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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Revisitando uma visitação ao “Pulo do Lobo”…

Lembro a sua primeira campanha presidencial e a insistência na prova de que Portugal estava a ficar para trás: até a República Checa nos tinha ultrapassado. E tinha. Nos rankings de competitividade internacional, a economia portuguesa evoluía ano após ano num sentido só. Para baixo.
Sérgio Figueiredo
Cavaco Silva, o homem providencial, economista experiente e preparado, o candidato, até podia cavalgar a crise para ganhar votos populares. Cavaco Silva, o Presidente, não podia fazer isso. E não cavalgou, preferiu desaparecer no meio dela. Da crise e entre mandatos.
Ninguém, portanto, se lembrou do Chefe de Estado na semana em que Portugal subiu 15 lugares na tabela das economias mais competitivas do mundo. Só eu, por causa desta memória maldita e dos checos. Ranking de 2014: Portugal em 37, a República Checa de novo atrás de nós, Cavaco nos "erros e omissões".
Os rankings de competitividade vivem mais de percepções do que de estatísticas. Não é coisa pouca, porque resultam da visão de milhares de gestores e empresários sobre as economias do mundo, neste caso mais de 140. É, então, da nossa reputação externa que estamos a falar. E aquilo que se ouve é tão formidável quanto surpreendente, tão agradável quanto inesperado. É uma credibilidade que se revela "no ambicioso programa de reformas que o país tem adoptado" e que, no entender dos senhores que organizam o influente Fórum de Davos, "parece estar a começar a dar frutos em todos os domínios".
Aquilo que o Fórum Económico Mundial escreve a partir de Genebra é um exercício de leitura obrigatória e recomendável para qualquer português interessado. Porque começa na economia e empresas e acaba na psicanálise.
As nossas reformas que os outros valorizam não podem ser na Segurança Social (que Passos Coelho enterrou num comício) e no Estado - porque é um guião que Paulo Portas enfiou numa gaveta etiquetada "aqui jaz o socialismo do Dr. Soares".
O funcionamento das instituições sobe 5 lugares, porque ali não está ainda o embaraço de reguladores e poder judicial na falência fraudulenta do BES e do grupo económico que nele se entrelaçava.
E onde cabem o mal-estar de tantos grupos profissionais ou a asfixia das universidades num país que é o 24º nos indicadores "educação superior e formação" e "saúde e ensino básico"? Como lamentar esta taxa de desemprego historicamente elevada se, na "eficiência do mercado laboral", Portugal sobe mais de 40 lugares?
Se a televisão é um espelho da sociedade, então é porque os decisores internacionais não sintonizam a RTP Internacional. Só assim acreditam que o país "pode tirar melhor proveito da sua mão-de-obra altamente qualificada" e classificam-nos em 29º lugar no critério - é por não verem as reportagens no aeroporto de Lisboa, com jovens licenciados a emigrar com lamentos e lágrimas no rosto.
Impossível dar este salto de gazela, num ano, logo no último ano!, se a verdade toda estivesse nos gráficos do Dr. Medina Carreira ou na desgraça profetizada por Pacheco Pereira em jornais e revistas. Impossível, no país que vemos e lemos, ser esta uma das 40 economias mais competitivas do mundo...
Mas é aqui que, subitamente, estamos. Não bate certo, mas sabe bem. 3 explicações são possíveis, mas só uma conclusão é necessária.
Uma, que desqualifica o ranking e o Fórum Económico Mundial. Nesta não podem falar os que, durante estes anos, se agarraram a esta tabela para exibir o declínio português. É uma tentativa, mas pouco convincente, porque Portugal tem igualmente melhorado noutras classificações semelhantes, como a que a escola de negócios IMD divulgou na última Primavera.
A outra desqualifica os próprios portugueses. Afinal a economia está mais competitiva graças às reformas impostas pela troika. Sucede que a Grécia não aparece entre os primeiros 50, a Itália não foi intervencionada e tem pior classificação que a nossa e, além da República Checa, Portugal ultrapassou a Polónia e praticamente toda a Europa de Leste - a tal que, depois do alargamento da União Europeia, nos iria condenar para um ciclo irremediável e contínuo de perda na competição internacional.
Portugal está hoje numa situação mais favorável do que estava antes da crise financeira de 2007. Não no ambiente macroeconómico - que até piora para uma sofrível 128ª posição. Mas numa outra série de indicadores, que vão desde pessoas mais preparadas, empresas mais inovadoras, mercados mais eficientes, negócios mais sofisticados, nos sistemas públicos de ensino e de prestação de cuidados de saúde.
É a 3.ª explicação possível: entre a realidade e os portugueses, há uma intermediação que forma uma agenda incompleta, que confunde "opinião pública" com "opinião publicada", que dá voz aos "representantes" e ignora os "representativos". E esta explicação não abona nada a favor da comunicação social.
Em qualquer dos casos, é muito boa a sensação de, através das opiniões externas, aos olhos dos outros, ver Portugal aproximar-se dos primeiros. Olhar cada vez mais próximo, para os que lá estão em cima, deveria obrigar-nos a mudar de raciocínio. Convergir para a média é a ambição dos medíocres. Chegar ao "top 10" é a única forma de recuperar o atraso.
Desde que entrámos na CEE, queremos atingir a média: a média europeia, o PIB "per capita" médio, a média dos outros e o resultado não tem sido espectacular: 1 passo à frente, 2 passos atrás. Sempre que demos um salto, que não fizemos o que todos estavam a fazer, Portugal chegou à vanguarda. Vários exemplos o confirmam, da fibra ótica às energias renováveis.
Portanto, sobre rankings e competitividade, escolha você mesmo 1 dos 3 cenários, porque prefiro uma conclusão: nada de passos, só saltos!
"O único país que progride, apesar de não ser suficiente" para absorver a bolsa de desempregados "é a Espanha", afirmou a diretora do FMI, Christine Lagarde, em entrevista.
Questionada se considera que a França está a atrasar-se na aplicação de reformas, a diretora do FMI insistiu que "há que as por em prática e não apenas ficar contente em falar delas", numa mensagem que serve para "o conjunto da zona euro e não apenas para a França".
E porque estes rankings de competitividade vivem mais de perceções do que de estatísticas, mais baseadas na "opinião publicada", que dá voz aos "representantes" da classe dirigente, do que na "opinião pública" onde está a maioria dos "representados", tem o valor que tem e não pode contrariar a realidade, que se traduz no mais recente e paradoxo paradigma: “O país está mais rico (?), mas os cidadãos estão mais pobres”.
Para contrariar as perceções e valorizar as estatísticas (?), a conclusão de Lagarde obriga-nos a optar por uma 4.ª explicação, de cariz espiritual, que é, mais uma vez, ter acontecido um milagre…
O pior, é que de milagre em milagre, nunca mais saímos deste inferno, embora possamos passar pelo Purgatório, durante o período pré-eleitoral…

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quem semeou ventos sabia que (o povo) ia colher tempestades

O chefe da ONU pediu que "sejam respeitadas as leis humanitárias internacionais e os direitos humanos nas ações para combater a violência e o terrorismo no Iraque", completou o porta-voz.
Além disso, Ban "condena fortemente o aumento da violência de grupos terroristas no Iraque, como o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Eiil), que assumiu o controlo de Mossul, Tuz Khurmatu, Baiji e Tikrit".
"O terrorismo não tem o direito de romper o caminho para a democracia traçado pela vontade do povo iraquiano", frisou.
De acordo com a ONU, mais de 8.860 pessoas foram mortas no Iraque em 2013 - o maior número desde o auge das insurgências no país entre 2006 e 2008. Até agora, este ano, mais de 4.700 pessoas foram mortas em ataques, muitas delas em Anbar.
O governo perdeu o controlo de grandes partes do oeste e do norte do Iraque, com o ISIS explorando a disputa entre o governo e a minoria sunita, que consideram que Maliki monopoliza o poder e os persegue com prisões em massa em nome do combate ao terrorismo.
Apesar desta oposição política e armada ao governo, e a sua incapacidade de expulsar os militantes de Anbar, a coligação formada por Maliki conquistou a maior parte dos assentos no Parlamento nas eleições de abril.
Militantes islamitas no Iraque tomaram mais 2 cidades, aumentando as áreas sobre o seu controlo no país e intensificando os temores de uma ofensiva contra Bagdad.
Os islamitas sunitas do Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS, na sigla em inglês) ocuparam Saadiya e Jalawla na província de Diyala. As forças de segurança do governo abandonaram suas bases na região.
O ISIS já havia ocupado anteriormente as cidades de Mosul e Tikrit. Analistas temem que os insurgentes islamitas sunitas estejam a deslocar rumo ao sul, em direção a Bagdad e outras áreas controladas pela maioria xiita, que os militantes sunitas veem como "infiéis". O grupo pode almejar a criação de um emirado islamita na região, unindo partes do Iraque e da Síria que estão sob o seu comando.
A ascensão do ISIS poderia provocar um conflito tanto com o governo xiita do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, como com o Irão, país também governado por uma maioria xiita.
O governo dos Estados Unidos disse estar a considerar "todas as opções" contra os insurgentes sunitas - sem descartar a possibilidade de envio de tropas ao Iraque.
O porta-voz do Estado Islâmico disse que o grupo tem contas antigas para acertar com o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki em Bagdad. O líder iraquiano, um xiita, tenta manter-se no poder depois de eleições indefinidas em abril. "Marcharemos sobre Bagdad porque temos lá contas a acertar", disse conclamando os seus seguidores num áudio divulgado em sites normalmente usados pelo grupo.
O secretário de Estado americano, John Kerry, disse neste sábado que os Estados Unidos vão ajudar o Iraque "no que for possível" a lutar contra a Al-Qaeda, mas descartou que tropas americanas voltem a pisar no país árabe.
Pelo que se vai sabendo (na imprensa brasileira) o regime “democrático” implementado à força no Iraque, e sem autorização da ONU, é agora preocupação do seu chefe, quando antes nada fez para impedir a guerra, que teve como consequência direta, a morte de milhares de militares invasores e centenas de milhares de civis iraquianos, sem contar com os feridos e estropiados. Até dá vontade de pensar e dizer: o que são mais 8.860 comparado com o total das vítimas?
Só quem é inocente, nerd ou mal-intencionado poderia pensar no sucesso(?) de tal operação bélica e que fosse à força que se constrói uma democracia, que é exatamente o contrário de tal metodologia… Só interesses obscuros justificariam a invasão ou a demência de quem sonhou e desenhou tal projeto.
Semearam ventos e agora quem colhe as tempestades é o povo anónimo e inocente, como consta de todas as guerras…
Entretanto, depois da retirada acelerada das tropas estrangeiras, teria que recomeçar a luta fratricida, pelas mesmas razões que estiveram(?) na origem da intervenção, fosse de ordem étnica, religiosa, estratégica, económica ou política…
Agora, quem ficou, que se amanhe, porque a comunidade internacional só lhe promete solidariedade, mas não mais apoio militar, que não serviria para nada, ou melhor, serviria para piorar a situação e adiar a solução do que não tem outra solução…
Como em tudo, nos dias que correm, somos todos levados na conversa de alguns líderes megalómanos, que se travestem de falcões e senhores do mundo, como se houvesse donos do nosso mundo e da soberania das nossas nações…
E agora? Não há punição para os conhecidos infratores do direito internacional: George W. Bush, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso e uns tanto mais?
Parabéns a todos por tão altos benefícios que trouxeram à humanidade e que Deus/Alá lhes perdoe!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Com esta gaffe querem que acreditemos no seu saber… fazer

O candidato do Partido Popular Europeu à Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro do Luxemburgo, recomendou aos portugueses que "Não acreditem nos socialistas", durante um jantar comício da coligação PSD/CDS-PP para as eleições europeias, que comparou ao navegador Cristóvão Colombo, a quem se referiu como sendo português.
“Colombo quebrando o ovo” por William Hogarth

Aparte a gaffe, que mostra desconhecimento da História (não apenas da nossa) o que veio dizer o candidato conservador e candidato à presidência da Comissão Europeia e em quem deverão votar os sociais-democratas e democratas-cristãos, é que os socialistas são mentirosos e irresponsáveis, do que se pode deduzir que rejeita todos os votos de tal gente, limitando os votos à sua família política, responsável pelo furacão devastador das economias e sociedades dos países do sul, baseado em mentiras bem mais graves do que a gaffe e em benefício próprio, que querem manter ad eternum, se votarmos nos “verdadeiros conservadores”…
Junker do que conhece bem é de offshores!
A coligação PSD/CDS convidou o candidato do Partido Popular Europeu à Comissão Europeia a visitar Portugal. Nessa curta viagem, Jean-Claude Juncker pretendia ajudar à difícil tarefa de convencer o eleitorado das vantagens do voto nos 2 partidos que nos trouxeram até à saída limpa que reconheceremos (ou talvez não) nas urnas daqui a uma semana.
As mensagens de Juncker foram várias, mas a proferida na Trofa arrisca-se a deixar marcas (quiçá) históricas: "Não acreditem nos socialistas" porque, referiu o homem que quer liderar a Europa, "eles lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo". Sim, leu bem: Cristóvão Colombo, o genovês que descobriu a América do Norte ao serviço da coroa espanhola. O candidato do PPE continua: "Quando [o "português" Colombo] partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava". A analogia do homem - que os menos esclarecidos poderão confundir com o famoso industrial de esquentadores - não termina aqui: "Era o contribuinte que pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos dias", rematou o ex-presidente do Eurogrupo.
A metáfora não viajou apenas por mares historicamente pouco navegados. Os últimos anos de navegação dos portugueses, todos sabemos, foram vividos em águas agitadas. E o capitão deste barco, ainda um pouco à deriva, tem um nome: Pedro Passos Coelho. Um navegador que, tal como o Colombo de Juncker, talvez não saiba exatamente onde está nem quando chega ao fim de uma viagem, colocando igualmente nas costas - e contas - dos contribuintes as despesas de tão avultada odisseia.
A tirada de Jucker arrisca-se, todavia, a passar despercebida no meio do disparate generalizado em que se transformou a campanha eleitoral para as europeias. Uma campanha onde se discute tudo menos a Europa em crise profunda e em que os cidadãos quase não dão pela passagem das caravanas partidárias. A mobilização, por sua vez, reduziu-se ao mínimo denominador, transferindo-se para redes sociais e outros sinais exteriores de pretensa modernidade. Ignorados pelo "país" de Colombo, Rangel, Assis e companhia apelam ao voto.
Face a tal indiferença e vazio discursivo sobre a Europa, vinga o disparate e o "fait divers". Ora de Nuno "trauliteiro" Melo, ora de Paulo Rangel. Os candidatos, que sobre a Europa nada disseram, mas que sobre Sócrates e as "selfies" dos cartazes socialistas têm tanto para dizer, bem poderiam ter evitado a triste figura de, em Aveiro, ter montado uma bicicleta. É que nas bicicletas, tal como na política, todos sabemos que só se anda bem quando se olha em frente, para o horizonte, e não para a roda, como fez Rangel à frente das câmaras de televisão. Percebe-se este desequilíbrio. O PSD anda nervoso com o desfecho do resultado eleitoral, do impacto que ele pode ter na coligação governamental e, consequentemente, na convocação antecipada de legislativas. E a coisa só vai agravar com um "ovo de Colombo" como o de Juncker. Os socialistas, de ideias igualmente ocas, agradecem.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Uma reportagem patusca, vinda da estranja, sobre a papoila…

Rui Tavares, fundador do esquerdista “Livre”, propõe uma redefinição dos papéis de Portugal, Itália, Grécia e Espanha no bloco europeu, para que não sejam mais chamados de "PIGS". O partido concorre ao Parlamento Europeu.
De cima de um pequeno palco numa livraria lotada de Lisboa, Rui Tavares discorre sobre "Ulisses". Mas o franzino homem de óculos redondos não é um crítico literário, e o seu assunto não é nem a personagem de Homero nem a de James Joyce.
O político português de 41 anos é um dos fundadores do partido “Livre”, de esquerda liberal, pelo qual vai concorrer a um assento no Parlamento Europeu nas eleições de 25 de maio. "Ulisses" é o nome do ambicioso projeto político-económico com que pretende redefinir o papel de países como Portugal, Itália, Grécia e Espanha na União Europeia.
"Com 'Ulisses', queremos alcançar, sobretudo, uma coisa: que os países do sul da Europa não sejam mais chamados de 'PIGS'", propõe, lembrando o termo pejorativo – traduzido, quer dizer PORCOS – com que os órgãos de imprensa designam esse grupo de Estados empobrecidos, duramente afetados pela crise europeia de endividamento.
Ideias inspiradas na história
Rui Tavares almeja conferir uma nova confiança e autoestima às nações meridionais do bloco. Para a solução da crise de endividamento estatal, quer convocar uma grande conferência, semelhante à de Bretton Woods, realizada em 1944 nos Estados Unidos.
Lá, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das 44 nações, futuras vencedoras da II Guerra Mundial, estabeleceram uma nova ordem monetária, definindo a criação do FMI e do Banco Mundial.
Para Tavares, não cabe a cada país europeu resolver o problema da dívida, mas sim à Europa como um todo. Além disso, a UE precisa de uma instituição financeira própria, independente, nos moldes do FMI, sob controlo do Parlamento Europeu. E a Europa Meridional necessita de um novo "Plano Marshall", como o que reergueu as economias europeias no pós-guerra.
Ao político – que também é escritor, tradutor e historiador – não faltam ideias para a Europa. Desde 2009 que atua no Parlamento Europeu, como deputado independente, e há pouco menos de 3 anos filiou-se na bancada do Grupo dos Verdes/Aliança “Livre” Europeia.
Em 2014, Tavares concorre novamente a um assento em Estrasburgo, mas desta vez representando a força política que ele próprio ajudou a fundar em Portugal. "O partido “Livre” repousa sobre 4 pilares: liberdade, esquerdismo no sentido clássico – quer dizer, igualdade e justiça social – e também ecologia e Europa", explica.
Aposta na União Europeia
"Atualmente são fundados por toda parte, seja na Alemanha ou na Inglaterra, partidos antieuropeus e populistas. Por isso, muitos nos perguntam como podemos identificar-nos hoje em dia com a Europa, de forma tão forte e positiva, quando tanta gente está dececionada com ela", conta o visionário lusitano.
Também em Portugal a sua estratégia é ousada. Segundo os mais recentes dados do Eurobarómetro da Comissão Europeia, quase 2/3 dos portugueses veem com pessimismo o futuro da União Europeia.
Há quase 3 anos o país implementa um rigoroso plano de reformas e austeridade, estabelecido com a CE, o FMI e o BCE, em troca de um pacote de resgate no montante de 78.000 milhões de euros.
Europa mais independente
Dessa Europa, porém, Rui Tavares distancia-se. "Não nos identificamos com a UE que é liderada pelo nosso compatriota [José Manuel] Barroso e que não encontrou nenhuma resposta para a crise económica, ecológica ou social. Mas nós acreditamos que os europeus têm um futuro comum, construído sobre os princípios democráticos, os direitos fundamentais e um bem-estar compartilhado. A Europa deve tornar-se soberana, no sentido de ter o seu futuro nas suas próprias mãos."
O historiador lusitano – que contribui regularmente para o jornal liberal “Público” – também se reporta à atual crise entre a Ucrânia e a Rússia. Segundo ele, a dependência dos Estados da UE em relação ao gás natural russo poderia ser reduzida a longo prazo se os países meridionais produzissem energia para o Centro e o Norte de Europa. Neste ponto, o português cita como modelo a Tennessee Valley Authority (TVA). No contexto do New Deal – a resposta do presidente americano Franklin D. Roosevelt à Grande Depressão – essa corporação foi criada na década de 1930 para canalizar investimentos para grandes projetos de energia no então empobrecido sul dos Estados Unidos. Da mesma forma, na visão de Tavares, a UE deveria criar um departamento governamental comparável à TVA, com a finalidade de coordenar a produção em larga escala de energias renováveis no sul da Europa.
Formas democráticas inéditas
Na livraria lisboeta, os 6 candidatos do novo partido ao Parlamento Europeu discutem sobre o projeto "Ulisses", sobre o planeado acordo de “Livre” comércio entre a UE e os EUA, e sobre a corrupção e o abuso de poder a nível europeu. A lista dos candidatos foi definida na internet pelos adeptos do “Livre”.
Este princípio de democracia de base também agrada à eleitora Ofélia Janeiro, que ouve atentamente os políticos, sentada numa escada da livraria. "Isto é algo totalmente novo para nós. Nunca houve esta forma de democracia direta em Portugal. Aqui podemos participar e até mesmo redigir com eles o programa do partido."
Nos meios intelectuais de esquerda da capital portuguesa, a fação e seu fundador Rui Tavares já se estabeleceram. Entretanto, o pesquisador Pedro Magalhães duvida que a nível nacional o “Livre” consiga suficientes votos para atuar em Estrasburgo. "O partido não é verdadeiramente visível. E faltam-lhe subvenções estatais para poder realizar uma campanha eleitoral expressiva", analisa.
Porém, o pleito europeu é apenas um primeiro passo para Rui Tavares. A sua maior meta é que o “Livre” consiga reconciliar os demais grupos de esquerda em Portugal. E assim, nas próximas eleições parlamentares nacionais, em meados de 2015, as portas para uma coligação governamental de centro-esquerda estejam abertas.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Perdido num mar revolto de indiferença, sem revolta…

A foto de Sebastião Ferreira Maciel, que o JN publicou na edição deste sábado, é uma daquelas imagens que valem mais do que mil palavras e escondem outras tantas. A fotografia mostra - e a curta, mas soberba, reportagem sublinha - um dos náufragos do "Mar Nosso" a chegar a casa, em Vila do Conde, num incaracterístico táxi branco asturiano. Sebastião regressou sozinho do hospital de Gijón para onde foi levado, depois de resgatado da tábua flutuante a que se agarrou com outros pescadores até ser salvo. Carregava na mão 2 pequenos sacos plásticos, quase vazios, com o que se supõe serem os seus pertences. E, na alma, o peso de quem ouviu os gritos do cunhado, companheiro de faina, a morrer a seu lado nas águas geladas do Atlântico.
Alfredo Leite
Já se sabe que, de tão comum, a morte de pescadores em Vila do Conde e, em especial, nas Caxinas tende a ser banalizada. Mas a forma crua como se (não) apoia uma vítima como Sebastião Maciel só nos pode chocar. O mesmo Estado que envia aviões Hércules C130 para resgatar feridos à Líbia ou trazer de volta a Lisboa aprendizes de repórteres de guerra, vítimas de delinquentes comuns, tem uma embaixada em Madrid que não é capaz de fretar um carro e arranjar apoio psicológico para acompanhar o sobrevivente de uma situação traumática extrema nos 500 quilómetros que separam as Astúrias do reencontro com a família.
Tratando-se de um pescador, é caso para perguntar: o que é feito da diligente ministra da Agricultura e do Mar? Do ministro dos Negócios Estrangeiros, de quem depende a diplomacia sediada na capital espanhola, já sabemos. Está sempre no lado errado da coisa. É certo que a época de Páscoa não é a mais adequada para se pedir a presença de uma governante democrata-cristã no apoio aos sobreviventes, nem a participação nos funerais das vítimas. Mesmo que Assunção Cristas saiba, melhor do que ninguém, a importância de ter um carro à mão, ainda que não se tenha escapado à morte, nem visto um familiar a morrer ao lado. Há uns 2 anos, passando por Paris em trânsito para a África do Sul, Cristas viu-se obrigada a pernoitar na capital francesa à falta de um voo de conexão. Diz quem viu que a ministra (e respetivo staff) se irritou com o contratempo e que, após algumas peripécias que não importam para este caso, obrigou mesmo a embaixada portuguesa em Paris a enviar um carro para o Aeroporto de Charles de Gaulle. Viatura essa que acabaria por transportar a governante e comitiva para um hotel nos arredores do... Charles de Gaulle.
Nas Caxinas, o pároco da freguesia somará esta semana a infame conta de quase 100 enterros de pescadores. Se Cristas não pode perder tempo com naufrágios casuísticos, então talvez tenha possibilidade de responder a D. Jorge Ortiga, que ontem interrompeu as visitas pascais para ir até Vila do Conde. Disse o arcebispo de Braga que "o Governo deve ver o que pode fazer no sentido de que estes casos não voltem a repetir-se, porque são muitos e muito frequentes". Esperemos pelo fim da Páscoa para ver se alguém no Governo tem resposta para a preocupação de D. Jorge Ortiga. Ou será que não têm palavras?
O momento do encontro de um sobrevivente com a família nas Caxinas

sábado, 19 de abril de 2014

Depois das eleições europeias a gente (des)conversa…

Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália: os governos dos PIIGS, os países mais duramente atingidos pela crise, anunciam com entusiasmo as suas previsões de crescimento, “provocando uma onda de otimismo entre os investidores internacionais, que correram para resgatar as suas dívidas", observa o New York Times.
Mas o crescimento por si só, não é suficiente. "Porque, se os sinais de recuperação estão a emergir na eurozona, o custo humano da recessão de 5 anos que continua a aumentar", persegue o quotidiano americano. "Para dezenas de milhões de europeus, não será fácil voltar de uma meia década de privações económicas e de um desemprego à escala da Grande Depressão [crise de 1929]”. De acordo com um relatório do Eurostat, a agência europeia de estatísticas, mais de metade dos novos empregos criados na UE são temporários, insuficiente para fazer face às despesas.
Na reportagem em Atenas, o New York Times apoia-se no destino de Kostas Polychronopoulos, que no auge da crise, perdeu o seu emprego altamente colocado numa empresa de telecomunicações. Ele que ganhava até 6.000 euros por mês, no topo da sua carreira, passou mais de um ano a procurar novo emprego. Em vão. "Teve que deixar o seu apartamento ensolarado de Atenas, vender o seu BMW descapotável, e voltar a viver com a sua mãe idosa. Rapidamente se viu num lugar onde nunca teria pensado aterrar: na fila para a sopa popular."
O artigo do New York Times é mais extenso, mas não acrescenta muito às dúvidas sobre o entusiasmo reinante nos PIGS quanto às previsões de crescimento, que comprovaria a eficácia das medidas aplicadas e da “filosofia” da austeridade como solução.
Todos constatamos que, de repente, sem qualquer explicação e com surpresa para os próprios governantes dos países mais afetado deu-se o “milagre”: sinais tenuemente positivos nas respetivas economias, facilidades inesperadas nas idas aos mercados, descidas “à bruta” das taxas de juros em todas as maturidades, estranhas “baixas” nas taxas de desemprego, os países “melhor” e os cidadãos cada vez pior…
Entretanto, as dívidas sobem brutalmente, os objetivos do défice ficam longe do projetado, o futuro promete mais austeridade para uns, a pobreza aumenta para (quase) todos e as possibilidades de honrar as dívidas tornam-se impossíveis, mesmo depois de 30 anos de roubos confessados e de penitência dos inocentes…
Cabe então perguntar o que se passará de esotérico, sabendo que estamos (embora não pareça) num tempo de pré-eleições europeias, sabendo-se que nestes governantes os “investidores internacionais”, já sabem com o que contam… A extrema-direita é que pode borrar-lhes o desenho.
Não haja dúvidas de que a estratégia está desenhada para que tudo fique na mesma e que logo após as eleições, se os neoliberais tiverem a maioria, o retrocesso deste “sucesso” vai descambar de imediato, com uma vingançazinha de quem foi ameaçado pelo povinho, que terá de continuar a pagar os tributos e impostos aos seus suseranos, em troca de nada…
Por alguma razão o silêncio de Merkel e dos que estão melhor tem sido tão prolongado e sem tomar compromissos, em contraste com a euforia dos que estão mal e lhes deram esta amêndoa “doce”, que acabará por nos ser amarga…
É o coelhinho da Páscoa, que foi com o Vice ao circo, onde há palhaços…

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Haja paciência para entender o que é sustentabilidade!

Segundo a proposta do Orçamento de Estado para 2014, as pensões vão subir 0,25% em 2014, o que representará um aumento de poucos euros no rendimento mensal dos cidadãos pensionistas.
A Comissão Europeia aplaudiu o projeto de lei de reforma das pensões aprovado pelo governo espanhol. A nova legislação introduz o fator de sustentabilidade e estabelece a revalorização do sistema de Segurança Social não vinculado diretamente à inflação.
“Saudamos e apoiamos os planos do governo espanhol de complementar as reformas recentes do sistema de pensões com uma atualização da fórmula da indexação das pensões e a introdução do fator de sustentabilidade”, disseram fontes comunitárias.
A aplicação do fator de sustentabilidade pretende adequar as pensões à esperança média de vida dos beneficiários, considerando que se os espanhóis vivem cada vez mais, a quantia da reforma deve modelar-se em função do tempo quando se for beneficiar desta, explica o Expansíon. Assim, o fator começará a funcionar em 2019, será revisto automaticamente a cada 5 anos e será aplicado uma única vez nas novas pensões.
Em 2014, vai entrar em vigor a nova fórmula de revalorização das pensões: se a situação económica for má, as pensões sobem 0,25%, se for boa, a valorização será igual à variação anual da inflação mais 0,25%.
As fontes comunitárias defendem que estas “são novas medidas importantes para preservar a estabilidade do sistema de pensões, controlar o rápido aumento do gasto em pensões e fortalecer a sustentabilidade no longo prazo”.
Bruxelas pediu assim a Madrid a “rápida adoção e implementação das medidas propostas" no Orçamento do Estado espanhol para começarem a “ter um impacto já no próximo ano”.
Concluindo, há ibéricos e ibéricos e estaria tudo dito, mas…
Sobre a introdução do “fator de sustentabilidade”, deste lado da Ibéria já começou a ser aplicado em 2008, enquanto do outro lado só começará a ser implementado em 2019. Ou nós somos muito apressados e vamos à frente dos espanhóis no que à sustentabilidade das reformas diz respeito ou eles são muito lentos, apesar do “sangue na guelra” que os identifica, sem que essa “lentidão”, que é mais justa, ponha em perigo a tal sustentabilidade do sistema. Aqui há gato, até pelos aplausos de Bruxelas…
Para aumentar as desigualdades de soluções para países vizinhos e Estados-membros da mesma UE, nuestros hermanos não foram castigados com o CES nem com a sobretaxa especial. E ainda… o Estado garante que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica, dependendo da inflação, mas no mínimo 025%. E ainda… nunca poderão ser congeladas.
Para cúmulo, a Ministra do Emprego e da Segurança Social comunicou todas estas “regalias” a cada reformado, pessoalmente, por carta, com “un cordial saludo”, em conjunto com outra carta onde comunicam o aumento específico de 2014.
Qualquer semelhança com a parte mais ocidental da península é mera ficção.
Qualquer diferença com a parte mais oriental é uma real imposição de Bruxelas (na troika), que nos coloca no continente africano…
O que é que devemos chamar a isto? Justiça? Discriminação? Rigor? Embuste?
Discriminação é de certeza e que hay gato, hay!
Imagem recebida por mail

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O centro-direita é bom a ir ao bolso dos indefesos!

“O socialista é muito bom a gastar o dinheiro dos outros, mas quando acaba o dinheiro chamam-nos a nós e a vocês para compor as coisas”, disse, suscitando grandes aplausos numa plateia formada por dirigentes e militantes do Partido Popular (PP) espanhol.
“Os socialistas tendencialmente gastam e a nós toca-nos poupar”, disse ainda, referindo-se às próximas eleições europeias e perguntando se os eleitores devem votar “nos que causaram o problema ou nos que tiveram a ingrata tarefa de resolver a solução”. Paulo Portas falava na Convenção Nacional do Partido Popular (PP), sob o lema “Espanha na boa direção”.
Portas deixou uma mensagem de defesa da unidade também a nível europeu, criticando os que tentam dividir o norte e o sul do continente com “preconceitos culturais”.
Para o presidente do CDS-PP, “não há 2 países iguais. Nós somos vizinhos e diferentes. Uma crise de dívida é muito dura, mas uma de preconceitos culturais é muito mais dura”. “Não gosto dos discursos que querem dividir a Europa entre os do norte, que trabalham, e os preguiçosos do sul”, afirmou.
14 polícias ficaram feridos com ferimentos ligeiros e 15 pessoas foram detidas, entre eles, há 2 menores e 3 mulheres adultas, durante um protesto em Madrid, contra a privatização da empresa de serviços municipais de Alcorcón e contra o despedimento de 19 estagiários camarários.
Segundo fontes autárquicas os incidentes começaram quando um grupo de pessoas "espalhou sacos de lixo" em frente das forças de segurança.
Milhares de manifestantes desfilaram nas ruas de Lisboa e outras cidades do país em mais um dia de luta contra a austeridade, o empobrecimento da população e para exigir novas políticas económicas e sociais.
Veja alguns governos que mudaram com a crise na Europa
1 - O ex-Primeiro-ministro da Islândia Geir Haarde (do centro-direita) foi o primeiro atingido pela crise económica, renunciou em janeiro de 2009, no meio de altos índices de desemprego na ilha e escândalos no sistema bancário e substituído por Jóhanna Sigurðardóttir do Partido Social-Democrata;
2 - O ex-Primeiro-ministro britânico Gordon Brown (trabalhista) renunciou ao posto em 2010 após perder as eleições para o Parlamento para David Cameron do rival Partido Conservador;
3 - Em janeiro de 2011, o então primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, do partido de centro-direita Fianna Fail, renunciou após perder as eleições legislativas. Cowen foi substituído por Enda Kenny, do partido Fine Gael, de centro-direita;
5 - Em Portugal, o então primeiro-ministro socialista José Sócrates renunciou em março de 2011. A direita venceu as eleições legislativas realizadas em junho, e o liberal Pedro Passos Coelho assumiu o cargo de primeiro-ministro em coligação com os Democratas-cristãos;
6 - Na Grécia, o socialista Georges Papandreou renunciou em novembro de 2011, sendo substituído por Antonis Samaras, do partido conservador Nova Democracia, formando uma coligação com os mesmos socialistas;
7 - O ex-Primeiro-ministro espanhol, socialista, Zapatero perdeu as eleições legislativas para o conservador Mariano Rajoy, em novembro de 2011, no meio de um país devastado por dívidas, crise na banca e altos índices de desemprego;
8 - O ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi renunciou em novembro de 2011 e foi substituído por Mario Monti; 
9 - Em março de 2012, a Eslováquia realizou eleições legislativas antecipadas após a queda do governo de centro-direita de Iveta Radicova, em outubro de 2011 sendo substituído pelos Sociais-democratas;
10 - O ex-primeiro-ministro holandês Mark Rutte, liberal, em abril de 2012 apresentou a renúncia do seu governo minoritário de centro-direita, vencendo as eleições seguintes;
11 – Em Abril de 2011 as eleições legislativas na Finlândia deram a vitória à Coligação Nacional que terá um governo de coligação com os conservadores e o Partido Social Democrata;
12 -Após 10 anos de sucessivos governos de centro-direita, a oposição de esquerda chegou ao poder na Dinamarca liderada pela social-democrata Helle Thorning-Schmidt;
13 – Na França, em 2012, Nicolas Sarkozy, de centro-direita, perdeu as eleições para o socialista François Hollande;
14 - Na Noruega, a coligação de centro-direita, liderada pelo Partido Conservador (Høyre), ganhou a eleição, e a líder, Erna Solberg, será a nova Primeira-Ministra. Pela 2.ª vez a Noruega terá um primeiro-ministro de um partido conservador desde 1990.
15 – No Reino Unido, o conservador David Cameron ganhou as eleições, substituindo o trabalhista Gordon Brown e fez coligação com os liberais democratas;
16 – Na Holanda o VVD e os Trabalhistas foram os grandes vencedores das eleições antecipadas de 12 de Setembro.
Paulo Portas não é politicamente ignorante e sabe que entre a social-democracia e o socialismo democrático não há diferenças.
Paulo Portas sabe, por saber da história recente, que o aumento das dívidas não é coincidente com o despoletar da crise e tem cerca de 30 anos, perpassando por todas as ideologias e partidos que governaram durante esse lapso de tempo.
Paulo Portas sabe, por experiência própria, que o despesismo com a compra de 2 submarinos (1.000 milhões de euros), da sua responsabilidade, foi pré-pago por um governo socialista, que aumentou o défice em 2010 e que juntamente com a nacionalização da fraude do BPN empurraram para o pedido de resgate.
Se recorrermos à maioria das eleições depois da crise, é difícil saber se foram os socialista, os sociais-democratas, os centristas, os de centro-direita ou os de direita, que gastaram o dinheiro dos outros…
Se tivermos em conta que, durante a crise, as “ideologias” uma vez no poder alinharam todas pelo “pragmatismo” da austeridade, desviando-as da sua matriz político-ideológica e roubando a torto e a direito aos mais pobres para pagarem as fraudes dos bancos e as dívidas privadas, só podemos concluir que Paulo Portas quer vender gato por lebre, numa tentativa de nos fazer esquecer que está num governo de coligação (com um partido social-democrata) há 2 anos e meio, que é responsável por todas as injustiças sociais que tem apadrinhado, mesmo como democrata-cristão, coisa que nem o Papa lhe perdoará…
Dizer o que disse em Espanha, que para ele e Rajoy vai na boa direção, diante de um PP envolvido em escândalos de fraudes cometidos pelos seus 2 últimos líderes e muitos mais, não deixa de ser caricato. O que devia dizer é que em Espanha, os Populares gostam de se apropriar do dinheiro do povo (e os bancos também)…
E por isso é que, em Espanha e em Portugal, à mesma hora, o povo se manifestava pela enésima vez contra os salvadores das pátrias, à custa do gosto pelo roubo do pouco dinheiro dos pobres, dos “preguiçosos” Funcionários Públicos e dos indefesos Reformados…
Não há pachorra para tanta demagogia
Que os eleitores não lhe perdoem!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mais um rico menu cultural que sobrevive à pobreza…

Luís Diamantino, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, apresentou, o 15.º “Correntes d’Escritas” – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica.
O evento irá realizar-se de 20 a 22 de fevereiro, no Axis Vermar Conference & Beach Hotel, na Póvoa de Varzim. “A organização entendeu, para não sacrificar mais o público-leitor, concentrar todas as atividades no Axis Vermar, onde teremos 600 lugares para se sentarem”, explicou Luís Diamantino.
Sobre a programação do evento, o Vereador disse que “há sempre uma coluna vertebral nos acontecimentos”, e ao completar 15 anos, “mantivemos as mesas, as idas às escolas e as escolas que vêm até nós, o teatro, as exposições, a Revista, tudo isso acontece”.
A Conferência de Abertura é sempre um momento marcante do programa e “O Sr. Professor Doutor Adriano Moreira não vai fugir à regra, é uma personalidade incontornável na cultura, e todos os que assistirem à sua conferência vão sair de lá mais conhecedores, e com uma visão mais completa do que é ‘A Língua e o Saber’”, constatou.
Em relação aos mais de 60 escritores participantes, o autarca realçou que “nenhum dos elementos que aqui vamos ter é pago. Estão cá de forma graciosa e com uma entrega total”.
Esta edição mantém os 4 Prémios Literários, cujos vencedores serão anunciados na Cerimónia de Abertura, no Casino da Póvoa.
A Revista Correntes d’Escritas, “uma forma de homenagem a vultos da nossa literatura”, homenageia, este ano, Maria Teresa Horta, “uma amiga e cúmplice do Correntes d’Escritas”.
Para assinalar os 15 anos, os temas das Mesas “foram pensados de modo a que estas falassem de correntes”, realçando que “temos mesas muito boas, com muitos participantes e muito bons”.
Conversas a 2 é uma novidade desta edição. Aproveitando a reedição de 3 obras no evento, 2 autores vão estar 30 minutos à conversa, como será o caso de Eduardo Lourenço e Almeida Faria, “dois conversadores natos”, à conversa a propósito do livro ‘Lusitânia’.
Serão apresentados no 15.º Correntes d’Escritas mais 13 obras, em 1ª edição, e 2 projetos, uma revista – FLANZINE –, que ainda não completou 1 ano de vida, e uma editora – Cama-de-gato –, que nascerá no momento da sua apresentação, com o lançamento de 3 livros.
Haverá ainda uma Oficina de “Escrita para cinema”, em colaboração com a Terra Firme, com o realizador António-Pedro Vasconcelos. Do programa consta, ainda, uma exposição de 3 fotografias de Amaral Bernardo sobre a apanha do sargaço em Aver-o-Mar.
À semelhança do que aconteceu na edição anterior, a Fundação de Serralves irá colaborar com o Correntes d’Escritas com a exposição “As palavras em liberdade na coleção de E. M. de Melo e Castro”, que será inaugurada no dia 20 de fevereiro, no Museu Municipal.
“Tal como ano passado, haverá intervenções poéticas pelas ruas da cidade, pelos cafés, restaurantes e também no metro. A Associação Empresarial também vai disponibilizar o comboio turístico para que os diseurs de poesia se desloquem pela cidade, que estará também disponível para levar as pessoas aos restaurantes no centro da cidade, à hora do almoço”, esclareceu Luís Diamantino.
O Cineclube Octopus e o Varazim Teatro irão, uma vez mais, colaborar com a exibição de um documentário sobre Mário Cesariny e leituras de poesia em Escolas do 1º Ciclo e Centros de Dia, respetivamente.
Sobre a ida dos escritores às escolas, Luís Diamantino contou que “há escritores que, uma primeira vez que vão às escolas, pedem-nos sempre para voltar” e o mesmo acontece com os alunos que dizem que “adoram” o encontro com os escritores, salientando a recetividade das escolas para aproveitarem o facto de terem tantos e tão bons escritores juntos na nossa cidade.
O autarca reconheceu que, com o Correntes d’Escritas “a Póvoa lucra, todos lucramos” e informou que o Correntes d’Escritas terá um custo de cerca de 50.000 euros, sendo que o Instituto do Turismo de Portugal apoia em 50 a 75% os custos do evento.
Poderá visualizar ou imprimir o dossiê de comunicação, disponível no portal municipal.