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terça-feira, 18 de março de 2014

E os robôs irão pagar a pensão das gerações futuras?

A tecnologia tem evoluído de forma tão rápida que muita gente não consegue acompanhar esse processo. E se ainda duvida que em breve robôs, hologramas e outras ferramentas futuristas invadirão o nosso dia-a-dia, é melhor pensar 2 vezes, já que até mesmo o homem mais rico do mundo acredita nessa teoria digna de filmes de ficção científica.
Bill Gates afirmou que estamos cada vez mais próximos do dia em que os robôs vão acabar com muitas vagas de empregos e deixar inúmeras pessoas sem trabalho, considerando a situação preocupante e diz que as empresas e os governos precisam de começar a preparar os seus cidadãos para essa nova realidade.
"A substituição por software, seja para motoristas, empregados de mesa ou enfermeiros, está a progredir. A tecnologia ao longo do tempo vai reduzir a procura de postos de trabalho, principalmente entre aquelas funções que exigem menos competências. Daqui a 20 anos, a procura por trabalho para determinados empregos será consideravelmente menor. E acho que as pessoas não têm consciência disso", declarou o executivo.
Para evitar o desemprego em massa, Gates defende a ideia de que os governos comecem desde já a oferecer novas oportunidades aos profissionais e a capacitá-los para um futuro inevitável. O empresário afirma que essa pode parecer uma decisão difícil e cara, mas que dará às companhias mais confiança e credibilidade na hora de contratar funcionários humanos, em vez de terceirizar os seus trabalhos para um iPad ou outro produto eletrónico.
Levando em consideração o pensamento de Bill Gates, a adoção de robôs e softwares em todos os setores da indústria só vai aumentar. Um estudo recente do Gartner afirma que, até 2020, dispositivos conectados com sistemas altamente tecnológicos vão assumir cargos que hoje são ocupados por seres humanos.
De acordo com o levantamento, as primeiras mudanças significativas começarão em 2015, data limite para que as empresas desenvolvam programas e políticas corporativas que consigam aliar trabalho humano e digital. As organizações que não se adequarem ao novo modelo operacional não conseguirão atingir metas de produtividade e lucro até 2020. O relatório aponta que essas mesmas companhias devem desaparecer do mercado até 2023.
Só quem anda distraído há mais de 40 anos, quando a robotização começou a dar os primeiros passos na indústria, pode achar esta conclusão de Bill Gates como premonitória, pois os sociólogos desses tempos já anteviam este resultado.
Só que os sociólogos das últimas décadas do Século XX acreditavam que o aumento d produção e consequente aumento das mais-valias, reverteriam também para os trabalhadores, permitindo aumentando-lhes os salários e reduzir o tempo de trabalho, resultando numa qualidade de vida nunca experimentada pelo homem. Saiu tudo furado, como infelizmente podemos constatar…
E por estas evidências, quem ainda acredita que o desemprego tem tendência a diminuir, acreditando nos sermões de todos os políticos em períodos pré-eleitorais, pode considerar-se um “anjinho”, no meio deste inferno...
Ainda há dias, Belmiro de Azevedo sugeria que a competitividade em Portugal só pode ser estimulada através da educação das pessoas (saiba-se lá o que isto quer dizer) e da aquisição das máquinas corretas (robotização) para aumentarmos a produção e os lucros…
É visível que entre o aviso de Gates e a “solução” de Belmiro existe uma diferença enorme de preocupação social, porquanto o primeiro defende a ideia de que os governos comecem desde já a oferecer novas oportunidades aos profissionais e a capacitá-los para um futuro inevitável para minorar o desemprego em massa e o segundo se borrifa nas consequências e se centra nos lucros…
À parte estes pequenos “avanços” reestruturantes na área laboral, há outros perigos de ordem social assustadores, que deitam por terra o paradigma dos que dizem que são os trabalhadores no ativo, que pagam as pensões dos reformados. Se assim fosse, teríamos que admitir que as pensões de reforma da geração que agora está no ativo, acabariam de supetão, pela simples razão de os robôs não pagarem para a Segurança Social… Quem pagaria então as suas pensões?
Diriam então, e justamente, que os descontos que tinham feito durante todo o tempo de atividade eram propriedade sua e que a eles teriam direito.
Assim sendo, ou os donos dos robôs teriam que pagar uma taxa sobre a produção dos mesmos para as reformas, ou para além do desemprego incalculável, teríamos todos os “grisalhos” a entrar numa vida de miséria inimaginável e insuportável, e por isso, absolutamente criminosa.
É evidente que as análises e as benéficas conclusões dos (visionários) sociólogos do início da cibernética foram usurpadas pelos investidores e continuarão a sê-lo, se entretanto o poder político deixar correr o barco sem nada fazerem, até encalhar e continuarem a fazer de todos nós, uns artolas…
Realmente, “o pior ainda está para vir”…
É uma tendência praticamente irreversível: os robôs vão acabar com muitos dos empregos que conhecemos hoje. Conforme o tempo for passando, as máquinas serão responsáveis pela maioria dos trabalhos puramente mecânicos e também pelos empregos que causem riscos aos trabalhadores.
De acordo com uma pesquisa de Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, por pesquisadores de Oxford, 47% dos trabalhos realizados nos Estados Unidos já são perfeitamente realizáveis por robôs. E algumas profissões até já estariam prestes a ser extintas.
Abaixo está a lista das profissões que tem 99% de hipóteses de serem completamente tomadas por inteligências artificiais em pouco tempo, de acordo com o estudo:
Operador de telemarketing
Pesquisador de documentos
Costureira
Técnico Matemático
Corretor de Seguros
Relojoeiro
Empacotador
Fiscal
Revelador de fotos
Contabilista
Bibliotecário
Técnico de entrada de dados

Ecos da blogosfera - 18 mar.

Quem disse que o governo não bate o pé à Merkel?

O secretário de Estado português dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu em Berlim que a Alemanha precisa de realizar "muitas das reformas estruturais" que Portugal fez recentemente, para aumentar a competitividade ao nível dos serviços.
"Todos sabemos a força do setor industrial alemão", com empresas "extremamente competitivas nos mercados globais e extremamente inovadoras", mas o setor dos serviços "não é competitivo do mesmo modo", afirmou Bruno Maçães no encerramento do II Fórum Luso-Alemão, que decorreu na capital alemã. "Parece-me claro que, sobretudo no setor dos serviços, há muitas reformas que a Alemanha precisa de fazer", defendeu.
O governante, que viveu na Alemanha durante 4 anos, apontou como exemplos "as barreiras à entrada de novos competidores, a resistência à concorrência, os obstáculos de regulação, a fraca produtividade de firmas de advogados e farmácias". "Isso cria desequilíbrios na economia alemã e na economia europeia", afirmou Maçães, que na sua intervenção salientou que este assunto não diz respeito apenas à Alemanha.
"Um setor de serviços mais aberto e competitivo teria mais investimento, mais empresas novas, o que levaria os trabalhadores menos qualificados do setor industrial a mover-se para o setor dos serviços. O setor industrial alemão subiria na cadeia de valor e países como Portugal teriam oportunidades em atividades onde a indústria alemã deixaria de operar. A produtividade subiria na Alemanha e em Portugal", salientou.
Para o responsável pela pasta dos Assuntos Europeus, os Estados-membros da União Europeia deveriam criar um "espaço de comunicação livre e aberto" das políticas públicas. "Não se trata de criar políticas públicas comuns, mas de criar um espaço onde as diferentes políticas públicas estejam em consideração", disse Bruno Maçães, acrescentando: "Eu não acredito num Estado comum europeu nem em Estados que vivem separados na sua soberania".
O mecanismo que propõe pretende "garantir que a reforma estrutural da economia europeia é feita em conjunto", considerando que a "crítica construtiva e honesta" e a "aprendizagem com outros exemplos" deveriam fazer parte do normal funcionamento da União.
O secretário de Estado defendeu a necessidade de "adotar uma lógica preventiva: até agora, as reformas estruturais são feitas numa situação de emergência ou então são adiadas permanentemente". Por outro lado, há que resolver o "problema político", reduzindo "os custos das reformas no curto prazo e garantir que as vantagens não existam apenas no longo prazo, para além do ciclo eleitoral".
Por fim, o novo mecanismo "tem de funcionar numa lógica de responsabilidade coletiva", afirmou, argumentando que "os custos têm de ser partilhados porque as vantagens, numa economia integrada, serão partilhadas".
Ora tomem, que é para aprenderem!
Quem diria que um secretário de Estado português tinha a veleidade de, na Alemanha, dizer que muitas das reformas estruturais que Portugal fez recentemente, para aumentar a competitividade ao nível dos serviços, reformas essas que a Alemanha precisa de fazer…
Deve ter sido por tática, que apenas se referiu ao setor dos serviços, porque as diferenças noutros setores, em que estamos muito mais desfavorecidos, são gritantes e algumas até recentes, no que aos direitos sociais diz respeito. E quase que disse que numa economia integrada os sacrifícios sendo partilhados por todos, as vantagens também deverão partilhadas…
Mas seria pedir demais que dissesse todas as verdades na casa do anfitrião e “benemérito”…
Regista-se o desplante de um executivo de 2.ª categoria, que foi o primeiro a enxotar as moscas, por encomenda ou convicção, já que os “avançados” atiram todas as bolas para canto…

Contramaré… 18 mar.

O comércio mundial de armas convencionais aumentou cerca de 14 por cento entre 2009 e 2013, em relação aos anteriores quatro anos, divulgou no sábado o Instituto Internacional de Estudos para a Paz, de Estocolmo, na Suécia.
Os Estados Unidos continuam a liderar as exportações mundiais de armas, fazendo-o para 90 países.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Em 25 de maio vamos votar nas Europeias “às cegas”?

De acordo com o novo tratado da União Europeia, em vigor desde 2009, o presidente da Comissão Europeia deverá ser o candidato do partido vencedor das eleições parlamentares do continente, que ocorrem em maio. Até hoje, o chefe do executivo era nomeado pelos chefes de Estado da UE em reuniões à porta fechada. Ao parlamento cabia apenas concordar, ou não, com essa decisão.
Quase 60% dos portugueses não sabem o nome de um único deputado nacional a exercer actualmente o mandato no Parlamento Europeu, um sinal evidente de que a distância entre Lisboa e Bruxelas vai muito além do espaço físico que separa as duas cidades onde se concentra o poder legislativo.
E o desconhecimento daquilo que é a União Europeia não fica por aqui. A maioria (75,9%) ou não sabe quantos deputados representam os 28 países da União e quantos portugueses, estão entre os 766 parlamentares. São 22, na verdade, mas Portugal prepara-se para perder um representante em Maio, para acomodar a adesão da Croácia.
No capítulo da cultura geral sobre a União Europeia, os portugueses sabem o nome do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Conseguem, também, nomear correctamente a única instituição europeia por cuja eleição são directamente responsáveis - o Parlamento. Sabem ainda que a União é composta por 28 estados europeus. E é tudo.
A maioria (57,1%) arrisca uma legislatura de 4 anos, que são 5.
A Comissão Europeia, com os seus 28 comissários, é reconhecida por parte de 35% dos inquiridos. E como pode ser demitida? 8,7% sabem que é necessária uma moção de censura no Parlamento Europeu.
Sobre os atuais deputados europeus não é de estranhar que pouca gente os conheça, da mesma forma que não conhece os deputados nacionais, mas mais escandaloso é não saberem os nomes dos próximos candidatos, por culpa dos partidos que não os nomeiam (porquê?) e daí…
E quantos saberão o nome do Presidente do Conselho Europeu (o presidente da UE)? E o nome da Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança da União?
Uma coisa se sabe, nenhum deles foi eleito democraticamente, tal como o presente da Comissão Europeia… Era só votar nos parlamentares e depois de uns “cozinhados”, lá apareciam uns “quaisquer”…
E por isso é muito mais grave não se informar e sublinhar a principal diferença em relação às eleições anteriores, já que nestas eleições, o próximo Presidente da Comissão Europeia sairá da família política mais votada, acrescentando-se um pouco mais de democracia, o que a torna mais importante, tendo em conta que terá mais poderes na definição das políticas europeias, o que nos deve levar a votar nos partidos europeus e relegar as preferências nacionais, que serão subalternizadas.
E omitir isto, é querer que a abstenção, sempre enorme, aumente e aumentem os votos nos partidos da “direita radical”, ou até fascista…
Seguramente que, de futuro, as eleições europeias terão mais impacto no quotidiano das nossas vidas do que as eleições nacionais, que com o novo desenho deixarão os governos dos países-membros mais limitados às decisões políticas da Comissão Europeia, retirando poder às Merkel e aos lóbis, que nos acinzentam o futuro…
Incompreensível é o silêncio dos media que não deixam de seguir as pisadas do poder, silenciando (in)formação, que devia ser o assunto primeiro da agenda informativa.
Só temos que ter (pela última vez?) a esperança de que se mude para nada ficar na mesma…
De 22 a 25 de maio de 2014, nos 28 Estado-membros.
Europeus, peguem nas vossas novas agendas para 2014. Há um encontro político importante na próxima primavera! Se é um dos 400.000.000 de cidadãos da União Europeia que têm direito de voto, entre os dias 22 e 25 de maio será chamado a dar a sua opinião no maior escrutínio democrático transnacional do mundo: as eleições para o Parlamento Europeu (PE). Por favor, não boceje, não franza a testa, não gema! E não dispense o papel crucial que tem neste complexo labirinto institucional chamado União Europeia. Mensagens tranquilizantes foram enviadas de Estrasburgo e Bruxelas: em vez de “Tem o poder de decidir!” este é o tempo de "Desta vez é diferente!".
Diferente de facto! Mas não necessariamente pelas razões consideradas pelos criadores da campanha eleitoral. A Europa está em apuros, como o historiador britânico-americano Walter Laqueur diz no livro “Depois da queda: O fim do sonho europeu e o declínio de um continente”. As eleições para o Parlamento Europeu terão lugar na paisagem “50 sombras de Grey” (da obra de E.L. James) da mais profunda recessão económica desde a II Guerra Mundial. Desde 2010, os governos de muitos estados da UE fizeram da redução dos défices públicos a prioridade política.
Os gastos públicos, especialmente os gastos sociais, foram declarados o “inimigo número um do governo”. A austeridade imposta pela Alemanha tornou-se a nova religião.
Em Espanha, Itália, Grécia, Irlanda e Portugal a taxa de desemprego disparou, com consequências humanas graves. Se vive num destes países e é um dos 37.400 milhões de jovens cidadãos da UE que vão votar pela primeira vez em 2014, a probabilidade de estar desempregado é alta.
Outrora terra de prosperidade, solidariedade social e de proteção dos direitos humanos, a UE enfrenta agora o agravamento da pobreza, o aumento dos sem-abrigo e a privação da infância com efeitos a longo prazo. O comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos alertou que todo o espectro de direitos humanos tem sido profundamente afetado nos últimos 4 anos de crise, principalmente a segurança social e o direito a um trabalho decente e a um padrão de vida adequado.
Por isso, as eleições para o PE em maio de 2014 podem realmente ser diferentes! Com a recorrente falta de confiança nas instituições e nos governos da UE e com os executivos europeus a serem culpados de abuso dos direitos humanos contra os seus cidadãos, como sugere o relatório do Conselho Europeu, o forte apelo ao discurso populista e eurocético pode fazer das eleições de 2014 um virar de página para a democracia europeia.
Antes de mais, em termos de participação. Desde 1979, as eleições para o PE têm presenciado uma decrescente afluência às urnas. Pela primeira vez, as próximas eleições podem revelar uma inversão neste padrão e levar mais cidadãos a participar. Mas talvez não de forma satisfatória para os fundadores da Europa. Tendo em conta que a UE é vista como “parte do problema”, na crise atual, as condições são particularmente auspiciosas para o sucesso eleitoral do campo político anti-UE.
Assim, seja o Partido da Independência do Reino Unido, na Grã-Bretanha, o Movimento Cinco Estrelas, em Itália, ou a Frente Nacional, em França, os partidos que pretendem redefinir o sistema europeu têm visto as suas votações aumentar sucessivamente. E agora, em termos de drama. Drama na arena política. O sufrágio do PE em 2014 poderá ser o primeiro a provocar tensão eleitoral real.
A primeira eleição europeia organizada desde a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, em 2009, a corrida de maio de 2014 irá ver os partidos políticos a nível da UE designar “candidatos de topo” para a Presidência da Comissão Europeia e competir entre os Estados-membros para apoiar os candidatos. Colocar rostos na corrida eleitoral poderá personalizar e “europeizar” as eleições, aumentar a relevância e os desafios da votação do PE.
Implementar um processo de nomeação mais transparente e democrático do futuro Presidente do Executivo poderá ser uma forma de aumentar o interesse dos cidadãos nas eleições. Mas, também, uma forma de reforçar a legitimidade do titular eleito, de combater o longo e desacreditado défice democrático da União Europeia.
Claro, não existe garantia de que o candidato do partido político europeu a reunir mais votos em 2014 se irá tornar automaticamente o presidente da Comissão Europeia. Uma vez que é o Conselho Europeu que elege o chefe da Comissão, a reconhecida e secreta “negociata” entre os 28 não deve ser excluída. “Frau” Merkel terá algo a dizer, bem como “Monsieur” Hollande, mas, segundo o Tratado de Lisboa, em 2014 o Conselho Europeu terá em consideração os resultados da votação.
A lista de potenciais candidatos à posição de presidente da Comissão Europeia está repleta de influentes políticos. Os partidos a nível da UE têm ainda que organizar as eleições primárias para escolher a mulher ou o homem que melhor incarnará o seu ethos e ambições nesta Europa de tempos abalados.
“Quo vadis, Europa?”, iremos perguntar assim que conhecermos quem está em jogo. “Onde irá a Europa, a partir de agora?”, “Quem irá liderar a Europa?” além de Angela Merkel, claro. E vamos enfrentá-los com o aviso contundente de Walter Laqueur: “A UE pode sobreviver à crise atual, mas e à próxima e às seguintes? Já não é certo que a maioria dos europeus pretendam continuar até ao fim do percurso numa união política. As primeiras facadas ao afastar-se desse conceito são inconfundíveis. Nada há que não tenha alternativa na história e na política”.
Considerados todos os pontos, as eleições de 2014 podem vir a ser verdadeiramente diferentes!
No X Congresso dos Partidos Socialistas Europeus, foi com uma esmagadora votação a rondar os 90% que o alemão Martin Schulz foi eleito como o candidato Socialista como presidente da CE.
Jean-Claude Juncker, será o candidato Conservador à presidência da CE, braço executivo da União Europeia (UE) e única instituição do bloco com poder de propor novas leis.
O Partido da Esquerda Europeia escolheu Alexis Tsipras, líder do partido grego Syriza, como candidato a presidente da CE.
O partido Liberal Europeu confirmou no congresso em Bruxelas, Guy Verhofstadt como candidato a presidente da CE.

Ecos da blogosfera - 17 mar.

Mais 2 “dessa gente”, que usa agenda e calculadora…

O Manifesto propondo a reestruturação da dívida foi conhecido no mesmo dia em que o INE revelava os resultados da política levada a cabo pela troika com a cumplicidade entusiástica deste governo.
Viriato Soromenho Marques
Como se fosse uma lista de baixas numa guerra, ficámos a saber que o PIB do país recuou ao nível do ano 2000 e o emprego tombou até ao ano de 1996. Em 2 anos e meio foram destruídos 328.000 empregos. Tudo isto para combater uma dívida pública bruta excessiva, que, no mesmo período, subiu de 94% para quase 130% (ultrapassando em 15% as precisões da troika)! Este Manifesto limita-se a olhar a realidade de frente: o País caminha para o suicídio, e é preciso mudar o rumo. No quadro europeu. Pesando o interesse de Portugal, mas também o interesse comum do projecto europeu, de que muita gente, em Bruxelas e Berlim, parece ter-se esquecido. Perante isso, o primeiro-ministro, e uma escassa legião de escribas auxiliares, acusam os subscritores do manifesto de "pôr em causa o financiamento do país", de "inoportunidade", e, até, de falta de patriotismo. No século XIX, dois grandes europeus, Antero de Quental e Nietzsche escreveram, ao mesmo tempo, quase a mesma coisa: o que separa os homens é a maior ou menor capacidade que têm de "suportar" a verdade de que depende a dignidade da vida. A verdade dói, mas a mentira mata. Tenho muito orgulho em ter assinado este manifesto ao lado de Manuela Ferreira Leite, ou Bagão Félix, pois a diferença crucial não é entre esquerda e direita, mas entre a verdade e a mentira. O que une este governo, e o atual diretório europeu, é a ligação umbilical entre o seu poder e a mentira organizada. O país e a Europa só poderão sobreviver se forem resgatados de líderes medíocres, com fobia da verdade.
O Governo e seus fiéis, qual escola de aprendizes de feiticeiros, transformaram o chamado manifesto dos 70 numa espécie de Voldemort, o Lorde das Trevas da saga Harry Potter.
Nuno Saraiva
Os papistas do costume, vendo a tese da inevitabilidade do empobrecimento posta em causa, sobressaltaram-se, rasgaram as vestes e atiraram-se aos subscritores dizendo que são um bando de irresponsáveis defensores do calote e que estão para nós como a brigada do reumático para Marcelo Caetano. Fizeram apelos lancinantes para que saiam da frente e deixem os sabichões mais novos trabalhar. Que são tristes, ressabiados, oportunistas e que não passam "dessa gente" a cuja "conversa" os mercados não dão, felizmente, ouvidos.
E o cúmulo da falta de pudor, de vergonha e, até, de canalhice chegou ao extremo de se insinuar que personalidades como Adriano Moreira, Bagão Félix, Manuela Ferreira Leite, Carvalho da Silva, Vítor Martins, Sevinate Pinto, António Saraiva, Vieira Lopes, João Cravinho, Teresa Beleza ou Francisco Louçã, para citar apenas alguns nomes, não são patriotas.
Para começo de conversa, sejamos sérios.
Nunca ouvi ninguém fazer insinuações sobre o patriotismo (ou falta dele) - e era o que faltava que fizesse - de quem, resignado com a perda de soberania, vai todo contente, a Berlim ou a Bruxelas, prestar vassalagem à senhora Merkel.
Manda o rigor - que faltou, aliás, ao primeiro-ministro e a muitos opinadores do regime - que se comente apenas aquilo que está escrito. O que o manifesto, o tal que como o vilão das novelas de J. K. Rowling "não deve ser pronunciado", constatou foi aquilo que toda a gente já sabe: a dívida pública portuguesa é estratosférica. Condena-nos, como explicou com clareza o Presidente da República no seu último prefácio, a décadas de austeridade para garantir a sua sustentabilidade. E aponta, por isso, uma proposta de solução - não será a única, mas é um princípio: uma "reestruturação responsável" da dívida, no contexto europeu e dentro do nosso quadro constitucional.
Em nenhum ponto do documento se fala de não se pagar o que devemos ou se sugere, sequer, um perdão de dívida. O que se pretende é o que está escrito, é saldar, até ao último cêntimo, os compromissos assumidos com os nossos credores, obviamente em melhores condições do que aquelas que hoje existem. Isto é, com juros mais favoráveis e com maturidades mais longas, permitindo compatibilizar o crescimento económico e a criação de emprego com o cumprimento das nossas obrigações.
Só por cobardia, servilismo, submissão à ditadura ilegítima dos mercados, sectarismo ideológico e obediência cega a outros interesses que não o dos portugueses é que se pode rejeitar o debate sobre uma matéria que é decisiva para o nosso futuro coletivo. E só por uma qualquer pulsão totalitária é que se faz apelo a esta espécie de asfixia democrática, em que se manda calar quem se atreve a pensar, propor e chega a um consenso alargadíssimo - da direita à esquerda - para encontrar soluções para o mais grave dos nossos problemas.
Falar do pós-troika não é outra coisa que não seja discutir como lidar com o monstro da dívida pública portuguesa. Ainda para mais quando, a partir de setembro, as novas regras contabilísticas impostas pelo Eurostat atiram a dita para uns inimagináveis 140% do PIB nacional.
Daí que a campanha para as eleições europeias de 25 de maio seja, ao contrário do que afirmam os oráculos nacionais que vivem capturados pelos mercados e pela finança, o tempo certo para fazer este debate. Até por uma razão que toda a gente percebe: a austeridade estrangula a economia que não cresce. Sem crescimento não há pessoas. E sem pessoas que produzam não há dinheiro para honrar os compromissos. E a inevitável negociação, é bom que ocorra enquanto ainda temos condições para pagar o que devemos. Se esperarmos muito mais tempo, além de condenados ao degredo económico seremos também, fatalmente, rotulados de caloteiros.
Por tudo isto, por Portugal, venham daí mais 70, se faz favor.

Contramaré… 17 mar.

O Ministério da Agricultura francês proibiu no sábado a venda, uso e cultivo de milho geneticamente modificado da norte-americana Monsanto (MON 810), a única variedade atualmente autorizada na União Europeia, porque mantém que os OGM apresentam riscos ambientais.

Dans l’Obs : oui, les OGM sont des poisons ! por LeNouvelObservateur

domingo, 16 de março de 2014

A desonestidade intelectual, social e política do FMI!

Num relatório intitulado Fiscal Policy and Income Inequality (“Política orçamental e desigualdade de rendimentos”), o Fundo analisa o impacto da política de consolidação orçamental que foi imposta em diversos países europeus nos últimos anos e destaca o caso português – onde o FMI teve influência directa na definição das políticas - como um dos que mais levou em linha de conta os efeitos da austeridade na distribuição do rendimento.
Segundo as contas da entidade sedeada em Washington, as medidas implementadas pelas autoridades portuguesas de 2008 a 2012 – e que incluem cortes nos salários dos funcionários públicos, cortes nas pensões, diminuição dos benefícios sociais e aumento do IVA – conduziram, em média, a uma redução do rendimento disponível das famílias de 6,3%. No entanto, para os 20% mais pobres, essa redução foi menor, ligeiramente acima dos 5%. Para os 20% mais ricos, o corte atingiu os 10%.
Redução da desigualdade?
O Fundo chega à conclusão de que o nível de desigualdade em Portugal – medido pelo índice de Gini – diminuiu no período entre 2008 e 2012, especialmente devido ao efeito progressivo das medidas de consolidação orçamental. No entanto, é preciso levar em conta que foi antes das medidas de austeridade começarem a ser tomadas que este indicador mais caiu. Nos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística sobre esta matéria, regista-se que, entre 2008 e 2009, houve uma redução acentuada do índice de Gini de 35,4 para 33,7 pontos (menos desigualdade).
Apesar destes números, o Fundo estima neste estudo que as medidas de consolidação orçamental contribuíram para reduzir a desigualdade em Portugal.
Entre 2008 e 2012, o desemprego subiu de 8,5% para 15,9%, afectando mais cerca de 400.000 pessoas.
Para um relatório feito por “especialistas”, o rigor é pouco, as contas estão aldrabadas e as conclusões contrariam a realidade, mas ficamos a saber, de fonte suja, que houve e há vontade de cortar nos salários dos funcionários públicos, cortar nas pensões, diminuir os direitos sociais e aumentar o IVA, esquecendo-se do aumento de impostos.
E se a baralhação é escandalosa, levando a resultados satisfatórios para o FMI, tal só se justifica porque o FMI teve influência direta na definição destas políticas devastadoras. E a melhor prova é o aumento do nível de desigualdade em Portugal entre 2008 e 2012 devido ao efeito progressivo das medidas da troika (com o FMI lá dentro), que antes da sua intervenção tinha sido mais reduzida… Mesmo assim, retiram a conclusão de que as medidas de austeridade imposta por eles contribuíram para reduzir a desigualdade em Portugal… E pode?
Mas o mais inconcebível da análise é comparar os 20% mais pobres (a quem roubaram 5%), com os 20% mais ricos (a quem roubaram 10%), deixando de fora o destino de 60% dos portugueses… No caso da Grécia, Espanha e Irlanda, ainda é mais gritante, deixando de fora 80% das respetivas populações…
Mas nestas análises com base em percentagens, vem sempre à mente a história do bife, que por ser anedótica, não devia ser referida. É que 5% retirado de pouco, deixa muito pouco para a sobrevivência, enquanto 10% de muito, deixa ainda bastante para uma vida de bem-estar. E assim sendo até dispensa prova…
Em simultâneo, o Parlamento Europeu, que abriu um inquérito ao trabalho das troikas, retira outras conclusões, consentâneas com a realidade, desmascarando a pseudo competência dos autores e dos atores das medidas/penitência que o FMI quer branquear.
No caso do PE, só falta saber quando vão decidir sobre o ressarcimento dos confiscados e da punição dos incompetentes.
Inquérito do Parlamento Europeu à actuação da troika em 4 países, incluindo Portugal, aponta diversos erros e faz críticas a algumas das decisões que foram tomadas. Mas também destaca a inevitabilidade dos resgates.
O relatório do Parlamento Europeu sobre a actuação da troika, que tem como relatores o socialista Liam Hoang Ngoc e Othmar Karas, do Partido Popular Europeu, lança várias críticas ao impacto do ajustamento causado pelos resgates financeiros.
O documento realça, por exemplo, o facto de os “cortes nas prestações e serviços sociais” e o “desemprego crescente”, que resulta das “medidas contidas nos programas” estar a “aumentar os níveis de pobreza”. Mas também sustenta que as consequências sociais “seriam piores” sem o resgate da troika.
A troika provocou “níveis inaceitáveis de desemprego”, quer de longo prazo, quer jovem. No caso dos mais novos, isso “põe em causa as oportunidades para o desenvolvimento económico futuro”, como o comprova o “fluxo de jovens migrantes do sul da Europa e da Irlanda”, o que “pode causar uma fuga de cérebros”.
Aliás, as medidas incluídas nos resgates “são o exacto oposto da política de modernização delineada na estratégia de Lisboa e na estratégia Europa 2020”. O relatório “lamenta, nos programas da Grécia, Irlanda e Portugal, a inclusão de algumas receitas detalhadas para a reforma do sistema de saúde e cortes na despesa”. E também “lamenta o facto de a os programas não estarem vinculados à Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia”.
Mas não é só. Os relatores também lamentam “os pressupostos por vezes demasiado optimistas assumidos pela troika, especialmente no que diz respeito ao crescimento e desemprego”. Um factor que “afectou a relação entre a consolidação orçamental e o crescimento”. Como resultado, “as metas orçamentais não puderam ser atingidas dentro do tempo previsto”.
Em Portugal, as metas do défice já tiveram de ser revistas por diversas vezes. No ano passado, o Executivo quis colocar a meta de 2014 nos 4,5%, ao invés dos 4% previstos. Mas a troika não permitiu alterar este objectivo orçamental.
“Tem sido dada muito pouca atenção ao alívio dos impactos sociais e económicos negativos das estratégias de ajustamento”, acrescentam ainda. E lamentam “que por demasiadas vezes a abordagem de uma solução universal para a gestão da crise não teve inteiramente em conta o equilíbrio entre o impacto social e económico das medidas”, destacam os deputados.
Sem resgate, consequências seriam piores
Porém, também se defende que o resgate era mesmo a única solução. “As consequências económicas e sociais teriam sido piores sem a assistência técnica e financeira da União Europeia e do FMI”, contrapõem os relatores. Aliás, o resgate “atingiu o objectivo de, no curto prazo, evitar um incumprimento desordenado da dívida soberana que teria tido consequências económicas e sociais extremas, que seriam sem dúvida piores do que as actuais”, por causa dos efeitos colaterais (spillover), que seriam de “magnitude incalculável”.

Ecos da blogosfera - 16 mar.