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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Contramaré… 6 nov.

A Procuradoria-Geral da República desmente a existência de manipulação de documentos, que foi sugerida pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, no caso do envolvimento do ex-secretário de Estado, Joaquim Pais Jorge, no caso dos contratos swap propostos ao Governo de Sócrates.
O Ministério das Finanças tinha garantido que o documento noticiado por vários órgãos de comunicação social foi manipulado para incluir o nome de Pais Jorge na equipa que sugeriu ao Governo Sócrates, em 2005, uma operação de swap para reduzir o valor do défice público.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Falar do SMN, sim! E do Salário Médio e dos CORTES?

A proposta de aumento do salário mínimo nacional avançada pela OIT agrada a quase todos os patrões e a economistas de vários quadrantes. A explicação é simples: ajudaria a estimular o consumo interno numa economia asfixiada, sem ter grande impacto nas contas e na competitividade das empresas.
O valor real do salário mínimo nacional caiu cerca de 5% desde 2007, mas o número de pessoas a receberem esta remuneração base mensal mais que duplicou, alerta a OIT e diz mesmo que "o mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa" de ajustamento financeiro.
A Organização lembra que: "os trabalhadores a receber o salário mínimo nacional ganham consideravelmente menos do que na maioria dos países da UE onde existe salário mínimo, nomeadamente a Grécia, a Irlanda, a Polónia, a Espanha e o Reino Unido".
"A proporção de trabalhadores empregados a receber o salário mínimo aumentou de 5,5% em abril de 2007 para 10,9% em abril de 2011 e para 12,7% em abril de 2012", pode ler-se no relatório.
Apesar da recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Governo esclarece que até à saída da troika, prevista para o Verão de 2014, não vai ser possível fazer qualquer alteração ao valor do salário mínimo nacional.
Já em sede de concertação social, patrões e sindicatos convergem não só na necessidade de aumentar o salário mínimo nacional, assim como, na possibilidade de a medida avançar.
Este relatório da OIT, que concluiu com o óbvio, só tem o mérito de retirar o tapete aos rabiscadores das medidas de empobrecimento da sociedade portuguesa e desmascarar a bondade das políticas assistencialistas de um governo que ultrapassa, pela direita, a própria troika.
Mas tem mais uma virtude, que é dizer, preto no branco, que desde que a troika assentou por cá a tenda, tudo foi de mal a pior, com números certos para certas pessoas, que nos querem convencer do contrário.
Convém estarmos alerta, porque o relatório da OIT não fala apenas em Salário Mínimo Nacional, mas a conversa e as notícias incidem preferencialmente sobre este pormenor, que apenas continuaria a oferecer um salário perto do limiar da pobreza, mesmo para quem trabalha.
Perante as diferenças enormes entre o Salário Mínimo Nacional na Europa, convém conhecer as diferenças enormes entre o Salário Médio europeu, para termos consciência que as desigualdades alastram em todos os níveis dos assalariados e cada vez estaremos mais longe da “igualdade” de uma “União”…
E agora, que os nossos governantes ficaram com as calças nas mãos, com argumentos sem o mínimo de lógica e uma insustentável justificação para a delinquência, toca de se posicionar contra as propostas construtivas da OIT, contra a anuência dos Sindicatos e Patrões, contra a solução, tornando-se um problema maior…
O governo deixou cair (tirar-lhe) a máscara!
No mais recente relatório da OIT - Organização Internacional do Trabalho, publicado na 2ª feira passada (04/11/2013), denominado "Enfrentar a crise do emprego em Portugal”, é mostrado um cartão vermelho às políticas do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas.
Marcos Aguiar 
No referido documento é dito que Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se 1 em cada 7 empregos e a taxa de desemprego atingiu um máximo histórico de mais de 17%, sendo os trabalhadores jovens e as famílias com crianças os grupos da população mais afetados pela contração económica.
Contrariando a opção pelo empobrecimento, que têm sido a imagem de marca do atual Governo, é defendido pela OIT que o salário mínimo deve ser aumentado em Portugal. Esse aumento pode criar 100 mil empregos até 2015, sendo que, de acordo com esta organização, baixar a taxa de desemprego em 2% faria aumentar o PIB também em 2%.
O relatório defende ainda algo que é indispensável para a recuperação da nossa economia (e de todas as economias periféricas da Europa): a concretização da união bancária na Zona Euro, que permitiria reduzir as taxas de juro. Tal significaria, tão só, um corte de 1,5% na taxa que as empresas portuguesas pagam aos bancos, o que é equivalente a cortar pela metade o spread da taxa de juro relativo à Alemanha.
Num contexto de moeda única, como pode Portugal ser competitivo sem que as nossas empresas tenham acesso a crédito bancário nas mesmas condições das empresas dos países ricos?
Como podemos ser competitivos no mercado europeu e global se nós, portugueses, pagamos muito mais pelo dinheiro que pedimos emprestado do que pagam os Alemães (sendo eles, ainda por cima, muito mais ricos que nós)?
Os Estados Unidos da América seriam a potência mundial que conhecemos, tendo como moeda o dólar americano, se não tivessem desenvolvido mecanismos compensatórios na sua economia interna que equilibram as desigualdades entre os vários Estados da União?
E na Europa, com uma moeda única que produz tremendas injustiças, estamos à espera de quê para desenvolver mecanismos eficazes que atenuem as enormes diferenças entre países ricos e pobres? Não era esse, afinal, o principal propósito da União Europeia?
A crua realidade é que a crise nas economias periféricas, como a portuguesa, beneficia diretamente os países mais ricos da Europa - com a Alemanha à cabeça - que prosperam na nossa desgraça.
Não é, por isso, difícil identificar os inventores da narrativa do “andam a viver acima das possibilidades”, que Passos Coelhos e Paulo Portas foram encarregues de papaguear em terras lusas.
Nós, portugueses, aos olhos dos alemães (e do nosso Governo), somos tal e qual o ditado: “A lei do pobre é comer até rebentar, antes que sobre”. Logo nós, imagine-se, que temos um salário médio pouco acima dos 1.000 euros, 3 vezes inferior ao alemão. Não fosse o drama da situação e era de rebolar a rir…
Esta realidade é ainda mais grotesca se considerarmos a subserviência do Governo Português perante situações tão gravosas para o nosso país, circunstância agravada pela teimosia de aplicar, custe o que custar, uma receita mais gravosa do que aquela que a troika e a Alemanha nos prescreveram como tratamento.
Em suma: a cura que o nosso Governo escolheu está a matar-nos!

Ecos da blogosfera - 5 nov.

Os novos nazis na velha Grécia: A narrativa (1/2)

Na noite de 17 para 18 de setembro, o “rapper” grego foi assassinado por um militante da Alvorada Dourada. Este assassínio marcou a queda do partido neonazi, cujas conivências implícitas com o poder e as ligações aos poderosos armadores gregos estão hoje a ser descobertas. Excertos.
Sobre o aparador da sala, as fotos formam um pequeno altar em memória do filho perdido: Pavlos no casamento da irmã, Pavlos num concerto, e ainda Pavlos adolescente. Era um rapaz bem-parecido, com enormes olhos negros e um bonito sorriso. “Sobretudo, um coração grande. Toda a gente gostava logo imenso dele”, murmura Magda, a mãe, hipnotizada pelas imagens dos dias felizes. Atrás dela, Panagiotis, o pai de Pavlos, não reage, imobilizado na sua dor.
Duas facadas em pleno coração transformaram o filho num símbolo do desvio criminoso do partido da extrema-direita Alvorada Dourada, que chegou pela primeira vez ao Parlamento grego em 2012. Pavlos Fyssas, rapper de 34 anos, teria preferido alcançar a fama com as suas canções. Acabou por ocupar as primeiras páginas dos jornais gregos como mártir, esfaqueado na noite de 17 para 18 de setembro por militantes da Alvorada Dourada, agora abertamente classificada como uma formação neonazi. A morte do jovem, no final de um dia de jogo de futebol num bairro popular, desencadearia em poucos dias um terramoto político, transformando-se num assunto de Estado. Pela primeira vez desde o regresso à democracia, em 1974, o Estado-maior de um partido representado no Parlamento era confrontado com as mais graves acusações criminais.
Após o crime, muitas pessoas salientaram a importância desta “morte a mais”, que teria conseguido despertar a opinião pública e as autoridades. Porque Pavlos Fyssas era grego, ao contrário das anteriores vítimas da Alvorada Dourada, quase exclusivamente imigrantes. Mas isso não responde à questão essencial: como foi a Alvorada Dourada dar esse passo a mais e assassinar um jovem grego em plena rua, um partido que se diz ferozmente nacionalista, reservado “apenas aos gregos de cepa”? Quem guiou realmente a mão do assassino, um camionista de 45 anos, pai de 2 filhos, com um aspeto perfeitamente banal e que só tinha a perder ao envolver-se num crime?
Uma tarde de Olympiakos-PSG...
Na verdade, por pouco ninguém se interessava pelo assassínio de Pavlos, que ficaria como uma questão local, sendo rapidamente descartado. Mas na noite do crime, o curso dos acontecimentos sofreu uma intromissão: a reação inesperada de uma mulher-polícia.
Naquele dia 17 de setembro, Pavlos encontrou-se com a namorada, Chryssa, e alguns amigos, para assistir ao jogo entre o Olympiakos e o Paris Saint-Germain. Como todos os jovens na área do Pireu, Pavlos era um adepto ferrenho do Olympiakos, pronto a assobiar ao mais pequeno penalti falhado. “Chegaram pouco antes do início do jogo. Lembro-me muito bem, porque conhecia o Pavlos de vista, apesar de não saber que era rapper. Para mim, era apenas um jovem do bairro”, confessa o dono do Coralie Café, um bar em Keratsini, que tem um televisor com ecrã gigante no terraço coberto. “Durante a partida, não houve nada a assinalar: Pavlos e o seu grupo beberam cerveja, o ambiente era bastante animado, como sempre que joga o Olympiakos. Mas sem excessos.”
Declara não ter reparado nos 2 ou 3 tipos (as versões divergem) que, segundo algumas testemunhas, enviavam SMS enquanto observavam Pavlos, durante o jogo. “Só no final do encontro, quando todos estavam a sair do café, é que também me apercebi do bando que se materializou do nada, na calçada em frente”, conta o proprietário. 20 homens já crispados começaram a meter-se com o rapper e os amigos, que ainda passeavam pela rua. Muito rapidamente, o tom subiu. 3 homens destacaram-se do grupo e aproximaram-se de Pavlos, dando-lhe empurrões.
Um pouco atrás, Chryssa, a namorada, viu tudo e ficou alarmada. Tentou chamar a atenção de um grupo de polícias que, curiosamente, assistiam passivamente à cena, à distância. Em vão: ainda lhes estava a suplicar que interviessem quando, de repente, um carro se aproximou com estrépito e parou precisamente diante do grupo. Um homem saiu, agarrou Pavlos como se fosse abraçá-lo e deu-lhe duas facadas no coração. Antes de morrer, o jovem teve apenas tempo para apontar o assassino à polícia, que finalmente se aproximou.
Foi então que, destoando da inércia dos colegas, a mulher-polícia sacou da arma e a apontou ao assassino. Que parecia tão seguro da sua impunidade que ainda permanecia no carro, depois de atirar a faca para a sarjeta. “Sem a coragem daquela mulher-polícia que deteve o assassino, ainda estaríamos a especular sobre as causas de um assassínio nunca reivindicado. E haveria ainda quem argumentasse que tinha sido apenas uma briga em final de jogo que tinha acabado mal”, salienta o famoso jornalista Pavlos Tsimas, da Mega TV, o principal canal televisivo privado.
Alvorada Dourada, um aliado político cómodo
Inicialmente, foi essa a versão veiculada: uma rixa entre jovens suburbanos, relacionada com o futebol. Mas a justiça rapidamente descobriu que Georges Roupakias, o assassino detido, era membro da Alvorada Dourada. E um exame ao seu telemóvel revelou que telefonou para vários responsáveis do partido, imediatamente antes e imediatamente a seguir ao crime. Alistado há apenas 1 ano, era pago pelo partido e aparece em várias fotografias tiradas em comícios organizados pelos neonazis, apesar dos desmentidos iniciais dos dirigentes da Alvorada Dourada, que começaram por afirmar não o conhecer. Rapidamente, também eles seriam detidos. Graças aos registos dos serviços secretos gregos, que os tinham colocado sob escuta há muito tempo.
Podemos regozijar-nos com isso. Mas alguns observadores expressaram as suas preocupações: afinal, a polícia há muito que tinha motivos para os deter... porque não agiu, então, mais cedo? “A Alvorada Dourada há muito que desempenhava um papel muito cómodo. O partido celebrizou-se por se declarar ‘antissistema’, opondo-se à classe política tradicional que todo o país detesta. Mas isso é apenas um simulacro. No Parlamento, a Alvorada Dourada sempre votou com o Governo: pelos despedimentos, pelas privatizações, pelos cortes salariais. O mesmo se passava em relação aos seus ataques contra estrangeiros: permitiam justificar ou minimizar o impacto das políticas anti-imigração. De noite, a Alvorada Dourada organizava pogroms [perseguições étnicas violentas]; durante o dia, o Governo incentivava operações-relâmpago e detenções de imigrantes em campos onde as condições de vida são desumanas”, explica Dimitri Zotas, advogado de vários imigrantes, vítimas do partido neonazi, no seu escritório no centro de Atenas. “O problema é que a Alvorada Dourada acabou por ultrapassar os seus demiurgos. Convencidos com a sua crescente popularidade, com quase 15% [nas sondagens] na véspera do assassínio de Pavlos, nunca tendo de se preocupar com os seus ataques contra os imigrantes, os neonazis sentiram-se invulneráveis. Acreditaram que podiam ir ainda mais longe, até ser longe demais.”

Contramaré… 5 nov.

A Associação Nacional de Farmácias alerta para o agravamento da falta de medicamentos à venda nos seus balcões. Mais de metade das farmácias do país estão com fornecimentos suspensos de medicamentos em pelo menos 1 distribuidor grossista e 351 são alvo de processos de insolvência e penhoras.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vai tudo de mal a pior! Continuar é a melhor solução…

“É necessária uma mudança profunda nas políticas de resposta às pessoas que se encontram em situação de desemprego”, concluiu uma investigação desenvolvida “ao longo dos últimos 3 anos, por uma equipa multidisciplinar de 10 investigadores” da Universidade de Coimbra (UC).
No relatório a debater em Lisboa, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) salienta que "a taxa de desemprego em Portugal atingiu um máximo histórico de mais de 17%" e que "os trabalhadores jovens e as famílias com crianças de tenra idade têm sido afetados desproporcionadamente pela contração económica".
"O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto, a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos 2 anos - embora com alguns sinais de redução nos meses mais recentes", refere o documento.
De acordo com a OIT, o volume do investimento produtivo em Portugal foi reduzido em mais de 1/3 desde 2008 - tendo-se verificado grande parte deste declínio nos 2 últimos anos -, provocando uma erosão nos ganhos de produtividade e prejudicando uma prosperidade futura.
"Os mais de 56% de desempregados que estão sem trabalho há mais de 1 ano estão a perder competências e motivação, e terão acrescida dificuldade em participar numa retoma económica futura caso não lhes seja prestado um apoio adequado. Muitos trabalhadores, incluindo parte dos jovens mais talentosos e qualificados, têm vindo a ser empurrados para a emigração", salienta o relatório.
Para a OIT, a "situação crítica" do país reflete uma combinação de fatores macroeconómicos e de fatores estruturais.
"A política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna", refere. As sucessivas políticas ativas de emprego e os serviços públicos de emprego têm sido insuficientes para fazer face ao aumento significativo do desemprego registado nos últimos anos.
Redução das taxas de juro e reforço das políticas activas de promoção do emprego permitiriam criar mais de 100.00 novos postos de trabalho.
O diagnóstico é conhecido: desde o início da crise, em 2008, perdeu-se 1 em cada 7 empregos em Portugal e os trabalhadores jovens e as famílias com crianças pequenas foram os mais afectados. A OIT propõe soluções, com custos para o erário público, mas que seriam compensados a curto prazo, defende.
Uma das medidas passa por lidar com os constrangimentos financeiros que pesam sobre as pequenas empresas, ultrapassando-se a relutância dos bancos em conceder empréstimos. "Um avanço célere para uma união bancária na zona euro desencadearia um progresso rápido."
A OIT sublinha a importância de disponibilizar mais recursos para as Políticas Activas do Mercado de Trabalho, criando e facilitando condições para que os desempregados voltem a trabalhar.
Parte das soluções passa por opções políticas.
A 1.ª seria a diminuição da taxa de juros em 1,5%, o que estimularia o aumento do investimento e do consumo. Em resultado do aumento da procura, o emprego aumentaria em 64.500 postos de trabalho e a taxa de desemprego diminuiria 1,2% até final de 2015.
A 2.ª opção política seria um aumento das despesas com medidas activas do mercado de trabalho. O emprego aumentaria em cerca de 43.500 e a taxa de desemprego diminuiria 0,8% até finais de 2015. Esta medida aumentaria as despesas do governo e os défices fiscais a curto prazo. "No entanto, à medida que o desemprego for estabilizando e posteriormente diminua, as despesas com subsídios de desemprego diminuirão e a base fiscal aumentará."
O efeito combinado das 2 opções políticas - a redução das taxas de juro e o reforço das políticas de mercado de trabalho — "seria uma diminuição do rácio da dívida pública/PIB de 5,9% até 2015."
O presidente da AICEP considerou que a descida do desemprego "será o último bastião" da crise que o país atravessa.
"Há 2 indicadores, a dívida e o desemprego, que vão levar anos a recuperar", disse Pedro Reis, sublinhando que para haver crescimento de emprego são necessários 2 factores: "crescimento económico e investimento", o que ainda está "longe de se conseguir". "Até essa equação estar fechada, o desemprego será o último bastião desta crise", sublinhou.
Há uma semana, um estudo sobre o desemprego em Portugal, realizado por investigadores portugueses, apresentou conclusões a que ninguém deu importância, mas agora que a OIT vem apresentar um outro estudo sobre o mesmo tema e retira as mesma conclusões, pode ser que alguém responsável o leia, enquanto nós ficaremos conhecedores e conscientes das soluções e da não implementação.
É claríssimo que não há nenhuma novidade no retrato feito à situação em Portugal e quanto ao desenho das soluções, nada de novo que qualquer leigo não soubesse. Mas o “argumento da autoridade” reforça as convicções de quem pensa o contrário do que o governo faz…
Para além das propostas (técnicas): diminuição da taxa de juros em 1,5%, para estimular o aumento do investimento e do consumo, que geraria 64.500 postos de trabalho com a diminuição da taxa de desemprego em 1,2% até final de 2015 e o aumento das despesas com medidas activas do mercado de trabalho, que faria aumentar mais 43.500 postos de trabalho, diminuindo a taxa de desemprego em 0,8% até finais de 2015, há outras medidas (empíricas), reclamadas por quase todos os portugueses, umas pela positiva, outras pela negativa:
Entretanto, vamos assistindo à implementação e imposição de medidas contrárias às várias conclusões, que demonstram que alguém está errado, ou os investigadores da Universidade de Coimbra, ou os especialistas da OIT, ou os amadores do Governo…
Quanto ao Governo, ficamos a saber que esta “premente” questão será a última a tentarem resolver, a não ser que haja mais um “milagre laboral” a acrescentar ao “milagre económico”, o que seria um paradoxo, já que a economia sem trabalho é tudo menos economia…
Por este andar, os governantes e seus apoiantes não terão argumentos técnicos para esta opção marcadamente ideológica inscrita no guião, que só nos guia para “Menos Estado, pior Estado”…

Ecos da blogosfera - 4 nov.

Espiados iremos ser! Prefere pelos EUA ou pela UE?

Para além da indignação, o escândalo das escutas norte-americanas deve funcionar como um propulsor para os europeus. Tal como o 1.º satélite soviético empurrou os norte-americanos para a exploração do espaço, estas revelações devem motivá-los a recuperar o atraso em matéria de tecnologias da informação.
Edward Snowden já conquistou o prémio de “integridade no trabalho” deste ano. Ora, para ficar à altura, o Ministério da Economia alemão deveria atribuir igualmente um prémio ao desertor da NSA, por este ter dado um impulso ao setor alemão das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Na verdade, nos últimos anos, nenhum empresário, nenhum cientista nem nenhum responsável político conseguiu relançar tão eficazmente os intervenientes alemães e europeus no setor das TIC, como Edward Snowden, com as suas revelações sobre os serviços secretos norte-americanos e britânicos.
No entanto, na cena política de Berlim, a alegria é comedida, por diversas razões. Porque, ao mesmo tempo que o caso das escutas da NSA está a fomentar de forma inesperada a procura de programas de codificação alemães, a política alemã encontra-se em estado de choque: as revelações de Edward Snowden constituíram a prova definitiva de que a Europa não era capaz de proteger eficazmente os dados pessoais dos seus cidadãos e de que nem sequer era competitiva em matéria de TIC. O material, o software, as linhas e os serviços de Internet provêm fundamentalmente de grupos norte-americanos – ou chineses. A infraestrutura da Rede é também dominada pelos Estados Unidos, onde se encontra concentrada a maioria dos principais servidores. A Alemanha e os outros Estados-membros da UE são, quando muito, “colónias digitais”.
A última oportunidade para a Europa
No entanto, até agora, tem sido quase sempre esquecido que, à margem do romance de espionagem, no qual é o personagem principal, Edward Snowden também fomentou a concorrência transatlântica em torno das quotas de mercado do setor das TIC. O escândalo das escutas da NSA constitui sem dúvida a última oportunidade que a Europa tem de recuperar o atraso em relação aos norte-americanos, que levam um avanço considerável. A situação atual faz lembrar o choque que o Sputnik representou para os Estados Unidos, em 1957, quando os russos se tornaram os primeiros a lançar um satélite no espaço. Os norte-americanos começaram por ficar consternados, mas, em seguida, fizeram tudo para passarem a ocupar a posição número um na navegação espacial e acabaram por ser os primeiros a enviar um homem à Lua.
O estado atual das coisas é comparável – e a Europa deve fazer tudo para não ser definitivamente ultrapassada na corrida às tecnologias estratégicas. “Estamos dependentes das empresas norte-americanas das TIC. Foi preciso um escândalo desta amplitude para tomarmos consciência disso”, lamenta Octave Klaba, administrador do grupo francês OHV, que fornece servidores Cloud, nos quais indivíduos e empresas podem armazenar os seus dados na Internet.
No entanto, os sinais de alarme eram muitos: desde 2011 que o Governo francês insistia na necessidade de resistência europeia, tendo em conta a importância estratégica das TIC. A França subsidia a criação de uma oferta própria de servidores até ao montante de 200 milhões de euros. Uma ninharia, é certo, em comparação com os milhares de milhões investidos por gigantes da Internet como a Microsoft, a Amazon e a Google. Mas, graças a Edward Snowden, a comissária europeia competente, Neelie Kroes, sente que os ventos são agora favoráveis aos seus projetos, que consistem mobilizar receitas fiscais para incentivar o setor europeu das TIC e para dotar a UE de uma infraestrutura europeia. A Comissão está a estudar a possibilidade de ir buscar alguns milhares de milhões aos fundos estruturais europeus e de os atribuir à concretização desse objetivo.
Inversão da posição alemã
Até agora, a Alemanha, que deveria desempenhar um papel decisivo nesta tendência, tem sobretudo levantado obstáculos, porque, tradicionalmente, o Governo de Berlim encara com ceticismo as iniciativas políticas de Paris para o setor industrial. No entanto, parece desenhar-se no horizonte uma inversão da posição alemã. Na inauguração da Hannover Messe [salão industrial de Hannover], em abril, Angela Merkel declarou que a Europa, e sobretudo a Alemanha, deviam reconquistar o seu lugar de líder mundial, através da “indústria 4.0”, isto é, da fusão da produção com as TIC. A sacudidela provocada pelas escutas do telemóvel de Angela Merkel pela NSA constitui hoje um estímulo emocional para impor as decisões políticas necessárias.
Nos próprios Estados Unidos, o debate sobre as repercussões das revelações de Edward Snowden sobre a economia está no auge. Um estudo do think-tank independente ITIF, de Washington, indica que a posição dominante dos gigantes norte-americanos no desenvolvimento das capacidades mundiais de alojamento Cloud se encontra ameaçada: os especialistas do ITIF apontam para uma queda do volume de negócios desses gigantes da ordem dos 22 a 35 mil milhões de dólares, nos próximos 3 anos, devido à perda de confiança que o caso induziu. No congresso do setor em Talin, a comissária europeia Neelie Kroes permitiu-se o prazer de deitar sal na ferida: “Uma vez que não podem ter confiança no Governo norte-americano nem nas suas promessas, talvez os clientes europeus de serviços Cloud deixem também de ter confiança nos fornecedores norte-americanos desses serviços”. Por outras palavras: a redistribuição dos 22 a 35 mil milhões de volume de negócios [perdidos pelos norte-americanos] poderá dar asas às empresas alemãs e europeias de serviços Cloud, levando-as a investir fortemente num mercado que já consideravam perdido.
Assiste-se, portanto, o aparecimento de um discurso curioso, em contracorrente do da globalização, que até agora imperava: os fornecedores de serviços Cloud franceses, como o grupo de telecomunicações SFR, fazem publicidade, afirmando que é em França que os dados franceses estão mais seguros. E os concorrentes do outro lado do Reno seguem-lhes as pisadas. Segundo as sondagens, mais de metade das PME alemãs desejam armazenar os seus dados exclusivamente em empresas alemãs – quando estas ainda utilizam serviços Cloud.
Contexto - Um olhar flagrante
“Este caso de espionagem mostra que, no conjunto da cadeia de informação digital, a relação de poder entre os Estados Unidos e a Europa se transformou, provavelmente, de 1 para 100”, escreve o cronista Eric Le Boucher em Les Echos.
Constatando as filosofias radicalmente diferentes entre americanos e europeus sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade, o jornalista defende que “a revolução digital oferece uma dupla vantagem à América. Por um lado, os Estados Unidos estão naturalmente mais à vontade para desenvolver esses milhares de aplicações e de empregos que florescem no processamento de dados. Quanto mais as máquinas conservam os dados, melhor será o serviço possivelmente oferecido; joga aqui uma confiança no sistema económico, que é natural nos Estados Unidos mas não em França. Por outro lado, as empresas que recolhem os dados, sendo quase todas americanas, têm à partida uma considerável vantagem sobre os rivais que se querem lançar na Europa. Estes, terão de comprar, se os americanos quiserem vender, os dados que “pertencem” aos europeus. É um grande roubo de memórias… […] Acrescentemos, para terminar, que milhares de milhões de dados são armazenados, na maior parte do tempo, em grandes centros situados em solo americano a que as agências de segurança federais têm acesso, de uma maneira completamente opaca. Tudo está na Net: a defesa, a liberdade, a economia. A revolução digital destrói os fundamentos da Europa.”

Contramaré… 4 nov.

Os serviços secretos da Alemanha, França, Espanha e Suécia desenvolveram nos últimos 5 anos sistemas de monitorização de dados telefónicos e de Internet através de uma estreita colaboração com a agência britânica GCHQ, noticiou o jornal The Guardian.
A notícia dessa possível rede europeia surge dias depois de os governos alemão, francês e espanhol reagirem com indignação às denúncias de que foram alvo de espionagem da agência norte-americana NSA.

domingo, 3 de novembro de 2013

Batam no “rei” Rui, mas não no povinho do NORTE!

O presidente da Câmara do Porto (CMP), Rui Moreira, criticou o modo como a EDP procedeu aos cortes de electricidade esta semana a largas dezenas de lares dos bairros sociais da cidade.
“A nossa preocupação principal é que a CMP não foi informada”, sublinhou o autarca. “A CMP e os seus eleitos devem pelo menos ser informados previamente do que sucede, e nós não fomos informados. Não pode ser. O povo do Porto não pode ser informado através dos fornecedores de serviços daquilo que lhes vai suceder”, acrescentou.
Rui Moreira lamentou também não ter sido informado do fecho da unidade de saúde familiar do centro de saúde de Azevedo de Campanhã. A Administração Regional de Saúde do Norte anunciou nesta sexta-feira que, a partir de segunda-feira, aquela estrutura fica encerrada, por falta de condições de segurança e salubridade. O encerramento foi comunicado um dia depois dos cortes de energia no Bairro do Lagarteiro – cuja população é servida por aquela unidade de saúde – o que indignou a população.
Para além do Lagarteiro, a EDP efectuou cortes de energia nos bairros de Contumil e do Cerco do Porto.
A EDP Distribuição garantiu que os cortes em causa visaram apenas as ligações clandestinas, e não as dívidas. Ontem, contudo, os jornalistas puderam confirmar que quase todas as ligações ilícitas já foram repostas no bairro, por moradores que insistem que as pessoas não pagam porque não podem.
A unidade de saúde familiar de Azevedo de Campanhã também foi ontem palco de uma manifestação que reuniu cerca de meia centena de pessoas, que admitiam ocupar o equipamento para que este não encerrasse definitivamente na segunda-feira, mas que, às 20h, acabaram por acatar o convite da polícia para abandonarem as instalações da unidade, permitindo que ela fechasse à hora normal.
A forma de actuação da EDP, cujos técnicos se fizeram acompanhar por mais de 30 agentes da PSP para realizar a acção no Bairro do Lagarteiro, também foi criticada por Rui Moreira. “Acima de tudo, nestas matérias é preciso dividir aquilo que é uma intervenção legítima, quando se impõe, e aquilo que é a sensibilidade social que é preciso ter”, referiu. “As pessoas que vivem nos bairros não são diferentes de todos nós”, defendeu ainda.
O autarca sublinhou ainda a coincidência de os cortes de luz e o anúncio do fecho da unidade de saúde terem ocorrido depois de o novo executivo municipal ter assumido que a sua principal “prioridade é esta zona da cidade e esta freguesia”. Rui Moreira disse estranhar que, “subitamente, se abata sobre esta freguesia um conjunto de medidas que objectivamente têm impacto sobre a população”.
Moreira sublinhou, aliás, que as dívidas e as ligações de energia clandestinas não existem apenas “desde o período eleitoral” mais recente. “Já existiam antes”, vincou, dispensando-se contudo de apontar responsáveis “por essas políticas” que têm “grande impacte sobre a população”.
Aqui estão 4 assuntos para 1 só destinatário:
1. Uma empresa priva(tiza)da, com legitimidade para o ato praticado, inicia um processo sobre uma parte da população do Porto;
2. O representante máximo da população não é informado, para tentar resolver um problema, que faz parte das suas funções;
3. O ato praticado é apoiado com elementos da PSP;
4. Na sequência é encerrada uma unidade de saúde familiar, que serve os moradores do bairro alvo;
5. Rui Moreira é um autarca recém-eleito, contra a corrente (de alternância) do jogo partidário e fez faísca.
Agora vejamos:
1. Apesar de o corte de eletricidade ser legitimado pelo incumprimento ou abusos dos utentes do serviço prestado, deve haver muiiiitos mais casos por esse país fora, sobretudo em Lisboa, com situação idêntica.
A pergunta que se coloca é: por que o Porto? Aqui há gato com rabo de fora…
2. Embora a EDP não avise o Presidente da Câmara quando corta o fornecimento de qualquer serviço que vende a qualquer cidadão, no caso, dado o número de pessoas, a sua debilidade económica e as consequências de vária ordem, não se entende o silêncio gritado na comunicação social e ficam dúvidas sobre a legalidade de tal procedimento.
A pergunta que se coloca é: será por que o autarca é um “inexperiente” outsider, chamado Rui Moreira? Aqui há gato com rabo de fora…
3. Também não é normal que os funcionários ou contratados da EDP para cortarem a eletricidade a qualquer cidadão nas mesmas circunstâncias venha acompanhado pela PSP, o que só pode ter acontecido com a autorização e o comprometimento dos seus superiores, que por acaso tem na pirâmide um ministro portuense.
A pergunta que se coloca é: estará a instituição e o ministério a defender a EDP ou a hostilizar a população ou o autarca? Aqui há gato com rabo de fora…
4. A sincronia do anúncio de encerramento de uma unidade de saúde familiar cheira a oportunismo gratuito, tanto mais que os motivos alegados de falta de condições de segurança e salubridade são da exclusiva responsabilidade da ARSN.
A pergunta que se coloca é: estará a Administração Regional de Saúde do Norte concertada com a EDP para avisar que o crime não compensa e que a penitência é redobrada, mesmo que o “pecado” seja venial? Aqui há gato com rabo de fora…
5. Tudo conjugado e partindo do princípio de que não há coincidências, verifica-se que há incongruências inexplicáveis com o passado médio e recente.
A pergunta que se coloca é: estará a EDP, por interposta autoridade a dizer a Rui Moreira, que quem manda no Porto não é ele nem os portuenses? Aqui há gato com rabo de fora…
Concluindo, se não houver, rapidamente, idênticas práticas da mesma empresa priva(tiza)da noutras autarquias em que situações idênticas se verifiquem, teremos que avaliar como intencional esta investida, com os objetivos que elencamos.
Ou será uma outra forma inovadora de alargar o conceito de “cortes”, com a ajuda de jagunços?
Vale tudo, até espezinhar os tão “protegidos” pelo executivo “mais desfavorecidos”, sobretudo se forem do Porto?
Quem se mete com este governo leva!
 Mas o Porto é lindo!