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sábado, 6 de setembro de 2014

A diplomacia da guerra no combate aos hominídeos do “EI”

Mais atentados localizados, como o do museu judaico em Bruxelas, não são descartados. "Estado Islâmico" (EI) deve substituir Al Qaeda como grupo terrorista mais perigoso.
"O objetivo é claro", declarou o presidente dos EUA, Barack Obama, na sua visita à Estónia nesta quarta-feira (03/09). "Enfraquecer e destruir o Estado Islâmico, para que ele deixe de representar perigo", complementou o líder americano. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, escolheu palavras ainda mais drásticas. Afirmou que os Estados Unidos perseguirão os assassinos dos 2 jornalistas norte-americanos "até aos portões do inferno".
Os americanos temem que os combatentes do EI originários da Europa e dos EUA possam, com os seus passaportes ocidentais, retornar facilmente aos seus países de origem e neles realizar ataques terroristas. "Sabemos que, nos últimos 3 anos, mais de 12.000 combatentes estrangeiros viajaram para a Síria", disse o especialista Matthew G. Olsen, do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA. Entre eles estariam mais de 100 americanos e cerca de 1.000 europeus.
Propaganda eficaz
"Nenhum grupo dissemina a sua propaganda de forma tão eficaz", ressaltou Olsen. Os islamitas alcançam muitos potenciais combatentes no Ocidente através das redes sociais. "Eles são muito bons em atingir o público-alvo jovem", avaliou o psicólogo John Horgan, da Universidade de Massachusetts, num artigo no jornal The New York Times. Os islamitas atraem com mensagens como "seja parte de algo maior que você mesmo e faça-o agora".
Olsen avalia que o EI logo pode tornar-se a organização terrorista mais perigosa do mundo. O autoproclamado "Estado Islâmico" tornar-se-ia assim, uma ameaça ainda maior que a Al Qaeda, a rede terrorista responsável pelos ataques em Nova York e Washington em 11 de setembro de 2001. Financeiramente, o EI também está bem acobertado. Atualmente, o grupo arrecada mais de 1 milhão de dólares por dia, por exemplo com o resgate de reféns.
Sem evidências
No entanto, em comparação com a Al Qaeda, os combatentes do EI adotam uma tática diferente: preferem muitos ataques pequenos a poucos ataques grandes. Olsen cita como exemplo o atentado contra um museu judaico em Bruxelas, em maio deste ano. Os combatentes também evitam ao máximo utilizar comunicação eletrónica, o que dificulta o seu controlo.
Mesmo assim, Olsen não vê no momento um grande perigo para o Ocidente. "O EI não é comparável à Al Qaeda antes do 11 de Setembro", afirmou. O especialista ressaltou ainda que as agências de inteligência dos EUA também são hoje muito mais sensíveis à questão do terrorismo e trocam mais informações. Por isso, não há evidências de células terroristas nos Estados Unidos ou na Europa.
Segundo Olsen, a luta contra o EI ainda é uma tarefa de longo prazo e que deve ser combatida também politicamente. Ele afirma que seria importante, por exemplo, que, no lugar do regime de Assad, seja formado um governo de unidade nacional na Síria. Só assim, os Estados Unidos poderão enfraquecer e destruir o EI, conforme anunciado por Obama.
Se o especialista prevê que a luta armada vai ser de longo prazo e que deve ser, em simultâneo, complementada politicamente, com a Síria, mas parece que nem a Síria está de acordo, muito menos os países que tem mais fé na luta corpo a corpo, no terreno…
Mais valia usar os drones para arrasar os hominídeos e poupar as vidas dos humanos…
Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros chegaram a um acordo sobre o envio de armas aos combatentes curdos no Iraque, a ser feito por cada país, e não pelo bloco.
A chanceler alemã Angela Merkel lembrou esta segunda-feira  o papel da Alemanha na II Guerra Mundial e os compromissos do país com a NATO para que os deputados viabilizem a entrega de mais de oito mil de armas aos curdos no Norte do Iraque para combater os militantes do autodenominado Estado Islâmico.
O envio de material aos curdos, avaliado em 70 milhões de euros, inclui 30 lança-mísseis antitanque, bem como 8.000 metralhadoras G3 e G36. Até ao fim do mês, a Alemanha espera ainda enviar mais 50 milhões de euros em ajuda humanitária e material de guerra para 4.000 soldados.

domingo, 10 de agosto de 2014

A UE ainda não acordou, mas abriu um olho e o porta-moedas…

A França, o Reino Unido e a Alemanha apelam a Israel e ao Hamas para um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, indicaram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 3 países, Laurent Fabius (França), Philip Hammond (Reino Unido) e Frank-Walter Steinmeier (Alemanha), numa declaração conjunta divulgada e acrescentam: "Damos o nosso pleno apoio aos esforços realizados pelo Egito para esse efeito".
O cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas expirou às 8 horas locais, após negociadores não conseguirem chegar a um acordo final para ampliar a trégua. Poucas horas antes do fim da trégua, 2 foguetes partindo de Gaza foram atirados contra Israel, segundo o exército israelita. Não houve feridos.
Alemanha, França e Grã-Bretanha propuseram a reativação de uma missão da União Europeia na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito para ajudar a estabilizar o enclave palestiniano após um mês de guerra, disse uma fonte diplomática da Alemanha nesta quarta-feira.
Europeus já repassam 900 milhões de euros por ano para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, na forma de ajuda humanitária. Unidade entre os palestinos facilitaria a distribuição.
A União Europeia (UE) está pronta para contribuir com a reconstrução da Faixa de Gaza e o fornecimento de suprimentos à população local logo que se chegue a um cessar-fogo definitivo entre o Hamas e o governo de Israel.
De acordo com o porta-voz da alta representante para assuntos externos, Catherine Ashton, Sebastien Braband, o bloco europeu conversou com todas as partes envolvidas a fim de definir a melhor forma de contribuir para o fim do conflito. "Por isso é fundamental que o novo governo palestino assuma o controlo da Faixa de Gaza e coloque fim às disputas internas", disse.
Se a Autoridade Nacional Palestina, sob comando do moderado presidente Mahmoud Abbas, controlasse a Faixa de Gaza, seria muito mais fácil para a UE distribuir ajuda financeira diretamente à região e até mesmo controlar a aplicação desses recursos. Mas quem comanda Gaza é o grupo radical Hamas, e o bloco europeu precisa fazer uso de vias indiretas para repassar parte dos salários e aposentadorias dos funcionários públicos da Faixa de Gaza e dar ajuda financeira para diversas famílias que vivem na região. Esses repasses só podem ser feitos por vias indiretas – transferir recursos ao Hamas está fora de questão.
Com isso, segundo a Comissão Europeia, fica difícil controlar esses pagamentos – o que já gerou uma reprimenda do Tribunal de Contas Europeu. Em dezembro do ano passado, a corte declarou que a UE pagou salários a servidores públicos na Faixa de Gaza que nem sequer estavam a trabalhar. O Tribunal de Contas recomendou ainda o cancelamento dos programas de ajuda, o que não ocorreu.
Por ano, a Comissão Europeia destina 450 milhões de euros do fundo comum europeu aos palestinianos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, na forma de ajuda humanitária. O mesmo valor é repassado diretamente pelos Estados-membros do bloco europeu. Ao lado da UE, os Estados Unidos são o maior doador de recursos para os palestinianos.
Tem sido escandaloso o silêncio e inoperância da UE neste conflito, que não cabe nos valores da cultura europeias, a não ser desde a sua transformação numa cooperativa financeira… E por isso surge esta preocupação de 3 países, desgarrada da chamada União, sabe-se lá com que legitimidade e força…
E perante mais um previsível fracasso das negociações para um cessar-fogo, que deveriam ser para acabar com o conflito, negociando as questões que estão na sua base, eis que os mesmos 3 países da UE, propõem a reativação de uma missão da União Europeia na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase como um escudo humano, que impedisse Israel dos crimes humanitários que tem cometido impunemente, por serem cometidos contra civis indefesos, o que não seria a mesma coisa se os atingidos fossem funcionários da União. Bom seria que missão da UE fosse na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, mas não há coragem… Seria remédio santo e permitiria ter (mais) observadores a recolher e dar testemunho dos “erros” colaterais, na era da nanotecnologia…
À falta de coragem, a União Europeia oferece aquilo em que hoje em dia se especializou e são os seus valores maiores, dinheiro. Para já, para ajuda humanitária, mais tarde, se houver tréguas, para reconstruir, mais uma vez, os edifícios destruídos, num ciclo vicioso que cheira a negociata de “patos-bravos”…
Como foi possível, em tão pouco tempo acontecer uma desvalorização tão grande na bolsa de Valores da cultura europeia, tão humanista e agora tão anestesiada?
Filosofias de vida e discriminação de pessoas que o passado parecia ter enterrado? Ou novo-riquismo parolo?

domingo, 13 de julho de 2014

A “Seita do Espírito Santo” será luterana ou evangélica?

A situação no BES e a volatilidade que a mesma está a provocar nos mercados não representa uma preocupação para a Comissão Europeia. "Confiamos plenamente no quadro de supervisão em vigor e na ação levada a cabo pelas autoridades portuguesas, não vemos qualquer causa de preocupação indevida", afirmou Simon O'Connor, o porta-voz da Comissão Europeia para os assuntos económicos e monetários.
Ressalvando que não comenta a situação de instituições específicas, o porta-voz sublinhou que o sistema financeiro português "foi significativamente reforçado nos últimos anos, no contexto do programa (de ajustamento), através de recapitalização, apoio de liquidez do BCE e supervisão prudencial reforçada", concluindo: "estamos confiantes de que quaisquer problemas no sistema serão geridos de forma atempada e eficaz".
E Bruxelas lembra que, caso a situação se deteriore de forma acentuada e o Estado seja chamado a intervir, o governo dispõe de 6.400 milhões de euros do resgate financeiro que eram destinados à banca que ainda não foram usados e que, em princípio, seriam mais que suficientes para acomodar a atual crise.
Chanceler alemã deixa mensagem à França e à Itália, que reclamam um alívio das regras orçamentais: "O exemplo de um banco português mostrou-nos, nos últimos dias, como rapidamente os mercados se agitam, como rapidamente a incerteza volta e o quão frágil continua a ser toda a construção do euro".
A chanceler alemã citou a crise no BES como uma prova da fragilidade da zona euro: “Se nos afastarmos agora das regras, por exemplo ao nível do Pacto de Estabilidade e Crescimento, e de tudo o que fizemos para estabilizar o euro, podemos muito rapidamente entrar numa situação em que nos começamos a afundar”, acrescentou.
Pelo que se vê, não se viu qualquer sinal de supervisão pelas autoridades portuguesas (BdP) diferente do que a anterior (BdP), caso contrário e depois de escaldado o atual Governador devia ter medo da água fria que apanhou os “trabalhadores” do setor com as calças na mão… Mas se o Simon diz, como já disse tanta asneira, é porque não tem razão…
É verdade que o sistema financeiro português foi sub-repticiamente reforçado nos últimos anos com todos os roubos que o Estado fez aos contribuintes, com que conseguiu um pé-de-meia, para além dos 6.400 milhões de euros do “resgate financeiro” que sobraram e estavam destinados à banca, que não foram usados e de que estamos a pagar juros. O que quer dizer que estamos há 3 anos a pagar para estas previsíveis fraudes, já que os membros da seita se conhecem e conhecem as malhas com que nos cosem ou cozem…
Este Simon, porta-voz do inefável Olli Rehn, parecem os bispos de uma "IURD", sempre com um “Salmo” retirado da “Bíblia”, que “explica” os desígnios do “Deus Mercado”.
E se a Comissão Europeia não está preocupada com o BES, a Merkel muito menos, apesar de lhe fazer umas indiretas, mas para levar a nossa água ao seu moinho!
Primeiro vem (a que propósito?) colar uma sucessão de protagonistas de uma família ligados a fugas de impostos e outras rebaldarias ainda não declaradas, à continuação da austeridade, por aqueles andarem a viver acima das nossas possibilidades e obrigarem os contribuintes a pagar-lhes a conta… Mais uma “bispa” da "IURD"!
Em segundo lugar vem dizer que a fragilidade do euro está dependente da “Seita do Espírito Santo”, que deve ser luterana ou evangélica, com receio de lhes acabarem com a mamata se o euro for ao fundo…
Depois, vem confessar que a fragilidade do euro está na supervisão, que vai passar a ser missão do BCE, que não vai dar conta do recado, o que deixa os mercados nervosos…
Finalmente, dá a entender que há um muro entre os países que não aderiram ao euro e os que embarcaram na onda, que pode afundar estes, sem que os outros sejam tão penalizados…
Afinal é o BES e a banca que obrigam à austeridade ou é, mesmo e só, o Euro que leva todas as economias e finanças a correrem para os mares da Alemanha?
Keep calm, uma porra!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

PEC = Pacto de Estabilidade e Crescimento. E CRESCIMENTO!

No dia em que assumiu a presidência rotativa da União Europeia, o primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi: "Se hoje a Europa fizesse uma selfie que imagem obteríamos? Posso dizê-lo com extrema preocupação que se veria a imagem do cansaço e de resignação. Se tivesse que dizê-lo de forma sintética diria que a Europa hoje mostraria no selfie uma cara de tédio", lamentou Renzi.
No discurso proferido no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o chefe do governo italiano enviou ainda uma resposta indireta aos que defendem a rigidez do pacto de estabilidade e crescimento, como a Alemanha, afirma que a Itália respeitará as regras. "Na discussão que tivemos no último Conselho, não se reduz a alguma exigência de algum país para alterar regras. Somos os primeiros a dizer que queremos respeitar as regras e não mudar as regras", afirmou, salientando que o pacto esquece uma das suas componentes. "Um pacto que se chama pacto de estabilidade e crescimento. Existe a estabilidade, mas há também o crescimento. E a riqueza de ter o crescimento como elemento fundamental não é para um país. É bom para a Europa e não apenas para Itália", considerou.
Mateo Renzi lamenta que tenha mudado a forma como a Europa é vista nos dias de hoje. Para o primeiro-ministro italiano, quando se pensa na Europa e especialmente na Grécia e Itália já não vêm à ideia os grandes filósofos, matemáticos, artistas ou poetas. "Não pensamos no sentido da vida. Em Aristóteles e Dante Alighieri. Em Arquimedes e Leonardo Da Vinci. Hoje pensamos na crise financeira e no spread. Nas questões económicas e nas dificuldades financeiras. O verdadeiro grande desafio que o nosso continente hoje tem pela frente é encontrar o ânimo da Europa. Encontrar o sentido profundo para estarmos juntos", afirmou.
O semestre de presidência italiana na União Europeia já começou envolvido em polémica. Após discursar na sede do Parlamento Europeu, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, foi criticado duramente pelo líder de bancada do Partido Popular Europeu (PPE), o alemão Manfred Weber, por pedir mais flexibilidade nas normas do bloco económico.    
"O endividamento não cria futuro, apenas o destrói. Devemos continuar na linha do rigor. A Itália tem 130% de débito, onde arranja o dinheiro?", perguntou o eurodeputado. O Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE obriga os países-membros a manter a dívida pública, no máximo, em 60% do PIB, sendo que na Itália essa relação é de aproximadamente 130%.    
Weber também lembrou que Renzi pediu mais tempo para realizar as reformas de que a sua nação precisa e que o mesmo benefício já foi concedido à França. "Mas as mudanças não foram vistas. Como vamos garantir que desta vez elas serão feitas? E como explicaremos à Irlanda, a Portugal, à Grécia, ao Chipre e a Espanha que somos mais flexíveis com as nações mais ricas?", acrescentou.    
No entanto a resposta do primeiro-ministro italiano veio no mesmo tom. "Ficaremos felizes em fazer do nosso semestre uma ocasião de discussão, mas erra quem levanta a arma do preconceito contra a Itália. Não aceitaremos lições de moral de ninguém. É verdade que a Itália tem uma dívida muito alta, mas também é verdade que tem uma riqueza privada 4 vezes superior", declarou.    
Além disso, Renzi recordou que, em 2003, a própria Alemanha violou o Pacto de Estabilidade da UE para incentivar a economia e hoje tornou-se um "país que cresce". A réplica a Weber partiu também do líder de bancada do Partido Socialista Europeu (PSE), o italiano Gianni Pittella, que afirmou que se o bloco não flexibilizar as suas normas a legenda poderá retirar o apoio à candidatura do conservador Jean-Claude Juncker (PPE) à presidência da Comissão Europeia, o poder executivo da União. "A declaração de Weber foi um movimento equivocado e um passo em falso, que coloca em risco a colaboração entre PPE e PSE", salientou.
A Itália assumiu na última terça-feira a presidência rotativa da UE, cargo que foi ocupado no 1.º semestre pela Grécia. Matteo Renzi já declarou diversas vezes que pretende aproveitar os próximos 6 meses para iniciar um percurso de reformas no bloco.
E passaram-se 6 meses de presidência da EU pela Grécia e não se notou que o poder morasse perto do respetivo governo…
Agora na Itália, começa-se a perceber que o seu primeiro-ministro quer mesmo exercer as competências inerentes ao cargo e fazer valer as suas ideias, que até parecem revolucionárias, a ponto de querer que os Pactos de Estabilidade e Crescimento, ponham em prática o Crescimento, já que a Estabilidade já foi alcançado e há um Pacto antigo e entre todos os Estados-membros… E não é que tem razão?
Talvez por isso, os que têm mamado até agora com a “crise”, e do nosso, estão preocupados com tanto desplante, talvez por iliteracia… E como já devem ser grisalhos, já nem se lembram que, recentemente, deram mais tempo à França para cumprir o PEC e há mais tempo (10 anos) perdoaram a infração aos limites do défice à mesma França e à Alemanha, violando assim o PEC.
Pelos vistos, Mateo Renzi é mais jovem e de memória mais fresca e pimba, que já levaste! E ainda por cima, vem o eurodeputado ameaçar a votação em Juncker, o que animaria o Parlamento Europeu, se entretanto as coisas já não estivessem acertadas, com o Mark Schultz na presidência do PE…
Mas só pelo cantar de galo, já valeu a pena este começo de “conversa”…

quinta-feira, 3 de julho de 2014

“Mundo Cão” ou “o mundinho dos bulldogs” inocentes(?)

O antigo Presidente de França Nicolas Sarkozy foi acusado de corrupção ativa, tráfico de influências e violação do segredo de justiça, informou esta noite a procuradoria francesa.
O anúncio da procuradoria ocorreu depois de na segunda-feira Sarkozy ter sido detido para averiguações, numa medida coerciva aplicada pela 1.ª vez a um antigo chefe de Estado francês, e de ter passado 15 horas em interrogatório perante a polícia e outras 3 horas perante os juízes, nos arredores de Paris.
Segundo a procuradoria francesa, Nicolas Sarkozy foi posteriormente presente a um juiz e acusado durante a noite de terça para quarta-feira.
Em caso de condenação, o antigo Presidente de França (2007-2012) enfrenta uma pena de até 10 anos de prisão.
O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e o juiz Gilbert Azibert – detidos um dia antes, juntamente com outro magistrado – foram ambos acusados de tráfico de influências na noite de terça-feira, informaram os seus defensores.
Nicolas Sarkozy, 59 anos, tem enfrentado várias batalhas legais desde que foi derrotado por François Hollande nas eleições presidenciais de 2012.
O antigo Presidente francês nega ter cometido qualquer irregularidade e os seus aliados à direita denunciam o caso como uma caça às bruxas contra o seu homem.
O ex-presidente também está a ser investigado por financiamento irregular da campanha, contratação de serviços sem licitação e influência em arbitragem litigiosa a favor de empresário francês.
Conheça os escândalos que mancham a carreira política de Sarkozy:
Caso Tapie
Em julho de 2008, o empresário Bernard Tapie recebeu uma indenização multimilionária do governo francês numa decisão jurídica controversa, em que esteve envolvida Christine Lagarde.
No litígio entre Tapie e o banco Crédit sobre a venda da empresa Adidas, a Justiça decretou que o governo francês deveria pagar 430 milhões de euros para o empresário. Está em investigação se o empresário foi favorecido pelos juízes do caso, com aval do executivo.
5 pessoas foram acusadas de “fraude por grupo organizada” pelo caso. O ex-presidente rejeitou as acusações. Tapie entrou na política na década de 1980, ao lado do socialista François Mitterrand, mas acabou a apoiar o conservador Nicolas Sarkozy nas eleições de 2007.
Financiamento líbio
Outro caso que envolve Sarkozy é o suposto financiamento ilegal pelos líbios na campanha eleitoral vitoriosa de 2007, contra a socialista Ségolène Royal.
Pouco antes de sua morte, assinado por operacionais franceses, o ex-chefe de Estado da Líbia Muammar Kadafi admitiu ter financiado a campanha do ex-presidente. A imprensa francesa publicou documentos oficiais que supostamente mostram que o ex-líder líbio autorizou pagamento de 50 milhões de euros para essa finalidade. O caso está em investigação desde 2013. Sarkozy nega as acusações.
Pesquisas de opinião
Sarkozy também está ligado ao escândalo das "pesquisas de opinião do Palácio do Eliseu", em que a Justiça investiga a suposta irregularidade dos contratos com as empresas sem licitação pública, com suspeitas de favoritismo e de desvio de dinheiro público.
Documentos revelam que 9,4 milhões de euros foram gastos em centenas de pesquisas de opinião realizadas durante a presidência de Sarkozy. Boa parte delas foi feita sem licitação e beneficiou o escritório de consultoria política de um amigo do ex-presidente, o jornalista Patrick Buisson, ligado à extrema-direita e que foi seu conselheiro durante a campanha presidencial de 2012.
Bettencourt e financiamento de campanha
O ex-presidente foi investigado por ter recebido dinheiro da herdeira bilionária do grupo de cosméticos L'Oreal, Liliane Bettencourt, dona da 2.ª maior fortuna da França, para a campanha de 2007. Em outubro de 2013, a justiça concluiu que não existiam provas contra Sarkozy sobre o caso.
No mesmo mês, contudo, outro caso envolvendo financiamento de campanha foi aberto contra o ex-presidente. Sarkozy é investigado por desvio de recursos públicos sobre o financiamento de um comício no sul do país no final de 2011, que não está descrito nos gastos de sua campanha. A Justiça investiga ainda se os gastos da campanha presidencial de 2012 ultrapassam o limite legal autorizado.
Campanha de ex-Primeiro-ministro
Outro processo de investigação envolvendo o nome de Sarkozy é o financiamento da campanha do ex-primeiro-ministro Edouard Balladur, em 1995.
Sarkozy era então ministro do Orçamento de Balladar e assinou uma série de contratos para a venda de armas para o Paquistão e Arábia Saudita. A Justiça investiga se esses contratos teriam sido usados para financiar a campanha presidencial de Balladur, que não chegou a passar para o segundo turno na campanha. O ex-presidente rejeitou a acusação.
A detenção, para demorado interrogatório, do ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy é apresentada pelos seus apoiantes como um golpe político. Isto porque ele se preparava para concorrer à liderança do seu partido (UMP) em Outubro, como primeiro passo para regressar à Presidência da França. Mas as acusações contra Sarkozy são graves, “tráfico de influências” e “violação do segredo de justiça”, e estando ligadas ao seu mandato e não à margem dele, quando mais cedo se apurar a verdade melhor. Se a justiça for célere e Sarkozy (agora constituído arguido) for ilibado das acusações, poderá apresentar-se perante o seu partido e o país livre de suspeitas; mas se ficar provado o seu envolvimento em tais ilegalidades, terá de prestar contas à justiça como qualquer outro cidadão. Num e noutro caso, trata-se de um triunfo da justiça. Provando que um Presidente não está imune à investigação e que, se estiver inocente, nada terá a temer face ao futuro.
E andou este bulldog, “presumível inocente até prova em contrário”, a obrigar-nos a roer os ossos da sua lauta gamela…

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A direita tem medo da extrema-direita ou de perder os “tachos”?

Os dirigentes europeus tentam minimizar a subida da extrema-direita, mas os líderes francês e britânico querem uma nova aposta na economia.
Depois das vitórias do UKIP e da Frente Nacional, Cameron e Hollande não perderam tempo a pedir mudanças e reformas à União Europeia, que o presidente francês diz agora ser "muito complexa e distante", enquanto Cameron fez um apelo aos dirigentes da União para que ouçam as preocupações dos europeus, principalmente dos que votaram em partidos de extrema-direita e que deram a vitória a partidos de extrema-direita no Reino Unido, França, Dinamarca ou Holanda. Antes da reunião de ontem entre os chefes de Estado e de governo sobre a presidência da Comissão Europeia, Cameron sublinhava que "não pode ficar tudo na mesma" e que a União tem que fazer reformas, começando pela relação entre Bruxelas e cada Estado-membro. Um sinal do que pode ser a sua resposta, vem do que defendeu em Bruxelas: "Precisamos de uma abordagem que se concentre no que realmente importa, no crescimento e nos empregos, sem tentar fazer demasiado".
Depois de ter cerca de 14% nas eleições de domingo, François Hollande afinou pela necessidade de mudança, mas com referências à necessidade de relançar a economia da União Europeia, que tem agora um projecto "distante e incompreensível. A Europa tem que ser simples e clara para ser eficaz onde for necessária e poder não se meter onde não for necessária" e considera que as respostas de Bruxelas para enfrentar a crise tiveram resultados, mas questiona: "Com que custos? Foi uma austeridade que acabou por desiludir as pessoas".
Já se percebeu que os burocratas iluminados da UE passaram por cima das brasas da fogueira das europeias e continuam mais um round, para nos “neoliberalizar”, pagar os calotes de terceiros, sem sequer fazerem um intervalo para ganhar fôlego, que foi coisa que nunca lhes faltou nesta “caça ao pobre” contribuinte…
Apenas Cameron, de direita, e Hollande de “faz de conta que é socialista”, ficaram assustados com o avanço da extrema-direita nos seus países, que os ultrapassaram, e de que maneira, ameaçando destroná-los e incendiar o Parlamento Europeu, numa tática à Putin. Vai daí, tocam os sinos a rebate, culpando a direita a que pertencem, pelas medidas espoliadoras que puseram em prática e que, naturalmente, levaram os eleitores a “contratar” uns snipers políticos para lhes furar os tachos e as falácias.
E enquanto Cameron vem dizer, agora, que "precisamos de uma abordagem que se concentre no que realmente importa, no crescimento e nos empregos, sem tentar fazer demasiado", Hollande vem dizer quase o mesmo, reconhecendo que as respostas de Bruxelas para enfrentar a crise tiveram resultados, mas “foi uma austeridade que acabou por desiludir as pessoas". Eles não tiveram qualquer culpa no cartório, claro!
E bastava-lhes ter ouvido o povo…
Pois! É urgente que os cidadãos e eleitores vejam os resultados benéficos de tão “benéficas” medidas, à medida que o tempo lhes escasseia!
Não há hipótese de sobrevivência para uma União Europeia receosa dos seus cidadãos.
Álvaro Vasconcelos
Um espectro paira sobre a Europa: o espectro dos cidadãos. A União não se pode construir sem os europeus, numa espécie de autismo vanguardista. A tentação de fazer a União contra os europeus levará à sua desintegração, com riscos acrescidos do regresso à Europa dos nacionalismos, de tão má memória.
Os europeus acabam de mostrar um grande descontentamento com a União Europeia. A abstenção já era a imagem de marca das eleições europeias, um problema que nunca foi frontalmente enfrentado, e o populismo também não é novidade – mas a dimensão dos 2 fenómenos é deveras preocupante. Se alguma dúvida houvesse sobre o crescimento do populismo, os resultados eleitorais confirmam-no plenamente, trazendo à tona todos os velhos fantasmas da Europa – o medo do mundo, a xenofobia e o racismo –, num discurso que em muitos países tem sido banalizado por partidos democráticos.
Seria um erro reduzir as eleições ao triunfo da demagogia populista. O populismo é, antes de tudo, consequência da falta de confiança nos partidos democráticos e nas instituições europeias – por isso a atual crise europeia, que as eleições espelham, é uma gravíssima fratura política.
Com a crise económica e social muitos cidadãos acordaram brutalmente para a realidade de que a União Europeia não é uma questão de política externa, mas tem a ver com questões tão essenciais como o emprego ou as reformas. O voto do 25 de Maio é um grito de protesto contra a política de austeridade, pela sua ineficácia e os seus devastadores efeitos sociais. Mas também é um grito contra uma política que não foi decidida democraticamente e é imposta por entidades com um funcionamento opaco, ou mesmo, como em Portugal ou na Grécia, por uma troika que ninguém elegeu e a quem os próprios governos democraticamente eleitos se dizem ter que submeter.
O défice democrático da União não se resolve com mais e melhor propaganda, como muitos pensam em Bruxelas. O lamento, tantas vezes ouvido – não somos amados porque não explicamos bem o que fazemos – é absurdo. Há cidadãos que genuinamente e por vezes com boas razões são contra as políticas seguidas e dizem-no cada vez com mais força. O problema é que a União Europeia vive mal com a opinião dissidente e é forte a tentação de se impor aos ditames populares, escolhendo vias obscuras para ultrapassar o que se pensam ser dificuldades momentâneas, como aconteceu com a recusa do Tratado Constitucional em referendos e a posterior aprovação de um tratado em muitos aspetos idêntico sem consulta popular.
As 3 maiores forças políticas europeias perderam o apoio de uma larga fatia do eleitorado (com um decréscimo de 88 deputados). Esta eleição confirma que muitos cidadãos europeus perderam a confiança nos partidos que construíram a Europa unida. Por mais que se procurem as diferenças, vinga a perceção, tanto no espaço europeu como nacional, que nada de essencial distingue estas famílias políticas, que da alternância não surge uma real alternativa.
Muitos não votam nas eleições europeias porque consideram que o seu voto não pode mudar as políticas, perante uma capacidade limitada, senão nula, de influenciar as decisões europeias. Forçoso é admitir que têm razão, apesar do reforço dos poderes do Parlamento Europeu. Os cidadãos consideram que é a nível nacional que podem influenciar as políticas e por isso não há indignados europeus, mas somente espanhóis ou portugueses.
Perante o escuro túnel que se apresenta aos nossos olhos, importa não perder de vista que existe uma alternativa: ousar a União Europeia Democrática, respondendo à vontade dos cidadãos, nomeadamente dos mais jovens, de participar e de ser ouvidos. É a consequência natural de uma tendência não só europeia como mundial, a da crescente capacitação dos indivíduos, como atestam os resultados de estudos europeus e norte-americanos (1). Os cidadãos da classe média, hoje potenciados pela educação, a emancipação da mulher e as tecnologias da informação, querem ser ouvidos diretamente, querem uma democracia mais participativa e colocam uma enorme pressão sobre governos incapazes de corresponder às suas expectativas, como sucede em França, onde o Partido Socialista ganhou tudo há 2 anos e agora teve apenas 14% dos votos
Os partidos democráticos europeus necessitam de uma reforma profunda que passa necessariamente pela intransigência na defesa dos valores fundamentais, pela abertura ao Mundo, por tirar partido da vontade de participação dos cidadãos, por dar mais protagonismo à sociedade civil, ao poder local e regional na tomada de decisões e na sua execução.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Sublinhando a denúncia da prática conspirativa na crise (I)

As denúncias de Philippe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso, que vêm confirmar tudo de que se desconfiavam e sobre o que “tanto latim se gastou” são de tal importância, que não podemos apenas registá-las, mas sublinhar, palavra por palavra, ideia por ideia, tática por tática e responsável por responsável.
Vamos reler, devagarinho, em 4 dias, as 4 perguntas e as 4 respostas, para recuperar a verdade e desconstruir as mentiras, a confirmar-se que tudo que é dito na entrevista é verdadeiro…
É incorrecta a narrativa que os alemães contaram a si próprios de que a crise do euro teve a ver com o Sul a querer levar o dinheiro deles, diz Philippe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso.
Isabel Arriaga e Cunha: A tese do seu livro “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess” (Primavera Europeia: Por que as nossas Economias e Políticas estão numa confusão) é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas.
Por que é que as coisas se passaram assim?
O que é que aconteceu?
Philippe Legrain: Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro. Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário.
O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega.
Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo “somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos” – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia 3 franceses na liderança do BCE – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes 3 franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos 3 franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.
Como assim?
Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária, que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida, que dividiu a Europa entre países credores e países devedores e em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika, que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem-sucedido.
Portugal está mais endividado que antes, por causa do programa, e a dívida privada não caiu.
Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Verdade? “Grande filha da putice” ou crime de responsabilidade!

É incorrecta a narrativa que os alemães contaram a si próprios de que a crise do euro teve a ver com o Sul a querer levar o dinheiro deles, diz ex-conselheiro de Durão Barroso.
Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess” (Primavera Europeia: Por que as nossas Economias e Políticas estão numa confusão).
A tese do seu livro é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas. Por que é que as coisas se passaram assim? O que é que aconteceu?
Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro. Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário.
O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo “somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos” – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia 3 franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes 3 franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos 3 franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.
Como assim?
Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária, que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida, que dividiu a Europa entre países credores e países devedores e em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem-sucedido. Portugal está mais endividado que antes, por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.
Quando diz que os Governos e instituições estavam dominados pelos bancos quer dizer o quê?
Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.
Também diz no seu livro que quando foi conselheiro de Durão Barroso, o avisou claramente logo no início sobre o que deveria ser feito, ou seja, limpar os balanços dos bancos e reestruturar a dívida grega. O que é que aconteceu? Ele não percebeu o que estava em causa, ou percebeu mas não quis enfrentar a Alemanha e a França?
Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.
Porquê? Será que a Comissão não percebeu? A Comissão tem a reputação de não ter nem o conhecimento nem a experiência para lidar com uma crise destas. Foi esse o problema?
Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes.
A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã.
E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados, não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder.
A ser verdade tudo o que Philippe Legrain confessa, traria ao de cima as tais contestadas “teorias da conspiração”, que no caso se trata de uma pura “prática conspiratória” e estariam os seus autores à porta de serem responsáveis por um crime de responsabilidade, uma grande “filha da putice”, que se não pode ser julgada pelos tribunais, que seja julgada pelo povo, nos escrutínios democráticos.
E nem há mais comentários a fazer, senão exigir a reposição de todos os roubos efetuados aos contribuintes dos países intervencionados, e já!
Infelizmente, quem nos governou durante este “assalto” e cooperou na sua execução, ainda tenta contrariar os factos, com argumentos de subserviência, que mais lhe valia estar calado!
E como remate desta usurpação, ainda temos o Zé Manel a tentar ser nosso Presidente, quando permitiu e acompanhou tantos rapaces…
O presidente do PSD e primeiro-ministro defendeu hoje que a União Europeia não merece a crítica, mas sim o agradecimento dos portugueses pela sua solidariedade, afirmando que os parceiros europeus evitaram um desastre social em Portugal.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Há reformados europeus de olhão, menos os de Olhão!

Cidadãos reformados europeus estão a comprar casas na Baixa de Olhão a preços reduzidos e a restaurá-las, uma tendência que está a mexer com a economia local e a dar vida ao coração da cidade piscatória.
Foi amor à primeira vista que o francês Jean-Louis Pallanca sentiu ao poisar o pé no porto de Olhão depois de uma viagem em veleiro desde França. Depois conquistaram-no também o sol, o mar, o peixe fresco, o mercado, o ambiente de uma cidade viva todo o ano, mesmo de inverno, e que não vive apenas do turismo.
Olhão tem todos os ingredientes apreciados pelo casal Pallanca, que decidiu comprar 2 casas na Baixa. A primeira, para viver, está no coração da cidade piscatória, custou 100.000 euros e tem vista para a Ria Formosa, garagem para o barco e 3 quartos. A segunda casa, que custou 50.000 euros, está a ser restaurada porque “é muita antiga”, explica Jean-Louis Pallanca, 66 anos, médico naturopata reformado, que acaba de lançar em França o livro “Hereuxe si je veux c’est possible”.
O casal francês admite que as casas de Olhão estão hoje a um “bom preço para os franceses”.
Da mesma opinião é Will Davies, britânico de 66 anos que está a viver em Olhão há 6 meses com a mulher, Jackie, após a compra de uma casa na Baixa por 130.000 euros.
Will conta que se apaixonou pela cidade porque lhe faz lembrar a vila onde nasceu, no sul do País de Gales. “A luz do sol é encantadora, absolutamente adorável”, constata Will Davies, antigo empresário e agora reformado, que optou por comprar casa em Olhão por causa do clima, da boa comida, dos habitantes e da segurança.
Will comprou casa em Outubro passado e está a “amar cada minuto” de viver em Olhão, mostrando-se “muito contente” com o preço da casa e perspectivando viver “todo o ano” na cidade à beira ria, porque a decisão tomada foi a de se mudarem permanentemente. “Espero viver aqui pelo menos 10 anos, se Deus me deixar ficar esse tempo todo”, diz, optimista e lançando uma gargalhada.
A gerente de uma imobiliária, Elsa Marques, vendeu nos últimos 3 meses 15 casas na Baixa de Olhão. A maioria dos compradores é reformada. Vieram de Inglaterra e França, mas também da Alemanha, Dinamarca e Finlândia. “Tenho a certeza de que eles [os estrangeiros] também vêm pelos bons preços que temos aqui em Olhão”, sustenta Elsa Marques, referindo que a maioria das casas da Baixa tem preços “abaixo dos 100 mil euros”.
A tendência, justifica, explica-se com a publicidade que a abertura de um hotel de 5 estrelas em Olhão fez da cidade.
“É tão típica, é uma cidade que ainda tem coisas antigas […], a maioria das casas aqui são quase todas de antes de 1951 e isso também faz a diferença para os estrangeiros, que gostam de sentir que estão a comprar algo histórico”, refere, sustentando que o fenómeno “só está a começar” e que “vai continuar”, porque em Olhão há tudo para os estrangeiros viverem bem, a preços mais baixos do que nas suas terras. A preferência pelo centro está também relacionada com o facto de muitos não terem carros. Alguns compram barcos para ir visitar as ilhas da Ria Formosa, acrescentou a gerente da imobiliária, referindo que estes reformados europeus estão a renovar o património de Olhão, optando pelo restauro e nunca pela demolição.
Esta chegada de reformados a Portugal também se explica com a introdução de isenções fiscais nas reformas.
A nova lei, que permite a isenção fiscal durante 10 anos para as pensões de reforma de cidadãos estrangeiros que residam em Portugal há mais de 183 dias, é um factor essencial para a nova vaga de imigrantes reformados.
Como se pode ver, a vida de reformado não é tão má como dizemos, nós, cidadãos europeus, o que pode fazer inveja a cidadãos de outros continentes…O nosso azar é sermos reformados europeus portugueses, o que não nos permite comprar casas nem na Baixa de Olhão nem sobreviver no Alto das nossas Serras…
A sorte do país é que estes reformados, em vez de deitarem as casas “velhas” abaixo, as vão restaurando, o que é uma mais-valia para o nosso Património construído. Valha-nos isso! Bem sabemos, pelos exemplos, que não é qualquer estrangeiro maltrapilho que se pode dar ao luxo de escolher o nosso país para os últimos anos antes do paraíso, até pelos países de onde provem: Inglaterra, França, Alemanha, Dinamarca e Finlândia, onde os reformados não vivem propriamente no nosso inferno.
E não é só Olhão que é um bom destino para os estrangeiros viverem bem, é o país inteiro, onde é tudo a preços mais baixos do que nas suas terras (porque tem melhores pensões) enquanto para nós, com os mesmos preços, o custo de vida é alto, porque as nossas pensões são baixas e ainda as querem mais baixas. A nós resta-nos a África…
Enquanto isso, aos reformados estrangeiros em Portugal a lei isenta-os de pagarem impostos sobre as ditas pensões durante 10 anos, o que não era mau se fossemos todos tratados de igual modo, como cidadãos europeus que somos, com os mesmos direitos, mas só no papel…
Estes tipos são todos de olhão, menos os de Olhão!