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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Só para que conste para o futuro e os desmemoriados!

Um relatório publicado pela União Europeia (UE) mostrou que a corrupção envolve os 28 países-membros do bloco e representa um custo anual de cerca de 120.000 milhões de euros.
O relatório, o primeiro da UE sobre corrupção, foi publicado nessa segunda-feira pela Comissária Europeia Cecilia Malmstrom.
O documento revelou que os países da UE tomaram uma série de medidas para combater a corrupção, mas que os resultados têm sidos desiguais e que muito mais ainda precisa ser feito.
Malmstrom disse que a corrupção "mina a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas e no Estado de Direito, fere a economia europeia e priva os estados das tão necessárias receitas tributárias".
A ex-diplomata dá como exemplo os processos de privatização e as amnistias fiscais concedidas "a indivíduos e empresas que esconderam avultadas somas em paraísos fiscais".
A eurodeputada defendeu que, em vez de “monitorizar Estados-membros”, a CE devia avançar com “acções concretas” e acusou a equipa liderada por Durão Barroso de não ter aproveitado os programas de assistência aos países europeus para potenciar reformas na matéria: “Devo sublinhar que a Comissão, que faz parte da troika, nada tem feito para combater a corrupção e a fraude nos países sob assistência financeira. A Comissão continua a fechar os olhos a casos escandalosos e práticas que favorecem a corrupção em Estados-membros e entre Estados-membros, apesar das queixas específicas levadas ao seu conhecimento – como é clamoroso exemplo a aquisição de submarinos por Portugal a um consórcio alemão."
Segundo Ana Gomes, as "troikas têm poder e oportunidade para pressionar os países intervencionados". Mas na prática, em Portugal – assegurou –, os peritos internacionais deixaram passar "privatizações opacas" e a "salvaguarda de lucros de corrupção através de amnistias fiscais".
A Comissão Europeia apontou hoje a corrupção como um dos maiores problemas da economia europeia, cujos danos rondam os 120 mil milhões de euros por ano. No caso de Portugal, pior do que a corrupção em si é, para Bruxelas, a inexistência de “uma estratégia de luta”, com iniciativas e medidas legais.
“Não existe uma estratégia nacional de luta contra a corrupção em vigor”, frisa o relatório apresentado. Para dar um exemplo, a Comissão Europeia salienta que só 8,5% dos casos de corrupção investigados entre 2004 e 2008 tinham sido concluídos até 2010.
“O exercício efetivo da ação penal nos casos de corrupção de alto nível continua a ser um desafio. Devem ser tomadas mais medidas preventivas contra as práticas de corrupção no financiamento dos partidos e estabelecidos códigos de conduta aplicáveis aos funcionários públicos eleitos”, recomenda o documento.
Fica também a sugestão para que “sejam realizados esforços suplementares para responder adequadamente aos conflitos de interesses e para divulgar o património dos funcionários a nível local”, entre outras: “a transparência e os mecanismos de controlo dos procedimentos de adjudicação de contratos públicos devem ser reforçados. Além disso, Portugal deve identificar os factores de risco de corrupção nas decisões de planeamento urbano local”.
As estatísticas apontam ainda para uma maior generalização  do sentimento de impunidade: em Portugal, 90% dos inquiridos assumem a corrupção como um fenómeno corrente, enquanto a média europeia é de 76%. Cerca de 36% dos inquiridos considera ainda que a corrupção afeta o dia-a-dia em Portugal.
A nível empresarial, o relatório da Comissão Europeia aponta que 4 em cada 10 empresas encaram a corrupção como um obstáculo à actividade. De acordo com os peritos que elaboraram o relatório, “tanto a natureza como o nível de corrupção, assim como a eficácia das medidas tomadas para a combater, variam consoante o Estado membro”.
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Contramaré… 4 fev.

La venta de 85 obras de Joan Miró, representativas de siete décadas de carrera artística, ha desatado una tormenta política y social en Portugal. Las obras, que el Banco Português de Negócios (BNP) adquirió en su momento al coleccionista japonés Kazumasa Katsuta pasaron en 2008 al Estado portugués, quien las pone ahora a la venta, los días 4 y 5 de febrero en Christie's Londres, para obtener fondos con los que sanear su maltrecha economía.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

“Economia de Casino” institucionaliza-se… Good luck!

As Finanças vão lançar na 1.ª semana de Abril o sorteio “Factura da Sorte”, que poderá dar prémios de 91.000 euros por semana.
O fisco deverá avançar com um sorteio de automóveis, mas a lei prevê a possibilidade “de serem atribuídos outros bens em espécie”. O valor atribuído já inclui o desconto do Imposto de Selo, feito previamente pela Autoridade Tributária.
As Finanças admitem gastar até 10 milhões de euros por ano com esta medida, realizando um máximo de 60 sorteios.
Para ficar habilitado, o contribuinte tem de pedir factura com número de identificação fiscal que as empresas deverão enviar mensalmente para as Finanças.
Ora a qui está uma boa medida para a sedimentação do sucesso, que ao ser superior a 5.000 mil euros, até já vem sem os 20% do imposto do selo, nos termos da legislação em vigor, ou seja com um corte de prémio…
O grande “senão” é que os 10 milhões de euros por ano não têm hipótese de fazer frente às dezenas de milhões com que são brindados, semanalmente, os concorrentes ao Euromilhões, por apenas 2 euros e sem fatura, sem deixar de ser verdade que u cafezinho (60 cêntimos) já dá direito a concorrer…
Uma outra vantagem, talvez a principal, é esta medida ser um esforço de aggiornamento do nosso executivo, não só para entrar na chamada “economia de Casino”, mas sobretudo para o cidadão comum aceitar esta coisa da “sorte” e do “azar” numa “fiscalidade de Casino”… É que até agora uns não pagavam e tinham sorte e agora quem pagar vai ter azar…
Para quem pensa(va) que estou sempre contra as medidas dos governos, aqui vai uma mãozinha, para ajudar ao sucesso, com publicidade de borla…
À cautela, confira as regras do concurso para não ficar desiludido, porque vai ficar…
E Good Luck!
Conheça as regras do sorteio que a Autoridade Tributária e Aduaneira irá promover:
1 - São válidas todas as facturas emitidas a partir de 1 de janeiro de 2014;
2 - São elegíveis todas as facturas emitidas, independentemente do sector de actividade. Isto é, valem todos os sectores de actividade e não apenas os quatro que actualmente dão um benefício fiscal até 250 euros no IRS - restaurantes e hotéis, oficinas de reparação automóvel e de motociclos e cabeleireiros;
3 - As aquisições feitas por empresas estão excluídas do concurso bem como as feitas por empresários em nome individual no âmbito das actividades exercidas;
4 - Basta que os consumidores peçam para inserir o seu Número de Identificação Fiscal na factura para estarem habilitados a ganhar um dos prémios;
5 - Mantém-se o incentivo fiscal em sede de IRS, até 250 euros que corresponde a 15% do IVA suportado nas facturas emitidas por restaurantes e hotéis, cabeleireiros e oficinas automóveis e de motociclos;
6 - A Autoridade Tributária assegura toda a confidencialidade e segurança relativamente aos dados recolhidos.

Ecos da blogosfera - 3 fev.

Em definitivo, a imbecilidade (hoje) não tem limites…

Incrédulo com a afirmação de que "todos os direitos das pessoas podem ser referendados", vista de fugida na televisão, não resisti ao desabafo instantâneo, através do Facebook. Instintivamente, escrevi: "O direito à justiça, o direito à saúde, o direito à educação, o direito ao trabalho e a um salário digno, o direito à não discriminação sexual, racial, política, religiosa ou qualquer outra. Isto para não falar no direito à vida. Tudo é, portanto, referendável e, por consequência, alienável." E acrescentei, a concluir: "Definitivamente, a imbecilidade não tem limites."
Nuno Saraiva
Minutos depois de exteriorizado o desconforto, Hugo Soares, homem de leis porque advogado, legislador porque deputado, líder da JSD e autor material da golpada que trava, para já, a aprovação da coadoção por casais de pessoas do mesmo sexo, "lamentava", na mesma rede social, a minha conclusão. Que a interpretação era errada, que a frase por ele proferida estava fora do "contexto" e que "se vir o debate, percebe que me estava a referir à questão de o direito de minorias ser ou não objeto de referendo", desafiando-me por isso a "perder 5 minutos" a ouvir a discussão na íntegra. Foi o que fiz, ainda mais assustado com a defesa da honra, quase eugénica, que acabara de ler.
Na ânsia de repor a verdade, Hugo Soares acabou ainda mais atolado na sua argumentação e no seu ideário. Portanto, na linha de raciocínio do chefe da Jota laranja, do que se trata é, afinal, de poder referendar todos os direitos, mas... das minorias. Por exemplo, levado à letra aquilo que Hugo Soares parece sugerir, Portugal, Estado laico de maioria católica, poderia referendar o direito à existência de uma minoria islâmica, judaica ou de outro qualquer credo. Por ventura, poderíamos ser convocados a decidir se uma minoria imigrante tem o direito a procurar emprego em Portugal quando há tantos portugueses sem trabalho. Ou, até, barbárie das barbáries, que fosse plebiscitado o direito da minoria homossexual a recorrer aos mesmos hospitais que a maioria heterossexual. Não se trata de demagogia. É apenas a interpretação literal do argumentário discriminatório de Hugo Soares.
Seguindo o conselho, lá fui ouvir o debate. E fiquei aterrado. Já não falo da persistente falta de respeito manifestada pelo Parlamento e pela democracia representativa, porque essa ficou absolutamente clara no dia em que o jovem deputado passou um atestado de menoridade a si próprio, enquanto eleito pelo povo, e tirou da cartola o referendo sobre a coadoção, aprovada há vários meses em votação na generalidade. O que me horrorizou foi a ignorância manifestada pelo líder da JSD no que à Constituição da República diz respeito e o desconhecimento face à história dos direitos das minorias, desprezando que as maiores conquistas civilizacionais da história da humanidade foram alcançadas, precisamente, porque não houve referendos. Isto é, se o povo tivesse sido chamado a pronunciar-se sobre o fim da segregação racial nos Estados Unidos, muito provavelmente ela não teria acabado. Se o direito das mulheres a votar tivesse sido submetido a consulta popular, talvez não tivesse sido consagrado. Se a abolição da pena de morte em Portugal, em que fomos, aliás, pioneiros, tivesse sido sujeita a referendo, é provável que, no limite do absurdo, ainda hoje vigorasse. E por aí fora.
Os direitos humanos, porque é disso que se trata, não se referendam. Estabelecem-se, respeitam-se e desenvolvem-se e não podem estar à mercê das ditaduras da maioria. E os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos não são, constitucionalmente, revisíveis.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Artigo 30.º - Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Contramaré… 3 fev.

Precisamente um ano após ter proferido a polémica frase: "O país aguenta mais austeridade?... ai aguenta, aguenta!", Fernando Ulrich voltou a explicar o que quis dizer. O presidente do BPI acredita que Portugal tem "feito um trabalho notável" e mostrou-se "contente" com as recentes melhorias económicas. Ainda assim, não deixou de alertar para riscos internos e externos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O centro-direita é bom a ir ao bolso dos indefesos!

“O socialista é muito bom a gastar o dinheiro dos outros, mas quando acaba o dinheiro chamam-nos a nós e a vocês para compor as coisas”, disse, suscitando grandes aplausos numa plateia formada por dirigentes e militantes do Partido Popular (PP) espanhol.
“Os socialistas tendencialmente gastam e a nós toca-nos poupar”, disse ainda, referindo-se às próximas eleições europeias e perguntando se os eleitores devem votar “nos que causaram o problema ou nos que tiveram a ingrata tarefa de resolver a solução”. Paulo Portas falava na Convenção Nacional do Partido Popular (PP), sob o lema “Espanha na boa direção”.
Portas deixou uma mensagem de defesa da unidade também a nível europeu, criticando os que tentam dividir o norte e o sul do continente com “preconceitos culturais”.
Para o presidente do CDS-PP, “não há 2 países iguais. Nós somos vizinhos e diferentes. Uma crise de dívida é muito dura, mas uma de preconceitos culturais é muito mais dura”. “Não gosto dos discursos que querem dividir a Europa entre os do norte, que trabalham, e os preguiçosos do sul”, afirmou.
14 polícias ficaram feridos com ferimentos ligeiros e 15 pessoas foram detidas, entre eles, há 2 menores e 3 mulheres adultas, durante um protesto em Madrid, contra a privatização da empresa de serviços municipais de Alcorcón e contra o despedimento de 19 estagiários camarários.
Segundo fontes autárquicas os incidentes começaram quando um grupo de pessoas "espalhou sacos de lixo" em frente das forças de segurança.
Milhares de manifestantes desfilaram nas ruas de Lisboa e outras cidades do país em mais um dia de luta contra a austeridade, o empobrecimento da população e para exigir novas políticas económicas e sociais.
Veja alguns governos que mudaram com a crise na Europa
1 - O ex-Primeiro-ministro da Islândia Geir Haarde (do centro-direita) foi o primeiro atingido pela crise económica, renunciou em janeiro de 2009, no meio de altos índices de desemprego na ilha e escândalos no sistema bancário e substituído por Jóhanna Sigurðardóttir do Partido Social-Democrata;
2 - O ex-Primeiro-ministro britânico Gordon Brown (trabalhista) renunciou ao posto em 2010 após perder as eleições para o Parlamento para David Cameron do rival Partido Conservador;
3 - Em janeiro de 2011, o então primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, do partido de centro-direita Fianna Fail, renunciou após perder as eleições legislativas. Cowen foi substituído por Enda Kenny, do partido Fine Gael, de centro-direita;
5 - Em Portugal, o então primeiro-ministro socialista José Sócrates renunciou em março de 2011. A direita venceu as eleições legislativas realizadas em junho, e o liberal Pedro Passos Coelho assumiu o cargo de primeiro-ministro em coligação com os Democratas-cristãos;
6 - Na Grécia, o socialista Georges Papandreou renunciou em novembro de 2011, sendo substituído por Antonis Samaras, do partido conservador Nova Democracia, formando uma coligação com os mesmos socialistas;
7 - O ex-Primeiro-ministro espanhol, socialista, Zapatero perdeu as eleições legislativas para o conservador Mariano Rajoy, em novembro de 2011, no meio de um país devastado por dívidas, crise na banca e altos índices de desemprego;
8 - O ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi renunciou em novembro de 2011 e foi substituído por Mario Monti; 
9 - Em março de 2012, a Eslováquia realizou eleições legislativas antecipadas após a queda do governo de centro-direita de Iveta Radicova, em outubro de 2011 sendo substituído pelos Sociais-democratas;
10 - O ex-primeiro-ministro holandês Mark Rutte, liberal, em abril de 2012 apresentou a renúncia do seu governo minoritário de centro-direita, vencendo as eleições seguintes;
11 – Em Abril de 2011 as eleições legislativas na Finlândia deram a vitória à Coligação Nacional que terá um governo de coligação com os conservadores e o Partido Social Democrata;
12 -Após 10 anos de sucessivos governos de centro-direita, a oposição de esquerda chegou ao poder na Dinamarca liderada pela social-democrata Helle Thorning-Schmidt;
13 – Na França, em 2012, Nicolas Sarkozy, de centro-direita, perdeu as eleições para o socialista François Hollande;
14 - Na Noruega, a coligação de centro-direita, liderada pelo Partido Conservador (Høyre), ganhou a eleição, e a líder, Erna Solberg, será a nova Primeira-Ministra. Pela 2.ª vez a Noruega terá um primeiro-ministro de um partido conservador desde 1990.
15 – No Reino Unido, o conservador David Cameron ganhou as eleições, substituindo o trabalhista Gordon Brown e fez coligação com os liberais democratas;
16 – Na Holanda o VVD e os Trabalhistas foram os grandes vencedores das eleições antecipadas de 12 de Setembro.
Paulo Portas não é politicamente ignorante e sabe que entre a social-democracia e o socialismo democrático não há diferenças.
Paulo Portas sabe, por saber da história recente, que o aumento das dívidas não é coincidente com o despoletar da crise e tem cerca de 30 anos, perpassando por todas as ideologias e partidos que governaram durante esse lapso de tempo.
Paulo Portas sabe, por experiência própria, que o despesismo com a compra de 2 submarinos (1.000 milhões de euros), da sua responsabilidade, foi pré-pago por um governo socialista, que aumentou o défice em 2010 e que juntamente com a nacionalização da fraude do BPN empurraram para o pedido de resgate.
Se recorrermos à maioria das eleições depois da crise, é difícil saber se foram os socialista, os sociais-democratas, os centristas, os de centro-direita ou os de direita, que gastaram o dinheiro dos outros…
Se tivermos em conta que, durante a crise, as “ideologias” uma vez no poder alinharam todas pelo “pragmatismo” da austeridade, desviando-as da sua matriz político-ideológica e roubando a torto e a direito aos mais pobres para pagarem as fraudes dos bancos e as dívidas privadas, só podemos concluir que Paulo Portas quer vender gato por lebre, numa tentativa de nos fazer esquecer que está num governo de coligação (com um partido social-democrata) há 2 anos e meio, que é responsável por todas as injustiças sociais que tem apadrinhado, mesmo como democrata-cristão, coisa que nem o Papa lhe perdoará…
Dizer o que disse em Espanha, que para ele e Rajoy vai na boa direção, diante de um PP envolvido em escândalos de fraudes cometidos pelos seus 2 últimos líderes e muitos mais, não deixa de ser caricato. O que devia dizer é que em Espanha, os Populares gostam de se apropriar do dinheiro do povo (e os bancos também)…
E por isso é que, em Espanha e em Portugal, à mesma hora, o povo se manifestava pela enésima vez contra os salvadores das pátrias, à custa do gosto pelo roubo do pouco dinheiro dos pobres, dos “preguiçosos” Funcionários Públicos e dos indefesos Reformados…
Não há pachorra para tanta demagogia
Que os eleitores não lhe perdoem!

Ecos da blogosfera - 2 fev.

De “separação” em separação até à minoria fatal…

A maioria dos dinamarqueses está contra a venda de uma participação da estatal Dong Energy ao banco norte-americano. A má reputação do Goldman Sachs entre os dinamarqueses deixou o governo a um passo do colapso.
A venda de uma posição no grupo estatal de energia dinamarquês DONG ao banco de investimento norte-americano Goldman Sachs provocou a demissão de 6 ministros de 1 dos 3 partidos do governo de coligação.
"Seguimos este caso DONG até ao fim", disse a líder do Partido Socialista Popular e ministra para os Assuntos Sociais e a Integração, Annette Vilhelmsen, aos jornalistas, quando anunciou a sua resignação.
O partido deve continuar a apoiar o governo da primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt no parlamento, se bem que este vá ter de procurar o apoio da oposição em alguns assuntos. Thorning-Schmidt afirmou que não havia necessidade de convocar novas eleições e que o seu governo minoritário iria "apresentar brevemente novos titulares".
O governo dinamarquês quer vender uma posição de 19% na DONG à Goldman Sachs por 8.000 milhões de coroas (1.070 milhões de euros), depois de a empresa ter perdido dinheiro em investimentos no gás natural. Para fazer a venda, o governo teve de chegar a acordo com a oposição de centro-direita, tal como já ocorrera para aprovar o orçamento para este ano.
O assunto desencadeou críticas fortes de militantes socialistas, que têm acusado o seu partido de apoiar um governo cujas políticas consideram de direita. Vilhelmsen disse que decidiu sair também da liderança do partido depois de constatar que era "incapaz de o unir".
O governo, liderado pelos social-democratas, reduziu o imposto sobre os lucros das empresas de 225 para 22% e restringiu o acesso a benefícios sociais.
O crescimento económico na Dinamarca tem sido persistentemente fraco, desde que rebentou a bolha (investimento especulativo) no mercado imobiliário em 2007, o que resultou em anémicas despesas de consumo e um alto nível de endividamento dos particulares.
A primeira nota a registar, é que no “Reino da Dinamarca” a soberania parece residir ainda no povo, que mostrando desagrado e indignação por uma decisão do governo lançou uma petição online, que apenas com 185.000 assinaturas contra o investimento, abalou uma coligação politicamente abrangente, que reunia sociais-liberais, socialistas e Lista Unida, da extrema-esquerda, liderado pela social-democrata Thorning-Schmidt.
Tendo em conta que a PM dinamarquesa prometera uma política fiscal mais rigorosa, mais investimentos públicos, reformas no mercado de trabalho e combate ao desemprego e criar ainda políticas mais generosas para os desfavorecidos, deficientes e refugiados, ao fugir de alguns compromissos, correu o risco de ter os seus eleitores contra si…
A segunda nota tem a ver com a privatização de uma parte de uma empresa, que se traduz na venda de parte da soberania do país, coisa que qualquer povo com o mínimo de orgulho não aceita e combate…
A terceira nota vai para o comprador, um banco com muitas culpas no cartório nesta crise, que acabou por levar muitos países a fazerem as tais privatizações, a favor do infrator - Conspirar uma “crise” para tentar governar o mundo? - e que o povo dinamarquês não perdoou e fez questão de assumir…
A última nota, de caráter político, ressalta a coerência do Partido Socialista Popular, com a demissão de 6 ministros e também da sua líder, que ao demitir-se de ministra e da liderança do partido, simplesmente por se sentir incapaz de o unir…
Seria pura ficção pensar que esta história possa repetir-se noutros “reinos” com outros povos mais pobres…
A irrevogabilidade no “Reino da Dinamarca”…

Contramaré… 2 fev.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) voltou a proteger os trabalhadores do banco público da dupla penalização nos salários em 2014, tal como fez no ano passado, mas garante que cumpre “integralmente” a redução salarial prevista no Orçamento do Estado.
Uma fonte do banco, que pediu para não ser identificada, explicou que “em 2013 houve, de facto, cortes, tal como há cortes este ano”, porém, existe um mecanismo de “reversão da dupla penalização” que evita que os trabalhadores sejam afectados duplamente pelos cortes salariais. Assim, os pensionistas da CGD não são afectados pela CES, como os outros reformados, mas estão sujeitos aos cortes que constam no OE2014.
Para além da CGD, também a aplicação dos cortes salariais na TAP esteve em foco no arranque do ano passado e volta a estar agora.