sexta-feira, 11 de maio de 2012
Ecos da blogosfera - 10 maio
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5/11/2012 01:00:00 a.m.
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Vagarosamente, em 2012, o desemprego irá aos 20%...
O deputado Honório Novo acusou o ministro e o Governo de estarem a enganar os portugueses com o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) que, para o PCP, é na verdade “o velho PEC” - o Programa de Estabilidade e Crescimento, e cujo anexo II foi primeiro entregue em Bruxelas do que chegou à Assembleia da República, o que ministro das Finanças admitiu.
Para Honório Novo, o Governo está “a ludibriar mais uma vez os portugueses, a mentir aos portugueses. O que está sobre a mesa é o velho PEC”.
Vítor Gaspar contestou triplamente a acusação do deputado do PCP: “Deixem-me começar por dizer com tranquilidade, mas com convicção. Eu não minto, eu não engano, eu não ludibrio. Não faço nenhuma dessas coisas, não farei nenhuma dessas coisas”.
“Relativamente à questão dos cortes temporários, a posição política é exatamente a que foi expressa pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, isto é, a reposição do subsídio de Natal e de férias, bem como a reposição do corte efetuado em 2011 terão de ser feitos gradualmente a partir de 2015 e o ritmo será condicionado pela existência de espaço orçamental”, afirmou Vítor Gaspar, esclarecendo que “o ritmo será de 25% por ano”.
A reposição gradual dos subsídios de férias e Natal a partir de 2015, avançada no DEO do Governo, é uma “perspetiva técnica” e não uma “decisão política”, disse o ministro das Finanças, que recusou comprometer-se com uma data específica para o regresso destas prestações, que foram suspensas para funcionários públicos e pensionistas.
Se valesse a pena discutir-se se o ministro mentiu, enganou, ludibriou, ou não, valia a pena perder tempo…
Perante os factos, não há dúvidas de que “(so)negou o que sabia ser verdade”, concretamente que os números sobre o desemprego não eram coincidentes na versão de Bruxelas e na versão oficial cá do burgo e que não apresentou o tal Anexo II, “induzindo em erro” os interlocutores e “iludindo” a realidade e como é costume gozando de fininho… E pronto, até pediu desculpas (mesmo não tendo cometido nenhum pecadilho, segundo ele)!
O que interessa aos portugueses, nem são tanto as previsões do governo apresentadas a Bruxelas, que a acertar (seria a 1ª vez!) vaticinam uma taxa de desemprego de 14,5% para este ano, 14,1% em 2013, 13,2% em 2014 e 12,7% em 2015.
Ora se este ano já vamos em 15,3%, tendo subido cerca de 0.5% ao mês, insistir que vai ficar em 14,5% só pode ser um ato de “sedução”…
Sem qualquer base de dados, nem estatísticas, bastando constatar o que se passa na Grécia e na Espanha, (arrisco eu) no fim do ano estaremos à volta dos 20%, mais coisa menos coisa, embora a coisa aqui se refira a pessoas, o que é de menor importância para um tecnocrata, mesmo a colecionar “lapsos”.
Se valesse a pena perder tempo com este ministro (estará de saída?) e a sua confissão pública de virtudes recônditas, bastava pegar na história do confisco dos 2 salários dos funcionários públicos e pensionistas, para o contrariar, em parte, porque a primeira “mentira” foi um “lapso” e as restantes promessas foram sempre precedidas de um SE… Aliás, a “arte” deste ministro e muitos outros, é não falarem claro, não terem calendário, empurrar as culpas para trás ou para a frente, mas “retirando sempre o SEU cavalinho da chuva”…
Ora veja-se:
Como quem não quer a coisa, vai subir ainda mais impostos e depois, admite, ADMITE reduzi-los…
Não está a mentir, nem a enganar, nem a ludibriar os portugueses!
Está a mentir, a enganar e a ludibriar-se a si próprio e tem todo o direito! Isto tem um nome que não me ocorre, mas os psicólogos lá saberão…
Mentir: 1. Afirmar como verdadeiro o que se sabe ser falso, ou negar o que se sabe ser verdade. 2. Enganar. 3. Falhar. 4. Malograr-se.
Enganar: 1. Induzir em erro. 2. Lograr. 3. Seduzir. 4. Atraiçoar.
Ludibriar: Enganar; iludir, escarnecer.
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5/10/2012 08:30:00 p.m.
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Reflexo do Relvas… 10 maio
Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do SIED, terá enviado por e-mail a Miguel Relvas, um plano de reforma dos serviços de informações, que incluía o nome de possíveis dirigentes e de funcionários que não eram da sua confiança. A informação foi enviada algum tempo depois das eleições, numa altura em que Jorge Silva Carvalho já era quadro da Ongoing.
Questionado pelo Público, Miguel Relvas respondeu por escrito, alegando que não tem qualquer recordação do facto relatado pelo jornal: "Sobre este caso em particular não tenho ideia de ter recebido qualquer informação particular, e disso não resultou qualquer interacção da minha parte."
Os contactos entre Silva Carvalho e Miguel Relvas, e também com Vítor Sereno (chefe de gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares), não se limitaram ao envio deste plano, já que os investigadores encontraram bastantes mensagens escritas, via telemóvel, trocadas entre o ex-diretor do SIED com Relvas e Sereno. "Da acusação do MP não constam documentos que indiquem se Relvas e Sereno responderam a Silva Carvalho", escreve o Público.
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5/10/2012 05:00:00 p.m.
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Contramaré… 10 maio
A declaração final da XXV Cimeira Luso-Espanhola reafirma a "importância estratégica" das ligações em bitola europeia entre Lisboa-Sines-Caia-Madrid-Irún e Aveiro-Salamanca-Irun, sem concretizar a data dos projetos, refere apenas "o mais rapidamente possível" e reitera o empenho no "desenvolvimento do transporte ferroviário de mercadorias, entre Portugal, Espanha e o resto da Europa, de forma a aumentar a competitividade das empresas do espaço ibérico, no contexto transeuropeu".
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5/10/2012 01:30:00 p.m.
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Sejamos, como é nossa obrigação, felizes!
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.
Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.
Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.
Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.
Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
António Lobo Antunes
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5/10/2012 09:00:00 a.m.
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Ecos da blogosfera - 9 maio
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5/10/2012 01:00:00 a.m.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
Se é eleito em democracia, é contra a pós-democracia!
Os mercados financeiros estão à espera da cimeira Merkollande no dia 16 de maio em Berlim. Até lá os mercados oscilam ao sabor também do andamento da crise política na Grécia.
O dia "D" parece estar apontado para quarta-feira da próxima semana quando a chanceler alemã e o novo presidente gaulês se reunirem em Berlim. A forma de "calçar" o "pacto de crescimento" (growth compact) deverá ser o tema principal.
A chanceler Angela Merkel convidou François Hollande, o novo presidente eleito de França, para a sua primeira visita oficial ao estrangeiro, logo após a sua investidura em Paris. A reunião deverá realizar-se a 16 de maio, numa viagem simbólica a Berlim.
Hollande tem uma agenda apertada logo de seguida com as cimeiras do G8 (os 7 países desenvolvidos mais a Rússia) a 18 e 19 e da NATO a 20 e 21 de maio em Camp David, nos Estados Unidos. Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Obama já convidou Hollande para um encontro bilateral antes das cimeiras, onde contam abordar "um conjunto de dossiês difíceis em matéria económica e de segurança".
Acabar com o diretório
François Hollande declarou à revista "Slate" que quer acabar com o "duopólio" franco-alemão, em suma, prosseguir a parceria estratégica, mas deitar fora o papel de diretório.
A sua resposta à revista merece ser transcrita na íntegra: "Ainda que eu acredite na parceria franco-alemã, contesto a ideia de um duopólio. A construção europeia está baseada numa parceria bem equilibrada e de mútuo respeito entre a França e a Alemanha. As parcerias entre Schmidt e Giscard, Kohl e Mitterrand, e mesmo entre Chirac e Schroeder, mostraram que as diferenças políticas não significam que não possamos trabalhar em conjunto. Mas estes chefes de estado combinaram uma metodologia intergovernamental com os processos da União Europeia. Esta é a melhor forma de evitar que os nossos parceiros se sintam excluídos, ou, pior ainda, subordinados. Ora, este equilíbrio mudou nos últimos anos. A relação franco-alemã foi exclusiva. As instituições europeias foram ignoradas e alguns países, especialmente os mais frágeis, tiveram o sentimento desagradável de enfrentarem um diretório".
Se as eleições presidências francesas indicaram que a estratégia anterior designada por "Merkozy", em que a França inclusive desempenhou um lugar subalterno, está condenada, os resultados das eleições legislativas na Grécia foram um sinal de alarme ainda maior.
Com uma geografia parlamentar em Atenas que torna o país ingovernável em virtude da fragmentação e da perda de atração do centro político (o chamado "arco de poder"), toda a estratégia dos "memorando de entendimento" e dos planos de resgate para o país ficou em cheque. Mesmo os dois partidos da alternância tradicional, Nova Democracia (direita) e PASOK (socialistas), são abertamente pela revisão dos acordos firmados ainda recentemente e que conduziram a uma reestruturação parcial da dívida e a um 2º plano de resgate. Evangelos Venizelos, o líder do PASOK, e que negociou e liderou a recente reestruturação de dívida e o fecho do segundo pacote de resgate, afirmou que é indispensável uma extensão do novo período de ajustamento de 2 para 3 anos. No entanto, a ingovernabilidade do país, com base nos resultados atuais, aponta para novas eleições antecipadas em junho que poderão coincidir com o período em que deveria ser aprovada uma nova tranche de 11 mil milhões de euros de financiamento a Atenas.
Se a União Europeia e a zona euro não oferecerem nada de novo à Grécia, as próximas eleições apenas conduzirão a uma radicalização do espectro político e a uma provável saída "caótica" do euro (e, segundo alguns analistas, da própria União Europeia), com desfecho incerto no quadro geopolítico da região em que o país se insere.
Cedências simbólicas
O jornal “El País” afirma hoje que a Comissão Europeia poderá ceder no que respeita ao plano de ajustamento em Espanha. O governo de Mariano Rajoy, depois de ter imposto unilateralmente uma meta para o défice deste ano em 5,3% do PIB (inferior em umas décimas à meta exigida por Bruxelas ao governo anterior), poderá conseguir um alongamento do prazo do ajustamento, ganhando mais 1 ano. A meta de 3% do PIB seria relegada para 2014.
Será uma nova cedência simbólica da Comissão Europeia, depois de já ter recuado em relação ao não pagamento anual da promissória irlandesa que garantiu o financiamento do sistema bancário literalmente falido depois da crise de 2008. O não pagamento da promissória levou Dublin a arquitetar uma reengenharia financeira para o efeito no final de março.
Com um pano de fundo de 8 dos 17 países da zona euro em recessão, até Mário Draghi, o presidente do BCE, já elaborou sobre um "pacto de crescimento" (growth compact). Primeiro, lançou o tema no Parlamento Europeu em Bruxelas a 25 de abril e, depois, levantou o véu na conferência de imprensa em Barcelona na sequência da última reunião do conselho de governadores do banco a 3 de maio. "A redução da despesa pública não pode ser obtida através da redução da despesa de capital, dos investimentos", e referiu que os investimentos em infraestruturas na zona euro e a intervenção do Banco Europeu de Investimentos (BEI) são aspetos a tomar em linha de conta.
Pontos em discussão
Este "pacto de crescimento", que foi um dos cavalos de batalha sobre temas europeus da campanha eleitoral de Hollande, estará na agenda da cimeira em Berlim a 16 de maio. O presidente eleito já veio afirmar que a Alemanha não pode bloquear em simultâneo todas as saídas da negociação, quer sejam as euro-obrigações (eurobonds) ou a atuação do BEI.
Em contrapartida, Hollande foi claro que não pugna pelo regresso ao despesismo público com base no endividamento e no défice como solução "nacional" (num movimento para tranquilizar os mercados financeiros e deixar margem de manobra a Merkel junto do seu eleitorado e da irredutibilidade do Bundesbank, o banco central alemão). No entanto, estenderá o reajustamento orçamental em França até 2017. O presidente eleito pretende que os estímulos ao crescimento sejam concretizados através das políticas europeias. O papel do BEI, a reorientação dos fundos estruturais no sentido da inovação, um imposto europeu sobre as transações financeiras, e uma nova linha de orientação no BCE estão em cima da mesa. Em Itália, o porta-voz económico do PdL (Il Popolo della Libertà), o partido de Berlusconi, já veio hoje apoiar a ideia de euro-obrigações e de participação do BCE nos leilões de dívida no mercado primário.
Também hoje, o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata Martin Schulz, retomou ideias de Hollande e da Comissão Europeia num artigo publicado no “Economy Watch”. Admitiu, ainda, que "no longo prazo, poderemos revisitar a ideia das euro-obrigações" (dando a entender que não será tema para já) e que a reforma da Política Agrícola Comum "não deverá continuar um tabu", pois "nem assegura a sustentabilidade da agricultura nem permite rendimentos decentes aos agricultores".
Segundo o jornal alemão “Suddeutsche Zeitung” publica hoje, Merkel poderá ceder em 2 pontos: no uso dos fundos estruturais, baixando a exigência de cofinanciamento pelos estados que a eles recorram, para níveis entre 5 e 10%; e no aumento do capital do BEI com um reforço de 10 mil milhões de euros. Entretanto, a Comissão Europeia prepara um pacote de 200 mil milhões de euros, virado ao crescimento, para apresentar na cimeira europeia de junho. Este pacote insere-se na Iniciativa conhecida como "Europe 2020 Project Bond" destinada a dinamizar os mercados de capitais para financiar projetos de infraestruturas europeus nas áreas de transporte, energia e tecnologias de informação.
Do que se ouve e se lê, quer nos media (notícias opinativas e opiniões noticiosas) quer na blogosfera (situacionistas, disfarçadamente da direita-direita) anda mais gente mais preocupada com a agenda apertada de Hollande do que o próprio, para não falar na martelada mensagem dos mesmos mensageiros sobre a impossibilidade de se concretizarem as promessas eleitorais do Presidente francês. Viciados pela prática artesanal dos nossos políticos, não são capazes de deslumbrar eficiência e preparação nos políticos estrangeiros, sobretudo se não forem de direita…
Até aparece desprendimento a mais do poder, que um dos componentes do "duopólio" franco-alemão queira acabar com esse privilégio de que podia gozar e queira acabar com esse “diretório”, pela clara razão de não querer que as instituições europeias sejam ignoradas e que os países mais frágeis se sintam diminuídos e dirigidos por quem não tem esse direito. Parece estupidez, mas é só lucidez, defesa dos Tratados e para quem foi eleito democraticamente, a defesa da DEMOCRACIA.
E perante as “incertezas” e medos dos situacionistas deste status quo, Hollande já disse que não defende o regresso ao despesismo público, mas que pretende também que haja estímulos ao crescimento, através das políticas europeias.
Em paralelo, parece que a Grécia será um problema maior, pela sua ingovernabilidade, fruto do memorando de entendimento gizado pela troika, assinado pelo "arco de poder", que deram resultados vergonhosamente negativos para quem os desenhou e implementou, que deixou o país muito pior do que estava. E a coisa está tão mal, que até os dois partidos da alternância (e corresponsáveis) querem rever os acordos firmados ainda recentemente. Mas sobre esta anunciada saída "caótica" da Grécia do euro, ninguém se preocupa, a não ser por estarmos a seguir na bicha e já se pensar num Plano B para nós…
Em Espanha, Mariano Rajoy impos unilateralmente uma meta mais elevada para o défice deste ano, que a Comissão Europeia deverá aceitar, já que a mesma CE foi condescendente com o governo irlandês sobre o não pagamento anual da promissória que garantiu o financiamento do seu sistema bancário.
Entretanto, até o presidente do BCE já trabalha num programa de crescimento, que passa pelo investimento em infraestruturas na zona euro e na intervenção do BEI, por já não acreditar que a redução da despesa pública se consiga apenas através da redução da despesa de capital e dos investimentos, o mesmo que Hollande diz, mas sobre esta “heresia” de Mário Draghi, ninguém está contra…
Finalmente, também o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata e filiado na Internacional Socialista) Martin Schulz, à boleia de Hollande e da Comissão Europeia admite já a ideia das euro-obrigações e a reforma da PAC, que nem assegura a sustentabilidade da agricultura nem permite rendimentos decentes aos agricultores.
Devagar, devagarinho, as “inevitabilidades” vão-se esboroando e tornando evitáveis na agenda dos chefes de fila, mas que só farão sentido se tiverem resultados imediatos no quotidiano das pessoas, aliviando-as desde logo do pagamento das dívidas da banca, começando a obrigar a banca a pagar os seus próprias calotes e regulando os mercados, a começar pela eliminação, a nível mundial, dos “paraísos fiscais”.
Se nos prometerem algo ou tudo para o futuro, mesmo que próximo, ninguém acreditará, pela última vez…
à(s)
5/09/2012 09:00:00 p.m.
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Há sempre quem não desista e não teme dizer NÃO!
Não costumo concordar em quase nada com o que o ex-Presidente da República Mário Soares diz, manda dizer, dá a entender ou sequer acena. Não gosto do estilo, detesto os epítetos disparatados de "Pai da Nação", de grande "senador", etc. Acho patético. Até porque se assim é, se o senhor é efetivamente o pai deste cemitério social e económico em que vivemos só tem de se envergonhar por não ter interrompido a gravidez a tempo. Convenhamos que a situação a que chegámos é um aborto vivo. E Mário Soares é tão ou mais responsável do que todos os outros que lhe seguiram as pisadas. Não governou ele com o FMI em Portugal?
Apesar disto, acho que li pela primeira vez uma declaração deste senhor com a qual concordo em absoluto: "Romper com a troika". Rasgar o acordo assinado e que mais não é do que a sentença de morte lenta de um país e de um povo. A execução do memorando assinado com a troika é provavelmente o pior ato de gestão política de que há memória neste país. Não está em causa a intenção, mas o que esta execução (literalmente) acarreta. É suicídio político e assassinato económico-social.
O famigerado memorando tem funcionado não apenas como a subjugação pura e simples de um país aos desmandos de padrinhos alemães e franceses, mais do que expectável, mas como uma verdadeira carta branca para os Governos (PS e PSD-PP) poderem aplicar indiscriminadamente todo o tipo de medidas de austeridade que visam tapar no imediato o buraco que os mesmo escavaram durante décadas. Execráveis na atuação, os nossos políticos pensam no presente (deles) hipotecando o futuro (nosso). O habitual - nada de novo.
A crise está a ser usada para esconder a incompetência com que este país tem sido e continua a ser gerido. À passagem alienam-se direitos, rouba-se quem trabalha, atiram-se milhares de pessoas para o desemprego e levam-se centenas de milhares à miséria. Sem vergonha ou decoro continuam estes senhores a governarem-se às nossas custas fingindo que nos governam. A crise e a conjuntura parecem servir que nem uma luva à total desresponsabilização.
Este país é uma bomba-relógio e Mário Soares sabe disso perfeitamente. E quando estoirar ele quer estar do lado certo, como sempre. O velho ancião - dirão alguns. Os políticos que temos - digo eu.
Tiago Mesquita
à(s)
5/09/2012 05:30:00 p.m.
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Contramaré… 9 maio
O ministro da Economia mostrou disponibilidade para discutir em concertação social a proposta da CGTP de aumento do Salário Mínimo Nacional para os 515 euros. Arménio Carlos disse que, em Portugal, existem cerca de 400.000 trabalhadores com 432 euros de salário líquido, "abaixo do limiar da pobreza, que são 434 euros".
Santos Pereira, não prestou declarações no final do encontro.
O ministro da Economia insiste que esta medida vai contribuir para produzir mais riqueza.
à(s)
5/09/2012 01:30:00 p.m.
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Ecos de uma vitória e táticas para os próximos jogos…
A maioria dos jornais europeus saúda a vitória do candidato socialista nas eleições presidenciais francesas, mas sublinha que, entre os desafios que o esperam, o mais importante é o das relações com a Alemanha e a sua atitude em relação ao pacto orçamental decidido pelo seu antecessor, Nicolas Sarkozy, e pela chanceler Angela Merkel.
“’Um novo começo’. O Presidente Hollande compromete-se a mudar a direção seguida pela Europa”. Para o diário londrino The Guardian, o candidato socialista “obteve uma vitória brilhante, não só para si [...], não só para a França, mas também para a esquerda na Europa”.
Nicolas Sarkozy é o 11.º dirigente europeu a cair desde o início da crise financeira, e este resultado representa também uma reprimenda aos antigos aliados do Presidente cessante, Angela Merkel e David Cameron. A nova orientação da França é um golpe mortal no tratado orçamental que constituiu a resposta de Europa à crise.
“Já lá vou, senhora Merkel”, é a manchete do diário Frankfurter Rundschau. Desde a sua proclamação que o Presidente eleito anunciou que a sua primeira viagem ao estrangeiro será uma visita à chanceler alemã, que deveria habituar-se a este novo parceiro, apesar das diferenças ideológicas entre ambos:
Merkel não seria Merkel se não fosse capaz de mudar de azimute. Não tem problemas ideológicos com os social-democratas [governou com eles entre 2005 e 2009], mesmo quando se chamam socialistas. Hollande não vai proclamar a revolução. Terá de aprender a adaptar-se, como o fez Merkel na crise grega.
"Hollande vence, começa o desafio na Europa", titula o milanês Corriere della Sera, para quem o novo Presidente francês é "um dirigente normal em tempos excecionais".
A mensagem deste mês de maio francês, nestes tempos de crise, de declínio da cidadania e da anti política, está, portanto, cheia de esperança. Para a França e para a Europa que olha para a França. [... É] também uma opção de defesa contra a Europa dos sacrifícios sem equidade e do rigor sem crescimento. [...] A França de Hollande já não sonha com o socialismo num só país, mas com um pouco mais de socialismo em toda a Europa.
Para El Mundo, "a vitória de Hollande dá lugar à incerteza na Europa". O diário conservador preocupa-se com a forma que tomará a "nova era" que se inicia "para a França e para o resto do continente".
Nunca uma eleição presidencial em França teve tantas repercussões na Europa. [...] A vitória do candidato socialista dissipa a hegemonia do centro-direita da última década e suscita dúvidas quanto à coabitação com a chanceler Angela Merkel, com quem [o Presidente cessante Nicolas] Sarkozy decidiu o acordo de união orçamental e as políticas de austeridade [...].
"Um novo começo para a Europa", prevê De Morgen, que considera, no entanto, que "o socialista Hollande se encontra, desde logo, em rota de colisão com a Alemanha na questão da austeridade". Num editorial, o diário realça que
a questão de saber se Hollande poderá realizar esta viragem europeia [em direção às medidas de crescimento], permanece em aberto. Prevemos já a sua primeira viagem a Berlim, onde deverá concluir um compromisso histórico com uma Merkel rígida. Estas negociações irão desenvolver-se num ambiente perturbado, no seguimento das eleições parlamentares de ontem, que dividiram a paisagem política da Grécia. [...] A partir de ontem, a Europa ficou mais vermelha. Mas, ao mesmo tempo, as nuvens de tempestade sobre o continente ficaram mais escuras.
Em Estocolmo, o Dagens Nyheter constata que, embora na imigração e nas minorias, o novo Presidente tenha escolhido um caminho mais tolerante e aberto do que o de Nicolas Sarkozy, "levanta questões preocupantes em elação à política económica".
Se Hollande rejeitar o pacto orçamental, criará problemas sérios. A Europa precisa de crescimento, mas sem uma barreira eficaz contra os grandes défices orçamentais dos Estados membros, o euro terá dificuldade em sobreviver. Isto prejudicaria a união monetária e a sua capacidade de tomar decisões em conjunto. Portanto, parece difícil que Hollande queira verdadeiramente negociar o pacto. Provavelmente contentar-se-á em acrescentar um protocolo mais inocente sobre a importância do crescimento.
No diário Hospodářské noviny, de Praga, o editorialista Martin Ehl considera que deste "fim de semana eleitoral" saiu uma "nova Europa". As eleições presidenciais em França e legislativas na Grécia demonstram que o Velho Continente enfrenta "uma nova Revolução francesa", que abala o consenso em volta da integração europeia, que atravessa a crise mais profunda desde os anos 1950.
Os europeus esperam mais dos seus dirigentes do que limitarem-se aos cortes orçamentais. [...] Depois do pacto orçamental, a Europa precisa de pensar a economia de uma forma inovadora.
Os franceses devem ser malucos. Sarkozy avisou. Os sacrossantos "mercados" avisaram. Merkel avisou. E, no entanto, eles não os ouviram e votaram em François Hollande. Agora, está tudo nas suas mãos. Se der o dito na campanha por não dito e se limitar a ser um Sarkozy moderado, será o derradeiro coveiro dos partidos socialistas e social democratas europeus. Terão perdido a última oportunidade que lhes foi dada para mostrarem a sua utilidade política. Restar-lhes-á o caminho do PASOK grego. Se se limitar a uma retórica inconsequente sobre o relançamento do crescimento económico europeu será o coveiro da União.
Se, pelo contrário, François Hollande construir um novo eixo, que passe pelos grandes países em dificuldades - Espanha e Itália -, para um verdadeiro programa de crescimento e o reforço de medidas que salvem o euro da irresponsabilidade de Berlim e do BCE, terá direito a um lugar na história. E isso passa por fazer a EU regressar ao projeto europeu em que não há lugar para decisões a dois.
O comportamento idiota da senhora Merkel, ao apoiar Sarkozy e ao recusar-se a receber Hollande, antes das eleições (que apenas confirmou a sua mediocridade política), pode ter facilitado a vida ao futuro presidente francês. O primeiro passo é claro: travar o tratado contra as democracias europeias. Ou Hollande compreende que a França será irrelevante numa Europa de estilo imperial ou terá o mesmo fim que Sarkozy. Só dele depende a escolha que tem de fazer. O caminho é difícil. Mas o primeiro passo é bastante claro. Terá de confirmar a ideia que deu no debate com o seu adversário: que não é, como lhe chamavam alguns, Flanby. Um pudim sem firmeza ou coragem. De Atenas veio o recado para a Europa. Virá de Paris a solução?
A condição é não dar ouvidos aos que, tentando reduzir os danos de um fim de semana trágico para as teses austeritárias, lhe pedem para substituir Merkozy por Merkollande. Esses, já se sabe, consideram a democracia um pormenor e a soberania do povo um mero conceito teórico.
Daniel Oliveira
à(s)
5/09/2012 09:00:00 a.m.
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Contra.facção
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