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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ecos da blogosfera - 7 ago.

IMPÉRIO ou democracia de fachada? E PARA QUÊ?

Dividida em potentados locais sobre os quais não tem poderes suficientes, levada pouco a sério no resto do mundo, a UE faz lembrar o Japão de 1860, antes da sua modernização, garante um jornalista sueco. Mas erigir-se em verdadeira potência política pode revelar-se contraproducente.
Shogun Tokugawa
Nos anos 1860, entre os cronistas encartados do New York Tribune incluía-se um certo Karl Marx. Este escreveu que o Japão era "o último país verdadeiramente feudal, com toda a irracionalidade e a repartição [de poderes] próprias". Hoje, a União Europeia faz lembrar esse Japão de outrora, com Angela Merkel no papel do shogun.
Na época, o Japão era um mosaico de províncias feudais dirigidas por senhores locais, os daimyos, subordinados ao comandante supremo das forças armadas, o shogun. A administração do shogunato chamava-se bakufu. Havia um imperador na cidade de Quioto, mas os seus poderes eram ainda mais limitados do que os do atual presidente da UE, Herman Van Rompuy.
Os daimyos governavam os seus domínios como bem lhes apetecia, tinham moeda própria, sistema tributário próprio e exército próprio. Ignoravam frequentemente os decretos do bakufu (Bruxelas) e, quando o bakufu enviava inspetores, os daimyos (os gregos) enganavam-nos. A província de Satsuma chegou mesmo a montar aldeias fictícias, pondo os seus samurais a desempenhar o papel de camponeses. A elite japonesa passava muito tempo em Edo (Tóquio/Bruxelas), onde todo o produto das suas receitas fiscais era tragado pelas despesas de representação. Karl Marx traduzia assim o desdém da época pelo Japão: um país atrasado, cuja organização política era demasiado fragmentada para lhe permitir resolver os seus problemas.
A frustração da impotência
Mas, alguns anos mais tarde, o Japão passou a ser um dos países mais centralizados do mundo. Os japoneses esmagaram os russos – um feito não realizável por qualquer um – durante a guerra de 1905 e criaram empresas como a Mitsubishi. Que aconteceu? A resposta a uma crise, que assumiu a forma de uma globalização. O comodoro norte-americano Perry e as suas canhoneiras obrigaram o Japão a abrir-se ao comércio com o Ocidente [em 1854].
Hoje, é a Europa que está em crise. Os países do Sul não souberam adaptar as suas economias a um mundo no qual é preciso ter em conta a China industrializada. E encontram-se prisioneiros de uma moeda que lhes permitiu contrair empréstimos baratos mas que também fez aumentar o custo das suas mercadorias. A única coisa que parece ter hipóteses de salvar o euro é uma união política. Os think-tanks e os burocratas de Bruxelas sentem uma frustração semelhante à do Japão de outrora, que ninguém levava a sério. A frustração da impotência.
A situação requer uma versão europeia da restauração de Meiji: centralizar as atribuições e retirar aos Estados-Membros os poderes de decisão em matéria económica. Um cenário possível seria um reforço considerável dos poderes oficiais de Bruxelas (o imperador), enquanto um grupo de tecnocratas e políticos mexiam os cordelinhos nos bastidores. Uma democracia de fachada.
Um fator de paz? 
Bruxelas deveria em seguida disciplinar as províncias que ainda têm à volta do pescoço um nó corrediço do euro. A UE vende o projeto europeu como um projeto pacificador, desenvolvendo –erradamente – uma fixação no último cataclismo, até ao presente, no nosso caso a II Guerra Mundial. Acontece que alguns outros conflitos nasceram de movimentos de protesto locais contra decretos do poder central. É o caso da Guerra dos Trinta Anos [1618-1648].
A elite japonesa era animada por um sentimento nacional e tinha a mesma casa imperial há mais de 1.000 anos. Mas, apesar disso, foi preciso uma guerra civil, uma guerra e a introdução de um sistema escolar nacionalista, para o povo japonês se tornar verdadeiramente japonês (essa era terminou com o bombardeamento de Hiroshima). Entre nós, é preciso recuar até ao Império Romano para encontrarmos uma Europa unida.
Em resumo: a crise do euro impõe um Estado europeu, mas este tem poucas hipóteses de sobreviver. E também não será necessariamente um fator de paz. Antes pelo contrário.

Contramaré… 7 ago.

‘Eurover’ deve ser evitado a qualquer custo 
Enquanto continua a discussão sobre a eventual necessidade de a Grécia sair da Zona do Euro, os mercados de bónus ficam em pânico só de pensar sobre a Espanha. O destino da moeda comum da Europa poderia, muito em breve, estar dependurado novamente numa corda esticada. Após o ‘Grexit’ e o ‘Spanic’, já é tempo de pensar sobre Eurover.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

“Milagre” grego, bluff, ou a velha “banha da cobra”?

Atenas não consegue honrar os títulos de dívida que vencem a 20 de Agosto, num total de 3,8 mil milhões de euros.
Jornais alemães voltam a prever um futuro ainda mais negro para a Grécia. Agora, o "Der Spiegel" cita "fontes diplomáticas" para afirmar que o FMI está cansado de emprestar dinheiro aos gregos.
A confirmar-se a notícia do Der Spiegel sobre o fim da participação do FMI nas ajudas financeiras, a única solução para a Grécia será, no entanto, abrir falência em setembro e regressar à antiga moeda, a dracma, ensaio sem precedentes na zona euro que deverá abalar profundamente a economia helénica, e afetar também os parceiros europeus.
A um dia de a missão da troika voltar a avaliar a implementação do plano de ajustamento em Atenas, o FMI reitera que está envolvido no programa de assistência à Grécia, mas não desmente que pondera deixar de emprestar dinheiro ao país.
No dia em que os representantes da troika iniciam em Atenas uma nova avaliação do plano acordado para o país receber financiamento da UE e do FMI, o primeiro-ministro grego admitiu que a recessão pode ser superior a 7% este ano. E respondeu com críticas aos “responsáveis estrangeiros” que dizem que a “Grécia não vai atingir os seus objetivos”.
O Governo grego apresentou aos responsáveis da troika presentes em Atenas um novo plano de cortes orçamentais, numa tentativa de convencer os seus credores a concederem novos empréstimos ao país.
O BCE evitou provisoriamente a falência da Grécia garantindo que o banco central do país avançasse com empréstimos suplementares, escreve hoje o diário alemão Die Welt.
O governo grego deverá obter, assim, cerca de 4.000 milhões de euros em fundos suplementares, enquanto espera que a troika decida sobre a entrega em Setembro de uma nova parcela da ajuda financeira ao país, no montante de 31.300 milhões de euros.
As negociações orçamentais entre o Governo grego e a ‘troika’, necessárias para a aprovação de mais uma ‘tranche’ de 31.500 milhões de euros em empréstimos à Grécia, tiveram um “bom progresso” segundo o responsável do FMI para a Grécia, Poul Thomsen.
A economia grega vai sofrer em 2012 o 5º ano consecutivo de recessão, apesar de 2 resgates europeus, o Estado grego continua perto de uma situação de bancarrota.
As metas do programa de saneamento das contas públicas não têm sido cumpridas pelo país.
As autoridades internacionais e o governo grego chegaram a um acordo de princípio sobre o pacote de medidas que vai permitir à Grécia cortar 11,5 mil milhões de euros e garantir a continuação da ajuda europeia. As conversas para fechar o acordo serão retomadas no início de Setembro.
Segundo um membro do Ministério das Finanças grego, o pacote de medidas terá de ser finalizado no início de Setembro, antes da reunião dos ministros das finanças da zona euro. 
Depois dos resultados das últimas eleições, tudo continuou na mesma, sempre a piorar, razão para os novos dirigentes pedirem uns cobres, como prova de solidariedade e reconhecimento por o vencedor ter arredado os esquerdistas radicais.
Uma vez afastados os “anarcas” do poder, que não queriam aceitar os planos de “sucesso” da troika, toca a voltar às ameaças e bluff (sempre propaladas pela imprensa alemã), vindas do FMI, desenhando para a Grécia um futuro com a dracma, como se quem perdesse mais não fosse o euro e não só. Mas o bluff tem sempre algum efeito…
E preparando o terreno para a visita da troika e abrir um pouco o jogo, veio logo o FMI dizer que não era para cortar a ajuda ao país, quanto mais não fosse para Lagarde dizer à sua antiga chefe, que quem manda agora no FMI é ela e não recebe recados dos alemães…
Meio acagaçado, como ficou quando ganhou as eleições e adoeceu no dia da posse, o PM até admitiu que mesmo que a recessão atinja os 7% este ano, quem diz que não vão atingir os objetivos é burro… O pânico torna as pessoas irracionais, mas era mesmo isso que as ameaças pretendiam e conseguiram, só falta saber se o povo pensa o mesmo…
E tentando “enganar” os funcionários da troika, o novo PM, como os anteriores prometeu mais cortes e austeridade (já foi contra este remédio, mas…) só para conseguir mais um empréstimo, que aumentará a dívida e dificultará cada vez mais saldá-la… Os troikianos fazem de conta que acreditam…
Mas à cautela, o BCE emprestou algum para as férias da época alta, adiando para setembro a decisão “definitiva” da sentença…
O crânio dinamarquês, Thomsen, que não chegou a PM no seu país e até viu o seu partido ser afastado do poder (por incompetência), mas sabe como se governa a Grécia segundo os manuais do FMI e dentro da hipocrisia e incompetência já demonstrada nas avaliações dos países em que interveio, veio dizer que afinal as negociações obtiveram sucesso (para a troika), mesmo sabendo, ele e nós, que este é o 5º ano de recessão crescente no país e que as metas não tem sido cumpridas, fruto dos programas da sua autoria e responsabilidade…
E querem convencer o mundo, que se a Grécia continuar pelos caminhos da austeridade e com mais austeridade vão de bem a melhor, quando a realidade mostra que o precipício é o destino…
Mas até setembro, a troika sabe que pode ainda sacar algum do que “empresta” e continuará a emprestar, sempre a fazer bluff e dizendo que agora já se vê algum sucesso(?) com apenas meses de inércia…
Como nas avaliações que nos faz, a troika diz sempre que tudo corre pelo melhor (para eles) porque para os países e sobretudo para os cidadãos corre de mal a pior. Quanto pior, melhor!
Até quando terão estes “ninguéns” a lata e a “coragem” de gozarem com milhões de pessoas? PESSOAS que formam sociedades e nações soberanas e cujos dirigentes eleitos se ajoelham perante estes mercenários, sem ética, sem moral e sem sensibilidade social, curandeiros de 5ª categoria…
 É o milagre da multiplicação do pão e do peixe, mas feito por deuses menores…

Ecos da blogosfera - 6 ago.

Chavela Vargas, porque não morreu…


De morte natural nunca ninguém morreu.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi.
Chavela Vargas La Llorona


A Morte, o Espaço, a Eternidade - Jorge de Sena

De morte natural nunca ninguém morreu.

Em vez de um “Super Mário”, MAIS UM “Zé Manel”!

O BCE vai provavelmente intervir, mas os Estados têm primeiro de pedir ajuda. A mensagem enunciada pelo presidente do Banco Central Europeu provoca reações acaloradas na imprensa europeia, que se questiona sobre o poder real de Draghi.
“Draghi verga-se” à vontade alemã, protesta o ABC. O presidente do Banco Central Europeu condicionou qualquer intervenção do BCE nos mercados financeiros da dívida a um pedido de ajuda de Espanha e Itália ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. E em consonância com a vontade do governo e do banco central alemão, esse apoio deve incluir uma política de rigor sob supervisão europeia. Para o diário conservador, Mario Draghi é "o reflexo de uma UE impotente".
O jogo de cartas que o BCE parece estar a fazer, sob a orientação de parceiros comunitários do Norte da Europa, é completamente inaceitável, num momento crítico como o atual. […] Para que o euro seja realmente “irreversível”, deve apoiar-se em instituições sólidas e credíveis, com uma direção clara e inequívoca, qualidades que o BCE não tem demonstrado durante a presente crise.
Por sua vez, o diário El País acha que "o BCE está a empurrar a Espanha para outro pedido de apoio". O jornal de centro-esquerda considera que Mario Draghi tem agora "todos os poderes":
Draghi utilizou a expectativa gerada [pelas suas declarações da semana passada] para operar por controlo remoto todos os movimentos importantes da política europeia nas próximas semanas.
Um: a Espanha é obrigada a completar todas as reformas impostas pela Europa e a solicitar um humilhante segundo apoio [depois do dos bancos espanhóis].
Dois: a Itália beneficiará, indiretamente, do auxílio espanhol, mas é mesmo muito provável que também se veja a recorrer a ele, antes que a situação política no país se esclareça.
Três: os parceiros europeus devem pôr os seus vistos nesses dois salva-vidas, sem novas condições excessivamente onerosas em termos políticos.
E quatro: se tudo correr como se espera, a Alemanha e o Bundesbank devem deixar-se de ultraortodoxia e libertar as mãos do BCE. Finalmente, o poder total para Draghi, uma espécie de novo Richelieu da política continental. [...] A jogada só tem um problema: continua a basear-se na fantasiosa falácia de que o Sul deve continuar a cortar gastos para a confiança voltar.
Em Itália, o Corriere della Sera constata que a "terapia de Draghi dececiona os mercados". Mas, para o diário, "esta manobra mal compreendida será, contudo, útil" e os mercados não têm razão:
Draghi deu tudo o que podia, salvaguardando a autonomia do BCE, tendo em conta as limitações políticas e institucionais da Europa, hoje. [...] Em primeiro lugar, sem se comprometer com ações específicas, o presidente do BCE não fecha a porta a futuras intervenções. Por outro lado, recorda aos políticos uma verdade crucial: a possibilidade e um pedido de apoio financeiro, com as suas consequências agradáveis e desagradáveis, não são imputáveis ao BCE, mas aos governos e seus eleitores.
“Draghi prudente, os mercados caem”, resume La Stampa. Mas o diário de Turim considera que não é por culpa do presidente do BCE:
Há um grande desfasamento entre a impaciência dos mercados e o tempo requerido pelas decisões políticas e económicas: os mercados deviam ser menos nervosos e os políticos mais expeditos. Mas a tentativa, muitas vezes sugerida ou esperada, de abafar simultaneamente a propagação dos “spreads” [a diferença entre as taxas de juro sobre as dívidas italiana e espanhola e a dívida alemã] e os complicados problemas da Zona Euro por meio da bazuca do BCE, teria garantido o regozijo por alguns dias, talvez semanas, seguido de sérios desapontamentos mais tarde. Até porque, se o BCE negligenciasse os papéis dos outros organismos comunitários, isso diminuiria a credibilidade deles, sem beneficiar a sua.
Do lado alemão, o Handelsblatt teme que o presidente do BCE não tenha "mão nos mercados" e seja levado a intervir para comprar a dívida, enquanto o Financial Times Deutschland aprova um "compromisso muito claro".
O Süddeutsche Zeitung saúda a dupla estratégia de Draghi, "que age como o presidente do euro de que a união monetária ainda não dispõe", abandonando o papel de simples "guardião da inflação" para se tornar um "ator audacioso", à imagem de Alan Greenspan, o ex-chefe da Reserva Federal dos EUA.
O grande desafio está em explicar aos cidadãos do Sul da Europa que só os vai ajudar se reformarem radicalmente as suas economias. Na quinta-feira, escolheu a estratégia inteligente das contrapartidas. Falou de compras de títulos, mas apenas se os governos preencherem as condições. Ou seja: o dinheiro não é de graça, o que seria fatal para o contribuinte alemão.
O ceticismo é partilhado pelo De Volkskrant. O jornal holandês considera que Draghi tem "prejudicado a sua credibilidade", porque não correspondeu às expectativas criadas pelo seu discurso anterior. Mas entende a sua posição:
Ele não dispõe de meios efetivos para resolver a crise da Zona Euro. Mesmo com todos os tipos de paliativos, como a compra de títulos ou a transferência de dinheiro barato para os bancos, apenas pode lutar contra os sintomas da crise [...] Em última instância, são os políticos europeus que têm a chave do problema. A crise não pode ser resolvida enquanto os países fortes não estiverem dispostos a servir de fiadores integrais dos países problemáticos, desde que estes estejam dispostos a renunciar à sua soberania.
Em Viena, Die Presse observa que "o BCE está paralisado pelas lutas de poder em matéria de auxílio financeiro". Para o diário de centro-direita, quem perde é Berlim, que desenvolve uma "luta quase desesperada para impor ‘a união da estabilidade’'". Pensando na decisão que o Tribunal Constitucional alemão deve tomar em 12 de setembro [sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade, MES] e nos 59% de alemães que aprovam a política de Angela Merkel para a crise, o Bundesbank e a chanceler mantêm-se firmes no seu "não" à aquisição maciça de obrigações dos Estados e à atribuição de liberdade bancária ao MES.
Mas a Alemanha está cada vez mais isolada. [Para além do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, e do, aliás muito germanófilo, finlandês Jyrki Katainen], o novo Presidente francês e os primeiros-ministros de Itália e Espanha estão atualmente a criar um novo eixo para a construção de um polo de oposição à política de austeridade prescrita pela Alemanha.

Contramaré… 6 ago.

A taxa de desemprego em Portugal fixou-se nos 15,4% em junho, mais 0,2% que em maio, revelou o Eurostat. Portugal continua a ter a 3ª taxa de desemprego mais alta da Zona Euro, apenas atrás da Espanha e da Grécia.
Em relação aos jovens com menos de 25 anos, a taxa de desemprego portuguesa manteve-se nos 36,4%, também uma das mais elevadas da UE.

domingo, 5 de agosto de 2012

Boa! Para forçar os idosos ao exercício físico…

Além dos vários aumentos de preços que os tarifários sofreram no último ano, desde que em Fevereiro o Governo decidiu diminuir o desconto de que os idosos beneficiavam na compra do passe social, que passou dos 50 para os 25%, quase 41.841 idosos da Grande Lisboa deixaram de comprar o passe destinado à 3ª idade, segundo dados revelados pela Carris
Além dos idosos, também os restantes utentes estão a reduzir a utilização dos transportes públicos. A Carris perdeu 25.000.000 de passageiros no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011, ou seja, menos 21,1%.
O Metropolitano de Lisboa registou uma redução de 11.500.000 de passageiros nos primeiros 6 meses de 2011 e a Transtejo teve menos 1.500.000 de pessoas a viajaram de barco no Tejo entre Lisboa e a Margem Sul.
O presidente do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) lamenta os números e afirma que as pessoas “não têm dinheiro para adquirir tudo”. “Com os aumentos da água, do gás, da luz, a reforma reduzida e os subsídios roubados, as pessoas têm de fazer opções e optam por ir comendo”, considera, frisando que o aumento do passe 3ª idade atinge sobretudo “pessoas já com mobilidade muito mais reduzida”, o que crie também “condições para que fiquem cada vez mais isolados”.
Mesmo não se sabendo quem foi o autor da ideia do aumento de preços dos tarifários e da redução dos passes para os idosos, é de lhe dar os parabéns, porque sabendo-se que o exercício físico é o melhor remédio para a prevenção de doenças e melhoria da qualidade de vida, só vem prolongamento o tempo de existência, mesmo que sejam os últimos anos e nas piores condições, criadas pelos mesmos imaginativos.
Mas como nem tudo são rosas (nem se pode ter tudo), enquanto os idosos (mas não só) poupam, investindo em si, as respetivas empresas de transportes vão matematicamente reduzindo os proveitos, o que os obrigará (o que não previram?) a um excedente de funcionários e ao aumento (inevitável) do desemprego no setor.
Tendo em conta que estas mesmas empresas vão ser privatizadas e com lucros mais reduzidos (e menos encargos), sem querer, os imaginativos estão (involuntariamente) a criar melhores condições para rifarem as transportadoras, talvez em pack, livrando-se de um serviço social que dá prejuízo, (serviços sociais com prejuízo?) e deixando aos privados esse método preventivo de doenças, com mais aumentos e menores descontos, porque o 3º setor não é só filantropia...
Só tem um senão. Quer públicos, quer privatizados, os transportes PÚBLICOS (por que será que não se chamam transportes privados?) nestas condições, pioradas, imporão um isolamento crescente aos idosos que não se achem propensos para as “maratonas”, dando origem à solidão, doença que parece que também mata…
Mas bem vistas as coisas, quanto menos idosos menos reformas e subsídios, o que poderá dar sustento à Segurança Social e a tal sustentabilidade para o que ninguém descobre a fórmula…
E apesar de Lisboa ser Lisboa, com mais regalias do que o resto da nação, o que se passará no resto do país em que os transportes públicos já são privados?
PRIVADOS ESTÃO OS CIDADÃOS, de direitos, de condições de mobilidade, meios de subsistência e com muita paciência, mesmo sabendo que quem espera nunca alcança…
…Mas aos idosos Senhor,
Por que lhes dais tanta dor,
Por que padecem assim?

Ecos da blogosfera - 5 ago.