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sábado, 6 de setembro de 2014

A diplomacia da guerra no combate aos hominídeos do “EI”

Mais atentados localizados, como o do museu judaico em Bruxelas, não são descartados. "Estado Islâmico" (EI) deve substituir Al Qaeda como grupo terrorista mais perigoso.
"O objetivo é claro", declarou o presidente dos EUA, Barack Obama, na sua visita à Estónia nesta quarta-feira (03/09). "Enfraquecer e destruir o Estado Islâmico, para que ele deixe de representar perigo", complementou o líder americano. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, escolheu palavras ainda mais drásticas. Afirmou que os Estados Unidos perseguirão os assassinos dos 2 jornalistas norte-americanos "até aos portões do inferno".
Os americanos temem que os combatentes do EI originários da Europa e dos EUA possam, com os seus passaportes ocidentais, retornar facilmente aos seus países de origem e neles realizar ataques terroristas. "Sabemos que, nos últimos 3 anos, mais de 12.000 combatentes estrangeiros viajaram para a Síria", disse o especialista Matthew G. Olsen, do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA. Entre eles estariam mais de 100 americanos e cerca de 1.000 europeus.
Propaganda eficaz
"Nenhum grupo dissemina a sua propaganda de forma tão eficaz", ressaltou Olsen. Os islamitas alcançam muitos potenciais combatentes no Ocidente através das redes sociais. "Eles são muito bons em atingir o público-alvo jovem", avaliou o psicólogo John Horgan, da Universidade de Massachusetts, num artigo no jornal The New York Times. Os islamitas atraem com mensagens como "seja parte de algo maior que você mesmo e faça-o agora".
Olsen avalia que o EI logo pode tornar-se a organização terrorista mais perigosa do mundo. O autoproclamado "Estado Islâmico" tornar-se-ia assim, uma ameaça ainda maior que a Al Qaeda, a rede terrorista responsável pelos ataques em Nova York e Washington em 11 de setembro de 2001. Financeiramente, o EI também está bem acobertado. Atualmente, o grupo arrecada mais de 1 milhão de dólares por dia, por exemplo com o resgate de reféns.
Sem evidências
No entanto, em comparação com a Al Qaeda, os combatentes do EI adotam uma tática diferente: preferem muitos ataques pequenos a poucos ataques grandes. Olsen cita como exemplo o atentado contra um museu judaico em Bruxelas, em maio deste ano. Os combatentes também evitam ao máximo utilizar comunicação eletrónica, o que dificulta o seu controlo.
Mesmo assim, Olsen não vê no momento um grande perigo para o Ocidente. "O EI não é comparável à Al Qaeda antes do 11 de Setembro", afirmou. O especialista ressaltou ainda que as agências de inteligência dos EUA também são hoje muito mais sensíveis à questão do terrorismo e trocam mais informações. Por isso, não há evidências de células terroristas nos Estados Unidos ou na Europa.
Segundo Olsen, a luta contra o EI ainda é uma tarefa de longo prazo e que deve ser combatida também politicamente. Ele afirma que seria importante, por exemplo, que, no lugar do regime de Assad, seja formado um governo de unidade nacional na Síria. Só assim, os Estados Unidos poderão enfraquecer e destruir o EI, conforme anunciado por Obama.
Se o especialista prevê que a luta armada vai ser de longo prazo e que deve ser, em simultâneo, complementada politicamente, com a Síria, mas parece que nem a Síria está de acordo, muito menos os países que tem mais fé na luta corpo a corpo, no terreno…
Mais valia usar os drones para arrasar os hominídeos e poupar as vidas dos humanos…
Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros chegaram a um acordo sobre o envio de armas aos combatentes curdos no Iraque, a ser feito por cada país, e não pelo bloco.
A chanceler alemã Angela Merkel lembrou esta segunda-feira  o papel da Alemanha na II Guerra Mundial e os compromissos do país com a NATO para que os deputados viabilizem a entrega de mais de oito mil de armas aos curdos no Norte do Iraque para combater os militantes do autodenominado Estado Islâmico.
O envio de material aos curdos, avaliado em 70 milhões de euros, inclui 30 lança-mísseis antitanque, bem como 8.000 metralhadoras G3 e G36. Até ao fim do mês, a Alemanha espera ainda enviar mais 50 milhões de euros em ajuda humanitária e material de guerra para 4.000 soldados.

domingo, 10 de agosto de 2014

A UE ainda não acordou, mas abriu um olho e o porta-moedas…

A França, o Reino Unido e a Alemanha apelam a Israel e ao Hamas para um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, indicaram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 3 países, Laurent Fabius (França), Philip Hammond (Reino Unido) e Frank-Walter Steinmeier (Alemanha), numa declaração conjunta divulgada e acrescentam: "Damos o nosso pleno apoio aos esforços realizados pelo Egito para esse efeito".
O cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas expirou às 8 horas locais, após negociadores não conseguirem chegar a um acordo final para ampliar a trégua. Poucas horas antes do fim da trégua, 2 foguetes partindo de Gaza foram atirados contra Israel, segundo o exército israelita. Não houve feridos.
Alemanha, França e Grã-Bretanha propuseram a reativação de uma missão da União Europeia na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito para ajudar a estabilizar o enclave palestiniano após um mês de guerra, disse uma fonte diplomática da Alemanha nesta quarta-feira.
Europeus já repassam 900 milhões de euros por ano para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, na forma de ajuda humanitária. Unidade entre os palestinos facilitaria a distribuição.
A União Europeia (UE) está pronta para contribuir com a reconstrução da Faixa de Gaza e o fornecimento de suprimentos à população local logo que se chegue a um cessar-fogo definitivo entre o Hamas e o governo de Israel.
De acordo com o porta-voz da alta representante para assuntos externos, Catherine Ashton, Sebastien Braband, o bloco europeu conversou com todas as partes envolvidas a fim de definir a melhor forma de contribuir para o fim do conflito. "Por isso é fundamental que o novo governo palestino assuma o controlo da Faixa de Gaza e coloque fim às disputas internas", disse.
Se a Autoridade Nacional Palestina, sob comando do moderado presidente Mahmoud Abbas, controlasse a Faixa de Gaza, seria muito mais fácil para a UE distribuir ajuda financeira diretamente à região e até mesmo controlar a aplicação desses recursos. Mas quem comanda Gaza é o grupo radical Hamas, e o bloco europeu precisa fazer uso de vias indiretas para repassar parte dos salários e aposentadorias dos funcionários públicos da Faixa de Gaza e dar ajuda financeira para diversas famílias que vivem na região. Esses repasses só podem ser feitos por vias indiretas – transferir recursos ao Hamas está fora de questão.
Com isso, segundo a Comissão Europeia, fica difícil controlar esses pagamentos – o que já gerou uma reprimenda do Tribunal de Contas Europeu. Em dezembro do ano passado, a corte declarou que a UE pagou salários a servidores públicos na Faixa de Gaza que nem sequer estavam a trabalhar. O Tribunal de Contas recomendou ainda o cancelamento dos programas de ajuda, o que não ocorreu.
Por ano, a Comissão Europeia destina 450 milhões de euros do fundo comum europeu aos palestinianos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, na forma de ajuda humanitária. O mesmo valor é repassado diretamente pelos Estados-membros do bloco europeu. Ao lado da UE, os Estados Unidos são o maior doador de recursos para os palestinianos.
Tem sido escandaloso o silêncio e inoperância da UE neste conflito, que não cabe nos valores da cultura europeias, a não ser desde a sua transformação numa cooperativa financeira… E por isso surge esta preocupação de 3 países, desgarrada da chamada União, sabe-se lá com que legitimidade e força…
E perante mais um previsível fracasso das negociações para um cessar-fogo, que deveriam ser para acabar com o conflito, negociando as questões que estão na sua base, eis que os mesmos 3 países da UE, propõem a reativação de uma missão da União Europeia na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase como um escudo humano, que impedisse Israel dos crimes humanitários que tem cometido impunemente, por serem cometidos contra civis indefesos, o que não seria a mesma coisa se os atingidos fossem funcionários da União. Bom seria que missão da UE fosse na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, mas não há coragem… Seria remédio santo e permitiria ter (mais) observadores a recolher e dar testemunho dos “erros” colaterais, na era da nanotecnologia…
À falta de coragem, a União Europeia oferece aquilo em que hoje em dia se especializou e são os seus valores maiores, dinheiro. Para já, para ajuda humanitária, mais tarde, se houver tréguas, para reconstruir, mais uma vez, os edifícios destruídos, num ciclo vicioso que cheira a negociata de “patos-bravos”…
Como foi possível, em tão pouco tempo acontecer uma desvalorização tão grande na bolsa de Valores da cultura europeia, tão humanista e agora tão anestesiada?
Filosofias de vida e discriminação de pessoas que o passado parecia ter enterrado? Ou novo-riquismo parolo?

domingo, 29 de junho de 2014

Para não esquecermos que somos europeus e (in)dependentes

Por maioria, o Conselho Europeu decidiu na última sexta-feira propor ao Parlamento Europeu Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão Europeia. Votaram a favor 26 dos estados da UE, tendo o Reino Unido e a Hungria votado contra. A decisão final sobre a indigitação de Juncker para aquele cargo cabe agora ao Parlamento Europeu, que sufragará sem dificuldades a proposta.
Azeredo Lopes
A história parece simples. Foi uma escolha coletiva, foi escolhido um candidato, a maioria foi esmagadora, houve dois estados que votaram contra mas, democraticamente, prevaleceu a vontade dos demais, porque eram mais.
A realidade é no entanto mais complexa e com feridas que vão demorar a cicatrizar.
O processo de designação do presidente da Comissão Europeia, como se saberá, foi alterado. Atualmente, o Conselho Europeu deve ter "em conta as eleições para o Parlamento Europeu".
Como se vê, o Conselho Europeu não está sujeito a uma obrigação automática, e muito menos está obrigado a um nome. Mas os principais partidos concorrentes às eleições europeias de 25 de maio (o PPE e o grupo socialista) perceberam que ali estava a sua oportunidade. Que, se apresentassem cada um seu candidato, a pressão sobre o Conselho Europeu - em termos concretos, sobre os governos dos estados-membros - aumentaria sobremaneira. E assim fizeram, e bem fizeram. O PPE apresentou Jean-Claude Juncker, os socialistas o alemão Martin Schulz. Ficou Juncker, uma vez que o PPE foi o grupo que agregou mais mandatos: foi o mais votado.
Se não queriam ficar sujeitos a esta modificação nem sequer muito subtil das regras do jogo e do que dispõe o Tratado da UE, os estados-membros tinham bom remédio. Logo deveriam ter anunciado (e mantido) que não ficavam vinculados a este processo e que, quando muito, na escolha do candidato por que optassem olhariam aos resultados das eleições para definir o perfil e a família ideológica do escolhido. Mas, calaram: e, mesmo se alguns falaram, exprimiram-se de forma tão ambígua e contraditória que ficaram sem margem de manobra. Por mim, no entanto, ainda bem - porque este processo reforça a legitimidade do presidente da Comissão e sujeita-o, ainda que indiretamente, ao voto dos europeus.
Estávamos nisto quando David Cameron, primeiro-ministro britânico, decidiu entrar em liça e contestar, em termos virulentos e muito agressivos, a escolha de Juncker. Fê-lo, no essencial, declarando que este é demasiado "europeu" e que até padece de uma doença perigosa: tem convicções federalistas.
Não é fácil compreender o motivo pelo qual Cameron, de forma pouco britânica e muito sanguínea, decidiu fingir que era o D. Quixote que vinha das ilhas. Depois de uma tareia das antigas nas eleições europeias às mãos do UKIP e dos Trabalhistas, Cameron terá porventura congeminado que, para reconquistar um eleitorado eurocético (que se transferiu em massa para o UKIP), tinha que fazer voz grossa e mostrar que a Union Jack ainda tem um poder decisivo - nem que seja para dizer não - nos territórios estranhos e hostis do continente europeu.
Enganou-se redondamente, porque subestimou duas variáveis determinantes. Lançou um ultimato público que imediatamente extremou os campos, apenas tendo a seu lado peões da brega (como a Hungria). E, com avanços e recuos sucessivos, expôs até à náusea que as suas convicções eram levezinhas e puramente táticas e nunca lhe permitiriam bater com a porta. Ameaçou de forma pouco velada submeter a referendo a saída do Reino Unido da EU, lançou uma série de ataques ad hominem contra Juncker, fez bluff. Azar dos Távoras, tudo lhe correu mal.
Cameron está agora muito pior do que quando se lançou nesta cavalgada pouco sensata. Fica com Juncker, goste ou não goste, alcançando até a "proeza" de fazer os restantes estados cerrarem fileiras e unirem-se em torno daquele nome (de que vários não gostam). Cristaliza, no plano interno como no da União Europeia, a imagem do perdedor. Reforça a Alemanha, que agradece a prenda, reforça os radicais do UKIP e demonstra, se necessário fosse, faltar-lhe envergadura como estadista. Deve ser difícil fazer melhor.
Cameron é mais ou menos como alguns de nós. Bravata quanto baste, agarrem-me que eu mato-o, e no fim acaba tudo a beber uns copos. E ele a pagar uma rodada geral.

sábado, 28 de junho de 2014

A “Fada Confiança” não existe e austeridade trava crescimento

O Fundo Monetário Internacional defende que Portugal, bem como a Irlanda teriam saído a ganhar se tivessem renegociado a dívida dos seus países. Segundo o que refere o documento "The Fund's Lenging Framework and Sovereign Debt", a excepção criada para a Grécia (e posteriormente a Portugal e Irlanda), e que permitiu saltar a renegociação de dívida, foi demasiado rígida por "implicar uma reestruturação de dívida definitiva". E propõem que seja eliminada para dar lugar a uma nova regra que diga que deve haver reestruturação sempre que existirem dúvidas relativamente à sustentabilidade da dívida. 
Os técnicos da instituição defendem que existem vantagens em reescalonar as dívidas quando existem dúvidas de sustentabilidade.  "Comparado com um resgate simples, um reescalonamento pode expandir o financiamento de curto prazo para um país sob pressão e permitir um ritmo mais gradual de consolidação orçamental", sugere o documento.
FMI e Lagarde, insistem no seu melhor (estudos) e no seu pior (práticas)…
Há uma série de estudos, entre eles um formulado pelo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que mostrou que a austeridade fiscal provoca exatamente o que os manuais de economia dizem: quanto mais severa a austeridade, maior o travão para o crescimento, mas que não teve consequências práticas, nem arrepiar caminho… Grave, é que este erro teve enormes custos para muitas pessoas, especialmente para as mais vulneráveis, enquanto fez crescer a desigualdade a favor dos mais favorecidos, mesmo e sobretudo nos países em crise, o que leva o ex-economista do FMI a perguntar: Por que e para quem existe o FMI?
A resposta todos conhecemos e sabemos quem paga!
Para ex-economista do Fundo, pedido de desculpas de Lagarde ao primeiro-ministro britânico foi um erro.
Ashoka Mody
“É preciso eu ajoelhar-me?”, perguntou a diretora-executiva do FMI, Christine Lagarde, numa resposta a uma pergunta feita pelo jornalista Andrew Marr, da BBC. Lagarde estava a desculpar-se pelos erros do FMI nas suas previsões de desempenho económico recente do Reino Unido e, mais seriamente, pelas suas críticas anteriores ao programa de austeridade fiscal do governo do primeiro-ministro David Cameron. Agora que essas críticas se transformaram em apoio à austeridade britânica, Lagarde afirmou que o programa de austeridade, ao gerar mais confiança no futuro da economia do Reino Unido, foi um estímulo à recuperação recente.
O pedido de desculpas de Lagarde é um facto sem precedentes, corajoso e equivocado. Ao pronunciá-lo, o FMI comprometeu-se com um princípio económico que goza de um enorme respaldo académico: de que a “Fada Confiança” não existe. E, cedendo à pressão do Reino Unido, o Fundo prejudicou o seu único verdadeiro ativo – a sua independência.
O FMI esquivou-se da responsabilidade por erros de previsão muito mais graves, incluindo a sua incapacidade de antecipar todas as grandes crises da última geração, desde a do México em 1994-95, ao quase colapso do sistema financeiro global em 2008. De facto, durante os 6 a 12 meses que precederam cada crise, o FMI não tinha anunciado nenhuma mudança significativa.
Há quem diga que o Fundo aconselha países em privado, para não desencadear com as advertências públicas a mesma crise que procuram evitar. No entanto, o veterano historiador residente do FMI, James Boughton, encontrou pouca evidência a favor desta tese nos documentos internos do FMI (com possível exceção da Tailândia, em 1997). E o parecer do gabinete de avaliação Interna do FMI ao analisar por que o Fundo não advertiu o surgimento da crise das hipotecas de risco nos Estados Unidos é diretamente mais crítico.
No seu caráter de guardião designado a velar pela estabilidade financeira mundial, a incapacidade do FMI em advertir e antecipar essas crises implica num erro muito mais grave do que a sua postura em relação ao programa de austeridade britânico, um erro do qual derivam custos enormes para muitas pessoas, especialmente para as mais vulneráveis. Por esses erros, o FMI jamais pediu desculpas, menos ainda com a humildade da recente declaração de Lagarde.
O FMI faz bem em refletir sobre os seus erros. No seu discurso pronunciado em setembro de 2003, em Kuala Lumpur, o então diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Horst Köhler, admitiu que as aplicações temporárias sobre o controlo de capitais podem ajudar um país a mitigar os efeitos do fluxo de capital volátil do resto do mundo. Aparentemente reconheceu que o Fundo estava errado ao criticar a Malásia pela imposição de tais controlos no pior momento da crise asiática. Entre os países afetados por essa crise, a Malásia optou por não pedir a ajuda do Fundo e saiu da crise pelo menos tão bem como os outros que o fizeram.
A imposição de controlos sobre a saída de capitais adotados pela Malásia foi uma decisão política controversa. O FMI opôs-se, mas economistas proeminentes – entre eles Paul Krugman – aprovaram a medida. No seu discurso, Köhler declarou que o Fundo tinha tomado nota dessa experiência e irá incorporá-la nas suas recomendações futuras.
No entanto, no contexto da crise atual, a evidência académica esmagadoramente mostrou que a austeridade fiscal provoca exatamente o que os manuais de economia dizem: quanto mais severa a austeridade, maior o travão para o crescimento. Há uma série de estudos que confirmam essa proposta, entre eles um formulado pelo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que esses trabalhos resistiram à crítica considerável e deixaram pouco espaço para ambiguidade.
As duas vozes públicas que defendem as propriedades mágicas de austeridade são organismos oficiais, com base na Europa: a OCDE e a Comissão Europeia. A postura da Comissão, em particular, obedece a um compromisso institucional de um ponto de vista em matéria fiscal que não deixa espaço para provas.
Entre as economias do G-7, a Itália é a única que foi pior que o Reino Unido desde o início da Grande Recessão. De facto, o Reino Unido levou todos estes anos para recuperar o PIB de 2008, ficando ainda atrás até da França.
O mais marcante do caso é que no Reino Unido, a crise foi relativamente suave. A queda dos preços no mercado imobiliário foi modesta em relação à Irlanda e Espanha, e, como não havia nenhum boom de construção, tampouco houve uma queda abrupta. Embora no início o governo britânico tenha ignorado os sinais de alerta do banco Northern Rock, que teve de resgatar após uma corrida aos depósitos em setembro de 2007, logo atuou rapidamente para proteger os bancos locais com problemas, ao contrário dos seus homólogos na zona euro. Por estas razões, o Reino Unido deveria ter tido uma recuperação rápida, mas travaram as desnecessárias medidas de austeridade do governo de Cameron.
O pedido de desculpas do FMI foi um erro por 2 motivos. O primeiro é que nunca é uma boa ideia depreciar as evidências académicas, mas especialmente no caso de uma instituição, que como o FMI, depende tão fortemente da credibilidade na sua capacidade técnica e na sua neutralidade. Se as ideias económicas do Fundo são confusas, com que argumentos defenderá as políticas que recomenda?
Além disso, escolher bajular a política errónea do Reino Unido, o Fundo confirmou a sua preferência pelos seus principais acionistas. Durante muitos anos acreditou-se que o FMI é apenas um instrumento da política externa dos Estados Unidos e também é notória a sua tolerância na avaliação anual das políticas económicas do Reino Unido.
Mas tendo em conta este último passo, o FMI prejudicou – talvez fatalmente – a sua capacidade de dizer "a verdade a quem detém o poder". Talvez, então seja inevitável fazer uma pergunta básica: Por que e para quem existe o FMI?
Ashoka Mody, ex-chefe de Missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Alemanha e Irlanda, atualmente é professor visitante de Economia e Política Internacional na Woodrow Wilson School of Public and International Affairs, da Universidade de Princeton.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quem semeou ventos sabia que (o povo) ia colher tempestades

O chefe da ONU pediu que "sejam respeitadas as leis humanitárias internacionais e os direitos humanos nas ações para combater a violência e o terrorismo no Iraque", completou o porta-voz.
Além disso, Ban "condena fortemente o aumento da violência de grupos terroristas no Iraque, como o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Eiil), que assumiu o controlo de Mossul, Tuz Khurmatu, Baiji e Tikrit".
"O terrorismo não tem o direito de romper o caminho para a democracia traçado pela vontade do povo iraquiano", frisou.
De acordo com a ONU, mais de 8.860 pessoas foram mortas no Iraque em 2013 - o maior número desde o auge das insurgências no país entre 2006 e 2008. Até agora, este ano, mais de 4.700 pessoas foram mortas em ataques, muitas delas em Anbar.
O governo perdeu o controlo de grandes partes do oeste e do norte do Iraque, com o ISIS explorando a disputa entre o governo e a minoria sunita, que consideram que Maliki monopoliza o poder e os persegue com prisões em massa em nome do combate ao terrorismo.
Apesar desta oposição política e armada ao governo, e a sua incapacidade de expulsar os militantes de Anbar, a coligação formada por Maliki conquistou a maior parte dos assentos no Parlamento nas eleições de abril.
Militantes islamitas no Iraque tomaram mais 2 cidades, aumentando as áreas sobre o seu controlo no país e intensificando os temores de uma ofensiva contra Bagdad.
Os islamitas sunitas do Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS, na sigla em inglês) ocuparam Saadiya e Jalawla na província de Diyala. As forças de segurança do governo abandonaram suas bases na região.
O ISIS já havia ocupado anteriormente as cidades de Mosul e Tikrit. Analistas temem que os insurgentes islamitas sunitas estejam a deslocar rumo ao sul, em direção a Bagdad e outras áreas controladas pela maioria xiita, que os militantes sunitas veem como "infiéis". O grupo pode almejar a criação de um emirado islamita na região, unindo partes do Iraque e da Síria que estão sob o seu comando.
A ascensão do ISIS poderia provocar um conflito tanto com o governo xiita do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, como com o Irão, país também governado por uma maioria xiita.
O governo dos Estados Unidos disse estar a considerar "todas as opções" contra os insurgentes sunitas - sem descartar a possibilidade de envio de tropas ao Iraque.
O porta-voz do Estado Islâmico disse que o grupo tem contas antigas para acertar com o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki em Bagdad. O líder iraquiano, um xiita, tenta manter-se no poder depois de eleições indefinidas em abril. "Marcharemos sobre Bagdad porque temos lá contas a acertar", disse conclamando os seus seguidores num áudio divulgado em sites normalmente usados pelo grupo.
O secretário de Estado americano, John Kerry, disse neste sábado que os Estados Unidos vão ajudar o Iraque "no que for possível" a lutar contra a Al-Qaeda, mas descartou que tropas americanas voltem a pisar no país árabe.
Pelo que se vai sabendo (na imprensa brasileira) o regime “democrático” implementado à força no Iraque, e sem autorização da ONU, é agora preocupação do seu chefe, quando antes nada fez para impedir a guerra, que teve como consequência direta, a morte de milhares de militares invasores e centenas de milhares de civis iraquianos, sem contar com os feridos e estropiados. Até dá vontade de pensar e dizer: o que são mais 8.860 comparado com o total das vítimas?
Só quem é inocente, nerd ou mal-intencionado poderia pensar no sucesso(?) de tal operação bélica e que fosse à força que se constrói uma democracia, que é exatamente o contrário de tal metodologia… Só interesses obscuros justificariam a invasão ou a demência de quem sonhou e desenhou tal projeto.
Semearam ventos e agora quem colhe as tempestades é o povo anónimo e inocente, como consta de todas as guerras…
Entretanto, depois da retirada acelerada das tropas estrangeiras, teria que recomeçar a luta fratricida, pelas mesmas razões que estiveram(?) na origem da intervenção, fosse de ordem étnica, religiosa, estratégica, económica ou política…
Agora, quem ficou, que se amanhe, porque a comunidade internacional só lhe promete solidariedade, mas não mais apoio militar, que não serviria para nada, ou melhor, serviria para piorar a situação e adiar a solução do que não tem outra solução…
Como em tudo, nos dias que correm, somos todos levados na conversa de alguns líderes megalómanos, que se travestem de falcões e senhores do mundo, como se houvesse donos do nosso mundo e da soberania das nossas nações…
E agora? Não há punição para os conhecidos infratores do direito internacional: George W. Bush, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso e uns tanto mais?
Parabéns a todos por tão altos benefícios que trouxeram à humanidade e que Deus/Alá lhes perdoe!

terça-feira, 10 de junho de 2014

O “Princípio de Peter”: Do/as fraco/as também reza a história…

Já vai sendo um hábito na instituição liderada por Christine Lagarde. Depois de ter reconhecido "falhanços notáveis" no 1.º resgate à Grécia, e de ter assumido erros no cálculo dos efeitos da austeridade, não só em Portugal mas também na economia global, a directora do Fundo Monetário Internacional (FMI) volta a dizer: "Estávamos errados". Desta vez o alvo da errata de Lagarde é a economia britânica que, ao contrário do que a instituição previa está a recuperar melhor e mais depressa do que o estimado pelo Fundo Monetário Internacional.

A instituição foi, desde sempre, uma forte crítica das políticas de austeridade prosseguidas pelo governo britânico. Há um ano o economista-chefe do FMI, Oliver Blanchard, dizia mesmo que o executivo estava a "brincar com o fogo", referindo-se aos cortes orçamentais previstos. No entanto, um ano mais tarde, o FMI revê as estimativas de crescimento para este ano, agora em 2,9%, a melhor marca entre os G7. Ontem, em entrevista à BBC, Lagarde reconheceu que: "Estávamos errados. Claramente o aumento da confiança que resultou das políticas económicas adoptadas pelo governo surpreendeu muitos de nós". Questionado sobre se teria pedido desculpas ao chanceler do Tesouro britânico, George Osborne, a directora do FMI respondeu: "Tenho de me pôr de joelhos?". "Já dissemos claramente que subestimámos o crescimento no Reino Unido e que a realidade dos desenvolvimentos económicos veio provar que as nossas estimativas estavam erradas".

É mais um caso de erro de cálculo do FMI quanto aos efeitos da austeridade na economia, mas ao contrário dos últimos episódios, desta vez o FMI terá pecado por excesso de conservadorismo.
É uma aposta dos diplomatas europeus. A próxima presidente da Comissão Europeia pode mesmo ser Christine Lagarde, a atual diretora geral do Fundo Monetário Internacional, face à ausência de uma maioria expressiva nas Europeias.
A presidente do FMI, Christine Lagarde, negou ser candidata à presidência da Comissão Europeia: "Não sou candidata. Tenho um trabalho bastante importante e tenho intenção de terminar meu mandato", disse.

Nesta semana, a chanceler alemã Angela Merkel consultou o presidente francês François Hollande para saber se ele estaria disposto a apoiar uma eventual candidatura de Lagarde, ao comanda da Comissão Europeia, o poder executivo da União Europeia (UE).
Lagarde, que foi Ministra das Finanças de Sarkozy, na era Merkozy, como tal, não resolveu os problemas financeiros da França, nem do Euro, mas mesmo assim ou por isso, foi nomeada para Diretora-geral do FMI, destacando-se, nessas funções, o Fundo se ter enganado em todas as erráticas medidas de austeridade (com mais este o caso) aplicadas aos países intervencionados e ela própria ter confessado, várias vezes, embora tenha insistido, contraditoriamente, nas mesmas, talvez aconselhada pela Sra. Merkel, que agora parece querer adotá-la como substituta de Durão Barroso, o “fraco”.
Apesar de a chanceler ir “insistindo” em Junker para Presidente da Comissão Europeia, cuja família política não obteve a maioria absoluta no Parlamento Europeu, o “convite” a Lagarde ou a aceitação da Sra. Diretora-geral, só quer dizer que ELA já se apercebeu das suas fraquezas e dessas vantagens, a exemplo do que aconteceu com o Zé Manel e acontecer(i)á com Junker…
E se Lagarde nega vir a aceitar o lugar “oferecido” por Merkhollande, como no futebol, só quer dizer que será a próxima Presidente da Comissão Europeia, por ter a convicção de ter um trabalho bastante mais importante do que no FMI, lugar que qualquer outro badameco pode desempenhar, desde que tenhas bom feitio e maus fígados…
Dos fracos também reza a História, como demonstra o “Princípio de Peter”…

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A direita tem medo da extrema-direita ou de perder os “tachos”?

Os dirigentes europeus tentam minimizar a subida da extrema-direita, mas os líderes francês e britânico querem uma nova aposta na economia.
Depois das vitórias do UKIP e da Frente Nacional, Cameron e Hollande não perderam tempo a pedir mudanças e reformas à União Europeia, que o presidente francês diz agora ser "muito complexa e distante", enquanto Cameron fez um apelo aos dirigentes da União para que ouçam as preocupações dos europeus, principalmente dos que votaram em partidos de extrema-direita e que deram a vitória a partidos de extrema-direita no Reino Unido, França, Dinamarca ou Holanda. Antes da reunião de ontem entre os chefes de Estado e de governo sobre a presidência da Comissão Europeia, Cameron sublinhava que "não pode ficar tudo na mesma" e que a União tem que fazer reformas, começando pela relação entre Bruxelas e cada Estado-membro. Um sinal do que pode ser a sua resposta, vem do que defendeu em Bruxelas: "Precisamos de uma abordagem que se concentre no que realmente importa, no crescimento e nos empregos, sem tentar fazer demasiado".
Depois de ter cerca de 14% nas eleições de domingo, François Hollande afinou pela necessidade de mudança, mas com referências à necessidade de relançar a economia da União Europeia, que tem agora um projecto "distante e incompreensível. A Europa tem que ser simples e clara para ser eficaz onde for necessária e poder não se meter onde não for necessária" e considera que as respostas de Bruxelas para enfrentar a crise tiveram resultados, mas questiona: "Com que custos? Foi uma austeridade que acabou por desiludir as pessoas".
Já se percebeu que os burocratas iluminados da UE passaram por cima das brasas da fogueira das europeias e continuam mais um round, para nos “neoliberalizar”, pagar os calotes de terceiros, sem sequer fazerem um intervalo para ganhar fôlego, que foi coisa que nunca lhes faltou nesta “caça ao pobre” contribuinte…
Apenas Cameron, de direita, e Hollande de “faz de conta que é socialista”, ficaram assustados com o avanço da extrema-direita nos seus países, que os ultrapassaram, e de que maneira, ameaçando destroná-los e incendiar o Parlamento Europeu, numa tática à Putin. Vai daí, tocam os sinos a rebate, culpando a direita a que pertencem, pelas medidas espoliadoras que puseram em prática e que, naturalmente, levaram os eleitores a “contratar” uns snipers políticos para lhes furar os tachos e as falácias.
E enquanto Cameron vem dizer, agora, que "precisamos de uma abordagem que se concentre no que realmente importa, no crescimento e nos empregos, sem tentar fazer demasiado", Hollande vem dizer quase o mesmo, reconhecendo que as respostas de Bruxelas para enfrentar a crise tiveram resultados, mas “foi uma austeridade que acabou por desiludir as pessoas". Eles não tiveram qualquer culpa no cartório, claro!
E bastava-lhes ter ouvido o povo…
Pois! É urgente que os cidadãos e eleitores vejam os resultados benéficos de tão “benéficas” medidas, à medida que o tempo lhes escasseia!
Não há hipótese de sobrevivência para uma União Europeia receosa dos seus cidadãos.
Álvaro Vasconcelos
Um espectro paira sobre a Europa: o espectro dos cidadãos. A União não se pode construir sem os europeus, numa espécie de autismo vanguardista. A tentação de fazer a União contra os europeus levará à sua desintegração, com riscos acrescidos do regresso à Europa dos nacionalismos, de tão má memória.
Os europeus acabam de mostrar um grande descontentamento com a União Europeia. A abstenção já era a imagem de marca das eleições europeias, um problema que nunca foi frontalmente enfrentado, e o populismo também não é novidade – mas a dimensão dos 2 fenómenos é deveras preocupante. Se alguma dúvida houvesse sobre o crescimento do populismo, os resultados eleitorais confirmam-no plenamente, trazendo à tona todos os velhos fantasmas da Europa – o medo do mundo, a xenofobia e o racismo –, num discurso que em muitos países tem sido banalizado por partidos democráticos.
Seria um erro reduzir as eleições ao triunfo da demagogia populista. O populismo é, antes de tudo, consequência da falta de confiança nos partidos democráticos e nas instituições europeias – por isso a atual crise europeia, que as eleições espelham, é uma gravíssima fratura política.
Com a crise económica e social muitos cidadãos acordaram brutalmente para a realidade de que a União Europeia não é uma questão de política externa, mas tem a ver com questões tão essenciais como o emprego ou as reformas. O voto do 25 de Maio é um grito de protesto contra a política de austeridade, pela sua ineficácia e os seus devastadores efeitos sociais. Mas também é um grito contra uma política que não foi decidida democraticamente e é imposta por entidades com um funcionamento opaco, ou mesmo, como em Portugal ou na Grécia, por uma troika que ninguém elegeu e a quem os próprios governos democraticamente eleitos se dizem ter que submeter.
O défice democrático da União não se resolve com mais e melhor propaganda, como muitos pensam em Bruxelas. O lamento, tantas vezes ouvido – não somos amados porque não explicamos bem o que fazemos – é absurdo. Há cidadãos que genuinamente e por vezes com boas razões são contra as políticas seguidas e dizem-no cada vez com mais força. O problema é que a União Europeia vive mal com a opinião dissidente e é forte a tentação de se impor aos ditames populares, escolhendo vias obscuras para ultrapassar o que se pensam ser dificuldades momentâneas, como aconteceu com a recusa do Tratado Constitucional em referendos e a posterior aprovação de um tratado em muitos aspetos idêntico sem consulta popular.
As 3 maiores forças políticas europeias perderam o apoio de uma larga fatia do eleitorado (com um decréscimo de 88 deputados). Esta eleição confirma que muitos cidadãos europeus perderam a confiança nos partidos que construíram a Europa unida. Por mais que se procurem as diferenças, vinga a perceção, tanto no espaço europeu como nacional, que nada de essencial distingue estas famílias políticas, que da alternância não surge uma real alternativa.
Muitos não votam nas eleições europeias porque consideram que o seu voto não pode mudar as políticas, perante uma capacidade limitada, senão nula, de influenciar as decisões europeias. Forçoso é admitir que têm razão, apesar do reforço dos poderes do Parlamento Europeu. Os cidadãos consideram que é a nível nacional que podem influenciar as políticas e por isso não há indignados europeus, mas somente espanhóis ou portugueses.
Perante o escuro túnel que se apresenta aos nossos olhos, importa não perder de vista que existe uma alternativa: ousar a União Europeia Democrática, respondendo à vontade dos cidadãos, nomeadamente dos mais jovens, de participar e de ser ouvidos. É a consequência natural de uma tendência não só europeia como mundial, a da crescente capacitação dos indivíduos, como atestam os resultados de estudos europeus e norte-americanos (1). Os cidadãos da classe média, hoje potenciados pela educação, a emancipação da mulher e as tecnologias da informação, querem ser ouvidos diretamente, querem uma democracia mais participativa e colocam uma enorme pressão sobre governos incapazes de corresponder às suas expectativas, como sucede em França, onde o Partido Socialista ganhou tudo há 2 anos e agora teve apenas 14% dos votos
Os partidos democráticos europeus necessitam de uma reforma profunda que passa necessariamente pela intransigência na defesa dos valores fundamentais, pela abertura ao Mundo, por tirar partido da vontade de participação dos cidadãos, por dar mais protagonismo à sociedade civil, ao poder local e regional na tomada de decisões e na sua execução.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Há reformados europeus de olhão, menos os de Olhão!

Cidadãos reformados europeus estão a comprar casas na Baixa de Olhão a preços reduzidos e a restaurá-las, uma tendência que está a mexer com a economia local e a dar vida ao coração da cidade piscatória.
Foi amor à primeira vista que o francês Jean-Louis Pallanca sentiu ao poisar o pé no porto de Olhão depois de uma viagem em veleiro desde França. Depois conquistaram-no também o sol, o mar, o peixe fresco, o mercado, o ambiente de uma cidade viva todo o ano, mesmo de inverno, e que não vive apenas do turismo.
Olhão tem todos os ingredientes apreciados pelo casal Pallanca, que decidiu comprar 2 casas na Baixa. A primeira, para viver, está no coração da cidade piscatória, custou 100.000 euros e tem vista para a Ria Formosa, garagem para o barco e 3 quartos. A segunda casa, que custou 50.000 euros, está a ser restaurada porque “é muita antiga”, explica Jean-Louis Pallanca, 66 anos, médico naturopata reformado, que acaba de lançar em França o livro “Hereuxe si je veux c’est possible”.
O casal francês admite que as casas de Olhão estão hoje a um “bom preço para os franceses”.
Da mesma opinião é Will Davies, britânico de 66 anos que está a viver em Olhão há 6 meses com a mulher, Jackie, após a compra de uma casa na Baixa por 130.000 euros.
Will conta que se apaixonou pela cidade porque lhe faz lembrar a vila onde nasceu, no sul do País de Gales. “A luz do sol é encantadora, absolutamente adorável”, constata Will Davies, antigo empresário e agora reformado, que optou por comprar casa em Olhão por causa do clima, da boa comida, dos habitantes e da segurança.
Will comprou casa em Outubro passado e está a “amar cada minuto” de viver em Olhão, mostrando-se “muito contente” com o preço da casa e perspectivando viver “todo o ano” na cidade à beira ria, porque a decisão tomada foi a de se mudarem permanentemente. “Espero viver aqui pelo menos 10 anos, se Deus me deixar ficar esse tempo todo”, diz, optimista e lançando uma gargalhada.
A gerente de uma imobiliária, Elsa Marques, vendeu nos últimos 3 meses 15 casas na Baixa de Olhão. A maioria dos compradores é reformada. Vieram de Inglaterra e França, mas também da Alemanha, Dinamarca e Finlândia. “Tenho a certeza de que eles [os estrangeiros] também vêm pelos bons preços que temos aqui em Olhão”, sustenta Elsa Marques, referindo que a maioria das casas da Baixa tem preços “abaixo dos 100 mil euros”.
A tendência, justifica, explica-se com a publicidade que a abertura de um hotel de 5 estrelas em Olhão fez da cidade.
“É tão típica, é uma cidade que ainda tem coisas antigas […], a maioria das casas aqui são quase todas de antes de 1951 e isso também faz a diferença para os estrangeiros, que gostam de sentir que estão a comprar algo histórico”, refere, sustentando que o fenómeno “só está a começar” e que “vai continuar”, porque em Olhão há tudo para os estrangeiros viverem bem, a preços mais baixos do que nas suas terras. A preferência pelo centro está também relacionada com o facto de muitos não terem carros. Alguns compram barcos para ir visitar as ilhas da Ria Formosa, acrescentou a gerente da imobiliária, referindo que estes reformados europeus estão a renovar o património de Olhão, optando pelo restauro e nunca pela demolição.
Esta chegada de reformados a Portugal também se explica com a introdução de isenções fiscais nas reformas.
A nova lei, que permite a isenção fiscal durante 10 anos para as pensões de reforma de cidadãos estrangeiros que residam em Portugal há mais de 183 dias, é um factor essencial para a nova vaga de imigrantes reformados.
Como se pode ver, a vida de reformado não é tão má como dizemos, nós, cidadãos europeus, o que pode fazer inveja a cidadãos de outros continentes…O nosso azar é sermos reformados europeus portugueses, o que não nos permite comprar casas nem na Baixa de Olhão nem sobreviver no Alto das nossas Serras…
A sorte do país é que estes reformados, em vez de deitarem as casas “velhas” abaixo, as vão restaurando, o que é uma mais-valia para o nosso Património construído. Valha-nos isso! Bem sabemos, pelos exemplos, que não é qualquer estrangeiro maltrapilho que se pode dar ao luxo de escolher o nosso país para os últimos anos antes do paraíso, até pelos países de onde provem: Inglaterra, França, Alemanha, Dinamarca e Finlândia, onde os reformados não vivem propriamente no nosso inferno.
E não é só Olhão que é um bom destino para os estrangeiros viverem bem, é o país inteiro, onde é tudo a preços mais baixos do que nas suas terras (porque tem melhores pensões) enquanto para nós, com os mesmos preços, o custo de vida é alto, porque as nossas pensões são baixas e ainda as querem mais baixas. A nós resta-nos a África…
Enquanto isso, aos reformados estrangeiros em Portugal a lei isenta-os de pagarem impostos sobre as ditas pensões durante 10 anos, o que não era mau se fossemos todos tratados de igual modo, como cidadãos europeus que somos, com os mesmos direitos, mas só no papel…
Estes tipos são todos de olhão, menos os de Olhão!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Não há money para salários e pensões? O FMI explica!

Para aqueles que continuam a enganar os incautos, mentindo e dizendo que não havia dinheiro para salários e pensões e que insistem que de momento e de futuro não há dinheiro para (os baixos) salários e as (devidas) pensões, aqui fica a denúncia (mais uma), evidentemente, do FMI, que segue o rasto do dinheiro e o localiza: na BANCA, pois claro!
E quem paga? Os trabalhadores (nos salários) e os reformados (nas pensões)!
Os grandes bancos considerados muito importantes para não deixar que peçam falência continuam a ser beneficiados pela ajuda dos Estados, afirma um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na Eurozona, as ajudas representaram até 220 mil milhões de euros em 2012, uma proteção implícita porque as instituições consideradas "muito grandes para falir" poderiam "ameaçar a estabilidade do conjunto do sistema financeiro".
Segundo o FMI, nos Estados Unidos as "subvenções implícitas" foram de 65 a 220 mil milhões de euros em 2012, na Grã-Bretanha oscilaram entre 15 e 80 mil milhões de euros. Durante o pior momento da crise financeira, de 2008 a 2009, o governo dos Estados Unidos atuou de maneira intensa para ajudar os gigantes bancários à beira da falência como Bank of America ou Citigroup.
"Depois da crise financeira mundial, as reformas reduziram (mas não eliminaram) as garantias implícitas dos governos que beneficiam os bancos", destaca o relatório de estabilidade financeira do FMI, publicado antes da assembleia de primavera do Fundo.
O FMI manifesta dúvidas sobre os efeitos das garantias. "A espera de uma ajuda das autoridades reduz a propensão dos credores de vigiar o comportamento dos grandes bancos, estimulando a tomada de riscos e o endividamento excessivo", explica o documento.
"Foram registrados avanços, mas as nossas estimativas de subvenções parecem indicar que o problema dos 'muito grandes para falir' continua a ser real", afirma Gaston Gelos, um dos autores do relatório.
E apesar de o próprio FMI dizer que tudo continua (quase) na mesma, constata-se que há soluções para castigar os infratores, tendo em conta estas 2 medidas, uma que (pelo menos) vai investigar 8 bancos-burlões e a outra que (finalmente) permite saber os dados dos depositantes de bancos (offshores) austríacos e luxemburgueses (Junker é candidato a presidente da Comissão Europeia…), que fogem ao fisco nos seus países, obrigando o cidadão comum a pedir fatura para do cafezinho para compensar o prejuízo…
E quem paga? Os trabalhadores (nos salários) e os reformados (nas pensões)!
As autoridades suíças vão investigar 4 instituições bancárias do país e 4 bancos europeus suspeitos de terem concertado posições no mercado no sentido de influenciar o mercado de divisas e as taxas de câmbio.
O UBS e o Credit Suisse, 2 dos bancos mais importantes da Suíça, assim como o Banco Cantonal de Zurique e o Julius Baer, também suíços, vão ser investigados pelas autoridades do país.
Além dos 4 bancos suíços, as instituições bancárias norte-americanas JP Morgan e Citigroup e as britânicas Barclays e Royal Bank of Scotland vão ser também alvo de inquéritos formais.
A 20 de março, a UE ultrapassou uma etapa crucial para a luta contra a evasão e a fraude fiscais na Europa. Reunidos em Bruxelas, os ministros das Finanças da União Europeia conseguiram convencer a Áustria e o Luxemburgo a não bloquearem mais o projeto de troca automática de dados.
Até agora, escreve Le Vif-L'Express, a Áustria e o Luxemburgo recusavam a extensão da diretiva europeia sobre a fiscalidade da poupança “e continuavam assim a preservar o seu segredo bancário: os clientes não-residentes recebendo interesses nestes 2 países sofriam uma retenção na fonte de 35%, mas em troca, podiam permanecer anónimos aos olhos da sua administração fiscal.”