De repente (a caça ao voto abriu este ano em época natalícia), os políticos descobriram os pobres. Assim, nos últimos dias, Cavaco organizou nada menos que duas expedições aos pobres levando consigo um batalhão de jornalistas e câmaras de TV que o mostraram ao Mundo destemidamente no meio deles a dizer frases sobre a pobreza.
Sócrates é que não gostou pois, afinal de contas, os pobres, ou boa parte deles, são seus e dos seus governos.
De facto, ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10.291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8.321.
E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".
Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!
Também os candidatos Francisco Lopes e Fernando Nobre se engalfinharam um destes dias na TV cada um reivindicando para si a glória de conhecer mais pobres (e pobres mais pobres) do que o outro.
Não há dúvida de que os pobres é que estão a dar. Não só para o Governo poder ajudar bancos e grandes empresas mas também para os políticos exibirem na lapela.
Nasceu em Setúbal, a 15 de Setembrode1765 e morreu emLisboa, a21 de Dezembrode1805.
Foi um poeta português e, possivelmente, o maior representante doarcadismolusitano. Embora ícone deste movimento literário é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença naliteraturaportuguesa doséculo XIX.
Retrato gravado a buril e água-forte
por Joaquim Pedro de Sousa
O défice do SNS aumentou quase 100 milhões de euros em apenas três meses, apesar de todas as medidas de contenção.
Segundo dados divulgados pela Administração Central do Sistema de Saúde, no final de Setembro o saldo negativo do SNS era de 200,2 milhões de euros, quando em Junho o valor do défice era de 101,6 milhões.
Para a derrapagem contribuiu o aumento de 8% da despesa, em parte com o crescimento acentuado dos gastos com os medicamentos vendidos em farmácias.
Também o défice dos hospitais com gestão empresarial continuou a agravar-se no terceiro trimestre deste ano.
As medidas do Governo para evitar a saída de médicos do SNS falharam e, consequentemente, motivaram o aumento de pedidos de reforma antecipada, de acordo com o Sindicato Independente dos Médicos. “Não conhecemos medicina de saldo”, criticou o organismo.
O próprio responsável já pediu a sua reforma antecipada, devido à “degradação das condições de funcionamento” do SNS, que começa a “ficar em causa”.
O Ministério da Saúde assegurou hoje que “não há qualquer risco de saída” no próximo ano de enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por caducidade dos contratos ou do regime de mobilidade desde que os serviços onde trabalham queiram mantê-los.
O bloquista João Semedo disse que encarou este aumento “sem surpresa”, até porque “não há financiamento suficiente no SNS”, logo “é normal que o défice se acumule”.
“O Governo tem muitas zonas de desperdício, nomeadamente nos medicamentos, nas Parcerias Público-Privadas, na contratação de empresas para substituir médicos dos quadros dos hospitais”, diagnosticou, acrescentando que para 2011 estão “previstos cortes de 15% nos principais hospitais”.
Para o bloquista, “a alternativa que hoje se põe nos hospitais é deixar de ver doentes ou acumular a dívida”. “Numa situação em que o Governo se recusa a financiar mais os hospitais, porque o Orçamento do Estado assim o determina, é de esperar que esse défice ainda venha a ser maior”, frisou.
As notícias sobre a Saúde e sobretudo sobre o SNS estão a sair com uma frequência estonteante, o que significa que vem aí vendaval.
Sobre as despesas, afinal parece que o buraco não é tão grande como anunciaram, embora os números de referência sejam sempre diferentes de dia para dia, de jornal para jornal.
Mas, sem Médicos e sem Enfermeiros, estarão criadas as condições para se dizer que “é inevitável”, “é a realidade que temos” e “não há milagres”!
Será então a vez de os Privados tomarem conta do negócio, provavelmente com os mesmos Administradores das PPP, que não dão conta do recado, mas que entretanto vão fazer umas acções de formação acelerada e pronto!
Ainda bem que os cangalheiros são Privados, porque assim a concertação com os hospitais é mais fácil e o enterro já fará parte de “tratamento”…
O Salário Mínimo Nacional está actualmente nos 475,00 € brutos
e será necessário um aumento de 25,00 € para que,
no ano que vem, seja atingida a meta acordada dos 500 euros.
O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, está optimista em relação a um entendimento entre os parceiros sociais para um novo acordo sobre o Salário Mínimo Nacional (SMN).
O tema irá a discussão dos parceiros em sede de concertação social já amanhã.
Duas centenas de pessoas concentraram-se numa manifestação, organizada pela CGTP, por iniciativa da União dos Sindicatos do Porto e pretendeu “continuar a denunciar as injustíssimas desigualdades sociais que atingem a nossa sociedade, em resultado de políticos e políticas promovidas por personalidades conhecidas” e em defesa da fixação do salário mínimo nacional em 500 euros.
Empregadores querem salário mínimo nos 485 euros no próximo ano. Sindicatos rejeitam. Assunto ainda em negociação.
Isto é o máximo!
Enquanto os salários de Administradores não têm regras para o Ordenado Máximo Nacional, o dos assalariados têm para o Salário Mínimo Nacional. E quem faz as Regras? Os grandes…
Mas o que é mais inverosímil, é que ande tanta gente importante, com salários/hora enormes, a perder tempo e dinheiro em reuniões, mais reuniões, para “darem” um aumento acordado há 4 anos, de 25 €/mês. E não é para todos os assalariados, é só para os do SMN! O tempo/dinheiro que gastam em conversações, deve dar e sobrar para pagarem o aumento ajustado. Tínhamos um Estado incumpridor e agora temos uns Empresários que também o querem ser, com o apoio do próprio Estado. Isto é que vai uma crise…
Mas vergonhoso, é oferecerem, em negociação, 50 cêntimos por dia a mais. Depois querem ser respeitados e olharem para o espelho e pensarem que são gente de bem…
Com estes a crise não sai do sítio, mas eles também não estão atrapalhados, porque entretanto haverá um Fundo dos contribuintes para subsidiar os Empresários que vão à falência.
Francisco Lopes condenou a perspectiva de um aumento de capital no BPN, afirmando que se trata de "um buraco sem fundo" que resulta de "gestão fraudulenta" de antigos responsáveis.
Um buraco em que só não caíram os maiores, por serem grandes e uma gestão fraudulenta de actuais responsáveis, em parte certa…
O candidato a Belém disse que a "opção de aumentar os custos dos transportes muito acima da taxa de inflação pode servir os interesses de alguns grupos económicos", mas é "negativa para o povo" e acredita que se trata de "mais uma medida inconcebível do Governo, num ano em que estão a cortar salários, congelar pensões" e diminuir os apoios socais.
As declarações surgem depois de o ministro dos Transportes, António Mendonça, ter anunciado que, em 2011, vai haver um aumento de 3,5% nos passes sociais e de 4,5% nas tarifas globais dos transportes públicos.
Este Ministro viverá neste mundo, saberá que pertence a um governo socialista e que não devia dizer nada sem falar o Ministro das Finanças e com o PM?
“Não posso aceitar que se diga, de uma forma cega, que não há dinheiro. Primeiro, é preciso produzir mais, e o dinheiro que existe tem de ser distribuído de outra maneira para permitir o desenvolvimento e a resposta às necessidades do país”, defendeu Francisco Lopes.
Actualmente “entrou-se no caminho da irracionalidade”, em que a expressão “não há dinheiro” funciona como “palavra mágica”. “Deixou de haver, em muitos casos, a invocação da razão das medidas que são tomadas. Basta dizer um género de palavra mágica – “não há dinheiro” e vemos que está tudo justificado”.
Há várias palavras mágicas para além do “não há dinheiro”, os chamados “pragmatismos”: “é inevitável”, “a vida é assim”, “o Mercado é quem manda”, “gastamos demais, temos que pagar”, “ninguém previu”, etc…
Na verdade nunca foi noticiado que houvesse queimadas de dinheiro, nem do de plástico, ou foi por causa desse?
Claro que o dinheiro que houve e há para o BPN, dava para não descer salários aos Funcionários Públicos durante 6 anos e sobrava algum.
Claro o Sr. Ministro sabe que não há dinheiro nos bolsos dos utentes dos transportes públicos, mas vai lá buscá-lo para ter dinheiro para o BPN.
Claro que a irracionalidade reina e a magia não é o forte do Governo, é mais para o malabarismo…
Estou mudando de cidade e por isso tive de fazer uma limpeza geral na minha casa, preparando-me para desocupá-la. Como é stressante decidir o que vai e o que fica, o que vender, o que doar, o que pôr no lixo... Essa é a hora de decidir qual é o valor das coisas.
Algumas coisas estão velhas, desgastadas, quebradas, mas tudo isso parece converter-se em virtude, significando que as mudanças que sofreram as moldaram à nossa personalidade. Algumas são carregadas de história, de lembranças, e então parece impossível não mantê-las consigo.
Algumas coisas são úteis, outras são apenas belas. Mas aí é preciso pensar se serão úteis no novo lugar em que se vai viver. E as coisas belas, são belas em todos os lugares?
As coisas dizem quem nós somos, mas principalmente quem nós não somos, e esse também é seu valor. Compramos um violão ou uma bicicleta ergonómica na intenção de ir além do que somos quotidianamente. Às vezes vamos, às vezes não. As coisas retratam nossos fracassos e nossos sucessos. Quer conhecer alguém, conheça as suas coisas, mas para além de seu valor económico.
As coisas têm valor enquanto objectos de desejo. Há coisas que compramos pelo valor que adquirem por serem desejadas pelas outras pessoas. Mas quando precisamos decidir o que é realmente importante manter consigo, muitas vezes concluímos que nem sempre os objectos de desejo da grande massa são realmente importantes.
As coisas que preferimos jogar fora são normalmente as mais velhas. Por que estão gastas? Por que não servem mais? Nem sempre. Muitas vezes apenas porque são velhas. Tente vender um móvel usado e verá o valor do velho. A palavra “usado” quase que anula o valor dos bens de consumo. É como uma mácula, que adere mesmo ao mais bem cuidado dos objectos. O novo pode ser mais fraco, mais feio, mais simples, mas foi abençoado pela virtude da embalagem inviolada. Talvez por isso seja tão difícil cultivar o hábito do reutilizar e reciclar objecto, mesmo diante da crise ambiental que vivemos. A indústria é uma espécie de pia baptismal, pela qual os objectos precisam passar para estarem puros ao ponto de poderem ser consumidos.
Mas uma grande alegria que vivemos ao desfazermo-nos das coisas que, ou não queremos, ou não podemos carregar, ocorre no momento da doação. Muitas vezes temos apenas a intenção mesquinha de livrar-se daquilo que no final das contas se tornou um entulho. Não bastasse a realização desse objectivo, ainda somos brindados com o agradecimento sincero de alguém que se acha ajudado pelo nosso ato. Ainda bem que o que não tem valor para um, muitas vezes tem muito valor para outro.
Mas o mais curioso é aquela situação em que se põe o lixo na rua e rapidamente pessoas o reviram procurando por algo que tenha algum valor. Procuram valor onde não deveria mais haver valor. E encontram. Lembro-me de uma criança que ficou feliz ao encontrar algo, não sei exactamente o que, que rapidamente tomou por brinquedo. Deixando de lado a questão social que está em jogo, acho interessante pensar que o valor que damos aos objectos, que se concretiza no seu valor comercial, muitas vezes impede-nos de pensar sobre qual é mesmo o valor de cada coisa para nós. Parece que o valor já está dado, é aquele mesmo da etiqueta. Mas o que vale cada coisa mesmo? Aquela criança não havia ainda aprendido que aquilo não valia nada.
Ediovani A. Gaboardi - Professor da Universidade Federal de Rondônia, Ex-professor do Curso de Filosofia da UPF
A Caixa Geral deDepósitos vai abandonar a administração do BPN, onde está desde que a instituição foi nacionalizada, e o Governo prepara-se para anunciar a injecção de Fundos Públicos, de 500.000.000 de euros, através de um aumento de capital do banco.
Depois de falhada a privatização do BPN, ao Estado restam 2 soluções, qualquer delas com custos para o erário público: ou recapitaliza a instituição, ou pede a sua liquidação.
O Banco de Portugal tem vindo a alertar as autoridades para o facto de o BPN estar a operar no mercado em condições irregulares, pois a sua situação líquida é negativa, de 2.000.000.000 de euros, e não cumpre os rácios prudenciais.
O Ministério das Finanças disse, hoje, que ainda não tomou decisão sobre uma recapitalização do BPN e o afastamento da CGD da administração do banco, como é hoje avançado pelo "Público".
A administração do BPN pediu na passada semana um aumento de capital com o máximo de 500 milhões de euros, mas não há ainda decisões sobre as verbas ou momento da operação, disse hoje o ministério das Finanças.
Os contribuintes não devem ser chamados de novo a pagar as crises da banca. Deve ser o regulador a precaver essa situação. A opinião é de Horta Osório, presidente indigitado do Lloyds Bank.
Fazendo de conta que não aconteceu nada de anormal na vida deste banco e que neste momento ele é do Estado, porque se pensa em continuar a meter dinheiro dos contribuintes numa empresa falida?
Não há nenhum Economista, de direita ou de esquerda, que não tenha outra sentença para as empresas que geram défices, que não seja: FECHE-SE! Decreta FALÊNCIA!
Um banco, no conceito dos Economistas não é uma empresa que vende dinheiro? Há uma que dá prejuízo? FECHE-SE! Decreta FALÊNCIA!
A coisa é tão lógica, que até fiquei surpreendido com o conselho de Horta Osório, posição que eu (um nabo nestas coisas) já tinha dito e redito há tempos. Só porque é óbvio!
Até se fica com dúvidas, se o Governo quer reaver o dinheiro (nunca mais), se quer ganhar algum com a “privatização” (mas ninguém é tolo), se quer salvar o emprego dos 1.800 funcionários (que não deve tirar o sono aos governantes), ou se quer manter os lugares e os ordenados dos Administradores (isso talvez os preocupe).
Alguém no seu perfeito juízo mantém o dinheiro no BPN, ou faz depósitos, ou pede empréstimos? Então que perspectivas se abrem para a regeneração? E apesar das justificações para a sua nacionalização (destruição dos sistema bancário) aconteceu?
FALÊNCIA JÁ! Vendam os imóveis e inaugurem o tal Fundo de indemnizações para os despedidos, já que dizem que é BOM!