quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Ecos da blogosfera - 3 out.
à(s)
10/03/2012 08:00:00 p.m.
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Os Europeus – 12
Coordenada por D'Alembert e Diderot, "Encyclopédie" foi elaborada entre 1751 e 1780. Com base nos ideais iluministas, os filósofos pretendiam, através do saber, criar o "cidadão esclarecido".
Matthias von Hellfeld
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| Diderot |
Isso, contudo, também invalidava em grande parte o modelo explicativo da Igreja Católica. Pois a sua definição da vida repousava, basicamente, numa existência no temor de Deus, com perspectivas na abundante recompensa no Além. Durante séculos, as Sagradas Escrituras e a interpretação apostólica forneceram às pessoas um sentido sobrenatural para a vida. Isso facilitava, para uns, suportar as injustiças terrenas e, para outros, justificá-las.
Todo o conhecimento em 35 volumes
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| D’Alembert |
Se o conhecimento devia passar a ser a nova máxima, então era necessário compilar e tornar acessível todo o saber gerado pela ciência. A partir de 1751, os filósofos franceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean-Baptiste Le Rond d'Alembert (1717-1783) impuseram-se essa tarefa.
Até 1780, portanto ao longo de quase 30 anos, eles elaboraram a Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, cujos 35 volumes continham praticamente todos os dados sobre as ciências naturais e humanas da época.
Esclarecimento como chave para a liberdade
O acúmulo de saber e uma educação norteada pela razão deveriam fomentar a capacidade de raciocinar de modo autónomo e a responsabilidade própria. Essa imagem de mundo excluía tanto a superstição e o êxtase religioso como a repressão por um governante absolutista. Assim, a Enciclopédia foi uma obra-chave do Iluminismo, cujo projeto era libertar o ser humano da "dependência autoimposta", como formularia o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).
O cidadão tornado responsável através da educação e do saber teria direito a participar das decisões políticas da sua sociedade. Na visão de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), esse "cidadão esclarecido" é tão abrangentemente educado, que se pode submeter ao "contrato social" sem abrir mão das suas liberdades pessoais. Esse ideal de uma "vontade geral" (volonté générale) influenciou numerosos pensadores e filósofos do Século XVIII.
As ideias do Iluminismo difundiram-se rapidamente. Na Alemanha, Immanuel Kant, Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e mais tarde também Karl Marx (1818-1883) devoraram as obras dos iluministas franceses. De início as influências foram limitadas, mas entre esses intelectuais germinava um clima de ruptura, voltado para a libertação do indivíduo e da oprimida "nação alemã".
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10/03/2012 05:00:00 p.m.
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A versão moderna de Império: Ditadura Empresarial
Em tempos consultor na empresa Chas. T. Main, John Perkins andou 10 anos a fazer o que não devia, convencendo países do terceiro mundo a embarcar em projectos megalómanos, financiados com empréstimos gigantescos de bancos do primeiro mundo. Um dia, estava nas Caraíbas, percebeu que estava farto de negócios sujos e mudou de vida. Regressou a Boston e, para compensar os estragos que tinha feito, decidiu usar os seus conhecimentos para revelar ao mundo o jogo que se joga nos bastidores financeiros.
Sara Sanz Pinto
Como se passa de assassino económico a activista?
Em primeiro lugar é preciso passar-se por uma forte mudança de consciência e entender o papel que se andou a desempenhar. Levei algum tempo a compreender tudo isto. Fui um assassino económico durante 10 anos e durante esse período achava que estava a agir bem. Foi o que me ensinaram e o que ainda ensinam nas faculdades de Gestão: planear grandes empréstimos para os países em desenvolvimento para estimular as suas economias. Mas o que vi foi que os projectos que estávamos a desenvolver, centrais hidroeléctricas, parques industriais, e outras coisas idênticas, estavam apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas ricas nesses países, bem como as nossas próprias empresas, que estavam a ser pagas para os coordenar. Não estávamos a ajudar a maioria das pessoas desses países porque não tinham dinheiro para ter acesso à energia eléctrica, nem podiam trabalhar em parques industriais, porque estes não contratavam muitas pessoas. Ao mesmo tempo, essas pessoas estavam a tornar--se escravos, porque o seu país estava cada mais afundado em dívidas. E a economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais, tinha de pagar a dívida. E a dívida nunca chega a ser paga na totalidade. No fim, o assassino económico regressa ao país e diz-lhes “Uma vez que não conseguem pagar o que nos devem, os vossos recursos, petróleo, ou o que quer que tenham, vão ser vendidos a um preço muito baixo às nossas empresas, sem quaisquer restrições sociais ou ambientais”. Ou então, “Vamos construir uma base militar na vossa terra”. E à medida que me fui apercebendo disto a minha consciência começou a mudar. Assim que tomei a decisão de que tinha de largar este emprego tudo foi mais fácil. E para diminuir o meu sentimento de culpa senti que precisava de me tornar um activista para transformar este mundo num local melhor, mais justo e sustentável através do conhecimento que adquiri. Nessa altura a minha mulher e eu tivemos um bebé. A minha filha nasceu em 1982 e costumava pensar como seria o mundo quando ela fosse adulta, caso continuássemos neste caminho. Hoje já tenho um neto de 4 anos, que é uma grande inspiração para mim e me permite compreender a necessidade de viver num sítio pacífico e sustentável.
Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo “não posso fazer mais isto”?
Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr do sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê-lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me.
E qual foi a reacção deles?
De início ninguém acreditou em mim. Mas quando se aperceberam de que estava determinado tentaram demover-me. Fizeram-me propostas muito interessantes. Mas fui-me embora na mesma e deixei por completo de me envolver naquele tipo de negócios.
Diz que os assassinos económicos são profissionais altamente bem pagos que enganam os países subdesenvolvidos, recorrendo a armas como subornos, relatórios falsificados, extorsões, sexo e assassinatos. Pode explicar às pessoas que não leram o seu livro como tudo isto funciona?
à(s)
10/03/2012 10:30:00 a.m.
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Contramaré… 3 out.
Entre os nomes citados estão João Salgueiro, Faria de Oliveira, Celeste Cardona, Carlos Oliveira Cruz, Mira Amaral, António Tomás Correia e Almerindo Marques.
Numa altura em que o executivo está a congelar e a cortar as pensões de milhares de portugueses, e já prometeu novas medidas de austeridade nesta área, este leque de reformados, a que se juntam outras personalidades públicas, como Eduardo Catroga e Luís Filipe Pereira, que estão no conselho geral da EDP, continuam a poder acumular reformas milionárias com outros rendimentos provenientes do trabalho.
Atualizado às 09:17
à(s)
10/03/2012 07:30:00 a.m.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
A questão da água é límpida, mas os meios não muito
Famílias portuguesas gastam, em média, 20 euros com serviços de águas, saneamento e resíduos. Mas há cidadãos que pagam muito mais do que outros.
A análise da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) aos tarifários praticados por 278 concelhos no ano de 2011 revela que “continua a existir em Portugal uma injustificada disparidade de preços” nas tarifas cobradas pelos serviços de água e esgotos pelos municípios aos utilizadores domésticos, o que geram desigualdades entre os cidadãos e comprometem a qualidade.
Em 2007, a amplitude dos tarifários dos serviços de abastecimento de água em território nacional era de 1 para 30. No último ano, o rácio passou para cerca de metade, fixando-se em 1 para 14.
Água inconciliável com privatização
A água é um bem escasso cujo fornecimento é consagrado como serviço público essencial, encontrando-se inevitavelmente amarrado a uma condição de monopólio natural. Assim, a DECO é contra a privatização do negócio das águas do Grupo Águas de Portugal SGPS S.A, ou seja, da privatização da exploração em alta (infraestruturas de captação, tratamento e venda de água aos sistemas em baixa, responsáveis pela distribuição à população).
O tarifário progressivo por blocos é a opção mais justa. Facilita o acesso universal à água, incentiva o uso eficiente e a redução de desperdícios. Há que garantir a acessibilidade financeira aos dois primeiros escalões, bem como monitorizar as perdas de água, acima do valor de referência de 15%: só com a redução destas perdas económicas se aumentará a eficiência no uso dos recursos hídricos.
O Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território e a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) devem elaborar um Regulamento Tarifário com caráter vinculativo.
Quase 7.000 famílias de Lisboa vão ter um desconto de cerca de 75 euros repartidos por 18 meses na conta da água, uma tarifa social que será aplicada pela Empresa Pública de Águas Livres (EPAL), que passa pela isenção do pagamento da taxa fixa pelo acesso ao saneamento, que custa 8,2 euros por dois meses.
Assunção Cristas, ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território salientou a necessidade de introduzir benefícios sociais na água, no seguimento de uma medida da EPAL para atribuir um desconto a famílias carenciadas de Lisboa.
A ministra considerou ser importante em altura de crise "acomodar as situações de maior dificuldade", tendo uma "sensibilidade social nas tarifas", uma vez que a água "é um bem imprescindível" e que "as pessoas não podem deixar de ter água de qualidade nas suas casas", mas admitiu que a introdução desta tarifa social "ainda não será possível para o próximo ano", uma vez que o desenho da medida "precisa de ser avaliado, sinalizado e desenvolvido pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos [ERSAR]", tendo a EPAL como precursora do tarifário.
Questionada sobre se o preço da água vai aumentar em 2013, Assunção Cristas respondeu que se "vai ver", esperando ser o último ano em que cabe ao ministro do Ambiente fixar as tarifas. "Depois a partir do próximo ano, com o reforço dos poderes da ERSAR, já será a ERSAR a fazer essa fixação e cumpre-nos a nós - Governo - dar as linhas gerais que devem depois orientar a fixação dessas tarifas", explicou.
Apesar de, eventualmente, o preço final da água ser relativamente diferente de concelho para concelho, é uma evidência que a disparidade de preços ao consumidor é injustificável e obviamente geradora de desigualdades, que tinha que ser evitada por processos reguladores, que levasse todos os portugueses e consumidores a pagar o mesmo preço, vivesse onde vivesse e por isso concordaremos todos que “a consumos iguais, custos iguais”...
Não sei se o mesmo se passa em todo o país, mas pagar taxas de saneamento (quando os municípios já pagaram as infraestruturas existentes e toda a gente pagou as taxas de ligação em tempo oportuno) e pagar a recolha do lixo (que carregamos, nós, à mão, para os contentores ou pontos de recolha seletiva) com base nos gastos da água não lembra a ninguém, por não haver uma relação direta entre uma e as outras coisas… Mas é o que está a dar.
Também é fácil para qualquer cidadão entender, que sendo a água um bem, que nos é DADO pela natureza e ao mesmo tempo de primeira necessidade, é impensável concessionar esse bem a qualquer privado e que só o Estado (o governo não é o Estado) pode e deve administrar o que a todos nós pertence. Privatizar, não! Obrigado!
E por isso vem a DECO, em defesa de todos, apresentar sugestões para a racionalização (não racionamento) da água, sugerindo um Regulamento Tarifário com caráter vinculativo para todos os municípios, para que as tais desigualdades (nacionais) de preços ao consumidor não se verifiquem.
Por sua vez, a EPAL encontrou um método que minimiza as desigualdades de ordem social, descontando “aos mais carenciados”, sem criar uma nova taxa, mas isentando-os de uma taxa (estúpida) existente.
A “super” ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (ufa!) veio logo aproveitar o falar-se numa “taxa social” para se lembrar criar mais uma taxa (embora seja do CDS-PP, que não gosta de impostos, mas para os menos desfavorecidos) dava jeito, embora vá fazer ainda um desenho para ela perceber e nós também…
E apesar de pensar como nós, que a água é um bem imprescindível e que as pessoas não podem deixar de ter água de qualidade nas suas casas, esquece-se de dizer que não pode ser a qualquer preço, que não pode ser explorada por qualquer grupo de acionistas (mesmo que filantropos) e até se mostra satisfeita com a privatização, sem a referir, o que será menos um problema para ela resolver…
Esperemos que lhe sobre tempo para as outras pastas, porque apesar de “super” tem andado muito ao ralenti, quase parada, mas também não se lhe pode exigir mais…
Quem precisava de uma taxa era o seu e os outros “super” ministérios, proporcional à água que meteram e que nunca mais reparam essa fuga…
à(s)
10/02/2012 09:30:00 p.m.
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Ecos da blogosfera - 2 out.
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10/02/2012 08:00:00 p.m.
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“Os Europeus” – 11
Luta de décadas entre a Coroa britânica e os seus opositores chegava ao fim. A Declaração de Direitos levou Guilherme III de Orange ao trono inglês, fortalecendo os direitos do Parlamento.
Matthias von Hellfeld
Em 1628, o rei britânico Carlos I (1600-1649) teve que admitir o abuso constante que seus funcionários faziam do direito real de ordenar a prisão de pessoas. Sob ordem expressa da coroa, eles extorquiam dinheiro de cidadãos abastados, com a ameaça de os prender.
A situação fora precedida por conflitos sangrentos, que, por vezes, ameaçavam afundar a Inglaterra numa guerra civil. Para conter essa situação inaceitável, estabeleceu-se, na Petição de Direitos (Petition of Rights) de 7 de junho de 1628, que ninguém mais poderia ser detido arbitrariamente e que todos os prisioneiros tinham direito a um julgamento justo, num espaço razoável de tempo. Esta petição tornou-se uma das leis fundamentais de todos os sistemas legais democráticos.
Lei de Habeas Corpus
Mas a Petição de Direitos ainda teve de enfrentar duras provas. Quando boatos de que o Papa Inocêncio XI (1611-1689) estaria a planear a recatolização da Inglaterra espalharam-se pela ilha, mormente protestante, eclodiram distúrbios que levaram à dissolução do Parlamento, na sua maioria, fiel ao rei.
O rei Carlos II (1630-1685) tentou responder com mão firme. Prisões arbitrárias e encarceramentos entraram na ordem do dia. Sobretudo a extradição de detentos indesejados para prisões nas colónias acirrou os ânimos na Inglaterra.
Carlos II foi acusado de violar de forma constante a Petição de Direitos. Para acabar de vez com esse estado de coisas, o rei foi obrigado em 1679, durante uma fase fraca de sua regência, a assinar a Lei do Habeas Corpus. Através dessa prescrição – cuja denominação teve origem nas palavras iniciais da ordem medieval de prisão, feita em latim – uma detenção poderia, então, ser suspensa mediante o pagamento de fiança e, num prazo de 3 dias, um juiz examinaria em audiência os motivos da prisão.
Guilherme III de Orange
Mas a disputa pelo poder na Inglaterra não acabara após a assinatura real. Naqueles tempos de agitação política interna, nos quais os boatos dos planos de recatolização do Papa não queriam calar, alguns deputados liberais do partido dos Whigs entraram em contacto com Guilherme III de Orange (1650-1702), príncipe holandês educado rigorosamente na fé protestante.
Ele era casado com uma filha de Carlos II, também educada como protestante. Os parlamentares ofereceram-lhe o trono – sob a condição de que ele assinasse a Declaração de Direitos (Bill of Rights) e se comprometesse a defender os privilégios que o documento estabelecia para o Parlamento inglês.
Guilherme III de Orange não titubeou em aceitar a oferta. Quando desembarcou na Inglaterra, em 5 de novembro de 1688, Jaime II, que sucedera ao irmão Carlos II, fugiu para a França. O caminho estava livre para o príncipe holandês, e a Declaração de Direitos entrou em vigor.
Nela, o rei comprometia-se a convocar o Parlamento a intervalos regulares; ficava proibida a cobrança de impostos pela Coroa sem a aprovação parlamentar ou a manutenção de um Exército dentro do país em tempos de paz. Além disso, os deputados recebiam "imunidade", ou seja, poderiam exercer as suas funções sem temer prisões ou acusações por parte do rei.
Na Declaração de Direitos, a Lei de Habeas Corpus foi mais uma vez veementemente ratificada. As suas regras são até hoje um dos fundamentos do moderno sistema constitucional europeu. Baseiam-se na Lei de Habeas Corpus a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa de 1789, a Constituição norte-americana de 1791, a Constituição belga de 1831, a Constituição alemã dos anos de 1849 e 1919, como também a Lei Fundamental alemã de 1949.
Influências mútuas
Esta tradição constitucional comum mostra como os povos da Europa se influenciaram mutuamente, não só através do intercâmbio cultural ou do intenso comércio, mas também através de ideias, de direitos políticos conquistados e dos princípios legais deles resultantes.
Os direitos estabelecidos em 1689 na Revolução Gloriosa ainda estão em vigor nas democracias europeias: eleição livre do Parlamento, direito de livre debate e imunidade para os deputados, cobrança de impostos só com a aprovação parlamentar e proibição de manter um Exército regular sem o consentimento do Parlamento.
Assim, em janeiro de 1689, foi montado o arcabouço legal da democracia parlamentar, que prevê, como base única, comum e obrigatória para todos os membros da sociedade, a exigência de obedecer às leis estabelecidas.
à(s)
10/02/2012 05:00:00 p.m.
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Todos padecemos de problemas menos a Alemanha…
Marcados pela preocupação do regresso ao equilíbrio, os orçamentos apresentados nos últimos dias por vários países anunciam tempos ainda mais duros e mesmo uma recessão. Para se sair do círculo vicioso défice/austeridade, é preciso atenuar os limites do défice, considera o diretor do sítio Slate.fr.
A França também acaba de apresentar um orçamento de austeridade. Um esforço de 37 mil milhões de euros para voltar a colocar o défice público abaixo do limite de 3%, a obrigação a que se fixaram os países-membros da zona euro. Apesar de a atividade económica já ter sofrido uma redução grave, os programas francês, italiano, espanhol e português, que implicam uma desaceleração simultânea, não têm outro remédio a não ser desembocar num ano de 2013 ainda mais difícil que 2012, com um recorde de desemprego. Reabsorver esse desemprego deveria ser a prioridade absoluta. As recentes manifestações em Espanha, o aparecimento de um partido autenticamente nazi na Grécia, o aumento de um sentimento antieuropeu em vastos setores da opinião pública europeia – tudo é em vão. No entanto, são cada vez mais os economistas, entre os quais o prémio Nobel e editorialista do jornal The New York Times, Paul Krugman, que garantem que acrescentar mais austeridade à austeridade só pode levar a que, em vez de arrancar, a Europa empobreça ainda mais. E talvez entre num ciclo que, desta vez sim, poderá assemelhar-se à grande depressão dos anos 1930.
Hoje, o mais difícil é encontrar o caminho certo, a dose correta entre o que é obrigatório para nos libertarmos das dívidas públicas paralisantes e as medidas de recuperação necessárias para reencontrar a via do crescimento e restabelecer a esperança.
Défice de competitividade
O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, explicou esta dificuldade em função da ditadura dos mercados. Para resolver o problema da dívida, disse, a França, tal como a Espanha, precisa de pedir emprestado aos mercados a um juro o mais baixo possível. É o que acontece hoje em França e o que tem vindo a acontecer desde a eleição de François Hollande. Se não for capaz de convencer que está a tomar todas as medidas necessárias para voltar ao limite de 3%, a França sofrerá um castigo imediato e suportará um tipo de juros que tornarão insuportável a carga da dívida. Sendo assim, muitos pensam que aquilo que um país não pode fazer por si próprio só pode ser tentado pela zona euro, se esta aliviar o limite de 3% e escalonar no tempo, país por país, a marcha inevitável para o regresso aos grandes equilíbrios.
Sejamos claros: o problema de que padecemos todos, exceto a Alemanha, é a falta de competitividade. Só isso já justifica uma grande parte dos esforços e sacrifícios que estão a ser exigidos. Mas isso não impede que pensemos que, para evitar que a Europa caia numa recessão prolongada, é necessário encontrar os meios para devolver flexibilidade ao sistema. O que é urgente, deste ponto de vista. Quanto ao resto, o novo tratado, que está presentemente a ser submetido a ratificação, abre uma brecha, ao distinguir os défices estruturais dos défices conjunturais. Os primeiros têm de ser reabsorvidos com vista a que se aproximem do zero; os segundos, determinados pelos ritmos da conjuntura, devem poder ser adaptados a esse ritmo. Ora, se existe uma brecha, aproveitemo-la.
Adotar uma resposta coletiva
Talvez devamos recordar as etapas anteriores da crise. Começou nos Estados Unidos. Sentiu-se que aquela crise norte-americana ia pôr em perigo o conjunto da economia e das finanças mundiais. E os países do G-20 reagiram, coordenando os seus pontos de vista e as suas atuações. Dado que, hoje, os Estados Unidos – cujas exportações para a Europa diminuíram quase 10% – a China – cujas exportações para a Europa baixaram cerca de 4% – e até o Brasil e outros países estão a sentir as consequências negativas da diminuição de atividade na Europa, por que não se reúnem e, dentro de um G-20 renovado, decidem adotar uma resposta coletiva? Ao fim e ao cabo, o que funcionou uma vez em benefício dos Estados Unidos deveria, em boa lógica e para sermos justos, funcionar em benefício da União Europeia.
Infelizmente, depois de ter passado já o pior da crise nos Estados Unidos, estamos a viver o regresso à defesa dos interesses nacionais, com intenções cada vez mais evidentes de protecionismo. Chegou a hora de inverter essa tendência e de gerar, no G-20, a coordenação que for necessária. Do mesmo modo que, na Europa, chegou a hora de pensar que nem todos podem lutar contra o défice ao mesmo ritmo e que, por conseguinte, é preciso ter a prudência de escalonar no tempo os esforços de uns e outros. Do mesmo modo que chegou a hora, também, de aplicar as decisões tomadas. François Hollande presume ter completado o tratado orçamental com um pacto de crescimento dotado de pelo menos 120 mil milhões de euros. De que estão à espera os nossos governos para mobilizarem essas somas ao serviço do crescimento?
Visto de Paris - Austeridade contra os cidadãos, o início da escalada
Cerca de 50.000 pessoas manifestaram-se a 30 de setembro, em Paris, contra o pacto orçamental europeu, na véspera do começo da sua discussão no parlamento. “Os opositores ao tratado europeu, estão pela primeira vez na rua desde a chegada dos socialistas ao poder para uma manifestação de dimensão nacional. Querem ser ouvidos no debate parlamentar”, refere La Croix, que volta a analisar “esta primeira manifestação de esquerda contra um governo de esquerda”, como é qualificada pelo editorialista do diário católico.
Embora assinalando que a manifestação juntou muito menos pessoas que os milhões que encheram as ruas de Atenas, Madrid ou Lisboa nas últimas semanas, o jornal francês lembra que
apesar de tudo, o pacto é, de facto, um passo essencial no sentido de mostrar a que ponto são os Europeus capazes de por em ordem as suas finanças e de devolver a confiança dos mercados na zona euro e na economia francesa. Só assim serão postos em prática os mecanismos de solidariedade de que tanto precisam os Estados mais vulneráveis.
Esta posição parece ser partilhada pela maioria dos franceses, isto segundo uma sondagem exclusiva publicada pelo Aujourd’hui en France – Le Parisien. Refere que “se o tratado europeu fosse submetido a referendo, 64% dos Franceses responderiam sim e 36% não”.
à(s)
10/02/2012 10:30:00 a.m.
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Contramaré… 2 out.
"Depois do que tenho ouvido sobre as SCUT, de que estão a dar prejuízo, acho que o Governo devia era acabar com as portagens, devia isentar toda a gente", afirmou Bragança Fernandes, sublinhando que "as autoestradas, as áreas de serviço e os postos de combustível estão desertos e as indústrias estão a sair dos sítios onde as zonas de acessibilidade estão a ser portajadas, como é o caso da Maia”. "Qual é a receita que o Governo vai ter com as SCUT se elas estão a dar prejuízo?", questiona o autarca.
à(s)
10/02/2012 07:30:00 a.m.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Em todo o lado e sempre há Borges e Borge(a)s!
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| andas a pedir uma medida extremamente dura… |
O governo da França anunciou o projeto de orçamento público para o ano de 2013, prevendo aumento de impostos e cortes de despesas no total de 36,9 mil milhões de euros. A elevação dos impostos, com novas taxas cobradas sobre quem ganha altos salários e junto das empresas. Pelas novas regras, quem ganha mais de 150.000 euros por ano pagará um IRS de 45% e uma taxa excecional de 75% será cobrada a quem ganha mais de 1.000.000 de euros por ano, mas vigorará apenas por 2 anos.
Cerca de 40.000 pessoas saíram à rua em 40 cidades alemãs para pedir “uma repartição mais justa da riqueza”. As manifestações foram secundadas pelas formações políticas parlamentares de esquerda e de centro-esquerda. O partido social-democrata, Os Verdes, A Esquerda, assim como diversos sindicatos e cerca de 300 organizações sociais reclamaram, entre outras medidas para “preservar o estado social”, que se introduza um imposto para os mais ricos.
Quem paga tem o direito de saber quem leva o seu dinheiro e por que o faz. Os cidadãos veem como o Estado corta na saúde, educação e prestações públicas, enquanto socorre aos bancos, o que provoca uma indignação difícil de conter. O Governo disse que pedirá à Europa 40.000 milhões para o último resgate, mas este não é o primeiro dinheiro destinado à banca.
A Grécia irá revelar um esboço do orçamento para 2013, que vem irá incluir mais cortes nos salários do setor público, pensões e benefícios de bem-estar social como parte de um pacote de austeridade de 11,5 mil milhões de euros que será implementado durante os próximos 2 anos para impressionar os credores internacionais, mas também prolongará o sofrimento económico do povo grego.
O “princípio do martelo” diz-nos que se o único instrumento de que dispomos é um martelo, tendemos a ver qualquer problema como um prego.
Perante uma crise com as mesmas causas, em que a Banca e especuladores estão na sua origem e em que os ricos mais enriqueceram com ela, diferentes países procuram diferentes soluções para os mesmos efeitos nefastos, conforme…
Em França, os mais ricos, pela primeira vez e temporariamente, vão contribuir para saldar(?) a dívida do país, que como em todos os outros tem a maior cota de responsabilidade.
Na Alemanha, apesar da riqueza do país, essa riqueza não é justamente distribuída pelos cidadãos e em que os mais ricos vão ficando mais ricos, são “convidados” a contribuírem com mais, para que mais pessoas tenham direito aos direitos sociais, com TODOS OS PARTIDOS À ESQUERDA a reivindicarem essa imposição.
Em Espanha, em que a Banca (espanhola e alemã) criou e rebentou a bolha (imobiliária) e empurrou o país para a crise, vê-se beneficiada pelo governo que lhe avaliza pedidos de molhadas de dinheiro (como objetivo), enquanto o povo pagará por eles e para eles (sem previsões). E depois que se queixem!
Na Grécia, das ilhas privadas e o povo privado do essencial, pelo 6º ano consecutivo, torna a cortar nos que já nada tem, nem direito aos direitos, mas como se diz que o Estado está em fase terminal, o objetivo (sem previsões) já é só impressionar os credores internacionais e quem cá ficar que pague a fatura. E depois que se queixem!
Em Portugal, já sabemos que vai ser mais ou menos como em Espanha e na Grécia, seremos todos pregos a enterrar mais e mais com cada martelada, com previsões (bem feitas, mas que nunca acertam) e com objetivos (ocultos) bem definidos (que nunca falham e se adiam) em defesa da Banca, dos banqueiros, das PPP, da Fundações, dos Institutos, dos Observatórios, dos Bosses e dos que mais podem e transladam à volta do poder (grande empresas sem regulamentação e com preços selvagens), mais a venda em saldo das Empresas Públicas, que geram dinheiro e entretanto só confiscos à ralé… E depois que se queixem!
Afinal, as mesmas causas produzem efeitos diferentes, conforme as crenças dos “investigadores” e a paciência das cobaias…
à(s)
10/01/2012 09:30:00 p.m.
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Contra.facção
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