(per)Seguidores

domingo, 17 de abril de 2011

Em dia sim, Socialista, em dia não, Economista…

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, apelou à união dos líderes mundiais para assegurar uma recuperação que traga emprego, em vésperas de um encontro dos países do G20.
Num discurso intitulado A crise do emprego mundial: Sustentar a recuperação através do emprego e de um crescimento igualitário”, o líder do FMI recordou que, “sob a alçada do G20, as autoridades conseguirão impedir um colapso financeiro e, provavelmente, uma segunda Grande Depressão.
Neste momento, defende Strauss-Kahn, é preciso “resposta comum forte para assegurar que temos a recuperação económica que necessitamos”, ou seja, uma retoma que crie emprego e igualdade. A afirmação surge em vésperas de uma nova reunião dos ministros das Finanças dos países do G20, que começa amanhã em Washington.
“O desemprego está em níveis recorde. A crise deixou 30.000.000 de pessoas desempregadas e cerca de 200.000.000 estão à procura de emprego em todo o mundo”, afirmou Strauss-Kahn, salientando que esta crise do emprego está a atingir, sobretudo, os mais jovens e diz mesmo que, aquilo que poderia ser apenas um episódio na história do desemprego, está a tornar-se numa “sentença de morte, provavelmente para toda uma geração perdida”.
Reforma do sector financeiro e do mercado laboral
“Tal como conseguimos controlar a inflação nos anos 80, esta década deve ser a década em que voltamos a levar a sério a questão do emprego”, afirmou Strauss-Kahn. Para isso, o diretor-geral do FMI defende uma reforma do setor financeiro, que colocaria novamente os bancos ao serviço da economia real, fornecendo crédito às pequenas e médias empresas, “que são os atores-chave do emprego e, consequentemente, do crescimento”.
Paralelamente, os países avançados terão de consolidar as finanças públicas, “de modo a pavimentar o caminho para o crescimento futuro e o emprego”, contudo, admite que o ajustamento orçamental possa ter um impacto no crescimento a curto prazo e aumentar, inclusive, o desemprego de longa duração, transformando-se num problema estrutural, defendendo, por isso, que “o ajustamento orçamental deve ser feito tendo em atenção o crescimento”.
Além disso, Strauss-Kahn defende que são necessárias políticas directas para o mercado laboral. “Temos de ser pragmáticos e deixar para trás a oposição inútil entre flexibilidade e rigidez dos mercados laborais e perguntar, em contrapartida, se as políticas são efectivas na criação e manutenção dos empregos”.
Logo no início do discurso, o líder do FMI admitiu que “nem todos irão concordar na totalidade com estas declarações, mas, ao longo dos tempos, aprendemos que o desemprego e a desigualdade podem minar as conquistas da economia de mercado, ao lançar sementes de instabilidade”. Basta olhar para o “perigoso cocktail de desemprego e desigualdade – combinado com tensões políticas – que se verifica no Médio Oriente e no Norte de África”, exemplifica Strauss-Kahn, concluindo que, atualmente, muitos países enfrentam uma crise social tão séria quanto uma crise financeira.
Quem lê este discurso interpreta-o mais como o discurso de um político do que do atual homem forte do FMI, provavelmente por ter sido candidato a candidato a Presidente da República de França, pelo PSF, mas últimas eleições, que perdeu  Ségolène Royal. Algumas provas:
Porque defende reforma do setor financeiro, para colocar os bancos ao serviço da economia, dando crédito às PME, que são os actores-chave ao emprego e do crescimento;
Porque quebrando a discussão entre flexibilidade e rigidez dos mercados laborais, apela ao pragmatismo para se constatar se as políticas efetivas tem criado e mantido empregos;
Porque admite que apenas um ajustamento orçamental, sem ter em conta o crescimento leva ao desemprego, de curta e longa duração, o que deve ser tido em atenção.
Mas, depois vem defender as conquistas da economia de mercado, em vez de defender as conquistas dos trabalhadores (ele é socialista, embora considerado socialdemocrata), mostrando que tem receio de que o desemprego e a desigualdade podem ser as sementes de instabilidade de uma crise social, que muitos países enfrentam tão séria quanto uma crise financeira e até se esquece da crise, sobretudo económica, que é a que afeta as populações e respetivas nações.
Dizem, que será candidato a PR de França em 2012, mas também o criticam pela relação privilegiada com Sarkozy e não deixa de ser curioso o livro que lhe dedicaram, sobretudo o título, que a tornar-se realidade seria uma visão antecipada do que ele pensa e sabe da União Europeia…Um dia socialista, um dia economista.
Vamos ver que dias nos calham na rifa… 

4 comentários: