaria? Ah, não importa. O que importa de facto? Bem, “o nada se basta a si mesmo” é uma ideia forte, e se faz pertinente seja lá como for, pois estamos atolados até o pescoço na existência.
Olhem em volta. Olhem para cima. Olhem para baixo. Olhem para dentro. Simplesmente não olhem. Soltem-se e percebam essa estranha sensação, a de que estamos lançados na existência. Não era isso o que dizia Sartre no seu “O existencialismo é um humanismo”?
Quanto mais o tempo passa, mais e mais nos convencemos de que não sabemos tudo de nada. Ninguém, na verdade, se basta a si mesmo. Há coisas que importam e que não importam. Mas, como é fácil confundir as duas. Na vida, estamos sempre na linha do horizonte entre opiniões absolutas e opiniões relativas. Na área da Educação, tem muita gente confundindo as duas coisas, quando nem ainda se tornaram ideias, mas ainda estão no campo das opiniões, do “achismo”, do empírico. O problema é que somos facilmente levados ou tentados a traduzir estas opiniões, melhor dizendo, por ideias absolutas dentro da Escola, o que não é muito produtivo. Para mim, a palavra Escola, de semântica diferente, tem significado semelhante ao da palavra Universidade, onde reúne uma diversidade de ideias, de opiniões e de conceitos para experimentar o debate. Atitudes extremas, radicais e unilaterais não combinam com um ambiente eminentemente diverso da Escola.
Tratando-se de Educação, há muita gente a tomar a parte pelo todo mais do que se imagina, pensando que as suas ações são eternas e universais, com forças sobre humanas até, ignorando muita gente boa que se desdobra por uma educação mais criativa. Mas, tudo muda também na Educação, não nos esqueçamos dessa verdade. A educação de há 30 anos não pode ser mais a mesma de hoje. Os conceitos mudaram, o mundo mudou. A história também. As informações estão mais rápidas. As relações estão meio que instantâneas e imediatas, o que prova que não somos mais os mesmos. Como diz acertadamente a música de Lulu Santos, “Como uma onda no mar”, “Nada do que foi será igual ao que já foi um dia, tudo muda o tempo todo no mundo, não adianta fingir, nem mentir para si mesmo agora, há tanta vida lá fora... Num indo e vindo infinito”. Se observarmos com cuidado, todos estão à volta da ideia de mudança, mesmo que isso cause um desgosto danado.
Em média, um aluno passa 14 a 15 anos, mais ou menos, na Educação Básica, que compreende Educação infantil, Ensino Fundamental e Médio no Brasil, o que chega a ser um tempo bastante considerável em que a Escola poderá ajudá-lo a decidir melhor sobre a carreira ou a profissão almejada. Em relação ao Professor, o aluno fica pouquíssimo tempo na Escola; já o Professor permanece em média 30 a 40 anos na Escola. Aliás, muito mais tempo que isso, admitindo os seus anos de formação, da Educação Básica passando pela Universidade até ao término da pós-graduação. Junte tudo isso e verá que o Professor passa uma vida inteira dentro da Escola.
Por isso e por muito mais, o Professor deveria ser muito bem tratado neste país, na sua cidade, na sua comunidade, e sobretudo, na sua Escola, despertando o apreço e o respeito dos seus alunos.
Por entrar numa Escola, ninguém está obrigado a ser médico, professor, engenheiro, cientista, pedagogo, odontólogo, filósofo, físico, químico ou matemático, mas alguns são, e isso é bom. Da mesma forma que há os que não querem ser nada disso, o que também é um valor, vai ser outra coisa na vida, sem necessariamente ter uma profissão específica, o que também é muito bom. Ou seja, a Escola não vai determinar nada para o aluno; simplesmente, irá apontar caminhos e alternativas, para depois ou durante o processo de aprendizagem, poder escolher conforme queira.
A Escola, como tudo na vida, é uma passagem, um caminho, um percurso, uma etapa importante de nossa breve existência. Ela, por isso, não se basta a si mesma. Ela não é suficiente em tudo. A Escola precisa do apoio e acompanhamento da família, das igrejas, do poder público, das instituições em geral, da sociedade para ampliar mais ainda o conceito de uma Educação que quer ser cidadã. Mas, para isso, é urgente a consciência de que não nos bastamos a nós mesmos, ao invés de nos revoltarmos contra os Profissionais da Educação, levantando possíveis suspeitas quanto à responsabilidade das suas atividades pedagógicas. Será que exigimos de nós mesmos o quanto exigimos dos outros?
Façamos do tempo de Escola, um período propício, oportuno e gracioso de aprendizagem. Aprender, sobretudo, a aceitar o diferente com toda a estranheza que há nele, pois a Escola é o lugar por excelência do choque de ideias, onde as opiniões se encontram e se desencontram, onde nascem os novos conceitos, onde as várias cabeças se tocam e se conflituam para colocar em movimento pensamentos frios e envelhecidos postos alguma vez no papel.
A Escola não se basta a si mesma, mas é necessária: Sem as Escolas, como iam os conceitos nascer? Sem as aulas, como iam os pensamentos mudar? Sem os debates, como íamos aprender? Sem estudar, como iríamos saber errar?
Jackislandy Meira de Medeiros Silva

sábado, 2 de abril de 2011

Currículo: Formação Cívica, ou Serviço Cívico?

Ajudar quem mais precisa é o objetivo da “loja social” criada em Dezembro de 2010 pelo Agrupamento de Samora Correia, concelho de Benavente. O novo projecto visa recolher junto dos encarregados de educação, cidadãos, instituições e empresas do concelho artigos que possam ajudar os jovens alunos e as famílias que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social.
Actualmente, dos 1.702 alunos do agrupamento de escolas de Samora Correia, mais de 600 beneficia de apoio da Segurança Social. “O que pretendemos é facultar vestuário, calçado, roupa de cama, mobiliário e comida. A comida é mais difícil e pedimos um parecer à ASAE para saber se os interessados poderão ir aos restaurantes buscar directamente a comida. Esse parecer ainda não veio e por enquanto esse é apenas um objectivo para o futuro. Mas já temos restaurantes que nos manifestaram a vontade de receber as pessoas sem que ninguém saiba se estão a pagar ou não. Ainda existe muita pobreza envergonhada”, lamenta Dora Morgado, subdirectora do estabelecimento de ensino.
A responsável refere que a ideia para o projecto social surgiu na sequência do aumento dos pedidos de ajuda por parte dos alunos e dos pais. “Noto que as pessoas precisam destes bens, mas precisam essencialmente de comida. Há fome. Muitas vezes vem ter connosco e dizem que a única refeição que os filhos têm é o que comem na escola. É aflitivo, às vezes nem dizem. Os miúdos vão para as aulas e depois começam a sentir-se mal por não terem tomado um pequeno-almoço”, lamenta a responsável.
Actualmente a loja social já tem vários produtos guardados para entrega, mas são precisos voluntários para inventariar tudo o que existe.
A escola está disponível para receber todas as doações que a população queira fazer, “Contudo os bens que angariamos na loja social destinam-se apenas a ajudar os nossos alunos e as suas famílias, algumas com situações já sinalizadas pelos serviços sociais”. Os interessados em receber apoio só têm de se dirigir aos directores de turma e preencher um formulário nos serviços da escola.
Os responsáveis garantem que não têm como objectivo “entrar em projectos megalómanos” e garantem que a loja social vai funcionar “enquanto existir gente disponível para ajudar”.
Mais um projeto que responde à solidariedade social, numa ESCOLA que tem como objetivo EDUCAR e não haverá melhor educação do que a insere o aluno na sociedade a que pertence, consciente dos problemas e virtudes do país que lhes deu o berço.
Mas qualquer coisa deve estar a falhar no projeto para faltarem voluntários que lhe dê corpo, sobretudo no Ano Europeu do Voluntariado.
E cá está uma ideia para a alteração do Currículo do Ensino Básico, substituindo a Formação Cívica, por Serviço Cívico, enquadrando todos os alunos na ideia do voluntariado e pondo em prática essas preocupações emergentes, em parceria com a restante Sociedade Civil…
Parabéns ao Agrupamento de Samora Correia e que haja muitas mais a segui-lo.
A LOJA SOCIAL é um projecto de Intervenção e apoio social do Agrupamento de Escolas de Samora Correia que, através de uma rede de parcerias locais entre cidadãos, instituições e empresas solidárias, juntamente com o Banco de Voluntariado constituído nesta comunidade escolar, pretende promover melhores condições de vida aos alunos cujas famílias se encontrem, no momento, em situação de maior vulnerabilidade social.
Este é um Projecto que visa: potenciar a criação de respostas mais adequadas aos actuais problemas sociais, rentabilizando os recursos existentes; contribuir para a integração dos alunos, suas famílias e comunidade; e estimular a sua participação activa.
A Loja Social destina-se a todos os alunos e suas famílias que frequentem as Escolas do Agrupamento e que por situações pontuais de vida não possam custear certos bens materiais, tais como alimentação, vestuário, calçado, livros, material escolar e outros.
A Loja Social funcionará a partir da Escola Básica 2,3 de Samora Correia e será inaugurada em Março de 2011.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Mundo do avesso! O “1º mundo” ultrapassado…


Monumento à América Latina, S. Paulo
Estudo de Oscar Niemeyer
A Cimeira de países Ibero-Americanos teve início na cidade argentina de Mar del Plata sobre educação, mas o debate sobre a crise da economia europeia ocupou um lugar destacado na reunião.
A Cimeira de Presidentes convive com um cenário impensável alguns anos atrás: um difícil momento para as economias europeias e uma forte expansão das economias da América Latina.
Lula criticou os "analistas europeus que sabiam tudo quando a crise era na América Latina e que não sabem nada quando a crise acontece nos países ricos".
A Cimeira tem como tema "Educação para a Inclusão Social" e proporá metas educativas para 2021 como instrumento para lutar contra a pobreza na região.
Apenas um aplauso para Lula, não só pelo trabalho que fez enquanto Presidente, sem perceber nada de Economia e por dizer (muitas vezes) coisas acertadas, apesar de não ser Doutor…
Os chefes de Estado, de governo e representantes dos países da América Latina, Espanha, Andorra e Portugal, subscreveram neste sábado, na cidade argentina de Mar del Plata, a declaração final de sua 20ª reunião de Cimeira.
Principais pontos:
- Cláusula Democrática:
Os líderes presentes decidiram "suspender o país, onde for materializada a ruptura da ordem constituída ou do Estado de Direito, da participação em diferentes órgãos e instâncias, assim como dos benefícios de membro da Conferência Ibero-Americana, até que a ordem constitucional seja restabelecida".
- Educação na Ibero-América:
"Alcançar a plena alfabetização em todos os países da região antes de 2015. Fortalecer os programas existentes e o desenvolvimento dos de emergência" para cumprir a meta de erradicar o analfabetismo em 5 anos. Para isso, as nações participantes comprometeram-se a realizar um investimento de 102,82 mil milhões de dólares nos próximos 10 anos.
- Condenação ao Terrorismo:
"O terrorismo é visto como acto criminoso e injustificado, pelo que os participantes reafirmam o compromisso de o combater em todas as suas formas e manifestações (...)".
- Petição de Levantar o Embargo dos EUA a Cuba:
"Pedimos ao Governo dos Estados Unidos da América que cumpra o disposto em 19 sucessivas resoluções aprovadas na Assembleia Geral das Nações Unidas, pondo fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro que mantém contra Cuba", diz a cláusula.
- Apoio à Argentina pela Soberania das Ilhas Malvinas:
Os governantes "reafirmam a necessidade de a República Argentina e o Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte retomarem, o mais rápido possível, as negociações voltadas para encontrar uma pronta solução" para a disputa pela soberania das Ilhas Malvinas.
Os mandatários rejeitaram, além disso, "a tentativa de golpe de Estado praticada no dia 30 de Setembro de 2010 no Equador" expressando "solidariedade para com o povo e o Governo do país".
A América Latina, que desde há muito era considerada, globalmente, como pertencendo ao 3º mundo, dá uma resposta civilizada aos Senhores dos países ricos(?), contrária a tantas outras Cimeiras em que se encontram com eles:
Primeiro, dedicam a Cimeira à Educação para a Inclusão Social, apostando e investindo (dinheiro) na Educação, para incluir socialmente os seus concidadãos e como processo único de os retirar da Pobreza;
Segundo, as conclusões são todas no sentido de defender VALORES e não BENS, como fazem os outros…
Afinal, o que é isso do 1º mundo (já sei que há novas designações, aparentemente menos discriminatórias)?

domingo, 14 de novembro de 2010

É sempre tempo de reconciliação e conciliação

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) decidiu subscrever o manifesto de contestação aos cortes orçamentais na educação lançado pela FENPROF, revelou o seu Presidente.
“Em coerência com as linhas de actuação que a CONFAP teve na anterior legislatura em apoio das políticas educativas, que o actual Orçamento do Estado põe em causa, foi decidido subscrever os manifestos que contenham preocupações idênticas às da CONFAP, que sejam oriundos dos parceiros das comunidades escolares e educativas”, segundo um documento aprovado hoje pelo conselho geral da Confederação.
Neste sentido a CONFAP subscreverá o manifesto, ainda não fechado, lançado pela FENPROF, que se insurge contra os cortes orçamentais e é a favor da continuidade do investimento na educação.
Alertando para o número de pobres em Portugal, a CONFAP reitera que o próximo OE “deve ter uma cláusula de salvaguarda para que os alunos que perderam o 4º e 5º escalão do abono de família e cujo rendimento do agregado familiar não tenha sido alterado continuem a ter apoio da acção social escolar, garantindo-se o financiamento das autarquias e das escolas para esse fim”.
No documento, aprovado por unanimidade, a Confederação alerta ainda para a insuficiência de pessoal Auxiliar Educativo e, em relação aos Psicólogos, defende a necessidade de um em cada Agrupamento.
Apesar de todas as divergências havidas entre estas duas instituições no passado recente, é bom constatar que, quando o interesse é maior do que os interesses, a conciliação é possível e a paz será produtiva, beneficiando o objecto estatutário de ambas e os seus representados.
Crítica quando é de crítica, parabéns quando é de parabéns!