quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Ecos da blogosfera – 10 Ago.
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8/10/2011 01:30:00 a.m.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
Contramarés sem contrapé… 9 Ago.
BCE empresta 75,8 mil ME a 35 dias a bancos europeus
O Banco Central Europeu emprestou aos bancos europeus 75,8 mil milhões de euros numa operação de refinanciamento a 35 dias, aos quais se juntaram outros 157,1 mil milhões de euros da operação regular semanal do banco central.
No último leilão com prazo mais alargado, que decorreu a 27 de julho, o BCE emprestou aos bancos europeus 85 mil milhões de euros com uma maturidade de 91 dias.
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8/09/2011 07:00:00 p.m.
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Cá, homilia dominical! Lá fora todos à rasquinha!
Uma pequena reflexão de Verão
Caras amigas e amigos,
O ritmo de tomada de decisões que nos impusemos, bem como a nossa imperiosa necessidade de cumprir os acordos a que o País se comprometeu têm vindo a impor uma agenda exigente que eu encaro como o nosso Grande Desafio como nação e como povo.
Sabemos bem que o nosso ponto de partida é extremamente débil e que a instabilidade no sistema Financeiro Europeu e Americano são travões para um percurso já de si cheio de sacrifícios, tanto na intensidade como no tempo. Esta é a nossa realidade e um dos meus compromissos com os Portugueses é nunca ocultar a realidade, de forma que todos compreendam as razões e os objectivos deste grande esforço colectivo.
Há, evidentemente, um enorme trabalho pela nossa frente ao qual todos os Portugueses são chamados. Mas também julgo que restam poucas dúvidas quanto à nova forma de fazer política e de nos relacionarmos com o universo civil da nossa sociedade: queremos transmitir o que fazemos e por que o fazemos. Achamos que é de elementar justiça prestar contas ao País, quando, afinal, estamos a trabalhar e a gerir o dinheiro dos Portugueses. E queremos que a Sociedade Portuguesa mude de vida para encontrar um rumo de prosperidade que nos permita, a nós e aos nossos filhos, olhar para o futuro com confiança e optimismo. Essa é a razão última deste enorme esforço, deste nosso desafio.
Não me comprometo com resultados rápidos nem com sacrifícios suaves. Não seria realista. Mas não duvido que, passada esta profunda e longa tempestade, teremos um país muito mais bem preparado para compreender, competir e vencer num mundo que assiste diariamente a importantes transformações.
Neste Grande Desafio há valores que não devemos nunca deixar para trás: dar e contar com o apoio das nossas famílias e dos que nos são próximos, nunca perder de vista a ética e o valor do compromisso para com a sociedade e, finalmente, ter a clara noção de que somos um povo de vencedores que nos agigantamos perante as maiores adversidades. Este é o momento! E constato com orgulho uma reacção nobre, realista e empenhada da generalidade da nossa sociedade.
Vou agora estar uns dias com a minha mulher e as minhas filhas para recuperar algum tempo do meu papel enquanto marido e pai. Vai ser um período mais curto do que seria a nossa vontade, mas será o possível dentro das actuais circunstâncias. Procurarei aproveitar intensamente o tempo disponível: afinal é nas situações mais simples que podemos encontrar os momentos de maior felicidade.
Um abraço forte e continuação de um bom Verão,
Pedro Passos Coelho
Lendo nas entrelinhas, vou tentar descodificar a mensagem, que deve ter sido escrita por alguém do SIED.
Portugueses!
A nossa nação, tendo perdido a sua soberania e com o povo que temos, pobre, idealista, e desempregado foi obrigada a aceitar o grande desafio imposto por estrangeiros amigos, que nos emprestaram dinheiro, demonstrando uma atitude tão submissa e silenciosa, que me orgulha.
Como somos pobres, mas honrados, teremos que pagar e queremos que seja mais depressa do que os próprios credores exigem. Já não nos bastava a dívida herdada para ainda termos que assistir e sofrer com a guerra dos “mercados”, de que somos crentes e acérrimos defensores, que constatamos agora que ataca o sistema financeiro mundial e de que seremos as principais vítimas, mesmo que seja contra a Europa e os EUA e que poderá travar o nosso garantido sucesso.
Já todos perceberem, já que tanto os media insistem e há tanto tempo, que os sacrifícios enormes que vocês tem pela frente não é para todos, já que há 3.000.000 de pobres e empobrecidos, que ainda atrapalham as contas, 700.000 desempregados, que ainda recebem subsídios, os mais avantajados nas contas, que merecem apoio pelos postos de trabalho que criam e pelos salários que pagam, os senhores que guardam o dinheiros dos das contas avantajadas, que são os pilares da nossa independência, sem contar com as crianças com menos de 16 anos e os licenciados que ainda não podem trabalhar. Feitas as contas, pouca gente resta para colaborar no Grande Desafio (cheira a Mao Tzé-Tung, mas tem impacto) no qual o leitor está incluído e se não aguentar, não conte com o Estado para nada, conte com a sua família e com a vizinhança, que é um dos valores a valorizar.
Como sabem, comprometi-me a explicar as razões e os objectivos desta empreitada, o que não faço agora porque gastaria muito tempo, mas espero que todos já tenham compreendido, pelas explicações que os economistas e comentadores tem dado na TV, embora também me tenham confundido e levado a enganos de que tenho sempre pedido desculpa, tão só porque o dinheiro é vosso e a vida também. Mas podem acreditar que queremos e vamos conseguir mudar a vida dos portugueses nos próximos anos, piorando-a, para deste modo atingirmos mais rapidamente a prosperidade almejada.
E como já vão reconhecendo, pelo treino que vos é dado em crescendo que é nas coisas mais simples que está a felicidade, quanto menos tiverem, mais felizes serão e essa é a verdadeira riqueza.
Não pensem que as próximas décadas chegam para se ver os resultados das medidas que deixei a levedar, nem vos passe pela cabeça que os sacrifícios vão ser tão leves como vos prometi, mas pedir-vos-ei desculpas, tantas vezes quantas forem precisas.
Um abraço e sorte no euromilhões (ou que faça parte da lista pública dos nomeados) e continuação de um Verão tão mau como o que temos todos merecido.
Líderes mundiais multiplicam-se em contactos por causa da criseEntretanto, como a realidade é mais complicada do que a análise do nosso primeiro, os outros Primeiros parece que acordaram para a realidade dos “mercados”, de que são crentes e acérrimos protetores e descobriram que foram apunhalados pelos especuladores, logo que foram para férias…
O Banco Central Europeu agendou, para esta tarde, uma reunião de urgência sobre a crise das dívidas soberanas na Europa e sobre a desclassificação do “rating” dos Estados Unidos. Essas preocupações juntaram, ontem, os vice-ministros das Finanças do G20 numa videoconferência e multiplicam-se os contactos entre os líderes europeus, para tentar acalmar os mercados.
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8/09/2011 09:00:00 a.m.
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Ecos da blogosfera – 9 Ago.
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8/09/2011 01:30:00 a.m.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Contramarés sem contrapé… 8 Ago.
Economia mundial abranda e Portugal acentua queda
A actividade económica a nível global deverá continuar a desacelerar, ou mesmo contrair em alguns casos, indicou a OCDE.
Em Junho, a queda foi generalizada e também os EUA dão sinais de desaceleração. Por grupos de países, a zona euro foi a que registou maior quebra neste indicador (-0,6 pontos percentuais), com Portugal a ver agravada a sua quebra na actividade económica, que regista quebras mensais e em Junho recuou para os 99,9 pontos, o pior valor desde Dezembro de 2009.
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8/08/2011 07:00:00 p.m.
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Mas isto é “dar com o PES” nos empobrecidos!
O governo apresentou o Programa de Emergência Social que vai abranger um universo de 3.000.000 de portugueses. Este número é impressionante. E isto porque o plano do ministro Pedro Mota Soares se destina a pessoas que não conseguem ter 2 refeições por dia, aos casais desempregados com filhos, aos cidadãos que viram as suas casas penhoradas e não têm dinheiro para pagar uma renda normal e aos muitos que precisam de matar a fome em instituições sociais.
A verba que o Estado disponibiliza para esta emergência está longe de ser colossal. 400 milhões de euros são uma gota de água no imenso despautério que por aí vai em projectos ruinosos em que poucos ganham muito com o dinheiro dos contribuintes. Importa que seja aplicado com critério, de forma transparente e sirva essencialmente para dar condições a quem está no terreno para responder melhor e mais depressa a tanta desgraça. E que esteja preparado para o pior, isto é, para o que aí vem a curto prazo. O cenário é negro e mesmo que tudo corra muito bem não há forma de evitar que muito mais portugueses venham a cair na miséria e na fome nos próximos anos. É tão certo como 2 e 2 serem 4. Com a economia em recessão profunda, o desemprego a aumentar todos os dias, os inevitáveis cortes salariais, a inflação, os impostos a serem usados como tapa-buracos de um monstro insaciável e as crises que chegam a Portugal da Europa e dos Estados Unidos, não vale a pena ter esperança, ser optimista ou tentar descortinar no horizonte qualquer sinal de bonança para a tempestade quase perfeita que se abateu sobre o país. O mais trágico de toda esta situação é que os salários baixos, os impostos altos, o aumento das horas de trabalho, a poupança forçada sabe-se lá bem de quê e todos os sacrifícios possíveis e impossíveis podem muito bem não servir para coisa nenhuma. Nesta fase da crise, o melhor é viver o dia-a-dia, é sobreviver de manhã à noite, sem projectos para o futuro. Os crentes sempre podem entregar o seu destino a Deus. Os outros nem isso. A descrença generalizada não é boa conselheira, é verdade. Pode até ser perigosa para a coesão social e a paz nas ruas. Mas é uma forma realista de olhar para o presente sem qualquer futuro.
Portugal ainda tem o apoio da União Europeia e do FMI. O mais certo é que os 78 mil milhões não cheguem para as encomendas da nação e, já agora, de economias, como a italiana, que estão pelas ruas da amargura. Como o tsunami está mesmo a chegar, não há tempo a perder na montagem de uma estrutura de guerra que vá para o terreno salvar as pessoas da fome de hoje e também de amanhã. Com planos de emergência que vão necessariamente ter um horizonte temporal mais alargado e sem um fim à vista. O que ontem os portugueses ouviram deve ser um solene aviso à navegação. Numa passagem de nível pode salvar-se uma vida com o velho "pare, escute, olhe". Numa desgraça social como a que Portugal está a viver, o "pare, escute, olhe" não salva coisa nenhuma. Serve apenas para muitas pessoas perceberem que amanhã podem ser os beneficiários desta emergência contra a fome.
“Editorial” de António Ribeiro Ferreira
"Estas são medidas concretas para ajudar a suportar melhor os sacrifícios que os portugueses têm de fazer, é isto que é justiça social", argumentou o deputado do PSD, Fernando Negrão e garantiu que até 2014 “ninguém será deixado para trás".
Num comentário ao PES, Sónia Fertuzinhos garantiu que os socialistas "não defendem, nem nunca defenderão a lógica assistencialista de apoios sociais às pessoas".
Jerónimo de Sousa, criticou o PES, que cria estigmas, perpetua situações de pobreza, constitui uma "migalha" que não resolve os problemas e algumas das medidas contribuem para aumentar a exclusão.
Para o BE, "sem se taxarem os mais ricos não há possibilidade de um verdadeiro plano que responda às dificuldades das pessoas".
Tenho que começar por dizer, que simpatizo com o atual ministro da Solidariedade e Segurança Social, pelo seu empenho nas funções de que foi incumbido, mas mais pela sua coerência doutrinária e não político-partidária. Mas, como o fazer tem que ter uma sustentação ideológica, a boa fé, neste caso não basta, porque o assistencialismo governamental, não é senão a governamentalização institucional dos cidadãos, com todas as consequências que a sociologia “prevê” e os sociólogos deviam denunciar…
Quando lemos o que os políticos dizem, com, ou sem formação na matéria, percebemos que a perspetiva de cada um se limita ao campo de visão do seu partido, sem qualquer síntese objetiva e científica do fenómeno. Já Pierre Bourdieu se lamentava do silêncio dos intelectuais e académicos sobre medidas governamentais específicas e das suas áreas, para também nós constatarmos o mesmo e assistirmos a opiniões individuais, algumas verdadeiras heresias.
E custa ouvir um ex juiz, Fernando Negrão e deputado do PSD, dizer sobre o PES que ISTO É QUE É JUSTIÇA SOCIAL e ficar satisfeito (acreditando) que até 2014 ninguém será deixado para trás. Mesmo que fosse verdade e se fizesse prova, não é função dos governos levar o país para a frente, com os homens do leme? Pobres objetivos!
Por outro lado vem os socialistas dizer tout court, que nunca defenderão a lógica assistencialista, com tantas culpas no cartório e sem pedirem desculpa por tanta asneirada.
Jerónimo de Sousa, vem dizer que o assistencialismo cria estigmas, perpetua a pobreza e algumas medidas contribuem para aumentar a exclusão, que é um paradigma irrefutável, que o passado e a sociologia explicam.
Já o BE assegura, que se não se taxarem os mais ricos não há possibilidade de um verdadeiro plano para responder às dificuldades das pessoas, sem colocar em questão a justiça e as consequências do assistencialismo…
O que era bom para compreendermos as causas e os efeitos de um plano assistencialista, gostávamos e todos merecíamos ouvir as opiniões abalizadas de sociólogos, como a de Alfredo Bruto da Costa, de Boaventura Sousa Santos, de António Barreto e de outros, sem que eles ficassem à espera que lhes perguntassem e tomassem a iniciativa de desmontar o que nos parece óbvio, pela nossa formação judaico-cristã…
Mas, se desconfiamos da opinião dos políticos, acreditamos mais na análise de um jornalista, no caso António Ribeiro Ferreira, que não anda longe da dos vários partidos, mas não tem qualquer “rótulo” e como os políticos (da esquerda radical e da pragmática) conclui que todos os sacrifícios possíveis e impossíveis podem muito bem não servir para coisa nenhuma, que como se começa a ver e Fernando Negrão verá, não vai servir mesmo de nada, antes pelo contrário, logicamente...
Dar por um lado e tirar pelo outro, nem a esperança lhes resta, não só aos pobres, mas também aos empobrecidos!
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8/08/2011 08:30:00 a.m.
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domingo, 7 de agosto de 2011
Contramarés sem contrapé… 7 Ago.
“É inevitável Portugal sair do euro”, diz ex-director do FMI
Desmond Lachman disse que “Portugal não vai conseguir aguentar as políticas do FMI sem grandes cortes da despesa e sem deixar o Euro”, entendendo que é melhor a saída portuguesa do euro agora do que daqui a dois anos. Considera que Portugal tem uma situação mais frágil do que a Grécia e não percebe como é que os portugueses vão conseguir pagar a dívida e aguentar a austeridade, que vai resultar em “recessão profunda e deflação”.
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8/07/2011 07:00:00 p.m.
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E porque não? O “alterne” não é melhor…
Slavoj Zizek é um pensador daqueles que fogem à regra. Filósofo esloveno, comunista convicto, afeito à Psicanálise e ao cinema com todas as suas facetas, não perde um segundo de pessoalidade e ironia nas suas colocações. Um sujeito polémico, mas incrivelmente otimista. Talvez duas forças destoem de seu temperamento, curioso e engraçado ao mesmo tempo. Pude perceber um pouco do universo do seu pensamento pelas entrevistas que concedeu recentemente à Globo News, como também pela sua vinda recente a São Paulo, onde participou de uma série de outras entrevistas, uma delas publicada na Revista Cult, junho de 2011, nº 158.
O mais engraçado das suas declarações ultimamente foi o facto de admitir a possibilidade de um sorteio para se chegar ao poder, como numa espécie de lotaria. Imagine assistir da sua casa a um sorteio dos seus candidatos pela TV ou pela rádio, ou mesmo pela internet. O que diria disso? Pois é. Uma alternativa discutida por esse filósofo que não diz nada à toa. Há por trás dessa ideia alguma coisa de muito, mas muito séria. Não é uma ideia de se jogar fora.
Repare bem que estamos em tempos de uma desconfiança muito grande na democracia, no seu sistema eleitoral, no caminho que se faz para se chegar ao poder em qualquer parte do mundo. As nossas eleições estão cada vez mais caras e ditam um ritmo de corrupção indesejada pela opinião pública. As ditaduras espalhadas pelo mundo estão a cair (caso da Tunísia e do Egito) porque não respondem às expectativas populares de subsistência mínima que vai da comida à economia passando pela ecologia. Ora, se assistimos à queda de regimes de extrema esquerda, também assistimos a grandes estragos em regimes políticos de extrema direita ao longo da história. Experiências de governo parecem ter frustrado a humanidade nos últimos decénios, ainda assim insistimos em voltar a alguns, como é o caso da insistência de Zizek pelas ideias de Marx e outros que defendem a força quase imorredoura das manifestações populares, das reivindicações das camadas trabalhadoras em benefício da solidez do Estado e da qualidade de quem o governa. Com uma boa dose cómica nas suas palavras, Zizek não abre mão das suas convicções pró comunistas que vão da fina crítica ao liberalismo económico dos países capitalistas, propondo uma derrubada gradual e não imediata do capitalismo à eleição de governantes por sorteio.
(No Brasil, as reeleições parecem ser um entrave quanto à alternância do poder, muito embora se questione em algum momento a qualidade deste poder.) Segundo Zizek, mesmo na Grécia, palco fundador da democracia, “as pessoas já sabiam que é preciso haver algum elemento de contingência na democracia. O único jeito pelo qual a democracia funcionaria seria combinar qualificação e contingência” (Rev. Cult, junho 2011, nº 158, p. 17).
Zizek sorri da fragilidade do sistema capitalista ao qual estamos submetidos, lembrando a crise económica de 2008 que assustou todos e a sua relação com a democracia: “Há limitações na democracia como a conhecemos, mas os principais candidatos à sua sucessão não funcionaram bem... Em 2008, os bancos ocidentais estavam em pânico e não forneciam crédito. Na China, o poder central apenas ordenou aos bancos que o fizessem. É por isso que a Europa retrocedeu e a China cresceu... Os sonhos do século XX acabaram. Vocês, brasileiros, têm a sorte de não terem recebido uma dose muito grande de populismo. Na Argentina, o peronismo foi a pior catástrofe que aconteceu” (idem).
Ao comparar o populismo de Lula com o de Chávez, lança-se totalmente a favor de Lula: “Não vamos confundir populismo com apelo popular... Mas o trágico em Chávez talvez seja o facto de ele ter dinheiro demais, de modo que pode mascarar as dificuldades em vez de as enfrentar” (idem). Para ele, o genial da democracia é o que as sociedades mais maquiam e escondem, a ideia de que o trono do poder estará sempre vazio: “E se dissermos que o trono está sempre vazio? O trono é ocupado apenas temporariamente e reocupado pelas eleições livres” (idem). É aqui onde mora o fiasco do sistema eleitoral (brasileiro), as eleições não são tão livres assim. Há o direcionamento dos media pelas propagandas sem limites quase que escolhendo por nós. Há o uso do dinheiro público desenfreado no período eleitoral que financia as mais questionáveis formas de adquirir voto. Há a cumplicidade popular que não resiste à estrutura corrupta das eleições no país: Ou por necessidade ou por oportunismo. A democracia está absolutamente restrita, muitas vezes, às condições de propaganda e marketing, bem como às estruturas de lista pronta dos partidos.
Com todo este cenário desolador da política (brasileira), ainda assim é possível pensar seriamente numa “lotaria” do poder? Diz Zizek que sim: “Quando Veneza era superpotência nos séculos XIV e XV, as suas regras para a eleição eram a coisa mais louca. Não digo loucura completa, com a escolha de idiotas. Há regras para que os idiotas não cheguem lá. Mas, no limite, deve ser uma lotaria” (idem). Diante do estado de coisas desarrumadas em que se encontra a estrutura das eleições democráticas (no Brasil), unindo-se ao nefasto desgaste sem critério com que se elegem as pessoas mais despreparadas possíveis ao poder, não seria demais, tampouco exagero, criar uma malha fina com critérios rigorosos para que o Estado ganhe pessoas dignas, qualificadas e que atendam aos apelos populares de ecologia, economia e bem-estar social.
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica
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8/07/2011 09:00:00 a.m.
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