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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Economistas ditam o que fazer na Saúde e Educação…

O antigo ministro da Saúde Correia de Campos disse que o relatório do FMI tem "uma enorme falsidade" quando refere que os gastos da saúde em Portugal têm vindo "a crescer desmesuradamente".
"Não vale a pena irem buscar as estatísticas que convêm para justificar uma ideologia e os pontos de vista neoliberais", afirmou, criticando o FMI, num fórum sobre a sustentabilidade do SNS, promovido pela Federação Distrital do Porto do PS.
Para o orador, "cada dia se vai descobrindo que [o documento] funcionou apenas como encomenda de um mandante, o Governo português". Correia de Campos disse ser "falso" que a estimativa de crescimento das despesas na área da saúde, para o período de 2020 a 2030, seja de 4,5 %, frisando ser "uma afirmação [do FMI] apenas para meter medo". "Portugal tem um registo admirável, com 1,5 % de crescimento anual durante os últimos 10 anos", insistiu.
Correia de Campos defendeu que "O SNS é reformável e modificável. Pode ser tornado mais eficiente, podem ser identificados os seus desperdícios, mas não pode ser desfigurado".
Para o ex-governante, o SNS "é uma das joias da nossa democracia e, como tal, devemos saber preservá-lo". Por isso, acrescentou, um "pacote mínimo de cuidados, num país que tem um SNS, é passar de cavalo para burro" e "viola o princípio da universalidade". "O setor privado [na área da saúde] tem todo o direito de existir, mas não tem o direito, nem a Constituição o permite, que prevaleça sobre o setor público".
O presidente da Federação Nacional de Educação disse que o FMI "desconhece a realidade portuguesa" do setor, e analisa o país "como se estivesse a analisar a Áustria ou a Finlândia".
“Não dizemos que está tudo bem, é precisa uma gestão racional do sistema educativo. Mas não é com mais cortes na educação e no número de profissionais, que vamos responder, no presente, às exigências do futuro", disse João Dias da Silva, no dia em que o FMI divulgou o relatório sobre a 6.ª avaliação do programa de ajustamento de Portugal.
Professores e profissionais de saúde, diz o Fundo, serão abrangidos ainda este ano pela Lei da Mobilidade Especial, que vai ser alterada para permitir baixar as remunerações dos trabalhadores e que deverá passar a ser "aplicada a todos os setores da Administração Pública, incluindo professores e profissionais de saúde", no 2.º trimestre deste ano, lê-se no relatório do FMI.
Para a FNE, o Fundo parte de "pressupostos inconsistentes" e, através dele, apresenta medidas que mostram um desconhecimento da realidade portuguesa. "Questionamos muitas das opções de partida [do relatório] e as suas opções que põem em causa a responsabilidade constitucional e ética do Estado em termos educativos", aponta João Dias da Silva.
O FMI entende que, para melhorar a qualidade do ensino secundário, o Governo terá de "definir e implementar um quadro de financiamento baseado em fórmulas simples que inclui critérios de avaliação de desempenho e prestação de contas para as escolas públicas e as escolas sob contratos de autonomia".
O FMI defende ainda que deve ser criado um sistema de avaliação e acompanhamento das políticas de educação e formação, que deverá estar a funcionar no 2.º trimestre do ano. Também para a formação profissional e educacional, o Governo deverá apresentar um relatório sobre a participação de empresas e, até ao final do 1.º trimestre, deverá criar "escolas profissionais de referência".
Parece que já não há dúvidas de que o Relatório do FMI (que foi feito por funcionários do FMI) não é do FMI, mas do governo. E a “prova”, pelo que se vai sabendo, é a coincidência de medidas alvitradas, a anteriori, pelo governo, que agora aparecem plasmadas nas soluções vindas a lume…
Mas deixando isso para lá, faz-me alguma impressão que os tais funcionários do FMI (Gerd Schwartz, Paulo Lopes, Carlos Mulas Granados, Emily Sinnott, Mauricio Soto, e Platon Tinios) tenham uma abrangência de competências tão grande, que sabem de tudo, sobretudo do que não seja das suas áreas de formação (não consta nenhuma referência sobre tal virtude, nem que tenham recebido o Espírito Santo). Até admito que haja médicos (sem exercer) e até professores de todos os graus de ensino (que deixaram de dar aulas), que possam saber de medicina e de pedagogia, mas deve faltar-lhes um Juiz que perceba de constituições, um Sociólogo que os previna das consequências e outras profissões que complementem a Economia, que é uma Ciência Social, e nunca foi, nem será uma Ciência Exata, como nos querem fazer crer, com o argumento de que não há alternativas…
Para além do mais, as especificidades de uma nação e de um povo, se não são variantes a ter em conta nas soluções, para que raio serve a cultura, a política, a democracia e a soberania?
Também já sabemos que os dados para as conclusões apresentadas foram fornecidos pelos ministros e demais assessores dos ministérios, que podem ter desvirtuado o ESTUDO, isentando de culpas os tais técnicos de alto gabarito e de instinto perspicaz…
E por tudo isto, é tentador estar de acordo com todas as críticas de especialistas cá do burgo, quando contrariam os dados e, logicamente, as conclusões de um trabalho “académico”, quando muito de gabinete/teórico, para não falar na folha de Excel…
Apesar de haver muito pouca gente, de cá, a aceitar a receita, o silêncio dos deputados e militantes dos próprios partidos do governo é significativo, ou quer dizer alguma coisa que não será de concordância…
Mas também há alguns (muito poucos) espertos que entendem isto à primeira, mesmo que nunca lhes tenha passado pela cabeça, por nunca admitirem que o Estado podia ser implodido…

Ecos da blogosfera – 21 jan.

Ao cuidado de quem tem de cuidar dos contribuintes!

Tal como o stress, também a solidão enfraquece o sistema imunitário, deixando o corpo mais vulnerável a infeções, revela um estudo de cientistas da Universidade do Ohio, EUA.
Na investigação, cujas conclusões são apresentadas na reunião anual da Sociedade para a Personalidade e a Psicologia Social, a decorrer em Nova Orleães, os cientistas descobriram que as pessoas que se sentem sós revelam sinais de elevada reativação do vírus latente do herpes e produzem mais proteínas associadas a inflamação do que as pessoas socialmente mais ativas.
Estas proteínas são um sinal da presença de inflamação e a inflamação crónica está ligada a numerosas doenças, como a doença cardíaca coronária, a diabetes tipo 2, a artrite ou o Alzheimer.
A reativação de um vírus latente do herpes está associada ao stress, o que sugere que a solidão funciona como um fator de stress crónico que produz uma resposta imune deficitária.
“Fica claro, de investigações anteriores, que más relações estão ligadas a um número de problemas de saúde, incluindo mortalidade precoce e outras doenças graves. As pessoas que se sentem sozinhas sentem-se claramente como se estivessem em relações de má qualidade”, disse a investigadora que liderou o estudo, Lisa Jaremka, do Instituto para a Investigação em Medicina Comportamental da universidade do Ohio.
Para a cientista, esta investigação é importante porque permite perceber “como a solidão e as relações afetam largamente a saúde”. “Quanto mais percebermos o processo, mais potencial existe para contrariar os efeitos negativos - para intervir. Se não percebermos os processos fisiológicos, o que vamos fazer para mudá-los?”, questionou.
Os resultados baseiam-se numa série de estudos em duas populações distintas: um grupo de adultos saudáveis de meia-idade com excesso de peso e outro de sobreviventes de cancro da mama.
Os investigadores mediram a solidão através da Escala de Solidão UCLA, um questionário que avalia as perceções do isolamento social e solidão, e simultaneamente estudaram o comportamento do sistema imunitário através de análises ao sangue, para verificar os níveis de anticorpos produzidos quando os vírus do herpes são reativados.
Os vírus em causa estão presentes na maioria dos norte-americanos. Metade das infeções não produz doença, mas o vírus permanece adormecido no corpo e pode ser reativado, o que resulta em níveis elevados de anticorpos.
Os participantes mais sós tinham níveis mais elevados de anticorpos do que os menos sozinhos e esses níveis de anticorpos estavam relacionados com mais dor e sintomas de depressão e fadiga.
Os cientistas procuraram também determinar como a solidão afeta a produção de proteínas ligadas à inflamação associada ao stress e concluíram que os mais solitários tinham níveis mais elevados dessa proteína do que os outros.
E ainda dizem que “mais vale só do que mal acompanhado”, embora o estudo não refira a influência (positiva ou negativa) das más companhias…
Mas o aviso vai diretamente para os nossos governantes, principalmente os ministros da Saíde e da Segurança Social, para que não digam que não sabiam quando decidiam sobre medidas que implicam com o que a ciência lhes faculta para tomar as melhores opções, em favor das pessoas…
À cautela, escolham companhias, mas das boas…

Quanto custaria a cada cidadão uma Europa belicista?

Uma semana após o lançamento das operações contra os islamitas que controlam o Norte do Mali, as tropas francesas continuam a ser as únicas forças ocidentais no terreno. Mas os 27, que renunciaram a uma capacidade militar comum, estão presentes mais discretamente, noutras frentes.
A União está praticamente no banco dos réus, por estar ausente, sem reação perante a crise, inútil mais uma vez e sempre, e a França estaria sozinha! A análise objetiva da situação contradiz tais afirmações, nos campos político, financeiro e humanitário, embora, entretanto, seja de assinalar um verdadeiro fracasso: o da Política Europeia de Segurança e Defesa.
O que se passou desde que se soube da operação Serval? A União organizou reuniões de crise, para ajustar o calendário e as ações do processo europeu para o Mali, decidido pelos 27, em especial a missão EUTM Mali. A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, que se realizou em Bruxelas, em 17 de janeiro, foi o seguimento e a demonstração desse compromisso da União Europeia, solidária com a França quanto ao Mali. Pelo menos política e simbolicamente.
No concreto, a União dará o seu apoio financeiro, designadamente à MISMA – a Missão Internacional de Apoio ao Mali, composta essencialmente por forças africanas, posicionada no Mali – da CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], para financiar os salários dos soldados africanos.
Consenso hesitante mas europeu
No entanto, o Mali vem confirmar a dificuldade de aplicação da Política Externa e de Segurança Comum. Instituída pelo Tratado de Maastricht, em 1993, a PESC poderia "conduzir, no momento oportuno, a uma defesa comum". Em 1999, a cimeira de Helsínquia precisou que a União Europeia devia, até 2003, estar em condições de posicionar até 60.000 homens, no prazo de 60 dias, graças a meios aéreos e navais.
Desde então, a União tem tido dificuldade em reunir forças operacionais dessa dimensão. Em 2004, a Conferência de Empenhamento de Capacidades no Domínio Militar apresentou o conceito de agrupamentos táticos de 1.500 homens, que permitiriam à Europa responder mais rapidamente às situações de crise. Uma das principais ambições militares da UE era dispor de capacidade de reagir depressa e eficazmente, nas zonas de conflito situadas fora da União.
Portanto, é verdade que, no caso do Mali, uma força europeia teria podido intervir no terreno, estabelecendo a marca diplomática e militar da União. Estamos perante uma crise, fora do território dos 27, uma crise em curso num país situado a menos de 6.000 quilómetros de Bruxelas, uma crise que, à partida e para a maioria da comunidade internacional, com um consenso hesitante mas europeu real, torna necessária uma intervenção rápida, antes de esta ser confiada a outra força de tipo africano e regional.
Sem rostos e sem voz própria
Não foi nada disso que aconteceu. E, como é hábito, o mundo mediático e político e os próprios cidadãos apontam o dedo acusador a Bruxelas. A França está sozinha. Não existe uma Europa da defesa, uma Europa do terreno, não há unidade diplomática real. Contudo, não é em Bruxelas que devemos procurar a razão desta divisão de tarefas: é no centro da jurisdição dos países que detinham a responsabilidade pelo agrupamento tático. Ou seja, não por ordem especial, a França, a Alemanha e a Polónia. A França decidiu agir sozinha e, segundo parece, não pediu nada a ninguém. Por outro lado, para Berlim, e mais ainda para Varsóvia, o Mali é visto como um assunto muito francês e o investimento não promete grande retorno.
O desafio é de peso. Tem a ver com força diplomática real da União e é visível que Catherine Ashton tem dificuldade em firmar o seu lugar. A Europa diplomática e militar enfrenta sérios problemas. No entanto, repita-se, a União Europeia empenha-se na crise, como já fez nos casos da Somália e da Palestina. A França não está sozinha no Mali. Demasiado discreta, com uma arquitetura institucional complexa e incompreensível, sem rostos e sem voz própria, a União encoraja os argumentos fáceis vindos dos Estados-membros.
Trabalha no terreno, financia, envolve-se, mas perde a batalha na frente mediática e não é capaz de ultrapassar as suas divisões na aplicação de uma política de segurança e de defesa comum estratégica e operacional. Uma diplomacia suave, económica, cultural, educativa, mediática, desportiva... não pode viver sem uma relação forte, totalmente integrada numa diplomacia dura, militar e financeira e na sua irmã mais nova do século XXI, a ciberdiplomacia, hoje plenamente dominada pelos EUA. A Europa unida será mais europeia também na defesa e na segurança.

Contramaré… 21 jan.

O Eurogrupo está convencido de que o Governo português tem um plano de contingência preparado caso o Tribunal Constitucional chumbe normas do OE2013 que está actualmente a fiscalizar, disse um alto responsável da zona euro.
A suspensão do pagamento do subsídio de férias a trabalhadores do sector público e a aposentados e a "contribuição extraordinária de solidariedade" são as 3 normas que mais dúvidas suscitam, sendo comuns nos pedidos do Presidente da República e do PS.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Um Relatório a apensar ao “Relatório” do FMI/Governo

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas, está preocupado com cortes nas funções do Estado, alerta para a pobreza envergonhada e a situação dos idosos e das crianças.
O presidente da Cáritas considera que tem faltado “mestria” aos governantes para ir buscar o dinheiro aos mais ricos em benefício do "bem comum” e deixar de recorrer sempre aos “pobres, que já não podem dar mais”.
Eugénio Fonseca comentou o corte nas funções do Estado proposto pelo Governo, questionando “se os 4.000 milhões de euros a cortar terão que ser mais uma vez no orçamento familiar” dos portugueses, que já viram “esse orçamento truncado de forma tão drástica nos dois últimos anos”.
“Afinal, as tais gorduras parecem que não estavam no aparelho do Estado, parece que estavam nas famílias portuguesas”, mas não na maior parte delas, comentou “estariam em muitas famílias que enriqueceram ilicitamente, porque este país nunca conseguiu em termos de desenvolvimento ficar na linha da frente dos 27 da União Europeia, mas conseguimos ir para a linha da frente na disparidade entre os mais ricos e os pobres”, criticou.
Portugal conseguiu produzir riqueza, mas não a soube repartir justamente. “Mais do que não sabê-la distribuir com justiça, ela agarrou-se às mãos de alguns que praticaram ilícitos para ficar na posse delas”. Por isso, “é escandaloso” que essa riqueza continue na posse dessas pessoas “sem ainda nada ter sido feito” para a devolução desse património, “que é de todos e continua a enriquecer alguns”. “Estamos a falar de investimentos que o Estado fez em sectores que foi só para beneficiar algumas partes da sociedade e não o todo, porque quando é para penalizar são sempre os mesmos”, criticou.
A crise, que “esfrangalhou a classe média”, deve “levar a exigir que regresse à política mais ética”.
“O que nos tem faltado tem sido a mestria de ir buscar o dinheiro a quem tem mais condições para poder pô-lo ao serviço do bem comum, mas estamos sempre a ir buscá-los aos pobres que já não podem dar mais”, disse, considerando que se as propostas do FMI para cortar na despesa do Estado avançarem “vão dar cabo do resto”.
Para o responsável, esta não será a melhor altura para fazer a reforma do Estado, porque “a capacidade de reflexão está mais debilitada” e “há uma certa tensão latente”. Na sua opinião, esta é a altura do país criar condições para o pagamento da dívida em prazos razoáveis, com a solidariedade da UE. O que Portugal e seus governantes têm de fazer, “e julgo que não têm conseguido, é manterem-se bem firmes junto dos seus parceiros europeus”.
“Não me alegro nada quando dizem” que Portugal tem sido “muito bom aluno” e “muito cumpridor”, porque os portugueses são “bons alunos, mas com muito sofrimento, com muitas lágrimas derramadas e muitos sonhos desfeitos”.
Lamentou que Portugal “tenha, neste momento, como único desígnio nacional a luta contra o défice e que se tivesse paralisado todas as potencialidades de investimento”. Considerou que tem falhado em Portugal uma bolsa de ideias para possibilidades de negócio para quem está desempregado e dificilmente regressará ao mercado de trabalho.
Desempregados que não recebem RSI
Eugénio Fonseca diz que há muitos desempregados que preferem pedir às instituições em vez de recorrer ao Rendimento Social de Inserção (RSI) devido ao estigma em torno da medida, que abrange mais de 280.000 pessoas. “Há muita gente que não quer aceder à medida porque se criou um estigma de tal forma que há pessoas que têm vergonha de dizer que são beneficiários do RSI."
Antes da crise, a taxa de pobreza em Portugal situava-se nos 17,9%, “mais de 20% deste total eram trabalhadores por conta de outrem, cujo rendimento não era suficiente para suportar os encargos necessários para a sua sobrevivência”. “Mesmo assim continuávamos a dizer que era gente que não queria trabalhar, que queria viver à custa dos outros e do erário público”, mas a situação de crise veio mostrar que “não é bem assim”.
Essa estigmatização também atingiu o RSI: “Como se percebeu que havia uma camada da população que não olhava bem para esta medida [devido a casos de fraude], terminadas classes políticas quiseram fazer do RSI uma arma política e no fim acabaram por, em nome do rigor que a medida devia ter, prejudicar aqueles que não falseavam o Estado”.
Violência contra idosos e crianças
O presidente da Cáritas defende que o Estado deve exercer uma “vigilância muito fina” para prevenir que nenhum idoso seja sujeito a maus-tratos pelos familiares que os retiram dos lares apenas para beneficiar dos seus "parcos rendimentos". “O problema dos idosos é gravíssimo”, afirmou.
Muitas famílias retiram os idosos dos lares. “Não está mal que os fossem buscar para tratar deles, porque o seu espaço natural é na família”. “Mas o que sabemos é que muitos vêm dos lares, até contra a sua própria vontade, e depois não são bem tratados, continuam a viver isolados, sem os cuidados que teriam no lar e os seus filhos aproveitam-se das suas reformas”, alertou.
Para Eugénio Fonseca, “é desumano” este comportamento dos filhos, mas “se o fazem é porque também alguém não os apoiou o suficiente”. “Eu não quero acusar essas famílias, embora devessem ter consciência de não ir pelo mais fácil, de ir buscar os idosos aos lares. Deviam era pressionar as autoridades oficiais a criarem as condições de vida para eles e não prejudicarem os seus mais velhos”.
Há outras situações que também afectam os idosos. Além de não haver respostas institucionais para todos os que necessitam, aumentou a insegurança. “Muitos deles estão a ser vítimas de logros e assaltos, vivem sozinhos, totalmente desprotegidos”, lamentou.
Também as crianças estão a ser vítimas da crise, registando-se um grande aumento da pobreza infantil em Portugal. “A pobreza nas crianças reflecte-se muito na rentabilidade escolar” e na sua convivência, porque deixam de frequentar os ATL e os jardins-de-infância.
Por outro lado, “não se pode admitir” que mães estejam a dar leite de vaca a bebés por falta de recursos e a existência de casos de crianças com fome nas escolas, uma situação que considera “um crime” de desrespeito dos direitos humanos.
Para o responsável, o Estado tem de ter “força diante da troika” para “exigir uma fatia maior para a acção social”.
“O Governo criou as cantinas sociais mas são em número reduzido para a multiplicidade das necessidades”. Sublinhou ainda que, “se não fossem os portugueses com a sua generosidade, o drama do país seria muito maior”. “Não sei se alguém morreu mesmo de fome em Portugal, mas se não tivesse sido a generosidade, através de muitas iniciativas de solidariedade (…), havia gente que morria de fome, porque quem tem estado a sustentar a satisfação das necessidades primárias das pessoas tem sido, até agora, a sociedade civil”.
Seguramente que este retrato do país feito pelo presidente da Cáritas, e que todos nós conhecemos dos nossos concelhos, não foi objeto de análise dos “técnicos” do FMI, mas também sabemos que se tivesse feito parte da base de dados que lhes foi fornecida, as conclusões seriam as mesmas, não por razões técnicas (qualquer técnico saberia resolver o problema), mas por razões ideológicas, embora o PM as tenha refutado, para logo de seguida (num ato falhado) as confirmar…
E perante este panorama social, só se pode perguntar: Se o governo de um Estado de Direito não sabe (ou não quer) cumprir com as suas obrigações básicas, serve para quê?
Se não sabe, que passe a bola a quem de direito…
Se não quer, que seja “julgado” por quem de direito…
Se quem de direito não sabe, que passe a bola ao povo…
Se quem de direito não quer, que se corresponsabilize…
Já não estamos apenas a ultrapassar os limites da capacidade de resistência dos cidadãos, estamos a deixar que se ultrapassem os limites da decência política e se desvirtue o conceito do serviço público, que é a política, com efeitos de desumanidade sem limites…
E há limites!

Ecos da blogosfera – 20 jan.

Os autores da crise (des)mascarados de autores…

O conceituado diretor de cinema e teatro Andres Veiel realizou uma série de entrevistas com altos executivos de bancos e montou, a partir delas, a peça "O Reino das Framboesas".
Andrea Horakh
Durante meses, o diretor Andres Veiel conversou com mais de 20 executivos de bancos. Do material reunido, criou uma peça que está a ser encenada no teatro Schauspiel de Stuttgart e no Deutsches Theater, em Berlim. Durante duas horas, o espectador adentra o universo secreto de pensamentos dos tubarões do mercado financeiro: o que sentem e o que pensam os senhores do dinheiro?
Em entrevista, Veiel fala das razões que o levaram a tratar deste assunto, da sua ira e da sua própria perplexidade.
Deutsche Welle: Por que se envolveu tanto com o tema dos banqueiros?
Andres Veiel: Fico indignado com o facto de a opinião pública e o círculo das artes não falarem sobre o assunto, de ninguém colocar as questões reais. Por que as pessoas não se levantam e dizem: os nossos interesses estão a ser pisoteados profundamente? Muito antes da crise tive uma conversa com um banqueiro que me disse: "Corremos contra a parede. O dinheiro só se prolifera a partir de si mesmo. Quando esta bolha estourar, vai haver um grande crash". À minha pergunta sobre o que isso significaria, ele respondeu: "Estamos a ordenhar a vaca enquanto há leite".
Nenhuma outra profissão teve a sua imagem denegrida nos últimos anos como a dos banqueiros. A fama deles está arruinada. Mas há, de facto, banqueiros?
O género de banqueiro, como tal, não existe. Olhamos de fora para uma fachada de vidro e presumimos que eles estejam todos submetidos a uma mesma ordem. Mas conversei com altos-executivos de bancos que estavam muito irritados, embora também sejam responsáveis por aquilo que está a acontecer. Nas suas críticas, alguns deles vão além daquilo que é pensado e dito nas barracas do movimento Occupy.
O que é que esses altos executivos arriscaram ao conversar consigo?
São pessoas que arriscam muito quando conversam. Se forem identificados, podem perder as suas reformas ou serem obrigados a pagar multas de indemnização.
Por que falam mesmo assim?
Estas pessoas querem ver-se livres do que pensam. A sua ira não tem destinatário. Não podem falar, encontram-se automatizadas e isoladas. E aí chego eu, ouço e asseguro-lhes o anonimato. Sou para eles, neste momento, um padre no confessionário, psicólogo e interlocutor de debate. Nas conversas, havia sempre momentos nos quais eu visualizava abismos.
Por que tão poucos banqueiros abandonam a profissão, apesar da postura crítica?
É um vício, como o delírio da droga, movimentar esses volumes gigantescos de dinheiro no mundo e ainda por cima gerir altos lucros para os bancos e para si mesmo. Mas não se trata de celebrar aqui a cobiça, mas sim de uma espécie de reconhecimento e da questão: o que recebe o outro? Recebo 2.000.000 ao ano e ele, 3.000.000. Ele é melhor do que eu? Não se trata, em primeira linha, de cobiça, mas do desejo de poder. Os banqueiros não são uma casta isolada, mas o seu pensamento está profundamente enraizado na sociedade. É o pensamento do lucro, com o qual todos nós nos deparamos.
Alfred Herrhausen, presidente do Deutsche Bank, assassinado, já ocupou no seu filme Black Box BRD um papel central. Por que lhe é dedicado um grande espaço, também em “O Reino das Framboesas”?
Herrhausen é, para mim, uma pessoa trágica, que no seu curto tempo de atuação tentou empenhar-se pela moratória das dívidas do Terceiro Mundo. Defendia a sustentabilidade e a responsabilidade ética e acabou, por fim, fracassando. Mas para mim ele coloca uma questão central: como posso eu, na condição de indivíduo, posicionar-me frente ao sistema, que por sua vez quer uma coisa totalmente diferente, ou seja, o lucro a qualquer preço? Mas o indivíduo pode mudar alguma coisa nesse sistema tão lubrificado e fluido?
Qual é a responsabilidade dos políticos?
Durante muitos anos, a política foi o elemento incendiário disso tudo. Em 2002 e 2003, foram aprovadas leis que permitiam negócios arriscados. O ministério alemão das Finanças tinha incitado os bancos durante anos a arriscarem. Dizia-se: "Vocês precisam participar, caso contrário ficaremos dependentes de Nova York e de Londres".
São buracos bilionários no orçamento, que nos vão chegar. Recursos que faltam na educação, na investigação, nos novos investimentos. Ou caminhamos para uma enorme recessão, porque o Estado não tem mais dinheiro. Aqueles que agora tentam apagar o fogo estão entre os seus causadores.
Andres Veiel tornou-se conhecido devido ao seu envolvimento na arte com o terrorismo de esquerda na Alemanha. O seu filme Se não nós, quem (2011) narra os primórdios da Fração do Exército Vermelho (RAF). Os seus bons contactos com o universo dos banqueiros vem do seu premiado documentário Caixa Preta Alemanha (2001), no qual retrata intensamente a personagem de Alfred Herrhausen, presidente do Deutsche Bank, morto num atentado.

Também nós temos que PRIVATIZAR a nossa vida…

Graph Search cruza dados pessoais, possibilitando novo grau de visibilidade na rede social. Defensores do consumidor alertam para riscos, enquanto o Facebook garante que vai respeitar configurações definidas pelo usuário.
Katrin Schlusen
Janeiro de 1994: dois jovens trabalham num projeto para a internet. A sua conceção é uma espécie de guia de viagens para a rede – pois os websites são tantos que ninguém consegue ter uma visão do todo. O resultado é hoje bem conhecido: o Yahoo, ferramenta de busca que teve o auge do seu sucesso na década de 1990.
A ideia dos doutorandos Jerry Yang e David Filo era tornar a internet mais transparente. Até então, o que existia eram tentativas de compilar todos os sites existentes num índice – uma espécie de páginas amarelas. No entanto, o que os dois jovens queriam era um mecanismo que não só mostrasse os sites à disposição, mas também ordenasse os resultados da busca.
20 anos mais tarde, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, enfrenta um problema semelhante. A sua rede social comporta um enorme número de páginas: são 1 bilhão de perfis de usuários, 240 bilhões de fotos, 1 trilhão de conexões.
No entanto, ainda é praticamente nula a possibilidade de triar todas essas informações de um modo funcional. Por exemplo, a partir de perguntas como "quem, dos meus amigos que moram em Porto Alegre, gosta de filmes de terror?". Mas a situação está prestes a mudar.
Cruzamento de dados
Numa apresentação em Menlo Park, Califórnia, Zuckerberg apresentou a chamada Graph Search, desenvolvida em parceria com a ferramenta de busca Bing, da Microsoft, empresa com a qual já colabora desde 2010.
A nova ferramenta de busca possibilitará não só pesquisar uma palavra-chave, como também cruzar termos de busca, por exemplo pessoas e o seu status de relacionamento ("outros solteiros com a minha cidade"); interesses e lugares; lugares e amigos ("quais dos meus amigos conhecem um restaurante em Londres?"); ou imagens e datas ("fotos do ano 2009").
Essa possibilidade é um grande diferencial em relação ao Google ou o Yahoo. "Outras ferramentas de busca não são capazes de responder a tais perguntas", resume Jo Barger, redator da revista alemã de informática c't.
Ferramentas de busca de pessoas, como a alemã Yasni, também não podem ser comparadas à Graph Search, afirma Barger. "Elas não fazem muito mais do que uma busca ao pé da letra a partir do nome." Nem mesmo a função de "busca social" de que dispõem os usuários da rede Google+ oferece as possibilidades prometidas pelo Facebook.
A rede social de Zuckerberg é capaz de encontrar mais informações através da nova função de busca porque parte de seus usuários revela muito sobre si. Porém, a Graph Search só fornecerá dados que o usuário permitir. "O Facebook faz questão de enfatizar que as buscas da Graph Search sempre levarão em consideração o grau de privacidade definido pelo dono dos dados", diz Barger.
Matéria para debates
Especialistas em proteção do consumidor e de dados pessoais veem na nova ferramenta uma possibilidade de explorar os limites das configurações de privacidade. "Justamente num país sensível à proteção de dados, como a Alemanha, esta nova visibilidade ainda vai suscitar alguns debates", escreveu o jornalista Pascal Paukner no jornal Süddeutsche Zeitung.
Por sua vez, o encarregado de proteção de dados do estado de Schleswig-Holstein, Thilo Weichert, não hesitou em advertir contra a superbusca do Facebook. "A função de busca que conhecemos da internet penetrará agora no círculo de amigos, o que significa que informações altamente sensíveis também poderão chegar a terceiros."
Carola Elbrecht, da Confederação das Centrais de Consumidores da Alemanha, também enfatiza a importância de que os usuários saibam sempre o que ocorre com os seus dados. “O Facebook nem sempre se comportou de forma exemplar ao introduzir novos serviços”, lembra Elbrecht.
Um portal de media online avaliou entusiasticamente a Graph Search como potencial fonte de pesquisa para os jornalistas. A nova função será disponibilizada pouco a pouco nos perfis da rede social ao longo das próximas semanas e meses.
Apesar de ser uma ferramenta que pode organizar o caos do Facebook, quando queremos reencontrar o que vimos, mas nos esquecemos onde, é evidente que também ficamos sujeitos a uma maior exposição e consequente falta de privacidade, quando não somos nós a escolher os nossos “amigos”, permitindo-lhes a partilha de momentos nossos, que agora poderão ser facultados até ao “inimigo”…
Só a restrição da partilha poderá(?) evitar o abuso e a permissividade…
A ver vamos o que teremos que fazer para não sermos vitimizados…

Contramaré… 20 jan.

Além dos ex-presidentes do BCP, Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, outros ex-administradores do banco viram confirmadas as multas que terão de pagar por terem faltado à verdade aos mercados, o que motivou uma acusação da CMVM: António Rodrigues, Christopher de Beck, António Castro Henriques, Alípio Dias, Paulo Teixeira Pinto, Luís Gomes, Miguel Magalhães Duarte. Têm agora 20 dias para apresentarem recurso ao Tribunal da Relação de Lisboa.