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terça-feira, 22 de julho de 2014

Contramaré… 22 jul.

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, afirmou que não se conforma com "vitórias pequeninas", numa alusão às eleições europeias, argumentando que quem se conforma não quer fazer diferente no Governo.
Neste momento, segundo o presidente da Câmara de Lisboa, é "necessário" travar a atual recessão social, empobrecimento coletivo, esmagamento dos direitos dos cidadãos e política de confronto com a Constituição da República Portuguesa.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Genocídio ou carnificina, guerra ou massacres? Holocausto…

Pelo menos 130 palestinianos morreram nas operações do exército israelita neste domingo, o dia mais sangrento desde o início do conflito, quando 13 soldados israelitas também foram mortos e um militar hebreu, segundo o movimento Hamas, foi sequestrado.
Massacre em Shajaya
Segundo os serviços de emergência, pelo menos 62 pessoas foram mortas e mais de 200 ficaram feridas nos bombardeios contra o bairro de Shajaya, os mais mortais desde o conflito de 2008-2009 no território palestiniano. E com 100 mortos em toda a Faixa de Gaza, este também é o dia mais sangrento desde o lançamento da nova ofensiva.
Em Shajaya, um jornalista da AFP descreveu cenas de carnificina e caos, como um homem que teve a cabeça arrancada. As ruas estavam cheias de carros queimados, incluindo uma ambulância, e vários corpos continuam a ser retirados dos escombros sem cessar.
Frente ao número alarmante de mortos, o Exército israelita justificou a sua ofensiva contra este bairro localizado perto da fronteira. "Shajaya é uma área civil, onde o Hamas tem posicionado os seus foguetes, os seus túneis, os centros de comando", afirmou o Exército, ressaltando que "há dias temos avisado os civis de Shajaya para que deixem o local".
O Presidente norte-americano, Barack Obama, apelou domingo a um "cessar-fogo imediato" em Gaza depois do registo de mais de 100 mortos no que foi o dia mais sangrento da ofensiva israelita na região. Também o Conselho de Segurança manifestou preocupação com o número de vítimas mortais e pediu o fim das hostilidades.
Com as agências internacionais a apontarem 472 mortos desde o início da ofensiva militar israelita em Gaza, Barack Obama enviou o Secretário de Estado John Kerry ao Cairo e falou, pela 2.ª vez em 3 dias, com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.
O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu disse hoje que a ofensiva na Faixa de Gaza reúne um apoio internacional "muito forte".
As declarações do primeiro-ministro israelita seguem-se às do secretário de Estado norte-americano John Kerry, que culpou o Hamas pela continuação do conflito em Gaza, considerando que o movimento palestiniano tem vindo a rejeitar todas as tentativas de cessar-fogo. "Tem-lhes sido oferecido um cessar-fogo e têm recusado aceitar", salientou John Kerry. "Eles precisam reconhecer a sua própria responsabilidade", concluiu.
Em tempos de guerra, até a “diplomacia” é uma arma, sempre bem usada por quem melhor está apetrechado para intoxicar a opinião pública…
Como se vê, o Conselho de Segurança manifestou preocupação com o número de vítimas mortais e pediu o fim das hostilidades enquanto Barack Obama enviou o Secretário de Estado John Kerry ao Cairo, para envidar esforços para travar a carnificina contra civis inocentes, sem se contabilizar a destruição do habitat físico, propriedade das vítimas...
Como se vê, John Kerry culpou o Hamas pela continuação do conflito em Gaza, contrariando a missão de que foi incumbido e contradisse o seu presidente, que apelou a um cessar-fogo imediato, sem enumerar culpados.
Lembra-se que tudo começou com a morte de 3 jovens israelitas por palestinianos e 1 palestiniano por israelitas, assunto do foro da justiça, como reconheceu o primeiro-ministro da Malásia, a propósito do abate do avião da Malasya Airlaines…
Como se vê, Netanyahu, em vez de citar os apelos de Obama, escuda-se nas declarações de John Kerry e conclui que a carnificina israelita, de sua responsabilidade tem um apoio internacional muito forte, que quase só se traduz nas bocas de Kerry e da sua responsabilidade…
Daqui se conclui que o Benjamin não lê jornais, não vê TV nem consulta as redes sociais. Talvez considere que o papel dúbio dos EUA e os lóbis judaicos norte-americanos são o seu apoio internacional muito forte, apoios fortes financeira e belicamente, apesar de saber que os EUA não se vão imiscuir oficialmente no conflito, como a Rússia faz oficiosamente em relação à Ucrânia…
Entretanto, os números de mortos e feridos não param de aumentar, colocando uma questão básica, que os israelitas, básicos nos seus conceitos e soluções, têm que equacionar:
 Os números negros da Faixa de Gaza
De acordo com um relatório do UNOCHA, 57.900 crianças morreram ou ficaram feridas ou desalojadas. Conheça todos os números
Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, a 7 de julho, já morreram cerca de 260 palestinianos, incluindo dezenas de mulheres e crianças.
De acordo com os dados da ONU revelados esta sexta-feira, 57.900 crianças morreram ou ficaram feridas ou desalojadas. Estima-se que o número total de pessoas que precisam de ajuda e assistência ultrapasse os 96.000.
O 13.º dia de conflito foi de longe o mais violento e o mais sangrento na investida que os israelitas, agora também pela via terrestre, fazem na Faixa de Gaza. Benjamin Netanyahu já tinha avisado que iria “expandir as áreas” de ataque, tendo ontem enviado tanques e infantaria para zonas urbanas à procura de túneis e de rampas de lançamento dos rockets palestinianos. O ataque mais violento aconteceu no bairro de Shajaya, onde os repórteres presentes testemunharam uma autêntica carnificina, com pelo menos 62 pessoas mortas, a maioria das quais mulheres e crianças. Mortos que vão engrossar uma estatística tétrica onde se já contabilizam, em 2 semanas de conflito, 438 baixas palestinianas e 20 do lado israelita.
O dado mais alarmante neste conflito é o número que está a ser avançado pela ONU e que diz que 80% das vítimas palestinianas são civis, sendo que as crianças formam o maior grupo. Apesar de Israel ter um dos exércitos mais avançados do mundo, em termos de artilharia, informações e precisão, organizações de direitos humanos da Palestina e Israel falam num ataque desproporcionado.
Nos 2 lados da barricada ninguém se entende, as posições estão ainda mais extremadas e ontem nem sequer conseguiram respeitar uma trégua de 2 horas pedida pela Cruz Vermelha para remover cadáveres e retirar os feridos.
Perante tantas baixas de civis a necessidade de um cessar-fogo torna-se ainda mais premente. O Hamas continua a recusar a intermediação feita pelo Cairo, preferindo a Turquia ou o Qatar. Doha já apresentou uma proposta de tréguas, mas Israel insiste que o Egipto deve fazer parte de um acordo. Entretanto, vamos assistindo a relatos desumanos, como o de um pai que diz “isto é o meu filho”, enquanto abre um saco de plástico.

Ecos da blogosfera - 21 jul.

Com Acordo Ortográfico ou sem, “miacoutaremos”…

Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.
Mia Couto*
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?
Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?
Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
- Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
- No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
- A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
- O mato desconhecido é que é o anonimato?
- O pequeno viaduto é um abreviaduto?
- Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
- Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
- Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
- Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
- O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
- Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
- Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
- Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
- Mulher desdentada pode usar fio dental?
- A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
- As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
- Um tufão pequeno: um tufinho?
- O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
- Em águas doces alguém se pode salpicar?
- Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
- Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
- Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
- Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente.
* Texto escrito especialmente para o Ciberdúvidas - 11/04/1997

Contramaré… 21 jul.

Santana Lopes aponta fragilidades a Barroso, Marcelo e Rio e embora não assuma ainda que vai às presidenciais, refere que António Guterres é "altamente estimulante" para a direita, mas que não é "imbatível" numa futura eleição.

domingo, 20 de julho de 2014

Análise pragmática aos “rebeldes imorais” e ao “exército moral”

Observadores internacionais recebidos por rebelião pró-russa bêbeda e agressiva.
Pouco fazem, mas também pouco ou nada deixam fazer. Esta é a atitude dos rebeldes pró-russos perante a angústia de famílias e os pedidos da comunidade internacional para aceder a corpos e a destroços do MH17.
Os bancos holandeses decidiram, sábado, tomar "medidas preventivas" quanto aos cartões de crédito roubados às vítimas do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Num comunicado, a Associação de Bancos da Holanda garantiu ainda que reembolsará os familiares das vítimas por eventuais usos dos cartões por rebeldes ucranianos.
Esta é apenas uma das reações provocadas pela onda de choque que atinge não só especificamente a Holanda, que perdeu na tragédia 192 cidadãos, como a comunidade internacional, que assistem à discricionariedade com que os separatistas em Donetsk têm contaminado as provas no terreno.
A queda do avião malaio em solo ucraniano e a ofensiva terrestre lançada por Israel em Gaza está no centro das atenções dos investidores.
Os principais índices bolsistas europeus estão no vermelho devido aos receios que o conflito já existente entre a Rússia e a Ucrânia venha a acentuar-se. Estes receios estão assim a penalizar a evolução das principais praças europeias.
Além da situação na Ucrânia, os mercados estão de olhos postos também na ofensiva terrestre lançada por Israel na Faixa de Gaza.
Numa perspetiva pragmática, pondo de lado a morte de 298 pessoas pelo abate do avião da Malaysia Airlines e quem são os verdadeiros autores, a imoralidade está mais no roubo dos cartões de crédito dos cadáveres, praticada pelos “rebeldes” pró-russos, que parece traduzir mais uma necessidade de financiamento do terrorismo do que evidenciar o próprio ato terrorista. E por isso, os mercados (investidores vampíricos) receiam que o sangue fique por aqui, dada a escala escandalosa, à espera de maior espólio… Os bancos, entram na guerra, com as armas mais usadas nas guerras dos novos tempos…
Noutra frente, na Faixa de Gaza, os mercados (investidores vampíricos) estão receosos, não pelo genocídio cego e em crescendo levado a cabo por Israel, mas pela involução das principais praças europeias, manchadas de vermelho, não pelo sangue dos inocentes, mas por reduzirem a área dos territórios a serem espoliados…
Havia quem tentasse encontrar ligação entre estes 2 atos terroristas e eis que nos oferecem esta interpretação financeira, que parecendo fruto da “culta” porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, é uma justificação sustentável para os esforços urgentes para conseguir um cessar-fogo por ela alvitrados…
A Psaki tinha ontem razões, que a nossa razão desconhecia…
Imagem 1 e 2

Ecos da blogosfera - 20 jul.

“Salvem Gaza, Já!” – Camberra, Austrália – 18 de julho de 2014.

Mais uma forma de os consumidores serem consumidos…

A Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC) apresentou uma queixa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e à Provedoria da Justiça contra o "assédio" e "abusos" de concursos televisivos da RTP, SIC e TVI.
Os telespetadores são "sucessivamente massacrados, ao longo do dia, com mensagens a apelar à participação em concursos" televisivos, através de chamadas de valor acrescentado, fazendo-os acreditar que se estão a candidatar "a um prémio monetário elevado", criticou Mário Frota, presidente da APDC.
Os concursos têm como público-alvo "as pessoas mais vulneráveis, que estão em casa, em situações de desemprego ou de aposentação", havendo, de acordo com Mário Frota, um "assédio" a esses mesmos telespectadores, perpetrado por "apresentadores de TV com um certo carisma".
Os apresentadores "usam a sua credibilidade para aliciar as pessoas a telefonar", explicou o presidente da APDC, sublinhando que é também passada a ideia de "quanto mais se ligar, mais oportunidades se tem de ganhar", incitando à realização de "várias chamadas".
O apelo feito pelos apresentadores destes concursos televisivos é levado "à exaustão" e afeta "os orçamentos familiares" das populações "mais vulneráveis".
Para Mário Frota, esta prática constitui "assédio", sendo entendido como "uma prática comercial agressiva", considerando-a "absolutamente ilegal".
Segundo o presidente da APDC, o próprio prémio é entregue "em cartão de crédito e não em dinheiro", não sendo explicado "convenientemente o prémio nem as suas limitações".
O presidente da APDC destaca ainda o retorno registado em 2013, pela SIC e TVI, "de mais de 70 milhões de euros" neste tipo de chamadas, referindo que "os números são assustadores e mostram que as televisões acabam por se financiar a partir destes concursos".
"Isto é uma vergonha nacional", disse Mário Frota, frisando ainda que a proposta de "autorregulação dos operadores televisivos em relação aos concursos apenas protege a concorrência, não havendo qualquer proteção dos consumidores".
Os concursos são "uma forma de exploração absolutamente intolerável", concluiu.
O problema, ao que se diz e não está explicadinho, está no “prémio” e não propriamente nos processos do “jogo”…

Contramaré… 20 jul.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, apelou hoje, Dia Internacional Nelson Mandela, aos Estados Unidos que fomentem o espírito de serviço do falecido líder sul-africano Nelson Mandela, um dos seres “mais influentes e corajosos” de todos os tempos, que descreve como um dos seus heróis.
“Nelson Mandela foi um dos mais influentes, corajosos e decentes seres humanos”, disse Obama.

sábado, 19 de julho de 2014

Com quantos mortos se comete um genocídio?

Genocídio é o extermínio ou a desintegração de uma comunidade pelo emprego deliberado da força, por motivos raciais, religiosos ou políticos, entre outros. Para a ONU, esse tipo de agressão configura-se como delito contra a humanidade.
Segundo a imprensa turca, Erdogan disse, numa mesquita em Istambul, que "Israel comete um genocídio" em Gaza e que o país "ameaça a paz mundial".
"Consideramos esta declaração ofensiva e equivocada", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, na sua conferência de imprensa diária.
Psaki rejeitou "esse tipo de retórica provocativa", que, segundo disse, "não ajuda e distrai" os esforços "urgentes" para conseguir um cessar-fogo.
Questionada pelos jornalistas, a porta-voz recusou avançar com um número de mortos a partir do qual os Estados Unidos considerariam que está a ocorrer um genocídio em Gaza, onde já morreram mais de 290 pessoas, a maioria civis, incluindo cerca de 80 crianças.
Psaki afirmou que há uma "ampla gama de definições" e considerou "horrível" a morte de "tantos civis".
O presidente americano, Barack Obama, conversou por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para expressar a sua preocupação pela crise na Faixa de Gaza após o início de uma ofensiva terrestre israelita.
Obama declarou que, embora Washington apoie o direito de Israel se defender, os “Estados Unidos e os nossos aliados e amigos estamos profundamente preocupados com os riscos de uma escalada e pela perda de mais vidas inocentes”.
Netanyahu disse que Israel está a preparar-se para intensificar a sua ação.
Enquanto uma Psaki qualquer, mesmo no papel de porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, se apropria do direito de interpretar, a seu bel-prazer, entre uma ampla gama de definições de genocídio, o seu presidente vem por água na fervura, reconhecendo porém que a “retórica provocativa” pode redundar numa escalada de violência, considerando, como a porta-voz, horrível a morte de tantos civis e inocentes…
Entretanto, o moralista Netanyahu, fazendo orelhas moucas ao seu interlocutor, Obama, responde-lhe aumentando a intensidade nos jogos bélicos, com a mesma definição da Psaki e o mesmo sentimento dos dois…
Enquanto isso, a violência banaliza-se, entre uma ampla gama de definições…
Palestinianos de Gaza encolhiam-se temendo pelas suas vidas enquanto militantes do Hamas pediam por valentia depois de Israel enviar forças, na quinta-feira, ao densamente povoado território após 10 dias de trocas de tiros na fronteira.
Noah Browning
Pessoas abandonaram casas em ruas normalmente apinhadas depois de uma noite de bombardeios. Navios lançando tiros de metralhadoras aproximaram-se da costa mediterrânea do enclave no deserto, com disparos de artilharia iluminando de laranja o horizonte a cada poucos segundos e balançando edifícios com ataques aéreos.
Grupos pequenos de homens sonolentos marcharam para as orações da sexta-feira na Cidade de Gaza, apesar do incómodo frequente da artilharia israelita.
"Estamos aterrorizados. A minha família inteira ouve as bombas a cair à nossa volta e podemos ser atingidos a qualquer momento. Sentimos que não há nada que possamos fazer para nos proteger", disse Yousef al-Hayek, de 60 anos, vestindo uma túnica branca e apertando um terço islâmico. "Tudo está nas mãos de Deus. A invasão era esperada, mas agora como irá terminar não está claro. Temos a esperança de uma trégua."
Entre os 23 palestinianos mortos na escuridão da noite após as operações terrestres israelitas anunciadas para destruir túneis subterrâneos usados por militantes, 3 eram jovens primos - Mohammed, Mohammed e Ali Nutaiz, com idades entre 4 e 26 anos.
Fugiram com as suas famílias do fogo dos tanques israelitas numa cidade da fronteira, apenas para serem mortos quando a casa onde se abrigavam foi bombardeada, disse um parente.
Médicos palestinianos dizem que 222 dos 260 habitantes de Gaza mortos na ofensiva de Israel eram civis, incluindo 40 crianças.
O Hamas, por outro lado, saudou o avanço de Israel e afirmou não poder esperar para matar e capturar soldados, depois de muitos dos seus 1.400 foguetes - de acordo com o Exército israelita - serem desviados. Um civil israelita foi morto, além de um soldado, durante a incursão.
"Vocês estão a prometer-nos o que estamos esperando? Gaza está à vossa espera, para que sofram a morte amarga", disse Abu Ubeida, porta-voz mascarado da ala armada do Hamas, as Brigadas al-Qassam. "O mundo verá as caveiras dos vossos soldados, pisadas pelos pés descalços das nossas crianças. Iremos transformar isso na esperança da prometida liberdade amanhecendo em breve para os nossos prisioneiros", afirmou, referindo-se à esperança de sequestrar soldados israelitas e trocá-los por prisioneiros palestinianos.
Israel afirma tomar cuidado para evitar vítimas civis e que tem como alvo apenas os militantes e as suas armas. Diz, no entanto, que o objetivo não é fácil, porque os grupos atiradores de foguetes utilizam áreas residenciais como cobertura contra um inimigo com poder de fogo muito superior.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta-feira que "a força de defesa israelita é um exército singularmente moral e não aspira ferir nenhuma pessoa inocente. Nem mesmo um. Agimos apenas contra alvos terroristas e lamentamos qualquer dano, por engano, provocado a civis."