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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Alemanha não é ‘casa da mãe Joana’ para imigrantes!

Nem tudo são rosas para os trabalhadores imigrados na Alemanha, apesar de se reconhecer que contribuem para a economia do país, que ajudam a assegurar o crescimento e a estabilização dos sistemas sociais, contribuindo para os sistemas de reforma e segurança social e permitindo reforçar o vetor social do Estado alemão.
Vejamos os espinhos que arranham o sucesso alemão para que contribuem os romenos, os búlgaros e outros mãos-baratas…
Enquanto a Alemanha busca maior rigidez na concessão de benefícios sociais a migrantes europeus que vivem no país, a Comissão Europeia sustenta que não se deve negar ajuda financeira a cidadãos do bloco.
Um posicionamento da Comissão Europeia está a causar polémica e a dominar as manchetes dos jornais na Alemanha desde 10 de janeiro de 2014. Na interpretação de Berlim, Bruxelas condena a Alemanha por ter recusado ajuda social a imigrantes da UE, indo, desta forma, contra uma lei do bloco.
A Comissão formulou a sua visão num processo entregue ao Parlamento Europeu. O documento tornou-se público na sexta-feira e acirrou o debate em volta do que se convencionou chamar de "migrantes da pobreza".
A facção conservadora União Social Cristã (CSU), do estado da Baviera, vem a gerar controvérsia há semanas sobre o tema através da disseminação do slogan: "Quem desrespeitar, está fora". A referência é o caso de uma romena e do seu filho, que vivem permanentemente desde 2010 na Alemanha e tiveram o pedido de ajuda social negado. O tribunal de Leipzig enviou a queixa aos juízes de Luxemburgo para que esclarecessem a questão.
"Casa da mãe Joana"
Para a CSU, a exigência de que alemães e estrangeiros provenientes de países da UE desfrutem do mesmo tratamento, quando o assunto é ajuda social, veio a calhar: em março próximo haverá eleições municipais nas cidades da Baviera e em maio será eleito um novo Parlamento Europeu.
"Os sistemas nacionais de segurança social não são uma ‘casa da mãe Joana’ para todos os europeus que se mudam para cá", disparou Andreas Scheuer, secretário-geral da CSU em Munique. O político diz-se chocado com a forma como a "União Europeia torpedeia os sistemas nacionais de segurança social".
Discussão desagradável
No contrato de coligação de governo entre o Partido Social Democrata (SPD) e a União Democrata Cristã (CDU), há um capítulo inteiro dedicado ao tema integração e migração. "Queremos manter a aceitação da liberdade de ir e vir dentro da UE. Iremos, por isso, posicionar-nos contra o injustificado recurso sobre benefícios sociais a cidadãos da UE", consta do documento.
Não está claro, contudo, de que forma o governo em Berlim imagina que "irá contra" tal situação. Nos próximos meses, um grupo de assessores de diversos ministérios irá reunir-se para debater o assunto.
O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, fez declarações em tom irritado a propósito da postura da UE frente à queixa movida pela romena de Leipzig: "Já disse em nome do governo alemão e da chanceler federal o que tinha a dizer sobre isso: trata-se de um processo em andamento no Parlamento Europeu, ainda haverá uma negociação verbal sobre o caso. Não me quero estender mais sobre este assunto", resumiu Seibert.
Bruxelas contradiz
O porta-voz ressaltou, porém, que a legislação que regulamenta os benefícios sociais é uma questão a ser definida por cada país individualmente. E que a Alemanha irá manter, de início, a prática atual de ser mais restritiva na concessão de tais benefícios, no caso de imigrantes.
A Comissão Europeia, por sua vez, reagiu prontamente na sexta-feira através de um comunicado afirmando que a Alemanha não é de forma alguma obrigada a conceder ajuda social a todos os cidadãos da UE desempregados que vivam no país. Notícias que afirmem o contrário são "completamente erróneas", afirmou Pia Ahrenkilde Hansen, porta-voz da Comissão.
No dia 5 de dezembro, a vice-presidente do órgão, Viviane Reding, já tinha deixado claro ao Conselho de Ministros do Interior do bloco que a liberdade de circulação entre os países não implica um direito automático de receber benefícios sociais.
Britânicos austeros, holandeses generosos
Nos 28 países-membros da UE vigoram legislações pouco claras a este respeito. No Reino Unido, um requerente de benefício social tem que passar por uma prova rígida de "comprovação de necessidade". Já os holandeses são mais generosos. A Finlândia, por sua vez, declarou num documento oficial que a ajuda social é realmente apenas o "último recurso" a ser concedido. Ou seja, cada caso acaba por ser resolvido individualmente pelas autoridades municipais.
Noutros países da UE, porém, já aconteceram até mesmo deportações, quando o recetor do benefício acabou por ser acusado de estar a ser "um peso injustificado e excessivo" aos cofres públicos. Uma coisa, porém, é clara: depois de o imigrante europeu tiver permanecido 5 anos no país em questão, poderá requerer ajuda social ao governo local sem problemas. A Comissão Europeia alerta que Presidentes de Câmaras podem recorrer a fundos europeus, a fim de sanar problemas financeiros decorrentes de pedidos de cidadãos de outros países europeus.
Rumo à ilegalidade?
Na Alemanha, são as administrações municipais que respondem pela concessão de benefícios sociais. Caso a posição da Comissão Europeia seja de facto confirmada, essas autarquias terão problemas, diz Ulrich Maly, Presidente da Câmara de Nurembergue. "Aí o governo federal precisaria entrar em ação", diz ele. "Ninguém é contra a liberdade de ir e vir", completa Maly. Mas, para ele, a política social deveria continuar nas mãos de cada país, pelo menos enquanto os benefícios são tão diferentes.
Hermann Genz, responsável pelo setor de trabalho e benefícios sociais da cidade de Mannheim, vê de outra maneira o processo em curso no Parlamento Europeeu, porque em caso de dúvida, o governo federal terá que intervir, acredita ele. "Se negarmos benefícios sociais às pessoas, estaremos empurrando-as para a ilegalidade. Em vez disso, temos é que incentivá-las e apoiá-las", argumenta Genz.

Contramaré… 14 jan.

A falta de pessoal nos hospitais está a levar os serviços de urgência a condições similares às apresentadas há 20 anos, dizem os sindicatos. O dedo é apontado ao Ministério da Saúde, devido aos cortes aplicados, e teme-se que a situação se agrave caso as temperaturas desçam ainda mais e obriguem mais utentes a recorrer aos serviços hospitalares.
Médicos e o próprio Bastonário confirmam que há urgências onde o tempo de espera é de 10 ou mais horas e existem macas nos corredores.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Uma receita muito simples com poucos ingredientes…

A situação do mercado de trabalho alemão é boa e, apesar de problemas isolados, cidadãos de Estados mais pobres da UE podem contribuir para a economia de um país cuja população está cada vez mais velha.
O ano de 2013 chegou ao fim na Alemanha com prognósticos positivos para o mercado de trabalho. O número de desempregados só aumentou em 67.000, alcançando 2.873.000 – menos do que usual para a época do ano. Isso equivale a um acréscimo de 0,2%, totalizando uma quota de desemprego de 6,7%.
Segundo o especialista em mercado de trabalho Gerhard Bosch, da Universidade de Duisburg-Essen, a situação relativamente positiva reflete a grande capacidade de renovação da economia alemã. Além de as exportações estarem em boa fase, o consumo também aumentou, graças, sobretudo, a significativos aumentos salariais.
"O problema, no entanto, é que em 2013 não se investiu muito, por as empresas estarem apreensivas com as perspetivas de longo prazo", pondera Bosch. De acordo com ele, as deliberações do novo governo, porém, permitem prever uma melhoria, já que haverá mais verbas para infraestrutura e ensino. O consumo, afirma, também deverá beneficiar do aumento das reformas e da introdução do salário mínimo.
Analistas da Agência Federal do Trabalho (BA) preveem para 2014 mais uma leve redução do número de desempregados, cuja média anual deverá manter-se em 2.900.000. Por sua vez, o Instituto da Economia Alemã (IW), ligado às associações patronais, é mais cético.
Por um lado, os inquéritos realizados no fim do ano confirmam que o clima é bastante otimista, mas "Não vai haver muito acréscimo. Temos um recorde histórico de ocupação, de 42.000.000 de empregados. Mas agora essa dinâmica esgota-se." diz o diretor do IW, Michael Hüther.
Romenos e búlgaros
A BA não se mostra preocupada com a imigração de concorrentes a emprego dos 2 mais pobres Estados-membros da União Europeia, a Bulgária e a Roménia, que desde 1 de janeiro passaram a beneficiar do princípio da livre circulação de trabalhadores dentro do bloco europeu.
Nos últimos anos, cidadãos desses países já entravam no mercado de trabalho alemão, como trabalhadores sazonais na agricultura ou em setores que carecem urgentemente de mão-de-obra, como a saúde, cuidados ou gastronomia. "A maioria dos búlgaros e romenos que vivem na Alemanha são imigrantes por motivos de trabalho, não por motivos de pobreza", afirma Herbert Brücker, do instituto de pesquisa profissional IAB.
Martin Wansleben, diretor geral da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), alerta para o perigo de o atual debate na Alemanha sobre a imigração vir a prejudicar a economia. "A imigração em geral não pode assumir um aspeto negativo devido a uma discussão política acalorada", reforçou.
Devido à sua atual tendência demográfica, a Alemanha precisará, nos próximos anos, de até 1.500.000 de trabalhadores estrangeiros qualificados, que ajudariam a "assegurar o crescimento e estabilizar os sistemas sociais", lembra Wansleben.
Entretanto, a atual discussão indica a necessidade de ação dentro da sociedade alemã, prossegue o diretor da DIHK: "Precisamos continuar aprimorando uma cultura de boas-vindas para os imigrantes. É uma tarefa para a sociedade como um todo: política, Igrejas, sindicatos, empresariado, todos têm que prestar a sua contribuição."
Benefícios da imigração superam carga
Segundo dados recentes, há 155.000 romenos e búlgaros profissionalmente ativos na Alemanha. A sua quota de desemprego é a mais baixa de todos os trabalhadores estrangeiros. E agora esses 2 grupos poderão procurar emprego em todos os setores.
"Em consequência, temos também melhores chances de integração para as pessoas desses 2 países, para os quais, desde 1 de janeiro, vale a mobilidade da mão de obra", prevê Heinrich Alt, da diretoria da Agência Federal do Trabalho, que admite, no entanto, haver no momento um problema: "A imigração da Bulgária e Roménia está associada a certas regiões [alemãs], e lá ocorrem problemas que as municipalidades de Duisburg, Dortmund, Berlim, Mannheim, Offenbach não podem resolver sozinhas."
Segundo analistas, nessas cidades problemáticas, apenas 10% a 20% dos imigrantes trabalham. Por outro lado, só uma pequena parte deles recorre à previdência social. Essas pessoas, que nem requerem benefícios, nem contribuem para o sistema social através de seus encargos, "apresentam, naturalmente, um grande problema", aponta Herbert Brücker. Ainda assim, assegura, os romenos e búlgaros da Alemanha "contribuem para os sistemas de aposentadoria e segurança social, de forma que o Estado social sai ganhando".
De toda maneira, a Agência Federal do Trabalho começou a contratar novos funcionários na sua sede em Nurembergue. Ainda há um défice de especialistas administrativos e pedagogos sociais com bons conhecimentos dos idiomas romeno e búlgaro, aptos a aconselhar com êxito os candidatos a trabalho dos 2 países.
Já sabemos que a situação do mercado de trabalho alemão é boa, apesar dos 2.873.000 de desempregados, 6,7% e que a situação em Portugal é péssima.
Dizem que o sucesso alemão reflete a grande capacidade de renovação da sua economia, cujo país vê a sua população envelhecer e em simultâneo a natalidade a diminuir, tal como no nosso país.
No entanto, a “renovação da economia alemã”, traduz-se em algumas medidas que por cá são impensáveis de implementar, porque os alemães, por vias travessas não nos permitem. Vejamos:
1. Para resolver o problema demográfico, importam mão-de-obra de outros países;
2. Os países de proveniência dos imigrantes são dos mais pobres da UE e sujeitam-se a salários muito mais baixos;
3. O Estado não precisa de investir na formação académica (cara) dos ativos mais qualificados;
4. Investem apenas no ensino da língua germânica que facilita a formação laboral;
5. Exportam por isso cada vez mais e a mais baixos preços;
6. O consumo interno vai aumentando, graças a significativos aumentos salariais;
7. O consumo interno tem tendência a crescer ainda mais com o aumento das reformas e com a introdução do salário mínimo.
E pronto, está esmiuçado o sucesso económico. Simples!
As razões inversas são as razões do nosso insucesso, que trabalhamos para os mercados…
Mas nem tudo são rosas para os trabalhadores imigrados na Alemanha, apesar de se reconhecer que contribuem para a economia do país, que ajudam a assegurar o crescimento e a estabilização dos sistemas sociais, contribuindo para os sistemas de reforma e segurança social e permitindo reforçar o vetor social do Estado alemão.
No próximo artigo veremos o reverso da medalha ou os espinhos que arranham o sucesso para que contribuem os romenos e búlgaros…

Ecos da blogosfera - 13 jan.

Mudam-se os tempos, muda-se a (força da) boutade…

Na sua primeira intervenção no congresso em Oliveira do Bairro, o discurso de Paulo Portas foi quase todo ele um déjà vu. E o que faltava ainda vislumbrar – um possível casamento com o PSD para as legislativas – ficou adiado para outras núpcias. Portas apenas fez juras de que o CDS nunca será igual ao PSD.
Um congresso sem história
Aliás, como é habitual nas histórias dos congressos dos partidos que estão no poder. Sem dramas, sem questionar a liderança. Ribeiro e Castro nem sequer foi a Oliveira do Bairro; Nobre Guedes, com ou sem a presidência do Conselho Nacional, está mais alinhado do que desalinhado; e Filipe Anacoreta Correia nesta altura não tem peso para beliscar a liderança de Paulo Portas. E o líder do CDS-PP, que entrou no congresso como putativo primeiro-ministro (como dizia ontem Nuno Melo), potencial comissário europeu (como se especula no partido) ou como possível candidato a Belém (como almeja Pires de Lima), vai sair do congresso como entrou, líder do CDS. E o líder centrista garantiu ontem: "Sou de ficar, não de abandonar." E vai ficando.
Um congresso que tenta reescrever a história
Mas em grande parte do discurso, Portas despiu a camisola de líder do CDS e vestiu as vestes de vice-primeiro-ministro. E com as bases do partido a reclamar por uma explicação para a “demissão irrevogável”, para os aumentos de impostos, e para os infindáveis cortes nas pensões. Sobre a crise política do Verão, Portas dedicou-lhe uns escassos 3 minutos, num discurso de uma hora. Deu a sua versão dos factos e resumiu a explicação numa frase: “O que teve de ser teve muita força.” Pouco ou nada acrescentou ao que já sabíamos. Sobre o aumento dos impostos, a culpa, segundo Portas, é da troika e do Constitucional. E sobre os sinais ténues de crescimento, os números da agricultura e o bom ano que vive o turismo? Aí a culpa já é dos ministros do CDS, que, um a um, foram aclamados como responsáveis pela parte da governação que está a correr bem ou menos mal. E a linha vermelha da TSU dos pensionistas foi apagada do mapa político com a justificação de que a dita TSU acumulava com a convergência e com a CES. Sendo que, nos primórdios da história da austeridade, a TSU dos reformados supostamente deveria servir para substituir a CES. E a convergência, nessa altura, ainda não tinha saído do papel.
Um congresso a antecipar a história
Para o futuro, Portas antecipa um Portugal para além da troika. Um Portugal que terá uma comissão para estudar o plafonamento da Segurança Social, ainda que não se saiba muito bem quem financiará o sistema quando abdicarmos de parte da contribuição das pensões mais altas. Um Portugal onde, segundo Portas, haverá uma viragem económica, que vai gerar riqueza suficiente para baixar a dívida e descer impostos em 2015, ano de eleições. Como se baixarão impostos ao mesmo tempo que se cumpre um eventual programa cautelar ou com o pacto orçamental, logo se verá. Resumindo, um congresso sem história.

Contramaré… 13 jan.

O governo português lançou na quinta-feira, 9 de janeiro, a sua primeira oferta de títulos da dívida pública em um ano. A operação, que arrecadou 3.250 milhões de euros, foi considerada um sucesso. Esta volta aos mercados é uma etapa vista como crucial antes do fim do programa de ajuda financeira ao país, previsto para 17 de maio.
O sucesso desta operação é considerado primordial para que Portugal deixe o programa de ajuda de 78 mil milhões de euros sem ter que pedir uma extensão do apoio negociado com a troika.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Este Plano B(ruto) não é retificado pelos juízes do TC?

Dados oficiais não batem certo. Ou o aumento dos descontos para a ADSE e a nova CES não são suficientes para garantir os 388 milhões de euros necessários ou o Governo ainda não revelou detalhes relevantes sobre as medidas.
O Ministério das Finanças não comenta os alegados erros nas contas com o plano do Governo para compensar o chumbo da convergência de pensões.
No total, é preciso ir buscar 388 milhões de euros. Deste bolo, o Governo confirma que 160 milhões vêm do aumento das contribuições para a ADSE e sobram assim 228 milhões de euros, que viriam do alargamento da base de incidência da CES.
Só que as contas do “Jornal de Negócios” e do “Público” apontam para um contributo em torno dos 100 milhões de euros, valor calculado a partir do cruzamento das explicações dos ministérios e das simulações do portal do Governo, com a nova configuração da CES.
“Os pensionistas vão perder este ano com a nova Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que o Governo aprovou esta semana, mais de 750 milhões de euros. Já em 2013, segundo os dados da execução orçamental, os reformados terão tido cortes no rendimento, por via da CES, de quase 524 milhões de euros. Ou seja, em 2014 o corte no rendimento dos reformados abrangidos pela CES vai aumentar 43%”, diz o CM.
1. Ou o Governo ainda não revelou detalhes relevantes sobre as medidas do Plano B(ruto) ou o mais certo é a revelação dos ladrões que a meio do assalto levam o que podem, antes da reação dos reféns reajam ou do toque de alarme e cheguem os Juízes do Tribunal Constitucional;
2. Outro indicador de que o Plano B(ruto) do assalto não foi bem desenhado, passa pelo esquecimento, de pouca monta, de cerca de 56.200 reformados da SS;
3. Mais um indicador de que os estrategas do Plano B(ruto) não sabem mesmo desenhar é o governo não comentar os erros nas contas, de cerca de 100 milhões de euros, para compensar o chumbo da convergência de pensões e cujo acórdão, assim sendo, não é cumprido;
4. E porque os media vão atrás do Plano B(ruto), a confusão entre o número de vítimas anunciado oscila entre os 79.800 e os 136.000, coisa pouca, no meio de tanta trapalhada;
5. Pelas mesmas razões (trapalhadas e seguidismo), os media anunciam como previsão do montante a sacar por arrastão das bolsas dos reformados, insuficientes 120 milhões de euros, os “necessários” 388 milhões de euros e até cerca do dobro, com 750 milhões, com uma ligeireza que nos deixa inquietados, talvez porque os jornalistas estão no ativo e cobrem o assalto ativamente;
6. No fim das contas, a ser verdade que em 2013 os reformados terão sido roubados no seu rendimento, por via da CES, em quase 524 milhões de euros, mesmo que lhes roubassem este ano mais de 750 milhões de euros (mais 43%), só haveria um aumento do saque em 226 milhões de euros, aquém dos 388 milhões, faltando sacar mais 122 milhões, o que resultaria num aumento imoral de 74%.
Mas como já estamos habituados às previsões e aos erros das folhas de Excel, tradição que Gaspar transmitiu aos seus ex-colaboradores nas suas palestras “formativas”, nada nos espanta, a não ser a persistência e a obsessão de assaltar os ex-construtores do país durante os últimos 40 anos, que por razões naturais estão impedidos de trabalhar na economia paralela e em grande número, por razões físicas e psicológicas estão numa situação de apatia e de impedimento à reação. E só por isso, a coragem do executivo só pode ser entendida como atitudes (de) cobardes…
O pior, e sobre o que não se ouve um só comentário contraditório, é que este Plano B(ruto) e de esperteza saloia possa entrar em vigor sem o aval do Tribunal Constitucional, que teria que retificar a conformidade da “solução” com o espírito e a letra do acórdão…
Será mais um colossal buraco na Constituição ou estamos a ser manipulados pelo governo, acolitado pelos media?
Não há por aí nenhum constitucionalista para esclarecer?
Agradece-se!

Ecos da blogosfera - 12 jan.

Uma “carta de recomendação” pouco abonatória…

Acusado de ter ajudado a Grécia a camuflar o estado real das suas finanças públicas e de especular sobre a dívida daquele país, o grande banco comercial americano dispõe de uma rede sólida de conselheiros aos quais os responsáveis europeus dão ouvidos.
Petros Christodoulou finge que não liga aos cumprimentos. Desde a adolescência que este primeiro aluno da turma está habituado a ouvir dizer o melhor possível da sua pessoa. Nomeado, em 19 de Fevereiro, director do organismo de gestão da dívida pública grega, está hoje na primeira fila. Acontece que este antigo director de activos do National Bank of Greece (NBG) está no centro do inquérito, anunciado em 25 de Fevereiro pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), sobre os contratos relativos à dívida grega que ligam o banco comercial americano Goldman Sachs e outras empresas ao Governo de Atenas. Aquele estabelecimento de Nova Iorque foi pago como conselheiro bancário do Governo grego, ao mesmo tempo que especulava sobre a dívida do país. O banco emissor americano está interessado no papel desempenhado por Petros Christodoulou, que, no início de 2009, supervisionou, ao lado do Goldman Sachs, a criação da sociedade britânica Titlos para transferir a dívida orçamental da Grécia para o NBG. Antes de trabalhar para este último, o interessado tinha sido funcionário do… Goldman Sachs.
"Governo Sachs"
Este caso é esclarecedor quanto ao poder da rede de influências europeia do Goldman Sachs, sedimentada desde 1985. Esta trama apertada, simultaneamente subterrânea e pública, tem intermediários e fiéis que, graças às suas agendas de contactos, abrem as portas dos gabinetes governamentais. Estes conselheiros, recrutados com extremo cuidado e a preço de ouro, conhecem todas as subtilezas dos corredores do poder no seio da União Europeia. Têm a confiança dos decisores, aos quais podem telefonar directamente nos momentos de crise. Quem são esses membros da vertente europeia do "governo Sachs", como há quem chame àquele banco, devido ao seu poder de influência em Washington? O elo de ligação principal é Peter Sutherland, presidente do Goldman Sachs International, a filial europeia com sede em Londres. Este antigo Comissário Europeu da Concorrência e antigo presidente da BP é o homem fundamental, no que diz respeito aos 27 e à Rússia. Em França, o banco beneficia do apoio de Charles de Croisset, antigo presidente do Crédit Commercial de France (CCF), que sucedeu a Jacques Mayoux, inspector da Inspecção-Geral de Finanças e antigo patrão da Société Générale. No Reino Unido, o Goldman conta com Lorde Griffiths, que foi conselheiro da antiga primeira-ministra Margaret Thatcher, e, na Alemanha, com Otmar Issing, antigo membro da Comissão Executiva do Bundesbank e antigo economista principal do Banco Central Europeu (BCE).
Goldman funciona no mundo real
Para já não falar da série de "antigos colaboradores", catapultados para as esferas dirigentes e com os quais o banco pode contar para mover os seus peões. O mais conhecido é Mario Draghi, que foi vice-presidente para a Europa entre 2001 e 2006 e é actualmente governador do Banco de Itália e patrão do grupo de reguladores, o Conselho de Estabilidade Financeira. Contudo, não esperem encontrar antigos diplomatas refinados nos corredores vetustos do Goldman Sachs International: o banco recorre a ex-financeiros e economistas, altos quadros de bancos centrais e altos funcionários das organizações económicas internacionais. Considera que os embaixadores na reforma são figuras decorativas simpáticas que não têm contactos ao mais alto nível e não percebem nada do mundo dos negócios. O Goldman funciona no mundo real. Para o Goldman Sachs, uma das vantagens desta rede é a possibilidade de avançar sob disfarce. Assim, no Financial Times de 15 de Fevereiro, Omar Issing assina um texto hostil à operação de salvamento da Grécia pela União Europeia. O interessado assina o artigo, sem especificar que é conselheiro internacional do Goldman Sachs desde 2006 – nem que o departamento de negócios do banco, que especulou contra a moeda única, tem tudo a perder com uma intervenção europeia.

Contramaré… 12 jan.

A dívida do Estado português tem hoje a classificação de “especulativa”, que na gíria dos mercados assume a designação menos simpática de ‘lixo’: é atribuída a países ou empresas em que há dúvidas sobre a capacidade de honrarem os compromissos financeiros.
O crescimento económico será um factor determinante nas avaliações, mas não será o único.
Do lado negativo, há a registar a evolução da dívida pública: foi revista em alta no Orçamento do Estado para este ano e deverá ter atingido 127,8% do PIB em 2013. Na avaliação das contas públicas, este indicador é dos que têm mais peso nas análises das agências.