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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Vós, que ides (des)governando, lembrai-vos de nós que estamos penando…

O ministro das Finanças acossado pelas críticas dentro do próprio governo – além do CDS, alguns ministros do PSD manifestaram-se contra algumas opções políticas de Gaspar – decidiu falar com Passos Coelho, numa conversa pessoal, antes da conferência de imprensa em que apresentou as linhas gerais do Orçamento do Estado para 2013 e dizer que estaria disposto a sair do governo caso o primeiro-ministro assim o entendesse. Passos disse que não e segurou o ministro que nos últimos meses tem garantido lugar de destaque no executivo e tem sido mais que o braço-direito do chefe do governo.
A segurança transmitida por Passos deu a Gaspar a confiança para responder aos jornalistas mais tarde na conferência de imprensa no Ministério das Finanças.
Várias são as vozes no executivo que defendem uma substituição de Vítor Gaspar por Paulo Macedo, devido à experiência do ministro da Saúde em assuntos fiscais, por ter sido director-geral dos impostos entre 2004 e 2007.
A remodelação do executivo – numa altura em que aumenta a tensão entre PSD e CDS – tem sido dado corrente nas últimas semanas, mas o primeiro-ministro tem adiado mexidas na sua equipa, até porque é certa a dificuldade em convencer personalidades fora do executivo a entrar para o governo numa altura em que os níveis de popularidade estão em baixo.
As relações entre Passos Coelho e Paulo Portas nunca foram óptimas. Antes pelo contrário. E foram arrefecendo com o tempo, a ponto de o líder do CDS se queixar de não ser ouvido em matérias fundamentais pelo primeiro-ministro, que sempre privilegiou um círculo onde estão os inevitáveis Braga de Macedo e António Borges. Mas desde 7 de Setembro, altura em que Passos Coelho anunciou as alterações à TSU, sabendo que Paulo Portas estava contra, a tensão entre os dois líderes da coligação atingiu limites próximos da ruptura.
A discussão do Orçamento do Estado para 2013, com as longas maratonas em Conselhos de Ministros extraordinários, não veio ajudar em nada o mau ambiente que se vive não só entre Passos e Portas, mas também com outros ministros independentes e do PSD. No primeiro caso estão Paulo Macedo, da Saúde, e Álvaro Santos Pereira, da Economia e no segundo Paula Teixeira da Cruz, da Justiça, muito crítica da proposta de Vítor Gaspar.
E todos os ministros, com excepção de Passos e Gaspar, se sentiram verdadeiramente humilhados quando chegaram ao Conselho de Ministros de segunda-feira e ouviram Passos Coelho dizer que o Orçamento estava fechado e não havia espaço para quaisquer alterações. E isto porque, depois da maratona de 20 horas do Conselho de Ministros de 10 de Outubro, os ministros passaram os dias e o próprio fim-de-semana a preparar propostas de cortes nas despesas dos respectivos ministérios de modo a ser viável um alívio na brutal carga fiscal imposta por Gaspar.
E foi antes dessa humilhante reunião do Conselho de Ministros de segunda-feira, que decorreu num ambiente de alta tensão e com os ministros em silêncio absoluto, que Passos Coelho falou com Paulo Portas de uma forma de pura chantagem política. Basicamente, o primeiro-ministro disse ao seu ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros que estava disposto a romper a coligação e a apresentar a demissão ao Presidente da República caso o CDS levantasse a mínima objecção ao Orçamento avançado por Vítor Gaspar. Para tornar ainda mais clara a sua posição, Passos Coelho avisou Paulo Portas de que o PSD iria responsabilizar o CDS pelo pedido de um 2º resgate a Portugal.
Com esta tomada de posição, a ruptura política e pessoal entre os dois responsáveis pela coligação é já um facto consumado e pode vir a provocar o fim do governo mais cedo do que se imagina.
Agora que o Orçamento começa a ser discutido no parlamento, será muito difícil Paulo Portas impedir a apresentação de propostas de alteração pelos deputados centristas, que ficaram mais uma vez revoltados com o tom irónico e arrogante de Vítor Gaspar na reunião de ontem com os grupos parlamentares da coligação, particularmente quando afirmou que todas as propostas teriam de ser sujeitas à aprovação da troika.
Mais palavras para quê?
É a (ir)responsabilidade, pá!
O país atrás do Partido…
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Ecos da blogosfera - 17 out.

Gehe Studie, Annette Schavan “Grass”!

A ministra da Educação, Annette Schavan, enfrenta um momento crítico de sua carreira política. Após acusações de plágio, a Universidade de Düsseldorf investigou a tese de doutoramento apresentada pela atual ministra em 1980 e a instituição confirmou as acusações. A ministra nega as denúncias.
Aos 57 anos, Schavan é confidente da chanceler federal alemã, Angela Merkel. Após ocupar o cargo de ministra da Cultura do estado de Baden-Württemberg durante 10 anos, assumiu o atual posto de ministra da Educação e Pesquisa em 2005. Desde 1998, Schavan é também vice-presidente da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel.
O ministro da defesa, Thomas de Maizière, também da CDU, declarou: "Confio plenamente em minha colega".
Entretanto, a presidente do Partido Verde, Claudia Roth, criticou duramente Schavan. "Caso as acusações sejam confirmadas, pergunto-me com que credibilidade a ministra, justamente encarregada da Ciência e da Pesquisa, continuará a exercer seu cargo". Para Roth, considerado o cargo de Schavan, só a suspeita de fraude já é bastante grave.
Em 2011, outro caso de plágio atingiu a política na Alemanha. Quando o então ministro da Defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, foi acusado de plágio na sua tese de doutoramento, Schavan disse envergonhar-se pelo que tinha acontecido na posição de cientista. Após semanas de acusação, Guttenberg renunciou ao cargo em março do ano passado.
O caçador de plágios, Martin Heidingsfelder, exige a renúncia da ministra.
Karl-Theodor zu Guttenberg cede à pressão e renuncia a todos os cargos políticos. O ministro acusado de plágio na sua tese de doutoramento admite ter cometido "erros" no seu trabalho científico. (01.03.2011)
Depois do ex-ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, foi a vez de a deputada europeia Silvana Koch-Mehrin perder o seu título de doutora por plágio. (15.06.2011)
Para além dos muitos e variados pecados que a classe política vai expiando, sem grandes penitências, parece que a vontade de apresentarem currículo académico é transversal a todas as nacionalidades (mesmo as mais MAIS), quando se queria reduzir o fenómeno ao nosso campo de “relvas” sintéticas…
Afinal, na grande e culta Alemanha, os casos de plágio repetem-se, à procura de títulos pomposos, apesar de tudo diferentes dos casos de cá, mas com a semelhança de serem conselheiros dos “Grandes Chefes”…
Não há dúvidas de que para se ganhar direito ao canudo é preciso estudar, canudo!
E no mesmo país, para além da honestidade intelectual estar com défice público, a honestidade de caráter vai pelo mesmo caminho: É mesmo! "Nenhum macaco olha para o seu rabo" apesar de se dizer que para os verdadeiros luteranos não pode haver nada mais importante do que as verdades…
Se estas manigâncias se multiplicam em proveito pessoal, imagine-se o que não serão capazes de fazer em proveito da Nação…
Só que, lá os que não estudam são vasculhados e vão para a rua, por sua própria “iniciativa”…
Afinal há diferenças entre a relva natural e a sintética…
Atualização a 18.10.2012 - Pelos vistos o rol não se esgota aqui e continua o rol:
A suspeita de fraude contra atual ministra da Educação chama atenção para uma série de políticos que tiveram recentemente a tese de doutoramento revogada no país. Especialistas avaliam efeitos sobre a carreira política.
Após o incidente, uma série de políticos teve deixar cair os seus títulos de doutor por causa de teses não idóneas. "Se o título de doutor é revogado, a carreira pode facilmente chegar ao fim", disse o cientista político Gerd Langguth. "Quando se tem o título de doutor, as coisas ficam mais fáceis na política. Se é olhado e escutado com mais respeito."
Mas nem todos os políticos encerraram sua carreira após a revogação do título de doutorado: Silvana Koch-Mehrin e Jorgo Chatzimarkakis, do FDP continuaram a ocupar os seus assentos no Parlamento Europeu;
Bijan Djir-Sarai, deputado no Parlamento alemão, manteve-se no cargo após a retirada do título de doutor;
O líder parlamentar da CDU, Florian Graf, renunciou ao título depois de ter sido acusado de fraude, mas manteve a posição política, e
Na esfera estadual, Roland Wöller, da Saxônia, e Bernd Althusmann, da Baixa Saxônia, dois secretários de Cultura da CDU, tiveram de se manifestar sobre acusações de fraude diante de um comité de doutoramento, mas puderam manter o seu título de doutor e permaneceram nos seus cargos.

Uma roleta russa, com missa de 7º dia já marcada?

Quando os portugueses leram ontem a versão final do Orçamento apresentado por Vítor Gaspar foram fazer aquele jogo do ‘descubra as diferenças’ face à versão preliminar conhecida no final da semana passada e que tanta indignação provocou.
Pedro Sousa Carvalho
Depois de, nos últimos dias, o Governo e os partidos da coligação terem dado sinais de querer recuar nalgumas medidas de austeridade, como a sobretaxa de 4% ou os escalões de IRS, eis que ontem chegou a versão final do Orçamento, que não tira uma única vírgula à austeridade. Muito pelo contrário. Acrescenta austeridade à austeridade.
Parece que Vítor Gaspar anda a jogar à malha com os portugueses. É só malhar. E ontem ficamos a saber que nem os jogos da Santa Casa vão escapar ao brutal aumento de impostos: Euromilhões, Totobola, Totoloto e até a inofensiva Raspadinha vão ser taxados a 20%. Todas as terças e sextas Gaspar vai-se transformar num excêntrico milionário, engordando o Estado, à custa dos portugueses, tenham eles sorte ou azar.
O facto de Vítor Gaspar não ter recuado um milímetro na austeridade mostra que o ministro das Finanças é actualmente, e de longe, o mais poderoso deste Governo e nem as preces de Paulo Macedo, Paula Teixeira da Cruz, Miguel Macedo e companhia o conseguiram demover de um caminho que já foi trilhado pela Grécia e que termina num precipício. E Gaspar não arrepia caminho. Na coligação, o PSD e o CDS continuam a jogar ao jogo do gato e do rato e ninguém quer assumir a paternidade das novas medidas de austeridade. Tal como no jogo do Galo vão perder os dois porque o jogo não vai chegar ao fim.
Se não leu o Orçamento do Estado, que são muitas páginas, não se preocupe. Espere pela estreia do filme em 2013. Vai ser dramático. Vítor Gaspar escolheu um caminho perigoso que vai esfrangalhar a classe média e levar milhares de portugueses à miséria. E mesmo sabendo que está a perder, Vítor Gaspar continua a jogar e a fazer ‘bluff', fazendo de conta que está a ganhar. Não tem um único trunfo, mas é incapaz de pestanejar. O ministro das Finanças parece um jogador de Sudoku que se enganou a colocar um número mas que vai continuar a jogar para nos provar que não se enganou, mesmo sabendo que as contas no final nunca vão bater certo.
E o mais hilariante disto tudo é que a austeridade sempre nos foi vendida como um caminho que nos vai levar de regresso aos mercados em Setembro de 2013. E quem se der ao trabalho de ler o Orçamento irá constatar, e com certeza com grande espanto, que no capítulo sobre o financiamento do Estado para 2013 não está previsto o regresso aos mercados. Pasme-se. O Governo assume que não vai emitir uma única Obrigação do Tesouro no próximo ano, nem mesmo para pagar os 5,8 mil milhões que vai ter de reembolsar em Setembro de 2013. O cheque da ‘troika' tratará do assunto. Tanta austeridade em nome do regresso aos mercados e afinal não vamos regressar aos mercados.
Há uns tempos, Paulo Macedo, na altura ainda era Director Geral do Fisco, mandou encomendar uma missa para ele e para os trabalhadores dos impostos. Paulo Macedo, agora ministro, e que tem assumido nos bastidores a sua oposição à austeridade cega de Vítor Gaspar, deveria voltar a encomendar outra missa. Um dia alguém escreveu que Deus joga aos dados. É sempre melhor do que ver Gaspar a jogar à roleta russa com os portugueses.

Contramaré… 17 out.

Manuela Ferreira Leite mostrou-se convicta de que o Orçamento não vai ser cumprido, discordou da opção de atacar a classe média com o agravamento da carga fiscal e sublinhou que a destruição da classe média acarreta a destruição da sociedade.
Bagão Félix apontou no mesmo sentido e recorreu mesmo a uma metáfora médica. “Em 2013, aumentando a carga fiscal de uma maneira ainda mais agressiva, brutal mesmo, está a entrar-se numa terapêutica viciosa de uma doença que pode agravar a contingência de uma infeção generalizada na economia. Ou seja, esta carga fiscal pode gerar uma septicemia na economia”, previu.
Vieira da Silva culpou o governo e a ‘troika’ pela situação atual, que avisou que se está a criar um “foco de instabilidade” e a “raiva” dos cidadãos.
Vítor Bento foi brando nas críticas ao Orçamento e defendeu que é preciso “um pacto entre as forças políticas e sociais para fazer o que é necessário para o país se manter no euro”.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Gaspar diz que é a troika, a troika diz que é o governo!

Taxas de IRS e IRC na Europa
O ministro das Finanças diz que o Governo não tem "margem de manobra" para alterar o Orçamento do Estado para 2013 e colocá-lo "em causa" é "pôr em causa o processo de ajustamento". A ameaça de Vítor Gaspar na conferência de imprensa de ontem tinha um destinatário directo: Paulo Portas. O CDS equaciona, agora, sair do Governo, caso o documento não seja alterado até 31 de Outubro (votação na generalidade).
À noite, Paulo Portas reuniu o seu núcleo duro para delinear reacção oficial às contas de Gaspar.
Abandonar o Executivo é uma carta em cima da mesa. A solução para evitar uma crise política passaria por ficar como apoio de incidência parlamentar, obrigando o PSD a negociar na especialidade cada uma das medidas para garantir a sua aprovação. O partido de Portas ficou "furioso" com a falta de flexibilidade de Gaspar para aliviar o pacote fiscal, como tinha exigido, e vai pedir uma reunião informal ao Presidente da República para discutir a situação política e tentar convencer Cavaco a tomar uma atitude.
O próprio Presidente disse no sábado que o défice não podia ser reduzido "a qualquer custo" e o CDS esteve convencido até ontem de manhã que haveria disponibilidade da parte do ministro das Finanças para aligeirar o "enorme" aumento de impostos e reforçar o corte nas despesas, o que não aconteceu. "Vítor Gaspar mostrou-se inamovível perante a maioria das propostas do CDS", assumiu um dirigente centrista, acentuando que cresce a "dúvida" de se é possível executar este OE. Os ministros do CDS sentiram que a sua voz não teve peso na versão final do orçamento e Gaspar fez questão de reforçar na conferência de imprensa que a proposta "é a única possível na sequência do 5º exame regular". O ministro foi mesmo mais longe quando disse que "a taxa efectivamente paga é a taxa média" e "Portugal apresenta um nível de tributação, em sede de IRS, dos mais baixos da Europa".
Oficialmente, o CDS foi o único partido que não reagiu à proposta de OE/2013, mas à noite Portas reuniu com o líder parlamentar Nuno Magalhães, Teresa Caeiro, João Almeida e outros membros da comissão executiva.
As reacções dos deputados centristas não se fizeram esperar no Facebook. O porta-voz João Almeida lembrou que "qualquer orçamento tem margem para ser alterado no Parlamento. Negá-lo é negar o fundamento do parlamentarismo e do sistema democrático". Também Adolfo Mesquita Nunes disse: "Não esperem de mim que aceite que este Orçamento do Estado é, tal como está, inalterável. E terei oportunidade de o dizer directamente ao Ministro das Finanças". O confronto dá-se já hoje com a reunião entre Vítor Gaspar e os deputados da maioria.
Esta crise política pode vir a acelerar a remodelação governamental. O próprio relatório do OE/2013 abre essa porta, com um artigo que autoriza o Governo a "efectuar as alterações orçamentais decorrentes de alterações orgânicas" do Executivo e da "estrutura dos ministérios". Caso fiquem no Governo, a mudança de pasta de Paulo Portas é uma das hipóteses, bem como a saída de Vítor Gaspar. A incompatibilização entre os dois acentuou-se com este Orçamento e Passos Coelho tem ainda de resolver o problema do megaministério da Economia e de Miguel Relvas. Sobre este dossier, Gaspar disse que o seu lugar está à disposição de Passos Coelho e que a sua única motivação é "retribuir ao País o enorme investimento que colocou na sua educação".

Ontem, o PSD foi o único partido a vir em defesa deste Orçamento, embora assumindo que é "contra a ideologia" dos social-democratas. Duarte Pacheco justificou o pacote fiscal com as "metas rigorosas" do défice assumidas na última avaliação da troika e manifestou-se convicto que todos os deputados da bancada laranja estarão "ao lado do Governo". No entanto, os parlamentares do PSD/Madeira e PSD/Açores já admitiram o voto contra.
Durante a conferência de imprensa de ontem, Gaspar ainda referiu que no Governo "ninguém defende o mérito intrínseco de uma subida de impostos". E acrescentou que "o esforço para mitigar o aumento da carga fiscal - através de cortes na despesa do Estado - foi determinado e deu resultados". Para o ministro das Finanças, "foi possível manter a cláusula de salvaguarda do IMI", eliminando assim uma preocupação comum a muitos portugueses. Mas, ao que tudo indica, ou o esforço do ministro e do Governo aumenta ou a coligação corre o risco de entrar em colapso e com ela o Orçamento para 2013.
Os funcionários públicos vão ter a vida ainda mais dificultada no próximo ano. Para começar, o governo teve mão pesada no que se refere às remunerações dos trabalhadores do Estado, que encolhem por diversas vias.
Carga fiscal em Portugal baterá recordes em 2013 aproximando-se de 37% do PIB. É o preço a pagar para reduzir o défice orçamental de acordo com o memorando da troika, diz Gaspar.
Já todos devemos ter reparado num instinto comum a Passos Coelho e Vítor Gaspar, que se traduz naquela frase: “Quem se meter comigo, leva!”.
E de acordo com a ameaça Gaspar atirou-se desta vez a Paulo Portas (que não lhes fica atrás, mas mais maquiavélico) e ao CDS-PP, a ponto de este partido pensar (ameaçar) abandonar o Governo e dar-lhe apenas apoio de incidência parlamentar, negociado, para colocar os dois “inimigos do peito” em sentido e obrigá-los a umas sessões de Pilates. Não está mal pensado, só falta saber para defenderem quem… E como primeiro passo, vai pedir uma reunião ao PR para o tentar convencer a tomar uma atitude (o que é mais difícil do que convencer Gaspar), acreditando que o recado que Cavaco mandou ao Gaspar, de que o défice não podia ser reduzido a qualquer custo era a sério… Boa sorte!
Quanto à teimosia de Gaspar, ou o pouco tempo para alterar o evitável, o homem faz questão de trazer à liça o 5º exame regular da troika ao trabalho realizado por ele (e não por Portugal), que lhe deu boa nota (aqui), mas que culpou o governo pelos maus resultados (lá fora, apesar da boa nota, cá dentro), que lhe exigia 2/3 de redução da despesa (não venham dizer que despesa é pagar a quem trabalha) e 1/3 nos impostos, o que agora foi invertido, sem se saber se a troika tenha aceite…
Para justificar o uso do napalm, Gaspar não tem pejo em dizer que o nosso IRS é dos mais baixos da Europa, que pelo que consegui investigar (com dificuldades) não é bem assim (ver gráfico acima, de 2008)…
É de sublinhar que Gaspar teime em se manter no governo para retribuir ao País o enorme investimento que colocou na sua educação, que ele, “socialdemocraticamente” quer retirar aos mais jovens... O Ensino Público agradece e os Professores também, apesar da falta de alguma Moral que se percebe nas suas decisões…
Ilógico, é acreditar que todos os deputados do PSD sejam os únicos que não querem ver, nem ouvir, nem pensar (falar é complicado) são os únicos que entendem e defendem este Orçamento, apesar de serem capazes de concluir que é tudo contra a ideologia dos social-democratas… Ainda apareceu um tal Duarte Pacheco a justificar(?) o pacote fiscal com as metas rigorosas (ah! ah! ah!) assumidas na última avaliação da troika (que foi um desastre!) e os seus parceiros de bancada estarão ao lado do Governo (quando deviam ir à frente), embora os do PSD/Madeira e PSD/Açores votem contra o OE2013. É a autonomia, pá!
E embora me repita, cá está a tática de martirizar mais os Funcionários Públicos e Reformados do que os outros portugueses, apesar de todos serem o aval para a incompetência de um ministro com potência…
Nota – Como estes comentários foram feitos há 10 horas atrás, a coisa evoluiu(?) e o Gaspar afinal já dá o dito por não dito, como homem de palavra(s), que é, e flexível tecnicamente, como se demonstra.
"Registamos a disponibilidade ainda hoje demonstrada pelo senhor ministro das Finanças para o Orçamento do Estado ainda ser analisado, discutido, trabalhado e alterado em sede de discussão orçamental na Assembleia da República", declarou Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP.

Ecos da blogosfera - 16 out.

Os Europeus – 25 (último…)

A adoção do euro criou um dos maiores espaços económicos mundiais com uma única moeda: da noite para o dia, 320.000.000 de pessoas passaram a ter o mesmo dinheiro na carteira.
Matthias von Hellfeld
As moedas do Euro de todos os países-membros
O ceticismo era grande. Na Alemanha, muitos temiam que o sólido marco alemão fosse substituído por uma moeda que trouxesse consigo altos índices de inflação. Outros estavam preocupados com a influência das economias de países onde se produzia menos do que na Alemanha. As taxas de inflação desses países teriam reflexos sobre a estabilidade da moeda comum?
O euro chegou para circular em 12 países no Ano Novo de 2001 para 2002, mas os preparativos para a introdução da nova moeda tinham começado bem antes. Bancos e comércio vinham a ser abastecidos com o novo dinheiro desde setembro. Nas lojas e supermercados, os preços eram exibidos em euro e na moeda nacional, para que as pessoas pudessem desenvolver uma noção do valor do novo dinheiro. Na Alemanha valia a regra: 2 marcos perfazem 1 euro.
Campanhas publicitárias apresentaram a nova moeda e, a partir de 17 de dezembro de 2001 era possível comprar os chamados starter kits nos bancos. Por 20 marcos recebia-se pouco mais de 10 euros em moedas, mas ainda não era possível pagar com elas. Isso seria possível apenas a partir da 00h00 de 1 de janeiro de 2002.
Dimensão histórica
A adoção do euro causou longos debates entre políticos dos países europeus. Na condição de pró-europeu convicto, o então chanceler federal alemão, Helmut Kohl, concordou de bom grado com a adoção da nova moeda nas negociações para o Tratado de Maastricht, em fevereiro de 1992.
A posição adotada por Kohl era de suma importância para alguns estados do leste alemão, que condicionavam o seu consentimento com a unificação alemã à garantia de que estariam firmemente ancorados no conjunto de valores ocidentais. A moeda comum europeia parecia ser – aos olhos dos governantes envolvidos – o melhor meio para tornar essa decisão irreversível.
Durante os debates no Parlamento alemão sobre a adoção do euro pela Alemanha, Kohl ressaltou a dimensão histórica da decisão: "A concretização da união económica e monetária europeia é, nas suas consequências, a mais importante decisão desde a reunificação alemã. Ela é a mais profunda mudança no nosso continente europeu, desde o colapso do império comunista".
Não é a primeira vez que há uma moeda comum no continente. Cerca de 1.150 anos antes, o rei franco Carlos Magno (747-814) também introduzira uma moeda comum no seu império: o denário de prata era utilizado por todos em todos os lugares. Com isso, era possível comparar preços, e uma pessoa podia descobrir que valor o serviço por ela oferecido tinha noutros lugares.
Assim como hoje, os habitantes do continente tiravam proveito do facto de poderem fazer negócios noutras localidades utilizando sua própria moeda, sem a necessidade e as despesas de fazer o câmbio. Uma vantagem que desapareceu com a divisão do Império Carolíngio, no final do Século IX.
Moeda estável
De volta ao Século XXI: o ceticismo inicial sumiu e, 7 anos após a sua adoção, o euro tornou-se uma das moedas mais estáveis do mundo. Muitos países acumulam reservas na moeda europeia, que também se foi valorizando cada vez mais perante o dólar.
Isso deveu-se principalmente à existência de um banco central único, uma posição que era defendida principalmente pela Alemanha. A política financeira comum é – também por motivos históricos – voltada para manter a inflação sob controlo. Os devastadores tempos da inflação alta na Europa deixaram marcas profundas no inconsciente coletivo dos europeus e despertavam temor e preocupação mesmo naqueles que não os conheceram.
O euro passou nos primeiros testes e desempenha um papel respeitado no cenário monetário internacional. Além disso, o espaço monetário unificado – do qual fazem parte hoje mais 4 países – é uma garantia para a paz no continente. Declarar guerra à própria moeda é algo que faz tanto sentido para um país como destruir fábricas das quais os próprios empresários participam.
No dia da adoção do euro, o então ministro alemão das Finanças, Hans Eichel, resumiu a importância da data: "Este é um dia histórico porque hoje se torna palpável, para qualquer um, o que é a unificação europeia, e que este é o grande projeto de paz e bem-estar social do Século XXI para nós, os europeus."

A ironia da entrega do Nobel da Paz à União Europeia

O Nobel da Paz atribuído à Europa representa um apelo duplo: aos dirigentes europeus, para que salvem uma União danificada; aos cidadãos, para que deem provas de solidariedade, num momento em que a crise coloca em causa o modelo social europeu, escreve o filósofo alemão Jürgen Habermas.
É no momento da crise mais grave da sua história que a União Europeia vê ser-lhe atribuído o Nobel da Paz. Nas suas motivações, o Comité Nobel felicita-a por ter “contribuído para passar a maior parte da Europa de um continente em guerra para um continente de paz”. De facto, seria difícil imaginar outros motivos para motivar a atribuição de um prémio Nobel da Paz.
Portanto, as circunstâncias da crise atual esclarecem a entrega deste Nobel, ou mais precisamente as repercussões que tal decisão pode ter na situação atual da União. Interpreto a decisão da atribuição do prémio Nobel da Paz à UE neste preciso momento, em que esta nunca esteve tão mal, como uma súplica às elites políticas europeias – as mesmas elites que vemos hoje, em tempos de crise, a agir sem qualquer coragem, nem qualquer visão.
Para além dos antagonismos históricos
Este prémio Nobel da paz mostra claramente aos governos que estão hoje na liderança dos países-membros da união monetária que precisam de olhar para além da sua própria sombra e que devem portanto avançar com o projeto europeu. Algo que está explicitamente escrito, no mínimo 3 vezes, no texto do apelo. O Comité Nobel começa por elogiar a reconciliação da construção da paz na Europa após a II Guerra Mundial.
O texto evoca, em seguida, os esforços para construir e promover a democracia e a liberdade, assim como os processos de liberalização que a União Europeia levou a cabo nos anos 1980 a favor da Grécia, da Espanha e de Portugal, similares aos dos anos 1989-90 para os países da Europa central e oriental, que integraram mais tarde a União. Esforços que a Europa deve agora aplicar nos Balcãs. O Comité Nobel louva a coragem que a Europa teve para superar os antagonismos históricos e obter este sucesso civilizador que é o alargamento da União Europeia, que deverá um dia incluir a Turquia.
A Europa dos cidadãos
Mas há mais. É preciso esperar pela 3ª motivação do Comité para encontrar a ironia da atribuição deste prémio Nobel da Paz à União Europeia. O Comité Nobel faz referência à crise económica que, nos países-membros da zona euro, está na origem “de perturbações e tensões sociais consideráveis” e que quase leva à rutura uma Europa comprometida por responsáveis incompetentes. Ao analisarmos bem o texto, percebemos que o que está em jogo é a terceira grande concretização da União, isto é, o seu modelo social, baseado no Estado-Providência.
Neste momento, nós europeus, estamos obstinados a permanecer imóveis e silenciosos numa União a duas velocidades. É por isso que interpreto também a decisão de atribuição do prémio Nobel da Paz à União Europeia como um apelo à solidariedade dos cidadãos, que deverão dizer que Europa pretendem. Só o reforço das instituições da “KernEuropa” – o núcleo essencial europeu – permitirá dominar um capitalismo que se tornara incontrolável e parar o processo de destruição interna da União.
“Todos os observadores externos concordam que o euro e as políticas destinadas a salvar o euro dividem os europeus neste momento. Trata-se de divisões entre Estados, mas também no interior dos próprios Estados, onde os movimentos extremistas e nacionalistas se tornam cada vez mais fortes. Isto não é bom para a paz. No geral, o euro foi contraproducente”, declarou Joseph Stiglitz.
“A situação atual é instável e levará a mais, ou a menos, integração. É possível que os fundadores tivessem razão [ao criar a moeda única], mas imaginaram certamente que se evoluiria naturalmente para uma união política, e não uma união forçada para evitar um desastre”, acrescentou o economista neo-keynesiano, que ganhou também o Nobel da Economia em 2001.
Joseph Stiglitz felicitou, no entanto, a atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia. “A União Europeia foi criada como um projeto de paz e assegura a paz na Europa. Por isso, merece o Prémio”, declarou, mas “a União Europeia não é a mesma coisa que a zona euro”, salientou.

Contramaré… 16 out.

“Ninguém compreende que quem nos empresta dinheiro não dê também uma contribuição para a consolidação orçamental portuguesa, contribuição essa que não representa nenhum sacrifício, mas apenas a redução de um spread que é excessivo e foi definido de início como uma componente punitiva”o deputado do CDS-PP propôs ainda a realização de uma cimeira em Lisboa com os chefes dos governos espanhol, italiano, grego e francês, “que se têm manifestado por uma Europa com responsabilidade financeira mas solidária”, para a qual fosse convidada Angela Merkel, o presidente da Comissão Europeia e a diretora do Fundo Monetário Internacional.
Atualizado às 9:30