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terça-feira, 17 de maio de 2011

Tudo o que cai nas redes (sociais) é peixe…

Relatório anual diz que os "direitos humanos estão no limiar de uma mudança histórica".
Para a Amnistia Internacional, que assinala este ano o seu 50º aniversário, o mundo está hoje a travar uma batalha decisiva pelo controlo da informação, os meios de comunicação e a tecnologia de informação, à medida que "as redes sociais alimentam um novo activismo que os governos lutam para controlar".
No seu habitual relatório anual, a ONG diz que "o ano 2010 pode muito bem ser lembrado como o ano decisivo em que os activistas e os jornalistas usaram as novas tecnologias para dizerem as verdades ao poder e, ao fazê-lo, forçar um maior respeito pelos direitos humanos", mas também é verdade, que essa "mudança está no fio da navalha" porque "há um importante contra-ataque das forças da repressão".
No "ano em que os governos repressores se viram perante a possibilidade real de terem os dias contados", a Amnistia Internacional selecciona como "momentos icónicos" a libertação de Aung San Suu Kyi na Birmânia e o prémio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo, "apesar das tentativas do seu governo de sabotar a cerimónia".
A Amnistia Internacional permite-se alguma euforia em relação ao que se tem passado no mundo nos últimos meses, chegando a afirmar, que "para aqueles que desafiam o abuso do poder por parte dos estados e de outras instituições, esta é uma época emocionante".
E, nesse aspecto, a Amnistia Internacional reconhece a contribuição da WikiLeaks para o activismo em defesa dos direitos humanos e cita vários exemplos em que o site contribuiu para denunciar casos de abuso. No entanto, "foi preciso os bons e velhos repórteres e analistas políticos dos jornais para investigar os dados em bruto, analisá-los e identificar as provas de crimes e violações contidos nesses documentos".
Se os Direitos Humanos estão no limiar de uma mudança histórica, tenho muitas dúvidas, pois o que me parece é que os conceitos do Direitos Humanos é que estão a ser alterados pelo poderio e pacificamente aceites pelos cidadãos. Há são novos instrumentos, as TIC, que os activistas e os media estão a usar para dizerem as verdades ao poder, denunciar os atropelos aos Direitos Humanos e forçar os governos a um maior respeito pelos mesmos.
Em resposta, há uma batalha constante e decisiva pelo controlo da informação, de todos os governos, que lutam para controlar esses meios de comunicação, mais especificamente das tecnologias de informação e destas as redes sociais, que alimentam um novo activismo e que por isso merecem um importante contra-ataque das forças da repressão, para não dizer da reação, com infiltrações, provocações e manipulação e usando as mesmas armas...
E a tese que gizei acima, acaba por ser reconhecida pela própria Amnistia Internacional, ao reconhecer a contribuição positiva da WikiLeaks para a defesa dos Direitos Humanos, caso que estabelece as etapas seguidas e as táticas usadas nessa batalha pelos poderosos e comprometidos com o desrespeito dos Direitos Humanos, mesmo disfarçados do Direito à Segurança, controlando e castigando “exemplarmente” os denunciadores…
Nas redes (sociais), mesmo nas de malha mais fina, ficam sempre presos uns peixinhos, que ainda que pequenos, são expostos aos mais grandinhos, para que fujam dessas redes…

E ainda dizem que nascemos todos iguais…

O gene 5-HTT regula o transporte de serotonina – químico associado ao sentimento de bem-estar - ao cérebro. Quem tem a variante mais longa deste gene tende a viver mais feliz. A conclusão é de um estudo que analisou 2.574 adolescentes ao longo de 13 anos, entre 1995 e 2008.
A investigação de Jan-Emmanuel De Neve, da Escola de Londres de Economia e Ciência Política, vai ser publicada no “Journal of Human Genetics”. O objectivo foi tentar perceber porque é que algumas pessoas parecem naturalmente mais felizes do que outras.
Cada pessoa tem duas variantes do gene: a variante longa deste gene permite uma libertação e uma reciclagem melhor da serotonina do que a variante mais pequena.
Os 2.574 adolescentes responderam a um inquérito que perguntava quão satisfeitos estavam com a vida. Ao analisar a informação genética, a equipa verificou que 69% dos jovens, que tinham duas cópias grandes do gene, diziam estar satisfeitos (34%) ou muito satisfeitos (35%) com a vida. Dos que tinham duas cópias curtas, só 38% diziam que estavam satisfeitos ou muito satisfeitos (19%). No total, cerca de 40% dos adolescentes disseram que estavam "muito satisfeitos" com a vida.
Quem é que não gosta de tentar perceber porque é que algumas pessoas, que aparentemente não terão razões para a alegria que, permanentemente lhes vemos estampada no rosto, enquanto nós, com razões “naturais” e condições materiais para sermos mais felizes do que elas, refletimos o contrário?
A levar em conta os resultados do estudo em causa, parece que o ditado que diz que “o dinheiro não traz felicidade” tem uma base científica, embora baseado no empirismo, mas não faz mal nenhum acreditar que o dinheiro ajuda a comprá-la.
Até é provável que os resultados encontrados sejam “rigorosos”, mas é bom ter em atenção a ressalva colocada pelo próprio coordenador, quando refere que é sobretudo a experiência que vamos tendo ao longo da vida, que interfere no grau de felicidade de cada um e nem sequer faz referência às condições sócio-económicas de que se desfruta.
Pode ser que o estudo tenha uma análise mais esmiuçada do que a notícia nos apresenta e que passe pela descrição das condições de vida dos jovens estudados, para que possamos “acreditar” nesta inevitabilidade congénita, porque assim sendo nem verdade é o que dizia Abraham Lincoln:
Todos os homens nascem iguais, mas é a última vez que o são”…

Ecos da blogosfera – 17 Mai.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Entre vistas largas e perspectivas estreitas…

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal diz que a Política Agrícola Comum (PAC) não é favorável a Portugal, mas acrescenta que a temos utilizado muito mal.
Tenho que começar por dizer que a agricultura, também não é o meu forte, mas o resumo da entrevista também não é sobre agricultura, mas de política (económica) e do tema todos sabemos alguma coisa. E sobre a agricultura, até tenho insistido no seu desenvolvimento, como solução para diminuir as importações e diminuir o desemprego, o que parece que não está errado, até porque basta abrir os olhos e ver a solução…
Nesta entrevista, reforça-se um ponto chave do setor, que todos já conhecíamos, mas que é sublinhado, insistente e inexplicavelmente, no que às medidas diz respeito: ajuda, ajuda, ajuda...
A primeira medida reclamada é a da criação de condições para a melhoria da produção, com a agravante de o Estado não ter um modelo de orientação.
Pensava eu que, seriam os produtores a criarem as condições (exceto as climáticas) e que não era o Estado a definir as políticas agrícolas, porque assim sendo, a livre iniciativa tão reclamada nos outros setores seria aqui coartada e lá iam as teorias do mercado e até parece que se deseja a intervenção estatal…
E quando se diz que a UE fez várias reformas ao sabor das circunstâncias, não seria mais elucidativo dizer que as reformas da PAC feitas pela UE vão sempre no sentido dos interesses circunstanciais? E não é por isso que há ajudas e que a divisão dessas ajudas é feita de forma desequilibrada? Para quem está de fora, mesmo sabendo que todos os agricultores europeus se queixam destas ajudas, pergunta-se sobre essa necessidade, que também não acontece nas outras indústrias. E é por isso que não entendemos que, para se decidir quais as produções em que, com menos dinheiro se consegue mais facilmente chegar ao auto-abastecimento, para além do esforço dos agricultores, seja necessário o esforço do Estado.
Mas pelos vistos há 4,5 mil milhões de euros para aumentar muitas produções, se fossem bem utilizados, diz-se, mas só se fossem utilizados a favor do país e dos portugueses e não a favor dos agricultores, porque essa receita vem sendo aplicada desde a adesão à CEE, sem outros beneficiários que não sejam alguns (já) grandes “agricultores”. Não será chover no molhado, sem se prestar contas e esclarecimentos sobre o passado recente? É que 4,5 mil milhões de euros “é muita fruta” e até dá para comprar muitos produtos (agrícolas)?
Sem querer dar a entender algo contra os agricultores, e querendo dar a entender muito a favor da agricultura e a autosuficiência do país, mas continuando a estabelecer paralelismos com outros setores industriais, os agricultores só investem 70% e ainda se queixam? Então o Estado tem que investir nos setores que geram emprego, diminui as importações e gera receita fiscal? Mas não são todas as empresas? O que o Estado tem de fazer, e nisso estamos de acordo, é não atrapalhar, o que não era mau...
Quanto à eliminação das cotas leiteiras pela UE, sempre ouvimos dizer que a nossa produção quase sempre ultrapassava as cotas que nos atribuíram, pelo que não se percebe o catastrofismo anunciado.
Diz o secretário-geral da CAP que só vê os preços dos produtos agrícolas caírem, enquanto o consumidor não pode dizer o mesmo, antes pelo contrário.E quando sentencia que “Se calhar esta conversa deveria meter também a grande distribuição para que houvesse aqui uma confluência de interesses. A grande distribuição tem agora um peso que não tinha há 30 anos. Se os políticos permitiram que isso acontecesse, tem que haver aqui algum controlo para que não se verifique uma situação de distorção, dado o peso que esse setor representa,” está a por o dedo na ferida, porque esse é que é problema! Mas a conversa seria para uma confluência de interesses entre produtores e distribuidores? E então o Estado, de quem reclamam ajudas, entrava aonde? Se os distribuidores tem um peso distorcido, e disso ninguém tem dúvidas, foi porque o Estado não regulamentou, nem vai regulamentar (dificultando, ou proibindo a importação), para que os produtores sejam quem mais ganha com o investimento e o trabalho, tornando-se autónomos na sua atividade produtiva, porque só a produção produz riqueza.
E nesta prática de ajudas, excesso, ou falta de regulamentação no setor agrícola, predominância de poder da distribuição é que está o busílis, mas isto é mesmo política, da mais pura, mas com muitos químicos poluentes e já vem do tempo do outro senhor…
Agricultura, sim! A bem da Nação! Mas as pescas não estarão pior?

Profissão: PROFESSOR!

Acreditar nisto é um dever. Não aceitar é uma tolice. Nem sequer pensar é uma loucura. Dever, tolice, loucura. Em qual das três você se encaixaria? Ah, não importa. O que importa de facto? Bem, “o nada se basta a si mesmo” é uma ideia forte, e se faz pertinente seja lá como for, pois estamos atolados até o pescoço na existência.
Olhem em volta. Olhem para cima. Olhem para baixo. Olhem para dentro. Simplesmente não olhem. Soltem-se e percebam essa estranha sensação, a de que estamos lançados na existência. Não era isso o que dizia Sartre no seu “O existencialismo é um humanismo”?
Quanto mais o tempo passa, mais e mais nos convencemos de que não sabemos tudo de nada. Ninguém, na verdade, se basta a si mesmo. Há coisas que importam e que não importam. Mas, como é fácil confundir as duas. Na vida, estamos sempre na linha do horizonte entre opiniões absolutas e opiniões relativas. Na área da Educação, tem muita gente confundindo as duas coisas, quando nem ainda se tornaram ideias, mas ainda estão no campo das opiniões, do “achismo”, do empírico. O problema é que somos facilmente levados ou tentados a traduzir estas opiniões, melhor dizendo, por ideias absolutas dentro da Escola, o que não é muito produtivo. Para mim, a palavra Escola, de semântica diferente, tem significado semelhante ao da palavra Universidade, onde reúne uma diversidade de ideias, de opiniões e de conceitos para experimentar o debate. Atitudes extremas, radicais e unilaterais não combinam com um ambiente eminentemente diverso da Escola.
Tratando-se de Educação, há muita gente a tomar a parte pelo todo mais do que se imagina, pensando que as suas ações são eternas e universais, com forças sobre humanas até, ignorando muita gente boa que se desdobra por uma educação mais criativa. Mas, tudo muda também na Educação, não nos esqueçamos dessa verdade. A educação de há 30 anos não pode ser mais a mesma de hoje. Os conceitos mudaram, o mundo mudou. A história também. As informações estão mais rápidas. As relações estão meio que instantâneas e imediatas, o que prova que não somos mais os mesmos. Como diz acertadamente a música de Lulu Santos, “Como uma onda no mar”, “Nada do que foi será igual ao que já foi um dia, tudo muda o tempo todo no mundo, não adianta fingir, nem mentir para si mesmo agora, há tanta vida lá fora... Num indo e vindo infinito”. Se observarmos com cuidado, todos estão à volta da ideia de mudança, mesmo que isso cause um desgosto danado.
Em média, um aluno passa 14 a 15 anos, mais ou menos, na Educação Básica, que compreende Educação infantil, Ensino Fundamental e Médio no Brasil, o que chega a ser um tempo bastante considerável em que a Escola poderá ajudá-lo a decidir melhor sobre a carreira ou a profissão almejada. Em relação ao Professor, o aluno fica pouquíssimo tempo na Escola; já o Professor permanece em média 30 a 40 anos na Escola. Aliás, muito mais tempo que isso, admitindo os seus anos de formação, da Educação Básica passando pela Universidade até ao término da pós-graduação. Junte tudo isso e verá que o Professor passa uma vida inteira dentro da Escola.
Por isso e por muito mais, o Professor deveria ser muito bem tratado neste país, na sua cidade, na sua comunidade, e sobretudo, na sua Escola, despertando o apreço e o respeito dos seus alunos.
Por entrar numa Escola, ninguém está obrigado a ser médico, professor, engenheiro, cientista, pedagogo, odontólogo, filósofo, físico, químico ou matemático, mas alguns são, e isso é bom. Da mesma forma que há os que não querem ser nada disso, o que também é um valor, vai ser outra coisa na vida, sem necessariamente ter uma profissão específica, o que também é muito bom. Ou seja, a Escola não vai determinar nada para o aluno; simplesmente, irá apontar caminhos e alternativas, para depois ou durante o processo de aprendizagem, poder escolher conforme queira.
A Escola, como tudo na vida, é uma passagem, um caminho, um percurso, uma etapa importante de nossa breve existência. Ela, por isso, não se basta a si mesma. Ela não é suficiente em tudo. A Escola precisa do apoio e acompanhamento da família, das igrejas, do poder público, das instituições em geral, da sociedade para ampliar mais ainda o conceito de uma Educação que quer ser cidadã. Mas, para isso, é urgente a consciência de que não nos bastamos a nós mesmos, ao invés de nos revoltarmos contra os Profissionais da Educação, levantando possíveis suspeitas quanto à responsabilidade das suas atividades pedagógicas. Será que exigimos de nós mesmos o quanto exigimos dos outros?
Façamos do tempo de Escola, um período propício, oportuno e gracioso de aprendizagem. Aprender, sobretudo, a aceitar o diferente com toda a estranheza que há nele, pois a Escola é o lugar por excelência do choque de ideias, onde as opiniões se encontram e se desencontram, onde nascem os novos conceitos, onde as várias cabeças se tocam e se conflituam para colocar em movimento pensamentos frios e envelhecidos postos alguma vez no papel.
A Escola não se basta a si mesma, mas é necessária: Sem as Escolas, como iam os conceitos nascer? Sem as aulas, como iam os pensamentos mudar? Sem os debates, como íamos aprender? Sem estudar, como iríamos saber errar?
Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Ecos da blogosfera – 16 Mai.

domingo, 15 de maio de 2011

Dia Internacional da Família? Ah! Ah! Ah!

Cada vez mais mulheres recorrem à prostituição para conseguir sustentar os filhos. Desempregadas ou com trabalhos mal pagos, aceitam vender o corpo para manter a vida que tinham antes de o companheiro as abandonar.
As técnicas da Associação “O Ninho” aperceberam-se a partir de 2009 que começavam a aparecer nas ruas de Lisboa novas mulheres, com histórias de vida semelhantes: mães sozinhas, inteiramente responsáveis pelo sustento do lar.
"São mulheres de todas as idades que se prostituem para pagar as contas", contou Inês Fontinha, presidente daquela instituição, que trabalha com prostitutas há cerca de 40 anos.
O Fisco ignora as situações de guarda conjunta dos filhos, penalizando, assim, os pais separados.
São milhares as declarações que respeitam a casos destes, ainda à espera de serem liquidadas, porque existem filhos que pertencem a dois agregados familiares.
A 'troika' mandou cortar nas deduções com pensões de alimentos.
É por causa destas e de outras, que existem estes dias internacionais, que a gente pensa que só existem no “cu do Judas” e elas aqui à porta…
Nem sei se vale a pena acrescentar qualquer comentário, porque para os fazer jocosos e sobre coisa tão séria, brincar com elas seria associar-me à prática governativa e à ideologia troikiana…
Mas, para ampliar os reflexos dos “festejos” do dia, acrescento esta posição do MDM:
O Movimento Democrático das Mulheres considera que as politicas “de igualdade de género” deste Governo não passaram de um embuste, muito aproveitadas mediaticamente. Não se pode omitir que nestes 5 anos, aumentou a discriminação salarial, houve cortes na protecção social – abonos de família e bolsas de estudo, mesmo em famílias monoparentais - aumentou o desemprego e a precariedade no emprego das raparigas e das mulheres. Congelaram-se expectativas justas de muitas mulheres de progredir nas carreiras e evoluir na administração pública.
CHEGA?
Vão todos pregar p’ró... deserto!

Apoiar os pequenos, para os manter pequeninos…

O Parlamento Europeu pediu à Comissão Europeia a adoção de medidas de emergência de ajuda aos pescadores europeus, para fazer face à atual situação económica, designadamente em países com especiais dificuldades financeiras, caso de Portugal.
De acordo com a assembleia, a subida dos preços do petróleo levou a que muitos pescadores tenham dificuldades em financiar as suas atividades de pesca, tendo alguns inclusivamente de cessá-las, apontando que são particularmente vulneráveis os segmentos da pequena pesca costeira e artesanal que, em alguns Estados-Membros, como é o caso de Portugal, representam mais de 90% da frota.
Na resolução aprovada, o Parlamento Europeu pediu à Comissão que aumente o limiar dos auxílios "de minimis" de 30.000 para 60.000 euros por empresa, por um período transitório de 3 anos, defendendo também a utilização de "todas as possibilidades e margens financeiras disponíveis no quadro do orçamento comunitário consagrado às pescas" para financiar medidas extraordinárias de apoio ao setor.
Quando se lê que vão ser tomadas medidas de emergência de ajuda aos pescadores europeus, para fazerem face à atual situação económica, até pensamos que o mar entrou em crise e que as grandes frotas pesqueiras não pescam nada…
No entanto, parece que os apoios noticiados e urgentes, são para a pequena pesca costeira e artesanal que, em alguns Estados-Membros, como é o nosso caso (haverá mais?), representam mais de 90%, mas só serão concedidos por um período transitório de 3 anos…
Por um lado, ficamos a saber que a pesca artesanal passa dos 90%, o que significa que os restantes 10%, pertencem à pesca industrial e que deve “produzir” mais do que os 90%, com lucros avantajados… Ou seja, como no resto que funciona dentro das regras do mercado, poucos arrecadam mais do que muitos, mesmo que as suas costas sejam muito mais reduzidas do que as nossas.
Por outro lado, fica-se com a sensação de que este apoio aos pescadores artesanais, que dão o coiro e a vida, para sobreviverem e nos abastecerem, são massacrados de tal maneira, que até o Parlamento Europeu tem remorsos do mal que lhes (nos) fizeram com as cotas.
Lógico, lógico, seria redistribuírem as cotas de pesca na proporção direta da costa marítima de cada país e serem os países a “venderem” por contrato as licenças a quem quisesse investir no mar, se sobrassem licenças depois de distribuídas pelos cidadãos respetivos.
Assim sendo, os 10% continuarão a sacar do que é nosso e a engordarem (mesmo com o Omega 3 e sem ajudas) e os 90% (nós incluídos) a emagrecermos ecologicamente…
Deixem-nos mas é pescar o que é nosso (poupam nos apoios) e cada um que pesque o que Deus lhes deu, que foi o que mereciam… 

De Luanda a Lisboa: LÍNGUA - PESSOAS - MAR...

O especialista de Relações Internacionais do Estado brasileiro de Salvador da Baía, Leonel Pinto, defendeu a elaboração conjunta de um roteiro turístico lusófono para promover e difundir a cultura dos países membros, quando dissertava no I Fórum Empresarial sobre Turismo da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), realizado em Luanda, sobre “A experiência das cidades da UCCLA no desenvolvimento do turismo”.
O especialista considerou que com este guia turístico haverá maior intercâmbio cultural entre os Estados membros e um aumento gradual dos negócios.
Ao caracterizar as cidades da UCCLA sob o ponto de vista do turismo, afirmou que Salvador da Baía disponibiliza  uma série de opções turísticas que atraem qualquer visitante. Para além de Salvador da Baía, outras cidades como Macau, Lisboa (Portugal) e Praia (Cabo Verde) possuem igualmente um sistema avançado de organização e estruturação das actividades turísticas.
Macau possui uma diversidade de produtos turísticos que movimenta anualmente 25.000.000 de turistas, dispondo de 20.000 quartos. Lisboa, por seu turno, tem a simpatia de estar na Europa e possuir uma cultura milenar, repleta de história antiga e um estilo de vida contemporâneo. A cidade da Praia, em Cabo Verde, tem o turismo como uma das suas fontes de receitas e já recebe anualmente mais de 50.000 turistas.
Em contrapartida, em cidades como o Huambo (Angola), Água Grande (São Tomé e Príncipe) e Maputo (Moçambique), as actividades turísticas ainda são incipientes, considerou. Huambo oferece hoje uma série de atractivos naturais e patrimoniais que podem convidar qualquer visitante. A cidade já realizou alguns investimentos em hotéis, estradas e serviços e atualmente, conta com 182 quartos e 41 restaurantes, tendo recebido, em 2008, mais de 5.000 turistas. Maputo tem no turismo a sua fonte de redução da pobreza e aposta neste setor como uma das grandes metas. A cidade de Água Grande, em São Tomé e Príncipe, por seu lado, precisa de mais investimento. Tem riqueza natural e algum património histórico.
No encerramento do Fórum, o vice-ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista, disse que o Executivo projeta a política nacional de desenvolvimento turístico entre a especialização profissional e as localizações específicas das províncias.
A valorização de uma oferta turística diversificada inclui, entre outras, unidades ambientais e a sua exploração, a qual deve ser efectuada de uma forma controlada, para prevenir problemas ecológicos: “O turismo deve ser feito de forma ética e ecológica, de modo a assegurar a sustentabilidade ambiental e cultural, a inflação do mercado interno e a inserção, no cenário político, na Comunidade de Desenvolvimento dos países da África Austral (SADC), na Organização Mundial do Turismo (OMT) e outras organizações”.
O secretário-geral da UCCLA, Miguel Correia, considerou, que o evento possibilitou às pessoas que falam a língua portuguesa perspetivar que, no futuro, possam ser levadas a cabo ações de cooperação para o desenvolvimento do turismo numa perspetiva de parceria.
Em Luanda, discute-se um dos vetores da lusofonia, que passa pela Economia/Turismo e naturalmente pela elaboração conjunta de um roteiro turístico lusófono para promover e difundir a cultura de cada um dos países membros.
E para começar, por que não o incentivo às viagens de cidadãos lusófonos, para os países lusófonos, para conhecimento dessas culturas e elemento aglutinador desse património universal? Ao mesmo tempo, a promoção destes destinos para cidadãos não lusófonos, mas com um desenho que mostre o espírito da lusofonia, tão diverso de outros de outras culturas e por isso mais rico, se for genuíno.
Claro que, fugir do desenvolvimento do turismo numa perspetiva de parceria e dominado por qualquer país que vá mais à frente, seria matar a ideia à nascença e nem valia a pena iniciar.
Portugal, Angola e o Brasil podem formar uma “poderosa rede global”, segundo Poças Esteves, sócio gerente da Saer – Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, durante a conferência organizada pelo SOL “Grandes Desafios de Portugal nos Alvores do Séc. XXI”, em Lisboa.
Poças Esteves apresentou o livro do economista Ernâni Lopes, “O Triângulo Virtuoso Angola – Brasil – Portugal” e defendeu “que este objectivo tem todas as condições para ser alcançado, tendo em conta os activos fundamentais comuns: a língua, as pessoas e o mar”.
“A lusofonia ainda é um longo caminho que todos temos a percorrer. Ainda não é um espaço articulado de negócios, nem um actor económico global, mas tem toda a capacidade para o ser”, observou.
O antigo presidente da República Ramalho Eanes defendeu, na conferência Triângulo Virtuoso organizada pelo SOL, que as relações entre os países lusófonos assumem uma importância estratégica na cooperação entre Angola, Brasil e Portugal, reforçando o peso de cada um dos países em três continentes. O antigo presidente acredita que na actual conjuntura económica a Lusofonia pode ser uma luz ao fundo do túnel. “As conjunturas 'crisicas' podem ser o prenúncio de uma nova e mais promissora alvorada”.
O antigo chefe de Estado considera ainda que há duas vias para enfrentar os desafios: a via da decadência, em que não se arrisca, e “semear com incerteza o aproveitamento de novas oportunidades” e deve ser esta última via que os países lusófonos devem seguir.
Entretanto em Lisboa, quando se fala sobre o triângulo virtuoso: Angola – Brasil – Portugal e dentro do espírito da lusofonia, seria redutor o espaço físico e geográfico, aliado ao poder económico emergente, porque o verdadeiro Triângulo Virtuoso, que tem que ser a estrutura base de qualquer boa intenção par potenciar a Lusofonia, só pode passar por: LÍNGUA - PESSOAS - MAR. Fugir disto, é matar a ideia à nascença e nem vale a pena iniciar.

Ecos da blogosfera – 15 Mai.