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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Pobreza, cada vez mais, “obriga” a menos roupa

A Ryanair apresentou esta terça-feira o seu já famoso calendário para 2011, em que as hospedeiras se apresentam com menos roupa do que é normal. Tudo por caridade, claro.
Segundo o presidente da companhia aérea irlandesa, Michael O'Leary, cada calendário vai custar 10 euros.
A Ryanair espera angariar cem mil euros no total para a organização alemã «Tafel», que combate a pobreza, sobretudo nas crianças e nos jovens.
O primeiro calendário da Ryanair foi lançado em 2008.
Deus as abençoe, pelo acto de caridade, que as impele a fazerem como S. Martinho, que hoje se festeja.
A sério, é uma atitude, despida de preconceitos, a favor de um conceito humanitário.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A ciência pode ser ponte para Aproximar Culturas

Políticas científicas a favor do desenvolvimento durável deverão ser aplicadas nos domínios do ambiente, gestão de recursos naturais e na elaboração de estratégias de inovação, defendeu hoje a Directora-geral da Unesco, Irina Bokova.
Na sua mensagem, por ocasião da jornada integrada no Dia Mundial sob o lema: “A ciência pela aproximação dos povos e das culturas”, que se celebra hoje, a directora da Unesco sublinha que tal política visa evitar catástrofes e a aproximação dos povos. “O conhecimento científico deverá ser aplicado a favor do ambiente, gestão de recursos naturais e na elaboração de estratégias de inovação nos domínios da ciência e da tecnologia”, lê-se na mensagem.
O facto de a ciência e a tecnologia terem a capacidade para a aproximação dos povos na luta contra a alteração climática e em organizações de pesquisas nos domínios nucleares, bem como nos domínios da biologia, cultura e outros ramos, são aspectos que levam a aplicação de tal  política, refere o documento.
As políticas científicas abrangem também a diplomacia cultural aliada às estratégias de desenvolvimento, lê-se na mensagem. “Estou convencida que devemos contar com o poder da ciência para aproximar os povos e as culturas”, finalizou Irina Bokova.
Num conceito abrangente de Cultura, a ciência, como tudo que intervém no quotidiano dos países e dos seus povos, fazem a aproximação dessas culturas e o reforço dos respectivos benefícios.
Claro que é preciso que o conceito de Cultura não seja o tradicional e redutor, que atribui mais valor ao “trabalho” da Cigarra do que ao da Formiga…

Norte continua a sofrer, mais do que o resto do País

As 571 empresas que encerraram no distrito de Braga este ano correspondem ao triplo das que fecharam portas em 2009, de acordo com dados dos representantes dos empresários e das comissões de trabalhadores.
A Associação Industrial do Minho adiantou que o encerramento destas empresas conduziu 24 mil famílias à pobreza (aumento de 20% dos novos pobres). O distrito contabiliza agora 660.000 desempregados.
«A culpa não pode morrer solteira porque foram os políticos que nos desgovernaram e os grandes grupos económicos que usaram e abusaram dos trabalhadores», afirmou José Augusto, da coordenadora das comissões de trabalhadores do distrito.
«Há gente que passa fome para poder pagar a renda de casa», atirou. Estas famílias, que têm entre 1 e 4o filhos, estão a recorrer a instituições para terem uma refeição quente por dia.
A economia do distrito de Braga perdeu quase 3.500 empresas nos últimos dois anos. As dissoluções naturais foram responsáveis pelo encerramento de 2.388 entidades empresariais e as insolvências impuseram o fecho de 1.108 empresas. Os encerramentos expressam o agravamento da crise, traduzindo um aumento global de quase 8 pontos percentuais face a 2008, sendo a subida mais acentuada ao nível das falências.
A coordenadora dos trabalhadores de Braga acaba de denunciar o aumento de mais 24.000 famílias do distrito que passaram a estar em situação de pobreza face ao ano passado. A grande maioria «são agregados com um ou mais filhos, que têm de recorrer às instituições sociais para terem uma refeição quente». Esta subida abrupta do número de pobres no distrito está directamente relacionada com o desemprego.
Continua a desigualdade social por regiões, com o Norte à frente, que é melhor dizer, a trás do resto do país, sem que os cidadãos portugueses do Norte, tenham feito algo para merecer esta distinção.
Já chegavam as desigualdades individuais, com toda a injustiça, para agora haver estas discrepâncias, sem que ninguém responsável faça algo para evitar tal “sorte”.
Venha a REGIONALIZAÇÂO, para não sermos desgovernados pela CAPITAL, que deo CAPITALismo já estamos fartos!
 Levanta-te e c(h)ora! Esta é a IGUALDADE nacional!

Macau: Aposta na Lusofonia, ou marketing Comercial?

Falar no papel que Macau tem na aproximação aos países lusófonos está na moda. Os líderes das províncias ou municípios chineses que Fernando Chui Sai On tem visitado destacam essa missão, o Chefe do Executivo também, sem esquecer o próprio presidente chinês, Hu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao.
A China tem um plano para os seus interesses em África e no Brasil. A mais recente decisão é a eventual entrada do Banco Comercial e Industrial da China (ICBC) no capital do Banco Comercial Português (BCP).
A China precisa de dar corpo aos milhões e milhões que investe anualmente em África, nomeadamente em Angola. O BCP, através das parcerias que tem nos países de língua portuguesa, pode ajudar a China a acentuar a sua presença. A experiência e conhecimento daqueles mercados do maior banco privado português, pode ser muito útil a Pequim.
É de uma forte e bem delineada estratégia que Macau necessita, para também tirar partido da sua ligação histórica com Portugal e os países de expressão portuguesa. A lusofonia em Macau não pode ficar apenas pelo que faz o Fórum ou pela realização da Festa da Lusofonia. O intercâmbio e a cooperação entre instituições académicas, a realização de iniciativas culturais que divulguem Macau em África e no Brasil e vice-versa, a criação de uma linha de crédito que ajude os empresários de um lado e de outro a fazer negócios. Estes e outros projectos ajudarão a consubstanciar a lusofonia. Fernando Chui Sai On deve ir mais longe e criar uma estrutura que trate destas coisas. Não se trata de substituir o Fórum, mas de pensar mais longe, de ter maior visão e ambição. E encontrar complementaridades, que contribuirão para reforçar a utilidade de Macau na grande nação chinesa.
Gilberto Lopes
Sem querer contrariar esta visão da Lusofonia, estou tentado em chamar a atenção para a moda de Macau ser a plataforma desta comunidade cultural, com o objectivo declarado e visível, de utilizar um território, um conceito e muita gente, apenas numa perspectiva comercial, económica e financeira, com proveito, quase exclusivo para a China.
Ou Macau, como plataforma, recebe e distribui as diferentes culturas aglutinadas numa língua, em benefício de todos os países lusófonos, ou passa a ser um monopólio univectorial, que acabará por morrer, por empobrecimento dos objectivos.
A lusofonia, ou é uma ideia multicultural, ou não tem nada de cultura, nem sequer de aculturação.
A festa, é cultura, a economia também pode ser, se for para todos.

O CONTRADITÓRIO, na visão de Líderes Católicos

Perante a falência dos actuais modelos económicos, que tem como principal reflexo o flagelo da pobreza, a Doutrina Social da Igreja procura oferecer pontos de referência claros, apelando à preservação do capital humano, fomentando o desenvolvimento integral da pessoa, trabalhando para a valorização do bem comum.
Estas ideias ficaram bem vincadas numa conferência sobre “Doutrina Social da Igreja, livre iniciativa e pobreza”, organizada pelo Acton Institute, em colaboração com o Instituto de Estudos Políticos, da Universidade Católica Portuguesa (IEP – UCP).
O evento contou com a participação de D. Filippo Santoro, bispo brasileiro que, no seu país, integra a Comissão Episcopal para a Doutrina; João Carlos Espada, director do IEP – UCP; Raul Diniz, professor de Comportamento Humano na Organização, Ética e Doutrina Social da Igreja; e o padre João Seabra, presidente da Associação Portuguesa para a Educação, Cultura e Formação.
Durante a sua intervenção, D. Filippo Santoro sublinhou que a mais-valia da mensagem eclesial, nos dias de hoje, está na consciência de que “o desenvolvimento económico vai para lá do material, tendo implicações relacionadas com a pessoa humana, ao nível cultural, social e espiritual”. Olhando para a realidade mais recente do seu país, o prelado brasileiro destacou o facto de “em 8 anos, mais de 24 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, e 31 milhões passaram para a classe média”.
Raul Diniz deteve-se mais no papel desempenhado pelas empresas, num mercado actual “onde a ética não domina o âmago das decisões negociais”. De acordo com o professor, as empresas podem ser, hoje em dia, “uma solução para o desemprego, para o crescimento dos mercados e florescimento da economia”. No entanto, para que isso aconteça, “não pode haver uma ética para a empresa e outra para a pessoa individual” criticou. O docente referiu-se ao princípio da subsidiariedade, uma das noções centrais da Doutrina Social da Igreja, e um aspecto fundamental na luta contra a pobreza e exclusão social.
O padre João Seabra deu como exemplo da aplicação do princípio da subsidiariedade a região italiana da Lombardia, onde o Estado, para além de “apostar na educação, abre portas à liberdade de investimento, levando a que a economia local seja suportada por pequenas e médias empresas, que se auto-sustentam”. Este é um dos exemplos em que a realidade socioeconómica se cruza com os valores defendidos pela Doutrina Social da Igreja, daí resultando o bem comum. No entanto, conclui o padre João Seabra, “a Igreja não tem soluções milagrosas, apenas procura colocar o coração de cada pessoa numa posição justa, para resolver o problema humano”.
Do que foi dito, regista-se uma visão comum sobre Economia, que é defendida, com propriedade, por Joseph Stiligtz e que sucintamente se sintetiza:
O desenvolvimento económico vai para lá do material, tendo implicações relacionadas com a pessoa humana, ao nível cultural, social e espiritual;
Não pode haver uma ética para a empresa e outra para a pessoa individual;
O Estado, para além de apostar na educação, deve abrir portas à liberdade de investimento, levando a que a economia local seja suportada por pequenas e médias empresas, que se auto-sustentem;
A Igreja não tem soluções milagrosas, apenas procura colocar o coração de cada pessoa numa posição justa, para resolver o problema humano.
Esperemos que os resultados não sejam reduzidos a um sermão aos peixes (gordos), que regra geral até são muito católicos, mas só ao Domingo, mais ou menos como os Fariseus.
Assim, o céu está longe, para os pobres (aqui) e para os ricos (na eternidade).

Só porque diz o que eu já disse ontem, mas…

Na opinião de António Vitorino, em Maio (quando se fez o primeiro pacote de austeridade) "deveríamos ter agido de outra maneira e de forma mais ampla".
É bom ver pessoas do quilate de Vitorino a dizerem coisas destas. Porque representam uma crítica à forma como o Governo conduziu as coisas. Mas vale a pena fazer uma pergunta: Porque é que Vitorino, e outras pessoas lúcidas do PS, não vieram a terreiro dizer isto em Junho… ou mesmo Julho? É que logo aí ficou claro que o Governo andava a empurrar com a barriga. Só não viu quem não quis!
Não conhecemos a resposta. Embora se possa especular: foi por solidariedade partidária? Se sim, foi um disparate: há muito que Vitorino mandou às malvas a política; o que lhe dá poder de intervenção. Foi porque alguns dos "lúcidos" não podem hostilizar o Bloco Central (negócios oblige)?
A atitude de Vitorino sintetiza o problema fundamental da política portuguesa: os "bons" estão do lado de fora; os "menos bons", e muitos medíocres, estão do lado de dentro (ou seja, existe um gravíssimo défice de qualidade na nossa classe política). E, salvo raríssimas excepções, os "bons" não põem o pescoço de fora para influenciarem o curso dos acontecimentos. Só falam à segunda-feira, quando toda a gente já conhece a chave do Totoloto.
É este défice de qualidade da classe política que está a atirar o País para um lodaçal, comprometendo o futuro. Valia a pena que os partidos (sobretudo os do poder) pensassem nisso, para ver se ainda vamos a tempo de dar a volta ao texto.
Ontem sobre o assunto, disse aqui, mais ou menos a mesma coisa sobre António Vitorino, uma das razões porque republico o tema, mas por outro lado para contrariar a generalização da ideia de que os “bons” estão do lado de fora e os “menos bons” e medíocres estão do lado de dentro.
Seria mais correcto dizer que, quem gosta de dinheiro, está do lado de fora, quase sempre (ou sempre) com um pé dentro, que sempre ajuda! Constata-se que também há competentes, que gostam de dinheiro e estão fora (poucos). Constata-se que quem está dentro, não é (só) por (in)competência, mas também porque gosta de dinheiro.
Toda a gente gosta de dinheiro, os caminhos e os montantes é que são diferentes (quando são)…

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Dívida é Soberana porque manda em nós?

De acordo com Jean Bodin, “Soberania” refere-se à entidade que não conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna.
Relaciona-se a poder, autoridade suprema,  independência  (geralmente do Estado). É o direito exclusivo de uma autoridade suprema sobre uma área geográfica, grupo de pessoas, ou o self de um indivíduo. A soberania sobre uma nação é geralmente atributo de um Governo ou de outra agência de controle política; apesar de que existem casos em que esta soberania é atribuída a um indivíduo (como na monarquia, na qual o líder é chamado genericamente de soberano).
Entende-se por soberania a qualidade máxima de poder social através da qual as normas e decisões elaboradas pelo Estado prevalecem sobre as normas e decisões emanadas de grupos sociais intermediários, tais como: a família; a escola; a empresa, a igreja, etc. Neste sentido, no âmbito interno, a Soberania Estatal traduz a superioridade das suas directrizes na organização da vida comunitária.
A soberania manifesta-se, principalmente, através da constituição de um sistema de normas jurídicas capaz de estabelecer as pautas fundamentais do comportamento humano.
No âmbito externo, a soberania traduz, por sua vez, a ideia de igualdade entre todos os Estados na comunidade internacional.
O conceito "soberania" é teorizado pelo francês Jean Bodin (1530-1596) no seu livro intitulado “Os Seis Livros da República”, no qual sustentava a seguinte tese: a Monarquia francesa é de origem hereditária; o Rei não está sujeito a condições postas pelo povo; todo o poder do Estado pertence ao Rei e não pode ser partilhado com mais ninguém (clero, nobreza ou povo).
Jean-Jacques Rousseau transfere o conceito de soberania da pessoa do governante para todo o povo (corpo político ou sociedade de cidadãos). A soberania é inalienável e indivisível e deve ser exercida pela vontade geral (soberania popular).
A partir do século XIX foi elaborado um conceito jurídico de soberania, segundo o qual esta não pertence a nenhuma autoridade particular, mas ao Estado enquanto pessoa jurídica. A noção jurídica de soberania orienta as relações entre Estados e enfatiza a necessidade de legitimação do poder político pela lei.
Elementos
É um poder (faculdade de impor aos outros um comando a que eles ficam a dever obediência), perpétuo (não pode ser limitado no tempo), e absoluto (não está sujeito a condições ou encargos postos por outrem, não recebe ordens ou instruções de ninguém e não é responsável perante nenhum outro poder).
Características
É una e indivisível (não pode haver dois Estados no mesmo território), é própria e não delegada (pertence por direito próprio ao Rei), é irrevogável (princípio de estabilidade política - o povo não tem direito de retirar ao seu soberano o poder político que este possui por direito próprio), é suprema na ordem interna (não admite outro poder com quem tenha de partilhar a autoridade do Estado), é independente na ordem internacional (o Estado não depende de nenhum poder supranacional e só se considera vinculado pelas normas de direito internacional resultantes de tratados livremente celebrados ou de costumes voluntariamente aceites).
Faculdades
Poder legislativo (fazer e revogar as leis), poder de declarar a guerra e fazer a paz, poder de instituir cargos públicos, poder de cunhar e emitir moeda, poder de lançar impostos e taxas, etc.
Limites
O poder político do Estado é absoluto dentro dos seus limites, sendo impossível um Estado arbitrário ou sem limites. O rol de limitações da soberania divide-se em:
Necessárias: decorrem da própria natureza da soberania, logo não pode transpor o direito, a moral, a família, a religião, os direitos individuais e a soberania externa.
Contingentes: originaram-se de circunstâncias variáveis como a época ou o tipo de sociedade.
Porque se fala muito em Dívida Soberana e venda/perda da Soberania, umas notas breves da Wukipédia, para nos situarmos no tema.
Curioso é na novilíngua neoliberal, se chame dívida Soberana, em vez de dívida Pública, para que nos convençamos, que a soberania mudou de paradigma… mas até quando vamos aceitar?

O CONTRADITÓRIO, por uma ex-Professora de Gestão

A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite disse que Portugal está a perder a sua independência quando vende os seus activos para pagar dívida, numa alusão aos acordos económicos com a China.
“Eu devo dizer que considero isso um sinal de perda de independência (…). Se eu estiver totalmente endividada e já não souber como pagar o que devo, eu começo a vender coisas, vendo as jóias, o automóvel, a casa, vou vendendo coisas para ir pagando, não tenho forma de obter receita para pagar o que devo”, começou por explicar Manuela Ferreira Leite, utilizando o exemplo da gestão doméstica de cada cidadão.
“Eu quando vejo os chineses a comprarem uma parte de um banco ou uma parte de uma empresa pública, sei que nós não estamos a fazer mais nada do que a vender os nossos activos aos estrangeiros”, apontou. “Melhor exemplo de perda de independência parece-me difícil de verificar”, realçou a ex-ministra das Finanças. “Estamos efectivamente a chegar a essa situação quando vejo estas vendas, ninguém nos vem comprar a dívida pelos nossos bonitos olhos”, alertou.
“É um ponto que considero altamente preocupante, mas sintomático e previsível que aconteça, portanto, aquilo que mais condeno na orientação política que está a ser seguida é não se fazer nada com previsão”, disse ainda.
Segundo Manuela Ferreira Leite, a solução para a crise em que Portugal está mergulhado “só pode ser alterando o modelo económico”, porque “se o modelo económico em que o Governo baseou toda a política chegou a esta situação só pode desejar-se que seja uma coisa diferente”.
Se Manuela Ferreira Leite não fosse ex-líder do PSD, seria ouvida como qualquer professora de economia, e de gestão, como uma técnica que sabe umas coisas sobre o que diz, porque tem obrigação de saber alguma coisa.
Se Manuela Ferreira Leite fosse uma Administradora de qualquer coisa, o que dissesse seria filtrado por quem a escutasse, tendo em conta os interesses que defenderia.
Seja quem for que diga o contrário do que nos dizem os pragmáticos e interessados nestes negócios, merece uma leitura e análise isenta, que é o que se chama de Contraditório. E por isso, a exposição do que não vai ser muito exposto nos nossos media, embora seja notícia, vinda de quem vem.
Tive sorte de MFL vir hoje dizer, mais coisa menos coisa, o que Louçã disse ontem, que poderia levar a pensarem que o blogue é faccioso.
Agora já sabem que contra facções é o lema e a prática, onde apenas contam os argumentos.

Um dilema, que a realidade projecta a opção

Em pleno Outono do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, a Europa em geral e Portugal em particular, mais do que se afirmarem pela resolução dos múltiplos problemas sociais que afectam os respectivos territórios, parecem apenas constatá-los em cenários marcados pelo agravamento de situações macro e microeconómicas, de desfechos imprevisíveis, a vários níveis: económico, financeiro, social, político, cultural, ético, cívico, humanitário.
Já todos sabemos que a “Pobreza” enquanto conceito evoluiu de uma perspectiva particular, com especial ênfase na ausência de rendimentos e recursos materiais adequados a uma vida aceitável, para uma perspectiva multidimensional onde se inserem as questões da desigualdade (rendimentos, género, raça, etnia, religião, crença, deficiência, idade, etc.) e da exclusão social (escassez de rendimentos, desemprego, dificuldades no acesso à educação e à saúde, más condições de vida, défices de participação social, etc.). Já todos sabemos também, de acordo com dados oficiais (Eurostat, INE, entre outros dados quantitativos e qualitativos fornecidos por múltiplas organizações que se encontram no terreno), que os grupos mais vulneráveis à “Pobreza” são os desempregados, os trabalhadores precários, os reformados, as pessoas com baixo nível de educação, formação ou habilitações, os deficientes e doentes crónicos, os toxicodependentes, as crianças de famílias com problemas de estruturação, entre outros.
O que nem todos sabemos é enquadrar estes conceitos e estes dados concretos nas circunstâncias que (n)os envolvem, sobretudo, no modelo económico e social das sociedades modernas, marcado por um forte capitalismo (neo)liberal potenciador do lucro exponencial de uns poucos e da sobrevivência subserviente de uma multidão. Além disso, os primeiros são, comummente, marcados com a etiqueta do sucesso, do esforço, do saber e do status social, e os outros com a etiqueta do insucesso, da preguiça, da ignorância e da sua culpabilidade perante a situação em que se encontram.
No meio destas forças e fraquezas económico-sociais, os estados “andam às aranhas”, numa azáfama de justificações e ilusões, tendentes, claramente, para a protecção do modelo vigente onde se premeia aquele sucesso de uns poucos e se culpabiliza aquele insucesso de uma enorme maioria. Senão, perguntemos: Quem está a pagar a actual crise gerada por aquele modelo?... Quem é responsabilizado?... Quem se atreve a contrariar os salários públicos milionários de certos administradores?... Quem ousa intervir nos salários dos gestores de empresas públicas?... Quem ousa questionar as nomeações milionárias para certos cargos públicos e de empresas públicas?... Quem ousa questionar os “arranjos multimilionários” das famosas parcerias público-privadas?... Quem contraria certas reformas milionárias?... Quem ousa mexer nos lucros exponenciais da Banca?... Quem ousa intervir nos inúmeros casos de ambiguidade contratual?... Quem vê ser responsabilizado algum sinal de corrupção e de clientelismo político-partidário?... Entretanto, sentem-se, claramente, cortes nos salários dos funcionários públicos, cortes nas prestações sociais, cortes nos subsídios de desemprego e nos rendimentos sociais de inserção, cortes nos apoios à natalidade, cortes nos que não têm voz, cortes nos que não têm o “tal” sucesso, cortes nos “tais” culpados, enfim, cortes nos pobres culpados “pobres”.
Não será necessário muito esforço intelectual para verificarmos que o “combate aos pobres”, essa imensa multidão obrigada a pagar uma crise que sustenta no poder e no luxo uma minoria “sui generis”, é uma realidade que parece teimar estar para ficar. Muitos discursos de “combate à Pobreza” que, amiúde, se ouvem por aí, não são mais do que opinião mediatizada para ocultar um poder executivo de “combate aos pobres”.
Perante tal panorama, se não repensarmos o modelo económico e social em que vivemos, com um exercício de verdadeira responsabilização das pessoas e processos que o minam, este combate desigual entre uma minoria que parece imune a tudo usufruindo das maiores benesses e uma maioria que parece ser a responsável por tudo quanto acontece de negativo, será sempre uma bomba relógio pronta a explodir, e com efeitos imprevisíveis. A segurança, a prosperidade e a paz social estão claramente em causa, não só dos pobres responsáveis “pobres” mas também dos efectivos responsáveis “ricos”. Avisos não vão faltando por aí. Seja como for, ainda quero continuar a acreditar que perante a disjunção combate aos “pobres” ou combate à “Pobreza” se opte, finalmente, pela melhor parte. Em favor do Bem Comum!...
Paulo Neves
Uma questão com a resposta, com que concordo a 100% e nem comento.

O CONTRADITÓRIO, por um Professor de Economia

Francisco Louçã, rejeitou a eventual venda de uma parte do porto de Sines a uma empresa chinesa, o que «destruiria a capacidade do país e da sua economia de fazer escolhas». Esta é a «última palavra» sobre «a decomposição política, económica e social do país».
«Já se atreveram a tudo» no campo das privatizações. «Mas o porto, um dos dois portos estratégicos do país, vendido a alguma empresa?» questionou. «Agora há uma empresa chinesa, que parece que quer comprar uma parte do porto de Sines», disse.
No âmbito da visita a Portugal de Hu Jintao, Basílio Horta, disse esperar que a China veja “um grande interesse” na plataforma logística do porto de Sines, ideia corroborada por Vieira da Silva.
«Já sabemos por que é que a ideia surge. A Grécia, quando estava estrangulada, foi aceitar vender a uma empresa chinesa uma parte maioritária dos seus portos, que são os maiores portos do Mediterrâneo», afirmou Louçã.
Na sua óptica, «agora a ideia é copiada, para que o Governo português proponha que empresas chinesas comprem uma parte do porto de Sines, ou seja, que destruam a capacidade do país e da sua economia de fazer escolhas sobre o seu trânsito e as suas ligações internacionais».
Por outro lado, Francisco Louçã rejeitou a eventual entrada da companhia eléctrica chinesa China Power International (CPI), que anunciou o interesse de entrar como accionista de referência no capital da EDP, confirmado pelo presidente executivo da empresa portuguesa, António Mexia.
«Uma privatização destrói a EDP, prejudica a energia do país», alertou Louçã. «Não somos daqueles que pensam que a privatização prejudica uma estratégia de desenvolvimento da energia, mas passa a ser boa se for uma empresa capitalista chinesa. Não pensamos que seja assim», adiantou.
Se Louçã não fosse líder do BE, seria ouvido como qualquer professor de economia, de macroeconomia, como um técnico que sabe umas coisas sobre o que diz, porque tem obrigação de saber alguma coisa.
Se Louçã fosse um Administrador de qualquer coisa, o que dissesse seria filtrado por quem o escutasse, tendo em conta os interesses que defenderia.
Seja quem for que diga o contrário do que nos dizem os pragmáticos e interessados nestes negócios, merece uma leitura e análise isenta, que é o que se chama de Contraditório. E por isso, a exposição do que não é muito exposto nos nossos media.