(per)Seguidores

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

OE - Temos direito à explicação dos catastrofistas!

Os juros da dívida soberana a 10 anos estão a subir há oito sessões consecutivas e já ultrapassam os 6,78%: é um novo máximo histórico.
Na semana passada, os juros das obrigações a 10 anos chegaram a recuar para os 5,6%. Mas a «crispação» em torno do Orçamento voltou a fazê-los subir.
Agora - mesmo depois de ter sido aprovado o OE2011 - os mercados estão a mostrar dúvidas quanto à capacidade deste Orçamento ser executado, ou seja, ser implementado até ao fim e, assim, poder comprometer as metas de redução do défice.
Mais: Portugal está também a ser «refém» dos problemas da Irlanda, país onde os juros já ultrapassam os 7,84%.
Recorde-se que este avanço dos juros irá encarecer as próximas emissões de dívida de Portugal e prejudicará o financiamento dos bancos nacionais.
Note-se que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, já disse que se os juros chegarem ao patamar dos 7% - nível registado na Irlanda e já ultrapassado na Grécia - é melhor Portugal começar a pensar seriamente em recorrer à ajuda do FMI.
Há meses, que andaram uns senhores Economistas, Banqueiros e Políticos, a dizer-nos todos os dias e a toda a hora, que se este OE não fosse aprovado, “caía o Carmo e a Trindade” (porque em Lisboa não cai nada, só há Furacões e Faces Ocultas), que era o mesmo que dizer que os Juros da Dívida Soberana e os Mercados Internacionais e o FMI e blá, blá, blá…
Pois bem, o OE foi aprovado e afinal foi “pior a emenda do que o soneto”, como se vê pela notícia. Já se sabe que quem muito se baixa…
Agora, é a hora de os gurus nos explicarem a lógica dos seus argumentos de ontem, ou então calarem-se todos para o futuro, porque se fossem competentes, não tinham deixado isto chegar a onde chegou. Ou então demitam-se, peçam uma licença sabática para voltarem a “estudar toda a vida”, ou melhor ainda, REFORMEM-SE, mas sem direito a indemnizações!

Os factos, a oratória, a praxis e a incoerência

O Tau - Símbolo do Discípulo Missionário Franciscano
No dia 30 de Outubro, em Paris, realizou-se o colóquio «Combater a Pobreza e a Exclusão» inserido nas primeiras Jornadas Sociais da Comunidade Portuguesa, no âmbito de um projecto da SCMP para o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, com a colaboração da Embaixada e do Consulado-geral de Portugal em Paris e do Consulado de Lyon e ainda da Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF).
Há “bolsas de pobreza e exclusão social”, na comunidade portuguesa em França afirmou Aníbal de Almeida, Provedor da Santa Casa de Paris (SCMP) e sociólogo durante o colóquio na capital francesa, declarando que um obstáculo no combate à pobreza é “a propensão de muitos desses portugueses para ocultar as dificuldades com que encontram confrontados”. Os serviços sociais franceses “queixam-se de tal comportamento e, quando esses casos acabam por ser assinalados, o tratamento social torna-se mais difícil”, acrescentou o sociólogo, que foi um dos oradores no colóquio.
As estatísticas e os dados empíricos de quem trabalha com a comunidade, acrescentou Aníbal de Almeida, “temperam a imagem de emigração de sucesso” associada aos portugueses em França. Os portugueses gozam “de uma imagem positiva invulgar, (são) considerados trabalhadores arrojados, com uma capacidade de poupança invulgar, bem integrados, com uma taxa de actividade igual ou superior à média nacional e inferior relativamente ao desemprego, que recorrem raramente aos dispositivos de ajuda social e que vivem tranquilos”, resumiu Aníbal de Almeida.
O padre franciscano e antigo provedor da Misericórdia de Lisboa, Vítor Melícias defendeu que “o direito à fraternidade tem hoje dignidade constitucional” e explicou que o combate à pobreza apenas poderá ser feito num quadro de “humanismo de vocação solidária” e, citando Santo António, “um dos maiores economistas da Idade Média”, com uma “economia de frugalidade”.
Eduardo Ferro Rodrigues, embaixador de Portugal junto da OCDE salientou na sua intervenção, que “a grande recessão mundial não foi provocada pelos excessos despesistas dos estados em matéria social” mas por um desequilíbrio das contas públicas provocado “pela especulação financeira e imobiliária”. Referiu também que “os próximos anos vão ser muito difíceis” para a economia mundial mas que, mesmo num cenário em que a prioridade é o equilíbrio das contas públicas, os estados não devem perder de vista as metas de coesão social fixadas no início da década.
Especialistas franceses convidados para o colóquio referiram que os dados disponíveis apontam para uma “estabilização da pobreza em França mas, ao mesmo tempo, um agravamento das dificuldades e da exclusão nos extremos etários da pirâmide demográfica”.
Os factos, a oratória e a praxis:
Há pobreza envergonhada na comunidade portuguesa em França, o que não foge ao que se passa na Europa,
As estatísticas escondem a pobreza escondida, o mesmo se passando em Portugal, o que nos leva a deduzir que é um comportamento típico da “dignidade” do português;
Vítor Melícias resolve o problema com solidariedade e frugalidade, como os franciscanos, mas os cidadãos portugueses, nem são todos católicos e muito menos fizeram votos de pobreza;
O antigo provedor da Misericórdia de Lisboa, que conhece bem os meandros da política e que trata por tu muitos políticos da alta-roda, deveria pregar a justiça na terra para os pobres e garantir o céu para os ricos que, apenas, não fossem gananciosos;
Ferro Rodrigues disse que a crise não foi provocada pelos excessos despesistas dos Estados em matéria social e deveria ter dito que foi provocada pelos excessos despesistas dos Estados, pela especulação bolsista e por estratégias fraudulentas da Banca;
O ex-Secretário-geral do PS deveria ter dito que quem faz a despesa é que tem que pagar a factura e que isto não é socialismo, nem social-democracia, nem 3ª via, nem NADA. É um roubo!
E anda esta gente a pregar contra a pobreza, desculpando a riqueza ilícita e pregando o povo na cruz…

Mas isto é que era (é) a ciência, ou “banha da cobra”?

Os conservadores esperam que a investigação do genoma humano ajude a provar que a natureza, não ordens sociais desiguais, determinam quem acaba por se tornar doente e pobre. Mas os nossos genes têm-se recusado a cooperar.
Um psicólogo clínico notável pelas suas observações sobre como a desigualdade afecta o que se passa nas nossas cabeças está agora a divulgar algumas percepções fascinantes, baseadas em nova investigação acerca de quanto a desigualdade reflecte o que está a acontecer nos nossos genes.
Este psicólogo clínico britânico, Oliver James, escreveu muito ao longo dos últimos anos acerca do que denomina "ansiedade pela riqueza"(affluenza) [NT], o "vírus" induzido pela desigualdade que nos conduz a um nível sempre mais alto de dinheiro, posses e fama.
A affluenza, destacou James, varia amplamente na sociedade. Quanto mais desigual for a distribuição de rendimento e riqueza numa sociedade, mais affluenza e mais elevada a incidência de doenças mentais que a affluenza tão seguramente engendra.
Os apologistas de ordens sociais desiguais sempre, naturalmente, contestaram qualquer ligação entre doenças mentais e o ambiente económico e social. Que pessoas de baixo rendimento sofram depressão a níveis duplos das pessoas de alto rendimento, acreditam estes apologistas, sugere apenas que pessoas na base nasceram neste mundo com mais "deficiências pessoais" do que as do topo.
"A direita política acredita que os genes explicam amplamente porque os pobres são pobres, assim como terem uma probabilidade dupla de serem mentalmente doentes", como observa James. "Para elas, os pobres são lama genética, afundada na base do charco genético".
A prova científica deste afundamento, exultava a direita uma década atrás, viria quando "avanços rápidos na genética e na neurociência" – o projecto genoma humano e toda a investigação em torno dele — revelasse a verdadeira "história da natureza humana".
A investigação do genoma humano, como opinou dez anos atrás o cientista político Charles Murray junto à organização de extrema-direita American Enterprise Institute, "está em vias de contrair e abalar o espaço para certas posições políticas".
"Estou a prever que os provérbios da direita geralmente demonstrar-se-ão mais próximos do alvo do que os provérbios da esquerda", escreveu Murray, "e que muitas das causas da esquerda revelar-se-ão incompatíveis com o modo como os seres humanos são programados (wired)".
Com mais completa informação genética em mãos, Murray contestou: "verificou-se que a população abaixo da linha de pobreza nos Estados Unidos tem uma configuração de constituição (makeup) genética relevante que é significativamente diferente da configuração da população acima da linha de pobreza".
De facto, como observa Oliver Jones numa nova análise, as coisas não se apresentaram deste modo de forma alguma. A "extensa investigação do genoma" desde o ano 2000 não revelou qualquer "constituição genética" que predisponha algumas pessoas para o "êxito" e a riqueza e outras para a doença e a pobreza.
"Agora sabemos", observa James, "que os genes desempenham um pequeno papel na razão para um irmão, uma classe social ou um grupo étnico ter mais probabilidade de sofrer de problemas de saúde mental do que outro".
O Journal of Child Psychology and Psychiatry apresentou exactamente o mesmo ponto num editorial do princípio deste ano. A ciência séria, declarava o editorial, agora concentra-se mais do que nunca "sobre o poder do ambiente" e "todos excepto os deterministas genéticos mais teimosos tiveram de rever o seu ponto de vista".
"Os factores biológicos não existem num vácuo, hermeticamente selados de factores sociais e ambientais", acrescentou na semana passada o bioético Daniel Godlberg, da Carolina do Norte, num comentário sobre a nova análise de Oliver James. "Assim, mesmo a tentativa de separar o biológico e o social não faz o mínimo sentido".
Assim, o que faremos com o nosso novo entendimento da genética? Como podemos construir sobre o que agora sabemos a fim de ajudar a moldar sociedades mais saudáveis? James está a sugerir uma sequência de três passos.
Primeiro, aconselha o psicólogo, vamos "criar uma sociedade na qual o máximo de oportunidade para uma vida mentalmente saudável e realizada seja mais importante do que enriquecer uma minúscula minoria".
Segundo, vamos "colocar o atendimento das necessidades das crianças, especialmente as mais pequenas, à frente de todas as outras prioridades".
E, terceiro, vamos cultivar (nurture) as condições sócio-económicas que maximizam a saúde mental.
James explica: "Isto significa criar maior igualdade económica, condições de trabalho muito mais seguras, muito maior flexibilidade de emprego para pais de crianças pequenas e uma semana de 35 horas".
Não temos, reconhece James, "nem uma mínima possibilidade de algo disto acontecer até que os políticos entendam o que a ciência está a dizer-nos".
Os cientistas podem precisar de falar mais alto. E o resto de nós? Podemos precisar ouvir mais atentamente.
por Too Much
[NT] Affluenza: União das palavras affluence (riqueza) e influenza (gripe), significando o desejo extremo de obter bens materiais ou o sentimento de insatisfação e ansiedade provocado pela busca obsessiva e incessante para obter sempre mais.
O original pode ler aqui

Entre a vergonha ou o medo, que solução?

Luís Campos e Cunha qualifica a proposta de OE de "desesperada", diz que o país está à "beira da ruptura financeira", mas frisa que o recurso a ajuda externa deve ser a última das últimas opções.
Em entrevista ao jornal “Público”, o primeiro (e efémero) ministro das Finanças de José Sócrates diz mesmo que “teria muita vergonha que fosse necessária a vinda do FMI”.
“O FMI não é uma instituição em que acredite, embora a OCDE ainda seja pior. E não tenho grande respeito pelo trabalho que o FMI fez por esses países fora; vejam-se os casos da Argentina, da Rússia, da Turquia, da Coreia do Sul, onde o FMI esteve e as coisas correram mal”, argumenta, sublinhando que, ao contrário dos Governos, “pelo voto nós não o podemos responsabilizar”.
E de resto, acrescenta, pouco se alteraria. “Se o FMI for chamado — e ele está mortinho por isso, basta ver as declarações que os dirigentes do FMI fazem cada vez que vêm a Portugal — o Governo e o Parlamento serão chamados a aplicar as medidas. E as medidas não serão muito diferentes das que estão na proposta de OE”, que classifica de “brutal” e “desesperada”.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Plataforma da Lusofonia, ou Sinológico-económica?

"Macau é uma terra multicultural, com uma forte presença portuguesa e o Governo tem feito um esforço de promoção do português, porque é importante que os nossos estudantes aprendam a essência da cultura e da história de Macau", disse a chefe do departamento de ensino dos Serviços de Educação de Macau, Vicky Leong, salientando a importância da aprendizagem do português nos planos legal e político, dado que a própria Lei Básica de Macau, a lei fundamental, estipula que o português e chinês são línguas oficiais, bem como no plano económico, devido ao papel de plataforma da cidade entre a China e a lusofonia.
"Não podemos esquecer também o plano educacional, cultural e histórico, o papel de Macau como ponto de encontro entre o oriente e o ocidente e o facto de a cidade ser, multicultural, logo os nossos jovens serem cidadãos do mundo", sublinhou.
Com cerca de 3.000 alunos a estudar português nas escolas oficiais, as escolas Luso-Chinesas, Macau tem outros 1.500 estudantes da língua de Camões nas escolas particulares, apoiados por 9 professores contratados pelos serviços de Educação, que contam com o apoio do Instituto Português do Oriente na área da formação de docentes.
Há ainda outras centenas que participam em actividades de verão, estudando a língua na Escola Portuguesa para ingressarem em universidades de Portugal e outros que estão em Portugal.
No Instituto Português do Oriente cerca de 3.000 pessoas aprendem português anualmente nos diversos níveis de ensino, desde funcionários públicos a profissionais do sector privado, como advogados, e alunos das escolas e universidades do território.
Além da função de difusor da língua e cultura portuguesas, o IPOR é também responsável pela formação de cerca de 250 alunos do Instituto de Formação Turística de Macau, que escolhem o português como língua opcional, bem como dos professores das escolas do território, e por cursos solicitados pelos serviços públicos da região.
Para Rui Rocha, presidente do IPOR, o interesse pelo português "tem vindo a crescer, porque há 5 ou 6 anos a China deu sinais claros de que o português era uma língua de interesse económico", defendeu. "A China sempre entendeu que, em termos de estratégia comercial e diplomática, aprender línguas é fundamental, mas Portugal nunca teve essa preocupação", observou, salientando que "há um sinal claro de que a China está muito interessada em que o português seja uma língua de utilidade económica, porque tem dois grandes segmentos de mercado no mundo que são o Brasil e Angola". Por outro lado, acrescentou, "vê-se a evolução do ensino do português nas universidades chinesas, mas infelizmente não temos aí uma intervenção tão grande, por questões económicas, e os brasileiros estão claramente a ocupar esse mercado", lamentou.
O Politécnico de Macau também promove a difusão do português.
Sem perder o entusiasmo de defender a Lusofonia em todas as áreas do quotidiano, convém ressalvar o eventual aproveitamento do português, predominantemente no vector económico, com ganhos quase exclusivos para a China.
Por outro lado, parece que quem está a investir mais no ensino do português é o Brasil, ainda por razões economicistas.
Digamos que, país emergente ajuda país emergente e não tarda nada, Portugal e os demais PLOP serão países imergentes, sem possibilidade de virem ao de cima respirar algum oxigénio para as respectivas economias.
Assim, não! É desvirtuação.

OE, uma tragicomédia em 5 actos, no Parlamento

Os mimos entre os “aliados”
Para viabilizar o Orçamento do Estado 2011 foi firmado um “Acordo” no dia 29 de Outubro, entre este PS e este PSD, mas a discussão orçamental quase fez esquecer que houve um entendimento prévio e que a ameaça de crise política pode regressar a partir de Abril de 2011.
Primeiro foi o PM a pedir estabilidade ao PSD para a execução orçamental e a avisar: "Portugal não pode ficar refém de cálculos eleitorais e das tácticas partidárias, sejam de quem for!"
Mais tarde, Aguiar Branco, defendeu que José Sócrates "vai ter de passar pela vergonha de ser demitido, porque os portugueses e o País o vão considerar culpado". "É o seu défice. É sua dívida. É a sua culpa." O deputado defendeu que face à actual situação "o primeiro-ministro não tem direito de ir embora, pelo seu pé, quando quiser, culpando este e aquele". Aguiar Branco frisou que Sócrates "vai ser responsabilizado por tudo o que fez ou não fez nestes últimos anos"
Este facto deu origem a uma reacção pronta de Francisco Assis, líder parlamentar do PS, manifestando "profundo repúdio" pela intervenção e lembrou ao PSD que se fosse consequente com o seu discurso não votaria o Orçamento e abriria "de imediato uma crise política".
Luís Montenegro, deputado laranja lamentou: “O senhor primeiro-ministro está a fazer constantes provocações ao PSD. É pobre e mal agradecido”.
Miguel Macedo, Presidente do Grupo Parlamentar do PSD endureceu também o discurso: "Agora, o Governo tem o seu Orçamento, não tem álibis nem desculpas. Se por incompetência, incapacidade ou incúria falhar na execução do OE, a responsabilidade é exclusivamente sua."
O ministro Teixeira dos Santos, numa referência à negociação do PSD com o Governo sobre o OE acusou aquele de se “ter sentado à mesa com o Governo” e de “ter olhado para o menu e escolhido o melhor que havia”. “Não pediu a factura e quis sair sozinho do restaurante porque teve vergonha de ser apanhado em público ao lado do Governo e não quis ficar com uma fotografia pública”, acrescentou.
Na resposta, o deputado Pedro Duarte, do PSD, assinalou a “forma ingrata como o ministro das Finanças se dirige ao PSD” e que “elucidativa da falta de responsabilidade com que os senhores encaram o exercício das vossas funções”.
Mais mimos entre ex-aliados
Paulo Portas líder do CDS-PP criticou a "tese do PSD" de que "dá a mão ao país" votando "um péssimo Orçamento do Estado", com o PM a afirmar que também "não compreende" a posição dos sociais-democratas. "Estou de acordo consigo, só é compreensível à luz do cálculo eleitoral. Se estão convencidos que o OE é mau deviam votar contra", disse José Sócrates. "Não encontro coerência entre aqueles que fazem um acordo para viabilizar o OE e depois dizem que ele é mau e não querem partilhar com o governo nenhuma responsabilidade", acrescentou.
O silêncio dos culpados
A troca de palavras mais acesa foi entre José Sócrates e a deputada Heloísa Apolónia (os Verdes), que questionou várias vezes o primeiro-ministro sobre “quanto vai pagar a banca” em 2011. Ficou sem resposta e exigiu a Sócrates que se deixe de “blá blá” e comece a responder às perguntas dos deputados. No final, apenas arrancou que a nova tributação à banca terá um “impacto muito significativo”.
A mentira da eficácia deste Orçamento
No dia em que os juros da dívida soberana portuguesa voltaram a disparar, ultrapassando 6,3%, José Sócrates abandonou o Parlamento a queixar-se, uma vez mais, de um ataque especulativo e mostrando pouca vontade de assumir "culpas".
O eco da tragicomédia
Entretanto, Cavaco Silva lamentou: "Vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates".
Feita a minuta da “acta” do 1º dia do Debate sobre o Orçamento, depois de um acordo prévio, o que se pode concluir?
1 – Na área da especulação, este ou outro OE tanto faz como tanto fez;
2 – A discussão do OE não teve (tem) nada de planeamento econónico-financeiro, mas um debate político, feito de promessas, traições e contradições, esquecendo o povo a quem se destina o documento e as respectivas medidas;
3 – A qualidade das intervenções, aproximou-se mais da “Revista à Portuguesa” do que de uma “Tragicomédia”, com silêncios comprometedores;
4 – Não há culpados no Parlamento, pelo que culpado é o Povo que elegeu esta gente;
5 – O Presidente da República devia estar mais preocupado com a incompetência desta classe política e muitíssimo preocupado com a impaciência com que os cidadãos esperam por soluções político-económicas, que amenizem o dia-a-dia.
Tudo o mais é “conversa da treta” e o baixar-se muito perante os Mercados Financeiros, só tem o resultado que os mais maliciosos já conhecem o resultado...

À saúde pela Lusofonia e à saúde para os lusófonos

Instituição fica sediada na cidade da Praia e resulta do "forte compromisso político dos ministros da Saúde" da organização.
"O centro é um passo decisivo" na redução da mortalidade infantil e materna e "no combate às doenças transmissíveis no espaço da CPLP", disse ao DN o ministro da Saúde angolano, José Van Dunem, falando na cidade da Praia, após a inauguração do Centro de Formação Médica Especializada (CFME). "Primeiro projecto prático específico na área da saúde", o CFME materializa uma "ideia essencial para a melhoria dos indicadores de saúde da CPLP", podendo, a prazo, "ter uma componente assistencial ou de utilização de unidades de referência em cada país", defendeu o ministro enquanto representante do país na presidência da organização.
A cerimónia contou ainda com a presença do ministro da Saúde de Cabo Verde, Basílio Mosso Ramos, do secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, e dos bastonários das ordens médicas dos países de língua portuguesa.
O CFME resulta do "forte compromisso político dos ministros da Saúde da CPLP", notou o Director de Cooperação, Manuel Lapão, e permitirá "a actualização e melhor preparação do pessoal médico de países em que estes aspectos não são fáceis de alcançar".
A escolha da capital cabo-verdiana "resultou do posicionamento geostratégico do arquipélago e do envolvimento do Governo do país, que sempre se mostrou interessado em acolhê-lo e patrocinar a sua actividade", notou Manuel Lapão. Para este responsável da CPLP, a ideia, surgida em 2007 a partir de uma iniciativa das ordens médicas dos países membros, "tem impacto imediato na vida das populações". Nesta fase, vão ser ministrados cursos sobre saúde materno-infantil, infecciologia, hipertensão, cuidados paliativos e uma pós-graduação em Saúde Pública, com duração de 18 meses.
Os cursos, preparados para acolher 25 formandos por acção, vão ter a aprovação das ordens médicas, dispondo o CFME de um Conselho Científico que define os conteúdos curriculares.
O CFME concretiza um "passo importantíssimo" de uma estratégia mais vasta, que abarca a criação de uma rede de manutenção de equipamentos hospitalares, a sua uniformização e a aquisição conjunta de medicamentos, salientou ainda o ministro angolano.
Isto é Lusofonia! Cooperação, solidariedade, factos!
Esperemos que o nosso Governo e a Ordem dos Médicos tenham estado presentes e que nunca se abstenham pela ausência e que haja ONGs disponíveis para engrossar o apoio.
O ex-Presidente da República, Mário Soares, teme que as medidas de austeridade contidas na proposta de Orçamento do Estado para 2011 gerem violência nas ruas de Portugal.
“As medidas que constam do Orçamento representam uma baixa tão sensível no nível de vida e nos comportamentos da maioria dos portugueses, que irão suscitar, necessariamente, críticas acerbas, protestos enfurecidos e inúmeras manifestações de descontentamento, donde podem resultar - oxalá me engane - surtos de violência imprevisíveis”, escreve o histórico socialista num artigo publicado no «Diário de Notícias».
Embora nunca tenha tido dúvidas de que o Orçamento acabaria por passar no Parlamento “dadas as pressões feitas pelos bancos e pelos grandes interesses junto do PSD”, o antigo Presidente lembra que o acordo atingido entre os social-democratas e o Governo “representa muito pouco…”.
O ideal, diz, seria que o PSD votasse a favor do Orçamento e não que apenas se abstivesse. “Se o PSD só se abstiver, a guerrilha partidária eleitoralista vai continuar, com os inconvenientes conhecidos, quanto à instabilidade governativa. Se votar a favor do Orçamento - e se se co-responsabilizar - apaziguar-se-ia a situação, para que haja - ou possa vir a haver - finalmente, um acordo mínimo quanto a um plano de recuperação, a médio prazo, e nele se empenhem os dois maiores partidos. Seria excelente”.
“Neste momento tão crítico - depois se verá como irá evoluir a Europa; não estou nada optimista - é indispensável que os partidos, sobretudo os do arco do poder, debatam entre si - e também com os parceiros sociais - e criem laços de confiança, pondo-se de acordo quanto à estratégia concertada para vencer a crise. Abandonem, de momento, os golpes meramente tácticos ou eleitoralistas. Estes são importantes em política - sei-o bem -, mas sem terem como suporte uma estratégia coerente, clara e compreensível pelo Povo, são mero oportunismo”, conclui.
Soares sabe que vai haver instabilidade social, dando origem a violência e à insegurança. A fome nunca trouxe estabilidade, não para os governos, mas para as pessoas e as famílias. A pobreza sem culpa própria, só pode degenerar em “marginalidade” e expedientes de sobrevivência, mesmo em pessoas “normais” e pouco dadas a tais práticas.
Soares também sabe, que tanto faz que este PSD aprove, ou se abstenha na votação do OE, porque não relação causa/efeito, entre as duas premissas. A incompetência deste PS, não se dilui na incompetência deste PSD como oposição, apenas reforçaria a força para contrariar a instabilidade social.
Soares devia ser mais abrangente na visão do debate entre os Partidos e os Parceiros Sociais, propondo um debate entre TODOS os Partidos, Parceiros Sociais e outras Instituições da Sociedade Civil, para que o País se revisse, TODO, nos seus representantes eleitos e naturais.
Soares sabe que os Bancos não têm direito a pressionar o poder político, em Democracia.
Assim, o Povo nunca compreenderá outra coisa que não seja, estratégias de poder de uma Oligarquia, que cada vez mais despudoradamente se marimba nas Pessoas…

Mais um veículo amigo do Ambiente e nosso amigo

Nissan - «New Mobility Concept» (NMC)
A Nissan apresentou um novo paradigma para a mobilidade sustentável nas comunidades, que assenta num novo protótipo e em vários sistemas de partilha de veículos.
O NISSAN New Mobility CONCEPT apresenta semelhanças evidentes com o Renault Twizzy e é a base de todo o sistema, que assenta em quatro palavras-chave:
Inovação, na forma deste novo eléctrico de dois lugares;
Facilidade, o tamanho do protótipo permite facilidade de deslocação e de estacionamento;
Segurança, a mobilidade equivale-se à das motos, mas com maior segurança;
Limpeza, pois não existem emissões de gases poluentes.
A marca japonesa estuda o uso deste protótipo para um serviço de transportes curtos; para uma alternância entre um uso privado durante as manhãs e tardes e como veículo corporativo durante as horas de expediente.
Todas as inovações, que nos libertem da dependência do petróleo e simultaneamente sejam amigas do ambiente, merecem o nosso aplauso, se entretanto as poupanças daí derivadas sejam distribuídas pelo “utilizadores pagadores”…

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poema de agradecimento à corja – Joaquim Pessoa

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço. 
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são 
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.
Joaquim Pessoa