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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mais habilitações, melhores remunerações. Lógico!

Um estudo do Banco de Portugal, divulgado o ano passado, indicava que os Funcionários Públicos ganhavam mais do que os trabalhadores do Privado, uma diferença salarial na ordem dos 75%, dados de 2005. Uma conclusão contestada pelo economista Eugénio Rosa. "Não podemos separar os salários das qualificações. E o nível de escolaridade da administração pública é muito superior. O salário médio tem de ser superior porque a percentagem de trabalhadores com o ensino superior é cinco vezes superior ao do privado."
O vencimento médio mensal dos portugueses era de 892 € em 2009, segundo dados do Ministério do Trabalho e da Solidariedade. 
Público e Privado
Eugénio Rosa fez contas com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2005. Estes indicavam um rendimento médio anual de 9.335 € para os trabalhadores com o Ensino Básico: 1.º ciclo (antiga primária), 2.º e 3º ciclos, de 16.743 € para os que tinham o Ensino Secundário e de 28.538 € para quem possuía o Ensino Superior.
Habilitações
A maioria dos trabalhadores do Sector Privado (72,5%) tinha, em 2005, o Ensino Básico, e apenas 11% possuíam o Ensino Superior. Já a maioria dos Funcionários da Administração Pública tinha mais habilitações que a escolaridade básica, e 44% concluíram uma formação de nível Superior. 
Comparação
O economista ponderou o rendimento do Sector Privado com o Sector Público em relação à formação académica, tendo obtido "um valor médio global de 18.990 € anuais para a Administração Pública e de 12.906 € para o Sector Privado".
Conclusão
Portanto, "apenas pelo facto de a percentagem de trabalhadores com o Ensino Superior na AP ser muito superior ao privado, concluiu-se que o rendimento da função pública tem de ser 3,5 vezes superior ao do privado. Se utilizarmos o estudo do Banco de Portugal, a percentagem de trabalhadores com o Ensino Superior deveria ser 5 vezes superior ao privado", diz Eugénio Rosa. E, acrescenta, "o próprio estudo do Banco de Portugal reconhece que se a análise for feita por categorias se conclui que se verifica uma penalização salarial dos trabalhadores da Administração Pública."
Não sei se será pecado pensar que o estudo do BdP tinha como objectivo oculto, escancarar um escândalo sobre os vencimentos da Administração Pública, excluindo, seguramente, os quadros superiores, onde se situa a do próprio. Pelos vistos, o tiro saiu pela culatra.  
À parte a validade do estudo e das análises e com base nesta, conclui-se que de tanto se apelar à “formação para melhor remuneração”, quem contesta os salários da Função Pública em geral, agora tem que calar e arranjar melhores desculpas.
Pela boca morre o peixe…

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Outra Banca, outra postura ante a Pobreza

Numa altura em que banqueiro é provavelmente a profissão mais odiada do mundo, Muhammad Yunus é celebrado. Em vez de ser acusado de ganância desmedida, é elogiado pelo seu apoio aos "mais pobres dos pobres". O fundador do Grameen Bank e prémio Nobel da Paz em 2006 tornou o microcrédito global, ajudando milhões de pessoas no Bangladesh através de pequenos empréstimos.
Tudo começou com 19 euros. Em 1976, Yunus conheceu Sufia Begum, uma mulher pobre que vivia na província de Jobra, no Bangladesh. Sufia tinha de pedir empréstimos para comprar o bambu com que depois fazia cestos e peças de mobiliário. Como os bancos se recusavam a emprestar dinheiro aos mais pobres, ela tinha de recorrer a agiotas, que chegavam a cobrar 10% de juros por semana. Resultado: Sufia conseguia um lucro de pouco mais de um cêntimo por dia, num regime praticamente de escravatura. Na situação desta mulher estavam outras 41 da sua aldeia. Yunus decidiu emprestar-lhes um total de 27 dólares do seu bolso (19 euros) com juros baixos. Contra todas as expectativas, todas as mulheres pagaram o empréstimo.
"Nas minhas cadeiras na universidade lidava com milhões e biliões de dólares, mas ali, mesmo à minha frente, os problemas de vida e morte cifravam-se em cêntimos. Algo estava errado", recorda Yunus no seu livro "Banqueiro dos Pobres".
19 € a 8 mil milhões
Esta primeira experiência acabaria por se transformar no Grameen Bank, o maior banco do Bangladesh. Em pouco mais de três décadas, aquelas 42 famílias transformaram-se em quase 8.000.000 de pessoas e aqueles 19 € em 8.700.000.000 € emprestados. A média de empréstimo pedido é de apenas 158 €, com uma taxa de pagamento perto de 98%. O banco acredita que este sistema já retirou 12.000.000 de pessoas da pobreza, tendo sido criadas réplicas deste modelo em 100 países, do Zimbabué aos Estados Unidos.
Os esforços de Muhammad Yunus valeram-lhe o Nobel da Paz em 2006. "Todas as pessoas na Terra têm potencial e também o direito de viver com um mínimo de qualidade de vida. Em todas as culturas e civilizações, Yunus e o banco Grameen mostraram que até os mais pobres entre os mais pobres podem trabalhar para o seu desenvolvimento", considerou então o Comité Nobel.
Aos 70 anos, Yunus é um académico que não encontrava ferramentas na teoria económica para resolver o problema de pobreza que tinha à sua frente. O seu modelo é simples: emprestar dinheiro aos mais pobres, sem necessidade de garantias colaterais, confiando que eles pagarão o empréstimo. Quando tentou convencer os banqueiros a emprestar aos pobres na década de 70, estes disseram-lhe que não era possível. Quatro décadas depois, a crise financeira provou que Yunus tinha razão. Ao contrário dos gigantes financeiros, o Grameen quase não foi afectado pela crise. "O que é ser merecedor de crédito? São os grandes bancos com grandes clientes? Eles não conseguem reaver o dinheiro... enquanto os pobres, com pequenos empréstimos, sem garantias colaterais, estão a pagar cêntimo a cêntimo e a mudar de vida", afirmou Yunus no ano passado.
Elogio ao neoliberalismo?
No entanto, Yunus não tem sido imune a algumas críticas segundo as quais o seu modelo não retira famílias da pobreza, apenas dá a ilusão disso mesmo. Os pobres ficam presos num ciclo vicioso de endividamento, para o qual contribui o facto de as taxas de juro do microcrédito serem mais elevadas que o normal.
Além disso, alguns académicos discordam dos números apresentados pelo Grameen em relação ao número de pessoas que retiraram da pobreza, enquanto outros consideram que apoiar este sistema é concordar com o modelo neoliberal que defende que a pobreza não é um fenómeno com causas estruturais, mas depende de comportamentos individuais.
Duas coisas são certas: o sistema de Muhammad Yunus e do Grameen Bank têm ajudado a melhorar a qualidade de vida muitas famílias, mas dificilmente acabará com a pobreza no mundo.
Há sempre outro caminho, haja um bastão para apoio.
O microcrédito já não é exclusivo do Grameen Bank e já faz parte de muitos bancos comerciais em todo o mundo, quando incentivados por ONGs, ou Governos, como aconteceu em Portugal.
Há sempre outro caminho…
Há sempre outras posições…

O problema e a “melhor” solução. É só copiar!

O acordo entre o Governo e o PSD altera o OE em matéria de IRS e IVA e assume compromissos de avaliação das PPP.
Os 5 pontos do acordo, que mudam a proposta do Orçamento 2011:
1. IRS - Manutenção do actual esquema de deduções fiscais para as despesas das famílias com a educação, saúde e habitação com excepção dos dois últimos escalões de rendimentos mais elevados;
2. IVA - Aumento da taxa normal do IVA em dois pontos percentuais, para 23%;
3. IVA - Não alteração da composição actual dos vários grupos de produtos a que se aplicam a taxa reduzida, a taxa intermédia e a taxa normal, aos produtos alimentares e aos produtos para alimentação humana constantes das listas I e II dos anexos do Código do IVA;
4. Parcerias Público-Privadas - criação imediata de um grupo de trabalho, constituído por personalidades qualificadas, escolhidas de comum acordo, para a reavaliação de todas as Parcerias Público-Privas.
5. Pagamentos do Estado – “Garantir os mecanismos jurídicos, administrativos e procedimentais para o cumprimento efectivo do prazo de 60 dias no pagamento aos fornecedores”.
Pelos vistos, o resultado destas medidas, redunda num défice de 500.000.000 de euros, que o Ministro das Finanças diz que tem que ir buscá-los à despesa (quer dizer, aos “não devedores pagadores”).
Mas há já uma proposta, que parece fácil e rápida:
O economista afirmou ser uma "brincadeira de mau gosto" - numa crítica a Teixeira dos Santos - o facto de o ministro das Finanças não saber onde recuperar os 500.000.000 de euros que o entendimento com os sociais-democratas custou, tendo em conta um orçamento total de 75 mil milhões.
"Se os consumos intermédios não tivessem disparado absurdamente 15,8 por cento de 2009 para 2010 estávamos a falar numa poupança na ordem dos 557 milhões de euros. Façam o trabalho de casa e ponham a administração pública a viver como vivia em 2009. Não façam disto um drama.”
"Mas se não quiserem ir por aí apliquem a lei das transferências para as autarquias e regiões autónomas e só nas regiões autónomas vão tirar mais de 100 milhões de euros", exemplificou.
No entanto, deixa um apelo aos gestores públicos: "É altura de as pessoas com responsabilidade de gestão intermédia ou mais baixa na administração pública, com responsabilidades orçamentais, ajudarem o ministro", afirmou.
João Duque afirmou ainda não acreditar que a comitiva do PSD não tenha apresentado alternativas para os cortes de 500.000.000 de euros: "Eu fiz estas contas num espaço de uma hora".
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou que os 500.000.000 de euros serão compensados com medidas adicionais, a apresentar na discussão na especialidade.
Pelo menos nesta solução, o proponente não se lembrou de cortar nos salários, nem nas despesas das áreas sociais, se calhar por não ser político e ter usado apenas a veia técnica.
Graças a Deus que ainda há alguém com lucidez, bom senso, ou valores sociais, porque dos Partidos, é sempre do mesmo.
Esperemos que haja copianço…
Foto  

Parcerias de Políticas e Privados Portugueses (PPPP)

Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro
A forma como o Governo renegociou os contratos só vai dar lucro às empresas concessionárias e mais prejuízo ao Estado, porque o dinheiro das portagens não chega para pagar a renda anual aos Privados.
O negócio é classificado como «ruinoso» pelo maior especialista português em auditoria às Parcerias Público-Privadas (PPP). “É absolutamente relevante e quase escandaloso o risco que está a ser transferido para o Estado”, diz Carlos Moreno, ex-juiz do Tribunal de Contas Europeu e Português.
Enquanto não houve portagens, o Estado pagava uma renda variável aos Privados concessionários das SCUT, em função do volume de tráfego. Se houvesse pouco tráfego, o risco e o prejuízo eram do Privado.
Mas o Governo, para introduzir as portagens, renegociou os contratos. A renda a pagar aos Privados subiu e passou a ser fixa. Assim, o Estado fica com a receita das portagens, mas esse dinheiro não chega para cobrir a nova despesa, já que quem passa e paga nas SCUT, «não paga a totalidade, longe disso - 30 a 40%, da renda que a Estradas de Portugal (EP) vai pagar às concessionárias», disse o mesmo especialista.
Um negócio tipicamente ruinoso, obrigando os “utilizadores” a pagar as SCUT já pagas, pela UE e por nós, cedidas a Privados que não têm praticamente despesas (falo pela A 28, com cerca de 20 anos) e que recebem, não se sabe com que direito, portagens por utilização do que é Público.
Já chegava este contra-senso, para agora nos virem dizer que o negócio se virou contra os contratantes, gerando mais prejuízo do que anteriormente.
Irra!
Já sabem a solução? É difícil! Aumento das portagens, se não o Privado não dá lucro…
Como nos enganam com a treta do “menos Estado, melhor Estado” = “sacar ao Público, doar ao Privado”.
Irra! Irra! Irra!

Uma corrente de vontades, contra a “simpatia”

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) e as duas confederações de pais (Confap e CNIPE) vão lançar um "manifesto", antes da aprovação final global do Orçamento do Estado, contra os cortes no ensino.
"Afirmar que as verbas  para a Educação são um investimento e não uma despesa" será o princípio do documento. Trata-se de alertar os deputados para a possibilidade de haver escolas a "fechar portas", a meio do ano lectivo, se a proposta orçamental confirmar as intenções do Governo de reduzir em 720.000.000 de euros as despesas de funcionamento, explicou o líder da Fenprof, após reunião com as Confederações de Pais, Sindicato de Psicólogos, delegação nacional de estudantes e dirigentes da Frente Comum da Função Pública.
Todos os sindicatos de docentes apelam à participação na Manifestação Nacional do dia 6 e na Greve Geral do dia 24. Após essa data, voltam a reunir-se em plataforma para definirem uma estratégia conjunta de luta.
A presidente da CNIPE e o vice-presidente da Confap manifestaram-se preocupados com a possibilidade de, a partir de Janeiro, a taxa de abandono escolar voltar a disparar. Nas escolas, insistem, continuam a faltar professores e auxiliares - a Frente Comum, afirmou que nos quadros das escolas há uma carência de 6.000 Assistentes Operacionais (Auxiliares de Educação); a Fenprof assegura que a substituição de docentes de baixa está a ser travada e há Autarquias à beira da ruptura, que ponderam acabar com as Actividades de Enriquecimento Curricular.
Felicito a criação desta corrente entre Sindicatos de Professores e Confederações de Pais, que enterrando o machado de guerra, se dispõem a pegar na enxada, para plantar o futuro(?).
Já era tempo de se contrariar o paradigma de que a Educação não é investimento!
Já era tempo de denunciar a instabilidade que se vive nas escolas, por falta de Auxiliares de Educação.
Já era tempo de informar que a colocação e substituição de professores são demoradas e que os TE vão pagando a factura.
Já era tempo de acabar, ou reformular as AEC, que para além do emprego mal pago, não trazem mais-valia para os alunos.
Já era tempo de se desmontar os sorrisos de cera com que se “dirige” a Educação.
É sempre tempo…

domingo, 31 de outubro de 2010

Que droga de Vida e de (des)Governo!

Cortes na saúde levam à dispensa de precários.
200 Enfermeiros, Psicólogos e Assistentes Sociais que trabalhavam nas unidades do Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IDT), em situação de trabalho precário, foram dispensados, situação que pode colocar em risco o tratamento de alguns toxicodependentes, segundo o Presidente da instituição.
A saída dos profissionais surge no âmbito dos cortes de despesa no Sector da Saúde.
O Ministério da Saúde afirma que "confia na capacidade do IDT e dos profissionais de realizarem ajustamentos para que uma eventual redução de efectivos não corresponda à diminuição da capacidade de resposta e de atendimento".
A solução passa, segundo a tutela, pelas parcerias com os Centros de Saúde e o Sector Social.
Sublinhe-se:
1 – O Estado continua a “contratar” precários especializados e simultaneamente a dispensá-los, descartando-os, desumanamente;
2 – O Sector da Saúde é onde faltam mais profissionais para atender às necessidades dos utentes, se são médicos vêm de fora, se não forem, deitam-se fora;
3 – Os toxicodependentes, produto e parte da nossa sociedade, merecem o mesmo tratamento a que qualquer cidadão tem direito, no caso, por estarem a tentar recuperar, talvez mais;
4 – Cortar nas despesas, para os “inteligentes”, significa apenas cortar no número dos profissionais, ou nos seus salários e não na racionalização das mesmas, com medidas mais refinadas;
5 – Cortar no pessoal, para os experts, não corresponde à diminuição da capacidade de resposta, antes permite ajustamentos para menos fazerem mais;
6 – Finalmente a solução milagrosa: as parcerias! Nos Centros de Saúde, não se sabe se há cortes(?), no Sector Social temos a certeza e testemunhos de que haverá e fortes.
Fica assim resolvida a situação orçamentista e ficamos à espera do aumento de toxicodependentes na rua, calcorreando os mesmos caminhos da desesperança, que é de todos nós.
Agora, para além da responsabilidade do Governo deste PS, temos a “solidariedade” deste PSD...

OE – tecnicamente mau, politicamente horrível

À partida, "não é fácil" encontrar um vencedor e um vencido na "maratona negocial" de uma semana entre Governo e PSD, que culminou no anúncio de que o OE 2011 será aprovado com a abstenção do PSD. Mas, a prazo, é certamente o partido que apoia o Governo que vai ser "fortemente penalizado", porque será quem vai aplicar as medidas onerosas que encerra.
Carlos Jalali, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro, admite que, neste momento, a aprovação do OE é "um balão de oxigénio" para o Governo, mas não deverá durar mais do que 6 a 10 meses. "A questão agora é: este orçamento, por si só, é suficiente para atingir a meta de 4,6% do défice? Isso parece altamente improvável", diz, admitindo que a viabilização agora decidida pelo PSD não é uma decisão para manter, até pelo facto de, a partir de Maio, deixarem de existir os constrangimentos constitucionais à queda do Governo e à realização de eleições legislativas.
Também Manuel Meirinho, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), considera que a aprovação do OE abre a porta a "um novo ciclo político, completamente diferente". Na questão do Orçamento, "os dois partidos estavam condenados a cooperar", até pela pressão externa que existe sobre as contas públicas, mas o PSD tinha de passar a imagem de que estava a tentar "minorar os danos" até porque "também está em jogo a luta pelo poder".
Meirinho acredita que, a partir de agora, o PSD será "muito mais incisivo" no papel de Oposição e tentará capitalizar os custos de um Orçamento que irá penalizar as famílias.
Já ninguém tem dúvidas que este OE é mau, tecnicamente falando, já que os resultados previsíveis do mesmo são contrários aos objectivos anunciados.
Constata-se que politicamente é horrível, já que os objectivos anunciados têm os resultados socialmente previsíveis, agora agravados por um “acordo” táctico e inconsequente para melhoria de vida do cidadão.
Afinal o OE não é um instrumento regulador da economia e das finanças, mas uma arma política biológica, que corrói a vida de cada um e a estabilidade social colectiva. Uma estratégia política e o povo que se amanhe!

Princípio de um pesadelo, ou o fim de um sonho?

Acabou. Começou - Pedro Santos Guerreiro
David e Golias
É um acordar violento. Uma sova de 19 murros no estômago, tantos quantas as medidas apresentadas ontem.
Os políticos falharam-nos. O Governo errou. Sócrates mentiu. Mas ontem isso acabou. Agora nós.
Nós. Nós não temos crédito nem temos credibilidade. É criminoso ter esperado tanto tempo para assumir o problema. Porque agora a cura é mais dura. É um corte profundo, a sangue frio.
Portugal vai iniciar um novo ciclo recessivo. Economia em queda, falências, desemprego, tudo o que esconjurámos. Os aumentos do IVA, os limites das deduções fiscais, os congelamentos das pensões transferem a crise dos desempregados para os empregados. Mas não havia alternativa. Não hoje. Não depois de dois anos perdidos sem fazer contas e a fazer de conta, para ganhar umas eleições e não cair noutras.
Ontem, Sócrates não caiu em si. Ontem, Sócrates caiu de si. Da sua pose impossível, que em vez de inspirar um optimismo reprodutivo transmitiu um irrealismo consumista. Este não é o Orçamento de Sócrates, é o Orçamento de Teixeira dos Santos. Foi o ministro das Finanças quem ontem governou. E só temos a desejar que continue a sê-lo. Porque este pacote acalma os mercados, mas não os faz retroceder de supetão. É preciso que o Parlamento aprove estas medidas, que o PSD obviamente viabilizará, com mais ou menos negociação. E é preciso concretizar as medidas e obter resultados.
Este ano estamos safos. A Portugal Telecom não paga um cêntimo de impostos pelo fabuloso lucro da Vivo, mas paga 750 milhões de euros para tapar o seu fundo de pensões e transferi-lo para o Estado, salvando o défice de 2010. A receita extraordinária de outros tempos, que funciona como antecipação de receitas. O Governo tentara com a banca, mas sem sucesso. Conseguiu com a PT.
É talvez falta de imaginação: receitas extraordinárias de um lado, aumento de IVA do outro. Mas há também o que nunca houve: a redução média de 5% da massa salarial na Função Pública. É quase como perder o subsídio de Natal a partir do próximo ano, mas em prestações mensais. Os funcionários públicos foram sacrificados por causa da incompetência acumulada e consecutiva dos seus gestores, sempre de cima para baixo. Mas só havia outra alternativa: cortar nas pensões. Era pior.
Nos próximos dias, milhares de economistas, comentadores e políticos desfilarão a glória de terem dito que assim seria: eis o Armagedão. Sim, foram milhares. E isso de nada serviu. Hoje somos um país falido. Mas não somos um país falhado. Porque apesar de tanta incompetência governativa, de tanta corrupção, nepotismo, grupos de interesse, de tantos escândalos silenciados, organizações subsidiadas, estranhos financiamentos partidários, mordomias e regalias, ineficiências e má gestão, temos outras coisas de que nos orgulhar. Sobretudo as que não dependem do Estado. Casos de inovação, exportação, investimento, descoberta.
Sim, é um acordar violento. Isto não é o princípio de um pesadelo, é o fim de um sonho. Sem pradarias nem trevas, apenas os pés no chão. O que fazer? Dizia ontem o ministro das Finanças: "estamos todos juntos nisto." Nestas alturas, somos sempre todos iguais. Eles contam connosco. E nós não contamos com mais ninguém.
Mãos à obra. Eles não fizeram o seu trabalho. Façamos nós o nosso. Restamo-nos. Bastemo-nos.
Pedro Santos Guerreiro, no Negócios online
Porque gosto do que escreve e como escreve, mas sobretudo porque radiografa com nitidez e isenção.

Fim da novela: casaram-se todos

Governo e PSD continuam o folhetim do Orçamento: de desentendimento em desentendimento até ao entendimento final. O secretário-geral da UGT aderiu à greve geral contra o OE proposto pelo Governo mas entretanto já se apressou a declarar que é urgente que ele seja aprovado. Chávez veio dar uma mão, ou mesmo as duas, ao amigo "Rosé" Sócrates, voltando a anunciar compras de milhões que já estavam anunciadas - nome técnico: propaganda. Cavaco Silva anunciou uma nova formação política: o partido Portugal tem milhões de filiados mas muitos deles provavelmente contra a sua própria vontade - ah, e consta que são demasiados os que não andam a pagar as quotas.

Outras Culturas, outras vivências, com mar ou sal

A maioria das vezes, temos à nossa disposição soluções simples, para problemas complicados e aqui está por exemplo o sal, que a maioria das pessoas nem sonha o quanto nos pode ajudar, apesar de, na antiguidade, muitos povos de diferentes países usassem o sal para combater o mau-olhado e deixar a casa a salvo de energias nefastas.
Com o passar dos tempos, o sal grosso passou a ser considerado um potente purificador de ambientes e para ser usado no banho como relaxante.
Encontrando-se à venda pacotes de sal já preparado para diversos fins e até o sal do Mar Morto, pode ser encontrado em frascos e pacotes para usar no banho de imersão.
Como sempre, há quem se debruce a estudar certos fenómenos e hoje, sabemos que o sal é um cristal e por isso emite ondas electromagnéticas que podem ser medidas pelos radiologistas. Descobriu-se então, que o sal tem o mesmo comprimento de onda da cor violeta, capaz de neutralizar os campos electromagnéticos negativos.
Visto do microscópio, o sal bruto revela que é um cristal, formado por pequenos quadrados ou cubos achatados.
Como as energias mais densas costumam concentrar-se nos cantos da casa, a solução encontrada é a de colocar um copo de água com sal grosso ou sal de cozinha, que equilibra essas forças e deixa a casa mais leve. Para uma sala média onde não circula muita gente, um copo de água com sal em dois cantos, é suficiente e ao fim de dois ou três dias já se sente a diferença. Quando se formarem bolhas, está na altura de renovar a salmoura.
A solução de água e sal também é capaz de puxar os iões positivos, isto é, as partículas de energia eléctricas da atmosfera e reequilibrar a energia dos ambientes. Principalmente em locais fechados, escuros ou mesmo antes de uma tempestade, esses iões têm um efeito intensificador e podem provocar tensão e irritação às pessoas e animais. A prática simples de purificação com água e sal deve ser feita à menor sensação de que o ambiente está carregado, depois de zangas ou à noite no quarto, para que o sono não seja perturbado.
Banho de sal grosso e o antigo escalda-pés
Mergulhar os pés em água bem quente onde se fez uma forte salmoura. Tem o poder de neutralizar a electricidade do corpo. Para quem mora longe da praia é uma óptima solução de relaxar e renovar as energias. A salmoura, já foi considerada como "ouro branco" para conservar os alimentos.
Os povos foram descobrindo e desenvolvendo técnicas de como usar o sal para seu benefício:
1.) - Uma pitada de sal sobre os ombros afasta a inveja.
2.) - Para espantar o mau-olhado ou evitar visitas indesejáveis, os mais supersticiosos costumam colocar uma fileira de sal na soleira da porta ou um copo de salmoura do lado esquerdo da entrada.
3.) - A mistura de sal com água ou álcool, absorve tudo de mau que esteja no ar, ajuda a purificar e impede que a inveja, o mau-olhado e outros sentimentos inferiores entrem na casa.
4.) - Depois de uma festa, deve-se lavar todos os copos e pratos com sal grosso para neutralizar a energia dos convidados, purificando a louça para o uso diário.
5.) - Tomar banho de água salgada com bicarbonato de sódio, não só descarrega as energias nocivas, como é relaxante. O único cuidado que se deve ter é o de não molhar a cabeça, pois é aí que mora o nosso espírito que não deve ser neutralizado.
6.) - Segundo uma tradição africana, quando alguém se muda, as primeiras coisas a entrar na nova casa são: um copo de água e outro com sal. Usam sal marinho seco, num pires branco atrás da porta para puxar a energia negativa de quem entra. Também tomam banho com água salgada misturada com ervas, para renovar a energia interna e a vontade de viver.
No Japão, o sal é considerado um poderoso purificador. Os japoneses mais tradicionais aplicam sal todos os dias na soleira das suas portas ou, sempre que uma visita mal vinda se vai embora.
É também considerado como o símbolo de lealdade, nas lutas de sumo. Os campeões espalham no ringue algum sal, para que a luta transcorra com honestidade.
Por tudo isto, apetece usar este poderoso aliado!
É barato, fácil de encontrar, e pode ajudar em momentos de dificuldade e de esgotamento energético.
Só por uma questão de Aproximar Culturas e no caso de funcionar poder aliviar o stress e reduzir a despesa do Ministério da Saúde. Se não resultar, é barato e não faz mal. Tente-se…