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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Diz-se que é uma espécie de meia licenciatura…

Mais de metade dos licenciados são desempregados de longa duração. Apesar de o desemprego total dar sinais de alívio, o investimento está estagnado e existe uma sobrequalificação de quadros.
O desemprego total da economia portuguesa dá sinais de alívio há vários trimestres, mas o número de licenciados que não arranjam trabalho há mais de um ano (longa duração) continua a aumentar. O fenómeno seria pior se não fosse a vaga (mais de 121.000) de emigração qualificada (e não só) para os países do Norte da Europa, para a África e para o Brasil registada nos últimos anos.
O secretário de Estado do Empreendedorismo e da Inovação, Pedro Gonçalves, defendeu que as empresas devem apostar na contratação de mais doutorados, para que estes possam ter mais alternativas a ficar nas universidades.
Para Pedro Gonçalves, o conhecimento desta "geração de quadros altamente qualificados" será determinante para melhorar a qualidade das empresas e a inovação dos produtos. "Se se conseguir que a economia como um todo valorize os nossos doutorados, os incorpore no sistema produtivo, os traga para as empresas, ONG, Governo (...) mais possibilidades se dá de trazerem os anos de estudo que acumularam para a economia", acrescentou.
As regras dos cursos superiores de curta duração serão aprovadas quinta-feira em Conselho de Ministros, mas os politécnicos temem que o diploma tenha de ser alterado antes de entrar em vigor, uma vez que existem questões “criticas”.
Os novos cursos superiores foi um tema debatido na reunião entre o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, e os representantes dos Institutos Politécnicos.
No final do encontro, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, saudou a decisão de “finalmente” ser aprovado em Conselho de Ministros o diploma que vai definir as regras de funcionamento dos novos cursos superiores, que terão a duração de apenas 2 anos, que vão começar a funcionar no próximo ano lectivo nos politécnicos: o de “Técnico Superior Profissional”, que é uma “espécie de meia licenciatura”, exemplificou o secretário de estado.
Os cursos vão implicar o pagamento de uma propina anual. Para aceder aos novos cursos, os alunos não terão de fazer exames nacionais, mas uma prova local no instituto onde pretendem ingressar.
“Ainda não temos o conhecimento completo de como se organiza, de como se faz a ligação ao ensino superior, como é que são financiados, como é que convivem com os cursos de especialização tecnológica”, alertou.
Confrontado com estas críticas, o secretário de Estado sublinhou a qualidade do diploma: “É natural que haja algumas dúvidas, mas a legislação é razoavelmente aberta para poder enquadrar algumas das preocupações e vamos acompanhar a entrada em funcionamento desses cursos para garantir o seu sucesso”.
Já não é de hoje que a quanto mais sobrequalificação académica, menores são as possibilidades de se encontrar emprego, talvez porque os nossos empresários tem poucas habilitações e não gostem de gente mais “inteligente” do que o patrão, mas também porque devem ganhar mais do que um magarefe…
Nos tempos que correm, como se vê, a coisa agravou-se e entre os desempregados jovens os mais qualificados são os mais atingidos, apesar de os governos anteriores propalarem que a mais certificações haveria mais oportunidades para os próprios e mais riqueza gerariam para o país… E foi o que se está a ver.
Diz agora este governo que as empresas devem contratar doutorados, desta geração de quadros altamente qualificados (teoricamente), que só pode contribuir para a melhoria da nossa economia, até porque os ordenados estão “ao preço da uva mijona”…
Convém ter em conta que estes doutorados são já fruto da introdução do processo de Bolonha, que foi e é uma vergonha, reduzindo-se os anos (dos cursos) de aprendizagem e obrigando os alunos (os pais) a pagarem o “Mestrado” para complementar uma licenciatura equivalente ao pré-Bolonha e o “Doutoramento” correspondente ao antigo Mestrado, que não atingiu os objetivos prometidos e tão contestados…
No entanto, para se fazer de conta de que se vai contornar este imbróglio, estão a inventar cursos superiores de 2 anos, já para o próximo ano letivo, embora ainda não tenham conhecimento completo da sua organização, de como se fará a ligação ao ensino superior, como é que serão financiados e como é que conviverão com os cursos de especialização tecnológica. Uma coisa sabe-se, é que vão pagar propinas e nem é preciso fazer exames de admissão, tão defendidos e mimados pelo atual ministro da Educação…
Resumindo: os mais qualificados produzem mais (riqueza) e quanto mais qualificações menos probabilidades de emprego. Logo, há que formar gente menos qualificada e à pressão para os colocar no mundo do trabalho, com menores salários, mesmo que a economia não ganhe mais com isso. Mas como o que interessa é que os Institutos Politécnicos resistam e que as taxas de desemprego “baixem”, aumente-se a bolsa de disponíveis, dispostos a trabalhar a qualquer preço…
E por isso se diz que é uma espécie de meia licenciatura, como reflexo de uma espécie de meio governo que temos, que como os empresários, não quer nem gosta de gente mais “inteligente” do que o patrão-mor…

Ecos da blogosfera - 6 fev.

Ser de esquerda ou ser de direita dará razão a alguém?

Do cantor e músico Pedro Abrunhosa cada um terá a ideia que quiser. Mas das ideias de Pedro Abrunhosa sobre a democracia, a crise e o grande capital, já sabemos o que ele pensa. Diz que "o grande capital percebeu que não precisa da democracia para nada".
Henrique Monteiro
Esta frase é um programa. Porque significa que, em cabeças como a de Pedro Abrunhosa, cuja preocupação com a democracia não era tão grande quando a sua falta se fazia sentir - e de que forma - no leste e no Sol da Terra, como os comunistas chamavam a União Soviética - em cabeças como a dele, afirmava -, a democracia é apenas uma estratégia dos mercados e não passa disso. Se o "grande capital" (um chavão para designar coisas que vão de crimes a grande negócios lícitos e até filantrópicos e quem sabe se o dinheiro que o próprio ganha com o seu trabalho) - se o "grande capital", dizia -, precisa de democracia, temos democracia, se o grande capital entende que ela é desnecessária a democracia entra em crise. Demasiado básico? Com certeza, mas é o que faz caminho por certa esquerda.
Ora a ideia de democracia, que hoje se funda na necessidade de justiça social, voto popular para todos e possibilidade de alterar os governos de forma pacífica, é uma realidade em boa parte do mundo, ao contrário do que se passava há 20 ou 30 anos. Basta ver que, melhor ou pior, o Leste Europeu, a América Latina, boa parte da Ásia e da África se democratizaram, ao mesmo tempo que a globalização ia tornando o "grande capital" cada vez maior. Na China, onde "o grande capital" ainda é controlado pelo Partido Comunista, começam a existir reivindicações democráticas e o mesmo se passa um pouco por todo o lado onde subsistem ditaduras.
Por isso, ao invés daquele simplismo de Abrunhosa, podemos dizer que a globalização tem trazido 3 coisas que contrariam o discurso mais velho e relho da esquerda:
1) Aumento desmesurado da riqueza dos mais ricos; criação de novas fortunas imensas em países considerados emergentes e explorados (México, Turquia, China ou mesmo Angola); 
2) Diminuição da pobreza dos mais pobres (isto só é contraditório para quem acredita que as quantidades de bens no mundo não se alteram, mas esses já deviam ter refletido no facto de haver 7.000 milhões de pessoas que continuam a comer, umas melhor e outras pior, contra todas as previsões dos malthusianos);
3) Expansão significativa do modelo democrático em todo o planeta.
Quando as luminárias das Aulas Magnas (a que ontem aqui se referia Ricardo Costa) e de outros fóruns digerirem a realidade, talvez percebam que a mudança no mundo não corre a favor dos mesmos - de nós, ocidentais e europeus - como vinha a acontecer desde, pelo menos, a revolução industrial. Talvez aprendam a ser humildes e a compreender que o paleio do costume já não cola nem com a realidade, nem com o bom senso, nem sequer com a simples observação. É preciso um maior esforço - já não bastam chavões.
Podem fazer manifestos contra a crise, como podem fazer manifestos contra o vento ou contra o nascer do Sol. Mas esta crise, que não é essencialmente do "grande capital", mas de uma nova arrumação do mundo, está aí para durar.
Recebemos, de Pedro Abrunhosa, o seguinte texto com pedido de publicação ao abrigo do Direito de Resposta, relativamente a uma crónica publicada a 31 de janeiro passado:
"Não esperaria de Henrique Monteiro, cronista do Expresso, outra reacção à minha intervenção sobre a repercussão nefasta que a falta de investimento público produz na economia em áreas axiomáticas como Saúde, Justiça, Educação, Investigação e Cultura, do que aquela que teve em artigo recente que me dedica, revelando surpreendente desconhecimento no que afirma.
Afirmei que a democracia foi tomada de assalto por interesses financeiros privados, aos quais são alheias as vontades e necessidades básicas das populações. Aleguei que, pelo crescente transvase biunívoco entre governantes e altos dirigentes de grupos ligados à banca, o “capital” tinha deixado de necessitar do processo democrático para fazer vingar uma agenda não política, não ideológica, mas apenas financeira. Se se apresentassem a votos em vez de partidos, as agências de rating, o BCE, ou administradores de multinacionais, instituições que efectivamente governam sem este sufrágio, certamente os eleitores europeus pensariam duas vezes antes de os eleger. Ou  aumentaria ainda mais a já assustadora abstenção que decorre deste divórcio entre eleitores e “coisa eleita”, abstenção, em si também, uma séria ameaça ao sistema democrático.
Como no caso de algumas democracias islâmicas, onde há uma total submissão ao poder eclesiástico e religioso, as democracias ocidentais sucumbiram a outras forças maiores que transformaram os avanços civilizacionais do pós-guerra, para todos, em propriedade de muito poucos: o capital, o lucro, a ganância. A democracia existe, é um facto, mas atropelada por esta selvagem verdade: “de um homem, um voto, passámos a um dólar, um voto”. Ainda segundo Joseph Stiglitz, no seu livro “O Preço da Desigualdade”: “A seguir à II Guerra Mundial, o FMI passou a ser o instrumento eleitoral a que os países entregavam na realidade a soberania”. E prossegue: “Os mercados financeiros conseguem o que querem. Podem existir eleições livres, porém, do modo como são apresentadas aos eleitores, não existe uma verdadeira escolha nas questões que realmente lhes interessam, as questões da economia.”
Também o Nobel e Economista, Paul Krugmam, afirmou, e cito: “Nos anos 70 iniciou-se o processo de globalização, que em vez de beneficiar todas as nações, tendeu a produzir ganhos para alguns à custa de outros. A visão geral era que a integração dos mercados mundiais produziam 'desenvolvimento desigual', um aumento nos padrões de vida das nações ricas à custa das pobres”.
Já no seu livro, “O Fim Da Pobreza”, o professor Jeffrey Sachs, maior especialista mundial na área, defende que os investimentos prioritários devem ser nas áreas da agricultura, sendo proposto que se subsidiem os preços de fertilizantes e sementes, saúde pública, como a construção de clínicas que permitam a prestação de cuidados médicos e distribuição de medicamentos a baixo custo, educação, através da construção de escolas e do fornecimento de refeições às crianças com o objectivo de promover a assiduidade, combater o abandono escolar e melhorar os resultados dos alunos, água potável, saneamento básico, transportes e comunicações. Não creio que alguma destas realidades esteja na agenda das democracias vigentes da forma que são tuteladas.
HM chama-me simplista. Neste meu “simplismo”, não estou nada mal acompanhado, como se vê. Já o mesmo não posso afirmar das actuais companhias ideológicas de HM, e das antigas tão pouco.
Enquanto Músico, tenho andado pelo mundo, conhecido o chão de muita gente. Mas sobretudo tenho cruzado ano após ano o chão do meu País. Sei da sua frágil situação porque estou na estrada quase ininterruptamente há mais de 25 anos. O País que eu conheço tem fome, tem necessidade de Paz social, de Justiça célere, de um Sistema Nacional de Saúde humano, omnipresente, de um sistema de Ensino de qualidade e gratuito, de creches, centros de dia, tem necessidade de Bondade, de não deixar morrer os seus na solidão mais triste. O País que eu conheço não é o país que HM conhece, mas sim aquele que ele, no confortozinho do seu gabinete, desconhece. Portugal precisa de uma democracia a sério, participada e esclarecida, de reformar os seus agentes políticos, as suas políticas, as suas falsas elites, mas também alguns dos seus arautos, sobretudo os que nunca souberam vencer o complexo maoísta, como HM, que entrou no pequeno livrinho vermelho do qual, lamentavelmente, não conseguiu ainda sair cabalmente sem ter que afirmar estas banalidades simétricas como se expurgasse de dentro um arrependimento qualquer."

Contramaré… 6 fev.

Os 2 bancos de investimento chegaram a acordo com as autoridades norte-americanas pela venda de empréstimos problemáticos no passado. Estas 2 instituições estão entre um grupo de 18 bancos processados em 2011, com o objectivo de tentar recuperar parte da factura que os contribuintes norte-americanos suportaram no pós-crise.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Haja paciência para entender o que é sustentabilidade!

Segundo a proposta do Orçamento de Estado para 2014, as pensões vão subir 0,25% em 2014, o que representará um aumento de poucos euros no rendimento mensal dos cidadãos pensionistas.
A Comissão Europeia aplaudiu o projeto de lei de reforma das pensões aprovado pelo governo espanhol. A nova legislação introduz o fator de sustentabilidade e estabelece a revalorização do sistema de Segurança Social não vinculado diretamente à inflação.
“Saudamos e apoiamos os planos do governo espanhol de complementar as reformas recentes do sistema de pensões com uma atualização da fórmula da indexação das pensões e a introdução do fator de sustentabilidade”, disseram fontes comunitárias.
A aplicação do fator de sustentabilidade pretende adequar as pensões à esperança média de vida dos beneficiários, considerando que se os espanhóis vivem cada vez mais, a quantia da reforma deve modelar-se em função do tempo quando se for beneficiar desta, explica o Expansíon. Assim, o fator começará a funcionar em 2019, será revisto automaticamente a cada 5 anos e será aplicado uma única vez nas novas pensões.
Em 2014, vai entrar em vigor a nova fórmula de revalorização das pensões: se a situação económica for má, as pensões sobem 0,25%, se for boa, a valorização será igual à variação anual da inflação mais 0,25%.
As fontes comunitárias defendem que estas “são novas medidas importantes para preservar a estabilidade do sistema de pensões, controlar o rápido aumento do gasto em pensões e fortalecer a sustentabilidade no longo prazo”.
Bruxelas pediu assim a Madrid a “rápida adoção e implementação das medidas propostas" no Orçamento do Estado espanhol para começarem a “ter um impacto já no próximo ano”.
Concluindo, há ibéricos e ibéricos e estaria tudo dito, mas…
Sobre a introdução do “fator de sustentabilidade”, deste lado da Ibéria já começou a ser aplicado em 2008, enquanto do outro lado só começará a ser implementado em 2019. Ou nós somos muito apressados e vamos à frente dos espanhóis no que à sustentabilidade das reformas diz respeito ou eles são muito lentos, apesar do “sangue na guelra” que os identifica, sem que essa “lentidão”, que é mais justa, ponha em perigo a tal sustentabilidade do sistema. Aqui há gato, até pelos aplausos de Bruxelas…
Para aumentar as desigualdades de soluções para países vizinhos e Estados-membros da mesma UE, nuestros hermanos não foram castigados com o CES nem com a sobretaxa especial. E ainda… o Estado garante que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica, dependendo da inflação, mas no mínimo 025%. E ainda… nunca poderão ser congeladas.
Para cúmulo, a Ministra do Emprego e da Segurança Social comunicou todas estas “regalias” a cada reformado, pessoalmente, por carta, com “un cordial saludo”, em conjunto com outra carta onde comunicam o aumento específico de 2014.
Qualquer semelhança com a parte mais ocidental da península é mera ficção.
Qualquer diferença com a parte mais oriental é uma real imposição de Bruxelas (na troika), que nos coloca no continente africano…
O que é que devemos chamar a isto? Justiça? Discriminação? Rigor? Embuste?
Discriminação é de certeza e que hay gato, hay!
Imagem recebida por mail

Ecos da blogosfera - 5 fev.

As virtudes e os pecados de uma real virtualidade…

Uma década depois do seu lançamento, a rede social transformou-se, pelo menos para os muitos que lá estão registados, num palco onde todos são estrelas, com audiência própria, mas também parte de uma corrente coletiva que nos ajuda a viver em comunidade. No Facebook, ninguém está virtualmente sozinho.
Se parece evidente dizer que a humanidade nunca se deu bem com a solidão, não é despropositado referi-lo esta terça-feira, o dia em que o Facebook comemora 10 anos.
Já se sabe, a rede social tem mais de 1.230 milhões de utilizadores em todo o mundo; a cada 20 minutos, são partilhados 1.000.000 de links, carregadas perto de 3.000.000 de fotos, escritos 10.000.000 de comentários ou aceites 2.000.000 de pedidos de amizade.
Tudo o que está relacionado com o Facebook é grande, enorme, até porque são muito poucos os que não vivem com o desejo de ser vistos ou reconhecidos. No mínimo, através de alguma coisa que nos diga, por cima das rotinas quotidianas que nos delapidam a individualidade, que somos também ponto de interesse para alguém. Nem que seja com um aceno de cabeça. "A transposição dessa necessidade para o Facebook é já um produto da experimentação desde o início da internet", lembra Gustavo Cardoso, professor do ISCTE, mas o Facebook encontrou uma espécie de ponto de rebuçado na mistura entre a tecnologia e a vontade que temos de existir em comunidade.
A rede social criada há 10 anos por um discreto estudante de Harvard é o zénite do fenómeno a que o reputado sociólogo Manuel Castells chama de "autocomunicação de massas". No Facebook, somos simultaneamente consumidores e produtores, leitores e escritores, espectadores e realizadores. Temos um palco pessoal, com audiência própria, da qual esperamos uma reação para nos sentirmos validados. O Facebook é por isso uma constelação de milhões de estrelas com igual capacidade, à partida, para brilhar.
"É um espaço de expressão das emoções", refere Gustavo Cardoso, acrescentando que, por isso, "é também um espaço onde a nossa vida acontece e onde temos que fazer a gestão das nossas relações". O aceno de cabeça faz-se agora com o botão de "gosto".
O resultado desta soma de vontades individuais é que usar o Facebook não é apenas expressarmo-nos individualmente. É também fazer parte de uma corrente que nos dá poder. "É um espaço público de afirmação democrática", diz Manuel Carlos Silva, que preencheu "uma necessidade das pessoas de serem ouvidas", sustenta o sociólogo da Universidade do Minho.
Em conjunto, a voz coletiva cria polémicas estéreis ou mostra preferências por entretenimento baixo, é certo, mas também luta por causas políticas ou sociais significativas, que ganham força relevante no espaço público tradicional. "O cidadão conseguiu ter uma porta de entrada para conseguir ter alguma influência", continua Manuel Carlos Silva, que, no entanto alerta para a possibilidade "de o indivíduo estar sujeito a manipulações de vária ordem". Para o especialista, no Facebook há também uma "colonização da vida privada feita pelas forças económicas do mercado e das forças políticas elas interligadas". Isto é, tudo o que deixamos registado no Facebook pode, e é, ser usado e explorado por interesses que não controlamos. "Não creio que as pessoas tenham consciência do aproveitamento que é feito", em benefício de vontades - privadas e públicas - pouco transparentes.
Nos últimas semanas tem-se discutido o futuro da empresa. Conseguirá Mark Zuckerberg manter os níveis de influência do Facebook? Estará a rede social, com as notícias de que o segmento jovem estará a abandonar o serviço, com o futuro ameaçado?
Durante 10 anos, estivemos a aprender a usar estas novas possibilidades que o Facebook nos trouxe. Mas daqui a outros 10, se o Facebook ainda existir, estaremos possivelmente melhores no uso que lhe damos. Ou pelo menos, será seguramente diferente.
Em Portugal, de acordo com a Facestore - plataforma que permite a empresas e particulares abrirem uma loja online dentro da sua página do Facebook e a venderem os seus produtos diretamente aos seus amigos, fãs e seguidores - estão contabilizados cerca de 4.700.000 de utilizadores.
Estarão os adolescentes a deixar o Facebook? Um estudo publicado pela "iStrategy", no mês passado, diz que sim. O número de utilizadores entre os 13 e os 17 anos caiu, apenas nos EUA, cerca de 25%.
Mas será que a queda reforça a tese dos investigadores da universidade norte-americana de Princeton que prevê o fim da rede criada por Mark Zuckerberg? Ninguém tem a resposta, mas um dado ganha consistência: os mais novos deixam o Facebook para os pais.
Certo é que hoje, José Duarte Paiva, um estudante de 15 anos, já não tem o mesmo entusiasmo pela rede que utiliza há 3 anos e explica que no Facebook "se perde o controlo do número de 'amigos', que realmente são nossos amigos". Mesmo assim, José Duarte confessa que, depois de ter cancelado há 2 semanas a conta no Facebook, teve uma recaída e voltou à rede porque sentiu falta do frenesim das mensagens.
Conheça 10 curiosidades:
1.º - Dados da companhia indicam que no final de 2013 o Facebook tinha 1.230 milhões de utilizadores activos por mês, quase 1/6 da população mundial. Cerca de 945 milhões de utilizadores acediam àquela rede social através de dispositivos móveis.
2.º - O maior mercado do Facebook provinha dos Estados Unidos, com 146.800.000 de utilizadores no final de 2013, de acordo com um estudo da empresa eMarketer. O 2.º mercado era a Índia (84.900.000), seguido do Brasil (61.200.000) e Indonésia (60.500.000).
3.º - O Facebook não divulga estatísticas detalhadas sobre os utilizadores, mas reportou que 81% dos seus usuários ativos estão localizados fora dos Estados Unidos e Canadá.
4.º - Em 2013, o Facebook era usado por 46,6% da população na América do Norte, por 35,7% na Europa Ocidental, 29,9% na América Latina, 24,9% na Europa Central e de Leste, 11% no Médio Oriente e África e 7,1% na região da Ásia-Pacífico, segundo a eMarketer.
5.º - O Facebook reportou que o seu lucro anual cresceu de 53 milhões de dólares (39 milhões de euros) em 2012 para 1.500 milhões de dólares (1.100 milhões de euros) em 2013, e que as receitas aumentaram para 7.870 milhões de dólares (5.820 milhões de euros) a partir de 5.100 milhões de dólares (3.770 milhões de euros). A maioria das receitas é derivada de publicidade online.
6.º - Mais de um milhão de "marketers" estavam ativos no Facebook em dezembro e a rede social tinha 25.000.000 de páginas de pequenas empresas em novembro, segundo dados da empresa.
7.º - O Facebook foi responsável por uma quota de 5,7% de todas as receitas de publicidade digital global no ano passado e por 18,44% dos gastos em publicidade móvel em todo o mundo, segundo a eMarketer.
8.º - A idade dos utilizadores do Facebook é vista como um fator chave. A consultora iStrategyLabs indicou que o Facebook perdeu 3.000.000 de adolescentes nos Estados Unidos desde 2011, enquanto o número acima dos 55 anos cresceu 80%. Outras consultoras desafiaram a ideia de o Facebook estar a perder adolescentes. Uma pesquisa do Pew Research Center concluiu que o Facebook é usado por 71% dos adultos online, ou por 57% dos adultos norte-americanos em 2013. Segundo o Pew Reserchj Center, 84% dos norte-americanos online na faixa etária compreendida entre os 18 e os 29 anos usa o Facebook, tal como 45% dos maiores de 65 anos.
9.º - Os milionários do Facebook incluem o cofundador Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e o seu primeiro presidente, Sean Parker. A sua diretora de operações Sheryl Sandberg também se tornou milionária com a subida das ações do Facebook em bolsa. Chris Hughes, 1 dos 4 cofundadores do Facebook, foi diretor da organização online para a campanha presidencial de Barack Obama em 2008 e mais tarde comprou a revista The New Republic
10.º - Em dezembro, o Facebook tinha 6.337 empregados. Alguns estudos sugerem que as empresas e aplicações relacionadas com o Facebook criaram muitos mais empregos e valor económico.

Contramaré… 5 fev.

O número de desempregados registados em Espanha caiu em 2,24% em dezembro, somando-se às evidências de recuperação económica gradual no país, embora fatores sazonais tenham tido influência no que foi a maior queda histórica para o mês. Também foi o melhor mês de dezembro desde 2001 para a quantidade de trabalhadores recém-contratados que se registaram para contribuir com a previdência social, disse o secretário de seguridade social, Tomas Burgos: "(Isso) não é uma coincidência, e reflete sim uma série de circunstâncias que inspiram confiança".

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Francisco escreve e fala sem papas na língua…

O Papa Francisco afirmou que a idolatria ao dinheiro impede a criação de uma sociedade igualitária, numa mensagem divulgada pelo Vaticano por ocasião da Quaresma.    
"Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, antepõem-se a uma distribuição equitativa da riqueza. É necessário que a consciência se converta à justiça, à sobriedade e ao compartilhamento", afirmou Francisco. "A miséria não coincide com a pobreza. A miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança", comentou o Pontífice. 
Condições sociais injustas como o desemprego podem levar as pessoas ao pecado, à ruína financeira e até mesmo ao suicídio, advertiu o papa Francisco.
A miséria moral, disse o papa, "consiste na escravidão do vício e do pecado", como o álcool, as drogas, os jogos de azar e a pornografia.
A seguir, o Papa observou que muitas vezes "condições sociais injustas", como o desemprego, podem induzir o ser humano a esse tipo de miséria, privando as pessoas da dignidade do trabalho e do acesso à educação e à saúde. "Em casos assim, a miséria moral pode ser considerada um suicídio iminente".
Desde o início de seu pontificado, Francisco tem alertado para os excessos do capitalismo e para a desigualdade dos rendimentos.
Quem não é católico ou sendo-o é “não praticante”, cada vez mais começa a sentir apoio no báculo deste Papa, que tem a coragem de falar aos poderosos do mundo, dos países e das comunidades, com a simplicidade de conceitos e de valores,  desconstruindo a retórica neoliberal com que tem tentado complicar para confundir quem não tem fé nas doutrinas que orientam o surripianço institucionalizado…
Vale a pena ouvi-lo e segui-lo, politicamente e socialmente…

Ecos da blogosfera - 4 fev.