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quinta-feira, 6 de junho de 2013

O cidadão não quer, ELES SONHAM e a obra aborta…

A chanceler e o Presidente desejam instaurar um governo da zona euro. A ideia corresponderia a uma alteração da estrutura da UE, considera a imprensa dos 2 países. Desde que o entendimento entre os 2 seja duradouro.
Angela Merkel e François Hollande reconciliaram-se. O “contributo franco-alemão”, anunciado em 30 de maio, assinala a adesão da chanceler alemã às propostas do Presidente francês sobre a governação da zona euro. Para o diário económico Les Echos,
é a primeira vez que Angela Merkel adota tão claramente a tese francesa sobre a necessidade de cooperação em matéria de políticas, com vista a fazer convergir as economias.
No seu editorial, o jornal Le Monde especifica as medidas contidas no texto:
A zona euro vai dotar-se de um presidente a tempo inteiro, que será encarregado de coordenar as políticas orçamentais e sociais dos 17 membros da união monetária europeia. Trata-se de mais um passo no sentido da integração da zona euro. Esta dota-se da “segunda vertente”, tão cara a Jacques Delors. Um e outro avançam [para a cooperação] com segundas intenções. Para a Alemanha, essa evolução deve favorecer as reformas de estruturas destinadas a restabelecer a competitividade da Europa. Para a França, o governo económico deve contrabalançar o peso do Banco Central Europeu (BCE).
Na Alemanha, as reações da imprensa são pouco entusiastas.
A Spiegel Online refere que o Presidente francês optou pela “via da brandura” relativamente à chanceler alemã. O site deste semanário mostra-se no entanto cético quanto à tangibilidade de tal “viragem”, apesar de Hollande “se esforçar por estabelecer um entendimento franco-alemão”.
Para o Handelsblatt, o desejo de Angela Merkel e de François Hollande de criar o cargo de presidente a tempo inteiro e de pôr em prática um orçamento independente para a zona euro dá a impressão de “uma secessão secreta da zona euro em relação à UE”:
A maior surpresa é a criação de uma comissão separada para a zona euro, dentro do Parlamento Europeu, que teria a seu cargo o controlo democrático das novas estruturas da união monetária. Globalmente, a zona euro dá um enorme passo no sentido de cortar o cordão umbilical com a UE. Para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que tentou com todas as suas forças evitar este tipo de evolução, esta quinta-feira deve ter sido uma quinta-feira negra.
Por seu turno, o Frankfurter Allgemeine Zeitung considera que François Hollande se tornou, desde há muito tempo, um “mestre em duplicidade”:
Na cena europeia, afirma o seu empenho nas reformas e no rigor orçamental, mas, quando se trata do seu país, não tolera os conselhos da Comissão Europeia. A longo prazo, isso não vai funcionar. A ofensiva europeia de Hollande só será coroada de êxito, quando ele se revelar um parceiro fiável.

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