(per)Seguidores

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

As ideias feitas sobre a Dívida de Portugal são falácias!

"É falso que sem aquela ajuda não havia dinheiro para pagar pensões e salários aos funcionários públicos até final do ano" de 2011, sublinhou José Maria Castro Caldas, professor de Economia e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Portugal não tinha dinheiro para "amortizar a dívida pública que vencia nessa altura e a ajuda da 'troika' veio para pagar aos credores, exceto 13 mil milhões de euros" destinados a "recapitalizar a banca" portuguesa, sustentou o economista, num debate promovido pela Auditoria Cidadã à Dívida Pública Portuguesa (IAC).
"Existem ideias feitas sobre a dívida" de Portugal que "não correspondem à realidade", frisou Castro Caldas, considerando que "a maioria das pessoas acredita que os 78 mil milhões de euros da 'troika' eram para pensões e salários".
Discordando de alguns participantes no debate, que defenderam que a dívida pública portuguesa não deve ser paga, Castro Caldas disse que "há uma parte da dívida" que deve ser paga, designadamente, ao Fundo de Segurança Social, aos pequenos aforradores que investiram em Certificados de Aforro e à banca portuguesa.
Uma parte da dívida não deve ser paga, como a que resulta de "contratos ilegítimos" e "a outra parte deve ser renegociada", advogou.
O “resgate” a Portugal, que nós estamos a pagar da forma que se sabe, é o resgate de bancos europeus que emprestaram acima das suas possibilidades.
José Maria Castro Caldas
Não sabemos em detalhe quem detém os títulos da dívida pública portuguesa. No entanto, as estatísticas europeias dão-nos indicações da identidade dos credores por grandes agregados: empresas não-financeiras residentes (empresas sediadas em Portugal), empresas financeiras residentes (bancos, companhias de seguros e fundos financeiros sedeados em Portugal) e resto do mundo.
Infelizmente “resto mundo” é demasiado vago. No entanto, a partir de dados disponíveis na página do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) podemos discriminar a dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF) e Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Se tirarmos do “resto do mundo” as parcelas respeitantes ao FMI, MEEF e FEEF ficamos com um agregado “outros não residentes” que inclui empresas financeiras, não financeiras e famílias estrangeiras.
O gráfico seguinte representa a evolução destas parcelas entre 2002 e 2011 (últimos dados disponíveis).
Podemos constatar nesse gráfico que, de 2002 a 2008, o peso entre os credores do Estado português das empresas, bancos e fundos de investimento estrangeiros foi sempre superior a 50% e se foi acentuando, chegando aos 75%. A partir deste ano – o ano da grande crise financeira – os investidores estrangeiros foram abrindo mão dos títulos portugueses. Em final de 2011 já detinham menos de 50%.
O peso entre os credores do Estado português dos particulares residentes (famílias portuguesas) que era relativamente elevado em 2002 (25%) foi também diminuindo ao longo do período, situando-se em 5% em 2011.
Em contrapartida, aumentou o peso dos bancos, companhias de seguros e fundos de investimento portugueses e, em 2011, surgiram os fundos europeus e o FMI como grandes credores de Portugal.
Em 2011, o FMI e os fundos europeus detinham 19% da dívida e prevê-se que venham a deter 34% em 2012 e mais de 50% em 2014. Em 2012 cerca de 70% da dívida pública portuguesa será detida pelo FMI, os fundos europeus e o sector financeiro português e em 2014 esta percentagem poderá chegar aos 80%.
Significa isto que ao longo da intervenção da troika os credores privados internacionais terão passado de uma situação, em 2008, em que detinham 75% da dívida portuguesa, para uma outra, em 2014, em que deterão apenas 20%. De 2008 a 2014 os credores privados internacionais ter-se-ão livrado dos títulos de dívida pública portuguesa.
Para isso mesmo pode ter servido a intervenção da troika: para limpar os balanços das instituições financeiras estrangeiras (sobretudo europeias) de títulos da dívida portuguesa tornados demasiado arriscados. Para onde transitou o risco? Para os fundos europeus e o FMI, isto é, para os cidadãos dos países da eurozona que estão a garantir as emissões de títulos destes fundos destinados aos empréstimos a Portugal.
Na realidade o “resgate” a Portugal, que nós estamos a pagar da forma que se sabe, é o resgate de bancos europeus que emprestaram acima das suas possibilidades.
A troika veio salvar-nos e o governo alemão tem todo o direito a fazer-nos todas as exigências, já que nos resgataram. É esta a ideia em que se baseia a nossa subserviência. Mas vale a pena olhar para os números e reter o conteúdo do texto acima, do economista José Maria Castro Caldas.
Como muitíssimo bem conclui Castro Caldas, a intervenção externa serviu, antes de tudo, "para limpar os balanços das instituições financeiras estrangeiras (sobretudo europeias) de títulos da dívida portuguesa tornados demasiado arriscados". E esse risco foi transferido para os cidadãos da zona euro, através das instituições financeiras públicas.
Ou seja, o FMI, o BCE e a Comissão Europeia garantiram um resgate aos bancos alemães e franceses (sobretudo estes) que, descapitalizados, precisavam de se ver livres de todos os credores de maior risco. Não salvaram Portugal, assim como não salvaram a Grécia. Salvaram os bancos dos países do centro da Europa. Os europeus pagaram com a assunção do risco. Nós pagámos com a austeridade.
Os bancos dos principais promotores destes "resgastes", que se livraram, através de dinheiros públicos, dos riscos dos seus próprios investimentos, é que se salvaram. Sim, os contribuintes alemães têm de que se queixar. O seu dinheiro tem servido para salvar dos investimentos que fizeram a banca dos seus países. Assim como os nossos sacrifícios.

Ecos da blogosfera – 10 dez.

Indicadores positivos? São os indicadores negativos!

Esta semana gravei um debate com um deputado alemão, do grupo dos Liberais, um deputado grego, dos Socialistas, e um economista e professor belga.
Marisa Matias
O facto em si não tem grande relevância, mas as razões das nossas discórdias são elucidativas. Todos defendiam que a combinação perfeita é a que junta a austeridade e o crescimento. Todos menos eu, escusado será dizer. Todos concordavam também com a linha seguida por Passos Coelho e Vítor Gaspar: “a Grécia é um caso à parte”. E todos pareciam concordar numa verdade evidente: “em Portugal está a correr bem!”.
E quais são, afinal, os indicadores de que está a correr bem?
Para os meus colegas deputados a redução da despesa do Estado era um dado positivo. Positivo?
Redução da despesa em sectores tão fundamentais como a saúde, a educação, a cultura? “Não” – apressaram-se a responder – “a redução da despesa nos gastos supérfluos do Estado”. Pois, lamentamos, mas o que está a ser cortado são serviços públicos essenciais, aqueles que nos fazem acreditar na garantia que um Estado deve dar aos seus cidadãos de serem todos tratados como iguais.
Provando-se falso o argumento da despesa, perguntei: “E que outros indicadores positivos?”. Começou aí o debate.
O economista belga explicou-me que o problema não era tanto de défice e de dívida, mas de balanças comerciais. Disse-lhe que até podia concordar com ele nisso. No entanto, a conclusão por ele retirada foi o retrato perfeito da ilusão que é vendida. Segundo ele, a prova de que as medidas da Troika não são assim tão desprovidas de sentido é que a balança comercial portuguesa está mais competitiva, aumentou as exportações e reduziu as importações, o que dá bons sinais para futuro. Retorqui: “mas tem ideia de como é que aumentaram as exportações? Sabe que uma parte desse aumento se deve à baixa dos custos de produção, salários cada vez mais baixos, se deve a fenómenos como a venda de ouro por parte das famílias portuguesas para conseguirem pagar contas? E que a redução das importações é porque estamos pobres, porque não temos dinheiro para consumir? O que é que isto tem de sustentável a longo prazo?”.
Veio o contra-ataque: esse é um dos bons resultados. A crise está a obrigar a eliminar o consumismo nos países do sul, onde ele foi tão cultivado nos últimos anos. Pedi mais uma vez permissão para discordar. De que consumismo é que se fala? Do consumismo de bens de primeira necessidade? É que às famílias portuguesas é o que está a faltar: bens de primeira necessidade.
Anuíram, mas ninguém se comoveu. Não estava à espera que o fizessem. Não é essa, afinal, a imagem oficial de um país bem comportado que o governo português passa para fora de fronteiras? Um governo que também deve achar bem ter-se acabado com o “consumismo” de medicamentos, colocando doentes a ter de escolher entre os que fazem mais falta e os que podem dispensar. Um governo que aceita que se acabe com o “consumismo” de leite em pó, obrigando os pais a darem leite de vaca a bebés de poucos meses com consequências graves para a saúde. Enfim, o “consumismo” de alimentos, que tem como triste imagem as crianças que vão para a escola com fome. Há mesmo uma grande diferença entre a imagem de um país e o país propriamente dito.

"Se eu vi mais longe, foi porque me pus em pé nos ombros de gigantes." - Isaac Newton

"A Grécia devia reestruturar a dívida uma ou duas vezes. Mas é fácil para mim falar sobre isso, sentado aqui na Suécia." Per Jansson, vice-governador do Riksbank, o banco central sueco e o mais antigo do mundo, sorri. Lá fora, o dia amanheceu cinzento como a economia europeia, mas em vésperas de Natal, a Suécia encontra razões para acreditar num futuro de crescimento.
Mónica Bello
A economia sueca tem resistido melhor do que alguns esperavam à crise europeia das dívidas soberanas. As exportações abrandaram, mas a coroa sueca, que flutua livremente desde 1992, mantém-se em níveis normais, não sendo de prever uma tendência de valorização. O consumo interno, por outro lado, é estável e deverá subir 2,5% em 2013. Os salários dos trabalhadores aumentarão na casa dos 3%, à semelhança do que tem vindo a acontecer nos últimos anos, e a riqueza global das famílias corresponde a 500% do rendimento disponível. Embora o nível de endividamento, cerca de 170% do rendimento disponível, cause apreensão. A riqueza da Suécia também deverá crescer: 0,9% este ano e quase 2% em 2013. Para 2014 e 2015, as previsões são ainda melhores: 2,7% e 2,9%, respetivamente.
Per Jansson, que já foi secretário de Estado para as Políticas Económicas e Internacionais, tem um único pesadelo: "Que as coisas comecem a correr mal na Alemanha. A Alemanha também tem de traçar limites, não pode resolver todos os problemas atirando dinheiro para cima deles, eternamente." Para já, no entanto, o vice-governador segue a linha otimista do Relatório de Política Monetária do banco central sueco. "Eu tenho esperança e ainda acredito", diz, que a crise das dívidas públicas pode ser gerida, levando ao declínio do clima de incerteza que tem vindo a afetar as economias europeias. E que pode ainda vir a desestabilizar a economia da Suécia, onde as exportações representam 50% do PIB e cujos maiores clientes são os países da União Europeia, quase metade deles na zona euro.
A 10 minutos a pé, o ministro das Finanças sueco tem ainda meia hora disponível para explicar a sua política antes de se meter num avião para Bruxelas. Anders Borg, eleito há duas semanas pelo Financial Times como o vice-campeão europeu das Finanças (atrás do homólogo alemão Wolfgang Schäuble), é também o dono do aspeto exterior menos ortodoxo de todos os governantes da Europa. O rabo de cavalo e o brinco na orelha esquerda podiam até indiciar um espírito mais à esquerda, mas seria engano. Em 2006, quando assumiu o cargo das Finanças no governo de centro-direita de Fredrik Reinfeldt, já iam longe os tempos em que o adolescente Borg tinha defendido a descriminalização das drogas num artigo de jornal.
Manter as finanças públicas na ordem é o seu principal objetivo. E é com pragmatismo e férrea convicção que mantém a Suécia no rumo traçado, prevendo-se para 2013 uma dívida pública de 36% e um superavit no Orçamento do Estado. "Durante a crise regressámos com números muito altos de crescimento em 2010 e 2011. Na verdade ultrapassámos os valores do PIB registados antes da crise", explica. E a capacidade de resistência da economia sueca tem, pelo menos, duas razões fundamentais, segundo Borg: "Fomos capazes de fazer uma grande série de reformas estruturais que nos permitiram aumentar a nossa competitividade, sobretudo referente ao sector interno de serviços." As exportações sofreram uma quebra, mas recuperaram rapidamente. "Temos muitos bens industriais e indústria de alta tecnologia, por isso tendemos a ser mais cíclicos, mas também temos uma tendência para recuperar mais fortemente do que muitos outros países", explica. Quando outros pediam estímulos à economia em forma de crédito, Anders Borg preferiu continuar a aplicar reformas ao Estado social, aliviar a carga de impostos sobre as empresas (uma redução de 15% em 2013) e manter o esforço de investimento em investigação e desenvolvimento e infraestruturas. As reformas, aliás, já não são novidade para os suecos. Têm vindo a ser introduzidas desde o início da década de 90 pelos sucessivos governos, altura em que uma bolha imobiliária e financeira na Suécia abalou os bancos nacionais e em 6 meses atirou o país do equilíbrio orçamental para um défice de 13% e uma crise de que só recuperou na viragem para o século XXI. De um dos países mais ricos do mundo nos anos 70, a Suécia deu um trambolhão para o 15.º lugar - onde aliás se mantém quando se comparam PIB per capita.
20 anos de reformas (que continuam a ser implementadas) - e muita desregulação - depois, o atual ministro das Finanças não tem dúvidas: "Quando a perceção no país é de que todos estão no mesmo barco, é mais fácil levar a cabo reformas estruturais e tomar decisões políticas difíceis." Na Suécia, um dos países com diferenças de rendimento mais baixas na União Europeia e na OCDE, a coesão social não é só um conceito. Com menos subsídios, o chamado "modelo sueco" do Estado social já não é o mesmo, mas mantém altos os níveis de proteção social - das creches ao desemprego, aos cuidados de terceira idade. O pagamento de pensões, por exemplo, obedece agora ao princípio "o que entra é o que sai" e os valores são ajustados anualmente. Altos mantêm-se igualmente os impostos sobre o rendimento - 50% do salário da maioria dos suecos entra nos cofres públicos: 20% para o Estado central e cerca de 30% para os municípios e regiões, que têm a seu cargo, entre outros serviços, a gestão da saúde e educação gratuitas.
"De uma maneira geral estamos fortes e é provável que, quando fizermos o Orçamento do Estado para 2014, possamos adotar medidas adicionais para tentar pôr um pouco de mais energia na economia", promete o ministro das Finanças sueco.
Nem tudo são rosas, obviamente. Stefan Fölster, economista-chefe da Confederação Empresarial Sueca, gostaria de ver cortes maiores nos impostos e mais flexibilização na lei laboral. Não são poucas as empresas que já trocaram a Suécia por ambientes fiscais mais simpáticos, como o Skype, por exemplo, que preferiu instalar-se na Estónia. O princípio que obriga a respeitar a antiguidade dos trabalhadores na empresa quando é preciso dispensar força de trabalho, queixam-se os empresários, não deixa que a competência possa ser o principal critério de avaliação. Fölster acredita que esta medida poderia ajudar a baixar o elevado desemprego jovem, 20% dos cerca de 700.000 suecos desempregados. Argumento que não convence o sindicalista e economista Ola Pettersson, da Confederação dos Sindicatos Sueca: "Os mais novos resistem melhor a períodos de transição entre empregos."
Portugal está a milhas da Suécia em inúmeros indicadores e as receitas suecas de crescimento económico, redistribuição de riqueza e bem-estar social não servirão certamente a todos. Isaac Newton, o físico, matemático, astrónomo e filósofo britânico do século XVII, disse: "Se eu vi mais longe, foi porque me pus em pé nos ombros de gigantes." A frase, inscrita numa das paredes da cafetaria do museu dedicado a Alfred Nobel, no centro histórico de Estocolmo, pode ser inspiradora.
*A jornalista viajou a convite da Embaixada da Suécia

Contramaré… 10 dez.

A medida de Monti é um problema para Berlusconi, que parecia novamente ter aproveitado uma oportunidade para manter o seu partido no jogo político, menos de um ano depois de ser obrigado a renunciar no meio de um escândalo sexual e da crise da dívida. O anúncio de Monti aumenta a especulação de que possa candidatar-se à eleição, embora ainda não tenha feito nenhum anúncio.

Os italianos votarão no meio de uma grave crise económica, com uma recessão que começou em meados do ano passado e não mostra sinais de melhoria, além de uma grande dívida pública e o desemprego a 11,1%, um recorde histórico.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A Comissão Europeia concorre à privatização da TAP?

Os jovens sem emprego em Portugal e noutros países europeus não devem desesperar. Se falta trabalho no seu país, há que apostar na formação e fazer as malas. "Muitos países dentro da União Europeia (UE) vão recuperar mais depressa e a oferta de emprego vai aumentar, sendo preciso ajudar os desempregados a emigrar", afirma László Andor, comissário europeu do Emprego.
Mais de 175.000 jovens (15-24 anos) a residir em Portugal estão sem trabalho. Segundo do IEFP, até setembro, o número de desempregados com inscrição anulada por emigração subiu para 24.689, bem acima dos 16.977 observados em 2012 e dos 10.962 em 2008 (início da crise). A taxa de desemprego nesta faixa etária está em 38%, valor que na UE só é superado pelos mais de 55% em Espanha e Grécia. O panorama europeu no seu conjunto é igualmente desanimador. Cerca de 5.500.000 de jovens no mercado de trabalho não conseguem encontrar emprego e há 7.500.000 com idades entre os 15 e os 24 anos que não trabalham nem seguem qualquer programa de estudos ou formação.
O custo económico da sua não integração no mercado de trabalho foi estimado pela Eurofound em mais de 150.000 milhões de euros por ano, ou seja, 1,2% do PIB da UE.
László Andor aponta o caminho: a emigração para países da UE onde há oferta de trabalho. O sistema alemão de ensino dual, que o governo português quer agora importar, será a solução? "O mérito do sistema alemão de formação dual reside no facto de juntar formação com aprendizagem de um ofício ligado a empresas. Mas sublinho que precisamos de um ensino triplo: formação vocacional, experiência profissional e competências linguísticas, precisamente para facilitar a mobilidade entre países", sublinha o comissário europeu.
A Comissão Europeia formulou uma recomendação aos Estados membros sobre a introdução da Garantia da Juventude, a fim de assegurar que todos os jovens até aos 25 anos recebam uma oferta de qualidade de um emprego, continuação dos estudos, contratos de aprendizagem ou de estágio profissional, no prazo de 4 meses após terem terminado o ensino convencional ou de terem ficado desempregados. "Esta medida tem um certo custo financeiro, mas este será sempre mais baixo do que o custo do desemprego destes jovens", afirma o comissário europeu.
O aumento do desemprego e das carências económicas são fatores que estão a pressionar o orçamento da Segurança Social. O problema torna-se particularmente agudo quando ocorre numa economia em ajustamento, como é o caso de Portugal. A reforma do Estado social já entrou na agenda, mas a Comissão Europeia poderá ter uma solução para vigorar dentro de 4 ou 5 anos. Os subsídios de desemprego poderão vir a ser financiados por fundos comunitários. Ou seja, os estabilizadores automáticos, caso do subsídio de desemprego, terão um enquadramento europeu e não exclusivamente nacional.
Andor garante que Bruxelas tem seguido a situação social nos países mais afetados pela crise e considera que o atual estádio da crise é muito diferente do inicial. No início da crise, os sistemas de proteção social na maioria dos Estados membros revelou-se particularmente forte, ajudando as famílias a manter um certo nível de rendimentos. Nos 2 últimos anos, esta proteção foi-se tornando muito mais fraca. "Para ajudar os países com problemas nos seus sistemas de proteção social, nomeadamente quanto aos subsídios de desemprego, é importante ver o que pode ser feito a nível comunitário"
Para começo de conversa, não deixa de ser estapafúrdio, que o comissário europeu do Emprego, venha falar de EMIGRAÇÂO, o que não deve ser a missão da pasta que coordena… Mas enfim, começa-se a perceber por que o “nosso” Primeiro, sempre ecoado pelo DOTOR “Vai estudar!”, tenham batido nesta tecla, antes de todos, segu(i)ndo um presumível manual da CE…
Mas o que mais nos pode confundir, é vir este Sr. traduzir (finalmente!) o significado de MOBILIDADE, que emerge das suas palavras, que significa, exatamente girar, mais quilómetro, mais milha...
Como na UE há 13.000.000 de jovens desempregados, 175.000 dos quais em Portugal, como é que emigrando se consegue um local de trabalho, onde a falta de emprego para os naturais e residentes nesses países é igual ou maior à dos países dos emigrados? Se há lugares a serem preenchidos por naturais e residentes, por que serão escolhidos os de fora? Traduzindo, vão os portugueses emigrar para Espanha e os espanhóis imigrar para Portugal?
Ou o que se quer dizer é que os jovens desempregados da UE/Eurozona devem emigrar para os países emergentes, que emergiram sem trabalhadores qualificados (contrariando o paradigma), sem terem investido nessa formação (para quê?) e beneficiando (explorando) agora dos gastos na Educação feitos pelos países “ricos”?
Ou será para aumentar a produção nos países emergentes para aumentar as trocas comerciais de que os únicos beneficiados serão os países ricos da UE/Eurozona?
Ou será uma forma de colmatar a baixa de natalidade dos países ricos da UE/Eurozona, com jovens mais preparados e da mesma “classe” social e razoáveis índices comportamentais, dispensando assim os bárbaros?
Isto faz-me lembrar o tempo em que os magalas do norte eram enviados para o sul e vice-versa, estratégia que foi retificada, o mesmo tendo acontecido com a colocação dos professores, que também foi retificada, mas que volta a entrar em vigor… Dizem os espertos, que a felicidade é diretamente proporcional à distância em quilómetros a que se trabalha da família (mas só a deles)… Não é fácil de entender, mas estes inteligentes entendem e nós entendêmo-los!
Manhosamente, vem o comissário europeu do EMPREGO, falar nos custos do desemprego jovem, em planos de apoio social, que deverão passar da responsabilidade da Segurança Social de cada país para programas e fundos da UE/Eurozona, o que se concretizaria a curto prazo numa rasteira para acabar com tais direitos de uma vez e generalizadamente, uma solução genuinamente neoliberal!
Tão meigos e generosos estes comissários que coadjuvam o nosso Zé Manel…
Pelos vistos, falta criar o lugar de Comissário Europeu para a Emigração, com agências de viagens e uma companhia aérea, da CE (podia ser a TAP), para facilitar a ajuda aos desempregados...
Resumindo, também a Comissão Europeia quer estender o assistencialismo a toda a UE/Eurozona, como estratégia de isolar as pessoas, diminuir as resistências, aumentar a precariedade e reduzir salários…
O mal, quando vem para uns, deve ser para todos…

Ecos da blogosfera – 9 dez.

Que se lixem as consequências do “sucesso”!

O número de adultos que regressam a casa dos pais devido ao desemprego está a aumentar, afirmam sociólogos, que alertam para os consequentes sentimentos de frustração e o perigo de aumento da violência doméstica.
"O desespero já atinge muitas famílias também da classe média", disse o sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais, Elísio Estanque, referindo que, em certos casos, isso poderá "estimular a união e a solidariedade" mas noutros, levará a um aumento da violência doméstica e mesmo dos suicídios.
"As implicações psicológicas podem traduzir-se em aumento da violência doméstica, das doenças em geral e das depressões e problemas do foro psiquiátrico em particular. Aumentará seguramente também o suicídio e a criminalidade", disse.
Ainda assim, o apoio das famílias a quem está em dificuldades económicas é, para o sociólogo, essencial para "amortecer" a situação de desespero.
"O agravamento da austeridade no nosso país só não atingiu ainda situações mais dramáticas, com mais casos de desespero ou de violência porque as redes familiares se têm assumido como a força amortecedora no que respeita à situação desprotegida e de pobreza repentina em que muitos casais jovens (e menos jovens) estão a ser colocados", defendeu o também professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
"Acredito que esteja a verificar-se um movimento em cascata em que a perda do emprego (de um ou dois membros do agregado) vai incidir rapidamente sobre os restantes", considerou Elísio Estanque, alertando que "quando os subsídios chegam ao fim, as pessoas entram em desespero e a família perde o equilíbrio".
Para o sociólogo João Teixeira Lopes, a situação pode "tornar-se explosiva".
Embora lembrando que em Portugal a família-providência é uma tradição, João Teixeira Lopes afirmou que isso "está a esgotar-se" porque os recursos são cada vez mais escassos. "O que acontece é que essa economia de reciprocidade está a ficar cada vez mais enfraquecida com a crise e, apesar de a solidariedade ser ainda um valor muito forte, está a atingir os seus limites. E ao atingir os seus limites vamos assistir a situações de rotura familiar", referiu.
O cenário já se começa a notar sobretudo nos bairros sociais, adiantou João Teixeira Lopes, professor de sociologia da Faculdade de Letras do Porto, que considerou que o problema terá ainda um efeito naqueles que hoje ainda são crianças. "O regresso a casas que são pequenas, que estão deterioradas, onde os pais julgavam que teriam um final de vida mais descansado, mas que, de repente, veem regressar os filhos com os netos e a casa ficar outra vez cheia, sem condições nenhumas, e em que as suas reformas - que antigamente davam para ir ao café ou fazer uma pequena viagem - ficam completamente concentradas nas ajudas aos filhos e aos netos, provoca, obviamente, conflitos", disse.
"A longo prazo, isso vai ter um efeito negativo nas crianças, que não vão ter um espaço para si, para estudar com calma e sem ruído e isso terá um efeito muito pernicioso no sucesso escolar e pode também gerar comportamentos violentos", alertou.
Carlos Silva, professor de sociologia no Instituto de Ciências Sociais do Minho, acrescenta ainda outros efeitos provocados por este regresso forçado a casa dos pais. "Além da sobrecarga dos pais e de outros familiares", a situação leva a "sentimentos de anomia [ausência de leis ou de organização], a frustrações face às expectativas criadas e a uma diminuição da autoestima", disse.
Mas o que é que isto tem a ver com uma correta execução orçamental, com o anunciado equilíbrio económico e com as excelentes avaliações da troika ao plano da troika? Indicadores desprezíveis…
Melhores resultados seriam impossíveis, se os objetivos não fossem exatamente estes…
O 3º setor está a entrar em funções à força, como o vetor que alivia os Estados e as empresas das suas responsabilidades sociais…
É isto a grande reestruturação!

Mas a robotização é causa/prenúncio de desemprego!

Na região de Bolonha não há crise. Nesta região dedicada à embalagem, as encomendas não param e as exportações aumentam. Tudo isto graças a um tecido industrial muito forte e muito solidário, segundo os empresários locais.
De um lado da cadeia: uma centena de cápsulas sem qualquer inscrição. Do outro: uma palete de caixas perfeitamente alinhadas e etiquetadas. Entre as duas, uma dezena de robôs de aço com braços articulados que colocam minuciosamente os medicamentos nas suas respetivas embalagens. Os operários sorriem: os testes são conclusivos. As máquinas sobre as quais transpiraram durante vários meses serão, em breve, entregues ao cliente indiano.
Nesta fábrica quase nova do grupo italiano Marchesini, nos arredores sul de Bolonha, os 700 funcionários inventam máquinas que embalarão os medicamentos da Novartis, da GSK ou da Sandoz. A 300 quilómetros a norte de Roma, na região da Emília-Romana, a indústria trabalha em força. Aqui são concebidos autómatos de mais de uma tonelada que serão enviados para o Brasil, para a China, para a África do Sul… “Estamos muito virados para os mercados emergentes”, admite Guido Rossi, responsável pela comunicação da Marchesini.
Bem-vindo a “Packaging Valley”
No coração de uma Europa atolada em medidas de austeridade que minam as suas capacidades de produção, o sucesso industrial da Emília-Romana não se explica unicamente pelas suas exportações direcionadas. “A força da indústria local está, também, nos milhares de pequenas empresas da região que tecem uma teia à nossa volta”, defende Massimo Marchesini, fundador, em 1974, do grupo homónimo. O empresário defende que essa estrutura de pequenas e médias empresas, muito ligadas umas às outras, permite afastar os efeitos de uma crise económica global.
Desde que – há pouco mais de um ano – Mario Monti e a sua equipa de tecnocratas tomaram conta de Itália, “as perspetivas da Itália melhoraram a longo prazo”, dizem as previsões económicas da OCDE publicadas na semana passada. O desemprego estagnou, as taxas de juro da dívida pública são as mais baixas desde 2010 e, segundo os analistas do banco Intesa Sanpaolo, a produção industrial conhece uma “estabilização global […] no 3º trimestre, que interrompe a tendência de baixa verificada durante todo o ano”.
Enquanto na Europa se multiplicam os anúncios de encerramento de unidades industriais (Peugeot, Petroplus, Alcoa, ArcelorMittal…), a fabricação de maquinaria de embalagem está em alta na Emília-Romana. A concentração de empresas ativas neste domínio é tal que uma grande área em volta de Bolonha foi rebatizada como “Packaging Valley”. Segundo um estudo dos bancos locais Carisbo e Banca Monteparma, no 1º semestre de 2012 este setor cresceu 9% em comparação com 2008. Entre 2000 e 2011, as exportações para os BRICS cresceram 260,4%.
2012 vai bater todos os recordes
Antigamente, a energia industrial da região era gasta na produção de seda. Atualmente, dedica-se a fazer caixas para café, cigarros, maquilhagem, massas… E chá. Nos arredores da capital do molho bolonhesa, a fábrica do grupo IMA lança aos quatro ventos os odores das ervas selvagens. Caminhando sobre os cadáveres dos sacos de chá meio atados, Daniele Vacchi, diretor de comunicação do líder mundial de fabricantes de máquinas para embalar infusões, afirma que “2011 foi o melhor dos últimos 50 anos. E 2012 vai bater todos os recordes. Desde há 2 anos que temos muito trabalho…”. Por isso, o número de empregados aumenta constantemente: de 3.129 em 2010 passou para os atuais 3.524.
“A expressão ‘Packaging Valley’ é uma maneira rápida de pormenorizar uma coisa mais complexa”, explica Daniele Vacchi num francês quase perfeito. Também ele pensa que a “arma secreta” da região está nas relações entre centenas de minúsculas empresas. “Quando a crise chegou, todos nós cerrámos fileiras, confiamos uns nos outros e partilhamos um tecido de relações informais que não se inscrevem nos contratos”, diz ele enquanto amachuca um saquinho de chá. “A economia é impulsionada por esta região que tem uma cultura industrial histórica. A economia de Itália está estrangulada, mas a Emília-Romana está em alta.”
A alternativa do modelo industrial italiano
Enquanto em França o relatório de Louis Gallois relançou recentemente o debate sobre a indústria francesa e a economia alemã continua a ser um modelo para a Europa, a alternativa apresentada pelo modelo industrial italiano é muitas vezes deixada de lado. Aqui, os salários são mais baixos do que na Alemanha, mas os encargos sociais empurram os custos do trabalho para um nível semelhante. Contactados, os sindicatos locais dizem que, evidentemente, também eles temem a crise e a ameaça de uma precarização do estatuto dos operários (especialmente, através do aumento do número de contratos a prazo). No entanto, reconhecem que o setor das embalagens, ao contrário de todos os outros, “não conhece essas dificuldades”.
A boa forma da indústria da Emília-Romana lembra que a Itália ainda tem recursos. É, pelo menos, esta a mensagem que quer fazer passar uma grande instituição bancária nas estações de Bolonha, Parma ou Milão: “L’Italia merita ancora credito” [A Itália ainda merece ter crédito].

Contramaré… 9 dez.

De acordo com números da FAO (organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), citadas pela Associação Portuguesa de Direito do Consumo, todos os anos são desperdiçadas 1.300 milhões de toneladas de comida, 33% de toda a alimentação produzida anualmente. Só nos países desenvolvidos são enviados 222.000.000 de toneladas de alimentos em bom estado para o lixo, quase o equivalente a toda a comida produzida na África subsariana, por ano.