quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Ecos da blogosfera – 15 dez.
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12/15/2011 11:55:00 p.m.
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Quem semeia austeridade colhe mal me queres…
O assassínio de dois senegaleses em Florença é a mais recente manifestação da escalada do sentimento de ódio na Europa. Com o massacre de Utøya, as reações veementes à crise grega e ao isolamento da Grã-Bretanha, bem como o recrudescimento da extrema-direita, esta tendência assume múltiplas formas, todas igualmente preocupantes.
Existe alguma ligação entre a crise do euro, a impotência dos políticos e o assassínio de dois vendedores de rua senegaleses por um extremista de direita, ontem [13 de dezembro], em Florença?
À primeira vista, não. Por um lado, temos um continente rico, cuja economia os seus dirigentes não conseguem fazer arrancar de novo, após meio século de pujança. Por outro, temos um extremista neofascista, racista e armado. Mas se olharmos mais fundo, vemos como os piores venenos da nossa história estão a vir à superfície, depois dos abalos causados nas consciências pela atmosfera de recessão.
Assim que voltou para Londres, após o divórcio com a Europa, o primeiro-ministro britânico David Cameron foi manifestamente criticado pelos observadores da City que afirmava defender. Mas os deputados conservadores de Westminster aplaudiram-no, gritando: "Espírito de bulldog", o mesmo que era tão caro a Winston Churchill.
Voltam os preconceitos mais nauseabundos
Em alguns meses de debate sobre o euro, assistimos ao brotar das ideias feitas mais nauseabundas do álbum de más memórias, que pensávamos fechado para sempre. Na Grécia, pedem-se "reparações de guerra pela ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial" em troca do pagamento da dívida de Atenas. Os jornais alemães, com o Bild à cabeça, descrevem os gregos como um bando de preguiçosos e os italianos como debochados e gastadores.
Em resposta às críticas dos economistas de Berlim, sobre as contas públicas italianas, os sítios de Internet encheram-se de comentários anónimos que se limitam a um "German=SS". O comportamento de Cameron suscitou evocações da "pérfida Albion", tão querida a Mussolini. Ressentimento, ódio, racismo, desprezo pelos outros, intolerância: o tipo de ADN que se manifesta em tempos de crise, como sucedeu neste 13 de dezembro, em Florença.
Em 2003, na véspera da guerra no Iraque, os Estados Unidos e a Europa, aliados que, 15 anos antes, tinham vencido sem luta a Guerra Fria, dividiram-se e insultaram-se com inesperada veemência. Recorda-se? Os americanos são de Marte, os europeus de Vénus... idiotices que estragaram o ambiente, puseram em destaque um grande mal-estar e criaram uma distância que ainda não foi superada.
Na primavera de 2003, o Congresso dos Estados Unidos convidou quatro testemunhas europeias para uma audiência, para ultrapassar o fosso criado entre Washington e Bruxelas. Fui uma delas, bem como o atual ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radek Sikorski. Afirmámos, na altura, que, no clima económico difícil do início do século, brincar com o fogo do populismo e do nacionalismo era perigoso.
Atacar "o outro" vai-se tornar habitual
E hoje, sérios observadores europeus, como Gideon Rachman e Wolf Martin, bem como o Prémio Nobel de Economia Paul Krugman, dizem ver, no ódio que cresce na internet e na recessão que as opções falhadas da chanceler Angela Merkel e do Presidente Nicolas Sarkozy estão a provocar, o início de uma época trágica, como a da década de 1930 na Europa, com o totalitarismo fascista em Itália, Espanha e Alemanha e as purgas estalinistas em Moscovo.
Krugman escreve que "a recessão [...] está a criar uma enorme raiva [...] contra o que muitos europeus reconhecem apenas como uma severa punição alemã. Qualquer pessoa que conheça a história da Europa só pode temer tal retorno da hostilidade.” O laureado do Nobel escreveu isto antes do assassínio de Florença, mas já mencionava os neonazis próximos do Partido da Liberdade da Áustria, a xenofobia dos Verdadeiros Finlandeses em Helsínquia, o grupo anticiganos e antissemita Jobbik e a tentação autoritária do Governo do Fidesz na Hungria. Podemos acrescentar os neofascistas de Inglaterra e França e os racistas italianos, que derramam sangue na muito civilizada Florença, capital da cultura europeia há meio milénio.
Krugman está a exagerar? Espero que sim. Ao contrário dos meus colegas anglo-saxões, não acho que a década de 1930 se vá repetir e que voltemos a ver camisas castanhas nas ruas: a história não avança mecanicamente; o Mal dá mostras de imaginação e capacidade de metamorfose. Contudo, penso que, perante os tempos de crise económica que temos pela frente, vai ser comum assistirmos a ataques como estes, invocações de supostas entidades ocultas, acusações europeias contra Londres e inglesas contra o continente, ataques contra os "outros" para "nos" defendermos.
Os dirigentes políticos que exploram esta epidemia para obter mais votos e os jornalistas que semeiam o ódio e populismo para vender mais um jornal ou uma foto preparam uma poção que pode causar muitos danos. Não é o medo do retorno ao passado autoritário que deve levar-nos a promover o bem-estar, o crescimento, o diálogo e a tolerância. É o medo dos demónios que estão para surgir, convocados pela intolerância: não vêm de farda verde-cinza, mas, no massacre de estudantes perto de Oslo e no assassínio de Florença, já mostraram a sua horrível face.
à(s)
12/15/2011 07:00:00 p.m.
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Contramaré… 15 dez.
Governo prevê encaixar 199 milhões, mas a ‘troika’ exige que a receita das taxas moderadoras chegue aos 250 milhões no próximo ano.
Mas o que os portugueses terão de pagar pelos cuidados de saúde poderá ser agravado em 2013: é que, de acordo com a ‘troika', o Executivo terá de somar à receita arrecadada no próximo ano, mais 50 milhões de euros no ano seguinte.
Mas o que os portugueses terão de pagar pelos cuidados de saúde poderá ser agravado em 2013: é que, de acordo com a ‘troika', o Executivo terá de somar à receita arrecadada no próximo ano, mais 50 milhões de euros no ano seguinte.
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12/15/2011 04:00:00 p.m.
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Estes Prémios Nobel são todos esquerdistas radicais?
Explorando a afinidade para combater os protestos nos Estados Unidos.
Enquanto vejo como se comporta a política à volta do movimento Ocupemos Wall Street, acabo a pensar em Bernie Madoff. Sigam-me a ideia; inclusive talvez tenha sentido. O assunto Madoff, como saberá, foi um caso clássico de “fraude de afinidade”. Madoff conseguiu ganhar a confiança de muitos judeus endinheirados e persuadi-los de que era um dos seus. Esta fraude está por trás de muitas burlas financeiras, e também políticas.
Neste momento, a campanha contra Ocupemos Wall Street basicamente tenta conseguir que a classe trabalhadora estadounidense volte as costas ao movimento, pese embora a maioria das pessoas apoie as suas metas, tentando aparentar que os manifestantes não são como eles, enquanto os plutocratas, esses, sim são. Vamos lá ver! Isto funcionou muitas vezes na história. E pode funcionar em muitas direções: Ocupemos Wall Street deve-se reprovar porque são hippies sujos; Elizabeth Warren, candidata a senadora pelo estado de Massachusetts, não é como você porque, meu Deus, é catedrática de Harvard.
E agora que o penso, a teoria generalizada da fraude de afinidade estende-se para além da política até coisas como a análise financeira. Ocasionalmente maravilhou-me a persistente popularidade dos inflacionistas de Wall Street, os que se enganaram em tudo. Suspeito que se deve em muito aos economistas que pronunciam advertências calamitosas, a respeito dos défices e o aumento da base monetária, que se parecem com o tipo de gente com quem gostariam de dar umas tacadas num campo de golfe, coisa que não sucede em relação aos professores barbados.
Então, o que temos que fazer? Dentro de certos limites, deveríamos tentar acalmar a dissonância social desnecessária. Se vai haver uma manifestação em nome da classe trabalhadora estadounidense, esqueça-se dos círculos de tambores. Os guerreiros classistas da direita querem convencer as pessoas de que realmente se trata de uma guerra cultural, e você não deve facilitar o trabalho deles. Mas há limites. Não, não vou começar a praticar golfe.
A Europa deveria ter cuidado com certos líderes
Alan Cowell escreveu um artigo interessante publicado em 14 de novembro no The New York Times, onde contrastou as atitudes públicas atuais para a austeridade com as atitudes para a austeridade que eram a norma na Grã Bretanha do Pós guerra, formosamente descritas pelo falecido Tony Judt. Tal como assinala Cowell, uma diferença importante é que, nesse tempo, o sacrifício era repartido: “Antes de morrer da doença de Lou Gehring en 2010, o historiador Tony Judt recordou os seus dias de infância, logo depois da Segunda Guerra Mundial numa debilitada Grã Bretanha, que lentamente cedia o seu império e a proeminência. A roupa esteve racionada até 1949, os móveis utilitários simples e baratos até 1952, os alimentos até 1954”, escreveu nas suas memórias, concluindo que a austeridade “nessa época era mais do que uma condição económica, aspirava a ética pública”.
Cowell continuou: “Ao enfrentar o seu problema de dívida massiva… A Europa parece ter perdido de vista o facto de que já o viveu antes; que a geração do ‘baby-boom’ encontrou as suas raízes na austeridade do pós guerra; que, como sugeriu Judt, a enorme riqueza dos últimos anos dificilmente se pode ter imaginado, enquanto as pessoas se esforçavam por se sacudir do pessimismo da Guerra”.
Mas, há também outras diferenças, discutivelmente, inclusive, mais cruciais. Primeiro, na Grã Bretanha do pós guerra houve racionamento; o consumo material foi deprimido. Mesmo havendo pleno emprego, segundo dados históricos britânicos. Isto é importantíssimo. Todas as evidências que constatei, dizem que o custo psicológico do desemprego é muito maior do que a perda do ingresso no trabalho (conheço gente que anda bem de dinheiro, mas que está profundamente deprimida porque não pode encontrar trabalho). Por isso, é tão tonto dizer, como alguns dizem, que as coisas não estão tão mal nos Estados Unidos neste momento, porque o consumo per capita continua alto tendo em conta outras balizas históricas.
Em segundo lugar, a austeridade do pós guerra na Grã Bretanha foi motivada por limites óbvios e reais de recursos. Em particular, as divisas escasseavam. Num nível básico, as pessoas sabiam por que se racionavam as coisas: a Grã Bretanha tinha gasto fortemente na guerra, por isso tinham que apertar o cinto para pagar a sua dívida.
Atualmente, em contraste, está a impor-se a austeridade porque homens de fato cinzento dizem que é necessária para satisfazer aos deuses invisíveis dos mercados financeiros. É compreensível que o público esteja a começar a ter as suas dúvidas e não só porque esses deuses invisíveis de certa forma só exigem sacrifícios dos trabalhadores, nunca dos ricos. O facto é que estes homens de fato cinzento não tem ideia do que fazem, o que ficou claro para alguns desde o princípio, mas agora está-se a tornar-se em reconhecimento geral.
Então, se quer contrastar o estoicismo do povo do pós guerra com a ira e confusão dos eleitores atuais, não culpe o consumismo; culpe os nossos líderes, aqueles que impuseram um sofrimento injusto e gratuito sobre a sua base eleitoral. E esta está finalmente a começar a compreender.
Paul Krugman
Paul Krugman ganhou o Prémio Nobel de Economia em 2008 graças à sua "análise dos padrões de comércio e localização da actividade económica". É um economista com muitas obras publicadas na maioria dos jornais, inclusive contra Wall Street, guerra e injustiça social. Paul Krugman é um dos que criticou com veemência a administração Bush e não está satisfeito com a atual política económica do presidente Obama.
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12/15/2011 09:55:00 a.m.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Ecos da blogosfera – 14 dez.
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12/14/2011 11:55:00 p.m.
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Estamos a conseguir? Yes, we can’t!
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em novembro subiu 6,7% face ao mesmo mês de 2010 e 2,9% face a outubro, indicam os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional. De acordo com os dados do IEFP, os 583.420 desempregados inscritos representavam 84,6% dos 689.844 pedidos de emprego nesse mês, o que representa uma subida de 36.494 desempregados face a novembro do ano passado e mais 16.170 de outubro para novembro deste ano.
O aumento do desemprego afetou mais os homens do que as mulheres e mais os jovens do que os adultos.
Mais de 50% dos jovens com menos de 25 anos ganha menos de 500 euros, assim como um 25% dos jovens entre os 25 e os 34 anos, sobretudo porque têm empregos precários e de baixa qualificação.
O poder de compra dos portugueses é apenas de 80% da média da União Europeia a 27.
Os dados revelados pelo INE mostram que Portugal manteve a sua posição relativa em 2010, isto apesar de as economias da Itália e da Grécia terem caído bastante no “ranking” global. À frente da tabela continua a aparecer o Luxemburgo, com um PIB ‘per capita’ quase 3 vezes maior que a média. A Albânia aparece na última posição.
Veja o mapa das paridades de poder de compra na Europa.
A The Economist Intelligence Unit defende mais austeridade em Portugal com recurso a aumento de impostos.
"Esperamos que seja necessário mais financiamento oficial em 2014-16, já que as finanças públicas vão continuar em desequilíbrio durante este período e o nível de credibilidade de Portugal não será considerado suficientemente para regressar aos mercados", lê-se no documento. Segundo a EIU, Portugal deverá registar um défice de 6% do PIB em 2012, e não de 4,5%, como está acordado com a ‘troika', e um ano depois, quando termina o programa de ajuda, o défice ainda estará nos 5%. Só em 2016, o desequilíbrio das contas públicas será inferior ao limite definido pelos critérios de Maastricht (2,5%). Estas previsões claramente mais pessimistas do que as do Executivo são explicadas pela EIU pelas fracas perspectivas de crescimento da economia.
"Prevemos uma redução gradual do défice em 2012-16, abrandada pela economia fraca, que reduzirá as receitas fiscais", sublinha a EIU. E quanto ao objectivo para este ano, será cumprido graças ao recurso a medidas extraordinárias, como o fundo de pensões da banca, que segundo o próprio primeiro-ministro permitirá obter um défice inferior a 4,5%.
Se as reformas para aumentar a produtividade, como mais meia hora de trabalho diário, deverão resultar em "ganhos modestos", as alterações ao sistema judicial vão esbarrar numa área "particularmente intratável". A EIU reconhece que as políticas levadas a cabo pelo Executivo vão ser alvo de grande contestação social, até porque representarão "uma rápida queda nos padrões de vida" e, por isso, admite que "a estabilidade política ficará sob pressão".
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12/14/2011 07:00:00 p.m.
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Contramaré… 14 dez.
Aumento das taxas moderadoras pode ser inconstitucional
Jorge Miranda diz que se o aumento das taxas moderadoras na saúde for superior à inflação, é inconstitucional. "Se for um aumento que acompanhe a inflação, não será inconstitucional. Agora se for um aumento que seja de tal forma radical, isso já põe em causa o princípio da tendencial gratuitidade do SNS” e considera que se a subida das taxas moderadoras na saúde for para o dobro, então "aí estamos no limite da constitucionalidade".
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12/14/2011 02:00:00 p.m.
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Dando visibilidade à “inssurreição” e à coragem!
Graças à força de toda uma nação, o que começou por ser crise converteu-se em oportunidade.
Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores notícias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência para o crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%.
Os analistas asseveram que a economia islandesa continua a mostrar sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza continua presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Deixou-os cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros.
Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco se falou do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que parece digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever o seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.
A revolta islandesa não causou outras vítimas senão os políticos e os homens de finanças. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não foi tão apelativa como as da “Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os media passaram por cima em pontas de pés. Mesmo assim, conseguiram os seus objetivos de forma limpa e exemplar.
Hoje, o seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigem justiça social e justiça económica em todo o mundo.
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12/14/2011 09:00:00 a.m.
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Ecos da blogosfera – 13 dez.
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12/14/2011 02:00:00 a.m.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Pelos caminhos da verdadeira social democracia…
Consultas nos hospitais públicos podem custar o mesmo que nos privados.
O aumento das taxas moderadoras pode levar a uma transferência de doentes dos hospitais do SNS para os privados, concluem diversos especialistas, porque, ir a um hospital privado pode ficar mais barato do que recorrer ao SNS.
António Serrano, coordenador do PS para a Saúde, acredita que o aumento "brutal" das taxas é uma forma "subliminar de estender a mão aos privados" e acusa o Governo de estar a "desnatar o sector público [da Saúde] para beneficiar o privado". E atira: "Há falta de transparência neste processo".
"Alguns portugueses passarão a fazer contas", diz João Semedo, deputado do BE e antigo administrador hospitalar. "Com aumentos tão significativos no público, o Governo está a conduzir a procura dos privados. E se esta não for a intenção é pelo menos a consequência e o Governo não desconhece isto", diz Semedo.
Famílias portuguesas gastaram menos 9 milhões de euros com saúde em 2009.
O SNS e as famílias continuam a ser os principais financiadores da despesa corrente em saúde. Mas o peso da despesa em saúde financiada pelos seguros privados cresceu em 2008 (12,2%) e em 2009 (4%), de acordo com o INE. Ainda assim, em 2008 e 2009, o SNS continuou a suportar mais de 50% da despesa em saúde, um valor inferior à média registada até 2007 (56%). Mas se o Estado gastou menos, as famílias suportaram uma maior fatia: "em 2008, a despesa das famílias com cuidados de saúde aumentou 9,7% devido, principalmente, ao crescimento muito acentuado da despesa em hospitais (21%) e com prestadores de cuidados de saúde em ambulatório (16,4%)", explica o relatório.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitou hoje que Portugal esteja perto de atingir tectos máximos nas taxas moderadoras, não fechando assim portas a novos aumentos.
O chefe do Governo defendeu que os que têm mais possibilidades devem contribuir para o financiamento do sistema de saúde, ressalvando, no entanto, que os mais necessitados não verão dificultado o acesso aos cuidados de saúde, apesar do aumento e lembrou que haverá um “conjunto até mais alargado de isenções do que o que existia antes” e assegurou que os mais necessitados “estarão na 1ª fila do acesso aos serviços de qualidade na área da saúde”.
Numa primeira análise às medidas tomadas pelo ministro super-gestor da Saúde, nada de inovador descobrimos na solução encontrada, que não seja a velha mão no bolso dos utentes, o que nem precisaria de tanto tempo, por que qualquer um de nós chegava lá, se não tivéssemos que mostrar qualquer preocupação social, como social democrata e democrata cristão que o governo diz que é.
E dizem especialistas, que estes aumentos das taxas moderadoras podem levar os doentes dos hospitais do SNS para os privados, o que é outro processo (este já ardiloso) igualmente pouco inovador, razão porque não se entende que o coordenador do PS para a Saúde diga que há falta de transparência neste processo, que é claro como a água, ou seja, está a concretizar-se (com desculpas de mau pagador), o que estava previsto, quando se soube que iríamos pela mão de um ministro super-gestor, mas que veio da área da Saúde do setor privado. Tenha-se em conta o que João Semedo (do BE), antigo administrador hospitalar diz, que se esta não for a intenção, pelo menos é a consequência e o Governo sabe o que está a fazer…
Em vez de se dizer que as despesas com o SNS saem do OE, com receitas dos nossos impostos e que se distribuem pelos vários ministérios, para darem corpo aos direitos dos contribuintes, no caso a Saúde, vem-se dizer que é o SNS e as famílias são os principais financiadores da despesa corrente em saúde. Há aqui um conceito manipulador dos direitos dos cidadãos e dos deveres do Estado (social ou não) e sem entrar com o que a Constituição diz, que cada vez mais está corada e com as letras pouco legíveis para muitos “democratas” da 4ª via….
Se em 2008 e 2009, o SNS ainda suportou mais de 50%, em vez dos 56% que gastava antes, é lógico que as famílias viram reduzidos os seus direitos, pagando mais pela mesma receita agora utilizada, devido ao crescimento muito acentuado da despesa em hospitais e com prestadores de cuidados de saúde em ambulatório, o que as levou a recorrer aos seguros de saúde (ainda “baratos”), concluindo-se que, por este processo “mágico” as famílias portuguesas gastaram menos 9 milhões de euros com saúde em 2009.
Esperemos pela confirmação do princípio dos vasos comunicantes (tipo “crowding out”), para se verificar que se se tirar de um lado (público) alguém tem que se por do outro (privado), embora seja o público a pagar com o nosso…
E numa tática redentora, vem Passos Coelho dizer que poderá haver novos aumentos das taxas moderadoras, forçando-nos a agradecer estas medidas “sociais”, mas que os objetivos (ocultos) do governo ainda não foram atingidos… O homem tem coragem, mas como o Sócrates, é só com os fracos…
E numa lição de moralismo bacoco e falacioso, vem dizer que os que tem mais possibilidades devem contribuir para o financiamento do SNS, como se já não contribuíssem para o OE com os impostos diferenciados, de modo a colmatar as diferenças económicas e sociais de todos os utentes do sistema de Saúde, Educação, etc… Quer ele dizer, que muitos contribuintes vão pagar impostos duas vezes, o que é inconstitucional (embora noutros setores já aconteça), mas crente de que o Tribunal Constitucional dará novo parecer favorável, como já anteriormente deu…
E numa de social democrata verdadeiro, afirma que os mais necessitados estarão na 1ª fila do acesso aos serviços de saúde, DE QUALIDADE, que já existia e que até será maior o número de isentos destas altas taxas moderadoras do que antes. Tal quer dizer que há mais pobres do que antes, o que não dá direito a medalha aos executores destas políticas sociais…
Mas fica-nos a certeza de que os detentores de cargos políticos (deputados incluídos), gestores públicos e privados, bolsistas, empresários e bancários, desta vez vão comparticipar na salvação dos doentes pobres, o que só lhes fica bem…
Mas multiplicando por 2 e 3 as taxas moderadoras, não correm o risco de tornar “sustentáveis” os serviços de saúde?
E com os 2.000 milhões (não são mais de 3.000 milhões?) da almofada excedentária, pagando as dívidas dos hospitais, o problema do super-gestor não fica já remediado?
Afinal parece que nem tudo é transparente, ou somos nós que não entendemos a subtileza dos neoconceitos do neoliberalismo, acelerado na prática pela situação herdada e pela circunstância de estarmos ajoelhados perante os credores que nos venderam, emprestando o necessário para lhes comprarmos os BMW, Audi e Mercedes de que não havia necessidade e nos deu cabo da saúde financeira…
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12/13/2011 07:00:00 p.m.
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