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terça-feira, 16 de abril de 2013

Parece que cheira (bem) a social-democracia…

Peer Steinbrück arrebatou o público presente no congresso do SPD, dando fôlego ao partido para as eleições gerais de setembro, após meses em queda nas pesquisas de intenção de voto.
Já na primeira frase de Peer Steinbrück, a plateia, de forma espontânea, levantou-se. Foram 2 minutos de aplausos. E isso, só porque o desafiador de Angela Merkel nas próximas eleições gerais alemãs tinha dito que queria ser Chanceler. A afirmação não trazia nada de novo. Mas a maneira como ele a fez, sem preâmbulos, arrebatou os seus partidários.
Segundo as últimas sondagens dos principais institutos, 63% dos alemães pretendem votar em Angela Merkel, da União Democrata Cristã (CDU). A situação é similar em relação às intenções de votos para os partidos. A CDU tem atualmente 42%, à frente do SPD, com apenas 27% das intenções de voto. De acordo com as mesmas previsões, no entanto, a CDU poderá perder o seu atual parceiro de coligação, o Partido Liberal (FDP), que pode não conseguir os 5% necessários para entrar no Parlamento.
Esta seria a hipótese para os social-democratas, que desejam governar em coligação com Verdes após a eleição de 22 de setembro. Por isso, uma das líderes dos ambientalistas, Claudia Roth, foi convidada para discursar na convenção do SPD, em que afirmou que o governo atual é o pior de todos tempos e acusou Merkel de indiferença social. A política Verde afirmou ainda, que quer para a Alemanha não apenas um novo governo, mas uma "mudança de sistema". Peer Steinbrück acrescentou mais tarde que já não vê futuro para "um capitalismo cínico". O Seu lema, assegurou, é mais "nós" e menos "eu".
Contra a riqueza para poucos
Steinbrück quer uma distribuição mais justa de impostos na Alemanha. O programa partidário lançado durante o congresso prevê um aumento de impostos para os "super-ricos", além de um amplo pacote de medidas para conseguir mais receitas para os cofres do Estado, já que, de acordo com o Departamento Federal de Estatísticas, apenas 8% da população ativa ganham mais de 100.000 euros por ano.
Segundo o programa do partido, os mercados devem ser domados, e algumas transações bancárias, proibidas. Steinbrück declarou guerra aos especuladores financeiros – quer investir mais na educação e ajudar as famílias, além de controlar os preços da energia e dos alugueres, para que permaneçam acessíveis.
Muitos pontos do programa não vêm dos delegados, tendo sido desenvolvidos por cidadãos não filiados, iniciativa que visa aproximar o partido do povo, que já tem 150 anos. Muitos participantes do congresso criticam o evento como um mero espetáculo. Outros parecem não ter entendido como se conseguirá financiar o programa.
Na imprensa alemã, o programa eleitoral do SPD é visto de forma crítica, considerado fora da realidade. "O que estamos a planear é financeiramente viável. Calculamos tudo muito bem", garantiu Frank-Walter Steinmeier, candidato a chanceler derrotado por Merkel nas eleições de 2009 e atual líder da bancada parlamentar social-democrata.
Mais diplomacia
Ele, que já foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante o 1.º mandato de Merkel, dá grande importância a que seja criada uma "nova política externa" e lamenta que a Alemanha venha a perder peso político internacionalmente, incluindo no Médio Oriente, onde, segundo o SPD, deve ser dada continuidade aos esforços para uma "solução de dois Estados" – um israelita e um palestiniano.
O programa do partido pede mais apoio para os movimentos democráticos árabes e promete dar suporte à adesão da Turquia à União Europeia, além de querer facilitar a obtenção da dupla nacionalidade para imigrantes estrangeiros que pedirem o passaporte alemão.
Os social-democratas são a favor de que a política europeia de desenvolvimento se paute de forma mais clara por uma abordagem comum e de que o objetivo de investir pelo menos 0,7% do PIB na ajuda ao desenvolvimento seja implementado de forma mais consequente.
Querem também que as missões do Exército alemão no extrangeiro sejam analisadas com mais cuidado no futuro. "Nós também fizemos isso quando estávamos no governo", ressalta Steinmeier. As exportações de armas do governo alemão devem ser controladas mais estritamente, caso SPD e Verdes vençam as eleições.
Muitas pessoas que estiveram no congresso concordam com os planos do partido, mas alguns duvidam da viabilidade das ideias. A maioria, entretanto, gostou da performance do candidato a chanceler, que transmitiu, mais uma vez, autenticidade.
Assim, muitos esqueceram as gafes cometidas pelo social-democrata nos últimos meses e as críticas que sofreu pela sua suposta transformação de palestrante bem remunerado, com posições favoráveis à economia de mercado, a defensor da justiça social.
Agora, para o SDP, só resta esperar que o clima positivo da convenção partidária se reflita também na campanha eleitoral.
E que muita coisa mude, para melhor e que nada fique na mesma, apesar das escassas referências à União Europeia e ao Euro…
Cheira a social-democracia, mas…

Contramaré… 16 abr.

O Ministério das Finanças está a avaliar um conjunto de empréstimos de alto risco que foram contraídos por empresas públicas, especialmente por empresas de transporte. Trata-se dos chamados contratos-swap, contratos de financiamento que foram feitos tendo em perspectiva algo que nunca aconteceu: a subida das taxas de juro de referência. O certo é que se a situação se mantiver os contratos celebrados na última década podem vir a significar prejuízos para o Estado de perto de 3.000 milhões de euros.
Governo quer vender concessão de transportes públicos
Chumbo do Tribunal Constitucional pode custar 1.350 milhões

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Gaspar fala, fala, fala, mas americanos não entendem…

"Há mais de 2 anos que os líderes europeus têm imposto um 'cocktail' de austeridade orçamental e de reformas estruturais em países debilitados como Portugal, Espanha e Itália, prometendo que isso será o tónico para curar as maleitas económicas e financeiras, mas todas as provas mostram que estes remédios amargos estão a matar o paciente", escreve o Conselho Editorial do jornal norte-americano "The New York Times", um dos mais vendidos nos Estados Unidos da América.
O artigo de opinião explica que o principal problema de as medidas de austeridade não estarem já a ter o efeito pretendido - crescimento económico - é, para além do aumento do desemprego, a criação de um descontentamento popular que favorece grupos como o Movimento Cinco Estrelas, em Itália.
"O verdadeiro perigo para a Europa é que movimentos como esse aumentem e que os eleitores e os decisores vejam cada vez menos vantagens em permanecer no euro. Se os países começam a sair da moeda única, isso causaria pânico generalizado no Continente e milhares de milhões de dólares em perdas para os governos, os bancos e os investidores na Alemanha e noutros países ricos europeus, já para não falar no resto do mundo", escreve o jornal, sublinhando que "se os líderes europeus deixaram essas forças políticas ganharem força, toda a gente no Continente, e não apenas os portugueses ou os italianos, ficarão pior".
Numa parte dedicada exclusivamente a Portugal, o jornal escreve que "o Governo de Passos Coelho cortou a despesa e aumentou os impostos, tanto que o défice orçamental caiu cerca de 1/3 entre 2010 e 2012" e acrescenta que o resultado destas e de outras reformas é que o desemprego subiu para os 18%. Assim, "os economistas dizem que Portugal vai provavelmente ter um défice orçamental, este ano, maior que o acordado (com a 'troika') (...) porque as políticas nacionais, sem surpresa, causaram uma recessão mais profunda que o previsto".
Portugal e outros países europeus, no longo prazo, precisarão de reduzir os seus défices e reformar as políticas que têm mantido as suas economias ao longo de décadas. Mas, por agora, esta abordagem, além de promover um desastre económico, criou uma generalizada raiva pública e resistência, que visam os seus políticos.
O artigo defende, por isso, que líderes como a chanceler Angela Merkel parem de insistir na austeridade e "ajudem a aumentar a procura, por exemplo, permitindo que os países mais frágeis possam emitir dívida pública apoiada pela zona euro", o que, no entender deste Conselho Editorial composto por editores e antigos diretores, e que responde diretamente ao presidente do grupo detentor do "New York Times", ajudaria os países a sair da "espiral recessiva".
"Os decisores políticos em Portugal e em Itália teriam a vida facilitada na defesa da necessidade de reformas se não tivessem de, ao mesmo tempo, cortar programas e apoios sociais", diz o texto, que argumenta que "um crescimento económico mais rápido e um desemprego mais baixo criariam os recursos que podiam ser usados, mais tarde, para cortar a dúvida e reduzir o défice".
Os líderes europeus terão dificuldade em admitir que a sua abordagem está a falhar. Mas devem perceber que permanecer no caminho atual está a minar a confiança do público no euro e do maior projeto europeu. Se deixam essas forças ganharem força, todos no Continente, não apenas os portugueses ou os italianos, será pior.
Se o perigo fosse a proliferação de “Grillos”, bem estaríamos e até podíamos exportá-los, mas esse “papão” é tão inofensivo, que nem dá para assustar e espantar os soluços…
De resto, de acordo!

Ecos da blogosfera – 15 abr.

“CRISE”, hoje em dia, significa “Você deve obedecer!”

"O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro", afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News, em 16-08-2012.
Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, Giorgio Agamben foi definido pelo “Times” e por “Le Monde” como uma das 10 mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista. Ei-la.
O governo Monti invoca a crise e o estado de necessidade, e parece ser a única saída tanto da catástrofe financeira como das formas indecentes que o poder tinha assumido na Itália. A convocação de Monti era a única saída, ou poderia, pelo contrário, servir de pretexto para impor uma séria limitação às liberdades democráticas?
“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura há decénios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo no nosso tempo. E trata-se de um funcionamento que nada tem de racional.
Para entendermos o que está a acontecer, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele tornou-se Dinheiro. O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas - assumiu o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram da sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o facto de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o título de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspetiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
A crise económica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?
A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema económico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado. Eu disse “nós, europeus”, pois parece-me que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido, ele, como hoje aparece como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda económico, mas talvez consista nisso, no facto de que o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história e o passado tem um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.
O passado não é, pois, apenas um património de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi. Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, a Sicília, sob este ponto de vista é exemplar) têm relativamente às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim, da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com as autoestradas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.
Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o ‘homo sapiens’ tinha chegado ao fim da sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o snobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimónias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar todo o conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua a ser humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida.
A sua obra mais conhecida, Homo Sacer, pergunta pela relação entre poder político e vida nua, e evidencia as dificuldades presentes nos dois termos. Qual é o ponto de mediação possível entre os dois polos?

Contramaré… 15 abr.

Um trabalho, escreve Passos Coelho, que contou com a colaboração de vários departamentos do governo, organizações internacionais, e um vasto número de elementos da sociedade civil.
De acordo com a carta enviada à troika, o chefe da coligação PSD-CDS que governa Portugal garante que as medidas de corte na despesa do Estado vão ser conhecidas em breve, no Documento de Estratégia Orçamental, que define o rumo do executivo até 2017.

domingo, 14 de abril de 2013

Reduzir a despesa pública = despedir Funcionários Públicos, que (dizem) não podem ser despedidos…

Na sua intervenção, no Conselho nacional do PSD, Pedro Passos Coelho voltou a criticar o facto de o Tribunal Constitucional chumbar 4 normas do Orçamento do Estado deste ano, afirmando que os juízes fizeram política, tomaram decisões com base em considerações de política económica.
O PM admitiu que não percebia as críticas de que foi alvo quando disse que respeitava, mas não concordava com a decisão do TC.
O primeiro-ministro afirmou em carta à troika que a criação de uma tabela salarial única e a convergência da lei laboral e dos sistemas de pensões público e privado são opções para compensar a inconstitucionalidade de normas orçamentais.
O primeiro-ministro referia-se às medidas a antecipar de 2014 para este ano com o objetivo de reduzir a despesa pública, que será centrada na segurança social, saúde, educação e empresas públicas.
Passos Coelho considerou que "o acórdão do Tribunal Constitucional põe grande ênfase na equidade" e apontou esse princípio como "o pilar" da reforma que o executivo PSD/CDS pretende realizar, nomeadamente "melhoria da equidade entre os trabalhadores do setor público, privado e pensionistas, equidade e eficiência económicas e equidade intergeracional".
O primeiro-ministro deu conta de que o Governo tenciona alterar uma das normas do Orçamento do Estado 2013 declaradas inconstitucionais sobre o subsídio de doença e uma contribuição o subsídio de desemprego, anunciada pelo ministro Vítor Gaspar.
A estratégia orçamental para 2013-2017, a preparar em consulta com a troika e a apresentar em breve, terá em conta essas medidas e servirá de base ao Orçamento do Estado para 2014, disse.
Há dias, um ex-secretário de Estado que pediu a demissão do cargo, classificava Vítor Gaspar de psicopata social e foi pena não ter levado a análise psicológica a mais alguns governantes, a começar por Pedro Passos Coelho, na sua qualidade de Pedro.
Quem coleciona reações do Pedro a tudo e a todos que se oponham às suas “convicções”, já concluiu que “quem se mete com o Pedro, leva!” ou quando muito é afastado da sua proximidade. A lógica deixa então de funcionar e quem o guia, nessas circunstâncias, é apenas a sua personalidade e sobretudo o seu caráter. Veja-se esta crítica: “os juízes fizeram política, tomaram decisões com base em considerações de política económica”, como se o seu governo não tivesse feito jurisprudência, e tomado decisões com base em interpretações do foro do Tribunal Constitucional (e já avisado)… Não me admirava nada, que em resposta ao TC, o Pedro propusesse ao governo a alteração das condições de reforma dos conselheiros do TC (com razão), mas por outra razão…
O que poderá justificar esta cegueira do Pedro é a sua dificuldade de compreensão (e de interpretação), mas podia recorrer aos seus conselheiros, mais preparados para estas especificidades… Arre burros!
Mas voltemos ao PM e à sua teimosia (resiliência) na alteração (in)constitucional por vias de facto e aos caminhos para lá chegar.
Todos se lembrarão (não passaram 15 dias) do que disse PPC sobre o salário mínimo, afirmando que os empresários podiam aumentá-lo, porque o governo não tinha nada contra, ou seja, o que o privado faz, não diz diretamente respeito ao governo (menos Estado)… Agora, vem propor a imposição de uma melhoria(?) da equidade entre os trabalhadores do setor público, privado e pensionistas, equidade e eficiência económicas e equidade intergeracional, o que significa que a Fava volta a sair a quem? À Função Pública (claro), aqui voltando o Pedro a funcionar como PM, a insistir, exatamente nas questões chumbadas pelo TC… Mas como Pedro que é, não compreende que as alterações às inconstitucionalidades tem que passar, de novo, pela peneira do Constitucional… Arre burros!
É lógico que há duas soluções para se chegar à melhoria(?) dessa equidade, e a segunda seria igualar o setor privado ao público, com vantagens para a redução do desemprego no privado, sem qualquer custo para o Estado (melhor Estado)! Mas toda a gente já sabe que quando os governantes falam em poupanças, querem dizer despedimentos! E já começa a meter nojo quem ouve alguns “intelectualóides” políticos e comentadores sistémicos (dos partidos do governo ou vivendo à sombra), dizerem que os Funcionários Públicos não podem ser despedidos, depois dos milhares que já o foram! Arre burros!
Por outro lado, do lado dos pensionistas (mais uma insistência numa inconstitucionalidade), perceber-se-ia um nico de justiça, se as condições desenhadas, vigorassem para os que entram no mundo do trabalho, mas nunca para os que já estão nessa situação, depois de uma vida de trabalho, com contrato e cumprimento de obrigações contratuais (mais um confisco), mas o TC lá estará para defender os direitos de quem tem direitos… Arre burros!
Mais uma das atitudes de caráter do Pedro, que aconselha o PM, aconselhado por Gaspar, é a insistência na 3.ª inconstitucionalidade, redesenhada pelo Vítor, que passa por cortes do subsídio de doença e do subsídio de desemprego e que terá de voltar à consideração dos “políticos” do Constitucional… Arre burros!
No meio de tudo isto, que denuncia um fim, é completamente extemporâneo falar-se e definir-se a estratégia orçamental para 2013-2017, quando a troika e o governo só terão garantia de “emprego” até 2015, a não ser que estejam a querer comprometer o governo que lhes seguir, mesmo derrotados pelo povo… Arre burros!
Mas no fim de todas estas fabulações, o que o PM não refere nem sublinha (o Pedro é como é) e deveríamos repetir até todos entenderem (principalmente o Gaspar), é que os chumbos do TC se resumem a 1% do OE2013 e como dizia Manuela Ferreira Leite, qualquer um de nós é capaz de reduzir despesa nesse valor! Ou é muito mais ou são mesmo, todos, uns nerds… Arre burros!
“E os burros somos nós?”
PS – Bispo de Vila Real pede a Passos Coelho “para se lembrar dos pobres”. Mas ele só pensa nos pobres, se não é ele é o Pedro…
Imagem 1 JN - Imagem 2 Público

Ecos da blogosfera – 14 abr.

Quem ganha com a deterioração da educação pública?

“Viemos ao mundo para dar nome às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós”. Lya Luft
Nei Alberto Pies
Qualidade é um substantivo inerente ao ser humano e aos seus afazeres. O ofício de educar, como outros, pressupõe a qualidade, gerada na satisfação e na conquista de aprendizagens protagonizadas por educadores e educandos. O prazer maior nas relações de ensino-aprendizagem está na construção do conhecimento como algo útil, agradável e capaz de desencadear alegria e realização. O educador é um dos maiores interessados na qualidade na educação, pois esta sempre carrega potenciais para a sua satisfação (o fracasso dos educandos também representa o seu fracasso).
Quem ganha com a desqualificação da educação pública? Quem ganha quando os professores/as não são tratados com a dignidade que merecem? Quem goza de alguma vantagem quando os alunos das nossas escolas saem delas sem as mínimas condições de ler e interpretar o mundo, para melhor se inserir nele?
É incrível: quando a sociedade se mostra disposta a debater a qualidade na educação, os professores/as são atacados e apontados responsáveis pelo insucesso escolar. E o que é mais grave: as peculiaridades do seu ofício começam a ser entendidas como privilégios e não como direitos. E os professores que lutam para ampliar ou manter os seus direitos são duramente penalizados.
Por acaso, professores e alunos estão a ser consultados para a avaliação dos processos educativos nos quais são os principais sujeitos? Para avaliarmos a educação, precisamos de legitimidade nos processos avaliativos, a partir de acordos e convencimentos capazes de promover o envolvimento dos sujeitos nas realidades avaliadas. Os seres humanos não são passivos como os produtos e as suas ações e atitudes remetem sempre para a sua liberdade.
Rubem Alves, quando discute “Qualidade em educação”, lembra que “a educação, na medida em que lida com a vida das pessoas e a vida do país, deve ser a área mais rigorosamente testada e é preciso que seja excelente. Entretanto, é aquela em que os testes são mais difíceis e as avaliações, vestibulares e ‘provões’ quase nada significam: nada garante que a qualidade, medida por critérios académicos numéricos, consiga passar os testes que a vida impõe”.
Alves afirma que as avaliações escolares são sempre anunciadas com a intenção de “consertar a máquina” (a estrutura dos sistemas de ensino). E logo responde: “eu, ao contrário, acho que não há nada de errado com a máquina. Não há o que consertar. Acontece que os alunos, mais precisamente os corpos dos alunos – tem também os seus mecanismos de ‘controlo de qualidade’. Se eles não aprendem é porque os seus corpos reprovam a máquina. Os seus corpos vomitam o que a máquina lhes enfia pela goela abaixo. O resultado do ‘examão’ seria a prova disso”. E pondera ainda que o nosso corpo só aprende 2 tipos de conteúdos: os que dão prazer e os que levam ao objeto de prazer (aqueles com razões para serem aprendidos). “A máquina funciona como deve. O problema é que a comida que ela serve é imprópria para a inteligência”.
Há muito tempo que os educadores/as reclamam qualidade. Há tempos que apontam imprópria a “comida” que os governos lhes servem (precarização das condições de trabalho, retirada de direitos e penalizações para quem luta). E isto fere as suas inteligências. Por isso pedem um favor: não chamem de inteligência o que se faz na gestão da educação pública. É muito indigesto e está longe de gerar prazer. E já seria ousadia demais!

Contramaré… 14 abr.

Depois da primeira ronda de reuniões dos ministros das Finanças europeus, Vítor Gaspar revelou que o primeiro dos muitos sacrifícios a impor aos portugueses para responder ao chumbo do Tribunal Constitucional incidirá sobre os desempregados e os doentes apoiados pelo Estado, cerca de 419.360  beneficiários de subsídios de desemprego e as 94.840 que atualmente recebem subsídios de doença.
Foi a primeira moeda de troca para Portugal obter uma extensão de 7 anos nos prazos de amortização da dívida.