(per)Seguidores

sábado, 12 de novembro de 2011

Afinal as “palavras cruzadas” traziam a solução…

O grupo de trabalho devia entregar em 11-11-11 ao ministro Miguel Relvas um relatório sobre a definição de serviço público de comunicação social, mas o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares "adiou [o prazo] para segunda-feira", 14 de Novembro.
Coordenado pelo economista João Duque, o grupo de trabalho integra António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco. Fizeram ainda parte deste grupo Francisco Sarsfield Cabral, João do Amaral e Felisbela Lopes, que se demitiram, os dois primeiros em outubro, a terceira na quarta-feira.
Felisbela Lopes indicou que se demitiu no final de uma reunião do grupo de trabalho, por discordar da menor importância dada à informação na "quinta versão" do documento. "Não posso assinar um documento que não considera importante a informação no serviço público. Este documento defende a redução da informação na RTP. Não posso assinar um documento que defende o encerramento da RTP Informação", justificou a professora e investigadora da Universidade do Minho.
Já João do Amaral, antigo diretor de informação da Rádio Renascença, disse que o plano de sustentabilidade financeira da RTP já "prevê grande parte das medidas de serviço público", pelo que não "fazia sentido" continuar no grupo de trabalho.
Francisco Sarsfield Cabral indicou que já tinha dado os seus "contributos" ao grupo. "Fiquei espantado por haver já decisões" antes do grupo de trabalho ter concluído o documento final, adiantou Sarsfield Cabral, lembrando que não concorda com a existência de mais um canal de televisão comercial.
No despacho constitutivo do grupo de trabalho, o Governo comprometeu-se a "repensar o posicionamento do Estado, como operador, neste âmbito, tanto ao nível do Grupo RTP como da Lusa, Agência de Notícias de Portugal, S.A.", considerando "indispensável ponderar e estabelecer uma adequada definição de serviço público que abranja os três segmentos do sector ainda sob tutela estatal, a saber, o da rádio e televisão e o da agência noticiosa".
O adiamento do prazo de entrega do Relatório entende-se perfeitamente, por ser a tal data mágica do 11-11-11, quando ainda por cima se “aprovava” o OE2012 e se proporcionava mais um fim de semana para uns retoques…
Quando tomei conhecimento de que um grupo de experts ia rever a “definição de SERVIÇO PÚBLICO de comunicação social” pensei logo que seria para retificar alguns desvios e enriquecer o conceito para consequentemente se implementar outra prática, mas logo que vi que o respetivo Coordenador era economista (embora não seja, mas licenciado em Organização e Gestão de Empresas) fiquei meio desconfiado sobre o verdadeiro objetivo, quando havia outros nomes mais credenciados para a função.
Entretanto, enquanto se reunia o grupo e logicamente antes das conclusões, já o ministro falava na privatização da RTP, o que me deixou com a pulga atrás da orelha e foi só esperar até ontem.É natural que em qualquer grupo de trabalho haja divergências e demissões, mas é sempre bom conhecer os motivos para melhor entendermos as conclusões. E vejamos:
Felisbela Lopes, provavelmente a mais qualificada academicamente, alegou que não podia assinar um documento que não considera importante a informação no serviço público… Nem ela, nem ninguém compreenderá que um meio de comunicação social não dê notícias, sobretudo sérias e isentas de ruídos de interferências…
João do Amaral, cedo percebeu que era do plano de sustentabilidade financeira da RTP que se tratava e que esse já previa grande parte das medidas de serviço público e não quis contribuir para que continuasse a chover no molhado… Se estou a interpretar bem, só vem dar razão às minhas meias desconfianças…
Francisco Sarsfield Cabral, apesar de dizer que já tinha dado o que podia e sabia para aquele peditório, não deixou de dizer o mais importante, na minha perspetiva, denunciando que já havia decisões, mesmo antes do grupo de trabalho ter concluído o documento final… E acabaram-se as minhas dúvidas!
Se o despacho constitutivo do grupo de trabalho dizia que o Governo se comprometia a repensar o posicionamento do Estado, como operador, percebe-se que se referia à “reestruturação” (leia-se, cortes e despedimentos para privatizar), embora com o isco da tal adequada definição de serviço público, para a rádio, a televisão e a agência noticiosa, que para já se fica pela RTP…
Claro que ainda não acredito que a privatização se venha a dar nos próximos tempos, pelas razões que elenquei no post abaixo, mas sobretudo por outros poderes que o SERVIÇO PRIVADO tem, cada vez mais…

4 comentários:

  1. O Corta-Relvas é um trauliteiro vaidoso.Um troca-tintas como o seu patrão. Entreve-se nos últimos tempos a brincar com os subsídios da FP. Filho da mãe!

    ResponderEliminar
  2. maria
    Em tempos chamavam ao Guterres, "o picareta falante", mas estava a léguas deste iluminado, que andou perdido nas brumas da crise e agora sabe tudo, tudo, tudo, seja do que for.
    É muita cultura e inteligência, que nos intimida...

    ResponderEliminar
  3. Será porque as "conclusões" ainda precisam de mais uma limadela?!

    ResponderEliminar
  4. Félix da Costa
    Se vão na 5ª "conclusão" é por que estão a "negociar"...

    ResponderEliminar