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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mais G20 lágrimas de crocodilo do Banco Mundial

Desde Julho do ano passado pelo menos mais 44.000.000 de pessoas foram atiradas para a pobreza devido ao aumento dos preços dos alimentos. E várias dezenas de milhões correm o risco de se tornarem pobres.
As contas foram feitas pelo Banco Mundial, que pediu ao G20, que agrega as 20 maiores economias do mundo, que preste atenção a este problema, alertando para a crise humanitária, poucos dias antes de os ministros das finanças do G20 se reunirem neste fim-de-semana, em Paris.
Apesar de o Banco Mundial ter sido mandatado pelo G20 para dirigir o seu Programa Mundial para a Agricultura e Segurança Alimentar, a realidade é que as discussões nas reuniões das maiores economias se têm centrado nos défices dos estados, na guerra de divisas ou na reforma financeira que continua a marcar passo.
O Banco Mundial lembra que a crise alimentar foi o principal catalisador das revoltas nos países árabes e que o índice de preços dos alimentos está prestes a alcançar o pico registado em 2008. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) já diz que esse pico foi ultrapassado.
Certo é que, segundo o Banco Mundial, 2 dos cereais mais importantes a nível mundial estão cada vez mais caros: o valor do trigo aumentou 100% desde Junho e o do milho 73%.
Mesmo reconhecendo que as discussões nas reuniões das maiores economias se tem centrado nos défices dos estados, na guerra de divisas ou na reforma financeira que continua a marcar passo, veem-se queixar do aumento dos preços de alguns alimentos, afinal pelas razões que discutem e choram lágrimas de crocodilo.
Não seria melhor, e de uma vez por todas, regulamentarem as causas em vez de lamentarem os efeitos pré-visíveis, ou seja, os mercados e a especulação?
E não seria honesto dizerem (a FAO) sempre que tocam nestes assuntos, que o mundo produz mais de 50% do que os alimentos que são necessários para alimentar a população mundial?
Vão brincar com o carvalho da silva!

Ecos da blogosfera – 17 Fev.


619 MIL DESEMPREGADOS


 

Do DESMITOS

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Todos tem direito a ver a COISA com a cor que gostam

A cerca de um mês da sua votação, a moção do Bloco de Esquerda está condenada ao fracasso. O PSD vai abster-se porque "em política não vale tudo", conforme anunciou o líder do partido, Pedro Passos Coelho, no final da reunião com a bancada. Mas o líder parlamentar, Miguel Macedo, avisou que "não é o seguro de vida do Governo".
Há dias, dizia eu aqui que a abstenção do PSd (assim se classificava no PREC, por ser o PS a diesel) seria segura, por uma outra razão tática, tão justificada como o tático anúncio da Moção de Censura pelo BE. E aí está! E disse mais, se fosse votada no Parlamento. E não foi!
Porque para o PSd, em política não vale tudo, mas veio demonstrar que vale, porque vem anunciar o mesmo, ou outro mecanismo futuro, que terá o mesmo efeito: derrubar o governo e seja o que Deus quiser!
E acrescentam que, o PSd não é seguro de vida do governo, embora seja a terceira vez que o reanimam, com bocas e mais bocas. Salvar agora, para quê, se o vão o matar mais tarde!
Esta notícia (das 62 da Google) é um relato técnico do acontecimento.
Não vejo razão para surpresas na abstenção do PSD na moção de censura ao governo. Passos Coelho "segurou" Sócrates, sim. Mas foi no ano passado, quando viabilizou o Orçamento. Agora está preso à coerência. Inês Serra Lopes

Esta notícia (das 62 da Google) é um relato crítico do acontecimento, baseando-se mais na análise da bondade/maldade da “Moção de Censura”, é a negação de taticismo por parte de Coelho (PSd), antes coerência (Ena!) e pronto!
E tem direito, como todos nós a ver a vida da cor que se quer…
O Bloco de Esquerda é a política em versão de comédia ‘stand-up’. Estrangulado à esquerda, Louçã precisa de espaço para o radicalismo populista elitista de um Bloco vocal para assim manter a ilusão da utilidade política.
E quem tem medo de eleições acaba fatalmente por ser derrotado.
Para evitar uma crise política, Portugal vive no impasse político. Um Governo que não governa, uma oposição sem projecto ou coragem política para iniciar um novo ciclo, um PSD que aguarda pelo melhor momento para fazer derrubar o Governo. Em política as conjunturas favoráveis não caem do céu, mas são o resultado de um trabalho político que se projecta numa inevitável consonância com o País. Será possível que não haja um desejo de mudança em Portugal? Carlos Marques de Almeida
Esta notícia (das 62 da Google) é um tese baseada no acontecimento, que parte da condenação sumária do BE e da intenção de apresentação da “Moção de Censura”, mas que durante a justificação apresenta todos os motivos e mais alguns, para que a Moção fosse apresentada e aprovada.
E tem direito, como todos nós a ver a vida da cor que se quer…
Era para dizer mais sobre a análise que sou capaz de fazer, mas ao encontrar a notícia/opinião seguinte, desisto, porque a análise é tão linear, que até eu já a tinha feito, por outras e menos palavras:
E lá vai o PSD segurar José Sócrates. Só há uma explicação para tal decisão: a impreparação e a falta de vontade de Passos Coelho e da falsa unanimidade que reina no PSD de assumir responsabilidades governativas. O resto é conversa (pouco) fiada.
1. Confirma-se: o PSD vai abster-se na votação da moção de censura apresentada pelo BE, inviabilizando-a. Graças aos sociais-democratas, José Sócrates pode - outra vez! - respirar de alívio. E até vozes que se manifestaram a favor da queda do Governo recuaram em prol da unidade em torno da posição do partido (não é José Pedro Aguiar-Branco?). Como é que Passos Coelho justificou a sua opção de segurar José Sócrates? Eis o que importa analisar de seguida.
1.1. Começamos por dizer que o discurso de Passos Coelho foi muito esperto, muito subtil - uma verdadeira ratice política (neste caso, uma coelhice a que já nos temos vindo a habituar). Desde logo, o líder do PSD desvalorizou a moção do BE, qualificando-a como uma "pseudo-moção". Tal afirmação parece-me de mau tom: em democracia, a moção de censura é um instrumento normal de controlo político dos executivos por parte do Parlamento. O BE, enquanto força política aí representada, tem todo o direito e legitimidade para apresentar uma moção de censura - como qualquer outro partido. Seria uma conceção original de democracia considerar-se que só as moções de censura apresentadas pelo PSD são verdadeiras moções de censura! Não existem pseudo-moções de censura: se o PSD votasse a favor, o efeito prático seria o mesmo - queda do Governo. E é isso que importa ressalvar. Contudo, facilmente se percebe o argumento de Passos Coelho: ao qualificar como "pseudo-moção de censura" pretende explicar aos portugueses que, em rigor, não inviabilizou a censura ao Governo José Sócrates - e logo segurou o primeiro-ministro - mas apenas se limitou a impedir uma "brincadeira" do Bloco de Esquerda. Tentando que o PSD se afirme novamente como o partido da responsabilidade e do sentido de Estado. Há que reconhecer: foi uma forma subtil e airosa de se livrar da "batata quente" que tinha nas suas mãos. Pequeno detalhe: os portugueses não são estúpidos e sabem que não existem pseudo-moções de censura. Caso o PSD votasse a favor, o Governo José Sócrates cairia. O resto é conversa. Eis a primeira coelhice de Passos Coelho.
1.2. Ademais, Passos Coelho revelou que estará atento à atuação do Governo, colocando o cenário de uma moção de censura em caso de irresponsabilidade e descontrolo financeiro. Traduzindo para português corrente a linguagem coelhesca: o PSD vai apresentar moção de censura ainda antes do verão ou faz cair o Governo na apresentação do Orçamento de Estado para 2012! Está na cara! Note-se que o PSD não colocou nenhuma meta, nenhuma fasquia, nenhum intuito em concreto. Não! Limitou-se a dizer que, caso a situação financeira seja de tal forma ruinosa, o PSD deixa cair o Governo - ora, isto dá para tudo.
Objetivos de Passos Coelho com esta afirmação: primeiro, mostrar que lidera a oposição e demarcar-se de José Sócrates, tentando mostrar que a inviabilização da moção de censura não significa dar abertura política ao Governo; segundo, impedir que seja acusado de contradição quando decidir fazer cair o Governo José Sócrates nos próximos meses. Explico: Passos Coelho vai "inventar" um motivo qualquer para precipitar a queda do Governo quando achar conveniente para si, dizendo que as condições do país em março - em comparação com o verão ou com outubro - serão completamente diferentes. Ao criar uma falsa dissemelhança entre dois momentos políticos, Passos Coelho vai tentar vender aos portugueses a versão do PSD responsável, sempre atento ao interesse nacional. Eis a segunda coelhice do dia de ontem.
1.3. Repararam que Passos Coelho só muito fugazmente se referiu ao interesse nacional para justificar a não viabilização da moção de censura? E, no entanto, curiosamente, tem sido o argumento principal daqueles que defendem a posição do partido: os mercados financeiros estão atentos, não perdoariam a agitação política, a mudança de governo, blá, blá, blá... Porquê tal omissão no discurso de Passos Coelho? É uma evidência: precipitar a queda do Governo no verão ou em outubro é muito pior para o interesse nacional do que seria agora! Portugal corre o risco de não ter Orçamento para o próximo ano a tempo e a horas - ou, então, prolongar um mau orçamento (o de 2011) nos primeiros meses de 2012! Mais uma vez, Passos Coelho foi esperto - eis a terceira coelhice de ontem.
2. Enfim, deixemo-nos de conversas fiadas, cantigas repetidas ou discursos para português ouvir: só uma razão explica a não viabilização da moção de censura por parte do PSD. Passos Coelho não quer assumir já o Governo do país. Após um ano de liderança ainda não tem programa, projeto alternativo nem uma equipa que lhe dê garantias. É triste: Passos Coelho teve de sacrificar o interesse nacional (mudar rapidamente de Governo e de rumo!) em nome do interesse partidário (adiar a assunção de responsabilidades). Não é um episódio feliz para a democracia portuguesa. Exigia-se mais do maior partido da oposição. João Lemos Esteves
É isso aí, deixemo-nos de conversa fiada!

A Europa só quer gente “com-abrigo” e já tem Regras

A Conferência Europeia de Consensos sobre sem-abrigo, que decorreu em Dezembro de 2010, trata-se de “uma ferramenta específica para promover o progresso em questões complexas quando a ausência de um entendimento partilhado bloqueia o desenvolvimento de políticas”.
De acordo com a informação disponibilizada, a condição de sem-abrigo continua a afectar milhões de pessoas por toda a Europa e da conferência saiu o alerta de que, apesar dos sem-abrigo de rua serem a forma mais visível e extrema de pobreza e exclusão social, a condição de sem-abrigo afecta pessoas que vivem com amigos e familiares ou em condições temporárias, inadequadas ou inseguras.
- A primeira recomendação defende que sejam considerados sem-abrigo todas as pessoas sem tecto, sem casa ou que vivam em locais inseguros ou sem condições de habitabilidade.
- Em segundo, propõe que o fim dos sem-abrigo seja o objectivo final e não a gestão da questão dos sem-abrigo.
- Propõe-se, por outro lado e em terceiro lugar, que os Estados-membros da UE desenvolvam soluções de promoção do acesso a uma casa definitiva, fazendo prevenção quanto ao possível aparecimento de novos sem-abrigo e dando apoio às pessoas que precisem de ajuda com as suas casas.
- Defende-se, em quarto lugar, que ninguém na UE tenha de enfrentar uma situação de pobreza, independentemente da sua situação legal ou administrativa, defendendo mesmo o júri da conferência que, os movimentos migratórios livres e as políticas para a migração “desempenham um papel importante na prevenção destas situações”, mas que isso implica um trabalho integrado.
- O quinto ponto defende que deve ser dado o máximo de poder de decisão às pessoas sem-abrigo, principalmente quando estão em causa processos que afetam as suas vidas. Um ponto que obrigaria ao treino de funcionários sociais e de outros serviços no sentido de criar oportunidades para estas pessoas.
Por último, o sexto ponto aponta a necessidade de uma estratégia europeia ambiciosa, que leve a cabo estratégias nacionais e regionais em cada um dos países.
Ora cá está um programa tão aberto, que nunca se fechará!
Como a maioria das acções integradas no Ano Europeu contra a Pobreza e Exclusão Social se resumiu a “sensibilizar”, falando, falando, falando, sem se saber se a sensibilização era para os governos (não estão sensibilizados e conhecedores do que fazem?) ou para os cidadãos (que veem a pobreza aumentar por decisões dos governos) tendo já proposto a redução da Pobreza até 2020 (mais um “deixa pr’a lá), que credibilidade pode ter um projecto destes, que não tenha os mesmos resultados que os anteriores?
É muito bonito e até dá um certo pendor social e revela uma “preocupação” humanitária, mas…
A regulamentação de que o mundo precisa e a Europa também, não é esta que se dirige aos pobres, mas a que permite que haja mais pobres!
Não estudem demais, façam qualquer coisa!

Eu bem aviso há muito e Cavaco Silva também!

A maior parte dos gestores de empresas do setor da economia do mar (85%) considera que Portugal rentabiliza mal este recurso, conclui o LEME - Barómetro PricewaterhouseCoopers (PwC) da Economia do Mar.
Baseado numa análise feita sobre os anos 2009 e 2010, o estudo acompanha os vários subsetores económicos relacionados com o mar e avança previsões para 2011.
Segundo os resultados do inquérito, os gestores demonstram "alguma preocupação" relacionada com a liquidez (35% referem ser "má" e 40% "razoável") e com a rentabilidade do setor (considerada por 40% dos inquiridos como "má").
Todos sabemos que, temos mar que chegue para tudo, mesmo comparando-nos com outros países que nem mar tem.
Todos sabemos que, tirando o lançamento de esgotos (cada vez menos), umas banhocas quando a água não está fria, ou tempo é quente “demais”, uns concursos de pesca desportiva e uns barquitos para apanhar alguma sardinha, pouco mais utilidade tem o nosso mar.
Todos sabemos que, não havendo petróleo nas nossas costas, há muito peixe e bom para apanhar, distribuir e vender, com ganhos para a economia (não precisamos importar e até podíamos exportar) e decréscimo dos desempregados, mas é preciso investimento.
Todos sabemos que, nos últimos tempos, muita gente tem chamado a atenção para esta riqueza não explorada, quer em Portugal, quer na maioria dos países lusófonos.
Todos sabemos que, quem pode investir nas pescas, são os investidores, através das empresas existentes, ou a criar na hora.
Por que será que são os gestores de empresas do setor da economia do mar, na sua maioria, que considera que Portugal rentabiliza mal este recurso e não só na pesca?
Invistam! Se o Estado não atrapalhar, já é uma grande ajuda…

Ecos da blogosfera – 16 Fev.

E SE OS FILHOS NÃO PAGAREM?

 

Do DESMITOS

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A PROVA da “insustentabilidade” dos Estados Sociais

80% da população mundial carece de mecanismos de proteção social, como pensões, alertou na segunda-feira a Organização Internacional do Trabalho.
Segundo o director do Departamento de Segurança Social da OIT, apenas 20% da população mundial "conta, na realidade, com acesso a mecanismos de protecção".
Na opinião de Michael Cichon, é ainda "mais escandaloso" do que os 2% do PIB mundial destinados a serviços sociais mínimos para a população mais vulnerável do planeta.
"As transferências sociais são a ferramenta mais poderosa e com a qual um país conta para redistribuir as suas receitas e combater a pobreza", sustentou.
De acordo com o responsável, as prestações sociais representam 50% da redução da pobreza na Europa e nos países da OCDE.
E anda tanto político sem competências específicas e tanto intelectual “treteiro” a tentarem justificar, sem números que o provem, a espalhar que o Estado Social (para mim só há Estado e obrigatoriamente com uma MISSÃO SOCIAL) não tem sustentabilidade e vem agora um organismo internacional dizer que, afinal só 20% das pessoas, mundialmente, tem acesso a mecanismos de protecção social e que os restantes 80% não tem direito a nada…
E enfatiza ainda que é mais escandaloso do que os 2% do PIB mundial, que são destinados a serviços sociais mínimos para a população mais vulnerável do planeta…
Já sabemos que isto são médias e que há países com mais e outros com menos apoios, mas à primeira vista não estamos a ver número de países com tantas “regalias”, que permitam tais médias, o que nos leva a desconfiar de que a insustentabilidade dos Serviços Sociais e por arrasto do “Estado Social”, não passa de conversa da treta, que agora os iluminati tem que reinventar melhores e mais transparentes argumentos.
Não era bom escalpelizar o assunto e falarem-nos verdade? Só porque 20% não é bem 100%...
Obrigado a quem o fizer…

Aprende portugués. Te abrirá muchas puertas

A Guiné Equatorial, há vários a tentar integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), pediu o apoio de Angola para ensinar a quadros equato-guineenses a Língua Portuguesa.
O pedido foi feito em Luanda pelo novo embaixador da Guiné Equatorial em Angola, José Akeng, durante uma audiência com o vice-presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos.
José Akeng, que era portador de uma mensagem do primeiro-ministro guineense, disse em declarações à imprensa no final do encontro que o desejo de aprender português é para facilitar a entrada da Guiné Equatorial na CPLP.
Há vários anos que a Guiné Equatorial manifestou o desejo de aderir à CPLP, tendo a quarta tentativa ocorrido na VIII Cimeira de Chefes de Estado da organização, realizada em Julho de 2010 em Luanda, mas os líderes lusófonos comprometeram-se apenas a analisar o pedido, remetendo uma decisão sobre a adesão para mais tarde.
A Guiné Equatorial é o único país em África cuja língua oficial é o espanhol, estando rodeado na sua maioria por países lusófonos.
Segundo o embaixador, o encontro serviu igualmente para manifestar ao Governo angolano o interesse em "dinamizar e aumentar" a cooperação entre os dois países, em outros sectores. Angola e a Guiné Equatorial têm já acordos de cooperação nos sectores das pescas, agricultura e petróleos.
Afinal o português começa a ter cotação na Bolsa, sem que sejamos nós a lucrar com o “negócio”…
Até nisto os nossos governantes são fraquinhos! É só tecnologia…

Ecos da blogosfera – 15 Fev.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Esquerda/s? Direita/s? e onde está o Centro?

Atente-se à imagem de quinta-feira no Parlamento. O primeiro-ministro José Sócrates acaba de saber pela voz do líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que este partido vai apresentar uma moção de censura ao Governo no dia 10 de Março. Sócrates ri-se, diz que se trata de "um dos números políticos mais lamentáveis na vida política portuguesa" e dispara ainda que tal acto apenas demonstra "a pobreza do nosso espectro político da esquerda radical (abre os braços e conclui) a pobreza da esquerda radical!". Talvez não tenha sido por acaso que utilizou a palavra pobreza - banida pelos socialistas desde que Cavaco Silva a empregou durante a campanha eleitoral - para caracterizar a atitude dos bloquistas. É que, na realidade, é de pobreza que se trata quando olhamos para um país que está a viver uma das situações mais dramáticas dos últimos tempos. E a esquerda, a tal esquerda radical que o BE e o PCP representam, que vai sobrevivendo à custa dos votos dos mais desfavorecidos e de uma camada jovem urbana, qualificada, sem outra opção de vida que a da eterna espera por uma oportunidade, não tem outra alternativa política que a "riqueza" da apresentação de um cartão vermelho ao Executivo. Parece-nos normal que assim seja. À esquerda o que é da esquerda. O Bloco tomou a atitude correcta e o PCP também deveria seguir o mesmo exemplo.
Se o momento não é o mais oportuno por causa dos mercados, da União Europeia, do Conselho da Primavera, dos avisos da chanceler Merkel, isso é um problema do Governo e não da esquerda. Os motivos apresentados por Louçã para a censura são mais do que entendíveis pelos portugueses que estão em dificuldades: defesa dos desempregados de longa duração que já não têm subsídio nem trabalho, dos trabalhadores em situação precária e um travão a mais despedimentos. Contra os cortes nos salários e nos abonos de família. Se as razões invocadas fossem outras, aí sim a esquerda seria irresponsável. No actual momento, em que se fazem greves não para pedir aumento do ordenado, mas para manter o posto de trabalho e em que o desemprego aumenta a olhos vistos, a força da esquerda está na censura a quem irresponsavelmente conduziu o País a este beco sem saída. Talvez se pensarmos nas coisas tal como elas são e não nos deixarmos influenciar pela cacofonia socialista a posteriori (a "da colossal irresponsabilidade!"), consigamos perceber que os partidos se servem da política para servir os cidadãos que os apoiam e que com eles se identificam. Com mais ou menos tacticismo, habilidade ou retórica, o objectivo é esse.
Este é o tempo perfeito para a esquerda mostrar o que vale.
por Maria de Lurdes Vale
Não costumo opinar em cima de opiniões, mas sem ter nada a ver com esta opinião, com que concordo, faz-me cócegas no cérebro ouvir falar em Esquerda (radical, ou não) e Direita (radical, ou não), com tão pouco rigor, que permite que este PS seja considerado de Esquerda às 2ªs, 4ªs e 6ªs e de Direita às 3ªs. 5ªs e sábados (e ao domingo, talvez de Centro/Esquerda/Direita), o mesmo acontecendo ao PSD, nos dias contrários, quando todos sabemos e dizemos que, entre o PS e o PSD a diferença só existe nos actores.
Mais curioso é que esta classificação permite ao PS insultar a Esquerda, a que diz pertencer (radical como o BE, mas ao contrário), classificar o PSD de Direita e não classificar o CDS-PP como Direita (radical), onde se situa fisicamente, no espetro político e que é considerado por todos como Centro.
Se calhar, é por causa desta confusão que, há muita gente convencida que não há Direita, nem Esquerda e outra tanta gente a querer convencer-nos desta realidade, que assenta em valores e práticas bem definidas, politica e socialmente falando.