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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Contramaré… 25 out.

A dívida pública portuguesa aumentou de 112% para os 117,5% do PIB do 1º para o 2º trimestre (5,5%) do ano, sendo a 3ª mais elevada da União Europeia, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Comparativamente ao 2º trimestre do ano passado, a dívida pública portuguesa aumentou 10,8% (era então de 106,7%), o que representa a 2ª maior subida, apenas superada por Chipre (mais 16,5%).

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A “caridade” do CDS-PP e a “justiça” do PSD…

Proposta ainda será discutida com os parceiros sociais, mas fonte governamental já admite recuar na redução do limite mínimo do subsídio.
O Governo enviou aos parceiros sociais uma proposta que reduz em 42 euro o valor mínimo do Subsídio de Desemprego (66.000 pessoas) e caso avance, a medida colocará muitos beneficiários do subsídio de desemprego a receber um valor inferior ao do limiar de pobreza: 421 euros, mas esta medida poderá ficar pelo caminho segundo fonte governamental, que admitiu deixá-la cair durante as negociações na Concertação Social.
O Rendimento Social de Inserção também vai ter cortes (295.000 pessoas), no caso de beneficiários individuais 2,25%.
O Complemento para Idosos (CSI) deixa de ser atribuído a pensionistas cuja reforma supere os 600 euros. Estas medidas afetam 750.000 pessoas.
Os limites agora propostos poderão ser alterados durante a negociação com os parceiros. O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social lembra que este documento é preliminar e uma proposta de trabalho sendo, por isso, "no espírito da negociação, sujeito a alterações no âmbito do diálogo social tripartido".
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, apontou a "enormíssima insensibilidade social, a profunda desumanidade do Governo", que, disse, continua ser "mãos largas" para os grupos económicos e financeiros e a ser aplicada a medida, "agrava ainda mais a situação dos desempregados", já que "coloca dezenas e dezenas de milhares abaixo do limiar da pobreza".
"Estamos totalmente contra esta medida (...). Reduzir o subsídio de desemprego mais do que ele é hoje é totalmente absurdo", comentou o secretário-geral da UGT, João Proença, lembrando que "as pessoas vivem momentos cada vez mais difíceis" e que "o subsídio de desemprego é relativamente baixo em Portugal e está a aumentar a duração do desemprego" e muitas vezes, "esgota-se o subsídio de desemprego sem as pessoas encontrarem uma alternativa".
"São de evitar medidas de austeridade cega, devendo-se seguir pelo caminho dos sacrifícios que sejam justos. Deverão ser poupados os desempregados e os pensionistas (por vezes, com pensões de pobreza que nos deveriam envergonhar a todos)", defendeu o padre Manuel Morujão, reconhecendo que a solução da crise depende de todos, considerou que o Governo e a classe política têm uma responsabilidade muito especial em encontrar uma saída para o problema.
"Confiamos que possam haver os devidos acertos para que se respeite e ajude os nossos concidadãos que vivem na fronteira da dignidade humana, permanentemente ameaçados pela pobreza, pela falta do pão de cada dia", concluiu.
Claro que a criatividade deste governo, mas talvez seja mais justo dizer-se de Vítor Gaspar e Passos Coelho, é demais limitada e condicionada por objetivos cada vez mais claros. Reduzir despesa? Adivinhe-se… aos mais baixos, aos mais indefesos, aos desempregados, aos que não tem nada, aos mais idosos!
Já não há adjetivos que os classifiquem, nem às propostas que lançam a apalpar terreno, nem à estratégia manipuladora da “negociação”…
E vão negociar com os “parceiros sociais”? Parceiros do governo ou defensores dos seus associados? E se já dizem que é para recuar, estão a gozar com quem?
Para que inquietar 750.000 pessoas, que já estão mais do que inquietadas?
E já não são só as demoníacas confederações de sindicatos a classificar as medidas antropofágicas destes políticos de trampa (evito o vernáculo), mas é já, e também, a Santa Madre Igreja (não é D. Januário) que faz coro, não com argumentos doutrinários e dogmáticos, mas com meros conceitos políticos, direitos constitucionais e Direitos Humanos, responsabilizando o Governo e a classe política por encontrar as soluções, com JUSTIÇA.
E perante dois partidos, um democrata cristão, que tinha que seguir a doutrina social da Igreja católica e outro social-democrata, que tinha que perseguir a justiça dos direitos sociais, é preciso que a Conferência Episcopal Portuguesa venha lembrar-lhes que o patamar mínimo da caridade é a justiça dos Estados, que não podem passar as suas responsabilidade para “os outros” cidadãos…
“Ao governo não compete fazer caridade, compete fazer justiça”. E por justiça, neste caso em concreto, entende-se o cumprimento das obrigações do Estado.
“O patamar mínimo da caridade é a justiça. E ninguém se deveria sentir bem na sociedade, concretamente os governantes, se isso não chega aqueles que mais precisam”, disse o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, elogiando o sentido solidário dos portugueses, em que os pais ajudam os filhos, as famílias se apoiam mutuamente e os vizinhos dão sentido ao conceito de proximidade.
Saímos dos domínios da POLÍTICA e passamos aos atos nos limites da MORAL e aos comportamentos enquadrados na ÉTICA!
O nojo começa a dar náuseas!

Ecos da blogosfera – 24 out.

Sem ciência não há futuro, mas há futuro sem decência

A “irregularidade continuada” da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que financia os projectos de investigação em Portugal, levou a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) a “suspender de imediato toda e qualquer despesa” posterior ao dia 23 de Outubro. A comissão de bolseiros fala numa “situação profundamente dramática”.
“Sem Ciência não há futuro”. É este o mote da carta aberta que 3 bolseiras de investigação científica entregaram no Ministério da Educação e Ciência. Mais de 3.200 signatários do documento sublinham a “revolta” com que viram o Governo aprovar o novo Estatuto do Bolseiro, que dizem agravar a precariedade laboral dos investigadores.
“Europa, salva a ciência!”, clama o Gazeta Wyborcza, depois da publicação de uma invulgar carta endereçada aos líderes europeus assinada por 42 prémios Nobel e 5 laureados com a Fields Medal (um prémio na área da Matemática comparável ao Nobel).
Os signatários pedem aos chefes de Estado e de governo que protejam a verba destinada à investigação e à inovação no orçamento da UE para 2014-2020. A proposta orçamental da Comissão Europeia para I&D chega quase aos 80 mil milhões de euros, mas receia-se que este montante possa sofrer uma redução entre 10 e 15 mil milhões de euros na cimeira da UE agendada para 22 e 23 de novembro. De acordo com os cientistas, esta medida pode causar danos irreparáveis:
O conhecimento não conhece fronteiras. O mercado mundial para grandes talentos é altamente competitivo. A Europa não se pode dar ao luxo de perder os seus melhores investigadores e professores e só lucraria em atrair talentos estrangeiros.
Os cientistas afirmam que a ciência é a única maneira de assegurar a prosperidade da Europa a longo prazo e alertam para o facto de um corte orçamental a deixar numa posição de inferioridade competitiva em relação à América do Norte e à Ásia. A Europa já gasta muito menos per capita em investigação do que os EUA, o Japão ou a Coreia do Sul, lamenta o professor Tomasz Dietl do Conselho Europeu de Investigação.
Para um governo, que tem um DOTOR “vais estudar!”, que pela sua impreparação política e sociológica tem cara para dizer que já não exportamos só futebolistas e que "Portugal deve-se orgulhar de ser capaz de exportar jovens licenciados em medicina, em medicina dentária, em farmácia, em direito, enfermagem, em ensino e outras profissões liberais, orgulho da nossa Nação", parece claro, que na visão de quem suporta este otário, não precisamos de mais “cérebros”, enquanto tivermos excedentários em stock, mesmo que não sejam classe A++…
Por outro lado, quem corta e confisca aos ignorantes (mas não estúpidos) e “pobrezinhos” (mas não de juízo), por que não haveria de cortar aos mais ricos de ideias e menos interesseiros do que eles?
E ainda, mesmo sabendo eles e propalando que sem ciência não há futuro (razão porque há um ministro para tal), tendo em conta a mentira como o método “científico” para as vitórias eleitorais, quem se escandaliza com mais uma mentirinha?
Mas quando se constata que esta medida de CORTES NA CIÊNCIA se estende, coincidentemente, na própria União Europeia, temos que pensar que NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS e que por trás de tudo só se pode vislumbrar um vetor político, na proletarização de mais uma classe com aval (todas passaram por esta baixeza), para que os DOTORES da política possam meter-nos na boca umas sopinhas raladas, que se engulam sem engasgos, facilitem a ingestão e a digestão…
Estes investigadores, se os governos não se põem a pau, ainda descobrem que andam a fazer tudo ao contrário e põe-se a fazer relatórios e contas que contrariam as suas práticas empíricas…
E que interessa que os outros países invistam mais do que nós (Portugal ou Europa), se até tem capacidade económica para importar, sem pagar luvas, a massa cinzenta que nós formamos (com custos) e dispensamos, com custos no próximo futuro?
          Por isso estoicamente, mansamente,
          resististe a todas as torturas,
          a todas as angústias, a todos os contratempos,
          enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
          foram caindo,
          caindo,
          caindo,
          caindo,
          caindo sempre,
          e sempre,
          ininterruptamente,
          na razão directa do quadrado dos tempos.

(do Poema para Galileu, de António Gedeão)

Digamos que… andam a dar-nos baile!

Quer seja através do orçamento, da política ou da solidariedade financeira, a ideia de uma maior integração da UE está na moda. Mas qual seria a forma definitiva desta União mais federal? Ninguém sabe ao certo e é este o problema.
No passado mês de janeiro, no Fórum Económico de Davos, Angela Merkel ousou falar timidamente do federalismo. Nessa altura o seu discurso não suscitou grandes reações. Seis meses depois, são muitas as propostas relativas a uma União Europeia Federal. José Manuel Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, assim como alguns ministros europeus dos Negócios Estrangeiros passaram desde então a apelar a uma federação de Estados-nações.
Se a lista dos “federalistas” aumenta (uma evolução saudada pelo Respekt), não significa que todos concordam sobre o que é uma federação. Um facto alarmante, o que sobressai dos debates atuais sobre o futuro da Europa é que muitos responsáveis políticos ignoram por completo o significado dos conceitos institucionais. Por consequência, existe hoje um verdadeiro caos verbal.
Surgem constantemente novos conceitos, cujo sentido só aparece mais tarde: união bancária, união de transferência, união política, união orçamental, etc. Uns falam de centralismo reforçado, outros de integração, alguns de uniformização das regras, enquanto outros alertam para os perigos de um super-Estado. No entanto, teríamos dificuldades em encontrar num dicionário essas palavras e expressões, para as quais só começamos agora a procurar uma definição.
No Canadá, nos Estados Unidos e na Alemanha, as pessoas sabem perfeitamente o que é uma federação e o federalismo, porque vivem numa federação. Daí poder parecer muito paradoxal o facto de os alemães não conseguirem imaginar completamente um nível [federal] europeu e não aderirem à ideia de serem uma federação numa federação (o princípio das matrioscas).
É característico dos franceses não poderem, salvo raras exceções, de forma alguma considerar o federalismo, que associam ao centralismo. E por fim, para os britânicos, o federalismo é o símbolo de uma descentralização assimétrica (existe um parlamento na Escócia e no País de Gales, mas nenhum na Inglaterra).
O que seria impensável nos Estados Unidos
O orçamento comum da União Europeia representa apenas 1% do PIB europeu. E precisava de ser reduzido ainda mais (para 0,8%), mas a UE já se comprometeu tanto em algumas das suas orientações centralizadoras, que tal evolução seria impensável na Federação bem real que são os Estados Unidos da América. Caso um dia uma decisão emitida por um órgão central viesse a obrigar os Estados americanos a aprovar, através de um simples corta e cola, uma constituição financeira e criação de um comité orçamental (por outras palavras, alterar a sua própria constituição), a submeter a Washington o seu orçamento para ser aprovado – antes mesmo de estes o adotarem – e apresentá-lo novamente para ser controlado (um dos princípios do pacto orçamental europeu), assistiríamos a contestações violentas e à implosão da federação americana.
Por outro lado, a criação de uma federação é um longo processo que, segundo os especialistas, só foi verdadeiramente alcançado nos Estados Unidos a partir dos anos 1930 (do século passado), quando foi instituído um sistema de garantia federal dos depósitos bancários. Convém salientar que a zona euro está cada vez mais próxima de uma garantia comum dos depósitos bancários (um dos elementos que define uma federação) e faz também grandes progressos noutros dossiês relacionados com a união bancária. De qualquer forma uma coisa é certa, a zona euro só poderá resolver a crise com um orçamento e impostos comuns. Seria prudente da nossa parte, enquanto checos, compreender perfeitamente que isso significaria para nós ficar fora de uma federação europeia, caso se decida realmente criá-la.
O que marcou a história
Os detratores do federalismo defendem que a própria ideia de federalismo é ingénua, até mesmo perigosa, pois não existe uma nação política europeia. O americano é antes de mais americano e somente depois do Minnesota. O alemão é antes de mais alemão e somente depois é europeu.
Mas podemos, de forma “artificial”, favorecer ou acelerar a emergência de uma identidade europeia. Muitas coisas podem ajudar neste sentido: uma eleição do presidente europeu por sufrágio universal direto, um instituto da cidadania europeia, um imposto europeu comum mínimo, etc.
É também de realçar que a nação política americana se constituiu por etapas (embora por outros motivos e de forma diferente, em comparação ao caminho que a Europa provavelmente seguirá). O direito de voto foi primeiramente concedido aos proprietários, seguidos pelos que pagavam um imposto, 100 anos mais tarde às mulheres e por fim, apenas recentemente, aos afro-americanos. Os americanos iniciaram o processo de construção com um Ministério das Finanças, os europeus com um Banco Central.
Os críticos defendem que todos os projetos políticos, os processos de integração/desintegração devem ser espontâneos e autênticos, nunca elitistas e artificiais. Mas a maioria das evoluções importantes que marcaram a história da Humanidade são resultado da ação de uns que souberam guiar outros.
E o que o amanhã trará à Europa continua a ser incerto. Esta tanto se pode tornar uma federação, como se pode desmoronar. Aconteça o que acontecer, é necessária pelo menos uma coisa antes de se poder considerar a criação de uma federação: que as elites europeias comecem a deliberar sobre a questão do que é ou não uma federação. As noções fundamentais desta lição poderiam basear-se no facto do federalismo não ser uma construção puramente decorativa, mas uma realidade sólida que assenta num conjunto de valores que são nomeadamente a limitação e o controlo do poder, o equilíbrio das forças, as garantias e a proteção reforçada – assimétrica – dos mais pequenos e mais fracos.

Contramaré… 24 out.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a fiscalização prévia seria possível em tempo útil se o Parlamento acabasse a votação final global do Orçamento um pouco mais cedo e se Cavaco Silva pedisse urgência ao Tribunal Constitucional.
“Se o Tribunal Constitucional só se pronuncia depois de pagos os primeiros vencimentos há o risco de haver decisões isoladas de tribunais dizendo que é inconstitucional”, alertou.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Até Jacques II de Chabanes sabia disto antes de 1525...

Estónia, Luxemburgo e Finlândia são as únicas economias da zona euro com défice abaixo de 3% e dívida inferior a 60%. Além destes, na UE, apenas mais 3 países respeitam os limites do Pacto de Estabilidade:  Bulgária, Dinamarca e Suécia.
Há, no entanto, dentro e fora do euro, casos de países que respeitam um dos dois critérios como acontece, por exemplo, com a Alemanha que teve um défice de 0,8% no ano passado mas viu a dívida ascender a 80,5% do PIB. Olhando apenas para o critério do défice, contam-se 17 países da União acima dos 3%. Dos 10 'bem comportados', 7 são da zona euro.
No conjunto, as contas dos países da UE e da zona euro agravaram-se substancialmente desde 2008. Nesse ano, o défice dos países da moeda única foi de 2,1% e a dívida estava em 45% do PIB. Em 2011, os valores foram de 4,1% e 87,3%. No caso dos 27 da União, o défice passou de 2,4% para 4,4% nestes 3 anos com a dívida a engordar de 62,2% para 82,5%.
Entre os países com a evolução mais desfavorável nas contas destacam-se os três já resgatados - Grécia, Irlanda e Portugal - e também Espanha que tem estado na ribalta com o resgate light à banca. No caso espanhol, o Eurostat reviu o défice em alta no ano passado para 9,4% do PIB, o mesmo valor que a Grécia, com a dívida a subir para 69,3%. Trata-se de um salto de quase trinta pontos percentuais desde 2008. No caso da Irlanda, que era outro país com reduzida dívida antes da crise, o salto foi de 44,5% do PIB para 106,4%, embora inclua o resgate aos bancos.
Para Portugal, o gabinete de estatísticas europeu confirmou as contas do INE, ou seja, um défice de 4,4% do PIB (conseguido com a receita extraordinária da transferência dos fundos de pensões da banca) e uma dívida de 108,1%.
Quer dizer, dos 17 países da zona euro apenas 3 respeitaram os limites máximos para o défice (3%) e para a dívida pública (60%) previstos no PEC e dos outros 10 países que não adotaram o euro também só 3 cumpriram as metas “obrigatórias”…
Dos infratores, 14 da Zona Euro e 7 da UE com moeda própria, uns cumpriram apenas um item e só 4 (da zona euro) passaram os dois riscos contínuos, onde se encontra a Grécia, a Irlanda, a Espanha e claro, Portugal.
Registe-se que a partir de 2008, com a explosão da bolha americana e os efeitos colaterais, todos os países da UE, dentro ou fora do euro levaram por tabela, o que indicia mais causas externas do que internas e que não foi só Portugal (e não os portugueses) a viver acima das suas possibilidades…
Apesar de sabermos que quase todos os países da UE passam por medidas corretivas, que não se podem chamar de austeridade, não se percebe por que uns são mais tramados do que outros, quando as multas deviam ser proporcionais.
No que a nós diz respeito e tendo em conta os elogios que nos fazem de fora pelos resultados conseguidos com os apertos a que fomos sujeitos em 2011 e bem ampliados em 2012, mas constatando-se que afinal a dívida (em 2011) estava em 108,1% e que em 2012 se ultrapassará os 120%, para que raio nos vão apertar mais? E pondo já de lado o défice que aumentou e a taxa de desemprego que disparou, apesar de La Palice (Jacques II de Chabanes) já saber há muito tudo isto e o nosso PM só o ter descoberto na semana passada…
E viva o Euro e a União, que não nos dão nada e ainda nos tiram o pão!

Ecos da blogosfera – 23 out.

Na crista da onda, mas sem taças nem medalhas…

Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território,  mostra-se disponível para continuar no Governo depois de uma eventual remodelação e faz um balanço positivo do seu trabalho. "Todas as áreas do ministério estão a trabalhar bem e numa boa articulação, o desafio que me fizeram foi este e o meu trabalho é fazer com que todas as áreas possam dar um contributo relevante para a nossa atividade económica, ajudando a que as empresas possam trabalhar melhor, com menos burocracia e mais simplicidade", disse a ministra.
Sobre a participação portuguesa na feira internacional da alimentação em Paris e onde 40 empresas nacionais apresentam os seus produtos, Assunção Cristas realça o dinamismo do sector no domínio das exportações. "Sinto um bom ânimo e muito otimismo da parte das empresas do sector da alimentação, as exportações aumentam acima da média das exportações nacionais em geral e o último dado que temos, de agosto, é que as exportações no sector cresceram mais 13%, o que mostra um grande dinamismo das empresas com grande potencial de crescimento".
Interrogada sobre o seu estado de espírito perante as más sondagens em Portugal, com uma larga maioria dos portugueses a revelarem-se descontentes com o Governo, a ministra responde desta forma: "O que eu posso comentar em relação a isso, hoje em Paris, onde todas as empresas estão otimistas e dinâmicas, porque todas me falam no crescimento das exportações na casa dos 10%, 20%, e em alguns casos até de 50% em relação ao ano passado, é que o meu estado de espírito é de otimismo porque é por aqui que a nossa economia se transforma também estruturalmente e porque é também por aqui que conseguimos criar riqueza para o nosso país e esse é um ponto fundamental".
A ministra da Agricultura anunciou hoje que Portugal recebeu 'luz verde' da Comissão Europeia para um reforço da ajuda específica aos produtores leiteiros, que vai representar cerca de mais 3 milhões de euros até final de 2013.
Com o reforço excecional de 54% avalizado pelo executivo comunitário, dos apoios para responder ao aumento dos custos de produção devido à seca, as ajudas ao setor do leite que, no conjunto dos 2 anos atingiriam à partida 6 milhões de euros, podem agora chegar aos 9 milhões, precisou Assunção Cristas, que revelou estar satisfeita com a decisão, mas admitiu que, apesar de ser uma notícia positiva, estes 9 milhões de euros não resolvem todos os problemas motivados pela seca.
Até pode parecer que tenho algo contra a ministra (que dizem super), mas é só por já não acreditar em super heróis, nem em prodígios precoces, sobretudo quando não há experiência, nem competências. E provavelmente por isso, lhe chamam simplesmente Ministra da Agricultura, embora também seja ministra do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, provavelmente porque nas outras áreas nada fez, nem fará, apesar de dizer que todas as áreas do ministério estão a trabalhar bem e numa boa articulação. Diz ela, mas não se vê…
Como ministra do Mar, o que é que nos pode mostrar de feito?
Como ministra do Ambiente, idem aspas…
E como ministra do Ordenamento do Território, idem, idem, aspas, aspas…
Nos gabinetes até pode ser que sim, e que tenha uma pequena cota parte na ajuda às empresas, com menos burocracia e mais simplicidade, mas ajuda com dinheirinho, nada, a não ser estas esmolas da CE, para os prejuízos da seca.
Digamos que tem jeito para peditórios, conseguindo alguns euros, que se espera que sejam bem e depressa distribuídos, mas é muito pouco para uma ministra...
Ficamos a saber que houve um aumento de 13% de exportações, mas era bom saber a percentagem das importações para podermos fazer contas de cabeça e sabermos se andamos para a frente, ou fizemos macha a trás…
E ficamos a saber que está disposta a continuar no bem bom, quer dividam o super ministério e a transformem numa ministra vulgar, só não sabemos se será da Agricultura ou do Mar ou do Ambiente ou do Ordenamento do Território ou de outra coisa qualquer, porque uma advogada com limitada experiência política é pau para qualquer colher…
Tanta treta pré-eleitoral (sobre a agricultura e o mar), tantas promessas eleitorais (sobre a agricultura e o mar) e tanta ineficiência na agricultura, no mar, no ambiente e no ordenamento do território, que se não fossem as cotas partidárias, seria a primeira (do partido) a dar uma volta na remodelação (reestruturação) que nunca mais chega, para ficarmos na mesma ou pior…
Sempre na Crista da onda, saiba-se lá por que…

Anda 1/3 de políticos a enganar 2/3. E os cidadãos, pá?

Existem os eurocéticos, os eurofóbos e os eurofóricos. Entre os partidários da ideia federal há tanto intelectuais como responsáveis políticos, que são tão perigosos como os primeiros. Na medida em que se servem da União Europeia para fins ideológicos, estima Die Zeit.
A Europa é a última ideologia legítima. Mais precisamente, é o que faz com que alguns dos seus propagandistas sejam tão obstinados. A Europa não merece ser tratada desta forma e deve ser protegida dos seus fervorosos defensores.
Uma vez que a Europa é, antes de mais, um suporte precário, venerável e ao mesmo tempo frágil e que para piorar se encontra em crise. Com a União Europeia, a história e o futuro da Europa vivem uma transição perpétua. Devido à crise, as transições são cada vez mais frequentes do que o que seria normal – sendo a última a cimeira anti-crise de Bruxelas. Pretende-se agora substituir as medidas transitórias por um quadro robusto. A forma precisa que este deve assumir é alvo de inúmeras controvérsias – como já é costume na Europa. Até aqui tudo bem.
Mas a Europa não se resume a isto. É também utilizada a título de exemplo por um grande número de pessoas aterrorizadas pela mundialização, os que não querem pagar do seu próprio bolso pelos erros de outros países ou regiões, assim como os que alimentam uma raiva inextinguível e que tornaram a União Europeia o alvo do seu ódio.
Por fim, existe uma terceira Europa, a dos eurofóricos, os que querem mais Europa o mais rápido possível. Fazem da UE uma visão do mundo e transformam-na numa ideologia.
Ao contrário dos populistas eurofóbos como Umberto Rossi na Itália, Geert Wilders na Holanda ou ainda os Verdadeiros Finlandeses [hoje rebatizados como “Os Finlandeses”], os ideólogos da UE não são de todo marginalizados, desempenham um papel importante no debate e os seus argumentos reaparecem de forma suavizada no discurso de muitos responsáveis políticos, como por exemplo nos do chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, ou ainda nos de Wolfgang Schäuble [ministro das Finanças alemão]. Os esquemas do pensamento ideológico poluem frequentemente o debate e, no pior dos casos, favorecem de forma involuntária os populistas de direita.
Grande passo em frente
Os porta-vozes desses eurofóricos são intelectuais de renome, como Ulrich Beck, o escritor austríaco Robert Menasse ou Daniel Cohn-Bendit. No entanto, ao tentar fugir dos demónios do passado através de uma Europa totalmente integrada, composta por Estados-nações reduzidos à insignificância, estes regressaram precisamente ao passado, à ideologia e ao guilherminismo [o desejo de grandeza nacional que caracteriza o reino do imperador Guilherme II (1888-1918)].