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segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Euro está moribundo e não contratam cangalheiro?

Previsões negras para a Zona Euro. Nobel da Economia faz avisos sobre Espanha, Itália e estratégia alemã.
A começar logo pela Grécia, o Nobel da Economia dá um mês para que Atenas saia do euro. Uma advertência que surge precisamente numa altura em que a Grécia tarda em constituir um Governo. Este domingo chegou a dar-se como certo o fumo branco, mas o pequeno partido de esquerda grego Dimar veio depois desmentir a afirmação do líder da esquerda radical de que tinha feito um acordo de coligação governamental com os conservadores e com os socialistas. Se até quinta-feira, não houver luz ao fundo do túnel, o país terá de ir, outra vez, a eleições antecipadas.
Outros países na mira das previsões do Nobel
Depois, o pessimismo de Krugman recai igualmente sobre Espanha e Itália, antecipando movimentos “enormes” de depósitos desses países para a Alemanha. Coloca em cima da mesa, na sequência disso, a possibilidade de se proibirem transferências de capital desses países e limites aos levantamentos de dinheiro. “Em alternativa, ou talvez em conjunto, enormes quantias de crédito do BCE deverão evitar o colapso dos bancos”.
No quarto ponto, a atenção vira-se para a Alemanha, que tem “uma escolha” a fazer. Ou aceita as exigências para ajudar Espanha e Itália, tendo, para isso, de rever “drasticamente as estratégias”, apoiando o país ibérico através de garantias à dívida, de modo a que os custos dos empréstimos sejam baixos, ou será o “fim do euro”.
Paul Krugman alerta que “estamos a falar de meses, e não de anos” para que estes cenários se materializem.
Quando já se começa a ver algumas palestras e colóquios, em Portugal, organizados por gente de direita sobre a nossa saída do Euro e as suas reais consequências (que não serão tão negras como pintam, para nos animarem a continuar a pingar o nosso suor nos bolsos dos usurários), vem agora o Nobel, Krugman, insistir na ideia, mas agora com prazo definido, o que nos leva a crer que finalmente o que há muito parece realmente inevitável, irá acontecer, para bem de uns e mal de outros. Falta saber quem ganhará e perderá com a falência da “Sociedade Conhecida de Responsabilidade Limitada”…
Dadas as minhas limitações “técnicas” para análises e previsões sobra-me a intuição (e tenho acertado muitas vezes), que há muito me leva a pensar que quanto antes sairmos, melhor, pela simples razão de que para pior é insuportável e porque se entrar para o Euro foi muito mau para nós, sair será, pelo menos bom. Nós, a Grécia, a Espanha a Itália e outros…
Tenho muitas dúvidas sobre o vaticínio da falência da Grécia, porque na hora da verdade, alguém vai entrar com algum para, manter o doente ligado à máquina, dentro da filosofia de que são maiores as perdas para os bosses da UE.
Por outro lado, ou os Serviços Secretos nos outros países europeus são mesmo secretos e inteligentes e não dão dicas sobre o Plano B, que penso que não existe e por isso, também não sabem como se faz a reconversão de Euros em Dracmas e se os “credores” quem colecionar moeda grega.
Não há gato pingado, economista ou bruxo, que não diga que as perdas com a desvalorização das moedas, no caso da saída do Euro, serão dantescas, mas nenhum, até hoje explicou porquê… Dentro da mesma “lógica”, nenhum explicou também como isso se faz. Assustam sem diagnóstico, mas nem um placebo dão para a nossa salvação e do sacrossanto Euro.
Depois, vem Krugman informar que, a haver borrasca em Espanha e na Itália, os que não pagam a crise deslocalizarão as suas fortunas para a Alemanha, que as receberá de sacos abertos, recapitalizando os seus bancos sem esforço (embora se tenham esforçado para chegarmos até aqui), obrigando os dois países a proibirem essas transferências e cativarem nos seus bancos o dinheiro dos seus legítimos donos. Mais uma forma capciosa de austeridade, encapotando outra forma de confisco.
Finalmente o Nobel vem dizer que para que o Euro não desapareça, a Alemanha deverá “ajudar” a Espanha, o que parece improvável, pelas leituras do passado recente. O que quer dizer que as previsões de Krugman são mais do que previsíveis, há muito tempo, e estas sim, inevitáveis.
E a acontecer, depois de tudo, a Alemanha perdendo o mercado europeu terá que ir vender os seus produtos à China e outros países emergentes, mas para tal e dentro da tão proclamada concorrência, lá terá que baixar os salários aos seus concidadãos, colocando-os ao nível daqueles países, como nos fizeram e quase lá estamos…
Esperemos que a sina traçada por Krugman seja mesmo de meses, para que em 2013, nas eleições alemãs, a responsável por esta tragédia seja condenada politicamente e se retire da cena política para dar lugar a quem for mais democrata e menos imperialista…
Curiosamente o nosso país não entra nos cálculos. Ou somos uma migalha ou estamos mesmo bem...

Reflexão do Relvas… 14 maio

O empresário de futebol Jorge Mendes vai ser agraciado com o Colar de Honra ao Mérito Desportivo pelo Governo português.
De acordo com o documento assinado por Miguel Relvas, Jorge Mendes recebe o prémio por ser considerado “o mais bem-sucedido empresário desportivo do mundo” e por a sua empresa ter sido considerada “a maior empresa de gestão de carreiras de jogadores de futebol do mundo”, com uma carteira de clientes avaliada em 536 milhões de euros e lembra que Jorge Mendes intermediou “algumas das maiores transferências do futebol mundial nos últimos anos, nas quais não se pode deixar de sublinhar a maior transferência de um praticante desportivo na história do futebol mundial”, a de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid.
O ministro salienta ainda a “inovação introduzida por Jorge Mendes na área da gestão de carreiras de praticantes desportivos em Portugal”, além da “competência, dedicação, capacidade de trabalho e espírito empreendedor” do empresário”. O prémio é, assim, atribuído pelo “contributo valioso” de Jorge Mendes “para o desenvolvimento e valorização do desporto português e dos praticantes desportivos portugueses”.

Contramaré… 14 maio

“Os livros fazem parte dos meus hábitos, embora agora tenha menos tempo para ler”, disse Passos Coelho, que comprou quase tantos livros quantos lhe ofereceram, falou com anónimos e ilustres e cumprimentou as senhoras das farturas.

A gamela é grande, mas os porcos são demais…

No dia 10 de maio, o Parlamento Europeu votou "o adiamento das quitações orçamentais de três agências” comunitárias, relata o European Voice. Isto significa que os deputados europeus recusaram aprovar a gestão destas instituições durante 2010. As agências visadas são a Autoridade Europeia da Segurança dos Alimentos (EFSA), a Agência Europeia do Medicamento (EMA) e a Agência Europeia do Ambiente (EEA). Segundo o semanário, as 3 agências foram confrontadas com "alegações de conflito de interesses e outras irregularidades" como despesas exageradas mal justificadas.
O European Voice comenta que este voto do plenário acontece 2 dias depois da demissão da presidente da EFSA. Diana Banati abandona o cargo para
ingressar no International Life Science Institute (ILSI), um grupo de investigação. O Parlamento solicitou aos comissários responsáveis pelo controlo das contas europeias um inquérito sobre potenciais conflitos de interesses no seio da EFSA, visando, nomeadamente, as ligações entre Diana Banati e a indústria agroalimentar.
A decisão do Parlamento foi saudada por Monica-Lisa Macovei (Partido popular europeu), a responsável parlamentar pelo relatório sobre o exercício financeiro de 2010, que se tem distinguido frequentemente pela sua luta contra a corrupção. "A transparência e a boa gestão dos conflitos de interesses tornaram-se vitais para uma governança capaz e para os cidadãos. Devem passar a ser critérios importantes no processo de quitação em todas as instituições europeias”, declarou ao România liberă.
O European Voice realça ainda que, agora, "as três agências terão até setembro para justificarem cabalmente as suas despesas de 2010, e a votação no Parlamento será, o mais tardar, no outono, para aprovar ou rejeitar as suas contas”.
Opacas, gastadoras, propensas a conflitos de interesses: a independência das cerca de vinte agências especializadas da UE levanta problemas, tanto em termos financeiros como de controlo democrático, denuncia Die Presse.
São precisamente 6.157 euros: é quanto custa uma reunião do Conselho de Administração da AESA, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. Por pessoa. Não se sabe se os 15 membros do conselho foram levados até Parma [sede da AESA] em liteiras, nem se comeram ovos de codorniz escalfados enquanto percorriam a ordem de trabalhos.
O que se sabe, de fonte segura – graças à incansável Monica Macovei, deputada europeia romena especializada na luta contra a corrupção –, é a conceção que essas pessoas têm da sua função. Só em 2010, a AESA gastou 49 milhões de euros em contratos externos "de comunicação e gestão".
Já aqui demos a conhecer “este mundo”, onde a corrupção e a promiscuidade é o pão deles de cada dia:

Ecos da blogosfera - 13 maio

domingo, 13 de maio de 2012

“Mais vale ser RICO e FELIZ do que POBRE e TRISTE!”

A Segurança Social já é obrigada a pagar subsídio (Rendimento Social de Inserção - RSI) a 329.274 pessoas. O mês de março regista a maior subida do último ano do RSI, com mais 6.359 pessoas a pedir este subsídio.
Quase 1/3, 99.000 desses "novos pobres" estão no Porto, enquanto em Lisboa são 65.000.
Portugal é um dos países mais infeliz do mundo devido à "cultura de lamentação" dos portugueses, uma atitude que é possível mudar já que 40% da felicidade depende do comportamento das pessoas, defende o psicólogo Américo Baptista.
Um estudo realizado pela OCDE em 40 países revelou que só os chineses e os húngaros estão mais infelizes do que os portugueses.
Foi a partir desta constatação que Américo Baptista decidiu escrever o livro "O poder das emoções positivas" para "descrever o que a ciência sabe atualmente em termos de melhoria das emoções positivas": "Se as conseguirmos manter ao longo do tempo, passaremos a ser mais felizes".
Segundo o psicólogo, existe uma equação para a felicidade: 50% depende dos genes, 10% do ambiente social e 40% do comportamento das pessoas.
Para Américo Baptista, aprender a ser feliz é como aprender a tocar um instrumento musical. "Se nos dedicarmos e repetirmos os procedimentos corretos aprendemos a tocar um instrumento musical. Com as emoções positivas e com a felicidade é a mesma coisa", sustenta.
"O que se passa é que, do ponto de vista mental, pensamos que, quando compreendemos algo, temos o problema resolvido, mas não é assim. Além de o compreendermos, temos de executar manobras de um modo repetido" para não voltar a acontecer. E as manobras são simples: Ser generoso, apreciar as coisas da vida, sorrir, aprender, melhorar o relacionamento com os outros ou fazer exercício.
Segundo o especialista, 15% do aumento da confiança na sociedade, aumenta o PIB em 1%. "Ou seja, se andarmos bem-dispostos, lidamos melhor com a crise".
A Segurança Social não está obrigada a pagar o RSI, mas tem a obrigação de o fazer, por direito social dos nossos concidadãos, que pelo agravamento do desemprego e a dificuldade em ingressar no mercado de trabalho, fruto das políticas do governo, que atira dia a dia mais gente para a pobreza.
Sociológica e economicamente era bom que se explicasse e tomasse medidas para se perceber por que há mais 12.000 pobres desde o início deste ano, porque 30% são da área do Porto, 20% da de Lisboa (o que perfaz 50%) e os restantes 50% no resto do país. Demograficamente não é difícil perceber pela concentração de pessoas, mas nesta perspetiva fica por se saber por que há mais no Porto, quando em Lisboa há mais população.
Claro que perante as circunstâncias em que vivemos e que irão piorar, e tendo em conta os números acima, dizer-se simplesmente que Portugal é um dos países mais infeliz do mundo, talvez seja verdade, mas seguramente que os fundamentos não estão apenas na cultura de lamentação que nos foi formatando e, por isso, na falta do tal empreendorismo de que tanto se fala, até para o aparecimento de líderes contra o status quo, que promovam e incentivem a indignação coletiva.
Bem sabemos que as emoções positivas, independentemente das percentagens das suas componentes, influenciam o estado de espírito, reduzindo as consequências negativas na saúde, mas sem que resolvam os problemas das pessoas, enquanto expostas prolongadamente às causas que os apoquentam e desesperam. E nesta perspetiva, o “pensamento positivo” não deixa de ser um placebo, que funciona, mas com limitações temporais.
Se formos generosos, apreciarmos as coisas da vida, sorrirmos, aprendermos, melhorarmos o relacionamento com os outros ou fazermos exercício nos conduz à boa disposição e a lidarmos melhor com a crise, é preciso informar como se pode ser generoso quando se tem carências materiais, como se pode apreciar as coisas da vida quando são todas más, como podemos sorrir se só temos razões para chorar, como aprendermos algo mais se também custa dinheiro, como melhorarmos o relacionamento com os outros quando os outros são muitas vezes os responsáveis da calamidade e como se pode fazer exercício, mesmo que seja de borla, se é preciso repor as calorias gastas, com alimentos que rareiam na despensa.
Sem querer contrariar os estudos e a opinião de um psicólogo (ao menos há um ou dois que não estão indiferentes), convinha posicionar estas receitas num patamar da subsistência e da dignidade, a partir do qual as mezinhas não funcionam.
E porque sabemos que o humor é uma boa prevenção para a depressão, até achamos estranho que, pelo menos a RTP, como serviço público, não tenha ainda introduzido comédias como parte da programação, provavelmente porque o gabinete de marketing (do governo) não conhece estas “armas” de paint ball
Mas também não é fácil colorir uma vida a preto e branco, cada vez mais negra…

Entre a chatice e a boa disposição, nem há escolha!

Os pacientes podem realmente melhorar as suas chances de sobreviver ao manterem-se otimistas e felizes? Especialistas dizem que o público aceita amplamente este facto. Mas, cientificamente falando, há questões que ainda têm que ser resolvidas sobre se funcionam ou não, como funcionam e o que essa conexão significaria para pacientes que não melhoram.
Apelo e promessa
Existe um apelo para acreditar que temos algum nível de controlo sobre uma doença debilitante. “Existe esta ideia de que você pode ter sucesso e conquistar qualquer coisa, mesmo doenças, com base no seu caráter”, disse James Coyne, professor de psicologia da Universidade de Pensilvânia, nos EUA, que realiza pesquisas sobre oncologia comportamental.
Estudos ligando o pensamento positivo e a saúde, frequentemente, fazem notícia. Por exemplo, um trabalho de pesquisadores israelitas sugere que as mulheres que enfrentam diversos desafios na vida, como a morte na família ou o divórcio, têm mais chance de serem diagnosticadas com cancro da mama do que aquelas que tiveram vidas mais estáveis e felizes. Os resultados foram detalhados na edição de 21 de agosto da revista científica BMC Cancer. O mesmo estudo descobriu que as mulheres com cancro têm mais chance de registarem, antes do diagnóstico, que estiveram ansiosas ou deprimidas e que coisas más aconteceram nas suas vidas.
Ronit Peled, uma das autoras do estudo, pesquisadora da Universidade de Bem-Gurion, em Israel, disse que houve evidências para uma relação entre bem-estar emocional e o risco de contrair cancro. “A mensagem principal, do meu ponto de vista, é que as mulheres que têm severos eventos na sua vida quando ainda são jovens devem ser consideradas num grupo de risco do cancro da mama e serem tratadas de acordo”, disse. “Mas sentimentos gerais de felicidade e otimismo na vida de alguém podem ter um papel protetor”.
James disse que o público geralmente entende que notícias como esta provam que o pensamento positivo é bom para a saúde. Mas a verdade é um pouco mais complicada.
Como se sente?
Na realidade não há uma resposta clara sobre se estar otimista o pode manter saudável ou curar algum problema, concordam James e Ronit. Pesquisas no assunto dividem-se entre estudos como o de Ronit e outros como os que James fez, detalhado na edição de dezembro de 2007 da revista Cancer, que descobriu que o bem-estar emocional não previa se pacientes com cancro no pescoço e cabeça sobreviveriam.
James é particularmente cético sobre o poder do pensamento positivo sobre o cancro. “O problema com o cancro é que ele é muito complexo. No momento em que ocorre o diagnóstico é possível que estivesse acumulando-se há décadas”, disse.
Para outras doenças, no entanto, o cenário positivo é mais agradável. James disse que há evidência de que o humor pode prever se alguém que teve um ataque cardíaco terá outro. E disse que há uma explicação biológica sobre por que isso pode ser possível.
Foi feita alguma pesquisa sobre a base biológica do pensamento positivo como tratamento terapêutico para doenças, mas James disse que os cientistas sabem que o cérebro e o sistema imunológico se comunicam. Os cientistas também sabem que o sistema imunológico tem um papel importante na inflamação das artérias, que podem ter um papel em ataques cardíacos, portanto é razoável deduzir que os ataques cardíacos podem estar ligados ao que ocorre no cérebro.
Bom, mau
No entanto, quando James e outros pesquisadores tentaram interceder e tratar a depressão em pacientes de ataques cardíacos, descobriram que o humor dos pacientes melhorou, mas as taxas de um segundo ataque cardíaco não. Ironicamente, James disse, a maior evidência de que a emoção afeta a saúde favorece as emoções negativas e não as positivas. Por exemplo, disse, nós sabemos que a raiva e a depressão estão correlacionadas com a ocorrência de um segundo ataque cardíaco, no entanto, o que não está provado é se manter-se positivo reduz o risco.
Outra maneira de a emoção poder afetar a saúde, mesmo em doenças complicadas como o cancro, é ao afetar a vontade do paciente em manter-se no tratamento. Pode ser um efeito indireto de um comportamento depressivo. Se uma pessoa é positiva, há mais hipóteses de aparecer para fazer todos os tratamentos, ter uma melhor dieta e fazer exercícios. E se você está muito deprimido, dorme mal e isso é mau para a sua saúde.
Mas os especialistas concordaram que as descobertas ligando as emoções e a saúde não devem ser usadas para pressionar os pacientes para que se sintam de uma ou outra maneira. Na realidade isso pode ser pior para o paciente do que deixá-lo só.
Más interpretações sobre esta pesquisa podem deixar as pessoas com medo de ter os pensamentos que têm. Há pesquisas também que mostram que manter a positividade pode ser tão stressante como manter mau humor. É stressante estar-se otimista de maneira não autêntica, todo o tempo.

Contramaré… 13 maio

Euro: Saídas controladas, depois do fogo posto?

A saída da Grécia da zona euro é mais uma vez referida por causa da crise política em Atenas. Mas esse cenário é ainda mais perigoso hoje, numa altura em que Espanha está mais vulnerável. E as consequências seriam geopolíticas, para além de económicas.
Esta Europa não nos dá tréguas, como se odiasse a previsibilidade que, durante tantas décadas, fez com as pessoas deixassem de lhe prestar a menor atenção. Poucos dias depois de a vitória de Hollande em França ter aberto uma nesga de esperança, encontramo-nos cara a cara com os dois problemas que definem esta crise.
Por um lado, a fragilidade dos sistemas políticos, que, como vemos na Grécia, se autodestroem através do empenho em convencer os seus cidadãos a submeterem-se a uma austeridade sem limites nem perspetivas e a serem eles a suportar sozinhos o peso principal da crise. Por outro, como está a acontecer em Espanha, a fragilidade de partes significativas do sistema financeiro, fruto de uma década de excesso de liquidez, má gestão e pior supervisão.
Reação em cadeia
Essas duas fragilidades completam-se e alimentam-se a si mesmas, arrastando-nos para uma situação insustentável: na Grécia, porque a perspetiva de uma renegociação dos termos do pacote de resgate implica abrir caminho para o limiar da saída do euro; em Espanha, porque a condição absolutamente necessária para que funcione a combinação de reformas e cortes que, neste momento, constitui a única agenda do Governo é que essa seja posta em prática num quadro de estabilidade financeira e confiança externa.
Tanto para manter a Grécia dentro do euro como para evitar que a sua eventual saída produza uma reação em cadeia que afetaria a Espanha, os governos da zona euro teriam que tomar medidas de grande alcance. Essas medidas deveriam garantir aos mercados que a Grécia tem futuro dentro do euro ou, então, que a sua saída seria um facto isolado. Mas, como não veem os líderes europeus erguer os corta-fogos necessários, os mercados não acreditam em nenhuma dessas afirmações. Esse pessimismo preocupante começa a encontrar eco junto de muitos que, dentro das instituições europeias, se deram conta de até que ponto a Grécia e a Alemanha tinham chegado ao limite dos seus esforços: de um lado, temos o esgotamento da austeridade grega; do outro o esgotamento da solidariedade alemã.
É imprescindível recuperar o alento e assumir uma perspetiva: a saída da Grécia do euro seria um desastre de grande magnitude, para os gregos e para o resto dos membros da zona euro. Além de as condições de vida dos gregos se deteriorarem ainda mais, os partidos extremistas tornar-se-iam ainda mais fortes. Mesmo que a Grécia não saísse formalmente da União Europeia, a sua saída afetaria todas as políticas em que se baseia a sua condição de membro da UE, em especial no que se refere ao mercado interno, pelo que, na prática, seria o mesmo que uma saída da UE.
Deseuropeização
As consequências seriam também geopolíticas: precisamente quando, depois de uma turbulenta história, a UE tenta atrair para o seu seio os Balcãs ocidentais e se dispõe a admitir a Croácia, a saída da Grécia do euro abriria uma nova frente de desorganização e fracasso estatal, numa região bastante complicada. Psicologicamente, os gregos identificariam o projeto europeu com o fracasso e, assim, logicamente, quereriam afastar-se dele. Para cúmulo, a deseuropeização da Grécia poderia estimular as vozes e forças antiocidentais que, historicamente, têm sido mais fortes naquele país do que noutros vizinhos do sul da Europa, como Espanha, Itália ou Portugal, o que poderia ter repercussões importantes em matéria de segurança, quer mediante o questionamento da qualidade de membro da NATO, quer através de um pico de nacionalismo e das tensões com a Turquia e com a Macedónia.
Para o resto da Europa, as consequências não poderiam ser piores. O eufemismo que está na moda (uma saída controlada) esconde a esperança bastante cínica de que os gregos sejam os únicos afetados. Contudo, na prática, essa saída verificar-se-ia no pior momento, uma vez que Portugal, Itália e Espanha estão num ponto de máxima vulnerabilidade, porque os cortes causaram danos máximos, as reformas ainda não produziram resultados e o pacote de crescimento ainda não está em cima da mesa. Por outras palavras, a saída da Grécia verificar-se-ia no pior momento, que é precisamente aquele em que o seu fator de contágio seria mais elevado e a sua probabilidade de ser um caso isolado seria mais baixa.
A Comissão Europeia tem na gaveta, e está a tirar-lhes o pó a toda a pressa, medidas para estimular o crescimento, que poderiam ter um impacto significativo no sentido de introduzir alguma esperança no horizonte. Tratar-se-á de um cocktail em que se misturam fundos estruturais, empréstimos do BEI e alguma flexibilidade na aplicação dos objetivos de redução do défice. Mas, pondo os olhos na Grécia, o otimismo que se seguiu à vitória de Hollande e que fez com que, em Bruxelas, se respirasse um ar completamente diferente, tem que conviver com uma dúvida muito incómoda: e se Hollande tiver chegado demasiado tarde?

Ecos da blogosfera - 12 maio