Na Administração Pública as funções de menor exigência e responsabilidade são mais bem pagas do que no sector privado, enquanto as funções de maior complexidade e exigência são menos valorizadas em termos salariais do que no privado. A conclusão é divulgada pelo Ministério das Finanças, de acordo com um estudo encomendado pelo Governo à consultora Mercer.
Nas funções de topo, as remunerações pagas pelo sector privado podem exceder, em média, 30% as praticadas no sector público. Nos cargos de direcção intermédia o sector privado “tende a ser mais competitivo”, mas esse diferencial tende a esbater-se quando se desce na hierarquia.
Na análise feita às profissões menos qualificadas, a Mercer conclui que há duas realidades. No caso dos assistentes técnicos e pessoal administrativo, os salários são superiores na administração pública. Já quando se passa para as profissões com conteúdos funcionais mais baixos (assistente operacional, operário e auxiliar) o privado paga melhor.

O estudo teve como base uma amostra de 554.362 trabalhadores do sector público e 38.325 trabalhadores de 289 empresas do sector privado. Não incidiu sobre os órgãos de soberania, não incluindo por isso deputados, juízes, membros do Governo e funcionários da Presidência da República.
O estudo, frisou fonte do Ministério das Finanças, “visa perceber o posicionamento relativo do sector público face ao privado”.
- Maioria dos funcionários públicos ganha mais do que no privado
- F. Pública: dirigentes ganham menos 30% que os do setor privado
- Trabalhadores mais qualificados ganham menos 30% no Estado do que no privado
- Enfermeiros ganham mais no sector público do que no privado, ao contrário dos médicos
- Estado paga melhor aos funcionários menos qualificados
- Oficiais das FA, PSP e GNR ganham abaixo do mercado, diz estudo
Antes da encomenda deste estudo, muita gente dizia à boca cheia, governantes inclusive (Paulo Portas foi o paladino), que os Funcionários Públicos ganhavam mais do que os do Setor Privado (para justificar os cortes salariais e confiscos), mesmo quando “avisados” de que tal conclusão empírica não era comparável, pelo enorme número de FP com habilitações superiores às dos privados, até surgir este documento, encomendado e com conclusões “credíveis”, que ao contrário do que se diz, contraria o “achismo” reinante e manipulatório…
Não li na íntegra o trabalho divulgado, mas com a leitura enviesada detetei de imediato, como o artigo regista, que havia alguns pormenores, que inviabilizam uma leitura objetiva, dando origem a várias interpretações, à vontade do freguês, que dão origem a contradições.
Em primeiro lugar, os dados referem-se a salários de 2011, sem terem em conta os cortes entretanto efetuados, o que quer dizer que nada tem a ver com a realidade no dia de hoje e por isso nada valem…
Em segundo lugar, o universo de ambos os setores trabalhados é imensamente diferente, maior no público, em que as tabelas salariais são rígidas e uniformes por categoria e menor no privado, em que há muitas exceções às tabelas salariais. Acresce que no setor privado existem bónus e regalias, que alteram (e de que forma) o salário nominal, que não devem constar dos números “oficiais” do estudo.
Em terceiro lugar, se entrarmos com a média dos salários de todas as funções, para podermos comparar duas empresas iguais, uma pública e outra privada, chegamos à conclusão de que, no que respeita às remunerações, no setor público é de 2.290 euros e no privado é de 2.200 euros, inferior ao público.
Mas se procurarmos a mesma média no que aos ganhos diz respeito, já encontramos 2.275 euros para o público e 2.994 euros para o privado, superior ao público. Penso que podemos concluir que os ganhos no privado, em média são bem mais altos do que no público, embora a remuneração seja ligeiramente superior no público (não nos esqueçamos dos bónus e regalias do privado).
Pelos títulos dos vários jornais, verificamos que há diferentes leituras e diferentes conclusões, com algumas contradições, que contrariam a decisão do governo de negociar rescisões indemnizadas com assistentes operacionais, operários e auxiliares, em que o privado paga melhor… Quererá dizer que vão recorrer a serviços privados para superar as falhas e pagarem mais, em benefício dos lucros dos privados?
Mas vem agora “a pergunta do macaco”: Serão os Funcionários Públicos que estão a “ganhar mais” ou os do setor privado que estão a “ganhar menos”? Se se quer igualar ambos os setores, por que igualar por baixo? Afinal, se a justificação para os salários exagerados dos nossos gestores é o da concorrência com os estrangeiros (mais baixos) por que não usar o mesmo critério para as restantes funções?
Curiosamente, constata-se que nem no público, nem no privado, aparece qualquer referência ao Salário Mínimo Nacional… Estanho!
Com a verdade (dos estudos “científicos”) nos querem enganar…
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