(per)Seguidores

terça-feira, 19 de abril de 2011

A vingança nunca deve ser servida a quente…

Investigação do Senado norte-americano responsabiliza agências pela crise do subprime.
"As agências de rating detêm um grande poder e são verdadeiros actores políticos", aponta João Rodrigues, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. "Constituem uma espécie de arquitectura informacional dos mercados financeiros. Não é possível concebê-los sem elas."
Esta dependência torna-se problemática quando se torna claro até que ponto são permeáveis ao erro estas agências e o enorme impacto que essas falhas têm no sistema. Um relatório do Senado norte-americano concluiu que a actuação da Moody's e da S&P esteve na base da crise financeira de 2008, a maior desde a Grande Depressão.
Um dia depois de um relatório do Senado norte-americano ter concluído que a actuação da Moody's e da S&P esteve na base da crise financeira de 2008, a S&P vinga-se, atacando a Administração norte-americana e o sistema financeiro, o que mostra que se trata, seguramente, de coincidência…
A agência de notação internacional reviu a perspetiva sobre a notação de crédito (rating) dos EUA, passando-a de estável para negativa.
A Standard & Poor's justifica a manutenção de rating de longo prazo dos EUA em AAA, o melhor nível.
A justificação para o corte na perspetiva do rating passa pelos elevados défices orçamentais e o aumento do endividamento da administração norte-americana, juntamente com a ausência de um plano claro para combater estas questões.
A demonstração da coincidência entre a acusação de vigarice e esta avaliação negativa está na justificação apresentada, já que os elevados défices orçamentais e o aumento do endividamento dos EUA, para além de terem estado na origem da crise mundial se prolonga há dois anos e meio e só depois de o Senado lhe mostrado um cartão amarelo, a S&P contra-ataca, mostrando também um cartão amarelo aos EUA, numa atitude de retaliação, tipo “vingança do chinês”…
Mohamed El-Erian, presidente da PIMCO, a maior gestora de fundos de investimento a nível mundial, alerta: “Washington está a ser alvo de avisos vindos de todos os quadrantes de que isto é um assunto sério e que ninguém pode escapar às consequências da deterioração da situação fiscal norte-americana. Não se trata apenas dos Estados Unidos, trata-se da economia global”.
A Standard & Poor’s admite que, nos próximos dois anos, há 1 probabilidade em 3 da maior economia do mundo sofrer um corte no rating e vir a ter uma notação inferior à nota máxima AAA.
As praças norte-americanas encerraram em terreno negativo, a cair mais de 1%.
Para quem se consolava com os ataques destas agências aos países pequeninos, tem que ficar preocupado com esta arrogância e descaramento, de se atacar, ou denunciar a situação dos EUA, que desta vez ataca a economia global, querendo dizer que, quem manda no mundo são elas, desde que os seus “patrões” lhes paguem.
Mas por outro lado é bom, porque a Administração americana não pode ficar a ver o navio a afundar-se e seguramente terá que regulamentar o setor, para mostrar quem manda no império.
2,5 anos após estouro da crise, que não viu, S&P rebaixa EUA e opera mercados.
Apesar do seu forte défice de credibilidade, a agência S&P conseguiu operar fortemente os mercados financeiros mundiais.
O economista Adriano Benayon ironiza a demora para anunciar a alteração. Mas destaca ser esse mais um capítulo da derrocada do dólar como moeda de referência e pode ser um indício de mudança histórica.
"Sempre criticamos o facto de os EUA e a Inglaterra, líderes desse sistema de concentração mundial, deterem os maiores níveis de endividamento e nunca caírem de avaliação. É um reflexo curioso. Essas agências são manipuladas, mas o facto confirma que a situação financeira desses países é indisfarçavelmente muito mau", avalia, destacando os "elevadíssimos níveis de desemprego e o défice orçamentário altíssimo".
Benayon lembrou que o ouro já valorizou 28% este ano, para US$ 1.470 a onça. "Em 2003, a cotação estava em cerca de US$ 300 a onça. Hoje, os republicanos (partido conservador, de oposição) comandam a agenda nos EUA, impondo cortes sociais, sem tocar no gasto militar ou na especulação financeira", analisa, acrescentando que a nota dos EUA "já deveria ter baixado há muito tempo".
Mesmo com um forte défice de credibilidade, a S&P, ironicamente atrasada e encoberta, vem desafiar a administração Obama, que pelos vistos tem deixado na mão dos republicanos (mais propensos à especulação capitalista) a agenda dos EUA, impondo cortes sociais, sem tocar nos gastos militares ou na especulação financeira.
Dadas as circunstâncias, nada deverá ficar na mesma e, ou ganha o PODER POLÍTICO, ou ganham os ESPECULADORES…
Talvez isto seja um sinal de uma 3ª Guerra Mundial, embora faltem mais protagonistas!

2 comentários:

  1. Caro Miguel
    O panorama é tão negro que já não sei que lhe diga.Sinto-me como uma barata tonta com a diarreia informativa que nos chega a cada minuto. Cada cavadela sua minhoca.Que fazer? Apenas esperar? Meter a cabeça na areia? Ou lutar? Como? Contra quem? Já não suporto ouvir políticos, politólogos, comentadores de bancada,sindicatos, bispos, banqueiros...E o povo pá?

    ResponderEliminar
  2. maria
    Só tem que fazer como eu, desabafar, que é o que faz aqui. Qualquer dia corro o risco de não ter clientes, porque só trago desgraças. Mas como Homem/Mulher prevenido vale por dois, pode ser que dê para fugir...
    Acho que é melhor por umas piadas.

    ResponderEliminar