A participação de 56,136% do capital social da Sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS SA (que agrega a participação da família Soares dos Santos na Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce) mudou de mãos. No dia 30 de Dezembro de 2011, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS vendeu à Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV, com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Contramaré… 3 jan.
à(s)
1/03/2012 04:00:00 p.m.
Publicada por
Contra.facção
4
comentários
Etiquetas:
Comunicação social,
Contramaré
A Alemanha poder voltar a dominar é um passo atrás…
Literatura, filosofia, ciência: hoje, as nossas ferramentas para compreender o mundo desenvolvem-se separadamente, lamenta o intelectual e humanista. No entanto, a cultura é o que nos salva, especialmente na Europa. Excertos.
Nietzsche, Heráclito e Dante são os heróis do seu novo livro, Poetry of thought [Poesia do pensamento], mas vão ter de ficar para depois. George Steiner recebe-nos em casa, em Cambridge, numa confidencialidade divertida, entre uma fatia de bolo e um café. Nos primeiros dias do Eurostar, propôs que se desse um shilling ao primeiro garoto que visse um peixe no Túnel da Mancha. "Os pais ficaram aterrorizados!", goza o professor de Literatura Comparada.
É essa mistura de malícia e erudição, inteligência e simpatia, que caracteriza George Steiner. Nascido em 1929 em Paris, de mãe vienense e de um pai checo que teve a presciência do horror nazi, este mestre da leitura poliglota decifrou Homero e Cícero desde tenra idade, sob orientação do pai, um grande intelectual judeu, fanático de arte e música, que queria despertar nele o professor (o sentido literal da palavra "rabino"). Em 1940, a família partiu para Nova Iorque, no último barco que saiu de Génova. Depois de estudar em Chicago e posteriormente em Oxford, Steiner entrou para a Redação do The Economist em Londres. Voltou a atravessar o Atlântico para entrevistar Oppenheimer, o inventor da bomba atómica, que o levou para o Instituto de Princeton.
Foi o "ponto de viragem" da sua vida. Ao mesmo tempo que publica os seus marcantes livros – Tolstoi ou Dostoievski [edição brasileira na editora Perspetiva], Linguagem e silêncio [edição portuguesa na Relógio d’Água], entre muitos, frequentemente resultado do material das suas aulas –, funda a Churchill College, na Universidade de Cambridge, é crítico literário da New Yorker e dá aulas na Universidade de Genebra. Entrevista a um grande humanista da Europa, cujo pensamento circula por todo o mundo.
A Europa vive uma crise profunda. A seu ver, o colapso é uma possibilidade?
No estado atual, é possível. Mas vamos sair desta situação de uma forma ou de outra. Irónico é a Alemanha poder voltar a dominar. É um passo atrás. Entre agosto de 1914 e maio de 1945, a Europa, de Madrid a Moscovo, de Copenhaga a Palermo, perdeu quase 80 milhões de pessoas em guerras, deportações e campos de extermínio, fome, bombardeamentos. O milagre está em que sobreviveu. Mas a sua ressurreição foi apenas parcial. A Europa está a passar por uma crise dramática; está a sacrificar uma geração, a dos seus jovens, que não acreditam no futuro. Quando eu era jovem, havia esperanças para todos os gostos: o comunismo, com certeza, o fascismo, que foi também uma esperança. Não nos deixemos enganar. E, para os judeus, havia ainda o sionismo. Havia ideologias aos montes... Isso já não existe. Ora, quando a juventude não é tomada por uma esperança, mesmo que ilusória, o que resta? Nada. O grande sonho messiânico socialista conduziu aos gulags e ao socialista francês François Hollande – tomo-lhe aqui o nome como um símbolo, não estou a criticá-lo. O fascismo descambou no horror. O Estado de Israel tem imperativamente de sobreviver, mas o seu nacionalismo é uma tragédia, profundamente contrário ao génio judeu, que é cosmopolita. Pessoalmente, quero ser nómada. Vivo segundo a divisa do Baal Shem Tov, grande rabino do século XVIII: "A verdade está sempre no exílio."
A globalização não é propícia a esse nomadismo?
Nunca houve um encerramento geográfico como o de hoje. Quando se saía de Inglaterra, podia-se ir para a Austrália, a Índia, o Canadá; agora, deixou de haver autorização para trabalhar. O planeta fecha-se. Todas as noites, centenas de pessoas tentam entrar na Europa a partir do Magrebe. O planeta está em movimento, mas em que direção? Terrível, o destino atual dos refugiados. Deram-me a honra, na Alemanha, de fazer um discurso perante o governo. Terminei dizendo: "Senhoras e senhores, todas as estrelas se tornaram amarelas."
Apesar de tudo, ainda se sente europeu?
A Europa continua a ser o cenário do massacre, do incompreensível, mas também das culturas que eu amo. Devo-lhe tudo e quero ficar onde estão os meus mortos. Quero ficar no âmbito do Shoah, onde posso falar as minhas quatro línguas. É o meu grande repouso, a minha alegria, o meu prazer. Aprendi italiano depois do inglês, do francês e do alemão, as minhas três línguas de infância. A minha mãe começava uma frase num idioma e acabava noutro, sem reparar. Não tive língua materna, mas, ao contrário do que se diz, isso é bastante comum. Na Suécia, fala-se finlandês e sueco; na Malásia, falam três línguas. Essa ideia de uma língua materna é uma ideia muito nacionalista e romântica. O meu multilinguismo permitiu-me ensinar e escrever “Depois de Babel” [traduzido em português na editora Antropos], e sentir-me à vontade em qualquer lugar. Cada língua é uma janela aberta para o mundo. Terrível enraizamento, o [do apego aos valores nacionalistas] do senhor Barrès! As árvores têm raízes; eu tenho pernas, e é um enorme passo em frente, podem crer!
Literatura e filosofia ainda continuam a ser cúmplices hoje?
Ambas as formas me parecem ameaçadas. A literatura escolheu o domínio das pequenas relações pessoais. Deixou de saber abordar os grandes temas metafísicos. Já não temos nenhum Balzac, nenhum Zola. Nenhum ângulo escapava a esses génios da comédia humana. Proust também criou um mundo inesgotável, e o Ulisses de Joyce continua muito próximo de Homero... Joyce é a charneira entre os dois grandes mundos, o clássico e o do caos. Antigamente, a filosofia também se podia dizer universal. O mundo inteiro estava aberto ao pensamento de um Spinoza. Hoje, uma grande parte do universo está-nos vedada. O nosso mundo está a encolher. As ciências tornaram-se inacessíveis. Quem consegue entender as últimas aventuras da genética, da astrofísica, da biologia? Quem as explica aos leigos? Os saberes deixaram de comunicar uns com os outros; os escritores e os filósofos são hoje incapazes de nos fazer entender a ciência. No entanto, a ciência brilha no seu imaginário. Como é que se pode falar da consciência humana, deixando de lado o que tem de mais ousado, de mais imaginativo? Preocupa-me o significado de “ser letrado” hoje – "to be literate", a frase é ainda mais forte em inglês. Pode alguém ser letrado sem entender uma equação não-linear? A cultura corre o risco de se tornar paroquial. Talvez devêssemos repensar o nosso conceito de cultura. Vou-lhes contar uma experiência que me comoveu muito: um dia, um dos meus colegas da Universidade de Cambridge, galardoado do Nobel, um homem encantador com quem jantava, pediu-me para o ajudar com um texto de Lacan que ele não entendia de todo. A modéstia de um grande cientista comparada com o orgulho, a soberba, dos nossos mestres bizantinos da obscuridade...
Na sua opinião, as novas tecnologias ameaçam o "silêncio" e a "intimidade" necessários para se penetrar nas grandes obras...
Sim, a qualidade do silêncio está organicamente ligada à da linguagem. Estamos aqui sentados, nesta casa com jardim, onde não há outro som para além da nossa conversa. Aqui, consigo trabalhar, sonhar, tentar pensar. O silêncio tornou-se um enorme luxo. As pessoas vivem no meio da algazarra. Já não há noite nas cidades. Os jovens têm medo do silêncio. O que vai acontecer às leituras sérias e difíceis? Ler uma página de Platão com um walkman nos ouvidos?! Isso deixa-me muito assustado. As novas tecnologias estão a transformar o diálogo com o livro. Abreviam, simplificam, conectam. O espírito está “ligado”. Já não se lê da mesma maneira. O fenómeno Harry Potter parece ser uma exceção. Todas as crianças da Terra, esquimós, zulus, leem e releem essa saga ultrainglesa, com um vocabulário extremamente rico e sintaxe sofisticada. É ótimo. O livro é um grande defensor da privacidade. A Inglaterra ainda é um país de privacy. O que pode ter aspetos absurdos: podemos ser vizinhos durante 50 anos e não trocar uma única palavra. Este culto da "private life" tem imenso significado político: é uma fonte de resistência.
Não se considera um criativo?
Não, não há que confundir as funções. Mesmo o crítico, o comentador, o exegeta mais dotado está a anos-luz do criativo. Temos uma compreensão deficiente das fontes íntimas da criação. Por exemplo, estamos em Berna, há muitos anos... As crianças saem para um piquenique com a professora, que os coloca diante de um viaduto. Desenham-no, a professora olha por cima do ombro de um dos garotos, que desenhou botas entre os pilares: a partir desse dia, passou a ser possível andar em todos os viadutos! Essa criança era Paul Klee. A criatividade muda tudo o que contempla. Um criativo precisa apenas de alguns traços para nos mostrar o que já lá estava. O que desencadeia o mistério da criatividade? Escrevi Gramáticas da criação [traduzido na Relógio d’Água] para compreender o processo. No final da minha vida, continuo sem o entender.
Entender seria perder a arte?
De certa forma, estou feliz por não entender. Imagine um mundo onde a neuroquímica nos explique Mozart... É concebível, e isso assusta-me. As máquinas já interagem com o cérebro: o computador e a espécie humana trabalham em conjunto. Vá que, um dia, os historiadores percebem que o acontecimento mais importante do século XX não foi a guerra, nem o colapso dos mercados financeiros, mas a noite em que Kasparov, o jogador de xadrez, perdeu o jogo contra uma pequena caixa de metal: "A máquina não calculou, pensou." Quando vi essa cena, pedi a opinião aos meus colegas em Cambridge, que são os expoentes máximos da ciência. Disseram-me que não sabiam se o pensamento não era um cálculo. É uma resposta assustadora! A pequena caixa vai um dia compor música?
à(s)
1/03/2012 09:00:00 a.m.
Publicada por
Contra.facção
0
comentários
Etiquetas:
Culturas,
Democracia,
Direitos Humanos,
Educação,
Património,
Pedagogia,
Psicologia,
Sociologia,
União Europeia
Ecos da blogosfera - 2 jan.
à(s)
1/03/2012 02:00:00 a.m.
Publicada por
Contra.facção
0
comentários
Etiquetas:
Blogosfera,
Culturas,
Lusofonia,
Património
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Ouvi o que vos digo, perdoai-me aquilo que (fiz) faço!
Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República considerou que a resolução das dificuldades nacionais exige, além de rigor orçamental, uma agenda para o crescimento e emprego, sem a qual “a situação social poderá tornar-se insustentável”.
Cavaco Silva apelou ao “diálogo construtivo entre o Governo e a oposição” e ao “aprofundamento da concertação social”, alertando para a necessidade de preservação da “coesão nacional” e da “coesão social”.
Já toda a gente perdeu tempo a analisar(?) a “mensagem” do PR, que mesmo tendo em consideração que é a autoridade máxima da hierarquia política nacional, não lhe atribui outras características da personalidade do cidadão Cavaco Silva, que nem vale a pena relembrar.
Quando o PR (economista) pede rigor orçamental (presume-se que ao governo), depois de ter constatado a falta de rigor contabilístico (tantos buracos) e de ter criticado, veementemente, os critérios de distribuição dos sacrifícios no OE2012 e o promulga, sem sequer consultar o Tribunal Constitucional, está com problemas de memória, no mínimo…
Quando o PR vem apelar (ao governo, logicamente) a uma agenda para o crescimento e emprego, quando no OE2012 nada consta sobre o assunto e se esquece de que o PM disse que temos que empobrecer e que a Banca já negou essa colaboração, está atrasado na oportunidade da sua magistratura de influência, por problemas de memória, no mínimo…
Quando o PR prevê que como as coisas estão gizadas (pelo governo) a situação social poderá tornar-se insustentável e tendo-se demitido de influenciar o (seu) governo para não tomar as medidas cegas que tomou, está a ser corresponsável por essa insustentabilidade social, que sacode para o executivo e os partidos que o apoiam, esquecendo-se que ratificou o OE2012, por problemas de memória, no mínimo…
Quando o PR apela ao diálogo construtivo entre o Governo e a oposição, está a desejar o impossível, a unanimidade dos partidos em democracia, para poder lavar as mãos, no limbo de 2012 e os mais anos que se seguirão (20?)…
Quando o PR apela ao aprofundamento da concertação social está a desejar outra impossibilidade, a aliança e a concordância entre empregadores e empregados, esquecendo-se que todas as medidas propostas à concertação tem sido impostas unilateralmente pelo governo e promulgadas por ele…
Quando o PR fala na necessidade de preservação da coesão nacional, está a desejar que ao lema: “Uma maioria, um governo, um Presidente “, se acrescente “e um POVO”, que ele sabe que não sendo responsável pelas dívidas está a ser chamado a pagá-las e que não são dele (POVO) e que por isso ameaçam a paz social, por ser de uma enorme injustiça…
Quando o PR se refere à coesão social, está a apelar à aceitação da injustiça das medidas, ao silêncio resignado e à desistência da contestação, mesmo que a pobreza alastre (entre o POVO), enquanto os detentores de cargos públicos, empresários e trabalhadores privados e de algumas empresas estatais tenham sido ilibados da culpa e dispensados de colaborarem na comparticipação dos sacrifícios para a redenção do país…
Era bonito e simbólico que o PR prescindisse do subsídio de férias e de Natal, fazendo corar de vergonha todos os nacionalistas que se auto excluíram, por desígnio do divino…
E até parece que o PR confundiu a mensagem de Natal com a da Pascoa, porque não é a hora da imolação dos cordeiros, mas da apologia das vaquinhas e dos burros, com alguns reis que oferecem umas minudências…
Quem quiser ver a lista das desgraças:
Veja a lista das principais medidas de austeridade deste ano, compiladas pela agência Lusa:
Administração Pública; Subsídio de Desemprego; Pensões; Legislação Laboral; Saúde; Educação; Impostos (IRS, IRC, IVA); Tributação da Eletricidade; Bebidas; Tabaco; Automóvel; Mais-valias, Juros e Dividendos; IMI.
O PSD assinalou a preocupação de Cavaco Silva com a “equidade na repartição dos sacrifícios”, ao passo que o CDS notou a referência à “ética social na austeridade” do chefe de Estado.
Não são os partidos da coligação que estão com o PR, é o PR que está com os partidos do governo. E foi pena, muita pena terem-se marimbado nos conselhos “ameaçadores” do PR e não se terem incluído nos excluídos dos subsídios de férias e de Natal!
O PS sublinhou que "O essencial da mensagem de Ano Novo do Presidente da República é partilhado pelo PS. Há vários meses que o líder do Partido Socialista tem vindo a defender a criação de uma agenda para o crescimento e para o emprego. Só o Governo não compreendeu essa necessidade", afirmou o secretariado nacional do PS.
Foi pena terem-se marimbado nas suas convicções e terem-se abstido no OE2012 e não se terem incluído nos excluídos dos subsídios de férias e de Natal!
Reagindo à mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva, os comunistas entendem que o chefe de Estado “se coloca ao lado do pacto de agressão”.
Só foi pena não se terem incluído nos excluídos dos subsídios de férias e de Natal!
O BE acusou o Presidente da República de ser "incongruente" e de "jogar com as palavras", afirmando que "não se pode apoiar a política da recessão e dizer que é preciso cuidado porque vem aí uma recessão".
Só foi pena não se terem incluído nos excluídos dos subsídios de férias e de Natal!
O bispo do Porto, Manuel Clemente, alertou hoje para uma "tremenda tragédia social" caso a instituição familiar venha a sofrer retrocessos devido à crise e apelou à planificação da sociedade e do trabalho em torno da família.
Gosto de D. Clemente, mas noto que as entrevistas adoçadas nos media não coincidem com a acidez dos sermões…
A tremenda tragédia social já está aí e a Igreja tem sido testemunha acusatória.
É claro que a “família” vai sofrer alterações, aceleradas pelas circunstâncias e pelas razões que “assustam” o PR…
à(s)
1/02/2012 07:00:00 p.m.
Publicada por
Contra.facção
2
comentários
Etiquetas:
Constituição da RP,
Democracia,
Economia,
Finanças,
FMI,
Igualdade,
Impostos,
Justiça,
Património,
Pedagogia,
Política,
Psicologia,
Regulamentação,
Sociologia,
Solidariedade,
União Europeia
Contramaré… 2 jan.
A Alemanha teve em 2011, 41,04 milhões de pessoas com trabalho registado e com residência no país, um aumento de 1,3% contra o mesmo indicador de 2010, um recorde de emprego desde a reunificação nacional em 1990, anunciou o departamento federal de estatísticas. O número de desempregados caiu de uma taxa 6,8%, em 2010 para 5,7%, em 2011.
à(s)
1/02/2012 04:00:00 p.m.
Publicada por
Contra.facção
0
comentários
Etiquetas:
Comunicação social,
Contramaré
Dar conselhos é de graça e ouvi-los de graça é!
Foi-se a época em que uma agendinha na bolsa dava conta de controlar os afazeres do dia. Hoje, é preciso ter uma versão de papel - ou onde você vai colocar as contas a pagar? -, uma eletrónica (um aplicativo do iPad, quem sabe?), uma agenda no computador e, talvez, um sistema de lembrete no celular. Isso sem falar no bom e velho relógio, que pode ter ficado esquecido dentro de uma gaveta.
Não tem alternativa, o tempo define-se pela expressão 24x7. Não dá para esticar, não dá para encolher. A única coisa que a gente pode tentar fazer é usá-lo bem. "O que falta às pessoas muito atarefadas é uma agenda, não daquelas de papel, mas uma de propósitos, que as ajude a definir as prioridades", afirma João Batista Brandão, mestre em liderança e gestão de pessoas, da FGV Management, em São Paulo. "Essa agenda dá sentido às coisas, um critério para saber se algo deve ou não merecer atenção." Com um instrumento desses em mãos é possível tomar as rédeas do dia a dia. "No geral, o problema das pessoas, seja na vida pessoal, seja na profissional, não é definir o que fazer, mas o que não fazer para evitar dispersar energia", resume Brandão.
Comprometer-se ou não
"Existem basicamente dois tipos de personalidade quando se fala de controlo do tempo: aquela que se compromete e aquela que não se compromete", descreve a psicanalista Anna Verônica Mautner. "A pessoa que se compromete diz 'vou chegar em 15 minutos'. A outra fala 'vou chegar daqui a pouco'", descreve. Cada uma tem o seu modo de lidar com o tempo. A primeira sofre mais porque, como especificou um horário, sente-se pressionada ou atrasada. A outra, não. Por outro lado, esse segundo tipo de personalidade tem muito mais dificuldade em administrar o seu tempo, acaba por colocar mais tarefas num determinado período do que é capaz de cumprir e vive a correr atrás do prejuízo temporal.
Ninguém nasce a saber lidar com o tempo. Aliás, nesse sentido, o bebé é o ser mais destrambelhado que existe. Mama na hora que quer, chora quando bem entende e sobre as noites de sono, então, nem se fala. Segue um relógio biológico todo próprio, cheio de noites em claro. "Lidar com o tempo é uma competência que precisa ser desenvolvida. É lógico que pessoas ansiosas podem ter mais dificuldade em dominar as técnicas de gestão temporal. Mas, com maior ou menor esforço, podem ser aprendidas", diz Brandão. Não existe técnica perfeita ou universal para tirar o melhor proveito seja dos dias úteis, seja do fim de semana. Mas algumas atitudes ajudam a economizar minutos preciosos e permitir que pare de se digladiar com as 24 horas.
Em casa
Deixe cada coisa no seu lugar
Tenha um local certo para por as chaves de casa e do carro. Pode ser um porta-chaves ou uma caixinha decorativa. O carregador de telemóvel também deve ficar sempre no mesmo lugar.
Nunca subestime uma tarefa
Tentar encaixar 4 coisas no espaço de uma não vai dar certo. Por isso, não se iluda com o "isto é rapidinho". Um bolo não fica assado antes de 40 minutos, nem as janelas limpas em 30 segundos. Tente lembrar-se da última vez em que fez algo parecido e quanto tempo levou. Estimar adequadamente quantas horas ou minutos serão necessários vai evitar atrasos.
Não desarrume para não ter de arrumar
A bagunça não aceita desaforo. Se você tirou algo do lugar, ele não vai voltar sozinho. Por isso, não espalhe livros pela casa, roupa pela cama, documentos sobre a mesa. Ao tirar algo da gaveta ou do armário, guarde-o imediatamente assim que acabar de usar.
No trabalho
Peça ao outro
Não tenha vergonha de delegar tarefas ou pedir ajuda, se achar que não vai dar conta do recado. Essa atitude não vai fazer com que você pareça menos competente. Com o tempo, uma pessoa que se organiza bem tende a ser vista como mais disponível e eficiente. "E passa também a servir de exemplo para toda a equipa, tornando o grupo todo mais produtivo", explica André Barcaui, da FGV-Rio.
Tenha uma agenda
Cada pessoa deve encontrar a melhor forma de organizar a sua, seja de papel, eletrónica ou mesmo de post-its. O importante é ter uma base confiável para ajudar a lembrar-se daquelas tarefas mais urgentes. "Abrir a agenda logo pela manhã é sempre uma boa prática para saber o que tem de fazer no dia, mas é preciso consultar o que vai acontecer no resto da semana, uma vez que uma tarefa pode interferir na outra", aconselha Barcaui.
Faça um intervalo entre reuniões
Emendar um assunto no outro faz com que os temas se confundam e aumente a dispersão. Então, é uma boa ideia incluir um intervalo entre cada reunião, seja para o almoço, um cafezinho, seja mesmo para tratar de assuntos diferentes.
Na vida pessoal
Tenha jogo de cintura
Algumas coisas não saem mesmo como planeamos. Então, em vez de correr feito barata tonta, se a empregada não apareceu e tem de ir para uma reunião, tenha prontas soluções alternativas: o telefone da mãe, berçários que cuidam das crianças à hora.
Pare de se culpabilizar
Se não sobrou tempo de fazer a tarefa da escola com o filho, ou de ir à casa daquela amiga que está chateada, seja pragmática. Das duas, uma: ou você toma uma atitude para consertar o que ficou a faltar - deita na cama para ler um livro com o filho, telefona para a tal amiga - ou relaxa e deixa para a próxima vez. "De contrário, vai contaminar com culpas o pouco tempo que lhe resta", aconselha a psicóloga organizacional Ana Cristina Limongi.
Descubra em que está a desperdiçar o seu tempo
Comece por preparar uma lista do que faz durante o dia e quanto tempo leva para realizar cada tarefa. Assim, é possível descobrir que ficou horas ao telefone com um Serviço de Atendimento ao Cliente (que poderia ser contactado por e-mail), que se perdeu surfando na internet procurando algo que nem você sabe o que é, que fez duas vezes a mesma coisa por falta de atenção.
Tenha foco
"É preciso acostumar-se com a ideia de que sempre haverá mais informação ou tarefas disponíveis do que a nossa capacidade de absorção e realização", diz André Barcaui, da FGV-Rio. "A solução é focar no que interessa." Não adianta começar dezenas de cursos e não terminar nenhum, praticar atividades físicas desordenadamente ou passar o dia ciscando entre uma tarefa e outra, sem conseguir concluir nenhuma delas.
Ecos da blogosfera - 1 jan.
à(s)
1/02/2012 02:00:00 a.m.
Publicada por
Contra.facção
0
comentários
Etiquetas:
Blogosfera,
Bolsa,
Economia,
Património,
Psicologia,
Sociologia
domingo, 1 de janeiro de 2012
Bem diz o governo, que este é o ano do fim da crise…
O fenómeno de 2012 compreende um conjunto de crenças e teorias escatológicas de que eventos cataclísmicos ou de transformação ocorrerão em 21 de dezembro de 2012, data que é considerada o final de um ciclo de 5.125 anos do Calendário de Contagem Longa Mesoamericano. Vários alinhamentos astronómicos e fórmulas numerológicas têm sido relacionadas com esta data.
A interpretação da Nova Era sobre essa "transição" postula que, durante este tempo, o planeta e os seus habitantes podem sofrer uma transformação positiva física ou espiritual e que 2012 pode marcar o início de uma nova era. Outros sugerem que o ano de 2012 marca a data final do mundo ou o início de uma catástrofe semelhante. Teorias para o fim do mundo incluem a colisão da Terra com um planeta de passagem ou com um buraco negro, ou a chegada do próximo máximo solar.
Estudiosos de diversas áreas têm rejeitado a ideia de que uma catástrofe ocorrerá em 2012. Os principais estudiosos dos Maias afirmam que previsões de morte iminente não são encontradas em qualquer um dos clássicos códices maias e que a ideia de que o calendário de contagem longa "termina" em 2012 deturpa a história maia. Os maias modernos não consideram a data significativa e as fontes clássicas sobre o tema são escassas e contraditórias, sugerindo que houve pouco ou nenhum consenso universal entre eles sobre o que a data pode significar.
Adicionalmente, astrónomos e outros cientistas rejeitam as previsões apocalípticas e classificam-nas como pseudociência, afirmando que os eventos previstos são desmentidos por simples observações astronómicas. A NASA tem comparado os medos em relação ao ano de 2012 com o fenómeno "Bug do milénio" no final da década de 1990, sugerindo que uma adequada análise dos factos pode impedir temores de um desastre. A ideia de um evento mundial que ocorreria em 2012, baseado em qualquer tipo de interpretação do calendário de contagem longa, é rejeitada.
Para os crentes, para os céticos e para os “nem uma coisa nem outra”, faz lembrar aquela anedota:
Notícias de Deus!
Deus chama ao Céu 3 representantes do Mundo. Um dos EUA (Obama), outro da Rússia (Medvedev) e o terceiro para representar a UE (Passos Coelho) aos quais anuncia 2 notícias que eles devem transmitir aos seus concidadãos.
1º: - Eu (Deus) existo!
2ª: - O Mundo vai acabar dentro de 11 meses e 20 dias!
Obama (aos Americanos): Tenho 2 notícias para vos dar, uma BOA e uma MÁ:
- A boa é que Deus realmente existe! Eu estive com ele!
- A má: O Mundo vai acabar dentro de 11 meses e 20 dias!
Medvedev (aos Russos): Tenho 2 notícias MÁS para vos dar:
- A primeira é que Deus realmente existe e a segunda é que o Mundo vai acabar dentro de 11 meses e 20 dias!
Passos Coelho (aos Portugueses): Tenho 2 notícias BOAS para vos dar:
- A primeira é que eu sou um enviado de Deus!
- A segunda: A crise vai acabar dentro de 11 meses e 20 dias!
à(s)
1/01/2012 07:00:00 p.m.
Publicada por
Contra.facção
4
comentários
Etiquetas:
Culturas,
Psicologia,
Sociologia
Contramaré… 1 jan.
De acordo com o decreto-lei publicado hoje em Diário da República, que determina as condições da transferência dos fundos de pensões da banca para a Segurança Social, os ativos a transferir "podem ser constituídos por numerário e, até 50% do valor dos ativos a transmitir, por títulos de dívida pública portuguesa".
à(s)
1/01/2012 04:00:00 p.m.
Publicada por
Contra.facção
1 comentários
Etiquetas:
Comunicação social,
Contramaré
PR: Teorias, avisos e (in)coerência com a sua praxis…
Depois de apresentado o Orçamento de Estado para 2012, o Presidente da República alertou para a eventual inconstitucionalidade dos cortes salariais à Função Pública, da redução das pensões e da supressão de deduções à colecta do IRS. Mas o prazo para entregar o documento para revisão no Tribunal Constitucional já terminou, e Cavaco Silva não o enviou aos juízes.
Como se viu, todos os reparos que o PR fez às medidas do seu governo e que pareciam avisos ameaçadores não foram ouvidos e, coerentemente lá facilitou as coisas, provavelmente por se distrair com o calendário…
Lá para o meio do ano virá repetir o seu lema: “Eu bem avisei!”…
Cavaco Silva promulgou o Orçamento do Estado e as Grandes Opções do Plano para 2012, que serão publicados em Diário da República e embora tivesse mais 10 dias de prazo, decidiu fazê-lo no último dia útil de 2011. Medidas de austeridade entram em vigor a 1 de janeiro.
Simbolicamente antes do tempo limite, para que não seja acusado de força de bloqueio…
Está garantido e avalizado o sucesso para 2012 e a pobreza anunciada pelo próprio e irreversível.
Obrigado Sr. Presidente por tanta eficiência e deixar passar tanta ineficácia…
à(s)
1/01/2012 09:00:00 a.m.
Publicada por
Contra.facção
2
comentários
Etiquetas:
Constituição da RP,
Democracia,
Direitos Humanos,
Economia,
Finanças,
FMI,
Igualdade,
Impostos,
Justiça,
Património,
Política,
Regulamentação,
Sociologia,
União Europeia
Subscrever:
Mensagens (Atom)









