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sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma visão da EDUCAÇÃO, antes da “AVALIAÇÃO”…

“Os homens constroem paredes demais e pontes de menos” (D. Pire)
A escola pública e democrática é hoje uma conquista institucionalizada, mas que, na prática, ainda está longe de ser realidade plenamente vivenciada na escola. A escolha democrática das direções escolares ainda não permitiu condições democráticas de organizar as escolas a partir de uma base curricular, das propostas pedagógicas, das metas e da organização do quadro dos professores (distribuição da carga horária e disciplinas).
A escola, lugar de significativas e distintas aprendizagens, é também um grande laboratório de exercício de poder. Quotidianamente, através das relações interpessoais, ela administra as suas tensões internas, fortemente influenciadas pelo poder externo (dos governos e da comunidade). E, o professor, uma peça fundamental, nem sempre é considerado na sua dimensão de pessoa humana e de sujeito, portador de desejos, direitos e dignidade.
Além da sua estrutura administrativa, a escola é um lugar onde se constroem vínculos. Estes vínculos determinam a qualidade das relações entre professores, funcionários, equipa diretiva, alunos e pais. A maior diferença da escola pública, em relação às demais, reside no facto de a sua gestão ser pública e democrática. E é nesta que, para além de professores, cresce a exigência como educadores. “Todo o professor deve ser um verdadeiro educador. Um mestre da vida e do saber. É mestre porque é homem de fé, que acredita em si e nos outros, que confia e ama os seus discípulos” - Maximiliano Menegolla.
Professores não são números. Professores são sujeitos, seres humanos, com as suas opções pedagógicas e ideológicas. Aliás, o exercício do seu ofício não lhes permite neutralidade, pois a educação é, por natureza, um ato político. As suas práticas pedagógicas resultam das suas trajetórias pessoais, dos seus compromissos com o ser humano e dos seus conhecimentos e aperfeiçoamento profissional.
Algumas instituições de ensino público, pelas suas práticas contraditórias e autoritárias, minimizam o alcance e a importância das conquistas democráticas. É claro que exercitar quotidianamente a democracia, como se faz na escola, não é uma tarefa fácil. Por isso que, para muitos, ela não passa de “verborragia”. Para outros, incansável exercício, prática de inclusão e respeito por todos, mesmo enfrentando as contradições do discurso e da prática.
Alguns colegas, agora diretores ou diretoras, “constroem paredes demais e pontes de menos”. Usam do poder que lhes foi delegado para desconsiderar os seus professores e ofuscar a democracia, por todos pretendida e proclamada. “O lugar onde o professor não é visto como pessoa, mas simplesmente como um profissional qualquer, deve ser chamado de pensionato, refeitório..., mas não chamem de escola, onde se educa e se ensina” – Menegolla.
O exercício do poder democrático é um dever da escola e um legado que ela deve deixar para os seus alunos e para a sociedade como um todo; esta é a sua contribuição para a consolidação da democracia (no Brasil). Qualidade na educação será uma realidade quando tratarmos gente como gente deve ser tratada e quando tomarmos a democracia como a base das nossas relações.
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

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