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quinta-feira, 24 de março de 2011

Trabalhar com rede, não elimina risco de quedas…

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que está “grata” ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas e lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento e lembrou que as novas medidas tomadas pelo Governo português para reduzir o défice orçamental foram de “longo alcance” e apoiadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela União Europeia.
Finalmente a D. B(r)anca, Angela Merkel confessa-se agradecida ao nosso ex-PM pelo trabalho feito… e nós também, pelas razões contrárias e o governo de gestão, ou o mais tardar o próximo, deve exigir o envio do submarino, já pago, por imposição desta Sra.
E como a Sra. não sabia que tínhamos um Parlamento e que somos um país soberano (mesmo que com dívidas) gostava que as novas medidas de austeridade impostas aos portugueses tivessem sido viabilizadas, para reduzir o défice orçamental, por serem de longo alcance, tal e qual como na Grécia e na Irlanda, com resultados assassinos à vista.
O risco da dívida espanhola aumentou hoje 7 pontos base, para os 200, no que o mercado considera ser um efeito da crise política em Portugal e do quase inevitável resgate do país, segundo a imprensa espanhola.
Como se percebe pela estrutura financeira da UE e dos países da zona Euro, que funciona em rede, com dívidas entrelaçadas, qualquer corte numa ligação, tem interferência no sistema (tipo BPN?), a Espanha já está a sofrer no pelo e insiste que nós é que devemos pedir algum, comermos pão e água, para eles continuarem a comer “tapas” e um copito. Até se esquecem que o pedido de ajuda não pode ser feito por um governo de gestão.
A imprensa espanhola está hoje a dar um amplo destaque à situação em Portugal e a associar a evolução da bolsa ao perigo de “contágio” do risco financeiro derivado da instabilidade política em Lisboa.
El Mundo fala mesmo de Portugal estar “à deriva” e diz em título que a crise política “lança o país para o resgate financeiro”.
No entanto, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, disse, numa entrevista publicada hoje num jornal finlandês, que Portugal pode não precisar da ajuda do fundo de resgate europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Lusa diz por seu lado que o risco das obrigações espanholas a dez anos está a aumentar, depois de vários dias a descer, “arrastado pelo que o mercado considera ser o efeito da situação política e económica em Portugal”.
Um deputado do PP espanhol manifestou-se hoje por seu lado preocupado com um eventual resgate a Portugal, “tenha um efeito de contágio em Espanha”, país que “não fez os seus deveres” económicos.
E a imprensa espanhola, como espanhola que é, receia o contágio de Portugal, apesar de já estar contaminada, por ficarmos à deriva (como se já não andasse-mos) e esquecendo-se que a Bélgica tem um governo interino há um ano e até agora não foi considerado como um problema maior, na perspectiva União Europeia. Só deixa de ser caso único…
Afinal em Espanha, os juros já estão a subir e o governo não se demitiu e já há um deputado (do PP) a ver o que acima já disse.
Mas, ao contrário dos maus agoiros, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, que é dos que muda de opinião todos os dias e desmente sempre o que os outros dizem, veio dizer que Portugal pode não precisar da ajuda… e esperemos que não precise daquelas medidas de austeridade, e se lembrem de alongar o prazo de pagamento (como fizeram com a França para reduzir o défice, há 4, ou 5 anos), para cumprirmos as nossas obrigações, com honra e dignidade e não nos chamem “PIGS”…
Juros da dívida soberana portuguesa lideram as subidas nos PIIGS. Juros a 5 anos abrem em 8,36%. Maior subida é nos juros a 3 anos, já acima dos juros a 10 anos.
Cimeira toldada
Segundo os analistas da Eurointelligence, a própria cimeira da União Europeia, que se inicia hoje, está toldada não só pela crise política portuguesa, mas também pelo impasse na renegociação do Memorando de Entendimento com a Irlanda (que, recentemente, elegeu um novo governo de coligação), bem como pelas divergências internas notórias na Alemanha e a provável oposição da Finlândia (que vai a votos em abril) ao acordo que tem sido negociado durante este mês.
Todos os media fizeram notícia da subidas das taxas de juro das dívidas, relacionando-as com a queda do governo, o que É FALSO, já que eles próprios, todos os dias davam a mesma notícia, quando o governo estava legitimamente em funções. Haja seriedade, análise e respeito pela lógica das causalidades. Ao menos apresentavam um garficozinho dos últimos 30 dias...
E afinal, a Cimeira da União Europeia, que se inicia hoje, está toldada, não pela situação portuguesa, mas outras e mais sérias questões, que levarão, mais ano menos ano, ao fim da UE e da zona Euro, o que nas circunstâncias e nas consequências, nem era bom, nem mau, antes pelo contrário.
Sociedades? Nem com a mulher (companheira)!
Entretanto, a VIDA CONTINUA, melhor para uns e pior para outros, mas há sempre a reconstrução, das sociedades e dos edifícios, que implementam a indústria da construção civil. Aqui é que nem isso…

Com palavras e bolos, se enganam os tolos!

A novilíngua portuguesa
Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos: “afro-americanos”, com vista a adocicar o racismo por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
As criadas dos anos 70 passaram a “empregadas domésticas” e preparam-se agora para receber a menção de “auxiliares de apoio doméstico”.
As donas de casa passaram a designar-se “empresárias do lar”.
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os contínuos que passaram todos a “auxiliares da acção educativa” e ultimamente “agentes operativos”.
Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por “delegados de informação médica”.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em “técnicos de vendas”.
aborto eufemizou-se em “interrupção voluntária da gravidez”.
Os gangs étnicos são “grupos de jovens”.
Os operários fizeram-se de repente “colaboradores”.
As fábricas, essas, vistas de dentro são “unidades produtivas” e vistas da estranja são “centros de decisão nacionais”.
analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à “iliteracia” galopante.
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes “Conforto” e “Turística”.
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: “Sou mãe solteira...”; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: “Tenho uma família monoparental...” - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e ‘terroristas’; diz-se modernamente que têm um “comportamento disfuncional hiperactivo”.
Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação', os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, “crianças de desenvolvimento instável”.
Ainda há cegos, infelizmente, mas como a palavra podia ser considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado “invisual”. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
As prostitutas passaram a ser “senhoras de alterne”.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em “implementações”, “posturas pró-activas”, “políticas fracturantes” e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a “correcção política” e o novo-riquismo linguístico.
Estamos lixados com este 'novo português'! Não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.
E falta ainda esclarecer que os tradicionais anões estão em vias de passar a "cidadãos verticalmente desfavorecidos"...
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por "indivíduos com atitude não vinculativa".
O mongolismo passou a designar-se “síndroma do cromossoma 21”.
Os gordos e os magros passaram a ser “pessoas com disfunção alimentar”.
Os mentirosos passam a ser "pessoas com muita imaginação".
Os que fazem desfalques nas empresas e são descobertos são "pessoas com grande visão empresarial mas que estão rodeados de invejosos".
Para autarcas e políticos, afirmar que eu tenho impunidade judicial, foi substituído por "estar de consciência tranquila".
O conceito de corrupção organizada foi substituído pela palavra "sistema".
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, problemático, etc., passou a ser sinónimo de complicado.
Mas complicado mesmo, é irmos todos(?) na onda, para não perdermos o barco da modernidade e ingressarmos no número de responsáveis pela crescente “iliteracia” em Portugal…
Apesar do sabor anedótico do texto e da lista de exemplos ser diminuta, na verdade estes novos termos, que não os conceitos, estão na base de todas as sub-novilínguas específicas, que passam pelo “eduquês”, “jurisduquês”, “economês”, “futebolês”, etc., que contribuem para um corporativismo linguístico, originando um crescente desentendimento inter corporações.
Politicamente falando, tudo tem a ver com a desconstrução de conceitos, numa primeira fase, para a posteriori se desligar esse conceito dos direitos/deveres inerentes e finalmente se alterar/eliminar os direitos correspondentes.
Texto recebido por mail

O Dr. Silva não fala, mas ausculta…

quarta-feira, 23 de março de 2011

E Satanás disse: "Ao teu próximo Almaraz!"

A Central nuclear de Almaraz é uma central nuclear situada no município de Almarz (Cáceres), na comarca natural Campo Arañuelo e refrigerada pelo rio Tejo. É do tipo PWR, é gerida e pertence às empresas Iberdrola (53%), Unión Fenosa (11,29%) e Endesa (36%).
Tem dois reactores: Almaraz I de 973.5 MW e Almaraz II de 982.6 MW. Produz 9% de toda a energia que se produz em Espanha  O sistema de refrigeração é de circuito aberto (para a albufeira de Arrocampo).
Começou a sua construção em 1972; o primeiro reactor começou a operar em 1981 e o segundo em 1983. Ocupa uma área de 1.683 hectares.
Foi a quarta central nuclear construída em Espanha, sendo a primeira central de segunda geração em Espanha.
A licença expira: (Grupo I) em 2021 e (Grupo II) em 2023, tendo sido renovada em 8 de Junho de 2010, por mais 10 anos.
Poucos menos anos tem do que a Central de Fukushima, que tem cerca de 40 anos.
É pertença e gerida por empresas privadas conhecidas dos portugueses.
Viu o prazo de exploração prorrogado por mais 10 anos.
A imagem é tão feérica na beleza (publicidade enganosa) como nas catástrofes 
Portugal atento a incidente nuclear em Espanha
09-11-07 - Incidente numa central nuclear do Tejo em Espanha
“O ministério do Ambiente está a recolher informações, junto das autoridades espanholas, sobre um incidente ocorrido esta semana no sistema de refrigeração da central nuclear espanhola de Almaraz, a 200 quilómetros da fronteira portuguesa”, disse fonte governamental, acrescentando que Portugal não foi oficialmente notificado do incidente. “Temos conhecimento da situação, embora a Agência Portuguesa do Ambiente não tenha sido notificada ou alertada. Ainda não existe nenhuma informação técnica rigorosa sobre o que aconteceu”, explicou a fonte do Ministério do Ambiente português.
A porta-voz da organização ecologista Greenpeace-Espanha, Sara Pizzimato, disse que Portugal poderá enfrentar “consequências desastrosas”, como contaminação radioativa da parte portuguesa do Rio Tejo, caso se registe um acidente na central nuclear. “Existe um risco de acidente grave na central nuclear de Almaraz que não pode ser excluído”, afirmou a responsável, explicando que em Portugal “existem os mesmos riscos de contaminação que existem em Espanha”.
Diferentes organizações têm pedido o encerramento da central de Almaraz, devido à ocorrência de alguns problemas na central.
Já houve acidentes, não comunicados ao governo português, mas nos dias de hoje o mesmo governo diz que há planos de emergência e pelos vistos (basta estar minimamente informado) os riscos são extremamente maiores dos anunciados pelo nosso governo. Claro!
sábado 20 de octubre de 2007
Ecologistas de Extremadura plantea la necesidad urgente de cerrar la central nuclear de Almaraz ante el riesgo cada vez mayor para la seguridad ante los múltiples y reiterados incidentes, cuatro en los últimos cuatro meses. Desde esta asociación lamentan asimismo que el CSN no proporcione las oportunas explicaciones, y ni siquiera responda a las peticiones de información realizadas por Ecologistas tras el incidente del 18 de Julio.
En todo caso, consideran que para los ciudadanos extremeños es del todo inaceptable que la central nuclear funcione más allá del horizonte de 2010, pues supone una amenaza constante y un handicap al desarrollo, al espantar muchas inversiones sostenibles de Extremadura.
Em 2007, em 4 meses, foram denunciados 4 incidentes na Central, sem explicações e sem respostas a quem as pediu, razão para os ecologistas da região exigirem o seu encerramento em 2010.
miércoles 9 de junio de 2010
Ecologistas Extremadura desea hacer públicos su insatisfacción y malestar ante la prórroga concedida a la central nuclear de Almaraz para que ésta siga funcionando diez años más.
En este sentido, afirman que queda meridianamente claro quién detenta realmente los hilos del gobierno de este país, en donde los políticos no son más que tristes comparsas al servicio de los grandes poderes económicos.
Con esta prórroga además consideran que ha quedado de manifiesto que el PSOE no cumple sus promesas y compromisos con sus electores, recuerdan que varios dirigentes del PSOE prometieron reiteradamente que Almaraz se cerraría en 2010 y que Jose Luis Rodríguez Zapatero también manifestó su compromiso por el fin de la energía nuclear, según se acercaba el momento de cumplir han ido olvidando su compromiso, con excusas varias y llevando a cabo campaña continuada para intentar cambiar la opinión de los ciudadanos, en vez de hacer lo que la mayoría de los extremeños querían, cerrar Almaraz en 2010, teniendo en cuenta los defectos de diseño y los múltiples fallos de seguridad registrados en la planta, en una década puede ocurrir de todo.
A quienes defienden que Almaraz genera riqueza en la región, responden los ecologistas extremeños que tratándose de dos reactores nucleares sin duda estamos claramente hablando de pan para hoy y hambre radiactiva para mañana.
A 8 de Junho, o governo espanhol prorroga o prazo por mais 10 anos o que leva os ecologistas a denunciarem que os políticos não são mais do que tristes comparsas ao serviço dos grandes poderes económicos, ao quebrar as promessas dos PSOE e deixar continuar em funcionamento, uma Central Nuclear com incidentes no passado recente.
Claramente, se o governo espanhol está tão pouco preocupado com os espanhóis, que preocupação terá com os portuguezinhos, que sem “beneficiarem” dos “proveitos” estão sujeitos às eventuais consequências?
Hermanos, hermanos, negócios privados à parte...

E cada um de nós pode confirmar os resultados…

O excesso de informações confunde o cérebro e dificulta a memorização, comprovaram pesquisadores das universidades Stanford e Yale, nos EUA. "Descobrimos que a concorrência entre lembranças resulta em memória pior", disse o psicólogo Brice Kuhl, pesquisador de Yale e principal autor do trabalho.
Diariamente e o tempo todo, o cérebro é exposto a toneladas de informações. Umas são mais lembradas do que outras. "Embora saibamos que a competição entre memórias é uma parte fundamental da memorização, há poucas provas de como o processo acontece no cérebro", escrevem os autores, no artigo publicado ontem na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".
O estudo monitorizou com ressonância magnética a atividade cerebral de voluntários, durante teste composto de várias rodadas.
No teste de memória, imagens e informações eram misturadas em placas e as pessoas deviam lembrar-se do conteúdo separadamente.
Os pesquisadores descobriram que, quando a lembrança era clara, era como se a pessoa revivesse o momento em que a memória foi armazenada, com a ativação das mesmas áreas cerebrais. Mas, quando as informações foram misturadas, o cérebro também se confundiu e tentou reproduzir duas memórias. A pessoa teve dificuldade de se lembrar com clareza do conteúdo. "É como se a memória estivesse borrada. Pode-se dizer que quando tentamos guardar duas coisas, não guardamos direito nenhuma delas", afirma Cláudio da Cunha, pesquisador de neurociência e farmacologia da Universidade Federal do Paraná.
MEMÓRIA FOTOGRÁFICA
Para a bióloga e neurocientista, Valéria Catelli Costa, pesquisadora da USP, o maior achado do trabalho foi mostrar como as memórias são codificadas no cérebro, formando "desenhos".
A facilidade ou dificuldade de se lembrar de um acontecimento depende de como essa codificação foi feita. "Quanto mais associamos dados a um facto, mais fácil fica lembrar-se, e melhor é a codificação."
Segundo os autores, a codificação é influenciada por memórias antigas e analogias com eventos diferentes.
"Pode ser uma influência negativa ou positiva. A memória de um número de telefone velho torna mais difícil aprender um novo número", exemplifica Kuhl. Mas, também, um especialista em vinhos só é especialista porque se lembra de conhecimentos anteriores.
"Selecionamos memórias úteis. Guardamos o que é requisitado em tarefas", diz o neurologista Benito Damasceno, da Unicamp. Para ele, o processo de competição é positivo, porque nos torna capaz de separar o que é importante. "Com a seleção conseguimos consolidar uma aprendizagem e reviver um acontecimento."
O problema é que nem sempre essa seleção é consciente. Para o pesquisador americano, não existem memórias mais fortes do que outras. Então, não adianta muito esforçar-se para lembrar a data do aniversário de casamento, por exemplo. "Queremos pensar que as memórias emocionais ou afetivas são mais fortes, mas nem sempre isso é verdade."

Todos juntos não seremos muitos!

Já se pode notar (no Brasil) um número crescente de pessoas, particularmente de empresários - homens e mulheres - que passaram a considerar ser da sua responsabilidade o ato de intervir positivamente em prol de uma sociedade mais justa e solidária.
É vasto o leque de motivações que une essa classe de pessoas nas suas demonstrações de participação cívica e ação voluntária, sendo evidentes fatores como o senso de devolução social (give-back), consciência de civilidade e cidadania, inconformismo e mesmo descrédito nas instituições públicas que, em tese, deveriam tomar para si essas responsabilidades (raciocínio derivado do Contrato Social de Rousseau).
O voluntariado social é uma das formas de organizar os que querem por os seus recursos, conhecimentos, habilidades, experiência, tempo e motivação ao serviço do próximo, da redução das desigualdades de oportunidade e da diminuição das barreiras estruturais que limitam o exercício completo da cidadania de pessoas em situação desfavorável.
Historicamente, fazer trabalho voluntário significava, na maioria das vezes, um exercício pontual de caridade, geralmente motivado por compaixão, religião, vivência próxima a determinada causa ou, na ponta negativa, interesses de promoção pessoal ou controlo social. Por muito tempo, o voluntariado não conseguiu desligar-se da tradição filantrópica assistencialista e paternalista que marcou a formação da(s) cultura(s) (brasileira).
Nas últimas décadas, porém, uma série de transformações mundiais e locais começou a mudar drasticamente esse panorama. Essas transformações são resultado da conjunção de diversos fenómenos, dentre os quais:
I - a mudança do papel dos Estados Nacionais (que cada vez menos conseguem garantir o bem-estar social igualitário);
II - a crise de credibilidade dos partidos políticos (que perderam legitimidade perante a população como mecanismos eficazes para a promoção das mudanças sociais necessárias);
III - o fortalecimento gradual das organizações da sociedade civil (ONGs), como contraponto à hiposuficiência do Estado e
IV - o acirramento mais agudo dos problemas económico-sociais - tais como desemprego e violência - que passaram a afetar diretamente, não apenas os grupos de baixo rendimento restritos às regiões periféricas (ou países do 3º. Mundo), mas também os segmentos de médio e alto rendimento, independente da região, ocupação e mesmo formação.
Neste contexto, o 3º Setor tem-se apresentado aos cidadãos e empresas como um ecossistema mais comprometido com a concreta transformação das realidades sociais negativas que afetam a vida das comunidades e, portanto, dos indivíduos.
As pessoas começam a perceber que, pelo voluntariado, podem não apenas ajudar a construir uma sociedade mais equilibrada, como também encontrar uma alternativa ao modelo individualista de que se tornaram reféns.
As empresas modernas, por sua vez, percebem uma oportunidade relevante de alavancar as suas metas de negócios junto à sua postura de cidadania corporativa, visto que contribuir para o desenvolvimento e manutenção do seu ecossistema e para o incentivo à formação de cidadãos melhores (potenciais trabalhadores e consumidores) é missão que, de certa forma, lhe infere perenidade, além de certa dose de admiração social.
Essa conjunção de fatores vem desencadeando uma repaginação concetual do chamado trabalho voluntário e das suas prorrogativas tradicionais.
Por outras palavras, não basta financiar, há que se arregaçar as mangas, literalmente. Como efeito prático, tal atitude tem resultado em satisfação pessoal para o funcionário voluntário e inúmeros benefícios para a comunidade, gerando direta ou indiretamente enormes ganhos para a empresa envolvida no processo.
Por agregar forte caráter de mudança comportamental corporativa, o voluntariado empresarial tem sido peça relevante na definição dos modelos de responsabilidade social e sustentabilidade nas empresas, contribuindo em muito para a separação das formas tradicionais de filantropia social desconectadas da prática e do envolvimento da empresa com a causa da sua matriz de negócios e operações.
De certa forma, uma coisa passou a ser filantropia corporativa e outra responsabilidade social... ambas válidas, mas diametralmente distintas.
A Lagoa Pequena de Albufeira, em Sesimbra, acolheu uma acção de voluntariado em Família onde mais de 100 pessoas marcaram presença neste desafio ambiental que o GRACE (Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresaria) promoveu e organizou, em conjunto com a SPEA (Sociedade Portuguesa do Estudo das Aves), no âmbito do Ano Europeu do Voluntariado.
Participaram neste dia de Voluntariado das Famílias colaboradores das empresas Jones LangLa Salle, DHL, PT, Eurest, Grupo Auchan, Accenture, Essilor, Miranda Correia Amendoeira & Associados, IBM e Prosegur, entre outros.
O Ano Europeu do Voluntariado decorre ao longo de 2011, estando o GRACE a preparar diversas acções para os seus associados.

golfar…

Cartoon do Antero do blogue “anterozóide”
Obrigado.

terça-feira, 22 de março de 2011

Qualquer gato pingado nos humilha. Levantemo-nos!

Domino-Effekt (Mana Neyestani)
Portugal deve cumprir os compromissos assumidos. Quem o diz é o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, que não quis estender-se em comentários ao possível chumbo do PEC 4 no Parlamento português esta semana, para não interferir naquilo que considera ser “um debate interno”, mas mesmo assim, deixou um recado: “É claro que há compromissos assumidos por Portugal e não podemos afastar-nos de compromissos assumidos”, limitou-se a dizer.
Para Juncker, as medidas do PEC 4, que o Governo apresentou em Bruxelas no último encontro de líderes (dia 11 de Março), foram “tomadas e anunciadas pelo Governo português e endossadas pela Comissão Europeia e Banco Central Europeu”.
Esta segunda-feira os ministros das Finanças da Zona Euro estão reunidos para definir “questões técnicas” da reforma do fundo de resgate europeu e a reforma do mecanismo será definitivamente aprovada na cimeira europeia que decorre esta quinta e sexta-feira em Bruxelas.
Antes do presidente do Eurogrupo já a ministra das Finanças espanhola tinha feito pressão para a aprovação das novas medidas de austeridade nacionais, considerando que isso seria benéfico para a moeda única.
O Sr. Juncker, disse que não queria fazer comentários ao possível chumbo do PEC 4 para não interferir no que considera ser um debate interno e tem razão, porque somos um país soberano, com mecanismos constitucionais e não precisamos de luxemburgueses, ou europeus de outras nacionalidades, que venham dizer que: “Portugal deve cumprir os compromissos assumidos!” Mas afinal está a meter-se onde não é chamado, com a agravante de pensar que Portugal é a Líbia e o nosso PM o Kadafhi. E o Parlamento? E o PR? E os cidadãos? Então o homem e os restantes líderes não sabiam que o PEC 4 apresentado pelo nosso PM era da sua autoria e responsabilidade pessoal?
Quando o Sr. Junker e os restantes líderes forem eleitos diretamente por todos os cidadãos europeus, a coisa será diferente, mas antes aprove-se uma Constituição europeia, federalizemo-nos e vamos a votos…
Parece que amanhã o atual PM se vai despedir da ribalta (tenho muitas dúvidas) e entretanto o eventualmente próximo PM vem defender um novo Governo de maioria alargada, com o apoio dos partidos políticos e dos parceiros sociais (só se venderem disto nas lojas chinesas), para aumentar a legitimidade política para impor um programa mais duro, com mais medidas de austeridade. Fónix!!!! Assim vão só mudar as moscas (e moscas são moscas), mas com mais m****!!! Entretanto, em paralelo com a Cimeira, PPC vai reunir com a Sra. Merkel, que para além de ser a nossa D. B(r)anca, é a sua chefe na família política a que pertence o PSd. Que grande embrulhada…
Por outro lado, a ministra das Finanças espanhola (outra coitada a meter-se onde é chamada) gostava que as novas medidas de austeridade impostas aos portugueses fossem aprovadas, para benefício da moeda única. E na Espanha, a Sra. defendeu a moeda, ou está a defender os bancos? E os cérebros europeus não estão a trabalhar para benefício dos cidadãos europeus? Não adianta salvar o Euro, se ficarmos de bolsos vazios deles….
Quando a vénia é grande, o sinal de fraqueza é maior e até os nossos vizinhos, tão, ou mais esfarrapados em dívidas do que nós, mandam bitaites para ver se se safam, mas mais para ver se nos afundamos. O pior é que o dominó é imparável e cairemos uns atrás dos outros…

Dia mundial da ÁGUA (não engarrafada em plástico)



Poema da Água
A água também nasce pequenina
- nasce gota de orvalho ou de neblina...

A água também tem a sua infância
- quando apenas riacho cantarola
brinca de roda nos redemoinhos
salta os seixos que encontra
e faz apostas de corrida - travessa -
por entre as grotas e peraus
e arranca as flores que a marginam
para engrinaldar a cabeleira solta
sobre o leito revolto das areias...

A água também tem adolescência
- sonha lagos românticos à lua
fitando os astros namorados dela
embevecida em seus olhos de ouro...
e assim sempre amorosa e sonhadora
vai tecendo e bordando - dia e noite
o seu vestido de noiva nas montanhas
e o seu véu de noivado nas cascatas...

A água também tem maturidade
- fica serena e grave em rios fundos
e num destino generoso e amigo
espalha a vida que em si mesma encerra
semeia bençãos para o grão de trigo
abre caminhos líquidos da terra
e enlaça os povos através dos mares...

A água também tem sua velhice
-e de ver-lhe os cabelos muitos brancos
onda lenta de espuma destrinçada
em neve, nos ares flutuando...

A água também sofre...e quando sofre
se faz divina e vem brilhar em lágrimas
ou se reflete a dor da natureza
geme no vento transformada em chuva.


A água também morre...e quando seca
- e a sua morte entristece tudo:
choram-lhe, enfim na desolação,
todos os seres vivos que a rodeiam
porque ela é o seio maternal da vida
e de tal maneira ama seus filhos rudes
que muitas vezes para os salvar se deixa
ficar sem o murmúrio de uma queixa
prisioneira de poços e açudes...

Bendita seja, pois, água divina
que fecunda, consola, dessedenta, purifica,
e que, desde pequenina,
feita gota de orvalho,
mata a sede das plantas entreabertas
e prepara o festivo esplendor da primavera...
e que, nascida em píncaros da serra
vem de tão alto, procurando sempre ter
um fim de planície e de humildade
até perder, na última renúncia,
o nome de batismo de seus rios
para ficar anónima nos mares.
Raul Machado

Crime económico = Corrupção e tem prazo de validade

“Corrupção Fora de Prazo: Prescrição de Crimes na Justiça Portuguesa” é o nome do relatório sobre “o impacto dos regimes legais de prescrição no combate à corrupção”, recentemente apresentado no auditório do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.
A impunidade dos corruptos por causa da prescrição de processos judiciais é uma realidade em Portugal, alerta o último relatório da Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC), o ponto de contacto nacional da organização não governamental Transparency International.
Segundo o seu presidente, Luís de Sousa, a TIAC defende uma política de "tolerância zero".
“A prescrição de processos-crime de corrupção não só demonstra a máxima ineficiência do sistema judicial e judiciário em prosseguir com a punição dos agentes deste crime, como transmite a ideia da sua fácil manipulação por certos arguidos dotados de maior influência política ou económica”, conclui a associação, criada no final de 2009 por um grupo de especialistas e membros da sociedade civil, entre eles o falecido fiscalista Saldanha Sanches.
A prescrição de processos-crime de corrupção transmite a ideia da sua fácil manipulação por certos arguidos dotados de maior influência política ou económica!
Basta ler os jornais, ouvir noticiários e vê-los no “meeting point” do Campus da Justiça, anos e anos a fio, com direito de antena (para os advogados também), aliviados por doenças súbitas (a amnésia é a mais frequente), ou fim do prazo de prisão preventiva.
E se o processo não prescreve, gasta o país milhares de euros, para parir uns ratinhos…
Um projeto internacional coordenado por ONGs vai estudar e comparar a o combate à corrupção em 26 países europeus, incluindo Portugal, estando prevista a produção de mais de 110 relatórios.
A apresentação dos resultados da primeira parte do estudo está prevista para o final de 2011.
Com o objetivo de "avaliar a extensão e as causas da corrupção num determinado país, assim como a eficácia dos esforços nacionais de combate à corrupção", o projeto recorrerá à análise de documentos e a entrevistas com "atores privilegiados": pessoas ligadas ao meio académico, à administração pública, à política, ao setor empresarial, à comunicação social e à sociedade civil.
O Global Corruption Barometer de 2010, o último relatório da Transparency Internactional, revela que 6 em cada 10 europeus consideram que os níveis de corrupção aumentaram nos últimos 3 anos, sublinha a TIAC.
Como se vê, qualquer dia a corrupção deixa de existir, porque se começa a virar o bico ao prego, chamnado de “Crime económico”, àquilo que sempre se chamou à Corrupção…
A Europa e os países que se “esforçam” por erradicar este vírus social, prevê que se consigam mais de 110 relatórios, mas entretanto não prevê nenhum número de medidas preventivas e punitivas. Claro, só depois dos relatórios, embora já haja relatórios. Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas…
Querem medir a eficácia dos esforços nacionais de combate à corrupção? Mas a maioria dos atores estão, ou fazem parte do poder e que se saiba não são masoquistas…
Cá como nos outros países, 60% da população considera que os níveis de corrupção aumentaram nestes 3 anos. Haverá alguma relação com a Crise, ou as datas são mera coincidência?
Três deputados europeus aceitaram vender os seus serviços por quantias de 100.000 €, conclusão de uma reportagem do The Sunday Times em que jornalistas se fizeram passar por representantes de lobbies.
Repórteres do jornal propuseram a vários deputados pagar 100.000 € por ano em troca de alterações que pudessem adoptar e 3 deles aceitaram.
Adrian Severin, antigo vice primeiro-ministro da Roménia, Zoram Thaler, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslovénia e o antigo ministro austríaco do Interior, Ernst Strasser foram apanhados pelo jornal.
Em declarações ao jornal britânico, a vice-presidente do Parlamento Europeu Diana Wallis prometeu uma investigação.
Como se vê, é só gente fina, ligada ao poder, que não teve a reforma merecida e precisa de uns biscates.
Ficamos a saber o preço de um lobby, é preciso fazer o preçário geral dos outros jeitinhos, para podermos saber viver…