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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Quem responde pelos erros? Por que não os retificam?

“A Europa vai fazer cortes até morrer?” A questão levantada pelo Frankfurter Rundschau provoca desentendimentos dentro da troika de fundos de resgate internacionais (UE-BCE-FMI) e provoca verdadeiras batalhas de pareceres e contra pareceres entre a Comissão Europeia e os economistas do Fundo Monetário Internacional.
O centro da disputa, explica o Rundschau, é o “multiplicador”, esse número que indica até que ponto uma política de austeridade pesa na economia de um país. Se uma redução de despesa pública de 1 euro provoca a diminuição do PIB em 1 euro, o multiplicador é, então, estimado em 1. Mas se é de 2, os cortes orçamentais asfixiam a economia e provocam um aumento do défice, porque diminuem as receitas fiscais; se é de 0,5, tem pouca influência na saúde económica e a austeridade é uma boa solução para o Estado.
O problema é que 2 economistas do FMI descobriram que os pareceres feitos sobre os países europeus em crise subestimaram constantemente o famoso multiplicador, sobretudo no caso da Grécia.
A Comissão Europeia respondeu imediatamente com um contra parecer segundo o qual economizar é bom.
Poderá ser restabelecida a paz dentro da troika? Para isso é preciso esperar pelo fim da atual recessão para que os números reentrem na ordem, escreve o Rundschau.
Restará depois aos políticos escolherem a teoria que lhes convém.
Ainda bem que se multiplicam as opiniões contraditórias sobre os “multiplicadores”, que tem consequências no dia-a-dia dos cidadãos e contribuintes e no mal-estar das sociedades apanhadas nas teias técnicas dos nossos salvadores…
Ainda bem que a própria troika se divide sobre o “efeito borboleta”, o que nos pode tirar deste caos, se houver rigor e honestidade intelectual e técnica e o justo recuo do método…
Ainda bem que não posso dizer muito mais, por impreparação técnica, mas o conceito de cidadania obrigam-me a não deixar passar a notícia (não divulgada por cá), os antecedentes do FMI e da Comissão Europeia, a reafirmação do erro crasso pelo FMI e a opinião de um académico (mais um), que arrasa a austeridade que nos foi imposta e que pergunta: “Quem responde pelos erros?”
Tenhamos ainda a esperança e a convicção de que haverá um remedeio, já em 2013, que ajude a ajudar os inocentes punidos…
É caso para dizer que caixa com caixa se paga. Depois da polémica caixa sobre multiplicadores orçamentais que integrava o relatório do FMI, publicado em Outubro, sobre as perspectivas económicas mundiais, na qual se defendia que a austeridade estava a roubar mais ao crescimento do que o previsto, a Comissão Europeia usou também uma caixa do seu relatório semestral para analisar o tema. E o que diz? Essencialmente que os multiplicadores orçamentais estão bem calculados e que, portanto, não é verdade que tenham subestimado os efeitos da austeridade.
O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard, voltou a apontar a existência de um erro nos multiplicadores usados pelo fundo para calcular o impacto recessivo das políticas de austeridade. Os novos cálculos de Blanchard detectam um erro ainda maior do que o alarme também lançado por ele em outubro sobre o mesmo tema.
Num documento de trabalho assinado conjuntamente com um outro economista do Fundo, Daniel Leigh, Blanchard admite agora que o multiplicador de 0,5 utilizado em todas as projecções do FMI possa pecar grosseiramente por defeito.
Blanchard e Leigh não atenuaram as alarmantes hipóteses emitidas em outubro, antes as radicalizaram. Segundo o diário norte-americano Washington Post, trata-se de um "espantoso mea culpa do economista-chefe do FMI sobre a austeridade".
Anisuzzaman Chowdhury, professor de Economia da Universidade de Sidney Ocidental, Austrália, afirma que "a probabilidade de sucesso de um programa de ajustamento é de 19% dos casos ocorridos desde 1970 nos países da OCDE". A "austeridade expansionista" é controversa e o erro do multiplicador foi grave
O erro do FMI ficou famoso em outubro passado quando Olivier Blanchard, conselheiro económico do fundo e diretor do Departamento de Investigação, reconheceu no "World Economic Outlook" que o multiplicador orçamental era muito mais elevado do que se pressupôs no desenho dos programas de gestão da crise das dívidas soberanas nos países da zona euro, onde o FMI interveio integrado na troika.
"Não foi dito que as estimativas eram derivadas de uma metodologia informal. Pelo contrário, foi dada a impressão de que se tratavam de estudos rigorosos confirmando resultados empíricos de que os multiplicadores orçamentais eram mais pequenos", prossegue Chowdhury, economista nascido no Bangladesh, que, em setembro passado, contestou a robustez da evidência empírica da convicção da "austeridade expansionista" na "Economic and Labour Relations Review". Antes da Austrália, Chowdhury já lecionou em vários pontos da Ásia e da América do Norte e é membro do Center for Pacific Basin Monetary & Economic Studies, do Banco da Reserva Federal de São Francisco.
O erro do FMI foi entretanto "esquecido" e sobretudo acantonado na ideia de que se tratou de um "erro técnico" separado das políticas em que se inseriu. Chowdhury é particularmente crítico desta postura: "Não é possível separar os erros técnicos das políticas mais amplas. Quem é que assume a responsabilidade dos erros?".
O economista asiático discorda da estratégia de gestão da crise das dívidas seguida pela troika, tanto pelo FMI como pelos europeus: "Não seguiram o melhor caminho. Deveriam ter começado com um plano de alívio da dívida em vez de imporem mais empréstimos com a condicionalidade dos ajustamentos estruturais. Querer fazer reformas profundas durante uma recessão é como pedir a uma pessoa que se está a afogar para aprender a nadar, em vez de a salvar primeiro".

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