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terça-feira, 2 de julho de 2013

…mas vindo de Obama, um Nobel da Paz? NO!

Os Estados Unidos instalaram escutas eletrónicas nos escritórios da União Europeia em Nova Iorque e em Washington como parte de uma operação de espionagem em larga escala que tinha como alvo as embaixadas e as missões do outro lado do Atlântico, segundo uma nova informação do Guardian.
As revelações, que se seguem a notícias no Spiegel durante o fim de semana, fazem parte dos documento revelados pelo ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos Edward Snowden.
Segundo documentos datados de 2010, os Estados Unidos tentaram espiar as missões da UE nas embaixadas de França, Itália e Grécia. Estas notícias desencadearam uma resposta furiosa da Alemanha, que acusa os Estados Unidos de a tratar como um “inimigo da Guerra Fria”.
As novas revelações sobre a espionagem das embaixadas e das delegações dos países da UE nos Estados Unidos realizada pela NSA provocaram um choque nos aliados europeus e a reação da imprensa europeia – dividida entre a indignação e o fatalismo.
No dia 30 de junho, Der Spiegel revelou que a representação diplomática da União Europeia em Washington, assim como a sede da mesma na ONU, em Nova Iorque, e certos edifícios do Conselho em Bruxelas estavam sob escutas do programa da NSA “Dropmire”. No mesmo dia, o jornal The Guardian adiantou que a França, a Itália e a Grécia faziam parte dos alvos privilegiados da agência americana. Deixando assim os europeus constrangidos, uma semana antes da abertura das negociações do tratado transatlântico de comércio livre (TTIP).
Na Alemanha, Die Welt, que titula “A Alemanha e a UE na linha de mira dos agentes americanos”, tenta desdramatizar a situação. O jornal escreve em primeira página que
não é nada bonito espiar os seus amigos, […] mas é algo que acontece tanto na vida privada como na política. Na vida privada, pode acabar num divórcio, em contrapartida na vida política a separação é apenas passageira. Mais cedo ou mais tarde, precisamos novamente um do outro. […] O Governo alemão não vai atacar os britânicos nem os americanos, mas vai continuar a aceitar informações [úteis na luta contra o terrorismo] e a mostrar gratidão, porque os nossos próprios serviços secretos são submetidos a cortes orçamentais.
Na Áustria, Die Press titula em primeira página “Indignação para com os Estados Unidos: tal e qual como na Guerra Fria”. O diário vienense compreende a indignação dos alemães e escreve que a Alemanha serve tanto de “bode expiatório como de alvo de ataque” e “poderá fartar-se rapidamente disso”:
Os alemães já sabem que não passam de um “parceiro de terceira categoria” para os Estados Unidos, um alvo para os ciberataques, e que mais nenhum outro país europeu é tão vigiado pela NSA como o deles. Para a ministra da Justiça alemã [Sabine] Leutheusser-Schnarrenberger esta atividade relembra “a atividade praticada entre inimigos na Guerra Fria”. O que não está totalmente errado.
“Silêncio, o amigo está a ouvir-te”, escreve o Corriere della Sera, no seu editorial, parafraseando um célebre cartaz da propaganda de Mussolini. Para o diário milanês, que titula em manchete “A Espionagem americana, a ira da Europa”,
as revelações de Edward Snowden […] dizem muito sobre a forma como os americanos apontam as suas grandes orelhas eletrónicas para os seus aliados. Nomeadamente em direção à Alemanha. O que não deve surpreender ninguém, tendo em conta o seu peso económico. Os agentes seguem sempre o dinheiro – “Follow the money” é a sua palavra de ordem. […] Somos amigos, certo, mas quando chega a hora de fazer contas, é cada um por si. […] Hoje, a Europa protesta com razão. Pede explicações aos Estados Unidos por todos os dados arquivados pela NSA. Há quem mencione retorções comerciais. Mas ninguém pode negar que os governos da UE, quando querem, colaboram com os americanos.
“Big Brother vigia a UE”, escreve em primeira página o Gazeta Wyborcza, em Varsóvia. O diário realça que os europeus não encaram a vigilância eletrónica com a mesma ligeireza que os americanos, uma opinião que se reflete até na linguagem:
Nos Estados Unidos, a intervenção do Estado na vida privada dos cidadãos é vista como uma certa restrição da liberdade, consentida em nome da segurança e da luta contra o terrorismo. Enquanto na Europa, o respeito da vida privada é, muitas vezes, considerado como um dos direitos humanos, que só deve ser restringido em último caso. A devoção a este princípio é sobretudo forte na Alemanha, onde o traumatismo histórico provocado pelo totalitarismo nazi e a experiência comunista da RDA continua presente.
Para El Periódico, “a espionagem dos Estados Unidos revolta a Europa”, como o mesmo revela em manchete. O diário de Barcelona realça que
as relações entre os Estados Unidos e a UE ficaram seriamente comprometidas, após as novas revelações que confirmam que o Governo americano não espiou apenas cidadãos europeus como também a sede central da UE e que tem como objetivo prioritário as instituições europeias. […] A gravidade das revelações poderá forçar os dirigentes europeus a agir com mais firmeza do que no passado [e] as negociações do acordo de comércio livre entre a UE e os Estados Unidos serão provavelmente as primeiras vítimas deste novo abuso de poder americano.
Em Paris, Le Monde estima que “o Tio Sam se anda a portar muito mal”, relembrando ao mesmo tempo que “é uma prática dos serviços secretos: entre amigos, ‘trocamos informações’ enquanto nos ‘vigiamos’”. No entanto, o diário concorda com a chamada à ordem lançada pela vice-presidente da Comissão Europeia e comissária responsável pela justiça:
Com alguma ingenuidade, Viviane Reding garantiu, a 30 de junho, “que não nos espiamos entre amigos” […]. Reding tem motivos ainda mais fortes para protestar tendo em conta que teve de aceitar, devido à pressão dos gigantes de Silicon Valley, a diluição da legislação sobre a proteção dos dados privados. Esta questão representa um dos pontos das negociações sobre um tratado de comércio livre entre a UE e os Estados Unidos que serão debatidos na próxima semana.
“Os europeus furiosos a propósito das acusações de espionagem americana”: para o Financial Times, essas revelações “correm o risco de complicar ainda mais a criação de um tratado transatlântico de comércio livre uma semana antes da abertura das discussões em Washington. O diário económico explica que este tratado não deverá apenas estimular as economias estagnadas como também reforçar as relações entre os Estados Unidos e a União Europeia para a geração futura. […] Mas as revelações do semanário alemão “Der Spiegel” poderão criar tensões na discussão sobre a proteção dos dados pessoais, que já causou profundas dificuldades nestes últimos anos.
Mas o que é isto comparado com o “raio” do Gaspar?

Contramaré… 2 jul.

Maria Luís Albuquerque, secretária de Estado do Tesouro, voltou a garantir que na altura em que entrou para o Governo não foi informada sobre as swaps.
Sem negar que Teixeira dos Santos falou com Vítor Gaspar sobre as swaps, a secretária de Estado insistiu, no entanto, que o ex-ministro "terá dito que teria sido pedida informação às empresas, como aliás decorria  dos memorandos" assinados com a troika. E não mais.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os “BODES espoliadores” e os “PIIGS expiatórios”

O Governo alemão exige aos seus parceiros da União Europeia que mantenham uma política de austeridade em vez de apoiar iniciativas destinadas a incentivar o crescimento como em Portugal e Espanha, afirma o jornal Der Spiegel.
Segundo aquele semanário, um documento interno do ministério das Finanças alemão defende que a situação de debilidade económica da Zona Euro não permite que os Estados "se desviem" da linha de consolidação orçamental que, segundo Berlim, tem dado resultados positivos.
O Der Spiegel avança os exemplos do governo português e espanhol, recordando os esforços do ministro português da Economia, Álvaro Santos Pereira, no sentido de fomentar o crescimento económico e incentivar o consumo e os investimentos, que afirmou, há 2 semanas, que para Portugal conseguir "ter mais investimento nacional e investimento estrangeiro, é fundamental baixar os impostos às empresas e baixar o IRC".
O semanário alemão também cita declarações do secretário de Estado de Economia espanhol, Fernando Jiménez Latorre, a alertar para a necessidade de apoio por parte da Europa sentida pelos países mais castigados pela crise.
O Governo alemão considera, no entanto - e de acordo com o Der Spiegel - que a persistente debilidade do crescimento económico reflecte um "processo de adaptação" na Zona Euro e diz que, por isso, não se pode responsabilizar a política de consolidação orçamental.
Hoje em dia, toda a gente bate forte e feio no FMI e com toda a razão, só não tem razão a Comissão Europeia e o BCE, que sendo parceiros na troika, desenham muito mal (ou muito bem) o presente e o futuro dos cidadãos dos PIIGS. Mas se fosse apenas esta incongruência e a falta de responsabilidade dos respetivos dirigentes, ainda vai que não vai. Mas o que se anuncia, descaradamente, é que é o governo alemão quem impõe as regras (à troika), pelo que só ele pode ser considerado, para todos os efeitos e consequências, o verdadeiro e único (ir)responsável por tudo que de mau se “abate” nas nossas vidas e nos “PIIGS expiatórios", em favor das regalias que vai colhendo, tornando-se no mais poderoso dos “BODES espoliadores”…
Já não restam dúvidas de que está em marcha um movimento para dominar o sul, já não restam dúvidas de quem marcha à frente desta “batalha”, já não restam dúvidas de que uma batalha faz parte de uma “guerra”, só falta saber se os objetivos alemães serão mais uma tentativa de recomeçar a História recente, com outras armas e com outra estratégia…
O futuro próximo dar-nos-á a resposta, mas já será tarde…
O Fundo admite que errou na condução dos programas de resgate a países europeus, repete falhas do passado e agora enfrenta a maior crise de sua história.
Fabíola Perez
Há alguns dias, milhares de pessoas saíram às ruas de Frankfurt, na Alemanha, para gritar contra as políticas de austeridade impostas aos países da Europa. A cena não teria nada demais – nestes tempos de apuros financeiros, os protestos tornaram-se comuns em diversas partes do mundo –, mas 2 fatores chamaram a atenção. O primeiro deles: as manifestações deram-se na Alemanha, o país que melhor vem enfrentando os efeitos negativos da crise. O segundo: muitas palavras de ordem foram disparadas contra o Fundo Monetário Internacional, apontado como um dos vilões em razão das dificuldades vividas pelas nações da zona do euro. Pouco tempo depois, a 2.000 quilómetros de distância da Alemanha, mais de 300 organizações, movimentos e sindicatos reuniram-se em frente ao Parlamento grego, em Atenas, para bradar contra os rigorosos cortes públicos, a pobreza que chegou a níveis alarmantes e o desemprego que varre o país mais atingido pela crise. E contra o FMI.
Não é à toa a revolta contra a entidade que, na teoria, possui a missão de ajudar países à beira da ruína económica. O FMI tem enorme parcela de culpa pela difícil conjuntura. “O Fundo avaliou o cenário de forma otimista demais e exigiu um ajuste fiscal muito rígido em troca de pouca ajuda financeira”, diz o economista Fernando Fernandez, da IE Business School. “Governos com grandes dívidas cortaram gastos e aumentaram impostos, aprofundando a recessão e endividando famílias.” Recentemente, o próprio FMI admitiu que errou fortemente especialmente no plano de resgate da Grécia. Ao exigir dos gregos um rigoroso controlo fiscal e o aperto excessivo do cinto, a entidade acabou por exacerbar uma crise que já era severa. Por outras palavras: grandes empréstimos só começaram a ser pagos à custa de muito sofrimento. A dose de sacrifício não teria sido alta demais? Os números da economia grega mostram que sim. Hoje, o desemprego do país está em 27%. Entre os jovens, é de impressionantes 60% – taxa recorde na história grega. “Os erros do FMI são um sinal de que os credores internacionais precisam criar novos mecanismos para combater crises”, afirma Fernandez.
Para Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, economista da Fundação Getulio Vargas, o principal equívoco do FMI está na raiz da crise de 2008. Os líderes do Fundo defendiam a liberdade total dos mercados, sem mecanismos consistentes de regulação. “A livre movimentação de capitais obriga os governos a manter altas taxas de juros na tentativa de impedir uma fuga em massa de recursos do país, o que leva à recessão, ao desemprego e à miséria”, diz Silva. “Essa especulação financeira fez mal a muitos países, que tiveram um crescimento acelerado da dívida pública e, consequentemente, precisaram recorrer cada vez mais ao dinheiro dos credores internacionais.” Sob diversos aspetos, o cenário atual lembra a crise financeira que castigou a América Latina em 1980, a chamada década perdida (inclusive no Brasil). Naqueles anos, eram comuns grafitis em muros com os mesmos dizeres dos cartazes erguidos hoje em dia: “Fora FMI”.
A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, e o seu séquito parecem ignorar as lições do passado. De acordo com Carlos Quenan, professor de economia da Universidade de Sorbonne, o FMI repete na Europa de hoje os mesmos erros que cometeu na América Latina de ontem, tanto pelos mecanismos de ajuda como pelas consequências desse respaldo. O especialista compara a crise Argentina da década de 1980 aos problemas atuais da Grécia, identificando semelhanças como o acúmulo do défice público, a perda de acesso aos mercados e a necessidade de pedir ajuda ao FMI. “No caso da América Latina, o Fundo foi muito criticado porque tentou o tempo todo produzir ajustes e não percebeu que tinha de promover uma reestruturação, uma queda no valor da dívida”, afirma Quenan. A experiência brasileira com o FMI também teve resultados desastrosos nos anos 1980.
Hoje, é consenso entre especialistas que o FMI deve passar por mudanças profundas. “Sem dúvida, o Fundo vive a maior crise de sua história”, afirma Silva, da Fundação Getulio Vargas. Na véspera de completar 2 anos como chefe do Fundo, a francesa Christine Lagarde até agora não cumpriu a promessa de dar ares mais moderados à entidade. Sob o seu comando, o FMI continua a exibir a mesma mão pesada de tempos recentes. “O choque provocado pela crise foi muito grande e hoje existe um processo de reavaliação das antigas doutrinas”, diz Paulo Nogueira, diretor-executivo do FMI pelo Brasil e mais 8 países da América Latina e do Caribe. “Mas há muita inércia.” O tiroteio contra a instituição não é novo. Um dos mais influentes economistas do século XX, o Prémio Nobel Milton Friedman vivia a dizer que o melhor era mesmo acabar de vez com o FMI e também criou uma frase divertida. Segundo Friedman, “o Fundo virou uma peculiar empresa de consultoria: ela paga para dar conselhos”.
“O medo comanda o mundo” - Eduardo Galeano e Jean Ziegler

Ecos da blogosfera – 1 jul.

Um "consenso" a crescer por falta de (bom) senso…

Pedro Marques Lopes
1. A greve geral de quinta-feira repetiu vários dos sinais das anteriores. Mais uma vez ficou bem visível a pouca implantação dos sindicatos nos trabalhadores da actividade privada. Muitos anos de erros na maneira de olhar para a actividade sindical nas empresas, a pouquíssima atenção dada aos desempregados e aos que tentam entrar no mercado de trabalho contribuíram decisivamente para a profunda crise do movimento sindical no sector privado (e não só) e logo num momento em que eram precisos sindicatos fortes e conscientes dos novos desafios que a comunidade enfrenta.
Depois, num momento em que se vive sérias dificuldades, os trabalhadores pensam duas vezes antes de fazer greve para não agravar os problemas das suas empresas. No sector público, os despedimentos anunciados são, como é evidente, um forte incentivo ao não exercício do direito à greve. No entanto, e apesar de tudo isto, a greve geral fez-se sentir. Mais do que a guerra de números dos sindicatos e Governo, fica a sensação da expressão dum enorme descontentamento. Fica a imagem de gente que mesmo com grande sacrifício pessoal fez greve e de outra gente que não fez mas que concorda com os seus motivos.
Houve, no entanto, uma enorme novidade nesta greve geral, algo de que em Portugal não havia memória: às principais centrais sindicais juntaram-se as associações patronais - o barulho de Marx e Engels a darem voltas na campa foi tão grande que deve ter chegado a Lisboa.
Não é que estas associações já não tivessem mostrado, e não por poucas vezes, a sua profunda oposição ao caminho que o Governo está a prosseguir. Os empresários sabem o que está a ser feito à economia portuguesa, vivem-no no dia-a-dia. Eles sabem onde ficaram as reformas prometidas, a desburocratização e toda a questão dos custos de contexto. Eles sabem para onde a carga fiscal está a empurrá-los. Eles sabem onde pára o crédito. Mas sabem sobretudo que sem clientes não há empresas que resistam.
Sim, eles sabem isso tudo e também sabem que muitos dos males que os afligem não são de agora. O que é de agora é o limite a que estão a ser levados. Se o Governo não percebe o limite a que estão a ser levados os empresários para, no fundo, apoiarem uma greve é porque já não percebe nada. Se o Governo não percebe o significado político e social de patrões e sindicatos se mostrarem unidos contra as opções do Governo, é porque o autismo é completo.
Na mesma quinta-feira, os patrões e os sindicatos portugueses tiveram um apoio, para alguns, inesperado: os partidos que suportam o Governo aprovaram 6 de 10 propostas apresentadas pela oposição. E que clima se viveu na Assembleia da República: digamos que parecia que ia ser votado um voto de louvor a uma qualquer figura nacional ou internacional consensual, tal era a afabilidade e a cooperação.
Enquanto o ministro Marques Guedes afirmava respeitar mais uns trabalhadores do que outros, no Parlamento, um vice-presidente da bancada social-democrata, Luís Menezes, dirigindo-se aos socialistas, lembrou que "é muito mais o que nos une do que o que nos separa" e chegou mesmo a mostrar compreensão pela proposta para a reposição do valor do IVA da restauração. As perguntas são inevitáveis: alguém tinha avisado o Governo de que iam ser votadas favoravelmente estas propostas? Vítor Gaspar e Passos foram postos ao corrente? Concordam?
Parece que não. Sábado, a TSF divulgava um documento do Ministério das Finanças no qual se arrasam por completo as propostas dos socialistas. As tais que foram aprovadas pelos deputados sociais-democratas e centristas...
Um dia antes, talvez por nessa altura o primeiro-ministro não se encontrar a uns milhares de quilómetros de distância, Luís Montenegro desmereceu as propostas qualificando-as de desilusão. Mas isso seria o menos. Nesse mesmo dia tínhamos visto um primeiro--ministro inflexível com a oposição, sem vontade de ouvir o que quer que fosse e mostrando uma violência no discurso ainda não ouvida. A intolerância com a oposição foi tanta que o CDS se sentiu incomodado e apelou ao diálogo.
A greve geral consagrou definitivamente o total isolamento do Governo. Estes episódios no Parlamento deixaram transparecer o sentimento de profunda desilusão com a governação que percorre o PSD.
Existe de facto um consenso e não há dia em que não cresça.

Contramaré… 1 jul.

O ex-ministro das Finanças contradiz o Governo e garante que informou Vitor Gaspar sobre os contratos “swap”, numa reunião sobre esse tema a 18 de Junho de 2011, que teve 2 partes: uma primeira a sós e uma segunda em que estiveram também os secretários de Estado. Esta indicação de Teixeira dos Santos contraria a versão da secretária de Estado do Tesouro que garantiu no Parlamento que o anterior Governo nada tinha dito sobre o problema dos “swaps”.
(des)Conhecimento - Helena Pinto de Sousa

domingo, 30 de junho de 2013

ANÁLISE detalhada da tática e uma PERCEÇÃO global

“Retrato de mulher”
O atual cenário político é destacado para reforçar o distanciamento que considera cada vez maior entre quem governa e quem é governado: “É a primeira vez que uma greve tem a compreensão das confederações patronais. O que mostra o isolamento do Governo”.
Constança Cunha e Sá não deixa também sem comentário a análise da greve feita pelo ministro Marques Guedes. “O Governo confunde direito ao trabalho com direito a ir trabalhar”, aponta a comentadora, explicando que não faz sentido “falar de direito ao trabalho” quando “há um 1.500.000 de pessoas sem trabalho”.
Este esforço que os comentadores do trajeto tático da estratégia da crise, mesmo com a melhor das intenções de (in)formar, começa já a cansar (faz parte da tática) pela evidência que o quotidiano da realidade nos mostra, mas sobretudo pela perceção de que nos vamos apercebendo de que tudo não passa de uma trapaça, urdida por quem detém algum poder (económico, financeiro, informativo), que não tem rosto, mas tem rostos, que vemos todos os dias, ao leme das nossas instituições “democráticas”, mas que se esquecem da sua verdadeira MISSÃO: servir para o POVO.
E por isso, por muito correta que esteja a leitura que Constança Cunha e Sá faz do momento que vivemos, é mais fácil entendermos a perceção que Jeremy Irons tem sobre estes tempos de irracionalidade, porque não anda longe da realidade que nós próprios observados, tão estupefactos e impotentes como ele…
Está tudo do avesso!
Jeremy Irons fala sobre a Eurocrise – Alguém sabe a quem devemos tanto dinheiro? (legendado)

Ecos da blogosfera – 30 jun.

A consciência cidadã emergente passará por “ISTO”?

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.” (Derek Bok)
Nestas últimas semanas assistimos em redes nacionais e internacionais a uma grande prova que o nosso empenho, enquanto profissionais da Educação Reflexiva, tem surtido efeito.
Presenciamos não só nas capitais do (nosso) País, mas em muitos municípios de todos os estados do Brasil. Cidadãos de todas as idades insatisfeitos com a forma injusta que o nosso país vem sendo administrado.
Geverson Luz Godoy
Podemos considerar estas manifestações frutos da democracia, mas algo faz-me acreditar que é mais do que isto, é uma quebra de paradigmas, uma mudança da cultura do pensar, uma transformação. Isto leva-me a acreditar que mais do que um movimento da democracia, a maior exigência é fruto do que semeamos nas nossas escolas, quando trabalhamos desde a Educação Infantil até à Universidade os conceitos de justiça, família, unidade, ética, moral, partilha, solidariedade, perdas, ganhos, cooperação, empreendedorismo, etc...
Faz diferença numa sociedade, quando os educandos desenvolvem habilidades de raciocínio como “ouvir, respeitar a opinião dos outros, investigar, dialogar, observar, verificar, descrever, inferir, formular questões, comparar, contrastar, contextualizar, contestar, interpretar, dar e pedir razões, identificar similaridades e diferenças, identificar causas e efeitos, ato e potência, fins e consequências, estabelecer conclusões”, entre outras habilidades de raciocínio.
Desenvolver estas habilidades com competência faz-nos perceber que estas ferramentas da filosofia e da educação reflexiva fazem diferença na vida das pessoas e nas suas relações com a sociedade.
Ainda percebo que em muitas escolas não se dê o devido valor para o desenvolvimento destas habilidades do raciocínio. Nós, educadores, sabemos que a disciplina de Filosofia ficou por muito tempo nos porões dos projetos políticos pedagógicos do mundo e, principalmente no nosso país, mediante ditaduras das mais variadas formas.
É justamente por esta causa, o despertar, a autonomia, o pensar por si mesmo..., que não se quer a Filosofia, a Educação para o Pensar e, que a educação reflexiva, aconteça nas salas de aula, pois, os nossos nobres governantes conhecem o tamanho da sua nação, e temem que este ‘GIGANTE’ desperte e saia para as ruas manifestando, protestando e reivindicando os seus direitos públicos de que foram privados. E de quem é a culpa?
É melhor continuarmos a falar sobre educação!
Uma Escola Reflexiva tem resgatado os objetivos da Filosofia que é a construção do conhecimento, a discussão dos conceitos, a formação do ser humano com um todo. O investigar e o conhecer despertam para o pensamento autónomo. Ser autónomo não é o mesmo que ser autossuficiente, o primeiro desenvolve-se no seio de uma Comunidade de Aprendizagem Investigativa (C.A.I.) sadia, onde se utiliza do diálogo, onde se aprende a ouvir tanto quanto se fala. O autossuficiente aprendeu apenas a falar, não lhe cabe ouvir o seu semelhante, não respeita a forma de pensar alheia e ainda quer impor aos outros o que pensa saber.
A pessoa que participa de uma Educação Reflexiva desperta para o autoconhecimento, desenvolve a sua autoestima e cresce com autoconfiança, valores que engrandecem qualquer pessoa.
Ser reflexivo é observar o mundo de forma atenta percebendo as suas ações e compreendendo a modificação do processo da realidade. É ver tudo como um todo, e não segmentar a vida em partes como que gavetas em que organizamos os nossos pertences pessoais. Ainda, pensar de forma reflexiva desperta para o entendimento das próprias ideias e das ideias dos outros levando ao respeito da própria vida, da vida dos outros e do mundo que nos cerca.
Para pensar de forma reflexiva é necessário organização, motivação e mediação para que haja um ambiente propício para o diálogo, a investigação e a construção do conhecimento.
Fazer educação reflexiva é Educar para o Pensar, onde se valoriza o ser humano como ser responsável, generoso, solidário, que quer e tem necessidade de ser feliz. É acreditar, enquanto educador, no desenvolvimento de todas as potencialidades do educando, incentivando-o para que participe efetivamente na sua comunidade. Assim perceberá a importância de saber trabalhar e aprender em comunidade, dialogar, discutir, falar, habilidades essenciais para a vida pessoal e profissional.
Educar para o Pensar é considerar cada estudante o protagonista do seu crescimento, incentivando-o à pesquisa, à argumentação e clareza das suas ideias. Além de estimular a estar aberto ao pensar do outro, prepará-lo para os avanços científicos, sociais, culturais, tecnológicos, antropológicos e filosóficos.
Para concluir e reafirmar a importância de uma educação de qualidade, filosófica, questionadora e reflexiva, concluo utilizando as palavras do Prof. Celso Antunes: “Não sei como será o nosso amanhã; mas não duvido que será da maneira como os educadores o esculpirem.”

Contramaré… 30 jun.

O chefe de Estado português afirmou que "o que está programado para o ano de 2013 (5,5%) será alcançado". "Os números que foram recentemente avançados pelo Governo parecem apontar nesse sentido. Não devemos prestar muita atenção ao 1.º trimestre, porque, como todos sabemos, há ali um problema contabilístico, que resulta da contabilização do aumento do capital do Banif como défice", precisou Cavaco Silva.
O presidente da República sublinhou que, "como economista", considera que "é um erro" o Eurostat "fazer esse tipo de contabilização". "Por isso, penso que o que está programado para o ano de 2013 será alcançado", acrescentou.
É agora! É agora! - António Perez Metelo