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terça-feira, 13 de março de 2012

Contramaré… 13 mar.

O Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, demitiu-se das suas funções no Executivo por “razões de índole pessoal e familiar”. Fontes governamentais admitem que as razões para a demissão são motivadas, sobretudo, pela “guerra” que declarou à EDP e a António Mexia com o objectivo de reduzir as rendas excessivas daquela empresa. E já em Janeiro, Henrique Gomes defendia que o Estado tem de impor o interesse público ao excessivo poder da EDP e também que o Governo queria colocar a energia ao serviço da economia e das famílias.
O secretário de Estado demissionário tinha em preparação um plano que apontava para a renegociação de um terço dos subsídios e tarifas fixas a pagar este ano ao sector eléctrico, equivalente a cerca de 600 milhões de euros.

Quantos mais somos, há poucos fortes e muitos fracos

Não podemos criticar a União Europeia por não poupar esforços quando se trata de comunicar a sua atividade e as suas iniciativas.
Esta semana, a Comissão Europeia quis fazer muito barulho, lançando um pequeno filme, The more, the stronger, destinado a promover os benefícios do alargamento da União junto dos jovens.
Nele, podemos ver uma jovem branca, do género Uma Thurman em Kill Bill que, perante 3 agressores de etnias chinesa, indiana e brasileira, se multiplica a fim de os cercar e apaziguar. Ela e os seus 11 clones transformam-se depois,  tornando-se nas estrelas da bandeira europeia. O slogan “The more we are, the stronger we are”“Quantos mais somos, mais fortes somos”, encerra o vídeo.
Não tiveram em conta o facto de que, na Internet, não se pode escolher o nosso público: nas horas que se seguiram ao seu aparecimento na rede, o filme foi alvo de violentas críticas tanto de cibernautas como da imprensa. Acusado de ser racista e sexista, foi retirado pela Direção Geral do Alargamento, que reconheceu o seu erro e pediu desculpa.
Costuma dizer-se que a erro corrigido se desculpa metade. Mas tanto quanto à forma como quanto ao fundo, este assunto dá que pensar.
Quanto à forma, ilustra bem a dificuldade que a UE tem em falar aos europeus. Uma tarefa árdua, porque se trata de se dirigir a 500.000.000 de pessoas que falam línguas diferentes, tanto em sentido próprio como figurado, e que, frequentemente, têm das instituições europeias uma opinião mitigada – segundo o último Eurobarómetro, 31% dos europeus têm uma imagem positiva da UE, contra 26% que têm uma imagem negativa.
Quanto ao fundo, como sublinha Annika Ström Melin no Svenska Dagbladet, o filme reforça a tendência dos líderes europeus para, à medida que a crise económica se agrava, atribuírem as suas causas a inimigos externos. “É uma maneira clássica – e perigosa – de soldar uma comunidade atribuindo a outros a origem dos seus problemas”, escreve ela. “É verdade que a Europa está exposta à concorrência mundial, com a China à cabeça. Mas a União teria muito mais a ganhar se ficasse unida, tirando partido do mercado único e falando a uma só voz.”
Ora, é exatamente isso que a União Europeia não faz. A ausência de pedagogia, e até mesmo a hostilidade, demonstrada pelos governos perante a adesão à UE de novos Estados, e as divisões de que deram provas perante a crise, leva-nos a pensar que é sobretudo a eles próprios que é preciso dirigir as mensagens incitando à unidade e à abertura.

Ecos da blogosfera - 12 mar.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quem empresta e reparte sendo fino deixa a pior parte!

Reflexão do Relvas… 12 mar.

“É fundamental que a Estradas de Portugal tenha uma perspetiva de estabilidade e de competência na decisão e na gestão de dinheiros públicos”, defendeu Miguel Relvas.
“Sabemos que uma parte significativa de parcerias público privadas (PPP) foi no setor rodoviário, que estão hoje inscritas no orçamento da Estradas de Portugal, que é uma verdadeira ruína financeira para o País”, criticou.
As palavras de Miguel Relvas surgiram no mesmo dia em que o semanário Expresso avançou que o Governo vai proceder à substituição dos administradores da EP.
Perdida a confiança política nos 3 administradores da EP que estão em funções, o Governo preferia a sua demissão imediata, mas tem um plano B: a nomeação de um presidente que assegure a relação de confiança entre uma empresa pública e a respectiva tutela e, no entendimento do Governo, o seu normal funcionamento.

Contramaré… 12 mar.

O economista Nouriel Roubini diz que Portugal deverá precisar de reestruturar a sua dívida, como fez a Grécia. Para Atenas, o economista prevê uma inevitável saída do euro em 2013. Para Portugal, diz que o caminho pode ser o mesmo.
No início da semana, Roubini tinha afirmado que era um mito dizer que os credores privados iam perder muito dinheiro na reestruturação da dívida grega.

Passos reafirma: Portugal não precisa de mais tempo nem de mais dinheiro

A austeridade sente-se em cada história…

A leitura do editorial do Público de 2 de março motivou este post indignado, de revolta e até de vergonha. Vergonha de viver num país que trata assim os seus idosos, que lhes tira o direito de viverem com dignidade os últimos anos das suas vidas. Foram abandonados, há 9 anos, dentro de um contentor como se de uma casa se tratasse (veja o vídeo AQUI), um cubículo que não oferece sequer condições para cozinhar, obrigando-os a deslocar-se às ruínas de outra casa, nas proximidades – ao frio, à chuva, no meio da lama -, para por uma panela ao lume e preparar as refeições.
O sistema judicial português tarda e não atua, os lesados morrem muito antes que se faça justiça. Ou veem, como neste caso, os processos serem arquivados. E todos assistimos impávidos a situações como esta, acreditando que, um dia, os tribunais decidirão correta e rapidamente para corrigir erros crassos como este.
solidariedade morreu na Europa e, arrisco-me a dizer, vai morrendo aos poucos dentro de cada um de nós, presos a este sistema viciado, sem saber como sair dele. Infelizmente, a austeridade que se abateu sobre o país não é de hoje. A austeridade sente-se em cada história como a que aqui se conta.
Editorial do Público de 2 de março de 2012:
"Portugal mora inteiro num contentor
O caso tem vindo a ser falado, ora nas televisões ora nos jornais, e de cada vez que é contado parece ainda mais inacreditável. Um casal de idosos viu a sua casa inutilizada em 2003 por via das obras para construir um viaduto na A10, no troço de auto-estrada que liga Bucelas a Benavente. As paredes racharam, o chão fendeu-se, o poço, a garagem e a arrecadação ficaram destruídos. Perante tal cenário, os idosos avisaram os engenheiros no local. Instalaram-nos então num contentor, com tudo o que havia em casa, mobília e outros haveres, dizendo-lhes que "era só por dois meses". Ora a A10 ficou pronta, mas o contentor ficou ali, com dois seres humanos lá dentro, até hoje. Accionado o seguro, quiseram oferecer aos idosos 30.000 euros pelo estrago. Não aceitaram, alegando que isso não chegava para nada. E o caso foi-se arrastando pelos tribunais, com um processo metido em 2003 em que se pedia uma indemnização de 203.000 euros. Muito? Pouco? A justiça decidiria. Mas o que foi judicialmente decidido, este ano, foi arquivar o processo. Porquê? Porque o empreiteiro faliu em 2007 com um rol tamanho de credores que, entre eles, o casal de idosos ficaria sempre para trás. Pior: entre os credores estão o dono do terreno, o dono do contentor e até o dono dos aparelhos de ar condicionado ali instalados "provisoriamente", que até já foi buscá-los para "amortizar" a dívida. Resultado: o casal de idosos decididamente está a mais. Num país onde só paga quem quer, onde é possível falir e desaparecer, onde a justiça demora anos a decidir o que devia ser decidido em semanas, é um casal de septuagenários (que estava muito descansado na sua casa até lha destruírem) que entope o sistema. Portugal, é caso para dizer, “mora inteiro naquele contentor."

Ecos da blogosfera - 11 mar.

domingo, 11 de março de 2012

E isto é o epílogo do naufrágio dos gregos (e NOSSO)!

"Os gregos salvam os bancos europeus", é o título, um pouco provocador, de Die Tageszeitung. Segundo este jornal diário alemão, a ajuda europeia não favorecerá os gregos que “no futuro, terão que viver com rendimentos ainda menores, com uma proteção limitada contra os despedimentos, uma segurança insuficiente na doença e a liquidação maciça do seu Estado”. E apesar de tudo, a divida grega poderá estar em 2020 ao mesmo nível de hoje.
Para o jornalista Eric Bonse, esta ajuda, que é um “adágio impiedoso”, favorece essencialmente o sistema bancário, que graças aos interesses gerados pelo endividamento do Estado grego, escapará a um colapso -
Schäuble & Cie salvaram os credores, não os gregos. São os bancos, as companhias de seguros e os fundos de pensões na Alemanha, na França e na Grã-Bretanha quem lucrará com isso. Em caso de falência [grega], teriam perdido tudo. [...] Os credores privados, que, segundo Schäuble deveriam também ter prestado garantias, são, na verdade, muito favorecidos. É um belo negócio para os credores, um péssimo negócio para a Europa.
Como estou farto de denunciar por aqui, os credores, sejam quem for, só querem sacar o máximo possível do barco que afundaram e depois lá fugirão como ratinhos, deixando os náufragos sem balsas, nem mantimentos…
A “ajuda” à Grécia, garante aos gregos um futuro com menores salários, com mais despedimentos e mais baratos, com menos segurança na doença e a liquidação definitiva do Estado Social e Político, sabendo-se agora (a desonestidade profissional dos economistas e políticos é crescente e descarada) e que APESAR DE TUDO, em 2020, a Grécia deverá tanto como hoje.
Foi um belo negócio para os credores e um péssimo negócio para a Europa e muito pior para gerações de gregos, mais o que vem aí para todos os PIIGS…
"Para onde vão os 130 mil milhões de euros da ajuda financeira à Grécia?"
A resposta apresentada por Die Gazette é perentória: as instituições financeiras estrangeiras recebem 40% do pacote de resgate, a banca grega, 23%, e o Banco Central Europeu, 18%. Os restantes 19% destinam-se a necessidades de financiamento da própria Grécia.
Por outras palavras, mais de 80% do pacote de resgate é para os credores, isto é, para os bancos estrangeiros e para o BCE. Os milhares de contribuintes não estão a salvar a Grécia mas os bancos.
Para a publicação trimestral alemã, a ambição de reduzir o endividamento do país de 160% do PIB para 120% até 2020 é uma "miragem".
Traduzindo: dos 130 mil milhões do novo “empréstimo”, os credores estrangeiros recebem 52 mil milhões, a banca grega, 29,9 mil milhões, o BCE, 23,4 mil milhões e o governo grego só se vai servir de uns míseros 24,7 mil milhões!
Resumindo: o tal descalabro e ameaça de falência do Estado grego, que não teria dinheiro para pagar aos funcionários públicos e pensionistas (argumento sempre convincente, por aterrador) era o maior bluff da “negociação”, porque, como se vê, chegavam-lhe os 24,7 mil milhões e ainda sobrariam bastantes trocos…
Como os argumentistas do drama português são os mesmos, com atores diferentes e figurantes também diferentes e mais caladinhos, pode-se fazer contas ao que nos espera no processo do 2º “empréstimo” de que se fala (e será inevitável pela recessão que nos impuseram), era bom que o santinho Gaspar (o verdadeiro PM e porta voz do Banco Alemão) nos apresentasse essas contas, que o competente PPC (o verdadeiro porta voz do governo) nos justificasse as boas notas que lhe são atribuídas como bom aluno e o Relvas (o tradutor do porta voz) explicasse com a vacuidade de sempre, a inevitabilidade, as vantagens e a transparência de todo o processo.
Os portugueses agradeceriam, porque teriam tempo de escolher o seu (deles) próprio destino…
A propósito, QUANTOS MESES SÃO PRECISOS PARA UM GOVERNO SER AVALIADO e considerado IMPUTÁVEL?

Reflexão do Relvas… 11 mar.

Miguel Relvas disse que não houve uma exceção para os trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no que respeita aos cortes salariais, comentando o facto de os funcionários dessas empresas não serem afetados pelos cortes previstos para os trabalhadores do Estado, uma vez que manterão os salários.
“Não há exceções, há adaptações”, disse Relvas, explicando que a TAP e a CGD são empresas “em concorrência [por isso] a adaptação para a poupança é diferente das outras” empresas do setor do Estado. O ministro considerou ser “muito importante salvaguardar a diferença entre adaptação e exceção nesta matéria” em que “o Estado recuperará o mesmo, mas a adaptação permite uma forma diferente de arrecadação”.
Relvas sublinhou que “a poupança vai ser feita com total transparência e clareza” e ressalvou que “também aí serão cortados os 13.º e 14.º mês”, como está previsto para as restantes empresas públicas.