quarta-feira, 9 de maio de 2012
Ecos da blogosfera - 8 maio
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5/09/2012 01:00:00 a.m.
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terça-feira, 8 de maio de 2012
8 de maio de 1945 - O Dia da Vitória na Europa
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| O general Jodl (ao centro) assina a rendição |
A senhora Angela Merkel, tenha disso consciência ou não, age de acordo com a velha arrogância prussiana, ao convidar François Hollande a visitar Berlim, no próximo dia 16 — logo depois de empossado. Foi quase uma convocação. Ela deixou claro, ao cumprimentar o novo presidente, que podem falar de tudo, menos do essencial: da “austeridade” orçamental. Austeridade, na visão germânica da política europeia, significa seguir o caminho percorrido até agora, com os bancos recebendo milhares e milhares de milhões de euros, emitidos sem lastro, e usando-os para especulações do seu interesse e para atrapalhar ainda mais os países meridionais. Os bancos receberam o dinheiro do BCE a 1% ao ano e emprestam-nos aos Estados em crise a juros de 6% a 9% ao ano. Um “spread” usurário.
Se François Hollande, fatigado pela campanha e pelos festejos da vitória, não estivesse desatento, poderia ter sugerido que o encontro se fizesse em Bruxelas, sede da União Europeia, e não em Berlim. Se ela pretende discutir o desenvolvimento económico continental, o lugar do encontro não poderia ser outro se não Bruxelas, a menos que ela, num gesto de boa diplomacia, tivesse proposto visitar Paris.
A senhora Merkel faz lembrar um de seus antecessores na Chancelaria do Reich, que convocou para Munique os primeiros-ministros da França (Daladier), da Itália (Mussolini) e da Inglaterra (Chamberlain) a fim de lhes impor a sua vontade, a de se apoderar de grande parte do território checoslovaco. O fantasma de Hitler está sob o portal de Brandenburgo.
Mauro Santayana - Jornal do Brasil
A Alemanha está disposta a seguir a linha de crescimento defendida pelo novo Presidente de França, mas não sem que o Tratado Orçamental seja ratificado. Angela Merkel propôs um pacto de crescimento a François Hollande. No entanto, não dá o braço a torcer no que toca à política de austeridade e disciplina financeira.
No domingo à noite o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, na receção da Embaixada de França em Berlim, desvalorizou as divergências entre os dois governos, manifestando a esperança de que Hollande se distancie das suas promessas eleitorais de abandonar o rumo da austeridade e financiar medidas de crescimento.
O presidente eleito da França, François Hollande, e o atual, Nicolas Sarkozy, recordaram juntos nesta terça-feira o fim da II Guerra Mundial e ambos colocaram um ramo de flores no túmulo do soldado desconhecido ao pé do Arco do Triunfo em Paris.
O conservador Sarkozy tinha convidado o socialista Hollande, que o derrotou na 2ª volta presidencial no domingo, a participar na comemoração da rendição nazi.
Os dois presidentes deram as mãos e colocaram juntos, um ramo de flores no túmulo do soldado desconhecido. Depois acenderam a chama e ouviram a Marselhesa e o Canto dos Partidários, emblemático da resistência francesa contra os nazis, cantados por um coro militar.
Após a rápida cerimónia, os dois presidentes trocaram algumas palavras, sorridentes, mas não fizeram declarações oficiais.
Hollande limitou-se a afirmar à imprensa que "há assuntos que unem todos".
Sobre a atitude arrogante de Merkel convidar para sua casa quem se lhe opõe, já eu a tinha comentado aqui no mesmo sentido, o que apenas prova que não sou o único cego a ver e a sua interpretação pode ir tão longe quanto se quer fazer suposições…
Sobre a afirmação do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, convidando um Presidente da República recém eleito a mandar às urtigas as promessas eleitorais feitas e que lhe deram a vitória, também já dei aqui conhecimento da mesma, sem comentários, porque nem os merece, de tão inqualificável e falta de ética política…
Não deixa de ser simbolicamente forte e regeneradora esta cerimónia, por 3 razões:
1 – Lembrar à Alemanha que faz hoje 67 que o exército alemão se rendeu, numa segunda tentativa bélica de ocupar a Europa e dominar o mundo;
2 – Lembrar à Alemanha e ao mundo, que foi a França um dos baluartes da Resistência à opressão e ao genocídio e uma nação aglutinadora de todos os Aliados na mesma luta e
3 – Lembrar a Merkel que o “convocado” para ir a Berlim no próximo dia 16 é o atual Presidente da República francesa, que levará consigo, para “negociar”, esse memorial da História, que é um “mal” não transacionável.
Fica por interpretar a atitude de Sarkozy, mas podemos pensar que será uma bofetada de luva branca à sua “apoiante”, arrependido de a ter apoiado e por isso ter sido imolado…
O Dia da Vitória
Foto
- Depois da assinatura de rendição, o
general Jodl (ao centro), levantou-se, pediu permissão para falar e em alemão
disse: “Com esta assinatura o povo Alemão
e as forças armadas alemãs entregam-se, para o bem ou para o mal, nas mãos dos
vencedores. Nesta guerra que durou mais de 5 anos, o povo e as forças armadas
foram capazes de realizar gestos memoráveis, sofrendo talvez mais do que
qualquer outro povo no mundo. Nesta hora só posso expressar a esperança de que
os vencedores os tratem com espírito generoso”.
à(s)
5/08/2012 08:00:00 p.m.
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Reflexão do Relvas… 8 maio
Para o ministro, que falava em Madrid num encontro ibero-americano, fortalecer os laços bilaterais deste espaço de nações é "uma prioridade absoluta". Nesse sentido, explicou, a Declaração Conjunta que os presentes no encontro assinam terça-feira "representa mais um passo concreto na construção de uma verdadeira solidariedade transcontinental".
Na sua intervenção, o governante português disse aos seus homólogos que se deve "melhorar os níveis de transparência da administração e a própria conceção de Estado, pondo-o cada vez mais ao serviço dos cidadãos".
"Eliminando gorduras e redundâncias. Combatendo desperdícios. São mudanças exigidas há décadas na sociedade portuguesa e que agora concretizamos com genuíno espírito reformista", disse, considerando que "não se pode governar de outra forma".
Relvas afirmou que o Governo continua "atento" às políticas sociais e ao "combate persistente e determinado às desigualdades, à exclusão e ao desemprego". "Na defesa da proteção social, na promoção ativa da igualdade entre mulheres e homens e no indispensável reforço da solidariedade entre gerações. Sem preconceitos, sem egoísmos", disse ainda.
Para o governante, porém, "as conquistas sociais dependem do crescimento económico, sem o qual todos os esforços, por mais bem intencionados que sejam, estarão sempre condenados ao fracasso".
Hoje, a identidade portuguesa, ainda que profundamente europeia, "completa-se no diálogo permanente com outras regiões do globo" com as quais estabeleceu "vínculos afetivos ao longo dos séculos", recordando o papel pioneiro de Portugal na globalização, o que se reflete na posição assumida no seio da UE onde Portugal sempre defendeu "uma estratégia de aproximação das instituições comunitárias ao continente americano, e designadamente à América Latina, como espaço natural de convergência".
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5/08/2012 05:30:00 p.m.
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Contramaré… 8 maio
Mário Soares, antigo Presidente da República e histórico do PS, considera que Seguro deve desvincular-se do acordo rubricado com a troika. O socialista justifica esta posição com o facto de “a austeridade não fazer sentido”. Por outro lado, sustenta Soares, Portugal rubricou aquele acordo num cenário económico que “chegou ao fim”.
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5/08/2012 01:30:00 p.m.
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E não é que o povo (não) tem sempre razão?
O candidato socialista tornou-se Presidente da República ao derrotar Nicolas Sarkozy com 51,62% dos votos. Uma “alegria imensa” para o diário de esquerda Libération, que vê no acontecimento uma aposta no futuro. Mas, perante a crise, o estado de graça arrisca-se a ser curto.
A alegria. A alegria imensa. Ver fechar-se um parêntesis, dissipar-se uma maldição. E de que maneira! François Mitterrand não foi uma anomalia da história, mas o primeiro Presidente de esquerda. E há agora um segundo: François Hollande. Para a esquerda, 2012 faz renascer 1981, dá vida e cor a essas imagens envelhecidas, sépia, que pareciam condenadas aos livros de História. Memórias íntimas dos velhos ou novos que então éramos. Este 2012 também apaga o 2 de abril de 2002, essa queimadura, essa ferida. Dez anos depois, está reparado o traumatismo de, uma noite, ter visto a esquerda ser riscada da paisagem política francesa.
O que é votar à esquerda? É dizer que, apesar do individualismo das sociedades contemporâneas, existe um “nós”. Que ideias como justiça, igualdade, partilha e solidariedade podem e devem organizar a vida pública. Como essas instituições e esses bens públicos, criados pelo Conselho Nacional de Resistência, que são anteriores a nós e nos sobreviverão depois de nos moldarem. Que é possível, por isso, ir contra os valores da época para fazer viver aquilo que nos une, em vez de seguir a inclinação natural, ouvindo a vozinha que fala em cada um de nós e nos incita a viver a nossa vida defendendo apenas os interesses individuais.
Numa França à beira do abismo, que podia ter escolhido barricar-se atrás das fronteiras da fantasia a recordar o seu passado, a vitória de François Hollande demonstra que o país preferiu a esperança. Olhou para a frente e não para trás. Saboreemos este momento em que um povo decide fazer uma tal escolha. E olhar o futuro.
Porque esta é a tarefa que espera François Hollande. Reparar o país, certamente. Refazer a sociedade, evidentemente. Reduzir as desigualdades de destino entre os franceses, sejam eles quem forem e venham de onde vierem. Mas, para que tudo isto seja possível: sobretudo, desenhar o futuro. Mostrar que a França não é apenas um património, uma história, um grande passado. Que pode, também, projetar-se no futuro e reinventar-se.
Esta página em branco, inquietante em muitos aspetos, exaltante em muitos outros, tem de começar a ser escrita. De maneira resoluta, imperativa, para não dececionar este voto e a confiança que ele ainda manifesta na capacidade de mudar as coisas da política, ainda que não possa mudar a vida. O trabalho mal começou e vai ser difícil, já a partir de amanhã. Mas hoje, sejamos felizes e vivamos plenamente este feliz mês de maio.
Contraponto - Evitar uma crise europeia
François Hollande “é o Presidente de todos os franceses”, reconhece Le Figaro. “Assim o quer a democracia. Saudamos esta eleição como a expressão da vontade maioritária. Por isso, bem-vindo, senhor Presidente.” O diário, apoiante indefetível de Nicolas Sarkozy, diz que
a História julgará o seu mandato de 5anos e registará que, tendo enfrentado a pior crise económica e financeira dos últimos 50 anos, conseguiu ainda assim fazer reformas essenciais em áreas como a universidade, a investigação, a justiça, as pensões, a redução das despesas públicas, a extensão dos direitos dos cidadãos… manteve orgulhosamente a posição de França na cena internacional e desempenhou um papel decisivo na salvação da Europa e do euro.
Le Figaro escreve que, para o novo Presidente,
[…] o crescimento constitui uma prioridade, tal como o regresso ao equilíbrio. Muitos dos nossos parceiros partilham essa vontade, incluindo Angela Merkel. Vai ser preciso chegar a acordo sobre as modalidades desse crescimento e aceitar as reformas estruturais necessárias. É ainda preciso evitar o recurso excessivo aos impostos, em vez de se fazerem poupanças. Nada é possível sem um acordo europeu. Para lá chegar, talvez o melhor seja abandonar a estranha ideia de renegociar o pacto de estabilidade e aceitar uma adenda sobre o crescimento. Assim se evitaria o risco de uma nova crise europeia.
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5/08/2012 09:00:00 a.m.
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Ecos da blogosfera - 7 maio
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5/08/2012 01:00:00 a.m.
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
A mentira tem a perna curta e a demagogia ainda mais!
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"La
derrota" de Pamela
Contreras
|
A chanceler alemã Ângela Merkel já convidou Hollande a deslocar-se a Berlim.
Em França, o candidato socialista às presidenciais François Hollande ganhou a Nicolas Sarkozy. Em termos europeus, Hollande apontou para a necessidade de uma "adenda" ao "pacto orçamental" virada ao crescimento.
Na Grécia, a perda de maioria dos partidos que sustentaram o segundo Memorando de Entendimento que implicou o segundo plano de resgate foi o facto mais significativo. O Parlamento em Atenas tem agora 7 partidos, em que as formações políticas explicitamente contra o Memorando somam 44% dos lugares. O cenário de "ingovernabilidade" e convocação de eleições antecipadas em junho tem surgido nos media gregos.
Na Alemanha, a coligação CDU-FDP (que suporta o governo federal da chanceler Merkel) conseguiu apenas 38,9% dos votos. Uma provável coligação entre o SPD (sociais-democratas), Verdes e o partido da minoria dinamarquesa dispõe de 48,4%.
Já se pode dizer que os arautos da “inevitabilidade”, nacionais e estrangeiros, governantes e palradores, não dormiram bem esta noite, depois da derrota da estratégia seguida por Merkozy (ou do ministro da Finanças alemão), que assentava no saque aos mais pobres para dar aos mais ricos e simultaneamente responsáveis por fraudes monumentais na estrutura financeira e económica, que geraram a “crise”, pela exigência de se pagar já o que foi endividamento durante mais de 20 anos.
Ouvir ontem nas TVs os urubus do sistema (colaboradores diretos das políticas do passado e beneficiários das circunstâncias do presente), entalados e muito “preocupados” com as dificuldades de cumprimento das promessas feitas por Hollande, até dava pena, pela volatilidade dos seus argumentos, que sempre foram demagógicos.
Parece que a chanceler alemã já convidou Hollande a deslocar-se a Berlim, parece que por tradição, o que pode parecer um beija mão à mesma “rainha” e um gesto de subalternização do Presidente de França a quem não é mais do que ele, mesmo que seja mais rica. Lógico e costumeiro, é que quem vence é que convida os amigos com quer repartir os sentimentos, solidariamente…
Para quem apontava os socialistas/social democratas pelos males do mundo atual e vaticinavam, alarvemente, a extinção de tais programas em favor de programas de partidos de direita (quanto mais à direita melhor), estas eleições deixaram-nos a falar sozinhos e aconselham-nos a terem mais cuidado nas análises sociológicas e políticas que fazem, que devem separar dos seus interesses pessoais, de grupo, ou de partido. Mas depressa dão a volta por cima e já ninguém defende apenas a austeridade e já começam a perceber que sem crescimento, só a continuação do caos é possível…
Entretanto na Grécia, caiu um partido “socialista” e os partidos que sustentaram o segundo Memorando de Entendimento foram penalizados por isso, o que significa a rejeição das políticas de austeridade, gerando-se uma situação de ingovernabilidade, o que leva à hipótese de novas eleições, numa brincadeira “democrática”, até à vitória de uma maioria de subservientes…
Curioso no caso da Grécia é não terem obrigado os partidos do arco do governo a assinarem o compromisso de cumprimento do Memorando, como fizeram connosco… Pourqoi? Why? Warum? Γιατί?
Para azar da Sra. Merkel, nem no seu país a querem, como acontece pela 6ª vez nas eleições regionais (só ganhou uma) o que lhe retira toda a autoridade que pensa que tem, a não ser que tal lhe venha dos DEO (Deus, em latim), como alguns servos a querem aureolar…
Ontem ninguém ganhou nada, mas perder ainda mais passou a parecer impossível e fica a esperança a germinar nas terras mais áridas desta Europa, onde há muitos trabalhadores sem trabalho por falta de alguns adubos biológicos, regados com muita solidariedade…
A bem da Nações!
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5/07/2012 08:00:00 p.m.
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"Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar." – Mia Couto
O escritor moçambicano, Mia Couto, esteve na Póvoa de Varzim no passado dia 4 de maio para apresentar o seu mais recente trabalho “A Confissão da Leoa”, romance que retrata a condição da mulher de uma comunidade do interior do seu país atacada por leões e que voltou a encantar os presentes com a sua voz doce e histórias que prendem da primeira à última palavra, apaixonando o público.
Um acontecimento real vivido pelo autor na aldeia de Kulumani, no Norte de Moçambique, onde as sucessivas mortes de pessoas, quase sempre mulheres, provocadas por ataques de leões é pretexto para Mia Couto escrever este surpreendente romance, não tanto sobre leões e caçadas, mas sobre homens e mulheres vivendo em condições extremas. Como afirma um dos personagens, “aqui não há polícia, não há governo, e mesmo Deus só há às vezes”.
“Começaram então a surgir ideias que, para mim, constituíam o desamparo total. As pessoas começavam a reconstruir antigos mitos para encontrarem defesas, como pensar que aqueles leões não se conseguiam matar com armas porque não eram deste mundo” explicou e continuou “Percebi que havia diferentes tipos de medo e uma condição desumana da mulher, que não é só coisa de África, é uma coisa do mundo. Por outro lado, percebi que em determinadas sociedades o homem tem receio de ser devorado por uma mulher que tenha poder, e o medo torna-os inseguros e violentos”. “Há mulheres que são devoradas pela vida antes de serem devoradas pelos leões. Esta história é apenas um pretexto para escrever sobre as mulheres”, confessou.
Sobre e contra este pano de fundo ergue-se uma extraordinária figura de mulher – Mariamar.
à(s)
5/07/2012 05:30:00 p.m.
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Contramaré… 7 maio
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, numa carta enviada a François Hollande, felicitou o líder socialista francês pela sua eleição, manifestou a vontade de trabalhar conjuntamente “numa agenda ambiciosa para a promoção de interesses comuns dos nossos países e dos nossos cidadãos europeus” e mostrou o desejo de se encontrar em breve com o Presidente eleito francês.
O chefe da diplomacia alemã desvalorizou as divergências entre os dois governos, manifestando a esperança de que Hollande se distancie das suas promessas eleitorais de abandonar o rumo da austeridade e financiar medidas de crescimento.
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5/07/2012 01:30:00 p.m.
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Se não puderes vencer o inimigo alia-te a ele…
A recente visita da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a Washington DC, deu a oportunidade de questionar como é que alguns países que outrora eram pobres conseguiram sair da pobreza, como o Brasil fez. As instituições de desenvolvimento como o Banco Mundial têm defendido melhorias na legislação sobre os negócios para que o sucesso seja alcançado. Estarão certos?
Esta ideologia remonta, pelo menos, ao argumento de Max Weber que aponta que um ambiente empresarial necessita de uma estrutura legal tão previsível como um relógio. Nesse sentido, os investidores precisam de ter leis claras e tribunais eficientes. Assim, e deste ponto de vista, a segurança dos contratos e mecanismos que protejam os investidores são a base para o financiamento do crescimento económico. Se um potencial financiador não está seguro que vá ser reembolsado, ou ele ou ela não vão investir, as empresas não vão crescer e o desenvolvimento económico vai estagnar. Desta forma, as regras e as instituições estão primeiro; o desenvolvimento económico real vem a seguir.
Mas, por mais conveniente que esta lógica aparente ser, o crescimento do Brasil não o confirma: o crescimento económico e financeiro não foi precedido - nem sequer acompanhado - por melhorias significativas nos tribunais e nos contratos.
O crescimento é indiscutível: os mercados financeiros do Brasil expandiram-se de forma robusta, com a capitalização bolsista a aumentar de 35% do PIB, em 2000, para 74% em 2010. De 1996 a 2004, apenas 6 empresas foram lançadas, contudo, nos 8 anos seguintes foram criadas 138. No ano passado, o Brasil ultrapassou o Reino Unido - frequentemente um exemplo de segurança contratual - como a 6ª maior economia mundial.
Mas as mudanças legais não foram centrais no sucesso do Brasil. Em 2000, os tribunais brasileiros tinham a reputação de serem lentos e ineficazes na condução de processos que envolviam investidores. Reputação que se mantém até aos dias de hoje. Mesmo nas questões básicas da organização empresarial os especialistas brasileiros em direito, como Bruno Salama, apontam que estas questões continuam por definir, com os accionistas a estarem potencialmente expostos especialmente em processos fiscais e ligados ao trabalho.
Se os tribunais não estão a proteger os investidores, há outra instituição a fazê-lo? Novas e importantes regras na bolsa de valores contribuíram para fortalecer a confiança dos investidores, ainda que apenas em relação a novas empresas. Para os académicos como o John Coffee, da Universidade de Columbia, as bolsas de valores foram, historicamente, os primeiros passos a serem dados para proteger os investidores. Uma análise de Ronald Gilson, Henry Hansmann e Mariana Pargendler, relativamente ao "Novo Mercado" [também conhecido como BM&F Bovespa] no Brasil - o segmento da Bolsa de Valores de listagem especial e voluntária que protege fortemente os investidores no caso das empresas recém-listadas - sustenta essa visão.
Mas as bolsas de valores têm limitações, em especial no Brasil. Na ausência de um tribunal de confiança, elas não podem abrir um processo para impor as suas regras. O único recurso de que dispõem é tentar expulsar as empresas para fora da bolsa.
O "Novo Mercado" lidou com este problema exigindo que as disputas que envolvem as empresas recentemente registadas, sejam solucionadas através da arbitragem. A arbitragem comercial - e a obrigação dos tribunais de assegurar a execução das sentenças arbitrais - pode dar garantias aos investidores, mesmo que os tribunais normalmente não possam.
Mas a arbitragem - que ainda não foi testada em profundidade no que diz respeito a resolver as disputas no "Novo Mercado" - não parece ser a chave do sucesso recente do Brasil. Afinal, as suas medidas inovadoras aplicam-se apenas a empresas recentemente registadas no "Novo Mercado" e não à maioria das grandes empresas que fazem parte da economia brasileira, que estão registadas no principal segmento da bolsa de valores, e essas continuam presas às regras antigas, às instituições antigas e ao ineficaz sistema judiciário.
Duas outras mudanças importantes - uma óbvia e outra surpreendente - foram essenciais ao desenvolvimento financeiro do Brasil.
A estabilidade monetária, deflação e as riquezas dos recursos naturais conduziram a uma mudança óbvia que é o aumento das oportunidades de crescimento económico. Melhores políticas macroeconómicas levaram a um crescimento mais rápido do PIB, o que exige financiamento e motivou alguns analistas a renunciar a manobras prejudiciais que podem afastar novos investidores externos.
O crescimento provável conduziu ao desenvolvimento financeiro tanto quanto ou mesmo mais do que o desenvolvimento institucional fez. Enquanto a execução pública e privada vai precisar de sofrer melhorias se a economia brasileira quiser passar para o nível seguinte; dramáticas melhorias legais não sustentam a totalidade do desenvolvimento financeiro do Brasil até agora.
A segunda mudança é menos óbvia, mas é mais importante: a estabilidade política que adveio da vitória eleitoral do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. A surpresa aqui é que Lula, um antigo líder sindical, de esquerda, foi largamente contestado, se não menosprezado, nos círculos empresariais e financeiros. Como é que a sua vitória ajudou a impulsionar o crescimento financeiro da década seguinte?
Apesar do passado, Lula prometeu não perturbar o capitalismo empresarial no Brasil, concorrendo com um vice-presidente com uma visão orientada para a economia de mercado. Por que é que ele o fez, é difícil de determinar: muito possivelmente, uma combinação do realismo de Lula e a sua reacção ao declínio dos mercados de capitais, com o medo que gerou, aumentou as suas hipóteses de ser eleito.
Uma vez eleito, Lula governou a partir da pragmática esquerda, continuando as políticas do anterior executivo. Na verdade, o Brasil continua a ter uma esquerda "dura", sendo que numa parte o próprio partido de Lula está confortável com, digamos, os irmãos Castro, de Cuba e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mas um consenso emergiu no Brasil de forma que um partido de esquerda não pudesse nem vencer, nem governar com ideias de extrema-esquerda. Contudo, a presidência de Lula não desafiou esta visão.
O consenso pode dever-se ao sucesso do antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso, nomeadamente o sucesso relativo das privatizações e a liberalização das economias de mercado por todo o mundo e o crescimento da classe média no Brasil. Seja qual for o caso, para os principais líderes de esquerda do Brasil, incluindo para Dilma Rousseff, o capitalismo tornou-se parte da solução, não o problema fundamental.
Os investidores assumem todo o tipo de riscos. Os maiores não são sempre os legais, nos quais o Banco Mundial e as agências de desenvolvimento estão focados; em vez disso, há o risco de uma empresa falhar ou de uma política implodir. Se as condições empresariais forem auspiciosas e aí existir um consenso forte a favor do capitalismo liberal enquanto principal foco económico, os mercados financeiros podem desenvolver-se e absorver relutantemente os riscos que advêm dos defeitos do sistema legal. Melhorias ao nível institucional ajudam, mas elas podem vir mais tarde.
Mark Roe é professor na "Harvard Law School". João Paulo Vasconcellos é advogado e sócio na firma de advogados "Leoni Siqueira" no Rio de Janeiro, Brasil.
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5/07/2012 09:00:00 a.m.
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