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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Contramaré… 9 maio

O ministro da Economia mostrou disponibilidade para discutir em concertação social a proposta da CGTP de aumento do Salário Mínimo Nacional para os 515 euros. Arménio Carlos disse que, em Portugal, existem cerca de 400.000 trabalhadores com 432 euros de salário líquido, "abaixo do limiar da pobreza, que são 434 euros".
Santos Pereira, não prestou declarações no final do encontro.
O ministro da Economia insiste que esta medida vai contribuir para produzir mais riqueza. 

Ecos de uma vitória e táticas para os próximos jogos…

A maioria dos jornais europeus saúda a vitória do candidato socialista nas eleições presidenciais francesas, mas sublinha que, entre os desafios que o esperam, o mais importante é o das relações com a Alemanha e a sua atitude em relação ao pacto orçamental decidido pelo seu antecessor, Nicolas Sarkozy, e pela chanceler Angela Merkel.
“’Um novo começo’. O Presidente Hollande compromete-se a mudar a direção seguida pela Europa”. Para o diário londrino The Guardian, o candidato socialista “obteve uma vitória brilhante, não só para si [...], não só para a França, mas também para a esquerda na Europa”.
Nicolas Sarkozy é o 11.º dirigente europeu a cair desde o início da crise financeira, e este resultado representa também uma reprimenda aos antigos aliados do Presidente cessante, Angela Merkel e David Cameron. A nova orientação da França é um golpe mortal no tratado orçamental que constituiu a resposta de Europa à crise.
“Já lá vou, senhora Merkel”, é a manchete do diário Frankfurter Rundschau. Desde a sua proclamação que o Presidente eleito anunciou que a sua primeira viagem ao estrangeiro será uma visita à chanceler alemã, que deveria habituar-se a este novo parceiro, apesar das diferenças ideológicas entre ambos:
Merkel não seria Merkel se não fosse capaz de mudar de azimute. Não tem problemas ideológicos com os social-democratas [governou com eles entre 2005 e 2009], mesmo quando se chamam socialistas. Hollande não vai proclamar a revolução. Terá de aprender a adaptar-se, como o fez Merkel na crise grega.
"Hollande vence, começa o desafio na Europa", titula o milanês Corriere della Sera, para quem o novo Presidente francês é "um dirigente normal em tempos excecionais".
A mensagem deste mês de maio francês, nestes tempos de crise, de declínio da cidadania e da anti política, está, portanto, cheia de esperança. Para a França e para a Europa que olha para a França. [... É] também uma opção de defesa contra a Europa dos sacrifícios sem equidade e do rigor sem crescimento. [...] A França de Hollande já não sonha com o socialismo num só país, mas com um pouco mais de socialismo em toda a Europa.
Para El Mundo, "a vitória de Hollande dá lugar à incerteza na Europa". O diário conservador preocupa-se com a forma que tomará a "nova era" que se inicia "para a França e para o resto do continente".
Nunca uma eleição presidencial em França teve tantas repercussões na Europa. [...] A vitória do candidato socialista dissipa a hegemonia do centro-direita da última década e suscita dúvidas quanto à coabitação com a chanceler Angela Merkel, com quem [o Presidente cessante Nicolas] Sarkozy decidiu o acordo de união orçamental e as políticas de austeridade [...].
"Um novo começo para a Europa", prevê De Morgen, que considera, no entanto, que "o socialista Hollande se encontra, desde logo, em rota de colisão com a Alemanha na questão da austeridade". Num editorial, o diário realça que
a questão de saber se Hollande poderá realizar esta viragem europeia [em direção às medidas de crescimento], permanece em aberto. Prevemos já a sua primeira viagem a Berlim, onde deverá concluir um compromisso histórico com uma Merkel rígida. Estas negociações irão desenvolver-se num ambiente perturbado, no seguimento das eleições parlamentares de ontem, que dividiram a paisagem política da Grécia. [...] A partir de ontem, a Europa ficou mais vermelha. Mas, ao mesmo tempo, as nuvens de tempestade sobre o continente ficaram mais escuras.
Em Estocolmo, o Dagens Nyheter constata que, embora na imigração e nas minorias, o novo Presidente tenha escolhido um caminho mais tolerante e aberto do que o de Nicolas Sarkozy, "levanta questões preocupantes em elação à política económica".
Se Hollande rejeitar o pacto orçamental, criará problemas sérios. A Europa precisa de crescimento, mas sem uma barreira eficaz contra os grandes défices orçamentais dos Estados membros, o euro terá dificuldade em sobreviver. Isto prejudicaria a união monetária e a sua capacidade de tomar decisões em conjunto. Portanto, parece difícil que Hollande queira verdadeiramente negociar o pacto. Provavelmente contentar-se-á em acrescentar um protocolo mais inocente sobre a importância do crescimento.
No diário Hospodářské noviny, de Praga, o editorialista Martin Ehl considera que deste "fim de semana eleitoral" saiu uma "nova Europa". As eleições presidenciais em França e legislativas na Grécia demonstram que o Velho Continente enfrenta "uma nova Revolução francesa", que abala o consenso em volta da integração europeia, que atravessa a crise mais profunda desde os anos 1950.
Os europeus esperam mais dos seus dirigentes do que limitarem-se aos cortes orçamentais. [...] Depois do pacto orçamental, a Europa precisa de pensar a economia de uma forma inovadora.
Os franceses devem ser malucos. Sarkozy avisou. Os sacrossantos "mercados" avisaram. Merkel avisou. E, no entanto, eles não os ouviram e votaram em François Hollande. Agora, está tudo nas suas mãos. Se der o dito na campanha por não dito e se limitar a ser um Sarkozy moderado, será o derradeiro coveiro dos partidos socialistas e social democratas europeus. Terão perdido a última oportunidade que lhes foi dada para mostrarem a sua utilidade política. Restar-lhes-á o caminho do PASOK grego. Se se limitar a uma retórica inconsequente sobre o relançamento do crescimento económico europeu será o coveiro da União.
Se, pelo contrário, François Hollande construir um novo eixo, que passe pelos grandes países em dificuldades - Espanha e Itália -, para um verdadeiro programa de crescimento e o reforço de medidas que salvem o euro da irresponsabilidade de Berlim e do BCE, terá direito a um lugar na história. E isso passa por fazer a EU regressar ao projeto europeu em que não há lugar para decisões a dois.
O comportamento idiota da senhora Merkel, ao apoiar Sarkozy e ao recusar-se a receber Hollande, antes das eleições (que apenas confirmou a sua mediocridade política), pode ter facilitado a vida ao futuro presidente francês. O primeiro passo é claro: travar o tratado contra as democracias europeias. Ou Hollande compreende que a França será irrelevante numa Europa de estilo imperial ou terá o mesmo fim que Sarkozy. Só dele depende a escolha que tem de fazer. O caminho é difícil. Mas o primeiro passo é bastante claro. Terá de confirmar a ideia que deu no debate com o seu adversário: que não é, como lhe chamavam alguns, Flanby. Um pudim sem firmeza ou coragem. De Atenas veio o recado para a Europa. Virá de Paris a solução?
A condição é não dar ouvidos aos que, tentando reduzir os danos de um fim de semana trágico para as teses austeritárias, lhe pedem para substituir Merkozy por Merkollande. Esses, já se sabe, consideram a democracia um pormenor e a soberania do povo um mero conceito teórico.
Daniel Oliveira

Ecos da blogosfera - 8 maio

terça-feira, 8 de maio de 2012

8 de maio de 1945 - O Dia da Vitória na Europa

O general Jodl (ao centro) assina a rendição
A senhora Angela Merkel, tenha disso consciência ou não, age de acordo com a velha arrogância prussiana, ao convidar François Hollande a visitar Berlim, no próximo dia 16 — logo depois de empossado. Foi quase uma convocação. Ela deixou claro, ao cumprimentar o novo presidente, que podem falar de tudo, menos do essencial: da “austeridade” orçamental. Austeridade, na visão germânica da política europeia, significa seguir o caminho percorrido até agora, com os bancos recebendo milhares e milhares de milhões de euros, emitidos sem lastro, e usando-os para especulações do seu interesse e para atrapalhar ainda mais os países meridionais. Os bancos receberam o dinheiro do BCE a 1% ao ano e emprestam-nos aos Estados em crise a juros de 6% a 9% ao ano. Um “spread” usurário.
Se François Hollande, fatigado pela campanha e pelos festejos da vitória, não estivesse desatento, poderia ter sugerido que o encontro se fizesse em Bruxelas, sede da União Europeia, e não em Berlim. Se ela pretende discutir o desenvolvimento económico continental, o lugar do encontro não poderia ser outro se não Bruxelas, a menos que ela, num gesto de boa diplomacia, tivesse proposto visitar Paris.
A senhora Merkel faz lembrar um de seus antecessores na Chancelaria do Reich, que convocou para Munique os primeiros-ministros da França (Daladier), da Itália (Mussolini) e da Inglaterra (Chamberlain) a fim de lhes impor a sua vontade, a de se apoderar de grande parte do território checoslovaco. O fantasma de Hitler está sob o portal de Brandenburgo.
Mauro Santayana - Jornal do Brasil
A Alemanha está disposta a seguir a linha de crescimento defendida pelo novo Presidente de França, mas não sem que o Tratado Orçamental seja ratificado. Angela Merkel propôs um pacto de crescimento a François Hollande. No entanto, não dá o braço a torcer no que toca à política de austeridade e disciplina financeira.
No domingo à noite o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, na receção da Embaixada de França em Berlim, desvalorizou as divergências entre os dois governos, manifestando a esperança de que Hollande se distancie das suas promessas eleitorais de abandonar o rumo da austeridade e financiar medidas de crescimento.
O presidente eleito da França, François Hollande, e o atual, Nicolas Sarkozy, recordaram juntos nesta terça-feira o fim da II Guerra Mundial e ambos colocaram um ramo de flores no túmulo do soldado desconhecido ao pé do Arco do Triunfo em Paris.
O conservador Sarkozy tinha convidado o socialista Hollande, que o derrotou na 2ª volta presidencial no domingo, a participar na comemoração da rendição nazi.
Os dois presidentes deram as mãos e colocaram juntos, um ramo de flores no túmulo do soldado desconhecido. Depois acenderam a chama e ouviram a Marselhesa e o Canto dos Partidários, emblemático da resistência francesa contra os nazis, cantados por um coro militar.
Após a rápida cerimónia, os dois presidentes trocaram algumas palavras, sorridentes, mas não fizeram declarações oficiais.
Hollande limitou-se a afirmar à imprensa que "há assuntos que unem todos".
Sobre a atitude arrogante de Merkel convidar para sua casa quem se lhe opõe, já eu a tinha comentado aqui no mesmo sentido, o que apenas prova que não sou o único cego a ver e a sua interpretação pode ir tão longe quanto se quer fazer suposições…
Sobre a afirmação do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, convidando um Presidente da República recém eleito a mandar às urtigas as promessas eleitorais feitas e que lhe deram a vitória, também já dei aqui conhecimento da mesma, sem comentários, porque nem os merece, de tão inqualificável e falta de ética política…
Não deixa de ser simbolicamente forte e regeneradora esta cerimónia, por 3 razões:
1 – Lembrar à Alemanha que faz hoje 67 que o exército alemão se rendeu, numa segunda tentativa bélica de ocupar a Europa e dominar o mundo;
2 – Lembrar à Alemanha e ao mundo, que foi a França um dos baluartes da Resistência à opressão e ao genocídio e uma nação aglutinadora de todos os Aliados na mesma luta e
3 – Lembrar a Merkel que o “convocado” para ir a Berlim no próximo dia 16 é o atual Presidente da República francesa, que levará consigo, para “negociar”, esse memorial da História, que é um “mal” não transacionável.
Fica por interpretar a atitude de Sarkozy, mas podemos pensar que será uma bofetada de luva branca à sua “apoiante”, arrependido de a ter apoiado e por isso ter sido imolado…
O Dia da Vitória

Foto - Depois da assinatura de rendição, o general Jodl (ao centro), levantou-se, pediu permissão para falar e em alemão disse: “Com esta assinatura o povo Alemão e as forças armadas alemãs entregam-se, para o bem ou para o mal, nas mãos dos vencedores. Nesta guerra que durou mais de 5 anos, o povo e as forças armadas foram capazes de realizar gestos memoráveis, sofrendo talvez mais do que qualquer outro povo no mundo. Nesta hora só posso expressar a esperança de que os vencedores os tratem com espírito generoso”.

Reflexão do Relvas… 8 maio

Para o ministro, que falava em Madrid num encontro ibero-americano, fortalecer os laços bilaterais deste espaço de nações é "uma prioridade absoluta". Nesse sentido, explicou, a Declaração Conjunta que os presentes no encontro assinam terça-feira "representa mais um passo concreto na construção de uma verdadeira solidariedade transcontinental".
Na sua intervenção, o governante português disse aos seus homólogos que se deve "melhorar os níveis de transparência da administração e a própria conceção de Estado, pondo-o cada vez mais ao serviço dos cidadãos".
"Eliminando gorduras e redundâncias. Combatendo desperdícios. São mudanças exigidas há décadas na sociedade portuguesa e que agora concretizamos com genuíno espírito reformista", disse, considerando que "não se pode governar de outra forma".
Relvas afirmou que o Governo continua "atento" às políticas sociais e ao "combate persistente e determinado às desigualdades, à exclusão e ao desemprego". "Na defesa da proteção social, na promoção ativa da igualdade entre mulheres e homens e no indispensável reforço da solidariedade entre gerações. Sem preconceitos, sem egoísmos", disse ainda.
Para o governante, porém, "as conquistas sociais dependem do crescimento económico, sem o qual todos os esforços, por mais bem intencionados que sejam, estarão sempre condenados ao fracasso".
Hoje, a identidade portuguesa, ainda que profundamente europeia, "completa-se no diálogo permanente com outras regiões do globo" com as quais estabeleceu "vínculos afetivos ao longo dos séculos", recordando o papel pioneiro de Portugal na globalização, o que se reflete na posição assumida no seio da UE onde Portugal sempre defendeu "uma estratégia de aproximação das instituições comunitárias ao continente americano, e designadamente à América Latina, como espaço natural de convergência".

Contramaré… 8 maio

Mário Soares, antigo Presidente da República e histórico do PS, considera que Seguro deve desvincular-se do acordo rubricado com a troika. O socialista justifica esta posição com o facto de “a austeridade não fazer sentido”. Por outro lado, sustenta Soares, Portugal rubricou aquele acordo num cenário económico que “chegou ao fim”.

E não é que o povo (não) tem sempre razão?

O candidato socialista tornou-se Presidente da República ao derrotar Nicolas Sarkozy com 51,62% dos votos. Uma “alegria imensa” para o diário de esquerda Libération, que vê no acontecimento uma aposta no futuro. Mas, perante a crise, o estado de graça arrisca-se a ser curto.
A alegria. A alegria imensa. Ver fechar-se um parêntesis, dissipar-se uma maldição. E de que maneira! François Mitterrand não foi uma anomalia da história, mas o primeiro Presidente de esquerda. E há agora um segundo: François Hollande. Para a esquerda, 2012 faz renascer 1981, dá vida e cor a essas imagens envelhecidas, sépia, que pareciam condenadas aos livros de História. Memórias íntimas dos velhos ou novos que então éramos. Este 2012 também apaga o 2 de abril de 2002, essa queimadura, essa ferida. Dez anos depois, está reparado o traumatismo de, uma noite, ter visto a esquerda ser riscada da paisagem política francesa.
O que é votar à esquerda? É dizer que, apesar do individualismo das sociedades contemporâneas, existe um “nós”. Que ideias como justiça, igualdade, partilha e solidariedade podem e devem organizar a vida pública. Como essas instituições e esses bens públicos, criados pelo Conselho Nacional de Resistência, que são anteriores a nós e nos sobreviverão depois de nos moldarem. Que é possível, por isso, ir contra os valores da época para fazer viver aquilo que nos une, em vez de seguir a inclinação natural, ouvindo a vozinha que fala em cada um de nós e nos incita a viver a nossa vida defendendo apenas os interesses individuais.
Numa França à beira do abismo, que podia ter escolhido barricar-se atrás das fronteiras da fantasia a recordar o seu passado, a vitória de François Hollande demonstra que o país preferiu a esperança. Olhou para a frente e não para trás. Saboreemos este momento em que um povo decide fazer uma tal escolha. E olhar o futuro.
Porque esta é a tarefa que espera François Hollande. Reparar o país, certamente. Refazer a sociedade, evidentemente. Reduzir as desigualdades de destino entre os franceses, sejam eles quem forem e venham de onde vierem. Mas, para que tudo isto seja possível: sobretudo, desenhar o futuro. Mostrar que a França não é apenas um património, uma história, um grande passado. Que pode, também, projetar-se no futuro e reinventar-se.
Esta página em branco, inquietante em muitos aspetos, exaltante em muitos outros, tem de começar a ser escrita. De maneira resoluta, imperativa, para não dececionar este voto e a confiança que ele ainda manifesta na capacidade de mudar as coisas da política, ainda que não possa mudar a vida. O trabalho mal começou e vai ser difícil, já a partir de amanhã. Mas hoje, sejamos felizes e vivamos plenamente este feliz mês de maio.
Contraponto - Evitar uma crise europeia
François Hollande “é o Presidente de todos os franceses”, reconhece Le Figaro. “Assim o quer a democracia. Saudamos esta eleição como a expressão da vontade maioritária. Por isso, bem-vindo, senhor Presidente.” O diário, apoiante indefetível de Nicolas Sarkozy, diz que
a História julgará o seu mandato de 5anos e registará que, tendo enfrentado a pior crise económica e financeira dos últimos 50 anos, conseguiu ainda assim fazer reformas essenciais em áreas como a universidade, a investigação, a justiça, as pensões, a redução das despesas públicas, a extensão dos direitos dos cidadãos… manteve orgulhosamente a posição de França na cena internacional e desempenhou um papel decisivo na salvação da Europa e do euro.
Le Figaro escreve que, para o novo Presidente, 
[…] o crescimento constitui uma prioridade, tal como o regresso ao equilíbrio. Muitos dos nossos parceiros partilham essa vontade, incluindo Angela Merkel. Vai ser preciso chegar a acordo sobre as modalidades desse crescimento e aceitar as reformas estruturais necessárias. É ainda preciso evitar o recurso excessivo aos impostos, em vez de se fazerem poupanças. Nada é possível sem um acordo europeu. Para lá chegar, talvez o melhor seja abandonar a estranha  ideia de renegociar o pacto de estabilidade e aceitar uma adenda sobre o crescimento. Assim se evitaria o risco de uma nova crise europeia.

Ecos da blogosfera - 7 maio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A mentira tem a perna curta e a demagogia ainda mais!

"La derrota" de Pamela Contreras
Os resultados eleitorais na Grécia e em França apontam para uma derrota da estratégia seguida pela chanceler alemã, que também viu a sua coligação CDU-FDP perder nas eleições para o estado alemão de Schleswig-Hostein. A agência de informação Eurointelligence, classificou os resultados em França e na Alemanha como uma "insurreição" (pelo voto).
A chanceler alemã Ângela Merkel já convidou Hollande a deslocar-se a Berlim.
Em França, o candidato socialista às presidenciais François Hollande ganhou a Nicolas Sarkozy. Em termos europeus, Hollande apontou para a necessidade de uma "adenda" ao "pacto orçamental" virada ao crescimento.
Na Grécia, a perda de maioria dos partidos que sustentaram o segundo Memorando de Entendimento que implicou o segundo plano de resgate foi o facto mais significativo. O Parlamento em Atenas tem agora 7 partidos, em que as formações políticas explicitamente contra o Memorando somam 44% dos lugares. O cenário de "ingovernabilidade" e convocação de eleições antecipadas em junho tem surgido nos media gregos.
Na Alemanha, a coligação CDU-FDP (que suporta o governo federal da chanceler Merkel) conseguiu apenas 38,9% dos votos. Uma provável coligação entre o SPD (sociais-democratas), Verdes e o partido da minoria dinamarquesa dispõe de 48,4%.
Já se pode dizer que os arautos da “inevitabilidade”, nacionais e estrangeiros, governantes e palradores, não dormiram bem esta noite, depois da derrota da estratégia seguida por Merkozy (ou do ministro da Finanças alemão), que assentava no saque aos mais pobres para dar aos mais ricos e simultaneamente responsáveis por fraudes monumentais na estrutura financeira e económica, que geraram a “crise”, pela exigência de se pagar já o que foi endividamento durante mais de 20 anos.
Ouvir ontem nas TVs os urubus do sistema (colaboradores diretos das políticas do passado e beneficiários das circunstâncias do presente), entalados e muito “preocupados” com as dificuldades de cumprimento das promessas feitas por Hollande, até dava pena, pela volatilidade dos seus argumentos, que sempre foram demagógicos.
Parece que a chanceler alemã já convidou Hollande a deslocar-se a Berlim, parece que por tradição, o que pode parecer um beija mão à mesma “rainha” e um gesto de subalternização do Presidente de França a quem não é mais do que ele, mesmo que seja mais rica. Lógico e costumeiro, é que quem vence é que convida os amigos com quer repartir os sentimentos, solidariamente…
Para quem apontava os socialistas/social democratas pelos males do mundo atual e vaticinavam, alarvemente, a extinção de tais programas em favor de programas de partidos de direita (quanto mais à direita melhor), estas eleições deixaram-nos a falar sozinhos e aconselham-nos a terem mais cuidado nas análises sociológicas e políticas que fazem, que devem separar dos seus interesses pessoais, de grupo, ou de partido. Mas depressa dão a volta por cima e já ninguém defende apenas a austeridade e já começam a perceber que sem crescimento, só a continuação do caos é possível…
Entretanto na Grécia, caiu um partido “socialista” e os partidos que sustentaram o segundo Memorando de Entendimento foram penalizados por isso, o que significa a rejeição das políticas de austeridade, gerando-se uma situação de ingovernabilidade, o que leva à hipótese de novas eleições, numa brincadeira “democrática”, até à vitória de uma maioria de subservientes…
Curioso no caso da Grécia é não terem obrigado os partidos do arco do governo a assinarem o compromisso de cumprimento do Memorando, como fizeram connosco… Pourqoi? Why? Warum? Γιατί?
Para azar da Sra. Merkel, nem no seu país a querem, como acontece pela 6ª vez nas eleições regionais (só ganhou uma) o que lhe retira toda a autoridade que pensa que tem, a não ser que tal lhe venha dos DEO (Deus, em latim), como alguns servos a querem aureolar…
Ontem ninguém ganhou nada, mas perder ainda mais passou a parecer impossível e fica a esperança a germinar nas terras mais áridas desta Europa, onde há muitos trabalhadores sem trabalho por falta de alguns adubos biológicos, regados com muita solidariedade…
A bem da Nações!

"Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar." – Mia Couto

O escritor moçambicano, Mia Couto, esteve na Póvoa de Varzim no passado dia 4 de maio para apresentar o seu mais recente trabalho “A Confissão da Leoa”, romance que retrata a condição da mulher de uma comunidade do interior do seu país atacada por leões e que voltou a encantar os presentes com a sua voz doce e histórias que prendem da primeira à última palavra, apaixonando o público.
Um acontecimento real vivido pelo autor na aldeia de Kulumani, no Norte de Moçambique, onde as sucessivas mortes de pessoas, quase sempre mulheres, provocadas por ataques de leões é pretexto para Mia Couto escrever este surpreendente romance, não tanto sobre leões e caçadas, mas sobre homens e mulheres vivendo em condições extremas. Como afirma um dos personagens, “aqui não há polícia, não há governo, e mesmo Deus só há às vezes”.
“Começaram então a surgir ideias que, para mim, constituíam o desamparo total. As pessoas começavam a reconstruir antigos mitos para encontrarem defesas, como pensar que aqueles leões não se conseguiam matar com armas porque não eram deste mundo” explicou e continuou “Percebi que havia diferentes tipos de medo e uma condição desumana da mulher, que não é só coisa de África, é uma coisa do mundo. Por outro lado, percebi que em determinadas sociedades o homem tem receio de ser devorado por uma mulher que tenha poder, e o medo torna-os inseguros e violentos”. “Há mulheres que são devoradas pela vida antes de serem devoradas pelos leões. Esta história é apenas um pretexto para escrever sobre as mulheres”, confessou.
Sobre e contra este pano de fundo ergue-se uma extraordinária figura de mulher – Mariamar.