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terça-feira, 18 de março de 2014

Quem disse que o governo não bate o pé à Merkel?

O secretário de Estado português dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu em Berlim que a Alemanha precisa de realizar "muitas das reformas estruturais" que Portugal fez recentemente, para aumentar a competitividade ao nível dos serviços.
"Todos sabemos a força do setor industrial alemão", com empresas "extremamente competitivas nos mercados globais e extremamente inovadoras", mas o setor dos serviços "não é competitivo do mesmo modo", afirmou Bruno Maçães no encerramento do II Fórum Luso-Alemão, que decorreu na capital alemã. "Parece-me claro que, sobretudo no setor dos serviços, há muitas reformas que a Alemanha precisa de fazer", defendeu.
O governante, que viveu na Alemanha durante 4 anos, apontou como exemplos "as barreiras à entrada de novos competidores, a resistência à concorrência, os obstáculos de regulação, a fraca produtividade de firmas de advogados e farmácias". "Isso cria desequilíbrios na economia alemã e na economia europeia", afirmou Maçães, que na sua intervenção salientou que este assunto não diz respeito apenas à Alemanha.
"Um setor de serviços mais aberto e competitivo teria mais investimento, mais empresas novas, o que levaria os trabalhadores menos qualificados do setor industrial a mover-se para o setor dos serviços. O setor industrial alemão subiria na cadeia de valor e países como Portugal teriam oportunidades em atividades onde a indústria alemã deixaria de operar. A produtividade subiria na Alemanha e em Portugal", salientou.
Para o responsável pela pasta dos Assuntos Europeus, os Estados-membros da União Europeia deveriam criar um "espaço de comunicação livre e aberto" das políticas públicas. "Não se trata de criar políticas públicas comuns, mas de criar um espaço onde as diferentes políticas públicas estejam em consideração", disse Bruno Maçães, acrescentando: "Eu não acredito num Estado comum europeu nem em Estados que vivem separados na sua soberania".
O mecanismo que propõe pretende "garantir que a reforma estrutural da economia europeia é feita em conjunto", considerando que a "crítica construtiva e honesta" e a "aprendizagem com outros exemplos" deveriam fazer parte do normal funcionamento da União.
O secretário de Estado defendeu a necessidade de "adotar uma lógica preventiva: até agora, as reformas estruturais são feitas numa situação de emergência ou então são adiadas permanentemente". Por outro lado, há que resolver o "problema político", reduzindo "os custos das reformas no curto prazo e garantir que as vantagens não existam apenas no longo prazo, para além do ciclo eleitoral".
Por fim, o novo mecanismo "tem de funcionar numa lógica de responsabilidade coletiva", afirmou, argumentando que "os custos têm de ser partilhados porque as vantagens, numa economia integrada, serão partilhadas".
Ora tomem, que é para aprenderem!
Quem diria que um secretário de Estado português tinha a veleidade de, na Alemanha, dizer que muitas das reformas estruturais que Portugal fez recentemente, para aumentar a competitividade ao nível dos serviços, reformas essas que a Alemanha precisa de fazer…
Deve ter sido por tática, que apenas se referiu ao setor dos serviços, porque as diferenças noutros setores, em que estamos muito mais desfavorecidos, são gritantes e algumas até recentes, no que aos direitos sociais diz respeito. E quase que disse que numa economia integrada os sacrifícios sendo partilhados por todos, as vantagens também deverão partilhadas…
Mas seria pedir demais que dissesse todas as verdades na casa do anfitrião e “benemérito”…
Regista-se o desplante de um executivo de 2.ª categoria, que foi o primeiro a enxotar as moscas, por encomenda ou convicção, já que os “avançados” atiram todas as bolas para canto…

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