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terça-feira, 1 de março de 2011

Com chaves de ouro e Alertas abriram novas Correntes

Com poesia, histórias, gargalhadas e muita emoção realizou-se a última Mesa da 12ª edição do Correntes d’Escritas, moderada por Maria Flor Pedroso, com intervenções de Yvette Centeno, Luis Sepúlveda, Manuel Rui, Mário Delgado Aparaín, António Victorino d’Almeida e Onésimo Teotónio.
A plateia, que preencheu todos os espaços vazios do Auditório Municipal, sentando-se nas cadeiras, no chão ou ouvindo de pé, com cada um dos intervenientes viveu emoções distintas, tão depressa passando do riso, à reflexão, à comoção e à indignação.
Maria Flor Pedroso foi a moderadora de serviço nesta 9ª Mesa, cujo tema foi “Nada no mundo deve ser subestimado”, um verso de um poema de A. M. Pires Cabral.
Quando conheceu o tema, Yvette Centeno pensou que “as coisas bonitas são feitas do acaso e naquele momento eu estava a traduzir um poema de Paul Celan, que termina exactamente desta forma: Tudo é menos do que é, tudo é mais”. Yvette Centeno leu todo o poema – Entrada de Violoncelos – do escritor alemão, afirmando que “além da erudição, que todos gostamos de ouvir, é bom ouvir um pouco de poesia”. Mais do que esta coincidência, a escritora encontrou outros pontos em comum entre a obra de Celan e os temas das restantes Mesas, como “A minha arte é uma espécie de pacto” e “Não há palavras exactas”.
Luis Sepúlveda contou a história de um capitão alemão, cujo lema de vida era que “nada no mundo deve ser subestimado”. Em 1921, partiu de um porto na Alemanha, no seu barco de 14 metros, para uma grande travessia no Atlântico para cumprir um desejo: sobrevoar a Terra do Fogo e a Patagónia. Quatro pessoas, além de um cão e da sua esposa, faziam parte da tripulação. A uma certa altura da viagem a mulher não quis continuar a viagem, fazendo as malas e regressando ao seu país natal. No barco esqueceu-se de uma peça de roupa interior preta muito sensual. A tripulação perguntou ao capitão o que fazer com a peça que, como nada no mundo deve ser subestimado, respondeu que deveriam guardá-la. Algum tempo mais tarde, o mau tempo atingiu a embarcação e o capitão foi atirado à água. Nadou até à margem com o seu cão e, sem roupa, desfeita durante o naufrágio, alcançou a costa. Para vestir e caminhar até à comunidade mais próxima, a 100 quilómetros dali, só a peça de roupa interior preta muito sensual que o cão tinha arrastado com ele. No diário de bordo que escreveu posteriormente, o capitão mencionou que foi o primeiro homem que os pinguins viram vestidos de tal forma.
Terminando, Sepúlveda lembrou que este lema de vida tem agora “uma aplicação urgentíssima. Quando um grupo de miseráveis e ladrões, que não são mais do que duas mil pessoas, todas perfeitamente identificáveis, tomam conta do mundo na maior das crises económicas, os nossos governos subestimaram a nós, cidadãos, ao dar dinheiro a estes miseráveis. Têm que entender que não podemos ser subestimados”.
Manuel Rui olhou para este tema com uma preocupação dogmática. Para o escritor angolano “cada palavra sozinha perde sonoridade e sentido. Só umas com as outras me iriam fazer chegar ao texto do dever de não subestimar e as palavras primam pela sua natural socialização”. Tantas vezes, desabafou, “não deveria ter subestimado pessoas que falavam comigo sem que eu as ouvisse”.
Recordou a viagem de António Victorino d’Almeida a Angola e a visão de que um coqueiro se assemelhava a uma mulher, afirmando que os frutos lembravam os seus seios. Manuel Rui discordava: “Não, maestro, são muitos seios. Só se tirarmos todos de maneira a ficarem só dois cocos.” Continuou, “depois chegou um compadre meu que me perguntou se o meu amigo era maluco e eu disse: não, é músico. O meu compadre, o mestre Kamosso, fez então um desafio ao maestro e realizaram um dos mais improváveis duetos musicais”.
Para o escritor, “há apenas uma coisa que deve ser subestimada, a subestimação”.
Mário Delgado Aparaín emocionou-se e emocionou. A sua intervenção frisou que a grande doença do século XXI é a crise da auto-estima. “Mais que um cancro, mais que a sida, a falta de amor por nós próprios, a ideia de que pouco ou nada temos para contar, é a verdadeira doença”. Para o escritor, esta crise provém da “ruptura dramática entre gerações, do vínculo cortado entre jovens e velhos, distanciando-nos, assim, da nossa memória”. A melhor notícia que as televisões podem dar é de um apagão, pois só assim, sem tecnologia, acendemos uma vela e vemos pela primeira vez os olhos da nossa avó. “Resmungamos porque ficamos sem luz mesmo quando, na novela, o marido ia apanhar a esposa com o amante. E não perguntamos à nossa avó como era ter um amante em 1940 – e de certeza que a história que ela nos iria contar seria muito mais erótica que a da novela, porque foi real”. Para Mário Delgado, “com as histórias dos nossos antepassados descobrimos que cada um de nós tem uma história para contar e que, cada uma, é o resultado de uma nação”.
António Victorino d’Almeida afirmou que “quem não valoriza está automaticamente a subestimar”. Fez referência ao episódio contado por Manuel Rui e recordou, também ele, o mestre Kamosso e o seu instrumento musical, o ungo. “Este instrumento só toca uma nota, mas não subestima o ritmo, o timbre, a intensidade. Eu acrescentei, com o piano, mais onze notas musicais, mas ele deu-me o poder de jogar com o ritmo, com o timbre e com a intensidade”. Para o maestro, o nada não existe. Desde o Big Bang que “todos passamos a existir, a única coisa que passou a ser inatingível foi o nada. Associamos a vida ao tudo e a morte ao nada, quando na verdade apenas nos transformamos, mas não chegamos a ser nada”. Assim, o músico não subestima as letras. “Em alemão, liebe quer dizer amor. O ‘e’ não se lê, mas tem que lá estar, porque se escrevêssemos libe estaríamos a escrever queca. Por isso, recuso-me a escrever ator.”
Onésimo Teotónio Almeida referiu-se aos nomes, que muitas vezes subestimam os seus proprietários, “como no caso de António Feio ou no meu próprio caso, que nem chego a milésimo. Há outros casos, cujos nomes sobrevalorizam, como Mário Pissarra ou José Sócrates”. Para o escritor, “Marcelo subestimou a vontade de alguns portugueses. Salazar foi mais justo. Subestimou a vontade de todos os portugueses”. No final, uma mensagem: “Não subestimem os políticos. Eles são capazes de muito pior”.
Pois!

Ecos da blogosfera – 1 Mar.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Acabaram as Correntes, recomeça o tempo d’Escritas

 As mesas: os Temas e os Intervenientes
Para quem não pode estar presente, uma minuta das actas das respectivas mesas.
Sirvam-se!
 Fernando Pinto do Amaral, Maria Teresa Horta, Aida Gomes, José Carlos Vasconcelos,
Almeida Faria, Eduardo Lourenço e Ricardo Menéndez Salmón
Miguel Miranda, Júlio Conrado, Karla Suarez, Carlos Vaz Marques,
Maria João Martins, João Paulo Cuenca e Ignacio del Valle
Ricardo Romero, David Toscana, Juva Batella, Luís Represas,
Rui Zink, Manuel Jorge Marmelo e Mário Lúcio Sousa
Gastão Cruz, Ivo Machado, Carmen Yáñez, Francisco José Viegas,
Ana Luísa Amaral e Uberto Stabile
João Paulo Borges Coelho, Ignacio Martínez de Pisón, César Ibáñez París,
João Gobern, Mário Zambujal, Nuno Júdice e Rui Zink
António Figueira, Paulo Ferreira, Maria Manuel Viana, José Mário Silva,
Inês Pedrosa, Francisco José Viegas e Alberto Torres Blandina
Álvaro Magalhães, David Machado, Francisco Duarte Mangas,
Ivo Machado, João Manuel Ribeiro e Vergílio Alberto Vieira
Nuno Crato, Pedro Vieira, Raquel Ochoa, Onésimo Teotónio Almeida,
Kirmen Uribe, José Manuel Fajardo e valter hugo mãe
Mário Delgado Aparaín, António Victorino d’Almeida, Yvette Centeno,
Maria Flor Pedroso, Luis Sepúlveda, Onésimo Teotónio Almeida
 e Manuel Rui 

Carta Aberta a todos os Tiriricas da Educação…

Depois de agendar o post da nomeação de Tiririca para  fazer parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, recebi por mail da professora Marise von, dos blogues Filosofar é preciso!!!, Filosofia é o limite!!! e Sociologia é o Limite!!! a seguinte carta, com pedido de encaminhar para o maior número de contactos. Como não há melhor forma de o fazer, aqui a publico, não só para ser simpático com a colega brasileira, mas sobretudo porque é uma radiografia (talvez TAC) da Educação, também no nosso país.
Ei-la:
Resposta de uma professora (brasileira) à revista “VEJA”
Sou professora do Estado e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”.
É com grande pesar que vejo quão distante estão os seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que  geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronómetros, nem de especialistas  para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm que comer nas suas casas, quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos  nas suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas (brasileiras). Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar ao respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina. Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos,  há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança de que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de só brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir às árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para o 5ª ano. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso. Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala de aula (o que às vezes resulta numa revolução),  levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planeados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planeamentos, correções nos fins de semana, tudo sem remuneração; todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Os professores têm 10 minutos de intervalo e têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar à pressa o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, o professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 horas semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que, embora apresente atestado médico, tem que repor as aulas.  Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que  são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que se estão a aposentar e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”. Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia a dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam os seus pais e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade dos seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando ano após ano, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos. Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronómetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é disso que precisamos, não de cronómetros!  Lembrando: o professor estadual só percorre a sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.  Em vez de cronómetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, campos desportivos cobertos (um luxo para a grande maioria das nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitas escolas (neste Brasil afora) que nem cadeiras possuem para os alunos se sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos também,  urgentemente,  de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo.
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de ponto, à mão: sem erros, nem borrões  (oh, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronómetros. Francamente!  Passou a hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem despreparados e  “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
Abraços
Nanci

O Brasil assume! Um palhaço para a educação…

(Dr.) Francisco Everardo Oliveira Silva
ex-Palhaço “Tiririca”
Não era segredo para ninguém minimamente informado, que o Congresso Nacional era um circo, onde alguns palhaços "brincam" de fazer política, enquanto exercitam suas inesgotáveis habilidades de desenvolver "piadas de mal gosto", entretanto, tal como bem gostam os brasileiros, mantinha-se ao menos uma aparência de seriedade.
Agora, com a escolha do deputado Tiririca para fazer parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, fica evidenciado que esses sujeitos resolveram deixar claro que não estão nem aí para a opinião pública, partindo para a comprovação explícita de que são uns gozadores. Colocar Tiririca como membro da Comissão de Educação e Cultura só pode ter sido uma forma de evidenciar que essas tais comissões existentes no Congresso, nas quais os deputados "brincam de trabalhar", não passam de "massa falida", usadas exclusivamente para, através de um cínico jogo de faz de conta, justificar os nababescos salários que recebem e as indignas mordomias que usufruem.
Uma outra opção, seria a de que Tiririca foi colocado na Comissão de Educação e Cultura para que eles, durante as ociosas reuniões do colegiado, diante de um exemplo vivo de como não deve ser pautada a vida educacional de um cidadão, aquelas "reuniõezinhas modorrentas" possam, graças as piadas e pantomimas do palhaço Tiririca, tornarem-se mais divertidas, quem sabe até transformadas em mais uma dessas ridículas imitações da "Escolinha do Professor Raimundo".
A própria notícia já contem os comentários possíveis e passíveis de serem feitos, não só em relação à educação (com e minúsculo) ao mesmo tempo que classifica o Congresso, tanto pela escolha, como pelo trabalho que desenvolve.
O que se passa no Brasil e em muitos outros países, é pura coincidência.
Mas, como seria de prever,
O pior é se o homem resolve a palhaçada em que se está a transformar a Educação em todo o mundo, já que os Mestres e Doutores não conseguem arrancar palmas, nem aos alunos, nem aos pais, nem aos professores.
E até pode ser, não seria caso único…

Um Plano (tão) Inclinado que escorregaram…

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O nosso futuro político/partidário está à vista?

Todas as sondagens o previam: o Fine Gaël venceu as eleições legislativas na Irlanda.
Não há ainda resultados oficiais definitivos, mas os parciais indicam que os irlandeses puniram fortemente o Fianna Fail, partido que governou o país durante 60 anos e que Enda Kenny será o próximo primeiro-ministro:
“Queremos enviar uma mensagem para a Europa e para o mundo, pretendemos criar um governo forte e estável e o nosso país está aberto ao negócio e queremos restabelecer a nossa reputação cá dentro e no estrangeiro”, afirmou o líder centrista.
Os irlandeses sentem-se aliviados por ver partir aqueles que consideram responsáveis pela ruína do país.
“Bem, penso que tiveram o que mereciam, honestamente. Estou muito feliz com o resultado da eleição, especialmente em Dublin. Estou feliz que o Labour tenha subido e tenho esperança de que nos tornemos uma sociedade mais equalitária”.
“Eles trataram-nos como imbecis. Estou contente que tenham partido e penso que toda a gente está”.
Com esta derrota histórica do Fianna Fail a Irlanda é o primeiro país da eurozona a punir o governo responsável pela crise.
Enda Kenny promete renegociar com a União Europeia e o FMI, os termos do plano de financiamento da economia do país.
Por causa das medidas de austeridade impostas, de fora, ao povo irlandês, para pagar os calotes da Banca, a resposta do povo foi natural: RUA!
Fazemos votos para que as bonitas palavras e as boas intenções do líder do partido vencedor sejam sinceras e inegociáveis e que não sejam (como vem acontecendo) palavras vãs e intenções envenenadas.
Entretanto por cá:
Para o dirigente bloquista, o primeiro-ministro vai ao encontro de Merkel “com o coração nas mãos e sem saber o que vai acontecer numa União Europeia em que a senhora Merkel recusa a acção contra a especulação, pelo contrário, protege o sistema financeiro e os seus ataques sistemáticos contra as economias mais vulneráveis”.
Louçã recordou que os "ataques" visaram primeiro a Grécia e depois a Irlanda "e agora Portugal e Espanha e sabe-se lá que outras regiões económicas desta União Europeia que recusa a solidariedade quando ela era tão necessária”.
Manuel Maria Carrilho e Pedro Santana Lopes num debate.
Pedro Passos Coelho acha natural. “Natural” que o primeiro-ministro, José Sócrates, se reúna com a chanceler Angela Merkel, na quarta-feira, em Bona, para garantir o apoio externo a Portugal. E “perfeitamente natural” que a atenção do chefe do Governo esteja centrada na “frente externa” por causa da possível utilização do FEEF da União Europeia.
Fazemos votos para que as intenções da líder alemã, se forem más, sejam inegociáveis e que não sejam (como vem acontecendo) ameaças vãs e intenções discriminatórias, tendo em conta que:
A chanceler deverá assumir uma "linha mais dura na defesa dos interesses alemães"

No sábado passado, nas Correntesd’Escritas, o escritor chileno, Luís Sepúlveda, quando finalizava a sua intervenção glosando o tema “Nada no mundo deve ser subestimado” lembrava que este lema de vida tem agora “uma aplicação urgentíssima. Quando um grupo de miseráveis e ladrões, que não são mais do que duas mil pessoas, todas perfeitamente identificáveis, tomam conta do mundo na maior das crises económicas, os nossos governos subestimaram a nós, cidadãos, ao dar dinheiro a estes miseráveis. Têm que entender que não podemos ser subestimados”.

“Prémio Personalidade Lusófona do Ano de 2010”

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
Administrador Apostólico Emérito de Dili
Prémio Nobel da Paz de 1996
Pela deliberação dos Membros do Benemérito Movimento Internacional Lusófono sou agraciado com o “Prémio Personalidade Lusófona do Ano de 2010”.
De facto, quando fui notificado pelo Dr. António Borges, via telefónica que havia sido nomeado, mais tarde, notificado pelo Presidente, Dr. Renato Epifânio, a minha primeira reacção foi: “Personalidade do Ano?”. Mas por quê eu? Eu que não fiz nada de extraordinário pelo Movimento Internacional Lusófono?
Seja como for, em atitude de humildade e com sentido de responsabilidade, que recebo este Prémio e, recebo-o em nome do Povo de Timor-leste e, recebo-o como um compromisso para trabalhar pela Lusofonia. À Direcção do Movimento e a todos os distintos membros exprimo o meu profundo agradecimento.
Sempre representou uma honra e uma sorte, para mim, um dos habitantes de uma meia ilha perdida no grande Arquipélago da Insulíndia e, banhado pelos oceanos Índico e Pacífico, fazer parte da grande família de milhões de homens e mulheres que falam a mesma língua, a Língua Portuguesa, e respirar a mesma cultura imbuída de traços comuns: históricos, religiosos e culturais.
Minhas senhoras e meus senhores, nesta solene sessão, peço licença para contar um pouco como na minha infância e adolescência quando comecei a experimentar a experiencia da lusofonia: nos anos 50 e 60 do século XX, na minha terra natal, Baucau, que na altura se chamava “Vila Salazar” conhecia os portugueses (eram autoridades: administrador, secretário e aspirantes); os goeses (padre Brito, e Monteiro; médico (director do hospital de Baucau); cabo-verdianos (carpinteiros, na construção do Colégio de Fatumaca); macaenses (presos, desterrados);
No ano lectivo de 1974-1975, estive como professor no Colégio salesiano de Fatumaca. E em 1976, no Colégio Dom Bosco de Macau. Tanto numa como noutra instituição os superiores encarregaram-me de ensinar História e Geografia, de Portugal. Evidentemente que na aula de Geografia, ensinava aos meus alunos tudo aquilo que se relacionava com as antigas colónias portuguesas, mas sobretudo dos movimentos de libertação. Claro que falava aos meus alunos de PAIGC, MPLA, FNLA, UNITA, FRELIMO e MLSTP, e dos seus líderes: Agostinho Neto, Holden Roberto, Jonas Savimbi, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Marcelino dos Santos, Miguel Trovoada e Manuel Pinto da Costa, etc. Estas coisas não estavam no programa oficial…Mas os tempos exigiam o conhecimento desta realidade. E os meus alunos, alguns deles, hoje são ministros, diziam: “Senhor Padre, afinal, não estamos sozinhos… e todas estas províncias ultramarinas querem viver na liberdade…”. É exactamente isso que os meus alunos já adivinhavam: “Não estamos sozinhos, quer dizer, existe uma fraternidade lusófona; todos querem viver na liberdade”.
Sem conhecer a vida e as obras do grande filósofo português, Agostinho da Silva, os alunos timorenses de Fatumaca e o seu professor estavam a adivinhar os ideais daquele que inspirou a génese e nascimento do Movimento Internacional Lusófono: “A criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade”. É o idioma comum que nos une para lutarmos pela liberdade e fraternidade.
É uma realidade que a Língua Portuguesa une diversas etnias, culturas e religiões! ”Obviamente a Lusofonia não se esgota no comum uso da língua, mas de tudo o que o diálogo por ela possibilitado e facilitado proporciona: na aproximação dos países, na economia na religião, na ciência, no desporto, em todos os alinhamentos, também políticos” (Dicionário de Lusofonia, p. 654).

Ainda os académicos e a língua portuguesa

A participar em Macau na conferência internacional “A Lusofonia entre encruzilhadas culturais”, Inocência Mata defendeu que a diversificação da língua “alarga o seu âmbito de existência e está a formar um sistema muito mais amplo e muito mais persistente, muito mais duradouro, muito mais enriquecido que vai projetar a língua portuguesa para o segundo milénio”.
“Parece paradoxal a formulação” (da sua comunicação) - “Estratégias de convergência na diversificação da língua portuguesa” – mas a académica, que recorreu a três escritores de tempos diferentes para sustentar a sua tese – os angolanos Uanhenga Xitu, Leondino Vieira e o moçambicano Mia Couto – defendeu que não são os escritores a “subverter” a língua, mas sim a “inscrever no sistema da língua portuguesa uma outra forma de dizer em português geografias culturais muito diferentes”.
“A língua portuguesa está a diversificar-se e na verdade é nessa diversificação que está a unidade da língua portuguesa e a riqueza da língua portuguesa”, disse.
O português, acrescentou, “está a ser enriquecido com uma fonte cultural existente em cada país” e o que os escritores fazem é “refratar esse processo de recriação da língua portuguesa” que cada povo está a fazer à sua maneira, com a sua cultura e também com os seus crioulos.
A língua portuguesa está a ser enriquecida com uma fonte cultural existente em cada país lusófono.
Pois, isto é que é a Lusofonia, linguisticamente falando…
Ao considerar que a “lusofonia tem uma aplicação prática com um intuito político-diplomático”, Pedro Martins, da Universidade de Siena, Itália, aponta a CPLP, a União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), o Prémio Camões e o Acordo Ortográfico como representações formais e institucionais de uma “pseudo-lusofonia”.
“O Acordo Ortográfico é o exemplo mais claro desta dupla vertente da lusofonia, pois os países estão a tomar medidas para o aplicar, mas com uma vertente utópica, já que se pretende nivelar uma ortografia do português que não é igual e não tem de ser igual, porque representa as diferenças de cada um dos países” lusófonos, disse o académico na conferência internacional “A Lusofonia entre Encruzilhadas Culturais”.
“Poderemos até escrever da mesma forma, mas haverá sempre diferenças que nos permitirão identificar cada um dos países”, observou, considerando que, neste contexto, o que "interessa perceber é se este acordo pretende verdadeiramente unificar esta comunidade ou se está a ser criado para esconder as diferenças que existem e que têm de ser marcadas e estudadas enquanto situações independentes”.
Os defensores do Acordo Ortográfico realçam os aspetos positivos da uniformização da escrita do português, promoção e internacionalização da língua, enquanto as vozes críticas apontam interferências no património linguístico de milhões de pessoas, que formam a denominada comunidade lusófona e a incoerência da reforma.
O Acordo Ortográfico está em vigor em Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e em Timor-Leste, restando a sua implementação efetiva em Angola e Moçambique.
Sobre o Acordo Ortográfico, é mais uma opinião, a que todos os lusógrafos tem direito, assim como tem o direito de não o seguir, quer individualmente, quer a nível de cada país, exatamente para que continue a haver autonomia, identidade, nação e Lusofonia sem “neo-colonialismo”…

Ecos da blogosfera – 27 Fev.