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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Contramaré… 17 jul.

Portugal é o 7.º país, entre os 34 membros da OCDE, onde a legislação laboral é mais rígida no que respeita aos despedimentos. Mas se olharmos apenas para o despedimento colectivo o cenário muda de figura e Portugal ocupa o 3.º lugar entre os países onde é mais fácil despedir.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A corrupção na Europa é currículo para governantes…

O ex-tesoureiro do PP espanhol, durante quase 20 anos, afirmou que, em 2010, entregou 25.000 euros da chamada contabilidade paralela do partido a Mariano Rajoy e outros 25.000 euros à secretária-geral, María Dolores de Cospedal.
Luis Bárcenas disse perante um juiz ter feito as entregas pessoalmente, em março de 2010, em notas de 500 euros metidas em envelopes castanhos, e, no caso da secretária-geral, que a entrega foi feita no gabinete dela na sede do partido.
Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha desde 2011 e líder do PP desde 2004, foi envolvido por Luis Bárcenas num escândalo de pagamentos irregulares a dirigentes do partido e de donativos ilegais de empresários em troca de contratos de adjudicação. Rajoy nega as alegações.
Luis Bárcenas, o antigo tesoureiro do Partido Popular (PP, direita), afirmou perante o juiz, no dia 15 de julho, que os altos dirigentes do partido, incluindo o primeiro-ministro Mariano Rajoy, receberam prémios irregulares durante anos.
Segundo Bárcenas, que entregou ao juiz documentos sobre a alegada dupla contabilidade dentro do PP, Rajoy recebeu prémios irregulares no valor de 45.000 euros entre 2009 e 2010.
Numa conferência de imprensa, Mariano Rajoy negou as acusações e afirmou que Bárcenas está a “chantagear o Estado”. Mas, El Mundo, o diário que divulgou vários documentos do caso, estima que “as notas de Bárcenas passaram a ser as provas de Bárcenas. Já não são documentos que lhe foram atribuídos, mas notas escritas por ele durante 2 décadas, que refletem a dupla contabilidade do partido, o seu financiamento irregular por doações de empresas do setor da construção e os prémios irregulares recebidos pelos dirigentes do partido.”
María Dolores de Cospedal desmentiu "taxativamente" todas as "mentiras e calúnias" feitas pelo ex-tesoureiro do partido, Luís Bárcenas, que disse à justiça ter entregue dinheiro àquela dirigente e ao atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy.
"É completamente falso", disse a dirigente do PP e presidente do governo regional de Castilla-La Mancha, rejeitando também as suspeitas de contabilidade paralela no partido. "Não admito nem admitirei uma chantagem de ninguém, por muito desesperada que esteja pela incapacidade de explicar a origem dos seus milhões na Suíça", disse ainda Cospedal, que "deseja" também desmentir estas acusações em sede judicial.
O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou que não tem intenção de renunciar ao cargo, mesmo após a divulgação das acusações do ex-tesoureiro de sua bancada, o Partido Popular (PP), Luis Barcenas. "Eu só digo que a Espanha está a conseguir sair da crise.    Defenderei a estabilidade política. Se os outros querem brincar de outras coisas, a responsabilidade é deles. Eu terminarei o meu mandato", declarou Rajoy.
Mais uma denúncia de corrupção de mais um líder europeu, que (nos) governa, a juntar-se a tantos outros, em vários países e em vários cargos. Foi na Alemanha, na Itália, em França, em Inglaterra, no Luxemburgo, na Espanha e em vários países de leste, na Comissão Europeia, desde presidentes da República, Primeiros-ministros, Ministros, Comissários e Deputados europeus…
Em Bruxelas, com o consentimento dos lóbis, estes atropelos nem são considerados pecados à luz da Moral e da Ética, o que revelaria a dimensão desta peste que, se não contagia, penaliza os contribuintes, nuns casos e noutros põem em perigo a saúde pública, impunemente.
Em Portugal, tem havido apenas alguns pontos com fumo, mas nunca se descobriu que havia fogo, nem em sobreiros…
Mundialmente, se repescarmos o “Offshoresleak”, tão depressa silenciado, teremos a perceção de que anda meia dúzia a roubar toda a gente, impunemente…
O que é comum em todos estes casos, é que o exemplo vem de cima, são sempre valores colossais, que tudo somado chegaria e sobraria para reduzir as desigualdades e despenalizar os inocentes cidadãos que trabalham e não ganham o suficiente para a sobrevivência e pagam para estes abutres.
No caso em questão, destaca-se apenas a confirmação judicial das provas, os montantes, os destinatários atualmente no ativo (os outros artistas safar-se-ão?), a negação dos denunciados (o primeiro-ministro de Espanha e à secretária-geral do PP) e as posições de Cospedal (que está muito desesperada pela incapacidade de explicar a origem dos seus milhões na Suíça) e de Rajoy, que diz que não se demite, porque foi eleito.
E esta de dizer que “foi eleito” é o máximo dos máximos da máxima “democrática” dos dias que correm, que permite aos políticos, nas campanhas eleitorais, prometerem-nos o céu (ou omitirem os diabinhos que os sustentam) e convencerem-se depois que podem, legitimamente, empurrarem-nos para o inferno… É o mínimo da honradez e o máximo da desfaçatez!
Perante as declarações do Primeiro-ministro espanhol, que diz (não se vê) que a Espanha está a conseguir sair da crise (também nós…) e que os outros (os honestos?) querem brincar com estas minudências(?) faria lembrar (a ser verdade) o político brasileiro que se candidatou com o slogan: “Eu roubo, mas faço”!
Na Europa civilizada, rouba-se, aldraba-se, omite-se, faz-se lóbi, confisca-se, etc., mas é tudo gente séria e com currículo para governarem os seus países…
Já chegavam os privados e os bancos, quanto mais os públicos e os cadeirões!
Paradigmas, que contrariam os VALORES dogmáticos…
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Ecos da blogosfera – 16 jul.

Se gosta de policiais a sério e ao vivo e ser figurante...

Dez perguntas e respostas para conhecer a história de espionagem informática, que ameaçou a política internacional. Uma volta por todos os eventos e atores principais de uma denúncia que pôs a descoberto uma complexa rede de vigilância e investigação de supostas "ameaças" ao governo dos EUA.
1 - Quem é Edward Snowden?
Edward Snowden é um administrador de sistemas de uma empresa chamada Booz Allen Hamilton, que desenvolve serviços de consultoria em Defesa para a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. Após um breve período no Exército, em 2004, trabalhou para a CIA em assuntos relacionados à segurança informática. Em 2009 começou a trabalhar para a Booz Allen Hamilton num programa em conjunto com a Agência de Segurança Nacional como um administrador de sistemas. A 20 de maio de 2013 chegou a Hong Kong depois de pedir licença no seu trabalho e de lá gravou a sua primeira entrevista para o jornal britânico The Guardian, onde relata que é responsável pelas fugas, tanto ao The Guardian como ao Washington Post sobre o acesso da Agência de Segurança Nacional às comunicações privadas, dentro e fora do território norte-americano, no âmbito do programa de inteligência do PRISM.

2 – O que é o PRISM?
De acordo com documentos denunciados por Snowden, o PRISM é o sistema da NSA que permite obter comunicações privadas dos usuários, transmitidas através da Internet. Este é o sistema de informação mais utilizado pela Agência para elaborar as suas informações de inteligência. O programa PRISM está em vigor, pelo menos desde 2007.
3 - Como funciona?
Um analista da NSA requer o acesso ao sistema PRISM para obter informação sobre um novo objetivo de vigilância. Esse novo requerimento deve ser aprovado por um supervisor da agência, que deve provar, com um grau de certeza de 51%, que o resultado da pesquisa não trará nenhuma informação sobre qualquer cidadão dos EUA, residentes permanentes ou quem se encontre nesse momento em território dos EUA. Se aprovada, a NSA fica com um pacote de informação pessoal sobre o objetivo escolhido, que processa e armazena nos seus próprios sistemas.
4 - Como se obtém a informação?
As empresas e as datas nas quais se juntaram ao PRISM
A apresentação sobre o que Edward Snowden denunciou garante que a informação é recolhida "diretamente dos servidores" de 9 empresas que fornecem as suas bases de dados: Microsoft, Facebook, Google, Apple, Yahoo, Skype, Youtube, AOL e PalTalk. O FBI recolhe a informação diretamente dessas empresas fornecedoras e envia-a à NSA. Isso significa que não se trata de uma forma de vigilância "ao vivo", mas sobre qualquer tipo de informação privada ou pública que o objetivo tenha transmitido através da Internet. A discussão sobre a forma de obtenção da informação é fundamental, já que Snowden denunciou que a NSA obtém acesso direto a todas as bases de dados dessas 9 empresas para realizar qualquer pesquisa. Inclusive The Guardian assegurou que, por exemplo, no caso da Microsoft, a empresa ajudou a NSA a eludir o seu próprio sistema de criptografia que protege as conversas entre usuários do Outlook, o sistema de mails dessa empresa. As empresas, por sua vez, argumentaram que apenas responderam perante ordens judiciais determinadas.
5 - Que tipo de informação obtém a NSA?
Através do PRISM, a Agência de Segurança Nacional está em condições de obter arquivos de áudio, vídeo, texto, chats, mensagens privadas, e-mails, chats de vídeo e chamadas entre dois usuários. De acordo com o provedor que outorgue a informação, a Agência pode receber notificações ao vivo quando o objetivo que se vigia realiza algum tipo de intercâmbio na Internet. A recolha de informação não só é de conteúdos dos arquivos, mas que se recolhe os metadados de mensagens: a partir de que lugar, até onde e em que tipo de dispositivo.
6 - Como está regulado o PRISM?
O quadro jurídico em que assenta o PRISM é a polémico lei FISA, chamada assim pela sua sigla em Inglês (Foreign Intelligence Surveillance Act), que estabelece um regime legal para a investigação em segurança nacional. Esta lei foi promulgada em 1978 e sofreu uma série de alterações ao longo da sua história, na medida em que as tecnologias de inteligência se iam desenvolvendo. Com todas as suas emendas, a lei FISA permite saltar o processo constitucional pelo qual é preciso a ordem de um juiz, no contexto de uma causa provável de cometer um crime para pedir rastreamento. As modificações que sofrera após o ataque terrorista às Torres Gêmeas e a punição posterior do Patriot Act, geraram um desenho jurídico-institucional que permite estabelecer um novo objetivo de vigilância sem a necessidade de uma ordem judicial, se for um objetivo estrangeiro nem uma causa provável de que tenha cometido um crime.
7 - Só se espiaram objetivos fora do território norte-americano?
Tanto a lei FISA, como as emendas do Patriot Act, estabelecem que os objetivos a vigiar devem ser estrangeiros que não se encontrem, no momento da vigilância, em solo dos EUA. O próprio processo do PRISM estabelece um mecanismo através do qual se deve garantir, (51%) que não se trata de um objetivo norte-americano, de modo a não violar as regras vigentes. No entanto, Snowden diz que o programa da NSA não se limita à recolha de dados sobre a inteligência estrangeira, mas todas as comunicações que transitam os Estados Unidos. "Literalmente - assegurou Snowden - não há pontos de entrada ou saída no território continental dos Estados Unidos, onde as comunicações entrem ou saiam sem ser monitoradas." Precisamente, os defensores do programa asseguram que estes casos de espionagem não violam a Quarta Emenda da Constituição dos EUA sobre o direito à privacidade, porque se trata de cidadãos estrangeiros. No entanto, o programa de vigilância poderia obter, no melhor dos casos "sem intenção", informações sobre cidadãos norte-americanos na busca de objetivos estrangeiros.
8 - Que outras revelações fez Snowden?
A primeira das revelações, antes de o nome de Snowden se tornar público, foi acerca da existência de uma ordem judicial que teria permitido a NSA aceder durante 3 meses à base de dados que contém o registo de todas as chamadas telefónicas efetuadas pelos clientes d operadora telefónica estadunidense Verizon. Posteriormente, o semanário alemão "Der Spiegel" informou que a NSA tinha intercetado conversações entre a União Europeia e as Nações Unidas. As mesmas não teriam sido obtidas através de escutas ou microfones nos respetivos edifícios através de espionagem, mas através da sua própria rede interna de computadores, acedendo tanto a mails, como a arquivos de computador de ambas as organizações. Na mesma linha, Snowden também entregou ao The Guardian documentação que prova que o governo britânico ordenou a espionagem a telefones e computadores das delegações que participaram na cimeira do G20 em Londres, em 2009, através do centro de escutas britânico GCQH. O diário O Globo publicou que a NSA tinha recolhido dados do Brasil e de outros países da região, através de sistemas como o Fairview e X-Keyscore, intercetando chamadas telefónicas, em parceria com uma empresa de telefones dos EUA, que por sua vez tem acesso à rede brasileira.
9 - Onde está agora Snowden e porquê?
Neste momento, Edward Snowden está localizado no aeroporto Sheremetyevo, em Moscovo, na área de trânsito internacional desde 23 de junho. Chegou lá depois de as autoridades dos EUA reclamarem a Hong Kong, o seu primeiro destino, para o prender e deportá-lo. Com medo de ser mandado de volta para os Estados Unidos, Snowden voou para Moscovo, de onde pediu asilo ao Equador. Formalmente, nunca entrou em território russo, uma vez que está localizado na área de trânsito internacional, onde não precisa de nenhum visto nem documento para permanecer e onde os EUA não podem reclamar à Rússia a sua extradição. O Departamento de Justiça dos EUA pede a sua prisão sob a acusação de espionagem, roubo e uso ilegal de bens governamentais.
10 - Que países ofereceram asilo?
Até agora, a Venezuela, Bolívia e Nicarágua ofereceram oficialmente asilo. Ontem, Snowden esteve reunido no aeroporto de Moscovo, com diversas organizações de direitos humanos e fez uma declaração em que agradeceu a esses países, além de ao Equador e à Rússia, por se oporem à violação dos seus direitos. Durante o dia, Snowden voltou a pedir oficialmente asilo político à Rússia, que anteriormente tinha assegurado que acederia ao pedido se ele deixasse de tornar públicas informações que prejudicassem o seu parceiro comercial, os Estados Unidos.
No fim de toda esta história e depois de várias reações escandalizadas, quer da União Europeia (exceto do Reino Unido…), sobretudo da Alemanha, quer do Brasil e de toda a comunidade internacional, eis que se vem a saber que afinal são todos “virgens ofendidas”…
A Alemanha terá recorrido ao programa de espionagem dos Estados Unidos, revela esta o jornal alemão “Bild”. O governo liderado pela Angela Merkel não comenta a informação agora divulgada. O jornal cita fontes do governo norte-americano.
Segundo o “Bild”, os serviços secretos alemães sabiam da capacidade dos seus homólogos norte-americanos para intercetarem informações em todo o Mundo e terão mesmo recorrido à sua ajuda em várias ocasiões. Esses pedidos de colaboração à Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) terão acontecido quando soldados germânicos eram capturados no Afeganistão, Iémen e em outros locais.

Contramaré… 16 jul.

Uma nota informativa da Unidade Técnica de Apoio Orçamental, considerando apenas os valores relativos ao 1.º trimestre de cada ano, "é necessário recuar a 2009 para encontrar um défice global em percentagem do PIB mais elevado", período em que o défice foi de 10,9% do PIB. "Em percentagem do PIB, o défice global das administrações públicas agora registado em contas nacionais é o mais elevado desde o início do Programa de Assistência Económica e Financeira".
Entre Janeiro e Março deste ano, o défice das administrações públicas, em contas nacionais, atingiu os 4.151,8 milhões de euros, o que representa 10,6% do PIB.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

“A cor do dinheiro” ou “O dinheiro não tem pátria”…

O Estado vendeu o BNP ao BIC, por 40 milhões de euros, mas o comprador já enviou "faturas" de mais de 100 milhões ao vendedor, por compensações relacionadas com as contingências do acordo de privatização, assinado em março de 2012 por Maria Luís Albuquerque, a atual ministra das Finanças.
A verba é requerida no quadro da privatização do BPN, cujo contrato de execução prevê que o BIC Portugal se responsabilize por liquidar as contingências judiciais (ações instauradas contra o BPN por clientes e trabalhadores), mediante o compromisso de ser reembolsado pelo Estado depois, acrescenta aquele diário.
Os 100 milhões agora reclamados constituem apenas uma pequena parcela das contingências relacionadas com o BPN, dado que a maior parte continua em contencioso. Uma primeira auditoria, parcial, encomendada pela CGD estimou em 600 milhões de euros as responsabilidades.
O PCP vai chamar a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ao Parlamento. A decisão foi tomada após a divulgação de uma notícia, que dá conta da exigência do grupo luso-angolano BIC de 100 milhões de euros
Mira Amaral, presidente do Banco BIC Portugal, explicou que o contrato celebrado entre o governo português e o grupo luso-angolano já previa que Portugal suportasse as despesas relacionadas com a privatização do BPN.
Por alguma razão nos obrigaram a estudar Matemática e pela mesma razão, presume-se, insistem na aprendizagem de tal ciência exata, com importância prioritária, não só para exercitar o cérebro, mas (presume-se) para sabermos fazer contas, no mínimo fáceis…
Eis senão quando nos deparamos, pela enésima vez, com este problema, que nem o ministro Crato deve saber chegar à solução…
Parece que ninguém sabe a quantia exata do assalto ao BPN, nem quanto estamos, TODOS, a pagar, em nome de meia dúzia de burlões, que tem nome e tudo e tudo gente boa, que não há (reforma da) Justiça que os apanhe, os julgue (seria preciso?) e os limitem às 4 paredes de uma cela (sem mordomias). Mas isto não é matemática, é matemático…
Independentemente dos valores incalculáveis (difíceis de calcular) da colossal falcatrua, o que sobra é este “negócio de Angola” e os valores que nos são anunciados.
Nos 40 milhões da venda, que incluíram tudo, e sem entrar com o valor do negócio propriamente dito (compra e venda de dinheiro), também os edifícios devem ter entrado no pack de venda, ou seja, o edifício sede e as agências espalhadas pelo país (não se sabe ao certo quantas), que valerão, mesmo com a desvalorização, mais do que os 40 milhões. Quer dizer que se o Estado vendesse o património construído, teria obtido mais do que o valor conseguido com a venda em “regajas” do todo… Matemática!
O que estava no segredo dos deuses: dos vendedores (governo) e do comprador (BICAmaral) era este item, seguramente em letras pequeninas, que “obriga” o Estado (o mesmo governo que negociou) a pagar muiiiiiito mais do que recebeu, revelando o pouco jeito para os negócios, como se tem visto em todas as áreas em que intervém. Matemático!
Resumindo, a “venda” do BPN ao BICAmaral, pode custar-nos (somos nós que continuamos a pagar) entre 60 milhões e 560 milhões de euros, pelo favor que fizeram de ficar com o negócio (limpinho), mais o património construído e (ainda por cima) com isso aumentando os despedidos… Matemática!
E se repescarmos no currículo de Mira Amaral a sua filiação partidária (PSD) e os grandes serviços prestados ao país à frente de 2 ministérios (Ministro do Trabalho e Segurança Social no X Governo Constitucional e Ministro da Indústria e da Energia no XI e no XII Governo Constitucional) teremos razões de sobra para não duvidar do seu patriotismo e se aproveitamento houve, seguramente que foi do/a vendedor/a… Matemático!
As mesmas garantias de patriotismo já não podemos ter acerca da vendedora (com procuração), a então Secretária de Estado das Finanças e agora premiada com o Ministério, comprometida já com outros atos (sem procuração), que deverá explicar, como ótima em Matemática (tem que ser), que raio de contas foram feitas, para se acrescentar prejuízo ao prejuízo do BPN… Matemática!
Só não se entende por que é o PCP a pedir explicações sobre o negócio e por que não o PS! Ou por que é que o PSD e o CDS não explicam, como tão bem sabem, estas coisas inexplicáveis, até porque foram eles que escreveram as letras pequeninas… Matemático!
Finalmente, e tendo em conta as circunstâncias de o comprador ser quem é ou de quem é, ficamos assim a sentir, na pele, o trauma de se ser colonizado…
“Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu”! Matemático!

Ecos da blogosfera – 15 jul.

A paciência dos cidadãos dos países "devedores", face ao sofrimento imposto, está a chegar ao fim!

Pela primeira vez em 4 anos, os dirigentes europeus vão de férias sem o medo de, no regresso, encontrarem a zona euro de rastos. Mas, nos próximos meses, uma nova série de realidades políticas, sociais e financeiras irá, mais uma vez, pôr à prova as capacidades da UE em matéria de gestão da crise.
Um mês antes das férias anuais de agosto, os dirigentes da Europa gostariam sem dúvida de, pela primeira vez em 4 anos, poderem apreciar o sol sem recearem que todo o tipo de coisas terríveis aconteça na zona euro. Os acontecimentos da última semana deixam margem para algum otimismo.
Depois de, na semana passada, a demissão do ministro das Finanças ter feito eclodir uma crise em Portugal, os dirigentes daquele país demoraram apenas alguns dias a conseguir controlar a situação e acalmar os mercados financeiros. No caso da Grécia, que, tal como Portugal, sobrevive através de meios de suporte de vida internacionais, os credores estão a encontrar maneira de continuar a canalizar fundos de emergência para Atenas, como contrapartida de reformas reconhecidamente incompletas.
Numa frente mais ampla, a adesão da Croácia à UE, a decisão de iniciar negociações de adesão com a Sérvia e a aprovação do pedido da Letónia de entrada na zona euro mostraram que a unidade europeia continua a ter atrativos. Por último, o mais recente índice dos gestores de compras, que avalia as perspetivas das empresas privadas, revela o maior dinamismo desde março de 2012. A Europa deveria conseguir sair da recessão no 2.º semestre deste ano.
Crise a entrar numa fase diferente
Estes indícios são encorajadores, mas não constituem uma prova real de que a crise esteja em vias de desaparecer: está apenas a entrar numa fase diferente. Os próximos 12 meses irão projetar novos desafios políticos, sociais e relativos aos mercados financeiros, que vão mais uma vez pôr à prova as capacidades da Europa em matéria de gestão da crise.
Em primeiro lugar, qualquer eventual recuperação verificar-se-á numa situação em que vigoram condições de crédito desiguais. As empresas italianas, portuguesas e espanholas, privadas de financiamento a custo razoável, continuam em desvantagem face às empresas concorrentes da Áustria e da Alemanha. Esta situação põe seriamente em causa as vantagens que seriam de esperar de uma moeda única e torna impossível que o setor privado venha a reduzir o desemprego em massa no Sul da Europa.
Em paralelo, o quadro conceptual da luta da Europa contra a crise – dinheiro para os pecadores em troca de sofrimento, autocrítica e promessas de reformas honestas – manter-se-á inalterado. Neste aspeto, não é muito importante, se das eleições de 22 de setembro, na Alemanha, irá sair um governo de centro-direita, de centro-esquerda ou uma grande coligação: nenhum dos principais partidos mostra qualquer desejo de reequilibrar a economia da zona euro, utilizando o excedente da balança corrente alemão para salvar a Europa do Sul da recessão económica.
Clima político hostil
O ideal de unidade poderá ficar sujeito a pressões em maio, quando das eleições para o Parlamento Europeu, que abrirão caminho para a escolha dos substitutos de José Manuel Durão Barroso, no cargo de presidente da Comissão Europeia, e de Herman Van Rompuy, no de presidente do Conselho Europeu, o clube dos dirigentes nacionais. É de esperar um aumento do apoio aos partidos populistas, antiordem estabelecida e antiUE.
Num futuro previsível, viver-se-á um clima político hostil àqueles que defendem iniciativas de integração ambiciosas, como a mutualização da dívida ou a união bancária, incluindo um seguro de depósito comum. Esse clima foi destacado no mês passado, numa declaração holandesa, que dizia que a era da “união cada vez mais estreita” em todas as áreas políticas acabara. A fragilidade do sentido de finalidade comum transparece também na linguagem utilizada, nas últimas semanas, nos ataques recíprocos entre José Manuel Durão Barroso e o Governo francês.
Sentido de esforço coletivo
São mais do que meros indícios. Para que aquilo que se configura como uma nova ronda de apoio financeiro aos países resgatados possa ser aprovado, vai ser preciso um forte sentido de esforço coletivo. Vejam-se os planos de resgate de 3 anos para a Irlanda e Portugal, que terminarão, respetivamente, em dezembro deste ano e em junho de 2014. Os dirigentes europeus tiveram esperança de que estes fossem concluídos a tempo, numa demonstração impecável de gestão da crise. Mas o grande esforço da Irlanda para sair da recessão indica que o regresso progressivo aos mercados de capital privados não está assegurado.
No que se refere a Portugal, a crise governamental expôs os limites da aceitação política e pública da austeridade. A saída do resgate, sem mais ajuda, é improvável, uma vez que a dívida pública caminha para os 130% do PIB, que não se encontra à vista um crescimento económico substancial e que quase 1/5 dos trabalhadores está no desemprego. Entretanto, poucos especialistas consideram que a Grécia possa evitar uma nova reestruturação da dívida.
Desde o 1.º resgate da Grécia, em maio de 2010, as condições políticas nos países credores tornaram-se crescentemente adversas à ajuda aos devedores. No entanto, a paciência dos países devedores face ao sofrimento está a chegar ao fim. O ponto final da crise da zona euro sairá desta confrontação funesta.

Contramaré… 15 jul.

Eduardo Catroga diz que o Presidente da República deveria ter estendido a negociação do acordo de salvação nacional aos outros partidos, culpa o primeiro-min istro pela crise política, porque, não teve mão no parceiro de coligação, o CDS, que tem dado tiros no barco de salvação e acusa o PS de ignorar as responsabilidades
O ex-ministro das Finanças diz que as pessoas estão cansadas dos mesmos protagonistas políticos.

domingo, 14 de julho de 2013

Desamor com desamor se paga: PPC dar-lhe-á o troco!

Ninguém terá dúvidas - à exceção, porventura, do primeiro-ministro - de que o Governo é incompetente e irresponsável, e que está condenado, desacreditado, ferido de legitimidade - não formal, mas democrática. Como dizia Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, "está morto, só falta enterrá-lo". Por mais que Passos Coelho negue, a situação política em Portugal já está apodrecida.
Nuno Saraiva
E as últimas 2 semanas deram um forte contributo para que assim seja. Primeiro a humilhação pública a que foi sujeito o Presidente da República com a notícia da demissão "irrevogável" de Paulo Portas, uma hora antes da insólita tomada de posse de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. Depois a pressão inaceitável sobre Cavaco Silva que significou o ato público de refundação da coligação, com o anúncio da promoção de Paulo Portas a vice-primeiro-ministro, no momento preciso em que o Presidente estava ainda em fase de avaliação e decisão. Isto para não falar das birras de uns ou das cartas públicas de outros a apoucar ex-colegas de governo, que são apenas mais um exemplo do estado de crise política em que vivemos, desde setembro do ano passado, e do irregular funcionamento das instituições.
Mas o que estes dias também trouxeram ao de cima, sem prejuízo dos factos aqui descritos, foi, mais uma vez, a verdadeira natureza do político profissional Cavaco Silva: vingativo e egocêntrico.
Depois da cooperação estratégica e da magistratura ativa, estamos agora em modo de magistratura de vingança. Ou seja, ao rejeitar o acordo "sólido e abrangente" que lhe foi proposto - por mais inacreditável que assim fosse -, Cavaco Silva vislumbrou a oportunidade, não só de reagir às últimas afrontas mas, sobretudo, de ajustar contas muito antigas com um incómodo ex-líder da JSD e com um desagradável ex-diretor de jornal que nunca se lhe vergaram nos tempos em que foi primeiro-ministro, já lá vão mais de 20 anos. Cavaco, é sabido, não esquece e não perdoa. E, mais uma vez, mostrou que pensa sempre em si próprio e no seu interesse pessoal em primeiro lugar.
Ao propor uma equação impossível que pressupõe um acordo alargado ao PS - agora? -, ao determinar que a legislatura, afinal, termina em 2014 e ao fazer regressar Paulo Portas à casa de partida, isto é, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Presidente da República dá um voto público de desconfiança a quem governa, impõe uma humilhação a Passos Coelho e Paulo Portas, a quem tira definitivamente o tapete, transforma o atual Executivo em Governo de transição e lança a incerteza nos mercados. Ao contrário do que disse na sua comunicação ao País - e basta ver a subida ontem dos juros da dívida de curto prazo para o confirmar -, a única solução rápida e credível para o impasse político em que nos encontramos era a realização de eleições imediatas. Anunciá-las e proclamá-las para 2014, além de ser um ato de deslealdade institucional e de falta de coragem política, é promover a paralisação e a apatia decisória na governação. E, com esta bomba atómica ao retardador, o inevitável incumprimento do programa de ajustamento.