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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Contramaré… 26 abr.

24 de abril, Dia Mundial da Meningite, uma das principais manifestações da Doença Invasiva Pneumocócica e que pode provocar sequelas graves ou a morte em crianças. Em Portugal há quem não tenha dinheiro para vacinar os filhos. “A vacina é cara e por motivos económicos, nem todos os pais podem vacinar as suas crianças. Há crianças que infelizmente não têm porque os pais não têm disponibilidade económica para a comprar”, denunciou uma dirigente da Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Nem mais, nem menos. É isso aí!

Não faz falta celebrar o 25 de Abril hoje. O que faz falta é respirar democracia o ano inteiro.
Muito sinceramente, não vejo que sentido faça a celebração do 25 de Abril com discursos de retórica, evocações de princípios e conversas de circunstância sobre os ideais dessa Primavera distante, como que a querer dar um ar de aparente normalidade e de plena convivência democrática, quando na verdade, uns poucos os praticam e outros tantos os usurpam, invocando em vão o nome dos valores, dos direitos, liberdades e garantias conquistados há 38 anos, e quando tão pouca é a democracia que se respira durante o resto do ano.
Têm, portanto, toda a liberdade para abdicar do palanque e da condecoração, da cadeira da tribuna e da decoração de cravos na lapela ou no parlamento, quem entender que deve praticar um outro exercício que completa a democracia: a liberdade para dizer não quero e não vou por este caminho. São livres de dizerem que não concordam e até repudiam, que decidem romper o protocolo por solidariedade de outras causas ou aspirações que são tão legítimas de um povo que sofre para ter pão, que paga a gasolina ao preço da Alemanha mas que leva para casa um salário tão magro que nem tem comparação nessa união de disparidades e de acomodações.
Os protagonistas do 25 de Abril de hoje não são apenas os políticos, os militares, os ex-presidentes da República ausentes ou presentes. São cada vez mais os trabalhadores que sustentam os devaneios de quem tem governado mal e empregue de forma criminosa o erário e o bem público. São também os desempregados que querem trabalhar, os montadores de bancadas, a mulheres dos arranjos florais, os músicos da banda, os polícias, os inspectores tributários, os peritos do Departamento Central de Investigação e Accão Penal.
E que bom seria que a consciência individual deste povo basáltico despertasse das brumas da memória, descolasse dos socalcos do vale à montanha nem que fosse apenas para se abeirar e espreitar a dimensão da cratera que se foi abrindo ao longo destes anos para ao menos reflectir sobre o buraco bem maior do que aquele dos furados que nos puseram tantos anos a contemplar, escrutinando de 4 em 4 anos, e cuja factura foi caindo (sem ninguém sentir) nas nossas mãos como um cartão de crédito com milhares de euros em juros somados. É óbvio que nós não queremos este ‘prémio’ de natalidade nem desejamos deixá-lo como herança para os nossos filhos. Nesta democracia em eterna construção, não há cravos mas flores da laranjeira. No dia em que percebermos todos que o 25 de Abril, para florir, não pode crescer à sombra de ninguém, a data deixará de ser uma efeméride do passado evocada no presente para se tornar finalmente num marco histórico do presente inspirado na história do passado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ecos da blogosfera - 25 abr.

Para memória presente!

Considerando que, ao fim de 13 anos de luta em terras do ultramar, o sistema político vigente não conseguiu definir, concreta e objectivamente, uma política ultramarina que conduza à paz entre os Portugueses de todas as raças e credos;
Considerando que a definição daquela política só é possível com o saneamento da actual política interna e das suas instituições, tornando-as, pela via democrática, indiscutidas representantes do Povo Português;
Considerando ainda que a substituição do sistema político vigente terá de processar-se sem convulsões internas que afectem a paz, o progresso e o bem-estar da Nação:
O Movimento das Forças Armadas Portuguesas, na profunda convicção de que interpreta as aspirações e interesses da esmagadora maioria do Povo Português e de que a sua acção se justifica plenamente em nome da salvação da Pátria, fazendo uso da força que lhe é conferida pela Nação através dos seus soldados, proclama e compromete-se a garantir a adopção das seguintes medidas, plataforma que entende necessária para a resolução da grande crise nacional que Portugal atravessa:
A - Medidas imediatas

Reflexão do Relvas… 25 abr.

Depois de uma brigada da ASAE ter mandado fechar a cozinha do Palácio Nacional da Ajuda, e obrigado a alterar o local do jantar oferecido ao presidente da Polónia, o protocolo de estado foi novamente posto em causa e a cerimónia oficial de comemoração do 25 de Abril poderá estar pereiracristovada.
Os inspectores apreenderam algumas dezenas de capitães de Abril que eram nitidamente contrafeitos e que o governo estaria a pensar utilizar amanhã, na Assembleia da República, para substituir os originais que se recusaram a pôr lá as chaimites. “Desconfiei quando percebi que eles tinham pipo e que eram todos parecidos com o David Hasselhoff”, confirmou uma fonte da ASAE. Miguel Relvas, contactado pelo INIMIGO e pela “Nova Gente”, recusou responsabilidades no caso, bem como a encomenda de um Mário Soares de plasticina: “Tenho muito respeito pelos Capitães de Abril. Tanto os que fizeram a revolução como os insufláveis que vêm em caixas de 50 unidades do Taiwan.”

Contramaré… 25 abr.

Trabalhadores: "Comportamento exemplar"
Rui Rio não poupa os "demagogos", o "populismo" e os "decisores políticos" que foram conquistando "muito dos seus votos à custa de um exagerado endividamento do Estado Central e de muitas das suas Câmaras Municipais". Segundo o autarca, é também inaceitável que o mesmo País que suporta a austeridade, o desemprego e a degradação do nível de vida coexista com "vencimentos exageradamente absurdos" e "profundamente injustos", que, além de tudo, "desafiam, de forma pouco prudente, a enorme paciência de quem sofre".

Solidariedade Social para reforçar os pilares da UE!

Num momento em que a França poderá estar prestes a eleger um Presidente socialista, que critica o seu pacto orçamental, e em que o Governo holandês caiu por causa da reforma social, o modelo de austeridade da chanceler alemã Angela Merkel está a ser abalado.
A Europa está em movimento. O Merk do pacto de "austeridade" [preparado pela dupla] Merkozy está prestes a perder as rodas traseiras. Outros conservadores ou tecnocratas, membros da claque de apoio da austeridade, esforçam-se por manter este híbrido na estrada. A condução inadequada está a deixar agoniados os passageiros que viajam na retaguarda – Espanha, Itália, Portugal e Grécia. E até os copilotos, como os holandeses, que protestaram contra a baixa margem de avaliação para os financiadores privados da Grécia, estão a ter dificuldade de manobra na Holanda, onde as estradas deveriam ser menos acidentadas. Na segunda-feira, o seu Governo caiu.
A extrema-direita regista uma ascensão em França, onde a Frente Nacional, cuja imagem foi purificada pela filha do seu fundador, obteve a sua maior votação. A votação na Frente Nacional tem vindo a aumentar gradualmente e a exceção de 2007 deveu-se à capacidade então mostrada por Nicolas Sarkozy para captar muitos dos seus votos. Mas Sarkozy perdeu essa capacidade e, se a recuperar dentro de duas semanas, terá de voltar a tornar-se violento. Seja como for, o detentor do poder em França tornar-se-á progressivamente um aliado menos atrativo para a Sra. Merkel.
Enquanto Angela Merkel luta contra o tempo para encaixar as medidas de austeridade no Direito e nas instituições da UE, a vida política de alguns Estados-membros importantes toma a direção oposta. Venha dos extremos ou do centro, da esquerda ou da direita, a mensagem popular é semelhante: a austeridade impulsionada pela Alemanha enfraquece a nossa soberania, destrói as perspetivas da nossa juventude e – quando o porta-voz dessa mensagem é do centro ou da esquerda – alimenta a ascensão da direita neofascista.
Se vier a surgir, [a dupla Merkel/Hollande] Merkolland será um conceito correspondente a um carro de família elétrico, silencioso e menos vistoso. Mas o modelo não existe, e muito menos existe um terreno preparado como pista de ensaio, além de que a bateria pode também ser um problema. Nicolas Sarkozy não aceitou a oferta de Angela Merkel de fazer campanha em seu favor e, agora, sentimos um certo alívio, em nome da chanceler alemã, por não lhe ter sido pedido que o fizesse. Se Sarkozy, que é considerado na Alemanha como fonte de divisão e de polarização, tem todo o interesse em exagerar essa opção perante o eleitorado francês, nas duas semanas antes da segunda volta, Angela Merkel, que tem pela frente eleições importantes no seu próprio país, pode ter objetivos políticos diferentes.
Merkel é o mais cauteloso dos animais políticos
Entre os social democratas alemães do SPD, as opiniões sobre o programa de reformas em 60 pontos de François Hollande estão divididas. Algumas figuras de peso, como o antigo ministro das Finanças, Peer Steinbrück, classificaram de ingénuo o pedido de Hollande de renegociação do pacto de austeridade. Outros, como o líder do SPD, Sigmar Gabriel, estão em sintonia com a ideia de Hollande de resolver a crise da zona euro, através de incentivos ao crescimento. Juntos, dizem numa entrevista conjunta, podem "fazer andar as coisas".
Isso incluirá, quase de certeza, a própria Sra. Merkel, que é no mínimo pragmática. De vez em quando, há quem pergunte por que motivo os alemães deverão desperdiçar o seu dinheiro, duramente ganho, com os gastadores da Europa do Sul. O contra-argumento – segundo o qual, se a moeda única falhar, o seu único grande fornecedor de mercadorias cairá com ela – ainda não foi apresentado com determinação suficiente. Mas, quando isso acontecer, Angela Merkel seguirá a corrente predominante. Na mente da Sra. Merkel, a verdadeira e única questão é se conta com uma maioria. Merkel é o mais cauteloso de todos os animais políticos e irá para onde a maioria a levar.
Qualquer pessoa verdadeiramente empenhada no projeto europeu deveria levar muito a sério a mensagem da primeira volta. Insistir num programa económico, que enfraquece a soberania, condena os jovens a elevados níveis de desemprego e encaminha a Europa para uma década de estagnação, equivale a destruir a confiança na solidariedade social – o alicerce em que assenta a UE. Em termos económicos, a defesa dos incentivos, correndo o risco de alimentar a inflação, ainda não foi apresentada de modo convincente. Em termos políticos, essa defesa está a tornar-se uma coisa em que não é preciso pensar muito.
IRLANDA - Hollande como Presidente pode prejudicar votação no referendo
Se François Hollande for eleito Presidente em França, o facto poderá colocar uma questão delicada na Irlanda, que, em 31 de maio, irá pronunciar-se em referendo sobre o Pacto de Estabilidade impulsionado pela dupla Merkozy. O candidato socialista, à frente na primeira volta, põe em causa o tratado que enquadra medidas de austeridade no Direito da UE. O jornal The Irish Times escreve:
Os assessores de Hollande não falam em alterar a essência do tratado, como este indicou durante a campanha – uma perspetiva assustadora para outras capitais e, não menos, para Dublin – mas em acrescentar-lhe um protocolo. E alguns analistas alemães têm sugerido que Merkel talvez esteja disposta a aceitar uma espécie de ‘pacto de crescimento’ como protocolo ao tratado. Isso seria favorável à Espanha e à Itália, entre outros.
[...] Enquanto alterar as regras do jogo no que se refere à formulação do tratado, ou mesmo sugerir que estas venham a ser alteradas, não é nada positivo para o objetivo da Irlanda de realizar um referendo, em 31 de maio, a alternativa de um ‘protocolo de crescimento’ tem de facto alguns atrativos. Para vender o tratado orçamental, rotulado, simples e eficazmente, pelos que fazem campanha pelo Não como Tratado de Austeridade, este Governo, como outros na União, tem de vender a ideia do tratado e da união monetária como motor de crescimento, e não apenas como instrumento de tortura económica, por necessária que esta seja.

Ecos da blogosfera - 24 abr.

Ao fim de tantos anos
O que resta
O que se aproveita do tempo que passou
Quem nos devolve tudo o que não teve
Nem sequer direito de ter voz?
Quanto deserto e só este caminho
Quanta lágrima caída sobre a terra
Quanta alegria fingida
Quanto medo
Quanto filho distante
Quanta guerra.
Ao fim de tantos anos
O que resta
O que se aproveita do tempo que passou?
A esperança do que se espera em vão
Os dias adiados
O Sol da Liberdade conquistada
Que a mais não se guindou
Nem povo nem Nação?
Ao fim de tantos anos
O que resta?
O hábito aguerrido desta luta
Que se colou à flor da nossa pele
Num desbravar de sonhos que não somem
Uma canção
Um cravo
Uma bandeira
Ou a vontade que há-de haver maneira
De renascer para a vida cada homem?
Soledade Martinho Costa

terça-feira, 24 de abril de 2012

Oh p'ra ele a por-se em bicos de pés!

Pela primeira vez, o ex-presidente Mário Soares faltará à sessão solene de celebração do 25 de Abril no Parlamento. Manuel Alegre anunciou também que não comparecerá e Jorge Sampaio faz depender da sua agenda internacional a sua presença.
"Em solidariedade para com os militares, decidi não ir", disse o ex-Presidente, respondendo assim ao anúncio feito pela Associação 25 de Abril, num manifesto intitulado "Abril não desarma".
"O poder político que atualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores. Em conformidade, a Associação 25 de Abril anuncia que não participará nos atos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril", lê-se manifesto.
Passos Coelho acusou Mário Soares e Manuel Alegre de pertencerem a um grupo de “figuras políticas” que pretendem “protagonismo em datas especiais”.
“O 25 de abril é uma data muito importante para Portugal e não pode ser utilizada para outros fins que não sejam a celebração da Liberdade”, diz o primeiro-ministro.
Mas Passos Coelho considera que “o 25 de Abril não pertence ao Governo”, “É uma data do povo, do país” pelo que não deveria servir para protestos. “Todos os países têm figuras históricas...”, relativizou o primeiro-ministro.
De importante, hoje, o 25 de abril só tem a simbologia, porque a própria memória da esperança nas liberdades, na justiça social, nos direitos, no bem estar, na igualdade de oportunidades e na cidadania plena já foi apagada há anos, por vários protagonistas, que, eles sim, foram beneficiários do MOVIMENTO e por isso o “celebram” e querem que haja quem bata palmas…
Independentemente de tudo de cinzento ou negro que se possa apontar a alguns protagonistas desta data especial e independentemente do partido ou ideologia em que cada um se enquadre, hostilizá-los e diminuí-los, é um ato menor, que menoriza quem o faz.
E o primeiro-ministro, neste caso, exteriorizou alguns “atos falhados”, atraiçoado pelo seu subconsciente.
Claro que o 25 de abril é uma data muito importante para Portugal porque em 1974 pretendia que as Liberdades fossem para TODOS;
E porque foi um ato político, tem que continuar a ser utilizado para fins políticos, para que não nos esqueçamos dos seus objetivos e façamos tudo para os repor, mesmo não o celebrando;
E só isso seria o bastante para a celebração da Liberdade, mesmo sem os discursos balofos, bafiosos e redondos no Parlamento, feitos por senhores contrafeitos, com cravos na lapela.
Claro que o 25 de Abril não pertence ao Governo, mas é inquestionável que os governos deviam “pertencer” ao 25 de abril, só porque é uma data do povo e do país e é para o povo e o país que os governos deviam trabalhar, o que se tem visto, mas cada vez menos e por isso é que se justificam os protestos, sejam de quem for…
Claro que todos os países têm as suas figuras históricas, umas por boas razões e outras pelo contrário, sendo as primeiras mais respeitadas e as segundas esquecidas, mas como dizia Mário Quintana: “Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.”
Claro que os “mimos” de Passos Coelho aos visados só tem o valor que lhes damos porque exerce funções de Estado, como primeiro-ministro e só…
Claro que se qualquer cidadão anónimo, que tivesse 10 aninhos em 25 de 1974, aos 14 anos fosse membro de uma juventude partidária, tivesse passado 9 anos a “fazer” política, começasse a trabalhar aos 23 anos e se tivesse licenciado em 2001, quem é que lhe daria o mínimo de importância e não se perguntaria se não estava a por-se em bicos de pés?
Gabriel Garcia Marquez tinha razão quando confessava: "Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para o ajudar a levantar-se." e foi para isso que o 25 de abril se fez, PARA LEVANTAR ESTA NAÇÃO!

Contramaré… 24 abr.

A pena de morte vai a referendo no Estado norte-americano da Califórnia, onde um total de 725 pessoas estão no corredor da morte e, desde 1978, que já foram executadas 13 pessoas, 2 na câmara de gás e 11 por injeção letal. A última execução teve lugar em janeiro de 2006.
Nos Estados Unidos já foram executadas mais de 1.280 pessoas nos 34 Estados onde a medida vigora desde o seu restabelecimento, em 1976.
O Connecticut abolirá esta semana a pena capital, tornando-se no 17.º Estado a fazê-lo.