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sábado, 15 de dezembro de 2012

Ou seja, a “supervisão” bancária para que(m) serve?

Passados 13 anos desde a sua introdução, o euro conseguiu estabelecer-se como 2ª moeda mais importante do mundo, mas, mesmo assim, a moeda ainda é vista como 2ª opção.
Zhang Danhong
Atualmente os Estados Unidos passam por uma séria discussão orçamental entre democratas e republicanos. Caso não cheguem a um acordo até ao fim do ano, entrarão em vigor cortes no orçamento anual e aumentos de impostos à volta de 600 bilhões de dólares. Isso fará com que a economia do país entre em recessão.
Em função da ameaça de "abismo fiscal" (fiscal cliff), o dólar desvalorizou-se em relação ao euro. Mas nem por isso há temores de que os países que adotam a moeda se desmoronem economicamente, nem que o dólar possa algum dia vir a desaparecer.
Ao euro, por sua vez, só resta a inveja de uma crença tão ardorosa na solidez do dólar. Pois mesmo diante da negação do BCE de que há um perigo iminente de desintegração da união monetária europeia, o euro não é considerado, de facto, uma moeda segura. A OCDE, por exemplo, continua a ver riscos na existência da zona do euro.
Governo central forte
Mas o que o dólar tem, que o euro não tem? "Muita coisa", diz Achim Wambach, diretor do Instituto de Política Económica da Universidade de Colónia. Primeiro, o dólar tem um governo central forte. "Grande parte do orçamento fiscal passa por Washington e não pelos estados norte-americanos separadamente", afirma Wambach.
A união monetária europeia, por sua vez, não é uma união política. O orçamento de toda a UE corresponde a 1% do PIB conjunto dos países-membros do bloco. E a zona do euro não tem sequer um orçamento próprio.
Bancos independentes
A grande interdependência entre os bancos da zona do euro e os respetivos países individualmente é outro calcanhar de Aquiles da moeda. Os exemplos da Irlanda e da Espanha mostram como bancos e Estados se podem arrastar mutuamente abismo abaixo.
Para o economista Clemens Fuest, o grande erro do euro é o facto de o sistema financeiro não ter sido adequado à união monetária. "Deveria ter sido previsto que, dentro da união monetária, um país pode tornar-se insolvente, e que deve ser possível, nesse caso, um corte na sua dívida", diz Fuest.
Para que isso ocorra, os bancos precisam ser tão sólidos que possam suportar tal corte. Ou seja, teriam que ter mais capital próprio, completa o economista. Os EUA, por exemplo, jamais teriam bancos que fossem dependentes dos seus estados federados, opina Wambach: "Se a Califórnia declarasse insolvência, os californianos não precisariam preocupar-se com as suas poupanças, pois essas não estariam num banco californiano, mas num banco americano", compara o economista.
Sem perigo de contágio
Isso explica, inclusive, o baixo perigo de contágio entre os bancos norte-americanos. Se o estado de Minnesota está ameaçado de falir, o estado de Michigan não correrá risco de ser arrastado. Ao contrário da zona euro: aqui, qualquer ponto de crise guarda em si o potencial de alastrar o fogo. Caso a Grécia deixasse a zona euro, a pergunta seguinte seria: qual é o próximo?
Esta é também a razão pela qual a proibição de auxílio que consta dos contratos da UE não é levada a sério pelos mercados financeiros. De forma que cada país que adota o euro carrega ele próprio pouca responsabilidade pela sua própria política fiscal, uma vez que, na pior das hipóteses, poderá cogitar a possibilidade de ser salvo pelos outros.
Cada país por si
Ao contrário dos EUA, onde cada estado arca com as suas próprias dívidas. Se um deles tem sérios problemas financeiros, precisa economizar radicalmente. Há um mecanismo que cessa automaticamente o orçamento, explica Wambach, tomando a Califórnia novamente como exemplo: "Vimos no meio da crise que os funcionários das universidades foram obrigados a tirar férias prolongadas e tiveram os seus salários reduzidos".
Outra medida que contribui para a disciplina orçamental dos estados norte-americanos é a quitação anual das dívidas nas contas das 12 filiais do Fed, o Sistema Federal de Reservas dos EUA. Isso existe para evitar que as regiões em dificuldades financeiras façam uso da emissão de dinheiro à custa dos outros.
O BCE não é o Fed
Mario Draghi, presidente do BCE, prometeu em meados deste ano, que o BCE iria fazer de tudo para salvar o euro. Mas enquanto o Fed apoia o dólar, e o Bank of England, a libra esterlina, o BCE não está em condições de tomar decisões rápidas que protejam o euro.
Esta talvez seja a diferença mais crucial entre o dólar e o euro. Embora o seu mandato tenha sido prorrogado no meio da crise, "o BCE continua a ser, como antes, uma instituição federal, ancorada em 17 Bancos Centrais nacionais. Não é um banco ativo autónomo. Por isso, o euro continua a ser uma moeda frágil", disse Marsch.

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